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História O Alcance da Promessa - Naruhina - Capítulo 13


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, leitores! Esse cap é bem curtinho, mas se quiserem, posso postar outro ainda hoje.
Espero que gostem e boa leitura!

Capítulo 13 - "Regras de Sobrevivência"


Por Naruto:

A laguna não ficava tão longe e eu sabia disso, mas fazia anos que eu não divagava por ali. Fiquei andando em círculos durante uns bons minutos até encontrá-la. Hinata não falava nada, o que só me deixava mais apreensivo. Aos poucos, toda aquela coragem que eu tive graças a poderosa mistura de whisky com vodka, havia se esvaído. Eu sinceramente não tinha mais ideias de como começaria uma conversa com ela. Parecia tão calma, tão segura. Eu certamente pisaria em ovos.

Finalmente avistamos o horizonte litorâneo. Estávamos na laguna. Desci do carro, e antes que eu abrisse a porta para ela, Hinata já havia descido. Aquele lugar me remetia a tantas lembranças. Eu sempre estive ali sozinho na companhia das ondas, até ela chegar. Aquele lugar passou a ser só nosso. A maré estava alta e a brisa da noite, fria. Diferente das manhãs amenas que costumávamos passar ali. Hinata abraçou os próprios braços, na tentativa de se aquecer. Ofereci a ela um casaco que eu tinha na mala, mas ela recusou imediatamente, mantendo distância de mim até mesmo no olhar.

- Podemos ir? – indaguei, pegando em sua mão, numa última tentativa de contato. Ela aceitou o gesto, enquanto caminhávamos, mas não perdurou muito tempo.

- Escuta aqui, Naruto! Eu não sei o que você pensa que está fazendo, mas eu só vim aqui para conversar com você, porque acho que me deve mesmo muitas respostas. – Ela declarou, tirando bruscamente sua mão da minha – Não temos absolutamente nada juntos e você sabe bem disso, então por favor.... Seja breve e não me toque!

- Me desculpe... – Eu disse, simplesmente – Eu não queria forçar a barra, eu só queria...

- Ah, não me diga! – Ela rolou os olhos, bufando – Eu saquei a sua conversinha no carro, e olha só, eu não sou do tipinho de mulher que aceita qualquer convite, ainda mais vindo de alguém que não tem palavra.

- Hinata... eu só vim conversar. Só isso. Ta bom? Mas se quiser, podemos voltar agora mesmo.

Eu estava nitidamente ofendido, mas não tirava a sua razão. Ela, contudo, percebeu tarde demais que foi dura em suas palavras. Seu olhar ainda me evitava, mas ela fez um breve contato com uma de suas mãos em meu braço.

- Não quis dizer isso, eu só estava...

- ...Sendo sincera? – Completei – Hinata, eu sou tudo isso o que você pensa e mais um pouco. Você está coberta de razão. Eu não vim até aqui para me defender. Vim apenas me explicar. É diferente.

- Bom, você estava cheio de conversas ambíguas, eu pensei que quisesse... algo mais – Ela declarou, mostrando que não era mais tão tímida assim para falar abertamente sobre qualquer assunto – Ainda bem, porque o meu namorado não iria gostar de saber disso...

- Aquele cabeçudo que estava dançando com você? – Dei uma risada prepotente – Entendi.

- Não precisa se morder de ciúmes. – Ela sorriu, brincalhona. – Ele vai saber que estivemos aqui. Temos um jogo limpo. O nome disso é confiança. Algo que costumávamos ter um com o outro. Se lembra?

- Pode continuar o esculacho enquanto eu me sento? – Perguntei, já caminhando em direção a um banco de areia mais alto. Hinata me seguiu, sentando-se a meu lado, em seguida. – Não precisa ter medo, não vou tocar em você. E nem vou fazer raiva no seu namoradinho.

- Se eu cedesse, eu sei que você tentaria. – Ela rolou os olhos com um riso debochado – Eu sei o que eu ouvi no carro. 

- Eu não ia fazer nada com você. Só disse aquilo porque queria saber se você ainda viria comigo mesmo sabendo que podia rolar alguma coisa entre a gente – Pisquei, traiçoeiro, assistindo-a constranger-se por completo pela primeira vez àquela noite. – Senti saudades de te ver envergonhada. Ainda é muito atraente.

- Ainda bem que a sua noiva não está aqui para ouvir isso. – Ela suspirou – Como aconteceu? Digo... vocês dois...

- Não aconteceu. – Declarei prontamente, retirando os sapatos sociais para sentir a areia nos pés – Somos um casal de fachada, ou como meu padrinho gosta de chamar: “um acordo de nações”. Provavelmente você já deve estar sabendo da minha posição na corte da Noruega.

- Ouvi os meninos comentarem antes de você aparecer e me chamar pra cá. Quase inacreditável. – Ela engoliu em seco, encarando os próprios pés – Eu cheguei a cogitar ir para Brighton à sua procura, alguns anos atrás. Mas era loucura pensar que encontraria você em meio a milhões de pessoas.

- Ainda bem que você não foi. Eu nunca estive em Brighton – Suspirei ao imaginar a confusão na cabeça de Hinata – Nunca pensei que eu estaria nessa situação.

Ela ainda me olhava atentamente, buscando quaisquer resquícios de mentira em minha face, mas não os encontrou.

- É complicado... – completei – E infelizmente eu estou preso a essa realidade. A Thea é ótima, mas parece que não entende que eu não sirvo para amá-la.

- Vocês nunca foram íntimos um do outro? – Ela indagou, um pouco envergonhada pela ousadia da pergunta. – Me desculpa por me intrometer, não precisa responder se não quiser.

- Quem está com ciúmes agora? – Perguntei, risonho – Não, na verdade até hoje eu nunca a tinha sequer abraçado. Mas hoje... quase aconteceu. Só que na hora, eu... bem, eu não consegui.

- Você também, então? – Ela bufou, visivelmente chateada. Levou as mãos ao rosto, tremendo, talvez pelo frio ou pela presença das lágrimas – Eu não posso crer nisso!

- O que foi? – indaguei, cobrindo-a com um de meus braços. Seu corpo tremia, abaixo de mim. Há tempos eu não me sentia assim, tão vivo. Protegê-la e confortá-la costumava ser o meu objetivo na vida. Estar a seu lado. Amá-la. Cuidá-la. Era como se eu estivesse morto, agora. Não tinha mais vida com ela longe de mim.

- Era para eu estar me sentindo melhor, agora que sei que você também não cumpriu com a nossa promessa. Mas por alguma razão, eu não estou. E na verdade, eu estou me sentindo pior do que nunca. Nós dois seguimos em frente. É como se tudo o que vivemos um dia fosse uma grande mentira. E tudo foi... tão forte! Como pode ter sido tudo em vão? – Sua voz embargou, denunciando o choro – Por que teve que ser assim, Naruto? Por que nunca tive notícias suas? Por que nunca me ligou ou escreveu? Eu acreditei realmente que você fosse voltar algum dia... mas noivo? O que aconteceu para você me esquecer? Você deixou de me amar?

- HINATA, CALA ESSA BOCA! – gritei, sacudindo-a, transtornado. – Pare de falar besteiras, pelo amor de Deus! Você não imagina o quanto é ruim acordar e dormir pensando que eu nunca vou poder ter você comigo. Céus, eu nem sei como consegui sobreviver esse tempo todo! – Confessei, choroso – Eu estive no modo automático todos esses anos. Eu quis muitas vezes deixar de viver por estar fadado a uma vida sem você, Hinata. Então, por favor, me questione tudo, mas nunca sobre o meu amor por você. – Suspirei, recuperando a compostura – Olha, você não sabe o quanto está sendo difícil olhar pra você, desde que cheguei, sem poder te abraçar, te beijar, me dar a você. – Eu agora a olhava firme nos olhos – Ainda precisei ver você beijando aquele cabeçudo na frente de todo mundo, sem questionar nada. Primeiro, que eu não tenho esse direito e, depois, você não é mais minha. É horrível me dar conta disso. Você não tem noção do quanto é doloroso afirmar para mim mesmo que você não é mais minha. Mas eu daria tudo pra que fosse, Hinata... – Acariciei o seu rosto, analisando cada traço daquela mulher maravilhosa que eu não poderia ter – Você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida. E sempre vai ser. Mas nesse momento, essa coisa está me destruindo por dentro. Porque... – minha voz embargou - ...eu nunca verei você entrar de noiva no nosso casamento. E nunca terei filhos com os seus olhos. E porque... a promessa que fiz era tudo o que eu almejava alcançar na vida. E essa é exatamente a única coisa com a qual não poderei nem mesmo sonhar. Eu sinto muito, Hinata... – Lamentei, sentindo o rolar das lágrimas quentes que ainda insistiam em descer – Eu sinto muito mesmo.

- Ei... – Ela se prontificou a enxuga-las por mim, acariciando minhas têmporas em seguida – Sabe o que me ajudou a driblar a falta que eu senti de você? Certa vez, alguém me disse que pra sobreviver no orfanato eu precisava seguir algumas regras.

- As regras de sobrevivência? Hinata... Sério? – Eu indaguei, com um riso triste.

- A primeira regra diz que não devemos pensar nas possíveis pessoas que temos la fora, ou...

- ...longe de nós. – Completei, lembrando-me do manual que fiz a ela com cada regra – Não acredito que eu fui essa criança extraordinária e agora sou esse cara ranzinza que não sabe como viver a própria vida.

- Não seja tão cruel consigo mesmo – Ela me deu um leve empurrão, tentando me confortar - Você tem circunstâncias que te deixam com poucas opções de escolha... Eu compreendo.

- Mas naquela época eu ainda tinha você. E isso muda tudo.

- Naruto, eu já entendi. – Ela bufou, se levantando – Não precisa ficar se martirizando. Você vai se casar com aquela moça bonita que veio com você, e eu ficarei com o Kiba. Não era a nossa primeira opção, mas...

- Eu ainda amo você, Hinata! – Levantei-me logo após, interceptando-a de fugir – E não sinto nada pela Dorothea. Nunca vou sentir qualquer coisa que chegue perto do que nós temos. Eu só queria... que você ficasse comigo pelo tempo que me resta aqui. Eu provavelmente não voltarei mais, depois que partir de volta para a Noruega, para a minha vida sem você. Fica comigo, por favor! – Supliquei, desesperado e um pouco constrangido com o pedido – Ninguém precisa saber disso, além de nós dois.

- Naruto, olha só o que está me pedindo! Eu não vou trair o Kiba! – Ela se exaltou, indignada – Ele ficou ao meu lado todos os dias, enquanto eu chorava por você, que nunca sequer me deu notícias. Eu nunca faria algo assim com ele, mesmo morrendo de vontade de beijar você aqui e agora! Você nem imagina o quanto eu quero beijar você, Naruto. Eu estou louca pra ser sua de novo, depois de nove anos sem conseguir me entregar para ninguém. Mesmo sabendo que você vai embora de novo e que eu terei de lidar com a sua falta por muito mais tempo! Mesmo sabendo que eu vou me arrepender depois, então não fica aí parado e me beija logo antes que eu dê para trás e desista dessa droga toda!

Realmente, eu não conhecia nada da Hinata de agora, mas estava a cada instante mais apaixonado por ela. Segurei em sua cintura, firme, arrancando de seus doces lábios o beijo que eu guardei todos esses anos apenas para ela. Ela me retribuiu o gesto cheia de saudade. Aquela boca era perfeita, feita sob medida para mim. Nossos lábios se completavam, nosso movimento era sincronizado, calmo e intenso, cheio de volúpia e amor. Era doce e atroz. Agarrei o corpo de Hinata, urgente pelo seu contato ao meu. Eu não podia acreditar que estava acontecendo. Senti meu rosto tremer. Eu estava tão feliz, tão necessitado de seu beijo, tão nervoso e ainda triste. Como era possível sentir tanta coisa num único momento? Ela soluçava em meio ao beijo, eu podia sentir. Ou de emoção ou de arrependimento. Pela entrega naquele beijo, eu diria que era a primeira opção. Eu não conseguia mais soltá-la. Queria que aquele beijo nunca mais tivesse fim. Pensei por um momento na minha vida, depois que eu retornasse para a Noruega, e aquilo me destruiu por dentro. Eu não queria voltar para lá depois de ter sentido aquele beijo de novo. Eu não podia. 

- Hinata... – interrompi nosso beijo, assistindo-a reclamar. Sorri nostálgico, com aquele gesto. Parecia exatamente como na primeira vez – ...Eu quero esquecer de tudo. Eu não quero ter que voltar para a corte, nunca mais. A minha vida não vai ter sentido se não for com você e eu quero fazer valer cada segundo dela. Quero fugir, Hinata. Vem comigo?


Notas Finais


Algo que sempre gosto de perguntar ao fim de determinados capítulos, como este, por exemplo. Esta questão certamente cairá no ENEM 2021.

QUESTÃO - O que será que Hinata vai responder ao Naruto?

A) "Claro que sim, vamos fugir agora!"
B) "Mal chegou e já quer fazer graça."
C) "Tinha maconha no salgadinho da festa?"
D) "Fugir pra onde, meu filho? Você brincou de pique-esconde por nove anos. Não basta?"
E) "Só aceito se o Kiba puder fazer parte do nosso relacionamento sério, moderno e inovador"

Façam suas apostas.
Obrigada por sua leitura!


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