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História O Amor em dias Chuvosos - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Part 1


Fanfic / Fanfiction O Amor em dias Chuvosos - Capítulo 1 - Part 1

A brisa leve que atingia meu corpo me trazia arrepios, meu corpo se estremeceu anunciando sentir frio. Passei o braço ao redor do corpo na tentativa falha de me esquentar, eram apenas quatro e meia da manhã, olhei ao redor apenas observando todos os outros prédios que havia ao meu redor, aquela calmaria que assim que chegasse às cinco da manhã se iria embora. Peguei o bloco de notas e a caneta, a folha em branco denunciou a minha total falta de criatividade e eu me sinto um fracasso, pela milionésima vez na madrugada. Me recusando a deixar minha cobertura, apenas fiquei observando o dia amanhecer. Para meu azar, o dia amanheceu fechado, como se soubesse que eu não estava bem o suficiente para encarar aquele seu azul lindo. As nuvens pesadas, cinzentas, num tom escuro me trouxeram pelo menos uma ideia. E mais uma vez com o bloco em mãos tentei algo, que não saiu bom o suficiente. Rabisquei entre as linhas;

Algumas pessoas sentem a chuva

Outras apenas se molham. 

E para encerrar as poucas palavras que escrevi, autografei as palavras vazias escritas por mim, me levantando pronta para deixar a cobertura do apartamento, queria eu deixar toda tristeza junto. 

_Manoela Aliperti 


[...] 


*21 de Agosto de 2017* 


Adentrei o grande prédio comercial desejando bom dia a recepcionista que apenas sorriu, aqui estava eu temendo ao que a vida havia me agendando para hoje. Chegando ao último andar sai do elevador já encontrando minha chefe que também era minha melhor amiga, Gabriela Medvedovski. 

_Manu você está péssima, o que houve? 

_Bom dia meu amor!_ debochei 

_Ei Manu, me diz o que houve? Te conheço bem... Venha até minha sala, tomamos café e conversamos enquanto isso.  

Apenas assenti e acompanhei minha chefe. Ajeitei minha jaqueta de couro e me assentei. 

_Não consigo dormir, aliás não o faço a dias. Tento escrever e nada sai, e o que sai, são apenas palavras vazias._ respirei fundo soltando o ar com pressão, minha mãos apertava a xícara de café numa força desnecessária. 

_Como ele está? 

Chacoalhei a cabeça e depois neguei, pensamentos invadiram minha cabeça me fazendo fechar os olhos com força. 

_Piorando, rápido demais. Irão tentar uma abordagem diferente no tratamento, e então até lá, tenho que ser paciente. Dona Marta está em nervos, ela não sabe como lidar, e eu... Bom.... 

Soltei uma risada sarcástica e minha amiga me encarava do pesar nos olhos. 

_Estarei ao seu lado. Aliás todas nós estamos. Ana está voltando da casa dos pais hoje, e Daphne precisou levar Miguel ao hospital para uma consulta, teria como você ir a uma entrevista para mim? Sei que não é seu cargo aqui dentro, mas é algo simples... 

_Não sou colunista! 

De fato eu era uma merda nisso, pois sempre que pegava para falar de alguém, só saia crítica a respeito da pessoa. Talvez seja por isso que eu me tornei uma escritora. 

_Você não vai escrever a coluna meu amor, vai apenas entrevistar, as perguntas estão todas anotadas vai dar tudo certo! Por favor... _ assenti e ela deu um sorriso grato. Peguei os horários.


E lá estava eu, indo encontrar uma cantora que eu particularmente não conheci, talvez porque eu tenha estado desligada do mundo. Meu nervosismo era transparente e isso era péssimo. Cheguei no endereço anotado no papel e vi que era uma residência, Residência Grigio. Me identifiquei no portão e o rapaz disse que eu poderia parar em frente a entrada principal que ele manobrava o carro. Outra senhora veio até mim e me acompanhou até os fundos da casa, uma linda casa, eu diria que era muito confortável, apesar de grande não transparecia luxo. 

_A senhora pode se sentar que a menina já está a caminho. 

Sorri gentilmente e agradeci a senhora que pelo jeito era funcionária da dona da casa. 


Giovanna Grigio_ 

Caminhei até o fundos e avistei uma mulher sentada a minha espera, não é Daphne... Apreensiva e curiosa me aproximei e a garota me encarou parecendo assustada e muito nervosa. Era bem nítido. 

_Oi, eu sou Manoela Aliperti, prazer! Vim no lugar da Daphne, ela teve um problema de última hora. Irei entrevistar você para a coluna dela. 

A garota soltou tudo de uma vez, reparei em sua feição, ela era linda. 

_Giovanna Grigio, muito prazer Manoela! 

_Somente Manu, por favor. 

Sorri de acordo e então a encarei esperando que a mesma dissesse algo. Ela me encarou também e então xingou baixo olhando ao redor.

_Merda, o caderno... um minuto! 

Antes que eu perguntasse algo a vi sair correndo meio desajeitada, e após alguns minutos retornou totalmente perdida. Eu quero me lembrar de perguntar a Gabriela que tipo de colunista essa garota é. 

_Me desculpa! Eu deixei o caderno na editora... Olha eu sou péssima nisso, vim para ajudar Daphne mas pelo jeito eu só estou piorando tudo, eu sou escritora. 

Despejou as palavras  enquanto passava as mãos pelo cabelo. Ri de seu nervosismo. 

_Eii, se acalma! Tudo bem! Eu te ajudo com isso Manu. Venha comigo, vamos andar um pouco. 

Sugeri e a mesma assentiu ainda aflita com a situação. 

_Esta com algum celular? _ ela assentiu pegando o aparelho e eu sorri em resposta _ você anota tudo nele então, já que eu também não tenho um caderno em mãos.  Vou te contar um pouco da minha história e então você pega o que achar importante. 

_Okay! 

Estávamos caminhando devagar pela estrada de pedregulhos que daria a um lago.

_Me chamo Giovanna Grigio dos Santos, tenho 23 anos. Sou paulista. E está é minha residência, moro sozinha e estou solteira, não que isso seja útil para a coluna, mas pode ser para você!_ Manoela arregalou os olhos e eu gargalhei _ Estou apenas brincando, você não é de falar muito não é? 

_Desculpa, e tudo bem, brincadeiras faz bem. 

_Comecei minha carreira aos 13 anos como cantora, fazia muitos caraoquê em bares e então tentei o The Voice, inclusive minhas audições estão todas postadas no YouTube! E antes que eu saia de férias, irei postar meu novo clipe! Talvez daqui uns meses, veremos.  

Bom, provavelmente você me perguntaria algumas coisas chaves, que eu não consigo pensar... acho que fracassamos...

_Eu fracassei novamente. _ mesmo baixo escutei sua voz 

_Vem vou te mostrar um lugar muito legal, aliás pode falar sobre ele, tem um significado muito importante para mim e eu acho que seria legal compartilhar algo novo já que eu nunca falei sobre ele a redes sociais, e se sinta importante, nunca trouxe ninguém aqui. Nem mesmo meus pais entraram aqui. 

Seu olhar mirou para onde eu apontava e pude ver surpresa e admiração. 

_Uma casa na árvore bem moderna né? _ sorriu para mim, e que sorriso. Soltei uma gargalhada e a convidei para entrar. Subimos a escada e a cada passo eu podia notar sua admiração se aumentando. 

_Foi feita quando eu tinha doze anos de idade, mas era bem precária antes, eu subia por que era criança e não tinha um pingo de noção e nem sei como meus pais deixavam eu subir_ sua gargalhada me nocauteou com toda certeza, meu Deus tem como alguém não ser tão perfeito assim? _ Com dezesseis anos pedi para que meu pai a reformasse e o mesmo o fez, com direito a engenheiro e tudo! E desde então eu só venho mantendo ela, quero que ela fique para meus futuros herdeiros, quer dizer... Se algum dia eu tiver. 

_Olha, Daphne vai morrer de inveja! Sou a primeira a entrar aqui mesmo? _ sua cara era de interrogação, apenas assenti sorrindo 

_Que foda! Você tem um telescópio! Também tenho um! 

_Ganhei do meu pai quando completei meus 15 anos, foi o melhor presente até hoje. 

A vi digitando sem parar no celular, e logo outra pergunta foi feita. 

_Me permite perguntar qual o significado e valor está casa tem para você? 

_Viu já está pegando a manha, está até fazendo perguntas!_ sorriu _ Bom... Assim que ela foi reformada, eu disse que iria fazer um piquenique aqui com meus pais pela primeira vez e nós três iríamos marcar ela com um nome para ser nossa casinha do "amor". Meu pai achou brilhante a ideia, e ele sempre foi de me mimar_ gargalhei mas logo meu sorriso perdeu a felicidade. _ Minha mãe preparava sanduíches e eu a ajudava na cozinha, estávamos apenas esperando que meu pai voltasse do serviço e então minha mãe recebeu uma ligação, era o assistente dele me informando que ela tinha infartado no serviço. Isso aconteceu eu já tinha dezesseis anos, quase completando meus dezessete... E aquilo foi tão surpreendente por que ele era um homem tão forte tanto na saúde quando no físico dele. Minha mãe foi para o hospital e eu fiquei aqui, apenas aguardando, eu sentei na casinha e esperei lá, rezando para minha mãe ligar dizendo que estava tudo bem e que foi apenas um susto. _ procurei por um ponto fixo onde eu poderia olhar e tudo que eu enxerguei foi um borrão, minhas lágrimas não foram contidas_ e eu recebi  a ligação, mas era apenas meu tio pedindo para que eu chamasse um motorista para me levar até o hospital, no fundo da ligação eu podia escutar minha mãe gritando e pedindo que alguém o ajudasse. Ele faleceu. Foi um momento muito difícil... 

Seu olhar era triste, como se entendesse o que eu estava passando. 

_Acredite, sei bem como é. 

_Mas enfim, o significado real é que meu pai me inspirou em tudo sabe? Ele era um homem incrível! Assim que fizemos a casinha, eu escrevi isso, acho que você não reparou. _ apontei para a frase escrita na parede. Pai caminhe firme, pois estou seguindo os teus passos. Escutei a mesma ler para si mesma. 

_É muito lindo. Tudo isso, é lindo, aconchegante e por incrível que pareça, mágico. É como aquelas cenas de filme! _ deu um sorriso sincero. 

_Agora o valor tá avaliando em uns cento e cinquenta mil reais..._ gargalhei e ela me acompanhou _ Agora falando sério, aqui dentro eu já chorei pro amores fajutos, brigas familiares, dias difíceis, alegrias, aqui tive ideia é inspiração para compor e decidir minha carreira a sério. Aqui dentro eu fiz o caminho para a vida.  

Seu sorriso se diminuiu e ela me encarou. 


Ela entendeu o valor, eu vi isso em seu rosto e em como ela me olhou. _ Giovanna Grigio



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