1. Spirit Fanfics >
  2. O Acordo >
  3. Cap.15

História O Acordo - Capítulo 15


Escrita por:


Notas do Autor


Estamos de volta....

Capítulo 15 - Cap.15


Hermione

 

Parece que acabei de voltar no tempo para os recreios na terceira série. A menos que haja outra explicação para Ronald estar me provocando a beijá-lo. 

 

-Não preciso provar nada - rebato. - Acontece que beijo muito bem. Infelizmente, você nunca vai descobrir.

 

-Never say never - responde ele, cantarolando. 

 

-Obrigada por isso, Justin Bieber. Mas não, não vai rolar, cara. - Ele suspira. 

 

-Entendi. Você está se sentindo intimidada pelo vigor da minha masculinidade. Relaxa, acontece o tempo todo. 

 

Ai, que saco. Ainda me lembro dos dias — há uma semana — em que Ronald Weasley não fazia parte da minha vida. Quando não tinha que ouvir seus comentários arrogantes nem ver seus sorrisos de cafajeste ou me meter numa guerra de flertes na qual não tenho interesse algum. 

 

Só que Ronald é muito, muito bom numa coisa em particular: lançar desafios. 

 

-O medo faz parte da vida - diz, solenemente. - Não se deixe abater por ele, Grangy. Todo mundo passa por isso. - Rony se reclina nos cotovelos, cheio de si. -Sabe de uma coisa, vou pegar leve com você. Se está com medo de me beijar, não vou te obrigar.

 

-Medo? -  retruco. - Não estou com medo, seu idiota. Só não quero.

 

Ele exala outro suspiro. 

 

-Então acho que voltamos às questões de autoconfiança. Não se preocupe, tem um monte de gente por aí que beija mal, gatinha. Tenho certeza de que, com prática e perseverança, um dia você vai ser capaz de…

 

-Tá bom - interrompo. - Anda logo. 

 

Ele se cala, os olhos arregalados de surpresa. Rá. Então não estava esperando que eu fosse pagar pra ver. Nossos olhares se fixam um no outro por séculos. Ele está supondo que eu volte atrás, mas tenho certeza de que ele vai recuar primeiro. Talvez seja infantil da minha parte, mas Ronald já conseguiu exatamente o que queria com essa história de aula. 

 

Dessa vez, eu quero ganhar. Mas o subestimei de novo. Seus olhos  se escurecem, e, de repente, transmitem calor. Um calor e um brilho de autoconfiança, como se estivesse certo de que não vou até o final. Identifico essa certeza no tom desdenhoso que usa quando finalmente fala. 

 

-Tudo bem, vamos ver como você se sai, então. 

 

Hesito. Puta que pariu. Ele não pode estar falando sério. E não posso mesmo estar considerando este desafio absurdo. Não me sinto atraída por Ronald e não quero beijá-lo. Fim de papo. Só que… bem, na verdade, não parece o fim de nada. Meu corpo está em chamas, e minhas mãos estão tremendo, não de nervoso, mas de ansiedade. 

 

Quando imagino sua boca contra a minha, meu coração dispara mais rápido do que uma faixa de hiphop. Qual é o meu problema? Rony se aproxima. Nossas coxas estão se tocando agora, e devo estar alucinando, porque acabo de ver uma veia pulsando no meio de seu pescoço. Ele não pode querer isso… pode? 

 

As palmas das minhas mãos ficam úmidas, mas evito limpá las na legging porque não quero que perceba como estou nervosa. Tenho total consciência do calor que irradia da sua coxa coberta pela calça jeans, o cheiro fraco da loção pós-barba almiscarada, a ligeira curva em sua boca enquanto aguarda o meu próximo passo… 

 

-Vamos lá - provoca. - Não temos a noite toda, gata. 

 

Agora estou arrepiada. Que se dane. É só um beijo, né? Nem sequer tenho que gostar disso. Calar essa boca arisca já vai ser recompensa suficiente. Arqueando uma sobrancelha, toco sua bochecha. Sua respiração se acelera. 

 

Deslizo o polegar sobre a mandíbula, bem devagar, esperando para ver se ele vai me interromper, e quando ele não o faz, aproximo lentamente a boca da dele. No instante em que nossos lábios se tocam, a coisa mais estranha acontece. 

 

Ondas pulsantes de calor se espalham dentro de mim, começando pela boca e baixando por meu corpo, formigando a pontinha de meus seios antes de descer um pouco mais. Ele tem o gosto do chiclete de hortelã que passou a noite mascando, e o sabor mentolado toma conta de minhas papilas gustativas. Meus lábios se abrem por vontade própria, e Rony tira o máximo proveito disso, deslizando a língua para dentro. 

 

Quando nossas línguas se envolvem, ele deixa escapar um ruído grave e rouco no fundo da garganta, e o som erótico vibra através do meu corpo. Imediatamente, sou tomada por uma onda de pânico que me impele a interromper o beijo. Inspiro de forma entrecortada. 

 

-E aí? Como foi? - Estou tentando soar indiferente pelo que aconteceu, mas a leve oscilação em minha voz me trai. Os olhos de Ronald estão em chamas. 

 

-Não sei dizer. Não demorou o suficiente para eu poder avaliar direito. Vou precisar de um pouco mais. - A mão gigante envolve minha bochecha. Essa deveria ser minha deixa para ir embora. Em vez disso, me inclino para outro beijo. 

 

E é tão assustadoramente incrível como o primeiro. À medida que sua língua desliza sobre a minha, acaricio sua bochecha, e, nossa, isso é um grande erro, porque a sensação áspera de sua barba em minha mão intensifica o prazer que já percorre todo o meu corpo. Seu rosto é forte, masculino e sensual, e a pura virilidade dele desencadeia outra explosão de necessidade. Preciso de mais. Não esperava por isso, mas preciso de muito mais. 

 

Com um gemido angustiado, deito a cabeça para aprofundar o beijo, e minha língua explora sua boca, ávida. Não, ávida não — faminta. Estou com fome dele. Rony enfia os dedos em meu cabelo e me puxa mais para perto, um braço me envolve pelo quadril para me manter no lugar. Meus seios agora estão esmagados contra seu peito duro, e sinto o martelar selvagem de seu coração. Seu entusiasmo é equivalente ao meu. Os gemidos roucos e primais que ele emite provocam cócegas em meus lábios e fazem meu pulso disparar. 

 

Algo está acontecendo comigo. Não consigo parar de beijá-lo. Ele é muito viciante. E mesmo que isso tenha começado comigo meio que no comando, não tenho mais controle nenhum. A boca de Rony se move sobre a minha com uma habilidade e uma segurança que acabam com o fôlego dos meus pulmões. 

 

Quando ele mordisca meu lábio inferior, sinto um puxão correspondente nos mamilos e aperto seu peito com a palma da mão, para me estabilizar, para tentar me impedir de flutuar numa nuvem irracional de prazer. Seus lábios quentes se afastam dos meus e passam para a linha da mandíbula, descendo até o pescoço, onde dispara beijos de boca aberta que vão deixando arrepios em seu rastro. Ouço um gemido sufocado e me espanto ao perceber que veio de mim. Estou desesperada para sentir sua boca na minha de novo. Enfio a mão em seus cabelos para trazê-lo de volta para onde quero, mas os fios escuros são curtos demais para agarrar. Tudo o que posso fazer é puxar sua cabeça, o que provoca uma risada baixa nele. 

 

-É isso que você quer? - murmura, e, em seguida, os lábios encontram os meus, e ele enfia a língua talentosa de volta na minha boca.Um gemido salta de minha garganta no exato segundo em que a porta do quarto se abre. 

 

-Ei, W., vou pegar emprestado a… - Deamus para na mesma hora. Com um gritinho de horror, afasto a boca de Rony e olho para os pés. - Opa. Não queria interromper.

 

Deam abre um sorriso do tamanho do mundo, e seus olhos verdes brilhantes fazem meu rosto queimar. Volto à realidade mais rápido do que seria capaz de dizer “Maior erro da minha vida”. Puta merda. Acabei de ser pega dando um amasso com Ronald Weasley. E estava gostando. 

 

-Você não está interrompendo nada - digo depressa. 

 

Deam parece se esforçar para conter o riso. 

 

-Não? Porque, com certeza, é o que parece.

 

Apesar do nó de vergonha apertado em minha garganta, obrigo-me a olhar para Rony, implorando em silêncio por apoio, mas sua expressão me pega desprevenida. Intensidade profunda e um quê de aborrecimento, só que este último é dirigido a Deamus. E acrescente-se a essa mistura algo semelhante a deslumbramento, como se não pudesse acreditar no que acabamos de fazer. Também não posso. 

 

-Então é isso que vocês dois ficam fazendo aqui? - pergunta Deamus, com a voz arrastada. - Todas essas “aulas” tão intensas. 

 

Ele desenha as aspas no ar, rindo de alegria. Sua provocação me irrita. Não quero que pense que Rony e eu estamos… envolvidos. Que passamos a última semana na sacanagem, escondidos do mundo. O que significa que tenho de cortar suas suspeitas pela raiz. O quanto antes. 

 

-Na verdade, Ronald estava só me ajudando a melhorar minhas habilidades no beijo -digo, com a voz mais casual de que sou capaz. 

 

Neste ponto, dizer a verdade é muito menos humilhante do que deixar sua imaginação selvagem à solta, mas a confissão parece uma loucura, dita assim em voz alta. Pois é, só aperfeiçoando minhas habilidades em beijo com o capitão do time de hóquei. Nada demais. Deam deixa escapar um risinho. 

 

-Ah, é?

 

-É - digo com firmeza. - Tenho um encontro chegando e seu amigo aqui acha que não tenho pegada. Confie em mim, não tem nada entre nós. Nada. 

 

Percebo que Rony ainda não falou uma única palavra e me volto para ele, pedindo uma confirmação. 

 

-Não é, Ronald? - pergunto, de forma incisiva. 

 

Ele limpa a garganta, mas sua voz ainda soa bastante rouca ao falar. 

 

-É.

 

-Tudo bem… - Os olhos de Deam brilham. - Então quero pagar para ver sua pegada, boneca. - Pisco, surpresa. 

 

-O quê?

 

-Se um médico dissesse que você tem dez dias de vida, você iria pedir uma segunda opinião, não é? Bem, se você está preocupada se beija mal, não pode simplesmente aceitar a palavra de R. Precisa de uma segunda opinião. - Suas sobrancelhas se erguem num desafio. - Quero ver o que você tem para oferecer.

 

-Para de ser idiota - murmura Rony. 

 

- Não, ele tem razão - respondo, sem jeito, e meu cérebro grita: O quê? Ele tem razão? 

 

Aparentemente, os beijos cáusticos de Ronald me deixaram maluca. Estou abalada e confusa, e, acima de tudo, preocupada. Preocupada que Rony perceba que eu… o quê? Que nunca tinha ficado tão excitada assim com um beijo antes? Que amei cada segundo? Sim e sim. É exatamente isso que não quero que ele saiba. Então caminho na direção de Deam e digo: 

 

-Vamos ver a segunda opinião.

 

 Ele parece assustado por um segundo, antes de abrir outro sorriso. Em seguida, esfrega as mãos e estala os dedos como se estivesse se preparando para uma briga, e o gesto ridículo me faz rir. Quando chego até ele, sua ousadia vacila. 

 

-Estava só brincando, Grangy. Você não tem que… - Eu o interrompo, inclinando-me na ponta dos pés e apertando a boca na dele. Sim, essa sou eu, só mais uma universitária beijando um cara depois do outro. 

 

Desta vez, não há calor. Não há formigamento. Nenhuma sensação de desespero avassalador. Beijar Deamus não é nada comparado ao que senti com Rony, mas ele parece se divertir, porque deixa escapar um gemido quando abro os lábios. Sua língua entra em minha boca, e não o impeço. Apenas por uns segundos, então dou um passo para trás e faço minha cara mais indiferente. 

 

-E aí? - pergunto. 

 

Seus olhos estão completamente vidrados. 

 

-Hmm. - Ele limpa a garganta. - Hmm… é… Acho que você não precisa se preocupar. 

 

Parece tão atordoado que não posso deixar de sorrir, mas meu humor se dissolve quando me viro e vejo Rony se levantando da cama, o rosto fechado e mais sombrio que uma nuvem de tempestade. 

- Mione... - começa, bruscamente. 

 

Mas não quero ouvir o resto. Não quero mais pensar naquele beijo. Nunca mais. A mera lembrança dele faz minha cabeça girar e meu coração pular. 

 

-Boa sorte na segunda chamada amanhã. - As palavras saem correndo num fluxo rápido de nervosismo. - Tenho que ir, mas me conta como foi depois, tá? 

 

Recolho minhas coisas depressa e corro para fora do quarto.

 


Notas Finais


E aí, Gostaram?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...