História O amante-fillie - Capítulo 10


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Categorias Stranger Things
Personagens Personagens Originais
Visualizações 71
Palavras 3.495
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Ficção, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Capitulo 10


 

 

Acordo na mesma posição em que dormi, exceto pelo fato de que o edredom foi colocado na altura de

minha cintura. Os braços de Finn ainda me envolvem, e o cheiro de sexo ainda paira no ar.

Com o olhar, procuro um relógio pelo quarto, escutando a respiração leve de Finn perto do meu

ouvido. Hesito em me mexer e acordá-lo, mas preciso usar o banheiro.

Começo a tirar lentamente seus braços do meu corpo grudento. Ele geme algumas vezes no sono, e eu

sorrio, surpresa por não estar arrependida. Acordei sem o menor sinal de remorso ou vergonha. Mas

também não tenho o desejo de ficar tempo demais. Ah, não, definitivamente quero manter a vantagem.

Quando acho que fiz progressos, sinto seus braços me prenderem como um torno, me imobilizando com

eficiência.

– Nem pense nisso, Millie – ele grunhe, a voz rouca de sono.

Coloco as mãos nos seus braços, tentando me soltar.

– Preciso usar o banheiro.

– Azar o seu. Segure. Eu estou confortável.

– Não consigo.

– Não vou soltar – ele declara sem brechas para argumentar, afastando minha mão com um movimento

do braço, enquanto me mantém presa.

Encosto a cabeça no seu ombro num gesto de exasperação, e seus lábios se viram para o meu rosto, me

beijando suavemente, os vestígios de sua barba roçando em mim. É uma sensação gostosa, nem de longe

a reação que eu esperava na manhã seguinte.

Assim que o sinto relaxar os braços, enquanto se ocupa de acariciar meu rosto com o dele, tento

escapar, mas logo que ele percebe a tensão em meus músculos, estou deitada de costas, pernas abertas e

punhos presos ao lado da cabeça. Ele me olha de cima, os olhos brilhantes e dançando de satisfação. Ah,

sim, está muito satisfeito consigo mesmo e preciso dizer que está maravilhoso com o cabelo despenteado

e a barba escura começando a aparecer.

Meu corpo reage a ele automaticamente, e a dor na minha bexiga logo é substituída por uma pressão no

meu ventre, meu coração está em algum lugar entre meu esterno e minha garganta. Seu cheiro matinal é

uma mistura de suor e aquela essência de água fresca que tanto amo. Estou sem fôlego. Ele deve achar

que sou fácil.

Bem, eu sou... com ele.

Ele passa o nariz no meu.

– Dormiu bem?

Ele quer conversar agora?

– Muito. – Mexo os quadris de maneira sugestiva, e suas sobrancelhas se levantam, os lábios querendo

sorrir.

– Eu também.

 

Espero que ele tome a iniciativa. Finn me observa com atenção, inclina devagar o rosto sobre o meu

e, quando nossos lábios finalmente se encontram, dou um gemido, abrindo a boca de maneira convidativa

e tremendo sem querer quando ele passa a língua pela minha, sem pressa, seduzindo minha boca e se

afastando de vez em quando para me beijar gentilmente, antes de reiniciar a exploração. Ah, gosto muito

do Finn gentil. Ele está a quilômetros de distância do dominador senhor do sexo que encontrei ontem à

noite.

Quando está feliz por eu ter demonstrado interesse, ele solta meus punhos e me acaricia com a ponta

do indicador pelos lados do corpo. É o bastante para eu quase convulsionar e mexer o quadril com a

espiral que começa em meu ventre e termina no meu sexo.

O toque dele é viciante. Ele é viciante. Estou totalmente viciada.

Abraço-o para espalmar seu traseiro sólido como uma rocha. Aplico um pouco de pressão,

empurrando seus quadris contra os meus de propósito. Gememos em uníssono, um na boca do outro.

– Eu me perco completamente em você – ele murmura nos meus lábios antes de se afastar, observando

meu rosto enquanto se enterra lenta porém decididamente em mim, centímetro por centímetro, fazendo

minhas mãos irem de imediato parar em suas costas e meus olhos se fecharem. Estou preenchida.

Ele está imóvel, permitindo que eu me ajuste ao seu redor, suas costas, tensas, a respiração, curta. Sei

que ficar assim parado deve exigir muito esforço.

– Olhe para mim, Millie.

Abro os olhos. Sua mandíbula está tensa, a linha de expressão mais profunda que o normal, os olhos

verdes em brasas. Mexo o quadril sutilmente para demonstrar que estou bem e, ao meu convite, ele se

retira ao ponto de eu achar que vai desistir, mas, então, pouco a pouco, me penetra de novo o mais fundo

que consegue – para dentro e para fora, para dentro e para fora.

– Hmmm – solto um gemido com uma longa expiração.

– Amo sexo sonolento com você – ele diz, com a voz cheia de ar.

Os movimentos calculados e deliberados fazem um estrago no meu autocontrole. Levanto o quadril

para ir ao encontro de seus ataques, trazendo-o mais fundo e me levando às alturas. A sensação é

extraordinária.

– Assim está bom, Millie? – ele pergunta baixinho. Ele sabe que está. Seu olhar ainda está travado no

meu e fico surpresa de conseguir manter a intimidade. É como se tivéssemos sido feitos para estar aqui.

– Sim – respondo.

– Mais rápido?

– Não. Assim mesmo, por favor, só assim. – Está perfeito. O Finn forte, poderoso e controlador é

incrível, mas, nesse momento, este aqui é absolutamente perfeito.

Ele me percorre com os olhos, enquanto mantém o movimento de vaivém. Quero que ele me beije, mas

parece tão satisfeito apenas me olhando, então prendo as pernas na sua cintura e corro os dedos por seus

braços muito de leve.

Ao se afastar devagar, ele faz uma pausa, momentaneamente parecendo reunir forças, os olhos fixos

nos meus.

– Chega de sexo preguiçoso – ele murmura e vem com tudo para o lugar mais fundo possível dentro de

mim, não me dando tempo para me acostumar.

Ele grita e se retrai antes de repetir o delicioso movimento outras vezes, saindo devagar e voltando

com força. O prazer me invade como uma tempestade, fazendo minha mente entrar em órbita. Suas ações

são controladas e exatas. Estou chegando ao limite. Agarro seus cabelos, puxando seus lábios para mim,

passando a língua pelo seu lábio inferior e mordendo-o de leve, raspando-o nos meus dentes até

finalmente libertá-lo. Ele me invade de novo, seu rosto tenso encontrando meus lábios. Ele me beija com

paixão.

– Nunca vou deixar você ir embora – ele me avisa entre beijos.

– Não quero que me deixe ir.

Ele congela de repente, interrompendo o ritmo que me fazia desintegrar em seus braços, e eu me

encolho, surpresa pela ausência de movimento, meu orgasmo no limbo. Ele ainda está enterrado em mim

e levanta a cabeça para me olhar. Sou arrancada de meus pensamentos confusos imediatamente pelo olhar

de desaprovação que vejo no rosto dele.

Eu disse a coisa errada. Estava envolvida pelo momento, foi só isso. Desvio o olhar do dele. Estraguei

tudo.

– Olhe para mim agora, Millie. – Eu o encaro com relutância, encontrando sua expressão um pouco mais

suave. – Vamos ter essa conversa quando você estiver raciocinando, e não louca de desejo. – Ele se

afasta até que eu sinta somente a ponta de sua ereção e paira sobre mim.

Ele está certo. Não raciocino quando estou com ele, especialmente quando ele me deixa desse jeito.

Fico perdida com o prazer que me ele proporciona e agora está me fazendo dizer bobagens.

Sua língua varre seu lábio inferior, e ele ofega, ao mesmo tempo que empurra o quadril para a frente,

trazendo meu orgasmo dormente de volta à vida. Minha pele arde, e ele me penetra, devagar e sempre, o

mais fundo que pode. Passo a mão pelos seus cabelos, puxo seus lábios para os meus e o devoro,

enquanto ele continua os movimentos cadenciados.

– Vou gozar – ele murmura. – Goze comigo, Millie. Me dê isso.

E com mais três estocadas, minha mente fica em branco, e fogos de artifício explodem na minha

cabeça. Eu irrompo sob ele com um grito.

– Isso mesmo, querida – ele faz força para falar, unindo-se a mim em meu prazer, enquanto tento

dominar meus gritos e começo a gemer alto e longamente quando sua ereção se expande, tremendo, antes

de liberar jorros de sêmen quente dentro de mim. Ele cai sobre mim, projetando o quadril com força,

garantindo que até a última gota seja esvaziada. Estou destruída, e ficamos abraçados, tentando trazer a

respiração ao normal.

– Não sei o que dizer – ele sussurra no meu ouvido.

Estou funcionando no piloto automático, mas isso eu ouvi em alto e bom som, e não sei como processar

a informação. Acho que nós dois já falamos demais. É isso que acontece quando nos deixamos levar pelo

momento. Desejo e paixão tomam conta e, antes que você se dê conta, palavras ridículas estão saindo de

sua boca.

Após alguns minutos de silêncio, estou mais que desconfortável, então me mexo um pouquinho

embaixo dele.

– Posso usar o banheiro agora? – peço.

Ele desliza para fora, fazendo um esforço exagerado para cair na cama. Não tenho ideia do que possa

estar deixando-o frustrado.

Sem uma palavra, piso no carpete branco e vou até o banheiro, fechando a porta. Sei que ele observou

cada passo meu. Pude sentir seus olhos queimando minhas costas nuas. O constrangimento da manhã

seguinte foi adiado, mas chegou agora. E chegou com tudo.

Uso o banheiro, lavo as mãos e paro alguns minutos para me acalmar antes de abrir a porta,

encontrando-o deitado de costas, assumidamente nu e me encarando com determinação. Não sei o que

fazer.

– Preciso ir embora. Sadie deve estar preocupada comigo.

Ele morde os lábios furioso, as engrenagens em sua mente entrando em ação.

– Talvez eu queira que você fique aqui.

– Ela precisa do meu carro. – Quero ser racional e ir embora, mas também não quero. – Você vai me

levar?

Seu sorriso quase me lança de volta para o banheiro e me faz sentir muito melhor, a estranheza

desaparecendo, simples assim.

 

– O que você disse?

– Por favor – sorrio, e ele pula da cama.

– Boa menina. Me dê cinco minutos.

Estou ajoelhada pegando com cuidado os pedaços de vidro do chão da cozinha quando Finn aparece,

vindo do quarto. Olho para cima e vejo que está usando uma bermuda bege, uma camisa polo Ralph

Lauren branca – com a gola levantada – e um par de All Star azul. Os pelos das suas pernas musculosas

são bem claros, realçados por seu bronzeado leve. Ele não se barbeou, mas seu começo de barba não

compromete seu lindo rosto. Estou de joelhos, lábios entreabertos, parecendo desamparada. Me sinto

desamparada.

Ele para diante de mim, olhando para baixo com um sorriso. Parece mais jovem. Quero agarrá-lo ali

mesmo, mas com a mão cheia de cacos de vidro, ambos totalmente vestidos e atrasada, preciso resistir.

– Preciso ir – pressiono, tentando ignorar a massa de beleza masculina acima de mim.

– Aqui – ele junta as mãos para que eu coloque o vidro ali. – Você devia ter deixado, Millie. Podia ter se

cortado. – Ele esvazia as mãos, soltando o vidro na pia. – Cuido disso mais tarde. – Colocando os óculos

escuros, ele pega as chaves e as minhas malas, antes de segurar minha mão e me conduzir à porta.

– Você vai trabalhar hoje? – pergunto.

– Não. Não acontece muita coisa no Solar durante o dia – ele pisca, e eu me derreto. Ele tem esse jeito

meio safado que eu adoro.

Ele abre a porta, e damos de cara com dois homens mal-ajambrados com pranchetas na mão, de

macacão azul. Bordado nos uniformes lê-se “Mudanças B&C”.

– Sr. Wolfhard? – pergunta o que parece ser um caminhoneiro, os dentes amarelos indicando o consumo de

pelo menos cinquenta cigarros e vinte xícaras de café por dia.

– As caixas no quarto reserva vão antes. A governanta chega daqui a pouco para ajudar com o resto. –

Ele me puxa pelo corredor, deixando o caminhoneiro e seu colega magrelo cuidarem de tudo. – Tomem

cuidado com os equipamentos de esqui e ciclismo – ele grita para trás.

– Você tem uma governanta? – não sei por que isso me surpreende. O cara comprou a cobertura do

Lusso por míseros 10 milhões. Ele é mais que rico.

– É a única mulher sem a qual não consigo viver – ele responde, de maneira leviana. – Ela vai para a

Irlanda visitar a família semana que vem. É quando tudo vai desmoronar.

 

Chego até meu carro em tempo recorde, depois de Finn dirigir como um louco pelo trânsito da manhã.

Os demais motoristas parecem ser mais complacentes com um Aston Martin e alguns gestos. Ele coloca

as malas no meu carro enquanto checo meu telefone. Oito e dez. Mando uma mensagem rápida para Sadie

dizendo que estou a caminho, olho para cima e vejo que ele está me encarando. Mesmo pelos óculos

escuros – que lhe caem tremendamente bem –, posso sentir os olhos verdes poderosos queimando minha

pele.

Abro a porta do motorista do meu Mini, entro, dou a partida, e Finn está agachado do meu lado em um

segundo.

– Vou buscar você para o almoço.

– Eu expliquei, tenho muita coisa para fazer – o Finn safado não vai me desviar do meu objetivo,

apesar de ser o bastante para me distrair.

– Jantar, então.

– Ligo mais tarde. – Já passei a noite inteira com ele, já transamos como coelhos, e agora preciso de

um tempo para me recuperar.

 

Seus ombros caem, e ele bufa pesadamente.

– Está me dispensando?

– Não, eu ligo mais tarde.

Inclinando-se para dentro e pousando a mão na minha coxa, ele cobre minha boca com a dele em um

beijo escaldante, que me deixa sem fôlego.

 

– É bom mesmo ligar – ele diz, afastando-se, com um andar exagerado. Foi um beijo veja-o-que-você-

está-perdendo. Funcionou.

 

– Quantos anos você tem, Finn? – eu grito para ele.

Ele se vira, com um esboço de sorriso no rosto.

– Vinte e quatro.

O motor entra em ação ruidosamente, e ele se afasta como um motorista de rally adolescente. Talvez

tenha vinte e quatro anos. Às vezes, age como se tivesse.

 

Corro pela porta da frente e escada acima, encontrando Sadie secando os cabelos. Ela parece

atarantada, o que significa que está atrasada. Quando me vê, desliga o secador e sorri de orelha a orelha.

– A noite foi boa? – ela pergunta, com uma sobrancelha levantada. Agora não parece estar tão

apressada.

– Foi, sim – dou de ombros, pegando uma mecha de cabelo, num ato de reflexo. Não consigo disfarçar

o sorriso que surge em meu rosto.

– Ha! – ela grita. – Pode me contar tudo.

– Sim, ele é um deus. Não consigo mentir para você. E é o novo dono da cobertura.

– Não acredito! Ele é delicioso, além de super-rico?

Sorrio em concordância.

– Desculpe se deixei você preocupada por não voltar para casa. Deixei uma mensagem no seu celular.

– Não chequei meu celular. Seja como for, do jeito como ele olhava para você, minha única

preocupação era você não conseguir andar hoje de manhã – ela começa a rir, deixa o secador no chão e

vai para seu quarto extremamente organizado. – E, se não estou enganada, você está mancando.

Vou atrás dela, me jogando em sua cama perfeitamente arrumada.

– Meu Deus, Sadie. O cara tem experiência. – O pensamento repentino me faz imaginar todas as várias

conquistas que vieram antes de mim. Faço uma careta de desgosto.

– Você queria diversão sem complicação. Parece que encontrou. Toca aqui! – ela bate a mão no ar e

sai do quarto. – E não existe namorada?

Eu queria diversão descomplicada? Isso vai ser diversão descomplicada?

– Não, mas ela o quer. Isso deu pra perceber.

– Bem, azar dela. Tenho que correr. Volto amanhã à tarde. O que vai fazer enquanto eu estiver fora?

Levanto de sua cama e arrumo as cobertas antes de sair do quarto impecável, fechando a porta.

– Vou arrumar minhas coisas. Você tem sacos de lixo?

– Uau! Estão embaixo da pia. – Ela pega a bolsa no topo das escadas e desce até a porta. – Obrigada

pelo carro. Fique à vontade se quiser Margô emprestada. Tchau!

 

É segunda-feira de manhã de novo, mas o incomum é que todos estão aqui. Pelo menos um de nós está

sempre fora do escritório em alguma visita ou reunião. Assim que Sadie voltou de Yorkshire na noite

passada, sentamos no sofá e dividimos uma garrafa de vinho e uma barra de chocolate tamanho gigante

enquanto eu a deixei a par do meu Senhor, e ela me deixou a par de sua avó senil.

Agora estou na cozinha com Patrick, fazendo uma atualização sobre a nova casa da sra. Kent.

 

– Ela pode se mudar todos os anos pelo resto de sua vida se quiser, desde que continue contratando

você para embelezar o local.

Faço uma careta.

– Não sei, não. Eu acho que ela gosta de ter operários por perto – levanto as sobrancelhas e dou

risada.

Patrick ri comigo.

– A velha tem uns setenta anos! Talvez ela deva arrumar um menino para brincar. Só Deus sabe quantas

amantes o sr. K tem espalhadas pelo planeta. Sei disso por uma fonte muito confiável – ele pisca para

mim, e sorrio para ele.

Sei que Patrick se refere à própria esposa, Irene. Se algo acontece nesta cidade, Irene sabe. Ela é

fofoqueira, bisbilhoteira e sabichona confessa. Se ela não sabe, é porque não vale a pena saber.

– Ah, Kerry quer encontrar você na quarta-feira – Patrick continua. – Eles querem mesmo

você, flor.

– Sério?

Ele ri.

– Você é muito modesta, minha menina. Conferi a sua agenda e o marquei para meio-dia e meia. Ele

está no Royal Park. Tudo bem?

– Claro. – Eu me levanto do balcão da cozinha e vou para a minha mesa. – Vou finalizar uns desenhos e

mandar uns e-mails para alguns prestadores de serviço.

– Está bem, flor.

Chego em minha mesa e vejo uma mensagem de texto de Sadie, que me pede para ajudá-la com uma

entrega. Mando uma resposta rápida, pedindo para ela me pegar no escritório, e mergulho no trabalho.

Enquanto me apronto para correr para a lanchonete e almoçar, Tom aparece na minha mesa.

– Entrega para Millie! – ele grita, colocando uma caixa em minha mesa.

O que é isso? Não estou esperando nenhum catálogo.

– Obrigada, Noah. A noite foi boa na sexta?

– Esqueça meu fim de semana. Me conte quem é aquele homem – ele coloca as mãos sobre a mesa e se

inclina sobre mim.

– Que homem? – disparo, rápido demais, afastando a cadeira para ganhar alguma distância da presença

inquisidora do meu amigo curioso.

– Sua reação já diz tudo – seus olhos se estreitam para mim, e meu rosto pega fogo.

– Ele é só um cliente – dou de ombros.

Os olhos questionadores de Noah se movem para os meus dedos, que brincam com uma mecha de

cabelo. Solto rapidamente e pego uma caneta. Preciso dar um jeito nessa história de não saber mentir.

Sou realmente péssima mentirosa. Ele faz uma expressão de quem está prestes a desvendar um grande

segredo, levanta e se afasta de minha mesa.

O que há de errado comigo? Abro a caixa com violência e vejo um único copo-de-leite sobre um livro

embrulhado em papel de seda.

 

Giuseppe Cavalli, Fotografie, 1936-1961

Abro a capa, e cai um bilhete.

Millie,

Você é como um livro que não consigo largar. Preciso saber mais. Um beijo, F.

 

Meus olhos se alternam entre a flor e o bilhete, pensando no que mais ele gostaria de saber. Finn

poderia começar me contando algumas coisinhas, como quantos anos tem. Entrando em um devaneio,

revivo cada minuto da noite de sexta. Tentar me manter ocupada no fim de semana arrumando minhas

coisas não ajudou em nada a me distrair. Eu queria desesperadamente ligar para ele, mas aquele vestígio

minúsculo de inteligência ao qual me apeguei me impedia, dizendo que eu estava só caminhando para

uma decepção. Não quero ficar à mercê de um homem, e é muito fácil se render a Finn Wolfhard. Afasto

meus pensamentos do Senhor com relutância e sinto o perfume do copo-de-leite rapidamente, antes de

guardá-lo na gaveta e trabalhar um pouco.

Às seis da tarde, Margô chega fazendo barulho para me buscar. Tenho que brigar com a maçaneta

enferrujada e entro, jogando uma dúzia de revistas sobre bolos e copos vazios do Starbucks no chão antes

de conseguir sentar.

– Você precisa de uma van nova para fazer entregas. – Considerando como Sadie é organizada em casa,

Margô é o inferno.

– Shhhh! Você vai magoá-la – ela sorri. – Teve um bom dia? – ela me olha com cautela.

Meus ombros desabam. Tiro o livro com o bilhete da bolsa e passo para ela. A incerteza marca suas

feições belas e claras enquanto ela abre a capa, e o bilhete escorrega para seu colo. Ela o pega, lê e olha

para mim, de boca aberta.

– Caramba, o Senhor é profundo. – Ela me devolve o livro e sai com a van.

– Ele é. – Começo a pensar nas conversas na cama, nos olhos verdes e no calor forte.

– Ele é mesmo muito bom de cama? – Sadie pergunta casualmente, mantendo os olhos no caminho.

Viro a cabeça para o lado rapidamente para olhar para ela, mas ela não retribui o olhar.

– Muito – respondo. O melhor, incrível, sensacional! Eu o quero de novo e de novo e de novo e de

novo!

– É só para esquecer o Romeo?

Suspiro e não respondo, porque tenho medo de admitir em voz alta.

Ela estende a mão e aperta meu joelho, sorrindo atenciosa. Ela sabe o que está acontecendo.

 

 

 

continua......



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