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História O Alcance da Promessa - Naruhina - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, queridões! Mais um cap pra aliviar a tensão (ou quem sabe aumentar) de vcs, hihi
Boa leitura!

Capítulo 12 - A noite que não pedimos a Deus


Por Hinata:

As mãos na garganta e uma dor dilacerante. O choro parecia estar entalado ali, mas não saía. Eu podia quase sentir as veias do meu rosto saltarem, mas as lágrimas não vinham. Senti uma pressão aguda na cabeça. Eu estava perdendo as forças. Oh, não! Eu estava vendo o chão subir... ou eu estava apenas desmaiando. “Mamãe, me ajuda, eu não consigo me levantar” eu pedi, a vendo caminhar à minha frente. “Você é forte sozinha, Hinata. Mas sempre haverá mãos para levantarem você”, ela me disse sorridente, estendendo sua mão e eu prontamente a segurei. Minha mãe havia sumido, mas quando olhei à minha volta para procura-la, muitas pessoas pegavam em meu ombro. Neji, Hanabi, Hiashi, Sakura, Tenten, Ino, Kiba, Sasuke, Sai, Shikamaru, Choji, e... Naruto?

Acordei apreensiva, como num solavanco. Eu estava deitada no sofá da sala e todos estavam ali à minha volta, aflitos. Quando me viram despertar, Tenten suspirou de alívio e Sakura me abraçou chorosa. Ela dizia ter aferido minha pressão a poucos segundos e que meus batimentos estavam zerados. Eu tinha desmaiado feio e, pelo visto, acabado com a festa.

- Me desculpa, Sasuke... – Eu grunhi, ainda sem forças, lamentando – Eu não queria...

- Hinata, relaxa, não tem que se desculpar por nada – Ele garantiu, cabisbaixo – Eu é que te devo desculpas.

Sasuke parecia desmoronado por dentro, como se algo muito ruim tivesse lhe passado. Ele me olhou com piedade e, logo em seguida, saiu da sala, tristonho. Naruto estava ali, escorado na janela. Seu rosto parecia tão pálido que chegava a ser quase irreconhecível. Ele me olhava atento e transtornado. Uma mulher estava a seu lado, de braço dado, com a mão entrelaçada na sua. Olhei para aquele gesto e depois para ele, novamente. Ela era realmente linda. Senti meus olhos umedecerem, silenciosamente, junto a uma dor no peito infindável. Fraquejei, novamente. A sala pareceu estar rodando e minha cabeça pesou.

- HINATA! – uma voz distante gritou, em desespero, me amparando. – Não, de novo não. Seja forte, não apague de novo!

Era ele. Naruto. Eu tinha certeza. Queria ter forças para socar a cara dele, mas estava lutando para me manter de olhos abertos. O enxerguei embaçado, debruçado sobre meu corpo. Ele tocou em meu rosto. Meu sangue ferveu. Reuni minhas forças que restavam para erguer uma das mãos e empurrá-lo, mas não havia mais coordenação motora para isso. E num gesto simples, ele tomou essa minha mão e a beijou, simplesmente.

 

Por Naruto:

Batimentos zerados. Eu nunca quis tanto que minha vida chegasse ao fim ao ouvir uma frase. Minhas mãos congelaram. Seus olhos abriram e um calor involuntário invadiu o meu corpo, quase que causando um choque térmico. Ela estava viva. Depois que toda a água do meu corpo havia se esvaído em suor. Mas ela estava... estava apagando de novo. De novo não. Eu não ia deixa-la ir, dessa vez. Eu não podia. Era como se a minha vida dependesse que ela vivesse. Eu nem conhecia aquela mulher, não sabia quem ela tinha se tornado, seus anseios, com quem havia se deitado, mas eu conhecia o seu passado como ninguém. Eu conhecia a sua criança interior, a quem eu havia me apaixonado perdidamente. E como se esse passado voltasse, senti todo aquele mesmo calor retornar. O calor que eu sentia sempre que estava com ela. Uns chamam de borboletas no estômago, outros de coração ardente, mas eu sabia identificar aquele sentimento. Era amor. E era atemporal. Eu não sabia quem era a Hinata de agora, mas isso era algo que não interferia num sentimento tão sublime. Eu a amava. E o amor é a única coisa que nunca morre, nem mesmo com o tempo.

O tempo de espera havia acabado. A ambulância chegara e Sakura se prontificou a ajudar os médicos socorristas a levarem-na. Sasuke e Neji também foram, juntos. E foi aí que o desespero me bateu. Eu não suportaria não ir junto. Eu precisava estar com ela, independente do que acontecesse. Mas eu não podia. Eu não tinha esse direito.

- Gente, fiquem calmos! Ela vai ficar bem e já vai voltar. – Tenten declarava, com toda a atenção dos convidados voltada para si – A festa vai continuar, a pedido do Sasuke. Vai ficar tudo bem. Logo a Hina vai voltar e vamos continuar curtindo.

Shikamaru percebeu o quanto eu havia ficado abatido e me conduziu para um dos aposentos que foi designado para minha estadia. Entrei naquele quarto e prometi a mim mesmo que se Hinata ficasse bem, eu uniria coragem para conversar com ela sobre tudo o que sentimos, abertamente. A vida dela esteve por um fio. Isso não podia ser motivo maior para nos resolvermos de uma só vez.

Dorothea entrou no quarto, depois que Shikamaru saiu. Sua expressão era indecifrável, mas eu realmente não estava com nenhuma vontade de entende-la. Virei-me para uma cômoda, onde tirei a gravata sufocante para colocar ali. Desabotoei os primeiros botões da camisa para refrescar a mistura de calor e suor que surgiram, depois de todo aquele estresse.

- Vocês tiveram alguma coisa no passado, não é? – A voz dela soou tranquilamente por trás de mim. Eu não ousei responder. Hinata havia ficado no passado, quaisquer que ainda fossem meus sentimentos por ela, nada poderia ser mudado, agora. Ofereci meu silêncio à Dorothea e ela continuou – Você pareceu se importar com ela um pouco mais que o normal. Queria... que você pudesse ser assim comigo.

- Eu não faço ideia do que você está falando – Declarei, firme. Suspirei e me joguei na cama, tentando me aliviar de toda a tensão que me assolava. Meu pensamento estava no leito de Hinata, nesse momento. Eu não estava mais aguentando ficar ali, sem notícias.

- Naruto... você não acha que se aceitasse de uma vez o seu destino, poderia talvez me amar como mulher?

- Thea... – comecei, encarando-a pesaroso – Você é linda! É uma mulher incrível também. Mas eu sempre deixei claro para você que nosso casamento nunca passaria de um acordo.

- É isso que eu não entendo! – Ela se lamentou, um pouco exaltada, sentando-se na cama a meu lado – Naruto, nós vamos nos casar. Seremos esposa e esposo. Nossa noite de núpcias será assistida pelos oficiais da corte. Nós vamos precisar ter uma relação mais íntima, você sabe disso. Mas você fica me elogiando, me trata bem e depois quer colocar essa distância ridícula entre nós. Por que você não aceita de uma vez que estamos juntos e que serei a única pessoa que vai estar a seu lado por toda a vida?

Ela estava coberta de razão. E naquele momento eu apenas queria muito que Dorothea fosse Hinata.

- Dorothea, eu sinto muito. – Suspirei, assistindo-a chorar.

- Sente muito? – Ela deu um riso triste. – Você não sente, não. Enquanto você teve a sua vidinha cheia de liberdades na infância, eu cresci ouvindo que fui noiva de um príncipe que havia falecido. Eu ficava imaginando como seria você, se estivesse vivo, de todas as formas e combinações possíveis. Cor dos cabelos, dos olhos.... E quando soube que você não estava morto e recebi a sua foto, eu me apeguei àquela imagem com muita devoção. Você era exatamente como eu imaginava. Loiro como a maioria dos Noruegueses. Os olhos azuis como o oceano que cerca o seu país. Eu me fissurei pela ideia de que me casaria com você, meu jovem rei norueguês, e que nos tornaríamos a família real da sua nação. Eu me apaixonei por você, Naruto. Mesmo com essa sua frieza extrema e sua carranca mal humorada. Porque cresci sendo ensinada a aceitar o meu esposo como quer que ele fosse, e a enaltecer suas qualidades. E acredite, nessa pedra de gelo que você chama de coração eu vi muita coisa que você sequer ainda se lembra. – Ela afirmou essa última com um sorriso afável, me tirando dos eixos – Você é amável, Naruto. Você é solícito, também. Odeia a vida na corte, mas abortou a sua ligação com o seu eu-interior pelo bem da sua nação. Isso é muito nobre de sua parte. É triste também, te ver assim. Mas eu queria que soubesse que vou estar a seu lado nessa jornada, se me permitir fazer parte da sua vida.

Peguei em sua mão e a beijei, instintivamente. Eu nunca havia feito qualquer gesto de carinho à Dorothea, antes. Contemplei seus olhos, agradecido por sua declaração. Ela parecia emocionada com o gesto. Eu percebi, àquele momento, que Thea esteve comigo esse tempo todo na corte, em todos os meus sumiços, surtos de estresse e mal humor, meu silêncio constante, mendigando um pouco da minha atenção, mesmo que fosse para dar-lhe uma patada. Qualquer coisa que eu fizesse ainda seria pouco para retribuí-la e agradecê-la. Em meio à tormenta que era a vida na corte, contar com ela seria fundamental para suportar todo esse fardo.

-  Obrigado, Thea. – A puxei delicadamente para abraça-la – Obrigado por tudo. De verdade.

Dorothea me apertava com força, entre meus braços. Senti sua narina recostar em meus ombros, querendo guardar o meu cheiro. Piedoso, acariciei sua nuca com uma de minhas mãos, confortando-a dentro de mim. Lentamente, sua narina foi subindo pela extensão de meu ombro até o pescoço, e ali ela ficou por um tempo, roçando o nariz e os lábios em mim. O gesto me causou leves arrepios por toda a extensão de meu corpo. Dorothea começou a beijar meu pescoço, agora usando a língua e dando pequenas mordiscadas. Desci minhas mãos pelas suas costas, apertando-a com força. Aquilo estava começando a me excitar, e parte de mim sabia que ela estava fazendo propositalmente, mas resolvi deixar. Eu estava em débito com ela e também precisava desesperadamente relaxar. Embrenhei meus dedos em seus cabelos, puxando-os para trás, tendo a visão de seu rosto ante o meu. Fitei seus olhos amendoados, nitidamente desejosos de mim. Sua expressão era um misto de medo e desejo. Beijei-a com desespero, fogo, calor. Thea parecia um pouco chocada com a minha urgência, mas cedeu prontamente, totalmente entregue. Deslizei minhas mãos por todo o seu corpo, tateando-o, apertando-o. Ela deslizava as unhas por minhas costas, enquanto eu arrancava suas roupas. Dorothea estava seminua em minha frente. O sutiã acomodava bem os seios levemente avantajados. Sua calcinha de algodão era um pouco comportada, mas a visão de seu corpo naqueles trajes era tentadora. Os cachos caíam lindamente por sobre o rosto desejoso. Beijei-a por toda a extensão de sua pele, antes de me livrar de minhas roupas. Terminei de despi-la, ansioso por toma-la de uma só vez. Deitei-me sobre ela, na cama, acariciando o seu rosto.

- Eu te amo, Naruto – Ela declarou, encarando-me seriamente.

- Também te amo, Hinata.

- Hinata? – Ela indagou completamente aborrecida.

 

Por Hinata:

Fiquei em observação por algumas horas, apenas, após apresentar uma melhora significativa na pressão. Descobrimos o causador de tudo, por fim, além do meu estado emocional ter contribuído significativamente. Eu não havia comido nada o dia inteiro e só me dei conta disso quando o doutor me perguntou. Neji me deu uma bronca de duas horas e meia e chamou um táxi para voltarmos para casa. Havia um silêncio grotesco durante a viagem. Neji estava ao lado do motorista e eu estava atrás, no meio, entre Sasuke e Sakura. Cada um olhava para o seu extremo da janela, sem ousar olharem para outra direção. Eu havia acabado de descobrir o motivo do término e estava literalmente no meio disso tudo. Eu precisava dar um jeito naqueles dois. Regressamos e cada um foi para o seu lado. Sakura subiu para o quarto e Sasuke foi beber sozinho na varanda, nitidamente abatido. Neji apareceu com um prato cheio de salgados e frutas, me obrigando a ficar quieta e comendo tudo. Ino, Tenten, Shikamaru e Choji vieram às pressas me encher de perguntas sobre como eu estava me sentindo. Estava realmente me sentindo melhor após me alimentar no hospital e ali, com eles por perto. Tenten disse que estava ficando velha para festas, apesar de adorar aquele clima. Não tardou muito ela e Neji foram para casa descansar. Quando ficamos apenas nós quatro, percebi que Naruto não estava mais na festa e, de certa forma, aquilo me aliviou um pouco. Choji e Shikamaru logo foram abastecer o freezer e, Ino e eu ficamos debatendo sobre o término de Sakura e Sasuke. Decidimos resolver aquilo de uma vez por todas. Combinamos que ela falaria com a Sakura, e eu falaria com o Sasuke. Ino subiu e eu fui para a varanda.

- Curtindo muito a sua festa? – Perguntei ao jovem embriagado que estava sentado no assoalho, escorado na coluna de madeira – Vai com calma, Sasuke – disse, pegando a garrafa de whisky de sua mão.

- Hinata, me responde uma coisa... – Ele começou, com a voz um pouco embolada – Como que um ser humano como eu consegue fazer tanta merda sem querer?

- Estamos propensos a isso, Sasuke – respondi, sentando-me a seu lado. – Erramos o tempo inteiro.

- Mas Hinata, eu juro que não pensei que nada disso iria acontecer. E olha a merda que deu! – Ele suspirou, pesaroso – Eu tinha a melhor das intenções quando convidei o Naruto. Eu não imaginava que isso faria a Sakura terminar comigo e nem que você fosse parar no hospital. – Ele disse essa última de forma cômica – Mas cara.... Eu encontrei o meu melhor amigo que eu não via há anos, no meio do nada, como poderia não convida-lo?

- Você não fez mal em convidá-lo, Sasuke. Você está certo – declarei, pegando em seu ombro – Eu é que não estava pronta para vê-lo novamente. E a Sakura sabia disso, por isso se exaltou.

- Hinata... – Ele me encarou, os olhos vermelhos e as lágrimas incessantes – Me desculpa por isso, de verdade. Já haviam se passado tantos anos, quero dizer... você seguiu em frente, está com o Kiba há um tempão e parece estar tão feliz! Assim como ele está noivo, com uma vida nova. Eu sinceramente não imaginei que seria um problema. Pensei que tivessem superado.

- Olha Sasuke... – Eu suspirei, antecedendo o que eu diria a seguir – O Naruto pode ter superado o que tivemos no passado, mas se eu disser que superei vou estar mentindo. Você pode pensar que eu sou uma boba por tê-lo esperado por tanto tempo, apesar de tudo, mas o Naruto me fez uma promessa quando se foi. E essa promessa deixou marcas profundas em mim depois que ele partiu. Uma consequência horrenda que me marca até hoje. Você sabe do que estou falando, não é?

- Sei sim, é claro. – Ele bufou, repreendendo a si mesmo – Como pude me esquecer disso? Hinata, eu sou um idiota e um péssimo amigo. Eu estava lá e sei tudo o que você viveu. Eu não podia ter feito isso com você!

- Sasuke, se acalma. Está tudo bem! Eu acho que realmente precisava de um “sacode” desses para conseguir superá-lo e desenvolver melhor o meu relacionamento com o Kiba. Caso contrário, viveríamos num impasse eterno. – Rolei os olhos, lembrando de minha última experiência sexual com Kiba – O fato é que, Sakura está aqui, agora. E ela te ama pra caramba. Não deixa isso acabar. O que aconteceu entre mim e Naruto é triste demais. Não deixa isso acontecer com vocês, também. Agradeça por terem um ao outro bem aqui e não permita que nada destrua isso.

- Mas será que ela vai querer me ouvir? – Ele perguntou, indeciso – Eu sei que devo desculpas a ela. E sinceramente, essa festa está um saco sem ela aqui comigo. Mas sério.... Como a sua amiga consegue ser tão insuportável? Puta que pariu! O pior é que quanto mais chata, mais eu amo aquela desgraçada. Misericórdia!

- Não fala assim da minha amiga, Sasuke! – Fingi repreendê-lo, risonha – A Sakura é um doce e você sabe disso. Eu é que estou me sentindo culpada porque foi por minha causa que ela quis terminar com você. Mas respondendo à sua pergunta... sim, ela vai te ouvir. Mas não enquanto estiver de porre, fedendo a bebida. Espera essa sua brisa de álcool passar e vai lá falar com ela.

- Tá certo – Ele sorriu. – Hinata... obrigado. Você sempre sabe o que dizer. E me desculpa mais uma vez.

- Que nada, imagina. – Sorri de volta, abraçando-o – E para de fazer idiotices quando estiver brigado com a Sakura. Não basta ela já ser uma alcoólatra, agora até você? Quem vai carregar quem?

- Você vai carregar a gente nas costas, como sempre. – Ele respondeu, me fazendo gargalhar – E me desculpe por voltar no assunto, Hina, mas... o Naruto não sabe sobre o que aconteceu depois que ele foi embora, não é?

- Não mesmo. E eu prefiro que ele nunca saiba. Se puder guardar esse segredo, eu serei muito grata.

- Com certeza eu guardarei. Só quis confirmar antes de cometer uma garfe – Ele piscou – Agora eu só preciso de um banho.

Sasuke me deu um beijo no rosto e se levantou, entrando.

 

Por Naruto:

Dorothea ficou tão chateada que chorou copiosamente. Eu havia realmente pisado na bola. Como pude chama-la de Hinata no momento em que ela disse que me amava? Pedi infinitas desculpas, completamente desajeitado, enquanto me vestia. Ela, por sua vez, vestiu um robe e virou-se para o outro lado, fingindo não ouvir a minha voz. Não havia mais espaço para mim naquele quarto, por hora, então resolvi deixa-la sozinha. A festa ainda estava bombando, quando desci novamente. Parecia até mais animada, na verdade. Estavam todos na área da piscina, dançando e se divertindo muito. O som estava mais alto, as pessoas estavam mais bêbadas e, inclusive as luzes estavam mais fortes. Até as meninas que antes não estavam na festa, agora dançavam no meio de todos, freneticamente. Dentre elas, Hinata. Ela parecia tão tranquila e feliz. Aquela visão me fez abrir um sorriso involuntário. Ela ficava linda com aquela animação toda. Eu nunca poderia imaginá-la tão maravilhosa, todos esses anos.

 

Por Hinata:

Era para ser o melhor dia da minha vida, mas aquilo definitivamente não estava nos meus planos. A noiva dele era realmente linda. Ele esqueceu de mim. Ou talvez ela fosse bem melhor. Eu não faço mais ideia alguma do que sou para ele. Estou me sentindo tão insignificante que só queria ficar sozinha, longe daqui. Estou tentando sorrir, mas não posso negar para mim mesma que está doendo muito. Afinal, mesmo que as chances de um reencontro fossem mínimas, no fundo eu esperava por ele e sonhei com isso por todo esse tempo. Eu não deveria ter dado tanta importância, já fazem nove anos desde que ele partiu, eu devia ter imaginado que a vida dele seguiria sem mim. Ainda que ele tivesse feito uma promessa, éramos apenas dois adolescentes ingênuos. Ele tinha quinze, e eu quatorze. Eu não deveria ter sido tão tola.

Apesar de tudo, eu tinha plena consciência do quanto a vida podia nos fazer sangrar, por vezes. Eu não tinha mais o Naruto. Mas eu tinha meus amigos, minha família e o meu namorado era maravilhoso. Aquela não era exatamente a vida que eu escolhi viver, mas ainda era boa. Queria que fosse tão fácil fazer meu coração reconhecer isso.

 

Por Naruto:

Era para ser o melhor dia da minha vida, depois de tantos anos, se não fosse pelo fato de não estar mais livre para ela. Foi uma tortura. Eu pensei que conseguiria ser forte, mas foi pior do que eu podia imaginar. Olhar para ela, tão crescida e linda, de mãos atadas. Ela se tornou uma mulher maravilhosa, como eu pude pressupor. Era insuportável pensar que não iria mais tê-la. Eu quis correr para abraçá-la. Ver de perto aquele lindo rosto angelical preso a um perfeito corpo de mulher, carregado de cicatrizes e lembranças da nossa infância. Eu a amava tanto! Mas talvez ela nem se importasse. Está aí com todos, tão à vontade e sorridente que nem pareceu se importar com o fato de eu estar noivo. Quem sabe ela até já tenha alguém, não deve estar solteira sendo tão linda. Por que ela teria esperado por mim todo esse tempo? Éramos apenas dois jovens. Ela tinha quatorze, e eu quinze. Eu não deveria ter sido tão tolo.

Um sujeito alto, de pele morena, chegou por trás de Hinata a abraçando. Aquilo me alarmou o suficiente, me fazendo parar um dos garçons que passava e pegar um copo com whisky. Ela virou-se para trás, surpresa e feliz ao ver o rapaz. A vi abraça-lo, jogando-se nos braços dele, beijando-o em seguida. Virei todo o copo de Whisky numa única golada. Eles começaram a dançar juntos, agarrados como um casal. Não consegui continuar a observá-la por muito mais tempo e fui para o bar. Não consegui discernir o que eu estava sentindo vontade de fazer. Mas eu precisava reunir coragem. Toda a coragem do mundo.

- Dose dupla de whisky com vodka, por favor – Pedi ao barman, que fez uma careta ao ouvir o meu pedido.

Virei as duas doses em dois tempos e levantei-me afoitamente. Ela estava sozinha agora, na pista de dança. Fui passando no meio de todos, em direção a ela. Quando finalmente a vi, puxei sua mão. Ela então virou-se para trás distraidamente, arregalando os olhos quando se deparou comigo.
 

Por Hinata:

Era Naruto. Ele estava ali, tão perto, segurando minha mão delicadamente e com firmeza. Aqueles olhos, os de sempre, tão capazes de me tranquilizar ao fita-los. Ali estava o mesmo Naruto que eu conheci e por quem me apaixonei perdidamente. Não consegui ter nem mesmo o reflexo de puxar minha mão da sua. Eu estava presa a ele, numa espécie de transe em que seus olhos me deixavam.

- Hinata... Podemos conversar? – Ele pediu e eu assenti, prontamente.

Eu realmente necessitava conversar com Naruto, mesmo já sabendo de nossos destinos. Aquele era o passo que eu precisava dar para resolver os nove anos entalados na garganta, a muito contragosto. Ao assentir, Naruto simplesmente me guiou para fora da multidão. Estávamos fora da casa, mas ele ainda me levava pelas ruas. Minha mão presa à dele, aquele toque constrangedor entre dois estranhos, mas eu me sentia imensamente feliz por senti-lo.

- Para onde estamos indo? – Perguntei, quebrando o silêncio que se seguiu entre nós.

- Não se lembra do nosso lugar? – Ele indagou com um riso frouxo.

Naruto abriu a porta do carro que ele alugara, para que eu entrasse. Retirou a camisa molhada de suor e adentrou no carro, do outro lado. Não pude deixar de notar o quanto ele estava forte e musculoso por toda a extensão do tronco e dos braços. Naruto estava perfeito. Instantaneamente fiquei receosa com rumo que aquela “saída para conversar” tomaria. Apesar de estar mais racional, conforme os anos passaram, eu ainda era movida por ele. Mais maduro e mais lindo que nunca. Tinha regressado, após tanto tempo, em circunstâncias muito infelizes, mas estava ali, tão perto. E eu tinha medo de não ter o controle com ele.

- Você está preparada? – Ele perguntou com uma voz tão grave e pronunciada que me fez ter um pequeno infarto, imaginando coisas muito inadequadas com aquela voz ao pé do ouvido.

- Nani? – indaguei, saindo do transe – Naruto, seja breve. Precisamos retornar logo, eu estou acompanhada.

- Em algumas horas eu posso garantir que você não irá mais se preocupar com isso – Ele respondeu provocativo, o que me deixou aterrorizada por dentro.

Naquele momento eu me arrependi profundamente em ter aceitado ter aquela conversa. Eu não sei o que Naruto estava pensando em fazer comigo, mas eu não conseguiria contrariá-lo. Não ali, tão vulnerável com a sua volta, com a saudade que eu sentia, com o amor que ainda existia. Não consegui fazer objeções às suas intenções, ou simplesmente sair do carro. Era como se... eu quisesse estar disposta a qualquer coisa que ele propusesse comigo, àquela noite.


Notas Finais


Será que o Narutinho e a Hina vão pro abate? Fica no ar a questão kk
Obrigada por sua leitura!


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