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História O afiado - Capítulo 11


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Notas do Autor


Depois daquele capítulo animado, quais sonhos aguardam à cama de nossos guerreiros?

Leiam quando quiserem!

Capítulo 11 - Uma mão na roda


Fanfic / Fanfiction O afiado - Capítulo 11 - Uma mão na roda


-Atrasado!! -Gritou com sua voz rouca.


Aquilo tirou Midoriya de seu transe, quase o fazendo cair para trás pelo susto. Olhou para frente, em direção a voz, assustado.


Era um homem grande e ele segurava uma tocha acesa em sua mão. Midoriya o via de costas enquanto ele andava a passos lentos pelo corredor.


O esverdeado parou. Olhou bem para frente, adiante no corredor, pendendo a cabeça para o lado. Nada, somente o corredor e a profunda escuridão se alastravam adiante. Olhou para trás também, era do mesmo jeito. O corredor se estendia infinitamente no breu absoluto, as paredes eram alaranjadas, assim como o chão.


O corredor era alto, uns seis metros de altura, mas seu diâmetro era pequeno e dois homens não passariam lado a lado por ali.


Só então Midoriya olhou para sua mão, e notou que segurava uma vela acesa. Sua chama era constante, pela falta de ventilação naquele lugar.


O esverdeado tinha muitas perguntas em sua mente, mas só conseguiu olhar o vulto grande a sua frente e o seguiu.


Os passos ecoavam pelo corredor, em direção a profunda escuridão.


Depois de andar um tempo, Midoriya já não conseguia guardar sua curiosidade. Com sua mão livre, cutucou as costas do ser em sua frente.


-É… para onde… -foi cortado.


-ATRASADO! -Gritou novamente o homem, agora se virando para trás.


A íris azul brilhou no meio daquela escuridão e foi olhando para ela que Midoriya acordou.


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Bakugou não tivera uma boa "noite de solo" por assim dizer, e nem pense que foi por causa do barulho no andar de baixo. Não, isso era o de menos. Seu desconforto estava em sua cabeça, não sabia como deveria reagir depois do "episódio" com Midoriya na banheira…


Depois de recuperar o fôlego, o loiro terminou de se lavar e vestiu suas roupas. Ao voltar para o quarto, viu um arbusto jogado de cara na cama. Seu ronco era tranquilo e Kirishima o acompanhava na "sinfonia".


A senhorinha não voltou a incomodá-los naquela noite, a lamparina pouco a pouco foi perdendo sua força até que se apagou de súbito, e quando Bakugou se deu conta, a aurora já iluminava o interior do quarto pela janela.


O loiro levantou da cama de palha e já tinha pegado Kirishima do chão, quando Midoriya acordou de supetão.


-Onde é que…?! -Midoriya parou ao notar onde estava, já sentado na cama.


A mão com a luva ainda estava levantada contra o ar, como se estivesse segurando algo invisível.


Midoriya desceu a mão devagar e esfregou os olhos por alguns instantes. O loiro o encarava encostado na porta, ainda usando o casaco de chuva.


-Já vamos embora? -Bocejou o esverdeado no final de sua frase.


Bakugou procurava algum sinal de desconforto no rapaz sonolento, não achava nenhum. Era como se tivesse esquecido completamente o que fez com aquelas mesmas luvas na noite passada, e de fato esqueceu.


Midoriya coçava a cabeça e olhava para sua bota vermelha, notando que dormira com elas. Pôs-se de pé e ambos desceram as escadas até o salão inferior.


-Não vão mesmo esperar o café da manhã? -Perguntava o velho senhor atrás do balcão.


-Temos que ir agora, ou não chegaremos ao nosso destino… -Midoriya terminou olhando de relance o encapuzado parado à porta.


-Vocês que sabem! -Falou o homem com um sorriso simpático no rosto- Se tiver mais alguma coisa que gostariam, podem falar!


Não era do feitio do barman ser tão amigável assim com seus hóspedes, mas ele era um grande crente da frase "dar sorte, traz sorte" ou algo assim, a memória já não era seu forte a algum tempo.


-Bem, tem uma coisa… -falou o esverdeado tirando uma ideia de sua cabeça.


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Não era a melhor das locomoções, mas era melhor que nada.


Kirishima estava deitado dentro do velho carrinho de mão, que era puxado pelo cavalo. O carrinho estava virado para trás e duas cordas o amarravam na cela do cavalo.


Parecia uma carroça, só que pra anões, um só, no caso.


-Tá, e agora? Por onde vamos? -Falou Midoriya guiando o cavalo- Vamos seguir pela estrada de terra? Ou nos enfiar de novo na mata? -Olhava de relance o loiro atrás de si.


Bakugou estava cavalgando de costas, olhando enfurecido para Kirishima. 


-Vamos para o leste. -falou por fim, já tirando a capa marrom- me dê minha capa, vai chover. -terminou jogando o sobretudo em Midoriya.


-Chover…? -O esverdeado olhava para o céu limpo sobre suas cabeças.


A manhã ainda se espreguiçava, o canto dos pássaros já estava acordando e o céu ainda tinha uma tonalidade pálida.


Não havia nem uma nuvem escura acima do horizonte.


Bakugou vestiu sua manta vermelha. O galope era lerdo, por estarem levando Kirishima, e isso estava Incomodando o loiro apressado.


O "amortecedor" de Kirishima era somente alguns trapos. O terreno irregular balançava o carrinho constantemente. A roda, bem como todo o veículo, era feita de madeira e cada pedra era um terremoto dentro do carrinho.


Claro, o lobo vermelho que dormia tranquilo nem notava, enrolado nos tecidos velhos, dormia como se estivesse nas nuvens.


Avançaram floresta adentro, pelo menos foi essa a direção a qual Midoriya entendeu que deveriam ir, depois do "diálogo" com seu navegador.


O equino havia comido bem na noite anterior, com o feno que achou espalhado próximo a entrada do bar. Água fresca também estava disposta e isso energisou o ânimo do animal.


Andavam entre as muitas árvores daquela nova floresta, o terreno já não era tão pedregoso e a terra macia era pisada pela ferradura e amassada pela roda do carrinho.


Sem um rio ou qualquer curso para seguir, avançam em curvas, mas sempre iam para a direção do Sol nascente. Foram subindo a serra e quando estavam quase no topo, já passava do meio dia.


-Vamos parar para comer? -Perguntou Midoriya já direcionado seu cavalo para debaixo de uma sombra boa.


-Tch! -O loiro estralou a língua entre os lábios, já escorregando de um dos lados do cavalo.


Foi uma refeição modesta, o javali já havia acabado, então só lhes sobrara pão e um bolo reforçado que o esverdeado comprou com os tostões que ganhou em sua apresentação. Isso e água, é claro, a maior parte foi para a montaria, que carregava todos em suas costas.


O cavalo procurava as ervas mais saborosas no prado que se encontravam e os outros esticavam as costas apoiados nos troncos das árvores. Midoriya até era acostumado a andar a cavalo, mas nunca havia feito uma viagem tão extensa, muito menos o loiro, que tinha a bunda doida pelo constante galope. "Era melhor do que andar a pé" ambos supuseram.


O esverdeado aproveitou aquele momento tranquilo para escrever suas anotações em seu caderno. Ainda não havia anotado o estranho fenômeno que era a diminuição da "enorme fera".


Passou a relembrar também a história que viram naquela grande ruína e a espada lendária que havia sido destruída. O coração apertou ao lembrar da cena, mas agora estava preocupado com o que faria a seguir. Contaria essa história para alguém? Seria punido por dar um fim na espada? Os pensamentos preocupados de Midoriya o fizeram encarar a página em branco.


-Atrasado… vou chegar atrasado… -resmungava o loiro de braços cruzados.


Midoriya lembrou-se do estranho sonho que teve. Que foi aquilo? Era algum pesadelo por se culpar da destruição da espada? Não sabia, e com isso ergueu a cabeça olhando o horizonte à sua frente.


Era uma paisagem bonita. O cavalo pastando tranquilo sobre a grama verde que escorria ladeira abaixo até o mar verde que era a floresta, no horizonte distante, nuvens escuras já se formavam, vindas do oeste. Umas três árvores baixas eram chacoalhadas pelo vento que traria a chuva. Era um bom retrato, e Midoriya o rabiscou em suas páginas em branco guardando por escrito aquela bela foto que visualizava.


-Já está na hora. -Falou Bakugou olhando de relance o lobo deitado sobre o carrinho de mão debaixo da sombra.


Arrumaram as coisas e a "carroça" foi novamente montada. Seguiram adiante.


Agora já se encontravam do outro lado da serra alta e a descida era mais complicada do que inicialmente parecia.


A chuva logo os alcançou e o que começou como um leve chuvisco, se escalou em uma grande tempestade com fortes rajadas de vento.


A terra que atravessavam foi se tornado barro e a enxurrada caia do topo da ladeira que estavam descendo.


Midoriya segurava o capuz de seu sobretudo e Bakugou cobriu seu próprio peito, mas deixava a chuva molhar o cabelo.


Kirishima, sem dúvida, era o que mais sofria. As gotas geladas eram defendidas pelo pano sobre si, mas o carrinho não tinha propriamente uma "válvula de escoamento", por assim dizer, a água enchia a caçamba e formava uma piscina privilegiada, só para o lobo vermelho.


O terreno foi ficando difícil, era íngreme e a água o fazia ficar escorregadio.


Midoriya não saberia dizer, se foi a lama na ferradura, a correnteza encardida que escorregava entre os cascos do cavalo ou o deslizamento causado pela queda de uma árvore lá no topo, talvez fosse um pouco de tudo. Mas a verdade é que foram derrubados, e rolaram ladeira abaixo.


Caíram num lago pantanoso, o barro de suas roupas era lavado pela forte chuva e as botas afundavam naquela mistura que virou o chão.


Bakugou ia na frente, puxando as rédeas do cavalo desmontado. Midoriya ia logo atrás, ajudando como podia o carrinho de mão que atolava na lama e mais parecia um "bote" do que qualquer outra coisa. A roda se partiu com a queda e locomoção era a única coisa que não tinham naquele momento.


Atascados naquele terrível cenário, já nem sabiam a direção que estavam tomando.


O esverdeado tirou seu capuz e olhou bem em volta, a neblina que se formava dificultava a visão a longo alcance e só pode ver o vulto de uma construção na distância.


-Ali! -Gritou Midoriya, pelo alto barulho da chuva- Vamos nos abrigar naquele lugar! -Apontou a direção.


Os olhos vermelhos logo visualizaram a estrutura, era uma torre. Devia ter uns dois ou três andares, seus tijolos eram claros, como se feitos de areia e o telhado era vermelho.


Com muita dificuldade, chegaram em frente a residência. As janelas de vidro eram altas e não viam qualquer sinal de luz dentro dos contornos e aberturas da torre.


Back...Back...Back


Bateu Midoriya a aldrava azul que estava pendurada na porta de madeira escura.


A maçaneta era de cobre e Midoriya esperou pacientemente antes de bater novamente contra a porta.


Back...Back


Foi interrompido. Bakugou o tirou da frente e com suavidade chutou e arrombou a porta, estava com uma carranca na cara.


Assim a porta se "abriu" mostrando seu o interior escuro daquele lugar...









Notas Finais


Que chuvarada em? >.>

Estão gostando da narrativa? Espero que eu não esteja "acelerando" muito.
Comentem o que estão achando! Adoro ler incentivos e críticas!

No mais, até o próximo capítulo!

:^D


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