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História O Amor é Brasa na Fogueira de São João - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


O Amor é Brasa na Fogueira de São João pertence unica e exclusivamente a Carol Rodrigues. Qualquer reprodução sem meu consentimento será considerada plágio e devidas providências serão tomadas.

E aos 50' do segundo tempo, na prorrogação, eis que eu surjo com o texto do mês de junho desse projeto que eu amo (insiram risos nervosos aqui). O tema deste mês é, claramente, “O amor está no ar” e eu fiquei com a frase “O amor é estar disposto a estragar a sua boa pintura pela chance de ter uma incrível. Essa é a pincelada mais ousada que você pode dar. - Ellie Chu, Você Nem Imagina.”, sugerida pela maravilhosa BlueQueen_. E junho também é mês de São João e festas juninas e do Orgulho LGBT+, então é um prato cheio pra mim. Confesso que a minha ideia original, que ficou martelando o mês inteiro, não era essa. Mas eu acabei assistindo um vídeo muito fofo e mudou tudo de última hora.

Enfim, para mais histórias do projeto, é só jogar na lupa "Oneshot Per Month Project" ou "OPMP" ou clicar nas tags. E se você quiser adentrar este glorioso reino, no qual eu sou duquesa, manda uma MP com algumas histórias e o por que você quer participar.

É isto. No mais, boa leitura.

Capítulo 1 - Capítulo Único



O Amor é Brasa na Fogueira de São João
Carol Rodrigues

Lena observava, com uma ingênua animação e os olhos brilhando com a alegria mal contida, as bandeirolas coloridas acima de sua cabeça presas nas árvores e nos abrigos de madeira da Praça Verde. Elas variavam entre verde, amarelo, azul — mas não branco —, laranja, rosa e lilás. Não necessariamente nessa ordem — na verdade, tampouco seguiam algum padrão cromático ou mesmo respeitavam arquétipos de tamanho e fôrma. Ainda assim, isso era o suficiente para ela se empolgar além da conta, afinal, tinha sido uma ideia genial da Liga das Atléticas organizar um “Sambão de São João” — Lena preferia o termo “Forrózão”, mas obviamente não havia comentado com ninguém além da Gabi isso.

Pois bem, de toda forma, para a ocasião especial daquela noite ela havia se paramentado como antigamente nas festas juninas da escola que tanto adorava. As trancinhas, uma de cada lado, tinham lacinhos nas pontas, e as bochechas cheias de blush rosa e pintinhas feitas com um lápis de olho combinavam perfeitamente com o vestido rodado, florido e colorido, que ela pedira para a mãe costurar e o chapéu de palha. 

No entanto, os lábios, pintados num rosa pouco discreto, antes curvados em um sorriso, agora murchavam aos poucos ao passar pelas barraquinhas e ver as pessoas. Elas estavam bem menos a caráter do que ela — havia uma trancinha aqui e ali, e a menina da barraca do beijo tinhas as bochechas coradas com sardinhas salpicando a pele, mas... não havia ninguém, nada, como ela. Isso era para ser bom, quer dizer, “uau, eu sou diferente”, mas... Lena só queria ser normal um dia, pelo menos na sua festa favorita do ano. Era pedir muito?

(Obviamente, ninguém estava rindo dela, talvez na sua cabeça sim, entretanto, apesar de tudo, as pessoas na verdade achavam fofo vê-la toda montada — uma reação muito comum dos outros quando se tem um cromossomo extra.)

E para seu completo infortúnio, haviam servido quentão para ela!

Por engano!

E ela nem podia mais reclamar!

Lena se sentou à beira da pequena fonte central da praça encarando desgostosa o copo que aquecia a sua mão. Desconhecidos dançavam Severina Xique-Xique ali por perto, mas ela parecia tão absorta em seu plano de dizimar a bebida que mal os ouvia. Primeiro ela pensou em jogar o líquido na grama, depois em virar na água da fonte, porém, a moça gostava muito mais da opção que a fazia rir: fuzilar com o olhar até que ela desaparecesse por completo — algo meio Jim Carrey de Deus.

— Ficar encarando assim não vai fazer sumir.

Lena ouviu uma doce voz em seu ouvido e suspirou.

— Uma hora vai.

— E por que você simplesmente não bebe?

— Porque é quentão. Eu não gosto de quentão.

— Você também não gostava de mim.

Lena ainda não havia tirado os olhos do copo à sua frente, entretanto eles se focalizaram numa garota de olhinhos puxados. Aquilo não era verdade, ela havia adorado a Gabi desde o primeiro dia. A garota de trancinhas piscou algumas vezes antes de dizer num tom relativamente alto:

— Você veio!

Gabi deu um sorriso sem jeito, as bochechas se colorindo e esquentando, como as mãos de Lena, conforme a adrenalina fazia seu sangue circular. Ela havia se vestido de forma muito semelhante à amiga, mas, diferentemente dela, que havia ficado... fofa, apesar de estranha, a asiática parecia peculiar em trajes caipiras.

— Eu me sinto patética.

— Você está bonita — Lena disse um pouco pausadamente, bem do seu jeito característico. — Mais bonita do que todas aqui.

— Eu ainda me sinto patética, mas obrigada.

— Patética... descolada.

Gabi sorriu mais uma vez, seu rosto se iluminava por inteiro por aquelas duas singelas palavras.

— Somos patéticas descoladas. Igual a Lara Jean e o John Ambrose.

— Você — a voz falhou por um breve instante — Lara Jean.

Ela tocou as mãos da amiga que ainda envolviam o copo de quentão, se aproximou e sussurrou como se contasse um segredo:

— Mas eu não vou te trocar por um Peter Kavinsky, por mais incrível que ele seja. — Lena assentiu incerta do que aquilo queria dizer, virou a bebida de uma vez só na fonte e fez uma careta. — Vem, vamos jogar isso no lixo.

— E dançar.

— E dançar.

Juntas, com Lena guiando os passos o máximo que sua destreza permitia e com a maravilhosa voz de Domiguinhos as embalando, Gabi se lembrou de quando a garota com a mão na sua cintura lhe confidenciou que, reza a lenda, as brasas que sobem da fogueira de São João são feitas de amor. Não havia fogueira alguma na Praça Verde, mas ela sabia que era isso que queimava em seu coração.

Eu só quero um amor que acabe o meu sofrer, um xodó pra mim do meu jeito assim que alegre o meu viver.


Notas Finais




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