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História O Acordo - Johnny (NCT) - Capítulo 6


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Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 6 - Johnny


Fanfic / Fanfiction O Acordo - Johnny (NCT) - Capítulo 6 - Johnny

Ela não vai se livrar tão fácil de mim. 

Está na cara que Hannah Wells não conhece muitos atletas. Somos pessoas obstinadas, e a principal coisa que temos em comum? Nunca, jamais desistimos. 

Tenho fé que vou convencer essa menina a me dar aulas, nem que tenha que morrer tentando. 

Mas agora que Hannah me passou para a outra garçonete, vai demorar até ter outra oportunidade de advogar a meu favor. Suporto o flerte descarado e o interesse não dissimulado da morena de cabelos cacheados que está me servindo, mas, apesar de ser educado com ela, não flerto de volta. 

Esta noite só estou interessado em Hannah, e fixo os olhos nela enquanto circula pelo salão. Não duvido nada que resolva fugir enquanto eu não estiver de olho. 

Para ser sincero, o uniforme dela é bem sexy. Vestido azul- claro de colarinho branco e botões grandes na frente, e um avental curtinho em volta da cintura. Parece uma roupa saída de Grease, o que faz sentido, já que Della’s é uma lanchonete de temática anos 50. Posso facilmente imaginar Hannah Wells naquela época. O cabelo escuro na altura dos ombros tem um Leve ondular, e a franja está presa de lado com uma presilha azul, dando um ar antiquado. 

Enquanto a assisto trabalhar, fico imaginando qual será sua história. Perguntei às pessoas do grupo de estudos, mas ninguém sabia muita coisa. Um cara disse que é de uma cidade pequena no Centro-Oeste. Outro, que namorou um membro de uma banda durante todo o segundo ano. Tirando esses dois míseros detalhes, a menina é um mistério completo. 

— Mais alguma coisa? - Pergunta minha garçonete, ansiosa. 

Ela me olha como se eu fosse uma espécie de celebridade ou sei lá o quê, mas estou acostumado com a atenção. Fato: quando você é capitão de um time de hóquei universitário de primeira divisão que ganhou dois títulos consecutivos, as pessoas sabem quem você é. E as mulheres querem transar com você. 

— Não, obrigado. Só a conta, por favor. 

— Ah. - Sua decepção é patente. — Claro. É pra já. 

Antes de se afastar, faço uma pergunta ríspida. 

— Sabe quando o turno da Hannah acaba? 

Seu olhar de desilusão se transforma em surpresa. 

— Por quê? 

— Estamos numa aula juntos. Queria falar com ela sobre um trabalho. 

A morena relaxa o rosto, mas um lampejo de suspeita permanece em seus olhos.  

— Na verdade, já acabou, mas ela só pode ir embora quando a mesa dela também for. 

Dou uma olhada na única outra mesa ocupada da lanchonete, com um casal de meia-idade. O homem acabou de pegar a carteira, enquanto a esposa está examinando a conta através de óculos com aro de tartaruga. 

Pago por minha comida, digo tchau para a garçonete e saio para esperar por Hannah. Cinco minutos depois, o casal mais velho caminha para fora da lanchonete. Um minuto depois, Hannah aparece, mas se me viu rondando a porta, não transparece nada. Simplesmente abotoa o casaco e caminha em direção à lateral do prédio. 

Não perco tempo correndo atrás dela. 

— Wellsy, espere. 

Ela olha por cima do ombro, franzindo a testa profundamente. 

— Pelo amor de Deus, não vou dar aulas para você. 

— Vai sim. - Dou de ombros. — Só preciso descobrir o que você quer em troca. 

Hannah gira feito um tornado de cabelo preto. 

—O que eu quero é não dar aula para você. É isso que quero. 

— Tudo bem, então tá na cara que você não quer dinheiro. - Penso em voz alta, como se ela não tivesse falado isso antes. — Tem que ter outra coisa. - Reflito por um instante. — Álcool? Baseado? 

 — Não e não, cai fora. 

Ela volta a caminhar, o tênis branco batendo na calçada com força, à medida que se aproxima do cascalho do estacionamento na lateral da lanchonete. Dispara sem perder tempo na direção de um Toyota hatch prateado, parado ao lado do meu Jeep. 

— Tudo bem. Acho que você não liga para esse tipo de entretenimento. 

Sigo-a até o assento do motorista, mas ela me ignora por completo, abre a porta e joga a bolsa no banco do carona. 

— Que tal um encontro? - Sugiro. 

Isso parece despertá-la. Hannah se endireita como se alguém tivesse enfiado uma barra de metal ao longo de sua coluna, então se vira para mim, incrédula. 

— O quê? 

— Ah. Consegui sua atenção. 

— Não, conseguiu o meu desgosto.  Você acha que quero sair com você? 

— Todo mundo quer sair comigo. - Hannah dá uma gargalhada. 

Talvez eu devesse me sentir insultado pela reação, mas gosto do som da risada dela. Tem certa qualidade musical, um tom rouco que tremula no meu ouvido. 

— Só por curiosidade. – Sugere. — Quando você acorda de manhã, se admira no espelho por uma hora ou duas? 

— Duas - Respondo, animado. 

— E dá um high five no seu próprio reflexo? 

— Claro que não. - Dou uma risadinha.  — Beijo cada um dos meus bíceps, aponto para o teto e agradeço ao camarada lá de cima por criar um espécime tão perfeito. 

Ela solta o ar com desdém. 

— Ah, tá. Bom, sinto muito por quebrar a sua cara,  sr. Perfeito, mas não tô interessada em  sair com você. 

— Acho que você não entendeu, Wellsy. Não quero uma ligação amorosa com você. Sei que você não tá a fim. Se isso a deixa feliz, também não tô. 

— Isso me deixa mesmo muito feliz. Tava começando a me preocupar que eu fosse de fato o seu tipo, e é uma ideia aterrorizante demais de conceber. 

Quando tenta entrar no carro, agarro a porta para mantê-la aberta. 

— Tô falando de imagem. - Explico. 

— Imagem. - Repete ela. 

— É. Você não seria a primeira menina a sair comigo para aumentar a popularidade. Acontece o tempo todo. 

Hannah ri de novo. 

— Tô perfeitamente satisfeita com a minha posição na hierarquia social, mas muito obrigada por se oferecer para ‘aumentar minha popularidade’. Muito gentil da sua parte, John. Mesmo. 

A frustração dá um nó em minha garganta.  

— O que você precisa para mudar de ideia? 

—Nada. Você tá perdendo seu tempo. - Ela balança a cabeça, parecendo tão frustrada quanto eu. — Sabe de uma coisa, se você transferir toda essa dedicação em me azucrinar para os estudos, vai tirar dez na prova. 

Hannah empurra minha mão, senta no banco e bate a porta. Um segundo depois, o motor está rugindo, e, se eu não tivesse dado um passo para trás, ela com certeza teria passado por cima do meu pé. 

Será que Hannah Wells foi atleta em outra vida? Que mulher teimosa. 

Com um suspiro, fito as lanternas vermelhas e tento pensar em meu próximo passo. 

Nada me vem à cabeça. 



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