História O Açougueiro - Capítulo 1


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Categorias Naruto
Personagens Personagens Originais, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Ação, Gêmeo, Irmao Gemeo, Morte, Psicopata, Romance, Sakura, Sakusasu, Sasuke, Sasusaku, Serial Killer, Serialkiller, Suspense, Terror, Tortura
Visualizações 90
Palavras 2.400
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Uma história de terror! Finalmente!
Vai ser narrada pela Sakura, ok?

E se quiserem entrar mais no clima da cena, aconselho colocarem para tocar Total Eclipse of the Heart, da Bonnie Tyler

Boa leitura, gente

Capítulo 1 - Capítulo Primeiro


Fanfic / Fanfiction O Açougueiro - Capítulo 1 - Capítulo Primeiro

 São os minutos mais angustiantes da minha vida. 

Na estação de rádio, a música Total Eclipse of the Heart contribui para que as lágrimas continuem escorrendo.

Esfrego o rosto no ombro para secá-las. Não posso tirar os olhos da estrada.

Ainda são seis horas da tarde, mas já está tão escuro que mal consigo enxergar além do alcance dos faróis.

Preciso continuar atenta para não sofrer nenhum acidente.

Não posso me dar ao luxo de morrer agora.

Não quando ninguém sabe onde estou.

Vejo um automóvel passar em alta velocidade na direção contrária da minha, na via dupla. Por muito pouco não jogo o carro nas cercas de arame farpado — estendidas por quilômetros nos limítrofes do asfalto — com o susto que levo.

Aumento o volume da música para poder cantar junto da cantora sem que eu precise ouvir a minha própria voz.

Forço os pulmões no refrão, gritando enquanto as lágrimas umedecem o rosto e congestionam as narinas ardentes. A garganta vibra com a potência do canto. O coração tem suas batidas aceleradas diante as muitas lembranças dos piores momentos da discussão que eu tive com o meu marido antes de partir apenas com um trocado, para abastecer o carro.

O retrovisor me cega momentaneamente quando recebo luz alta dos faróis de um veículo atrás de mim.

Diminuo um pouco a velocidade para que ele possa me ultrapassar. Ele continua atrás, mantendo as luzes amareladas altas, cegantes como o próprio sol. 

Giro a manivela da porta para abrir o vidro, meto o braço pela janela e gesticulo para que ele siga adiante.

Ouço uma buzina alta de picape velha.

O ruído engasgado do motor grita mais alto que a Bonnie Tyler.

Diminuo o volume da música, enquanto as batidas do coração martelam a minha garganta. Começo a sentir um frio desconfortável no meu estômago, contraído. 

Os meus dedos forçam tanto o volante que as articulações se esbranquiçam, geladas, embora eu sinta meu corpo aquecido pelo nervosismo súbito, que atrapalha a manutenção da minha concentração.

— Que merda esse cara quer? — resmungo, a tristeza e o remorso dando lugar ao medo e à angústia.

Verifico as luzes no painel. 

Tudo em ordem.

A buzina novamente é provocada. 

Pressiono o freio com cuidado e o carro começa a diminuir a velocidade até que pare completamente.

A picape diminui sua velocidade antes que possa bater na minha traseira.

Ouço o barulho de uma porta ranger. 

Alguém desce.

Seu caminhar pesado ressoa imponente, afastando o silêncio que me envolve em um abraço sufocante. 

Minha respiração fica ofegante, mas tento controlá-la para que o estranho não perceba meu medo.

Os faróis dos dois automóveis continuam acesos, afugentando a escuridão de uma noite sem estrelas.

O homem se apresenta do meu lado, alto demais para que eu consiga enxergar seu rosto.

— Boa noite — diz, a voz possuidora de um timbre rouco, de quem passou tempo demais sem reproduzir nenhuma palavra. Meu corpo se trepida.

— Boa noite — saudo, esperando que ele se incline um pouco para que possamos nos ver olho no olho. Ele, entretanto, permanece com a postura ereta.

— A sua roda está um pouco solta, se continuar andando com ela assim, ela vai acabar caindo, e o celular não pega muito bem aqui pra ligar pra alguém socorrer você.

Que droga — balbucio. Eu não entendo muito de carros para conseguir trocar sozinha um pneu. Meu marido quem costuma fazer essas coisas para mim.

— Eu posso dar um jeito nela pra você.

— Não precisa. Não quero incomodar o senhor.

— Eu acostumado, a minha picape sempre com algum problema. Como eu moro longe da cidade e aqui não tem oficinas, tento fazer o que posso.

Procuro encontrar qualquer tipo de malícia na voz dele, algum sinal que indique que o mais sensato é pisar fundo no acelerador e fugir o máximo possível desse homem. Mas o jeito dele não me intimida muito. 

Na verdade, é até reconfortante. Passa um tipo de segurança que estou há muito tempo sem sentir.

— E o que eu preciso fazer? — pergunto.

— Só desligar o carro.

Obedeço. O homem retoma o caminhar monótono até alcançar a sua picape. Pelo retrovisor lateral, eu acompanho ele pegar uma espécie de macaco da carroceria. Alcança o pneu dianteiro do meu carro e começa a apertar os parafusos. 

Tento não tirar os meus olhos dele. 

Tenho medo de, caso eu o faça, ele surja do meu lado apossado de uma barra de ferro, mirada na minha cabeça, pronta para me apagar para sempre.

Não consigo enxergar muito da fisionomia dele por causa do farol ligado na atura dos meus olhos. Mas seu vulto entrega a certeza de um cabelo curto e braços fortes. O corpo muito grande para a voz jovial. Robusto como um homem das cavernas que passou a vida toda caçando com os punhos.

O carro desce de súbito quando ele puxa a alavanca do macaco.

Ouço duas batidinhas na lataria do carro.

— Pronto — avisa, parado de pé em frente ao farol, com a fronte coberta por uma sombra densa. Uma mão segurando a barra da qual ele se utilizou para arrumar a roda.

Faço um sinal positivo com o braço metido pela abertura da janela e giro a chave. O carro liga sem apresentar quaisquer queixas. Então, ele não arrancou nenhum fio.

 Isso é um bom sinal.

— Obrigada — digo, ouvindo os passos dele morrerem quando alcança a picape.

Espero que ele me ultrapasse dessa vez. Não faz mais sentido ele continuar atrás de mim. Seria muito suspeito. E eu não saberia como reagir.

O motor barulhento da picape range como se estivesse afogando.

Os pneus gritam com a arrancada violenta que ele dá. Eu suspiro quando vejo o formato robusto da picape se distanciar de mim numa velocidade satisfatória. Volto a aumentar a música tocada na estação de rádio e fico decepcionada quando ouço batidas agitadas de uma música eletrônica.

Desligo o rádio e acelero o carro. 

Mas há alguma coisa errada.

Sinto uma vibração estranha no volante.

Tento mantê-lo alinhado para que não perca a direção. Ele puxa para a direita e para a esquerda quando, de repente, alguma coisa se desprende do carro e ele tomba a traseira no chão.

Abro a porta e verifico que a roda não está mais presa no lugar onde deveria. A escuridão não me permite ver onde ela pode ter caído.

Meu corpo começa a ficar agitado.

O homem não conseguiu prendê-la direito ou...

Não, eu não posso pensar sobre isso agora.

Preciso arrumar essa bagunça antes que alguém mal-intencionado apareça.

Volto para dentro do carro e procuro pelo meu celular. Aquele homem tinha razão, não há nenhum sinal. Acendo a função lanterna e tenho dificuldades de caminhar no asfalto irregular com os meus sapatos de salto agulha.

Arranco eles do pé e inicio minha busca. 

Não tem muitos lugares para uma roda se esconder. Além da via, do acostamento tomado por um matagal alto e castigado pelo tempo seco, das cercas que parecem dividir a estrada de uma fazenda abandonada, não existe mais nada.

Ainda assim, mesmo com o passar de alguns minutos, não encontro a roda.

Uma trovoada ecoa do céu e me arranca um grito apavorado.

Imediatamente, uma chuva de pingos gordos e violentos me envolve. 

Corro para dentro do carro antes que as minhas roupas fiquem encharcadas. 

É quando vejo, ainda com a porta aberta, a picape retornar em marcha ré, com as luzes vermelhas da traseira parecendo o par de olhos de um predador.

Não pode ser coincidência.

Procuro na bolsa por qualquer coisa que eu possa usar para me defender. Batom, sombras e um monte de maquiagem inútil são tudo que encontro. Penso em desistir. Mas acho também o dinheiro destinado à gasolina, guardado no bolsinho com zíper. 

O tanque não está muito cheio, talvez eu não consiga chegar à cidade mais próxima se não parar no próximo posto.

Mas do que adianta um tanque cheio se eu estiver morta?

A picape é mantida ligada quando o motorista desce dela, depois de pará-la bem na frente do meu carro. 

Ele não parece incomodado com a chuva. Aproxima-se de mim, dá a volta no carro e se agacha onde esteve agachado minutos antes, quando arrumava o pneu.

Meu coração está tão acelerado que não consigo ouvir nada além de um zumbido ensurdecedor. 

Sinto o cheiro da morte. Uma mistura entre o odor de suor e terra úmida. Forço a manivela para subir o vidro da janela e tranco as portas.

Encaro o celular na esperança de que o sinal tenha voltado por um milagre, mas continua fora do ar. O homem bate na janela com um soco leve e eu salto no banco.

— Parece que estava pior do que eu pensava — diz, soando muito mais calmo do que antes. — Eu moro aqui perto. Tem um telefone na minha casa. Você pode ligar pra alguém vir buscar você.

— Não precisa — aviso, sem conseguir disfarçar o medo na voz tremulante. — Já consegui ligar para o meu marido. Ele está vindo me buscar.

— Aqui não tem sinal — ele me lembra. Começo a tremer com violência.

O homem gesticula para que eu abra a janela. 

Hesito.

— Não precisa se preocupar comigo — potencializo um pouco a voz para que ele me ouça, apesar da chuva torrencial. — Estou bem, sozinha, sério. O senhor deve ter as suas coisas para fazer, pode ir embora.

Ele novamente pede para que eu abaixe o vidro.

— Eu tenho dinheiro — mostro para ele as notas que roubei da carteira do meu marido. Meus dedos tremem tanto que deixo algumas cair sobre o colo. Tentar recuperar cada uma delas mareja meus olhos. — O seu motor não parece muito legal. Pode pegar esse dinheiro, talvez dê para trocar por um que funcione melhor.

A batida no vidro demonstra um pouco de impaciência.

O meu choro se evidencia. Começo a sentir o pavor tomar conta de mim. Limpo os olhos com as mãos, pedindo aos céus que não deixe que esse homem me machuque. 

Sinto o arrependimento me invadir quando me recordo da minha última conversa com o meu marido.

Das palavras horríveis que disse para ele antes que eu partisse.

Não posso deixar que essa seja a sua última lembrança de mim.

Não posso morrer sem me desculpar com ele primeiro.

Abaixo o vidro e empunho o dinheiro na direção do homem. 

Ele se inclina, coloca o braço para dentro do carro e puxa a chave da ignição. Ele tem um cheiro podre. Como se tivesse tomado banho no sangue de um animal morto. 

Consigo reconhecer um cheiro de chiqueiro no tecido da sua blusa, com as mangas dobrada na altura dos cotovelos.

Também tem lama nos pelos grossos do antebraço, escorrendo na pele por causa da chuva.

Segurando a chave, ele abre a porta pelo lado de dentro e apanha o meu braço.

Tem um aperto forte. Seus dedos gelados como os de um cadáver.

— Desce. — Não é um pedido.

Hesito de novo, empunhando o dinheiro para ele.

Percebendo que não estou colaborando, ele me puxa para fora do carro.

Meus pés descalços se afundam nas poças que se formam no asfalto. As minhas pernas se enfraquecem e eu ameaço desabar, mas o homem me força a permanecer de pé mediante seu aperto violento.

O corpo dele avança em direção à porta aberta, apanha todos os meus pertences, com exceção dos meus sapatos que ele parece não perceber estarem no asfalto. Entrega a bolsa para mim e me conduz para o banco do passageiro da picape.

Ele coloca o meu cinto e bate a porta.

Antes que ele possa entrar também, os meus olhos percorrem cada perímetro do veículo. O estofado do banco está velho, com muitos arranhões no couro. Há manchas escuras no painel, parecendo restos de tinta que ele não conseguiu retirar mesmo depois de esfregar muitos produtos de limpeza. Tem um cheiro de adubo insuportável, mas eu não vejo nenhum resquício de merda.

Ele entra na picape e dá a partida. 

O barulho do motor me deixa paralisada.

— Não moro muito longe — ele informa, ainda soando estranhamente calmo. — Desculpe por esse cheiro, eu crio porcos e o cheiro deles acaba ficando nas coisas.

— Tudo bem.

O velocímetro indica 110km/h. A janela aberta dele permite que muita da chuva entre na picape e ensope as suas roupas. 

O vidro começa a ficar embaçado, mas ele não demonstra qualquer tipo de preocupação.

140km/h.

— Você não deve ser daqui — retoma a conversa.

Minha boca seca me rouba a voz. Olho para o painel por mais uma vez e vejo o ponteiro tremer na marca dos 145km/h. 

O motor não parece aguentar esticar mais que isso.

— E você ainda achando que o meu motor estava ruim. — Uma risada orgulhosa brinca com as palavras. Não parece ofendido.

— Não conheço muito sobre carros.

— Posso te ensinar algumas coisas depois. Parecem complicados, mas são coisas simples. — Não percebo nenhuma malícia na sua sugestão. Talvez esteja mesmo apenas sendo educado e tentando me ajudar. — Brigou com o namorado?

— O quê? — olho para ele de súbito, os olhos saltando das órbitas com surpresa.

— Ninguém chora ouvindo Bonnie Tyler — lembra, revelando que prestou atenção em mim quando nos encontramos pela primeira vez. — Ele sabe que você está aqui?

— Não — respondo por impulso e minha respiração perde o ritmo. — Na verdade, ele sabe, porque consegui falar com ele antes de perder o sinal. A gente combinou de se encontrar amanhã bem cedo na próxima cidade. Ele é bem preocupado comigo, sabe?

Eu minto mal, mas torço para que ele se convença.

— Faz sentido ele ser.

Seus olhos passeiam sem nenhuma sutileza pelas minhas pernas nuas. Eu puxo um pouco o comprimento curto do vestido apertado para a metade das coxas.

— Por que está vestida assim? Tentando impressionar os motoristas desavisados daqui? — Ele ri.

Meu rosto, ao invés de ficar quente como costuma ficar quando sou elogiada, fica gelado.

Eu estou pálida, posso sentir.

— Tentei fazer uma idiotice por dinheiro — revelo, bastante sincera. — Mas não consegui.

Alguma coisa nele me instiga a ser sincera. Parece carismático, ao passo em que parecesse querer me estuprar.

— Por quanto?

— Não importa mais.

A picape velha começa a diminuir a velocidade finalmente. 

Ele sai da estrada de asfalto para transitar por uma de terra. 

Uma placa com uma pintura colorida de porcos sorridentes indica que estamos entrando na propriedade de alguém; uma fazenda bem grande, provavelmente de alguém bem rico.

Um casebre distante nos aguarda.


Notas Finais


Espero muito que tenham gostado, porque é o meu gênero favorito e eu estava louco para escrever uma história de terror e suspense
Obrigado!
Se puderem me dizer o que acharam, eu vou gostar muito de saber, mesmo que o comentário não seja um elogio


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