História O Acordo - Capítulo 24


Escrita por: ~

Visualizações 20
Palavras 4.077
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Policial, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá queridos!! Desculpa pelo sumiço, eu estava ocupada mas agora estou livre!! Esse episódio é um dos mais importantes da história, grande parte do que estava em segredo está sendo revelado. Boa leitura :)

Capítulo 24 - Minha história


​PDV Lena

Estou com os olhos fechados, deitada para cima com os dedos das mãos entrelaçados sobre meu estômago. Sei que Gabriel também não está dormindo. Frio, roupas no chão como lençóis e mochilas interpretando travesseiros não são os melhores utensílios para uma noite de sono. Somado a isso, todo meu desespero pelas imagens que vi na última crise e a virada que Gabe me deu com suas palavras me deixam em uma ansiedade gradativa. Nunca me senti tão encarregada e tão frágil ao mesmo tempo. Meti Gabe nesse acordo para salvar sua pele e a minha, mas estou cada vez mais precisando dele, precisando de sua força. Os papéis estão se invertendo.

Nunca me relacionei bem com meus próprios sentimentos. Eles são como truques de um mágico, porque nunca sei como decifrá-los ou controlá-los, ou se são apenas ilusões da minha cabeça. Eles me confudem muito. Nunca estive tão próxima assim de uma outra pessoa, e nem consigo olhar para Gabriel sem me derreter toda ou ter vontade de me afundar em seu braços. Eu desejo além de seu corpo; desejo seu carinho, sua atenção, seu sorriso espontâneo. Mas conseguir expressar isso é mais difícil do que dormir nessas condições, mesmo sabendo que ele também sente algo por mim. Para ser uma pessoa melhor com ele, tenho que contar toda minha história. Não é justo nós continuarmos o que quer que esteja havendo aqui com ele pensando que sou uma pessoa que não sou. Eu tenho um trauma, tenho um grave problema. Uma coisa que vai me manchar para sempre.

Sinto que posso confiar nele, mas qual será sua reação? Estava mesmo pensando que ele me abandonaria na estrada. Mas agora estamos trancados na loja, ele não pode fazer isso. Talvez sinta raiva, pense que o enganei. Por isso preciso pensar nas palavras corretas e fazer o que nunca consegui fazer bem: dizer exatamente o que está armazenado em meu coração. Ter uma conversa de verdade, num nível de confiança que só tive com Graham até hoje.

Será a prova final. Podemos brigar e nosso acordo acabar mal. Ou, como nos meus melhores pensamentos, podemos ficar ainda mais unidos e assim vencer todos os problemas. Haja o que houver, é hora de arriscar. Essa incerteza em forma de um grande nó em minha garganta precisa acabar, pelo menos com ele.

Separo as palavras e me preparo para as consequências, mesmo que sejam as piores. Ergo meu tronco e me sento no chão. Gabriel me olha imediatamente e reparo em seus olhos semicerrados com uma expressão curiosa, apesar de estarmos numa tremenda escuridão. Respiro fundo enquanto ele também se levanta e senta de frente pra mim. Só preciso que ele diga uma palavra inicial para começar a me desvendar.

 

PDV Gabriel

– Essas coisas sempre acontecem comigo! – reclamo quando começo a me sentar perto de Lena. – Eu estava quase dormindo na estrada e agora não consigo pregar o olho.

Digo isso para tentar diminuir uma tensão evidente que percebo nela, mas acho que não consigo. Ela tenta me mostrar um sorriso mas falha. Deve estar se sentindo mal por tudo que aconteceu e não tiro sua razão. Mas parte meu coração ver seus olhos preenchidos por alguma tristeza persistente que ainda não sei qual é. Só que desta vez eles também estampam uma expectativa, como se algo estivesse prestes a acontecer.

– Posso conversar com você, Gabe? – pergunta ela.

Mesmo que ouvir a história de Lena seja a coisa que eu mais quero desde que pus meus olhos nela, tento não parecer tão ansioso. Quero apenas que ela se sinta à vontade e tranquila para prosseguir. Sei que isso é muito difícil.

– Claro que pode. – confirmo calmamente.

Sei ser um bom ouvinte. É com isso que eu trabalho. Mas desta vez não é o depoimento de um criminoso irresponsável, mas de uma garota que valeu como um mundo pra mim nesses dias. Lembro a mim mesmo para não levar isso como um interrogatório e tentar usar minhas melhores emoções para entender qual é o problema de Lena. Isso geralmente não acontece no meu trabalho, porque se eu for muito sensibilizado, qualquer carinha de choro pode me enganar.

– Meu nome é Lena Grace Solutt. Você conhece esse sobrenome?

Sou surpreendido por essa pergunta. Penso um pouco e apesar de me parecer familiar, não consigo lembrar de onde já ouvi esse nome.

– Mais ou menos... – respondo ainda hesitante.

– Bom, eu sou filha de um homem chamado Daniel Solutt e de uma mulher chamada Kate. – ela faz uma pequena pausa com uma respiração pesada. – Os dois nasceram em lugares diferentes de Montana mas acabaram estudando na mesma escola no ensino médio e foi assim que se conheceram.

O olhar de Lena passa rapidamente por cima do meu antes de desviar para fora de uma das janelas da loja, onde o reflexo da lua ilumina. Há tanta coisa marcada nele que não consigo decifrar.

– Minha mãe se apaixonou rapidamente por ele e eles se casaram com apenas dezenove anos.

– Nossa! – reajo.

– Eles viviam como um casal normal nos primeiros meses, mas aparentemente era uma época meio difícil para todo mundo. Eles não conseguiam emprego, tinham que pagar o aluguel de qualquer maneira e minha mãe estava grávida pela primeira vez, da minha irmã Leslie. Então...

Levanto as sobrancelhas imediatamente por causa da surpresa que me toma. Lena nunca tinha mencionado nada parecido sobre irmãos e eu nem mesmo desconfiei. Mas a frase continua e essa parece ser a pior parte porque Lena abaixa o rosto e sussurra tão baixo que tenho que me aproximar ainda mais dela.

– Meu pai acabou entrando pro crime. Começou com ele roubando cargas e fazendo transporte de drogas.

Penso num palavrão mas não o digo. É inevitável e muitas coisas passam pela minha cabeça. Mas tenho que continuar ouvindo até o fim...

– Mas eles acabaram enriquecendo com isso, estava dando certo. Meus pais se mudaram pra um lugar lindo onde eu passei a maior parte da vida. Eles não quiseram parar mais. Formaram um grupo para praticar crimes cada vez piores. – prossegue ela. – Fizeram grandes assaltos, sequestros de pessoas influentes da cidade... – ela levanta o olhar pra mim. – E todo grupo precisa de um líder, não é? – e sorri torto.

– Os líderes eram seus pais... – digo.

– Não, não diga isso! – ela balança rapidamente as mãos. – Minha mãe era contra tudo o que meu pai fazia. Eu lembro perfeitamente das brigas deles... Nos escondíamos em um aparelho quando a polícia fazia buscas e minha mãe implorava para ele parar. Para nos mudarmos, irmos para outro país. Mas ele se negava. Ele a violentava, Gabe, a obrigava a trabalhar nas missões, se não...

Lena faz uma pausa para respirar porque está muito nervosa. Mas eu sei o que ela queria dizer antes.

– Ele batia nela? – pergunto para confirmar.

– É... Eu era criança e não entendia muito bem, mas... Mas hoje, pensando bem, eu sei que batia. Talvez fizesse até pior.

Fico sem palavras. Não estava esperando por isso.

– Minha mãe parou de roubar quando eu nasci. Ela só saía para distrair as vítimas ou então acompanhar o meu pai.

Sei que não conheço o pai dela mas já o acho um covarde. Ninguém pode nunca agredir uma mulher. E ele ainda fazia isso com a própria esposa!

– Nós não tivemos uma infância normal, Gabe. – Lena prossegue. – Eles não nos deixavam brincar com outras crianças porque tinham medo dos adultos desconfiarem de alguma coisa. Nem fomos a escola. Tivemos dois professores particulares que vinham três vezes por semana quando estávamos em casa. Às vezes eles saíam e nos proibiam de abrir a porta. Eles tinham um toque especial, que sabíamos que eram eles quem tinham chegado e aí sim podíamos abrir. – ela coloca uma parte do cabelo para trás da orelha antes de continuar. – É por isso que não tenho amigos e porque conheço poucas pessoas. Eu nunca tive o costume de viver normalmente. – ela sorri torto.

Ainda tenho muitas dúvidas e perguntas mas é a irmã dela quem mais me perturba.

– Mas você tinha uma irmã! Por que ficou sozinha esse tempo todo? Onde ela está?

– Bom, pra começar nossa relação nunca foi a das melhores. A Leslie sempre me tratou com frieza e inveja. Ela era seis anos mais velha que eu e quando ficávamos sozinha ela não me alimentava nem me ajudava com as tarefas. E eu sempre contava tudo pra mamãe, ela brigava com Leslie e ficava parecendo que tinha uma rixa entre nós. Já o papai sempre protegeu a Leslie e me mandava crescer e me virar sozinha se ela não me ajudasse a comer. Só que eu tinha apenas seis anos, então... Era difícil.

Balanço minha cabeça para mostrar que estou entendo e acompanhando tudo que ela me diz.

– Quando eu tinha doze anos, ela começou a sair com um cara e queria passar o Natal na casa dele. Meu pai disse que não mas minha mãe proibiu e elas brigaram muito, muito feio. Leslie passou o Natal e o resto dos dias fora de casa. Nunca mais a vi ou tive notícias suas.

Arregalo os olhos imediatamente. Isso é grave!

– Por quê? O que aconteceu depois? – pergunto com tom curioso.

– Tínhamos saído para fazer compras para o Réveillon. Eu lembro de estar muito feliz porque quase nunca tinha a chance de sair com os meus pais juntos. Estávamos andando no shopping. Meu pai usava óculos escuro e chapéu. Minha mãe uma peruca loira e seu "uniforme", e...

Ao dizer isso, Lena aponta para seu corpo e aí é que percebo uma coisa. "Uniforme" é a roupa que a mãe dela usava de forma disfarçada para sair na rua e não ser descoberta e é o que Lena está fazendo agora. Usando as roupas da mãe. É por isso que diz que a mala é dela, porque contém tudo o que ela usava. Perucas, armas, objetos, está tudo guardado.

Essa história não deve acabar bem...

– Eu não lembro como e nem o motivo, mas três policiais surgiram na nossa frente de repente. Estavam apontando suas armas e dizendo o nome deles, ameaçando atirar se reagissem e que tinham um mandato de prisão. Eles não reagiram. – Lena faz uma pausa um pouco maior do que a última. – Minha mãe me abraçou forte enquanto eles algemavam meu pai... – ela cruza os braços e acaricia a si mesma, como se estivesse sentindo o que está dizendo agora. – Ela me beijou na cabeça uma última vez até um policial me afastar dela e colocá-los na viatura.

Ela fecha os olhos e eu fico em silêncio. Essa história toda deve lhe machucar muito mas ela está sendo muito forte em prosseguir. Me aproximo um pouco e seguro sua mão, acariciando-a em seguida. Ela me olha e depois vê nossas mãos juntas. E continua:

– Passei duas noites num prédio especial da polícia e depois já estava em um orfanato. O policial me garantiu que meus pais não voltariam muito cedo.

– Eu entendo... Mas você não tinha outros familiares?

– Não... A Leslie já era maior de idade mas ninguém sabia dela. Não conheci meus avós e meu tio David sempre morou na Califórnia. Ele não veio me buscar...

Engulo seco. Lena tem uma história difícil e ainda nem acabou de contar.

– Eu passei dois anos sem ter notícias deles. Não sei se demorou tanto tempo assim ou se não me contaram porque eu era muito jovem, mas...

Lena novamente fecha os olhos e respira fundo.

– Uma das conselheiras do orfanato me perguntou se eu sabia que meus pais não eram pessoas boas... Se eu sabia o porquê da polícia os terem levados e o motivo de eu estar ali. Eu disse que tinha uma ideia, porque acabei entendendo tudo enquanto crescia e tive tempo para pensar... – ela agora olha apenas para nossas mãos entrelaçadas. – Ela me contou a verdade. Meus pais foram presos e condenados por formação de quadrilha, roubo, tentativa de homicídio... Tudo que imaginar. Acho que lembro dela ter dito que a pena dele foi de trinta anos e a dela vinte e um.

Que merda!

– Mas além disso, eles foram obrigados a cumprir a pena fora do país. Tiveram que se exilar.

– Bom, em alguns casos, isso tem mesmo que acontecer... – digo baixo.

– Ele foi pro Canadá e ela pro México, mas as coisas não acabaram bem.

– Como assim? – pergunto mais uma vez surpreso. Até aqui eu imaginei que ela estava sem os pais por causa da prisão.

– Meu pai tentou fugir do presídio, mas o lugar tinha cercas elétricas... – ela não termina a frase. E nem precisa. – A conselheira não soube me dizer o que fizeram com o corpo dele.

Fico perturbado de imaginar uma menina de quinze anos receber a notícia de que ficou órfã de pai. Deve ser a pior sensação do mundo. Sinto empatia por ela, uma vontade de abraçá-la e consolá-la como se ela precisasse disso agora. Mas ela continua falando. Apenas aperto mais sua mão contra a minha.

– E minha mãe... Ela estava cumprindo normalmente sua pena, em um presídio feminino até, mas certo dia... – Lena mexe a boca mas o som não sai. Ela fecha os olhos e inspira com força e em seguida expira o ar antes de prosseguir. – Certo dia ela foi atacada pelos guardas e funcionários. Foi um estupro coletivo. Não sei se exigiram muito dela, se pegou uma infecção ou uma doença, mas... Ela faleceu.

Após ouvir isso, não sinto mais ar em meus pulmões nem sangue em minhas veias. Não sinto o vento frio que ultrapassa os vidros da loja e castiga nossa pele. Nada parece ter forma, nada além de um coração que se desespera em meu peito e me deixa completamente assombrado e machucado. Eu não sei como reagir, não sei como me expressar nem como me dirigir a Lena. Eu trabalho há pouco tempo na polícia mas nunca ouvi uma coisa tão suja e desumana. Ainda mais sendo cometida por homens como eu, que deveriam zelar pelas pessoas e cumprir a lei. Abaixo minha cabeça e respiro com dificuldade. Fecho os olhos como se isso fosse me ajudar a digerir tudo.

De repente uma das mãos de Lena toca meu rosto e o ergue em sua direção. Vejo um sorriso triste em seus lábios, os olhos com uma demonstração de compreensão e uma força especial que só ela tem. O seu polegar enxuga uma lágrima que tinha caído sobre minha bochecha. Eu nem tinha percebido que estava chorando.

– Ela foi cremada. Foi o que meu tio disse que ela queria que fizessem. – termina.

– Eu sinto tanto por isso...

– Eu sei. Fiquei quebrada quando soube... Chorei tanto que até hoje não consegui chorar de novo.

Ela não tinha chorado por nada até agora. Nem uma lágrima desde que foi presa, abandonada pelo namorado, quando se cortou com o vidro e vestiu as roupas da mãe. Nem durante as crises ela se permite chorar. Fico sem ar. Cada detalhe dela é impressionantemente depressivo.

– Bom, é óbvio que ninguém me adotou. – ela prossegue enquanto me recupero. – As famílias não costumam adotar adolescentes.

– Verdade... – concordo enxugando mais uma lágrima.

– Então quando completei dezoito anos fui liberada do orfanato. Uma das moças me emprestou dinheiro para eu vir até a Califórnia me encontrar com meu tio David. Foi por isso que eu já fiz essa viagem que estamos fazendo agora.

– Entendi! – balanço a cabeça.

– Tive que passar uma noite na rodoviária por causa do mau tempo. E foi nessa dia que conheci Graham.

– Ah, é? – pergunto quando levanto as sobrancelhas para parecer natural.

– Ele foi muito cordial comigo. Me contou que estava em uma viagem sem rumo porque os pais não queriam apoiá-lo na faculdade de engenharia. Queriam que ele fosse um advogado e se recusaram a pagar. Nós passamos a noite toda conversando e quando chegou a hora de voltarmos pra estrada ele acabou indo comigo até Wesdom... – surge um sorriso em seu rosto e eu finjo não me incomodar. – Conheceu meu tio e eles se deram muito bem. Acabamos voltando para Montana. Eu fiquei morando no antigo aparelho dos meus pais já que nossa casa foi esvaziada. No mês seguinte nós já estávamos namorando.

Toda vez que ela fala o nome dele ou o elogia sinto vontade de socá-lo. Ele não me parece ser um bom namorado. Ou não tão bom quanto acho que Lena merece.

– Passamos um ano lá quando há poucos meses Graham teve uma proposta de emprego aqui na Califórnia e nos mudamos. Estamos morando juntos desde então.

Acabou ou ela quer chamá-lo de cordial e gentil mais uma vez? Estou ficando enjoado e até pensando que ela gosta dele ainda. Bom, ela com certeza gosta, mas cheguei a pensar que tivesse diminuído por causa de mim. Estamos tendo alguma coisa. Eu sinto meu coração arder mais a cada minuto que passo com ela. E pensei que estava sendo retribuído de alguma forma, mas agora não sei mais o que pensar. Mas é até ridículo esperar isso depois de tanta coisa importante que Lena me disse.

– Eu não imaginava que você tivesse uma história dessas... – suspiro. – É por causa disso que você sofre aquelas crises? – pergunto.

– Acho que sim... Todas as vezes que isso acontece é quando estou vendo uma imagem da minha mãe. Às vezes vejo o estupro... Essa imagem não some nem se eu implorar. É horrível.

– Sei... Isso deve ser um distúrbio que sua mente acabou criando. – Lena me olha um pouco espantada e trato de me expressar melhor. – Mas isso não é grave! Pode melhorar se você se tratar com um profissional.

– Você acha? – ela me pergunta.

– Claro que sim! Você precisa cuidar de si mesma pra começar com sua nova vida.

– Nova vida? – insiste.

– Eu não acho que você vai ser a mesma de antes. Não está vendo como você é forte e que pode conseguir tudo o que quiser?

– Acho que estou descobrindo isso enquanto essa viagem continua. – ela me responde acrescentando um sorriso fraco. Em seguida, ela estica um de seus braços até o meu rosto e me acaricia.

Lena é muito linda. Não sei se já a disse isso suficientemente. Cada gesto seu me deixa mais encantado por ela.

Eu seguro sua mão que estava em meu rosto e a abaixo até a direção da minha boca, onde começo a lhe distribuir pequenos beijos. Acabo me aproximando mais e beijando a lateral esquerda de seu pescoço. Sua pele quente quase me faz derreter. Ela fecha os olhos e com o outro braço crava um pouco das unhas em minhas costas. Eu não gostaria de parar ali, mas ainda tem algo importante oculto entre nós, algo que eu preciso muito saber.

– Lena... – chamo-a e a espero abrir os olhos para continuar. – Só tem uma coisa que ainda não entendo.

– O quê? – ela me pergunta com calma.

– Por que você roubou aquela loja? Você é boa, não é esse tipo de pessoa. Não estaria fazendo tudo isso se fosse mentira.

Ela desvia seus olhos dos meus e tenta se afastar, mas por sorte seguro-a pelo braço.

– Não faz assim. – peço. – Só quero entender. Vou te livrar dessa se me contar a verdade.

Ela permanece alguns segundos quieta, pensando. Formam-se pequenas marcas em sua testa franzida, acompanhadas por algumas mordidas na parte interior de sua boca. Ela solta um tufo de ar pela boca antes de concordar comigo:

– Tudo bem, Gabe. Mas prometa que não vai pensar que fiz isso por causa dos meus pais ou que sou uma rebelde.

– Prometo.

– Hm... – ela hesita mas consegue continuar logo. – Acontece que por algum motivo o Graham foi despedido há algumas semanas do emprego e ele decidiu que era hora de fugir por aí da forma que ele fez no ano passado, sair viajando. Ele prometeu que faríamos isso e que nos casaríamos se eu roubasse a loja. – Lena finalmente me olha. – Foi isso.

Eu sabia! Sempre desconfiei dele! Mas não consigo acreditar que esse homem foi capaz de manipulá-la dessa maneira. E ela acreditou em suas palavras e acabou virando ficha na polícia! Apesar de já estar com essa ideia na cabeça, sinto muita raiva e só quero socar alguma coisa. Meu punho se choca contra o chão da loja, fazendo o barulho ecoar pelo ar.

– Você deve querer muito casar com ele, não é? – digo com o tom de voz mais alto do que eu gostaria.

– Gabe, não!

– Eu lembro de ter te perguntado várias vezes, e o Mike também, se tinha mais alguém envolvido, um comparsa, e você sempre negou! Por que você protege esse cara, Lena? – pergunto.

– Eu já disse! – o tom dela se torna igual ao meu. – Ele foi a única pessoa que me ajudou e que esteve ao meu lado desde que saí do orfanato. Não posso colocá-lo na cadeia!

– Não pode? Prefere ir no lugar dele?

– Não fale assim comigo! O importante é que não roubamos nada.

– Lena, acorda! Esse cara não presta! – ela não responde nada e eu prossigo cuspindo minha raiva. – Ele pode ter te ajudado e tudo mais, mas ele te fez roubar e te deixou sozinha pra fugir da polícia! Você mesma me disse que sabe que ele te trai! Ele não pode ser o cara certo pra você. Você merece coisa melhor.

– Quem é o certo, então? – ela me olha. – Você?

Quase paro de respirar com essa pergunta e percebo que acabei dizendo mais do que queria e deveria. Não quero acelerar coisas que ainda nem são coisas concretas. Os olhos de Lena me fitam tão cheios de curiosidade que desconfio que tenham chegado a desvendar minha alma. Consigo diminuir meus ânimos enquanto fico parado em sua frente.

– Eu não disse isso. – retomo mais calmo.

– Que pena. – responde ela.

Porra! Não consigo reagir quando ela vem de joelhos até mim, apoiando seus braços em meus ombros, roçando seus peitos nos meus e sentando em meu colo. Ela diz:

– Quem pode me tratar melhor que você, Gabriel?

Gosto de imaginar que ninguém pode. Mas não posso entregar os pontos por enquanto que ela não é completamente minha, do jeito que quero.

– Um cara que te ame. – respondo baixo. – Que te faça ver como você é linda e única. Um cara que te cure, que não te deixe sozinha... Que te valorize.

Ela se afasta um pouco do meu corpo e meu olhar percorre seus braços machucados com arranhões e pequenas marcas vermelhas de suas unhas. Os resultados das crises que ela sempre teve e que o merda do namorado dela não soube como ou não quis lidar. Não controlo meus impulsos e começo a beijar cada marquinha daquelas, pressionando bem pouco sua pele. Levanto o olhar e percebo seus olhos fechados e sua boca entreaberta reagindo ao meu carinho. Subo com os beijos até seu ombro. Lena me interrompe para me abraçar, encostando sua testa na minha enquanto sussurra pra mim:

– Você me faz sentir tudo isso desde que me olhou pela primeira vez. Você é especial pra mim.

Ela está se declarando?! Não importa agora. Nesse momento só preciso sentir sua pele com a minha.

– Você não sabe como é incrível. – esqueço meus próprios limites e avanço contra seus lábios, beijando-os com uma suavidade que logo vai a um desejo incontrolável. Exploro todo o interior de sua boca e a ouço gemer dentro do beijo quando minhas mãos acariciam suas coxas presas entre minhas pernas.

Nos separamos, mas agora deixo que ela prossiga como quer. Lena beija todo meu pescoço lentamente, passando a língua da nuca até meus ombros. Levanto meus braços e ela puxa minha camisa para fora, logo atacando meu peitoral com beijos, mordidas e toques com suas mãos leves. Inclino minha cabeça para trás e percebo minha respiração vacilar a cada vez que ela desce mais pelo meu abdômen.

E desisto. Esforcei-me o máximo para não deixar que isso fosse mais longe do que podíamos, mas é impossível resistir a ela e sua inocência tão singular. Lena Grace Solutt é a única mulher que te faz fugir da cadeia sendo que tem seu coração prisioneiro de seu passado difícil. Quero libertá-lo essa noite. Não penso mais no amanhã ou nas dúvidas sentimentais que nos escravizam. O importante é que estamos juntos aqui agora, cheios de desejo e paixão. Nada vale mais que isso. Pelo resto das horas que passam, deixo Lena aproveitar das minhas melhores emoções que viviam sufocadas em algum lugar. Ela estava sedenta esse tempo todo e é meu maior prazer ser sua fonte.


Notas Finais


Pesado mas acho que terminou de uma forma legal. Ainda tem muuuita coisa para acontecer e espero que não se importem de a história ficar mais dramática a partir de agora. Se prepararem para muitas emoções! Peço para que vocês comentem se puderem e me digam o que estão achando da história, estou muito curiosa sobre a opinião de vocês. Muito obrigada por lerem, beijos! ❤


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...