História O Acordo - Simbar - Capítulo 4


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Categorias Sou Luna
Tags Benimbar, Pelfi, Simbar, Sou Luna
Visualizações 324
Palavras 4.710
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Esporte, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Gente quando chegarmos em 30 favoritos vai ter maratona ❤️

Capítulo 4 - Capítulo 4


Fanfic / Fanfiction O Acordo - Simbar - Capítulo 4 - Capítulo 4

                     P.O.V Àmbar :

Delfi mantém a palavra. Faz vinte minutos que chegamos à festa, e ela não desgrudou de mim, apesar de o namorado estar implorando para dançar desde que pusemos o pé aqui.
Estou me sentindo uma idiota.
“Tá bom, isso é ridículo. Vai dançar com o Pedro  de uma vez.” Tenho de gritar mais alto que a música — que, por incrível que pareça, até que é decente. Estava esperando umas batidas de boate de quinta categoria ou um hip-hop vulgar, mas quem quer que esteja cuidando do som parece ter alguma afinidade com rock indie e punk inglês.
“Nem pensar!”, Delfi grita de volta. “Vou ficar aqui, curtindo o som com você.”
Claro, porque ficar de tocaia junto da parede feito uma maníaca e me observar agarrada à garrafa de água mineral que trouxe do alojamento é muito melhor do que dançar com o  namorado.

A sala está lotada de gente. Garotos e garotas de fraternidade aos montes, mas há muito mais variedade do que o normal nesse tipo de evento. Vejo alguns alunos de teatro em volta da mesa de sinuca. Meninas do hóquei de grama conversando junto à lareira. Um grupo de rapazes que tenho certeza que são do primeiro ano perto do bar. Os móveis foram todos empurrados contra as paredes forradas de painéis de madeira para dar espaço para a pista de dança no centro da sala. Para onde quer que olhe, vejo gente dançando, rindo e falando besteira.
E a pobre Delfi  está grudada em mim feito velcro, incapaz de aproveitar um segundo da festa a que ela queria vir.
“Anda”, insisto. “É sério. Você não vê Pedro  desde que as provas começaram.
Merece um pouco de tempo livre com seu homem.” Ela hesita.
“Vou ficar bem. Yam e Eva estão bem aqui… Vou conversar com elas um pouco.”
“Tem certeza?”
“Claro. Vim aqui para socializar, lembra?” Sorrindo, dou um tapinha em sua bunda. “Sai pra lá, gata.”
Ela sorri de volta e começa a se afastar, em seguida pega o iPhone e acena para mim. “Manda um S.O.S. se precisar de alguma coisa” , grita. “E nem pense em ir embora sem me avisar!”
A música encobre minha resposta, mas ela me vê acenando antes de se virar.
Observo seu cabelo preto movendo-se entre a multidão, e ela logo está ao lado de Pedro , que, feliz, a leva para o meio da multidão na pista. Viu só? Também posso ser uma boa amiga.
Só que agora estou sozinha, e as duas meninas a quem planejava me juntar estão falando com outros dois garotos bem bonitinhos. Não quero interromper o festival do flerte, então procuro em meio à aglomeração algum conhecido — até Gastón seria um alento para meus olhos cansados neste momento —, mas não vejo ninguém familiar. Contendo um suspiro, me encolho em meu cantinho e passo alguns minutos observando as pessoas.
Depois de vários caras olharem na minha direção com interesse descarado, me recrimino por ter deixado Delfi  escolher minha roupa para a festa. O vestido está longe de ser indecente, bate no joelho e tem um decote comportado, mas marca minhas curvas mais do que eu gostaria, e os saltos pretos com que completei o visual fazem minhas pernas parecerem bem mais longas do que de fato são. Não discuti, porque queria chamar a atenção de Benício , mas, em minha aflição por despontar no radar dele, não pensei nos outros radares todos em que poderia aparecer, e essa atenção toda me deixa nervosa.
“Ei.”
Viro a cabeça e acompanho um garoto bonitinho de cabelos castanhos ondulados e olhos azul-claros caminhando na minha direção. Está de camisa polo, segurando um copo de plástico vermelho na mão, e sorri para mim como se nos conhecêssemos.
“Hmm. Oi” , respondo.
Quando percebe minha expressão confusa, abre ainda mais o sorriso. “Sou Jimmy. A gente faz literatura inglesa juntos, lembra?”
“Ah. Claro.” Sinceramente, não lembro de tê-lo visto antes, mas essa turma tem uns duzentos alunos, então, depois de um tempo, todos os rostos se misturam.
“Você é Àmbar , não é?”
Aceno, me ajeitando, desconfortável, pois seu olhar já baixou para os meus seios uma dezena de vezes nos cinco segundos em que estamos conversando.
Jimmy para, como se estivesse tentando pensar no que dizer. Nada me vem à cabeça também, porque sou péssima em jogar conversa fora. Se tivesse algum interesse nele, perguntaria sobre suas aulas, ou se trabalha, ou que tipo de música ouve, mas o único cara por quem me interesso no momento é Benício … e ele ainda não apareceu.
Eu me sinto uma total idiota procurando seu rosto na multidão. Verdade seja dita, Delfi  não é a única que está estranhando meu comportamento. Também me Vejo diante da mesma dúvida, porque, sério, que obsessão é essa? O sujeito nem sabe que existo. Além do mais, é um atleta. Que merda. Seria melhor me interessar por Simón Álvarez  — pelo menos ele se ofereceu para sair comigo.
E adivinha? No segundo em que penso em Simón , o diabo em pessoa entra na sala.
Não achei que fosse vê-lo esta noite, e, na mesma hora, abaixo a cabeça para que não note minha presença. Talvez, se me concentrar bastante, consiga me camuflar de parede, e ele nem vai saber que estou aqui.
Por sorte, Simón não repara em mim. Para e conversa com um grupo de garotos, então caminha descontraído até o bar do outro lado da sala, onde, na mesma hora, é cercado por meia dúzia de meninas piscando e empinando os peitos para chamar a atenção.
Jimmy, ao meu lado, revira os olhos. “Nossa. O posto de fortão da universidade não cansa, né?”
Percebo que também está acompanhando Simón com os olhos e vejo o desprezo patente em seu rosto. “Você não é muito fã de Álvarez?”, pergunto, secamente.
“Quer saber a verdade ou a resposta oficial?”
“Resposta oficial?”
“Ele é membro desta fraternidade” , explica Jimmy. “O que, tecnicamente, faz de nós irmãos.” Ele reforça a palavra desenhando aspas no ar. “E um membro da Sigma ama todos os seus irmãos.”
É impossível não rir. “Certo, então essa foi a resposta oficial. E a verdade, qual
é?”
A música aumenta, então ele se aproxima de mim. Seus lábios estão a centímetros de minha orelha, quando confessa: “Não suporto o cara. Tem um ego maior do que esta casa”.
Ora, vejam só… encontrei um semelhante. Outra pessoa que não é fã de carteirinha de Simón .
Só que ele interpretou errado o sorriso de cumplicidade que ofereci, porque suas pálpebras tornaram-se pesadas. “Então… quer dançar?” , pergunta, com a voz Não quero. Nem um pouco. Mas quando abro a boca para dizer não, noto um lampejo de cor preta no canto de minha visão. A camiseta de Simón. Droga. Ele me viu e está vindo na nossa direção. A julgar pelo passo determinado, está pronto para duelar comigo de novo.
“Claro” , disparo, pegando depressa na mão de Jimmy. “Vamos dançar.”
Um sorriso lento se abre em seu rosto.
Ih… Talvez eu tenha soado empolgada demais.
Mas agora é tarde para mudar de ideia, porque ele está me levando em direção à pista. E, que sorte a minha, a música muda no instante em que chegamos a ela.
Ramones dão lugar a Lady Gaga. E não é uma das faixas mais rápidas, mas a versão lenta de “Poker Face”. Ótimo.
Jimmy pousa as mãos em meus quadris. Um segundo depois, seguro seus ombros, relutante, e começamos a nos mover ao som da música. É embaraçoso pra caramba, mas pelo menos consegui me livrar de Simón , que está nos encarando com a testa franzida, os dedos envolvendo os passadores da calça jeans desbotada.
Quando nossos olhares se cruzam, abro um meio-sorriso e uma cara de “o que posso fazer” , e ele semicerra os olhos, como se soubesse que só estou dançando com Jimmy para não ter que falar com ele. Em seguida, uma morena bonita toca seu braço, e ele interrompe nosso contato visual.
Jimmy vira a cabeça para ver para quem estou olhando. “Você conhece Simón ?” , pergunta, soando um pouco mais que receoso.
Dou de ombros. “Faz uma aula comigo.”
“São amigos?”
“Não.”
“Bom saber.”
Simón  e a Morena saem da sala, e, na mesma hora, me parabenizo pelo sucesso da minha tática de evasão.
“Ele mora aqui com vocês?” Meu Deus, essa música não acaba, estou tentando puxar papo porque me sinto obrigada a terminar a dança, depois de ter parecido tão “animada”.
“Não, nem brinca” , responde Jimmy. “Mora fora do campus. Está sempre tirando onda por causa disso, mas aposto que é o pai que paga o aluguel.”
Enrugo a testa. “Por que você diz isso? A família dele é rica ou algo assim?”
Jimmy parece surpreso. “Você não sabe quem é o pai dele?”
“Não. Por quê? Deveria saber?”
“Phil Alvarez.” Quando o vinco em minha testa se aprofunda, Jimmy explica.
“Atacante do New York Rangers? Duas vezes campeão da Copa Stanley? Lenda do hóquei?”
O único time de hóquei de que já ouvi falar é o Chicago Blackhawks, e isso porque meu pai é torcedor fanático e me faz assistir às partidas com ele. Portanto, nunca ouvi falar num cara que jogou pelos Rangers há, o quê, vinte anos? Mas
não é surpresa saber que Simón vem da realeza do esporte. O senso de superioridade dele deve estar no sangue.
“Por que não fez faculdade em Nova York, então?” , pergunto, educadamente.
“O pai terminou a carreira em Boston” , explica Jimmy. “Imagino que a família tenha decidido ficar em Massachusetts depois que ele se aposentou.”
Finalmente a música acaba, e invento a desculpa de que preciso usar o banheiro.
Jimmy me faz prometer dançar com ele de novo, então dá uma piscadinha e se afasta para junto de um grupo que está jogando beer pong.
Como não quero que pense que menti a respeito do banheiro, sigo com a farsa da vontade de fazer xixi, deixando a sala de estar para vagar pela sala de visitas por um tempo, que é onde Delfi  me encontra, alguns minutos depois.
“Ei! Está se divertindo?” Seus olhos estão brilhando e tem as bochechas coradas, mas sei que não estava bebendo. Delfi  prometeu se manter sóbria, e ela nunca quebra suas promessas.
“É, acho que sim. Mas estava pensando em ir embora.”
“Ah, não, você não pode ir agora! Acabei de te ver dançando com o Jim Paulson.
Parecia estar se divertindo.”
Sério? Então sou melhor atriz do que tinha imaginado.
“Ele é bonitinho” , acrescenta ela, com um olhar sugestivo.
“Ah… não faz o meu tipo. Mauricinho demais.”
“Bom, eu sei de alguém que faz o seu tipo.” Delfi mexe as sobrancelhas antes de baixar a voz para um sussurro. “Não vire agora, mas ele acabou de entrar.”
Meu coração dispara feito uma pipa num tufão. Não vire agora? As pessoas não entendem que dizer esse tipo de coisa é garantia de conseguir exatamente o oposto?
Giro em direção a porta, então giro de volta para minha amiga, porque, ai, meu Deus. Ela tem razão. Benício finalmente apareceu.
E já que a olhadela que dei foi rápida demais, preciso de Delfi  para conseguir informações adicionais. “Está sozinho?” , murmuro.
“Está com alguns colegas do time” , sussurra ela de volta. “Mas nenhum deles está acompanhado.”
Faço minha melhor interpretação de alguém apenas conversando com uma amiga e que não tem nenhum interesse no cara a três metros de distância. E funciona, porque Benício  e os amigos passam direto por mim e por Delfi , as risadas altas logo encobertas pela música.
“Você está vermelha” , provoca ela.
“Eu sei.” Solto um gemido baixo. “Droga. Essa paixonite é tão idiota, A. Por que você me deixa me envergonhar desse jeito?”
“Porque não vejo nada de idiota. E não tem vergonha nenhuma… é saudável.”
Ela pega meu braço e começa a me arrastar de volta para a sala de estar. O som da música está mais baixo agora, mas o burburinho continua a ressoar pelo ambiente. “Sério, Ámb, você é jovem e bonita, e quero que se apaixone. Não importa por quem, desde que… Por que Simón Álvarez está encarando você?”
“Ele está me seguindo” , resmungo.
Ela ergue as sobrancelhas. “Jura?”
“É, pois é. Está reprovando em ética e sabe que fui bem na prova, então quer que eu dê aulas para ele. O cara não aceita ‘não’ como resposta.”
Ela prende o riso. “Acho que você deve ser a única que deu um fora nele.”
“Se o restante da população feminina fosse tão inteligente quanto eu…”
Olho por cima do ombro de Delfi e vasculho a sala em busca de Benício , e meu pulso dispara assim que o vejo perto da mesa de sinuca. Está de calça preta e um suéter cinza e grosso de lã, o cabelo bagunçado cobrindo a testa larga. Nossa, como adoro esse visual “acabei de acordar”. Não é cheio de gelzinho no cabelo como os amigos, nem está usando a jaqueta do uniforme do time como os outros.
“Delfi , traz essa bundinha linda de volta pra cá! , grita Pedro  da mesa de pingue- pongue. “Preciso de minha parceira de beer pong!”
Seu rosto se colore com um rubor bonito. “Quer ver a gente detonar na mesa de pingue-pongue? Sem a cerveja”
, acrescenta depressa. “Pedro sabe que não tô bebendo hoje.”
Sinto outra pontada de culpa. “Não tem a menor graça sem cerveja” , digo, descontraída. Ela faz que não com a cabeça, resoluta. “Prometi que não vou beber.”
“Não vou ficar muito mais mesmo” , argumento. “Então não tem por que você não se divertir.”
“Mas quero que você fique” , reclama ela.
“E se a gente fizer assim: eu fico mais meia hora, mas só se você se permitir se divertir de verdade? Sei que fizemos um acordo no primeiro ano, mas não quero mais te atrapalhar, D.”
Falo do fundo do coração, porque realmente odeio que ela tenha de ficar de babá toda vez que a gente sai. Não é justo. E depois de dois anos no Blake , está na hora de relaxar, pelo menos um pouco.
“Anda, quero ver você exibindo essas habilidades no beer pong.” Engancho meu braço no dela, que ri e me arrasta até Pedro  seus amigos.
“Ámbar!” , exclama Pedro , animado. “Você vai jogar?”
“Não” , respondo. “Só vim torcer pra minha melhor amiga.”
Delfi  se junta a Pedro  de um dos lados da mesa, e, pelos próximos dez minutos, assisto à partida mais intensa do planeta. Mesmo assim, não me desligo um segundo da presença de Benício  conversando com os amigos do time do outro lado da sala.
Acabo me afastando, porque, enfim, realmente preciso usar o banheiro. Tem um no segundo andar da casa, perto da cozinha, mas a fila está imensa, e demora uma vida até a minha vez. Faço o que tenho de fazer depressa e saio do banheiro… batendo de cara com um peito musculoso.
“Cuidado por onde anda” , uma voz rouca me repreende.
Meu coração para.
Os olhos escuros de Benício  brilham divertidos, enquanto ele pousa a mão em meu braço para me equilibrar. No instante em que me toca, um calor percorre meu corpo e me deixa arrepiada.
“Desculpa” , gaguejo.
“Sem problemas.” Sorrindo, ele dá uma batidinha no próprio peito e acrescenta:
“Você não quebrou nada”.
De repente, me dou conta de que não há mais ninguém na fila do banheiro e somos só eu e Benicio no corredor. Deus do céu, ele é ainda mais bonito de perto. E também muito mais alto do que eu tinha percebido — tenho de deitar a cabeça
para trás para conseguir encará-lo nos olhos.
“Você está na turma de ética comigo, não é?”
, pergunta, em sua voz grave e sensual.
Assinto com a cabeça.
“Benicio ” , se apresenta, como se houvesse alguém no Blake que não soubesse seu nome. Mas acho a modéstia uma graça.
“Ámbar .”
“Como foi na prova?”
“Dez” , admito. “E você?”
“Sete.”
Não consigo esconder a surpresa. “Sério? Então acho que somos sortudos. Todo mundo se deu mal.”
“Acho que isso faz de nós inteligentes, não sortudos.”
Seu sorriso me faz derreter. Sem brincadeira. Sou uma poça de meleca no chão, incapaz de me desviar daqueles olhos escuros e magnéticos. E que cheiro maravilhoso, parece sabonete e loção pós-barba com essência de limão. Seria
muito estranho se eu enfiasse o rosto em seu pescoço para me sentir melhor?
Hmm… acho que sim. Seria.
“Então…” Tento pensar em algo inteligente ou interessante para falar, mas estou muito nervosa para ser espirituosa no momento. “Você joga futebol americano, né?”
Ele faz que sim. “No ataque. É uma fã?” Uma covinha surge em seu queixo. “Do jogo, digo.” Não sou, mas acho que posso mentir e fingir que gosto do esporte. O problema é que é uma jogada arriscada, porque ele pode tentar puxar assunto comigo, e não sei o suficiente para conduzir uma conversa inteira sobre futebol americano.
“Na verdade, não” , confesso, com um suspiro. “Já assisti a uma partida ou duas, mas, para ser sincera, é devagar demais pro meu gosto. Parece que os jogadores correm por cinco segundos, alguém sopra um apito, e eles ficam parados por horas antes da próxima jogada.”
Benicio  ri. Tem uma risada fantástica. Baixa e rouca, e posso senti-la até o dedão do pé. “É, já ouvi essa reclamação antes. Mas é diferente quando se está jogando.
Muito mais intenso do que você pode imaginar. E quando você se interessa por um time ou alguns jogadores específicos, aprende as regras muito mais depressa.”
Ele deita a cabeça de lado. “Você deveria assistir a um de nossos jogos. Aposto que iria se divertir.”
Caramba. Ele está me chamando para uma de suas partidas?
“Hmm, é, quem sabe eu…”
“Di nuzzo !” , uma voz me interrompe. “Está na nossa vez!”
Nós dois viramos, e um gigante de cabelos louros passa a cabeça pela porta da sala. É um dos colegas de time de Benício , está com uma expressão de total impaciência.
“Já vou” , responde Benício . Em seguida, abre um sorriso arrependido ao dar um passo na direção do banheiro. “Big Joe e eu precisamos mostrar para todo mundo como que se joga sinuca, mas antes tenho que ir ao banheiro. Mais tarde a gente se fala?”
“Claro” , respondo, casualmente. Mas não há nada de casual no jeito como meu coração está disparado.
Assim que Benicio fecha a porta atrás de si, corro para a sala de estar com as   pernas bambas. Estou doida para contar a Delfi sobre o que acaba de acontecer, mas não tenho oportunidade. No segundo em que entro na sala, me deparo com os noventa quilos e os quase dois metros de Simón Álvarez v bloqueando meu caminho.
“Smurf ” , diz, animado. “Você é a última pessoa que esperava ver aqui hoje.”
Como sempre, sua presença me faz ficar tensa de novo. “Ah, é? Por quê?”
Ele dá de ombros. “Não achei que festas de fraternidade fossem a sua cara.”
“Bom, você não me conhece, lembra? Talvez eu seja arroz de festa.”
“Mentirosa. Teria visto você antes.”
Ele cruza os braços sobre o peito, uma pose que faz os bíceps flexionarem.
Reparo na pontinha de uma tatuagem aparecendo debaixo da manga, mas não dá para ver o que é, só que é preta e parece complexa. Chamas, talvez?
“E aí, sobre esse negócio das aulas… acho que a gente devia parar um minuto para montar uma agenda.”
Uma onda de irritação sobe a minha coluna. “Você não desiste, não é?”
“Nunca.”
“Pois pode começar a desistir, porque não vou dar aula para você.” Estou distraída. Benicio voltou para a sala, o corpo alto e ágil movendo-se pela multidão em direção à mesa de sinuca. Está na metade do caminho, quando uma morena
bonita o intercepta. Para minha surpresa, ele para e conversa com ela.
“Por favor, Smurf , ajude o cara aqui” , implora Simón .
Benicio ri de algo que a menina disse. Do mesmo jeito que estava rindo para mim há um minuto. E quando ela toca seu braço e se aproxima, ele não se afasta.
“Olha, se você não quiser se comprometer com o semestre inteiro, pelo menos me ajude a passar na prova. Vou ficar te devendo essa.”
Já não estou mais prestando a menor atenção em Simón . Benicio se abaixa para sussurrar junto à orelha da menina. Ela ri, suas bochechas se coram, e meu coração desce até a barriga.
Tinha tanta certeza de que a gente tinha tido uma… conexão. E ele já está flertando com outra pessoa?
“Você não tá me ouvindo” , acusa Simón . “Tá olhando pra quem?”
Afasto os olhos de Benicio  e da morena, mas não rápido o suficiente.
Simón abre um sorriso ao notar o meu olhar. “Qual deles?” , exige saber.
“Qual deles o quê?”
Ele aponta com a cabeça para Justin, em seguida, vira um metro e meio para a direita, onde vejo Jimmy conversando com seus amigos de república. “Paulson ou Di Nuzzo … com quem você quer trepar?”
“Trepar?” Ele consegue minha atenção de volta. “Eca. Quem fala esse tipo de coisa?”
“Tudo bem, prefere que diga de outro jeito? Com quem você quer transar — ou fazer amor, se essa for a sua praia.”
Faço uma cara feia. O cara é um babaca.
Quando fico em silêncio, ele responde por mim. “Di Nuzzo”, conclui. “Vi você dançando com Paulson antes, e, definitivamente, seus olhos não estavam brilhando por ele.”

Não confirmo nem nego. Simplesmente me afasto. “Tenha uma boa noite, Simón .”
“Odeio ser eu a dar a notícia, mas não vai acontecer, Smurf . Você não faz o tipo dele.”
Uma sensação de raiva e vergonha toma conta de minha barriga. Uau. Ele acabou mesmo de dizer isso?
“Obrigada pela dica” , respondo com frieza. “Agora, se me dá licença…”
Simón  tenta me segurar pelo braço, mas eu o atropelo e o deixo no vácuo.
Procuro por Delfi  pela sala e não demoro a vê-la aos beijos com Pedro no sofá. Não quero interrompê-los, por isso dou meia-volta em direção à porta.
Meus dedos tremem ao digitar uma mensagem para ela, avisando que fui embora. A avaliação direta de Simón — você não faz o tipo dele — ecoa em minha mente como um mantra depressivo.
Mas, verdade seja dita, é justamente o que eu precisava ouvir. E daí se Benicio falou comigo no corredor? É claro que não significou nada, porque no minuto seguinte ele xavecou outra pessoa. É hora de encarar a realidade. Benicio e eu não vamos ficar, não importa o quanto eu queira.
Que burrice a minha vir aqui hoje.
Ondas de vergonha varam meu corpo, enquanto deixo a casa Sigma e saio na brisa fria da noite. Me arrependo de não ter trazido um casaco, mas não queria ficar com as mãos ocupadas a noite inteira e achei que aguentaria as temperaturas de outubro nos cinco segundos entre o táxi até a porta da frente.
Delfi me responde assim que piso na varanda, oferecendo-se para sair e me fazer companhia até o táxi chegar, mas digo a ela para ficar com o namorado. Pego o número do serviço de táxi da faculdade e, quando estou prestes a digitar no
celular, ouço o meu nome. Digo, uma variação irritante dele.
“Smurf . Espere.”
Desço os degraus da varanda dois de cada vez, mas Simón é muito mais alto do que eu, o que significa que tem uma passada mais comprida e me alcança em dois segundos.
“Por favor, espere.” Ele me detém pelo ombro.
Afasto sua mão e me viro para encará-lo. “O que foi? Resolveu me ofender um pouco mais?”
“Não queria ofender você” , reclama ele. “Só estava constatando um fato.”
Que ódio. “Nossa. Obrigada.”
“Merda.” Ele parece frustrado. “Ofendi você de novo. Não foi minha intenção.
Não estou tentando dar uma de babaca, o.k.?”
“Claro que não está tentando. Você já faz isso naturalmente.”
Ele tem a cara de pau de sorrir, mas seu bom humor desaparece depressa.
“Olha, conheço o cara, tá legal? É amigo de um dos meus colegas de república e já foi lá em casa algumas vezes.”
“Que bom pra você. Pode ficar com ele então, porque não estou interessada.”
“Ah, está sim.” Ele parece muito confiante, e o odeio por isso. “Só estou dizendo que Di Nuzzo tem um tipo.”
“Tudo bem, então me diga, qual é o tipo dele? Não que eu esteja interessada ou qualquer coisa assim” , acrescento depressa.
Ele sorri como quem entendeu tudo. “Ah, sim. Claro que não está.” Em seguida,dá de ombros. “Faz uns dois meses que entrou na universidade, não é? Até agora só o vi com uma líder de torcida e duas integrantes da Kappa Beta. Sabe o que isso me diz?”
“Não, mas isso me diz que você passa tempo demais prestando atenção em quem os outros caras pegam.”
Ele ignora as farpas. “Isso me diz que Do Nuzzo está interessado em garotas de certo status social.”
Reviro os olhos. “Se isso é mais uma proposta de me fazer popular, vou ter que deixar passar.”
“Ei, se você quer chamar a atenção de Eu Nuzzo , vai ter que fazer algo drástico.” Ele faz uma pausa. “Tô dizendo que a proposta de sair com você ainda está de pé.”
“E continuo recusando. Agora, se me dá licença, preciso chamar um táxi.”
“Não, não precisa.”
A tela do meu celular apagou, e digito minha senha depressa, para desbloqueá-lo.
“É sério, não precisa” , insiste Simón . “Te deixo em casa.”
“Não preciso de motorista.”
“É isso que taxistas são. Motoristas.”
“Não preciso de você como meu motorista” , me corrijo. 
“Você prefere pagar dez dólares para voltar para casa do que aceitar uma carona  minha de graça?”
Sua observação sarcástica acertou na mosca. Porque sim, definitivamente confio  mais num taxista empregado pela universidade para me levar para casa do que em Simón Álvarez . Não entro em um carro com estranhos. Ponto.
Simón semicerra os olhos como se tivesse lido meus pensamentos. “Não vou tentar nada, Smurf . É só uma carona para casa.”
“Volte para a festa, Simón. Seus amigos devem estar se perguntando onde você se meteu.”
“Vai por mim, eles não ligam a mínima para onde estou. Só estão interessados em encontrar uma menina bebaça pra comer.”
Engasgo. “Meu Deus. Você é nojento, sabia?”
“Não, só sincero. Além do mais, não disse que eu estou interessado nisso. Não preciso embebedar uma mulher para dormir comigo. Elas aparecem sóbrias e por vontade própria.”
“Parabéns.” Solto um grito quando ele puxa o telefone da minha mão. “Ei!”
Para minha surpresa, ele vira a câmera na sua direção e tira uma foto.
“O que você está fazendo?”
“Pronto” , diz, me devolvendo o aparelho. “Pode mandar essa carinha bonita para toda a sua lista de contatos e dizer que eu estou te levando para casa. Se você aparecer morta amanhã, todo mundo vai saber quem foi o responsável. E, se quiser, pode deixar o dedo no botão de chamada de emergência o tempo inteiro, caso precise ligar para a polícia.” Ele solta um suspiro exasperado.

“Posso te levar pra casa agora?”
Embora a ideia de ficar esperando um táxi em pé do lado de fora, sem casaco, não me agrade, faço uma última exigência. “Quanto você bebeu?”
“Meia cerveja.”
Ergo uma das sobrancelhas.
“Meu limite é uma” , insiste ele. “Tenho treino amanhã de manhã.”
Minha resistência se esvai diante do olhar de franqueza em seu rosto. Já ouvi muitos boatos a respeito de Simón , mas nenhum deles envolvendo álcool ou drogas, e o serviço de táxi da universidade é famoso por demorar horrores, por isso, sério mesmo, acho que não vou morrer se passar cinco minutos no carro com o cara. Se eu me irritar, posso ignorá-lo sem problemas.
Ou melhor, quando eu me irritar.
“Tudo bem” , aceito. “Pode me levar pra casa. Mas isso não significa que vou dar aulas para você.”
Seu sorriso é o cúmulo da presunção. “No carro a gente discute.”


Notas Finais


Continua ???


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