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História O Acordo - YoonMin - Capítulo 16


Escrita por: LuanaDias676

Capítulo 16 - Capítulo 16


Fanfic / Fanfiction O Acordo - YoonMin - Capítulo 16 - Capítulo 16

Yoongi 


– Oi, Yoon.

Taehyung me surpreende no trabalho, à noite, sentando numa das minhas mesas com um sorriso radiante. Quando Hoseok senta ao lado dele, tenho de me segurar para não escancarar um sorriso. 

– E aí, Yoon? – pergunta Hoseok, passando o braço ao redor dos ombros de Taehyung. 

– Oi.

Passei o turno lidando com clientes complicados, então estou realmente satisfeito de ver rostos amigos. 

– Querem beber alguma coisa, enquanto dão uma olhada no cardápio? 

– Um milk-shake de chocolate, por favor – pede Taehyung. 

– E dois canudinhos – acrescenta Hoseok com uma piscadela, erguendo dois dedos. 

Não contenho uma risada. 

– Caramba, vocês dois são tão fofinhos que tá me dando enjoo.

Mas fico feliz em vê-los felizes. 

Para um garoto de fraternidade, Hoseok até que é bem decente, nunca sacaneou Taehyung, até onde sei. Nas vezes em que terminaram foi sempre por decisão de Taehyung que achava que eram jovens demais para algo tão sério, e Hoseok foi infinitamente paciente com meu amigo o tempo todo. 

Preparo o milk-shake dos pombinhos e o levo até a mesa, com uma mesura exagerada. 

– Senhores.

– Obrigado, amigo. Então, escuta – diz Taehyung, enquanto Hoseok estuda o cardápio – Algumas das pessoas do nosso andar vão fazer uma maratona de Dorama do Park Bo-gum amanhã à noite.

Hoseok solta um gemido. 

– Outra maratona? Não sei o que vocês veem naquele magrelo.

– Ele é lindo – corrige Taehyung, antes de se voltar para mim – Topa?

– Depende da hora.

– Tracy tem aula até mais tarde, mas vai estar de volta às nove. Mais ou menos por aí, então?

– Merda. Vou dar aula particular às nove.

Taehyung faz uma cara de decepção. 

– Não dá para marcar mais cedo?

Ele movimenta as sobrancelhas, como se estivesse tentando me encorajar. 

– Val vai fazer sangria…

Tenho de admitir, não preciso de muito encorajamento. Faz tempo desde que saí com as meus amigos ou bebi uma gota de álcool. 

Posso não beber em festas (e por um bom motivo), mas não me importo de tomar umas de vez em quando. 

– Vou ligar para Jimin no meu intervalo. Ver se ele pode antecipar.

Hoseok ergue os olhos do cardápio, interessado na conversa de novo. 

– Quer dizer que você e Jimin são melhores amigos agora?

– Que nada. É só uma relação professor/aluno.

– Mentira  – brinca Taehyung. 

Ele se vira para o namorado. 

– Já viraram melhores amigos. Trocam mensagens e tudo.

– Tá. Somos amigos – admito a contragosto. 

Quando Hoseok me lança um sorriso malicioso, faço logo uma cara feia para ele. 

– Só amigos. Pode ir limpando essa mente suja.

– Ah, e eu tenho culpa? O cara é o capitão do time de hóquei, troca de pessoa mais rápido do que de roupa. Você sabe que todo mundo vai achar que é o próximo alvo dele.

– Podem pensar o que quiserem – Dou de ombros – Não tem nada entre a gente.

Hoseok não parece convencido. 

Deixo ele e Taehyung e vou atender outros clientes. Na hora do intervalo, dou um pulo na sala de funcionários e ligo para Jimin. 

O celular toca até cansar. 

Enfim ele atende, o “alô” ríspido encoberto por uma música alta de fundo. 

– Oi, é o Yoongi – digo a ele. 

– Eu sei. Tenho identificador de chamadas, bobinho.

– Queria ver se podemos mudar o nosso horário amanhã.

Um hip-hop ensurdecedor explode no meu ouvido. 

– Oi? O quê?

Falo mais alto para ele me ouvir melhor. 

– Podemos nos encontrar mais cedo amanhã? Vou estar ocupado às nove, então queria marcar lá pelas sete. Tudo bem?

A resposta dele é encoberta pela batida ensurdecedora de Jay-Z. 

– Onde você tá? – estou praticamente gritando agora.

– Em casa – é a resposta abafada –  Convidamos umas pessoas para assistir ao jogo.

Umas pessoas? 

Parece que ele está no meio da Times Square. 

– Então você vem às nove? 

Engulo minha irritação. 

– Não, às sete, tudo bem?

– Jimin, cadê minha cerveja?

Uma voz interrompe a chamada. 

A julgar pelo leve sotaque texano, deve ser Seokjin. 

– Espere aí, Yoon. Um segundo.

Ouço um barulho do outro lado, seguido por uma gargalhada, e logo Jimin está de volta. 

– Ok, amanhã, às nove, então.

– Às sete!

– Certo, às sete. Desculpa, não tô ouvindo direito. Até amanhã.

Ele desliga na minha cara, mas não me importo. 

Descobri na semana passada que Jimin nunca se dá ao trabalho de se despedir no telefone. 

Isso me incomodava no início, mas agora eu meio que valorizo a economia de tempo. 

Enfio o telefone no avental e volto para o salão principal da lanchonete para avisar a Taehyung que estou liberado amanhã à noite, e ele grita em resposta: 

– Uhu! Mal posso esperar para começar a maratona. O. Cara. Mais. Gostoso. Do. Mundo.

– Estou bem aqui, sabia? – resmunga Hoseok. 

– Amor, você já viu o tanquinho daquele homem? – pergunta ele. 

Seu namorado solta um suspiro.


°°°



Na noite seguinte, apareço na casa de Jimin às sete em ponto e, como de costume, entro sem bater. 

Antes de subir, dou uma olhada na sala para dizer oi a Namjoon e aos outros. 

Namjoon não está, mas Seokjin e Dean me olham confusos ao perceber minha presença. 

– Oi, Yoon – Seokjin franze a testa – O que está fazendo aqui?

– Vim dar aula para o seu capitão, o que mais? – Revirando os olhos, começo a seguir em direção à escada. 

– Se eu fosse você, não subiria, gato – avisa Dean. 

Paro onde estou. 

– Por que não?

Seus olhos verde-claros brilham de divertimento. 

– Hmm… talvez ele tenha esquecido.

– Bom, então vou subir e lembrá-lo.

Um minuto mais tarde, lamento completamente a decisão. 

– Ei, Park, vamos acabar logo com isso que eu…– paro no meio da frase, incrédulo, ao abrir a porta. 

O constrangimento me invade quando me dou conta do que estou vendo. 

Jimin está deitado na cama, o peito nu em toda a sua glória… com uma menina nua sentada em cima dele. 

Isso mesmo, a srta. Gostosona está do jeito que veio ao mundo, e, ao som da minha voz, vira-se na minha direção numa nuvem de cabelos loiros. Seios rosados invadem minha visão, mas de qualquer forma não tenho tempo de avaliá-los, porque seus gritos lancinantes cortam o ar. 

– Que porra é essa? 

– Merda. Mil desculpas – deixo escapar. 

Então bato a porta e disparo para o primeiro andar, como se estivesse sendo perseguido por um psicopata. 

Quando apareço na sala um momento depois, sou recebido por dois rostos sorridentes. 

– Avisamos que não era para ir lá em cima – diz Seokjin, com um suspiro. 

O sorriso de Dean se alarga. 

– Como foi o show? Não dá para ouvir muito daqui, mas tenho a sensação de que ela é do tipo que grita.

Estou tão mortificado que é como se meu rosto estivesse queimando de dentro para fora. 

– Vocês podem avisar ao amigo de vocês para me ligar quando terminar? Na verdade, não. Digam que ele tá sem sorte. Meu tempo é precioso demais, caramba. Não vou mais dar aula nenhuma, já que ele obviamente não leva o meu horário a sério.

Com isso, saio pisando duro, as emoções se alternando entre a vergonha e a raiva. 

Inacreditável. 

Como ele acha que pegar uma garota é mais importante do que passar na prova? 

E que tipo de idiota faria isso quando sabia que eu estava chegando? 

Estou a meio caminho do carro de Tracy, quando a porta da frente abre, e Jimin sai correndo. 

Pelo menos teve a decência de colocar uma calça jeans, mas ainda está sem camisa. E sem sapato, aliás. 

Corre na minha direção com uma expressão que é um misto de vergonha e irritação. 

– Que merda foi aquela? – pergunta. 

– Você tá brincando com a minha cara? –retruco – Quem tinha que fazer essa pergunta era eu. Você sabia que eu vinha hoje!

– Você marcou às nove!

– Mudei para às sete, e você sabe disso – Faço uma cara feia – Talvez da próxima vez você devesse prestar mais atenção no que eu digo. 

Ele penteia o cabelo com as mãos, e seus bíceps se enrijecem com o movimento. 

O ar frio provoca arrepios em sua pele sedosa e meu olhar é inconscientemente atraído para a linha fina que aponta em direção ao botão aberto da calça. 

Ao ver isso, uma estranha onda de calor corre para dentro de mim. Meu corpo de repente parece dolorido, os dedos formigando de desejo de… ah, pelo amor de Deus. Não. 

E daí se o cara é escultural? 

Isso não significa que eu queira cavalgá-lo. 

Ele já tem alguém que faça isso. 

– Me desculpa, tá legal? – resmunga Jimin – Estraguei tudo.

– Não, não tá legal. Um: você obviamente não respeita o meu horário. E dois: você obviamente não quer passar nessa matéria, caso contrário, sua calça estaria abotoada e o livro aberto na sua mão.

– Ah, é mesmo? – ataca ele – Então, você espera que eu acredite que você estuda o tempo todo e nunca fica com ninguém?

O desconforto faz meu estômago revirar, e, como não respondo, a suspeita inunda seus olhos. 

– Você fica com outras pessoas, não fica? 

Um suspiro irritado me escapa pelos lábios. 

– Claro que fico. É só que… já faz um tempo.

– Quanto tempo? 

– Um ano. Não que isso seja da sua conta – Fecho a cara e abro a porta do motorista – Pode voltar para a sua periguete, Jimin. Tô indo embora. 

– Periguete? – repete ele – Isso é uma suposição grosseira, você não acha? Até onde você sabe, ela pode ser uma bolsista integral.

Ergo uma sobrancelha. 

– E é?

– Bom, não –admite – Mas Tiffany…

Solto um bufo irritado. 

Tiffany. 

Claro que o nome dela é Tiffany. 

–… é uma menina muito inteligente – termina sério. 

– Aham, tenho certeza que sim. Volta lá para a srta. Inteligente então. Tô caindo fora.

– Podemos remarcar para amanhã?

Abro a porta do carro. 

– Não.

– Vai ser assim? – Ele segura a porta – Então suponho que o nosso encontro de sábado também não esteja mais de pé, certo?

Ele olha para mim. 

Olho de volta. 

Mas nós dois sabemos que não vai ser ele quem vai ceder. 

De repente, repasso a conversa que tive com Jungkook no corredor no outro dia. 

Minhas bochechas ardem de novo, mas, desta vez, não tem nada a ver com o fato de que acabei de flagrar Jimin com as calças na mão. 

Literalmente. 

Jungkook finalmente se deu conta da minha existência, e não ir a essa festa é deixar passar a oportunidade de falar com ele fora da universidade. 

Não costumamos circular nos mesmos ambientes, então, a menos que eu queira me limitar a uma interação semanal na aula de ética, preciso ser proativo e procurá-lo fora da sala de aula. 

– Tudo bem – murmuro para Jimin – Vejo você amanhã. ÀS SETE.

Sua boca se curva num sorriso de satisfação. 

– Foi o que eu pensei.




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