História O advogado - fillie - Capítulo 11


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Categorias Stranger Things
Personagens Eleven (Onze), Joyce Byers, Lucas Sinclair, Maxine "Max" Mayfield / "Madmax", Mike Wheeler, Steve Harrington
Tags Fillie, Finn Wolfhard, Millie Bobby Brown
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Palavras 2.319
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Ficção, Hentai, Literatura Feminina, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura ❤

Capítulo 11 - A encomenda


A melodia ruidosa e insuportável do celular ecoa pelo ambiente, dominando-o. Anoto mentalmente que já passou da hora de criar vergonha na cara e escolher outro toque, de preferência um que não pertença ao aparelho.

Permito-me um sorriso assim que o telefone para de tocar e tenho uma nesga de esperança,imaginando se a pessoa do outro lado da linha finalmente desistiu de falar comigo. O pensamento é varrido da minha cabeça, no entanto, quando, outra vez, a música vibra intensamente, alastrando-se pelo quarto. Ah, droga... Estou tão exausta.

Com um suspiro, dou-me por vencida, abrindo os olhos e encontrando a escuridão artificial do quarto. Justo nessa sexta-feira que ganhei o dia de folga, alguém tira o meu prazer de dormir até tarde.

Estico a mão, tateando o móvel ao lado da cama em busca do meu atual instrumento de tortura.

Tão logo o alcanço, vejo piscar no visor “mamãe” e estremeço, sabendo que neste momento estou mais que encrencada. Faz um tempo desde que liguei a última vez.

— Alô — murmuro, com a voz rouca de quem acabou de acordar.

— Olha só, ela está viva! — Sua voz é manhosa ao proferir as palavras. Reviro os olhos com o drama. Mães...

— Oi mamãe, sinto muito. Voltamos ontem à noite, e eu tive que tomar um dramin para não vomitar... Ele me fez capotar!

— Eu já estava quase acionando uma equipe de resgate! — ela admite e, de algum modo, sei que não está de todo brincando. A minha mãe é referência em exagero.

Já conformada que não vou mais recuperar o sono, esfrego os olhos, obrigando-me a me sentar.

Alguns corajosos raios de sol penetram o blackout, ousando clarear a minha toca obscura.

— Mas me conta, quero saber os detalhes! Como foi a viagem? — A excitação da sua voz me traz uma onda de remorso ao me recordar do que estive fazendo na maior parte do tempo. “Qual será a hora certa para contar?”, pergunto-me mentalmente, ponderando se “nunca” é uma opção cabível. O quão estarrecida ela ficaria ao saber disso? Possivelmente muito.

— Ok, vamos lá... — digo, espreguiçando-me. — Viajar de avião foi o pior pesadelo da minha vida... Passei mal e vomitei dentro do aviã... — não posso concluir, pois minha voz é soterrada pela sua.

— Millena brown! — mamãe bronqueia e quase posso ver sua expressão de descontentamento.

Deve estar com as sobrancelhas unidas e a boca repuxada para o lado. Não duvido nada que tenha acabado de cruzar os braços também... — Eu não acredito que você vomitou do lado do seu chefe!!!

“Olha, eu fiz coisas bem piores com o meu chefe”, mentalizo, enrubescendo ao me recordar da piscina. O simples pensamento acelera o meu coração, deixando-me momentaneamente atordoada.

— É... Bom... Eu não tenho culpa! Estava praticamente desfalecendo! — explico, avançando empassos lentos para fora do quarto, onde encontro um mundo claro e alegre. — De toda forma, ficamos em um hotel incrível. A suíte que dividimos era maior que o meu apartamento! Não que isso seja muito difícil... Mas né, você entendeu.

— Calma! Pera aí! O quê? — Sua voz traz aquele tom que já conheço bem e apelido de sei-que-tem-coisa-aí-e-você-vai-me-contar-exatamente-agora. — Vocês dividiram a suíte?

— Mamãe, tinha dois quartos. Eu não dormi na mesma cama que ele! — “Não o tempo todo, ao menos”. Aproveito a chegada ao banheiro para colocar o celular no viva-voz. Alcanço a escova de dente, assim como a pasta, esperando ela dizer alguma coisa.

— E como foi a reunião com o diretor da... — sua voz morre aos poucos, e noto que ela está se esforçando para recordar. — Que empresa era mesmo?

— PoliBev, mamãe! — replico, com a boca cheia de espuma sabor hortelã.

Antes que possa responder, no entanto, sou pega de surpresa pelo som estridente do interfone.

Minha nossa, mal cheguei de viagem e já estou sendo super requisitada... O que está havendo?Enxaguo a boca o mais rápido que posso, enquanto a minha mãe protesta pela minha atenção, ou a falta dela.

— Mamãe, tem alguém tocando o interfone loucamente aqui. Desconfio que seja a saddy. Preciso mesmo desligar — digo de uma vez só, ficando sem fôlego. — Assim que descobrir o que ela quer com tanta urgência eu te ligo, pode ser?

— Tá bom, querida. Seu pai está aqui enchendo o saco para sairmos logo... Não se esqueça de me ligar de volta, ok?

— Uhum! — murmuro e jogo um punhado de água gelada no rosto. — Te amo, até mais tarde! Dá um beijo no velho!

 Depois de, pelo menos, mais cinco minutos de despedidas, ela desliga. Percebo que estou com saudade deles, é estranho passar tanto tempo longe daqueles que mais amo. Talvez seja hora de visitá- los. Agora que terei os finais de semana e feriados livres, tudo será mais fácil.

Corro até o interfone, agarrando-o com força.

— Oi?

— Bom dia — o porteiro saúda, com a voz suave. — Millie brown?

— Isso... Eu mesma.

— Tem uma encomenda para você aqui em baixo. Você pode descer, por favor?

— Ah, sim... Já estou indo. Obrigada!

Uma encomenda, que estranho! Não me recordo de estar esperando nada. Dou de ombros, indo até o quarto em passos apressados. Se existe algo que sou, com toda certeza é curiosa. Preciso saber o que me aguarda lá embaixo o quanto antes.

Visto uma roupa qualquer e saio do apartamento, entrando no elevador e apertando o botão dotérreo várias vezes, como se isso fosse deixá-lo mais rápido. Espio o visor do celular, finalmente descobrindo as horas: são oito e cinco. “Caramba, minha mãe não podia esperar dar meio-dia?”,penso, subitamente irritada.

Ao chegar à recepção, o sangue congela com a expectativa. Meus olhos recaem para aquele arranjo maravilhoso e enorme de orquídeas que se encontra acima do balcão e, no meu íntimo, desejo freneticamente que seja aquela a minha encomenda, ainda que a ideia por si seja bastante pretensiosa.

— Bom dia — cumprimento o porteiro sem tirar os olhos do vaso quadrado de madeira. Hm,impressionante.

— Olá novamente — ele devolve, com um sorriso no rosto. — Preciso que assine aqui, tudo bem? — E então me indica a lista de encomendas do prédio.

Assino o meu nome e o encaro com ansiedade, ao que ele responde com uma risada tímida.

— São para você! — explica, entregando-me o vaso nas mãos. Esqueço-me de respirar por alguns segundos, observando perplexa o presente. Eu nunca ganhei flores antes! E essas são lindas, de um vermelho-intenso que enche os olhos. Encontro-me completamente lisonjeada.

Tomo o arranjo nas mãos, agradecendo e me retirando. Um sorriso rasga o meu rosto, ao imaginar Finn acordando cedo e escolhendo um bom jeito de me paparicar... Parece que no fundo daquela carcaça grossa existe um coração, no fim das contas. Assim que entro no elevador, procuro pelo cartão e o encontro escondido entre as flores. É um cartão branco, simples e sem nenhum dizer por fora. Abro-o com os dedos trêmulos, encontrando uma caligrafia elegante e séria me esperando:

"são Paulo já não é a mesma sem você aqui"

Engulo em seco, quase conseguindo ouvir ecoar em minha mente a voz debochada de joe.

“Ele não está disposto a desistir”, concluo, em uma onda de desânimo, quando, enfim, chego ao meu lar.Então, sinto um arrepio percorrer a espinha ao me dar conta, ainda que tenha demorado um pouco,de que ele sabe que já estou em Curitiba e, — a parte mais assustadora — conhece o meu endereço.

Ca-ra-lho! Sinto que algo está terrivelmente errado nessa história.

Aproveito o dia livre para arrumar a casa, afinal de contas, ficou mais do que abandonada nesses últimos dias. Porém, ainda que esteja com a cabeça focada nos afazeres domésticos, meu pensamento acaba sempre divagando para o vaso de flores, que repousa inocentemente sobre da mesa da sala, com o seu perfume suave pairando ao seu redor.

Por que tudo tem que ser tão complicado? Quero dizer, talvez ficasse mais fácil se Finn fosse um pouco menos indecifrável. Por mais que esteja certa de que quero persistir nesse sentimento intenso que vem me dominado, temo que a minha teimosia não seja o suficiente para atravessar a armadura de isolamento com a qual ele se reveste.

Meu chefe demonstra constantemente tentar se proteger de minhasinvestidas, no entanto, não acredito que seja por não me desejar. Eu sei que ele sente algo, mesmo que puramente sexual — mas ainda assim, parece temer levar adiante. Algo complexo e interno o deixa relutante. E o que seria isso?Como se não bastasse todas essas dúvidas que nutro em relação a ele, ainda tem o joe. No começo, pareceu apenas atraído por mim, de uma maneira natural e até mesmo lisonjeadora. Contudo,apesar de seu interesse ser genuíno e explícito, existe um quê de agressividade em sua motivação que me assusta um pouco.

Joe me parece incisivo ao tomar certas atitudes que me impõem sua presença, como se eu tivesse de aceitar que, cedo ou tarde, acabarei cedendo. Não é como se existisse uma possibilidade, mas sim como se ele estivesse me avisando com clareza: “você vai ser minha”. No entanto, por que ele aparenta estar tão decidido quanto a isso? Veja bem, ele é um homem bonito e tem plena consciência disso, além de usá-la a seu favor. Um galanteador nato que sabe exatamente o que dizer e a hora certa para isso. Aposto que não têm problemas em conseguir qualquer mulher que queira. Porém, mais do que isso, parece fazer da minha conquista um desafio. A conquista serve como motivação ao prêmio final.

A recompensa é poder se gabar de, mais uma vez, não ter falhado. Talvez ele tenha visto em mim um potencial ainda maior, depois de perceber meus sentimentos em relação a Finn. Quem sabe tenha se tornado uma disputa pessoal, no fim das contas. No meu íntimo, surge a suspeita de que joe queira apenas se vangloriar por ter conseguido uma mulher interessada em outro homem. Um sorriso amargo escapa dos meus lábios e me encontro triste por constatar que faz sentido.

De toda forma, não posso negar que, de alguma forma, não consigo simplesmente sentir qualquer tipo de aversão a ele. Joe possui uma persuasão incrivelmente eficaz. Ele seduz com facilidade. Mas,como afirmei na piscina: não conhece o quanto posso ser cabeça dura. Sei que posso lidar com isso sozinha. Além do mais, se Finn já vem se mostrado tão hesitante em relação a mim, mesmo sem complicações, imagina se soubesse que joe está mais que decidido a tirar uma lasquinha da situação... Minha nossa, eu estou encrencada ao quadrado! Sou chamada de meus devaneios tão logo ouço o celular apitar, indicando uma nova mensagem no WhatsApp. Tiro o suor da testa com as costas da mão, abandonando o rodo apoiado na parede da sala.

Caramba, como eu detesto limpar a casa. Já passou da hora de alguém inventar um jeito delas se auto limparem...Ao alcançar o telefone, vejo que a notificação vem do perfil de Finn, onde ele exibe um sorriso largo e alegre para a câmera; seus olhos sendo obscurecidos pelo boné que traz na cabeça. Céus, por que tão lindo?

Abro a conversa com certa curiosidade, imaginando o que ele está fazendo no seu dia livre de mim. “está tudo muito quieto por aqui” diz a sua primeira mensagem, no entanto percebo que está digitando uma nova. Com um sorriso no rosto, aguardo o que ele tem para me dizer. “Acho que me acostumei com vc por perto...” leio, sentindo o estômago revirar de nervosismo. O quê? Isso é sério?

Finn cedendo um pouquinho? Meu Deus! Seguro o celular com as duas mãos, pronta para digitar uma resposta, no entanto, sou surpreendida com uma terceira mensagem vinda dele, que faz a minha cabeça flutuar momentaneamente.

“ o que eu faço com você,hein,millie? ”. Com o sangue correndo rápido pelas minhas veias, percebo que as palmas das mãos estão suando frio. Mas que merda! Ele vai acabar me matando se continuar fazendo isso comigo. É isso que quer? Meus dedos digitam ferozmente as palavras que envio sem pensar: “ já está com saudades, de wolfhard”. Uma gargalhada escapa da minha boca, quando me dou conta do quanto posso ser provocativa às vezes. Bem, ao menos podemos jogar na mesma moeda. Se ele quer me enlouquecer, quero que ele saiba que eu vou levá-lo para a loucura comigo!

Caminho até a sacada estreita do apartamento, apoiando os cotovelos na grade cuja tinta está descascada em tantos pontos que já não se sabe se sua cor original é preta ou vinho. Uma brisa fresca despenteia os meus cabelos, enquanto aguardo pacientemente um posicionamento de Finn. Vai aceitar o meu incentivo ou vai recuar? Vejo que começa a digitar e para em seguida. Faz isso pelo menos umas três vezes. Os segundos passam e o sorriso em meu rosto cresce ao me dar conta das mensagens que me mandou. Finalmente cai a ficha: ele me disse que não saio de sua cabeça.

Finn está pensando em mim! Mais do que isso, está pensando muito em mim! Pensando tanto que não se conteve em me mandar uma mensagem. Isso não condiz com a sua personalidade fechada e é exatamente por isso que é tão delicioso constatar o quanto está dividido, assim como eu mesma estou.

Ainda que esteja tentando se afastar de mim, parece não apresentar tanto êxito quanto gostaria.

Minhas pernas perdem a força por alguns segundos enquanto saboreio a sensação de conhecer uma nesga de seus sentimentos. Droga, Finn, se você não fosse tão enigmático assim... Suspiro, com uma estranha felicidade me dominando. Sinto-me um pouco boba por me afetar com tão pouco, mas a sensação é tão envolvente que não sobra espaço para me preocupar com nada mais.

O celular apita uma última vez e, tão logo o desbloqueio, encontro sua mensagem me esperando: “estou indo te ver”.


Notas Finais


Oque será que vai acontecer nesse encontro desses dois ?

Até o próximo capítulo de " o advogado"❣


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