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História O amor está a vinte mil léguas de distancia - Capítulo 3


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Notas do Autor


the antlers - hospice

Capítulo 3 - O testemunho


  A quentura tomava cada centímetro de seu corpo – e não é um sentido que, nem de longe, poderia ser considera distintamente refastelado. De fato, Baekhyun não é acostumado com altas temperaturas. Conquanto, quando bem-instiladas detém um efeito extraordinariamente arrebatador em seu corpo. Do tipo que faz o seu cérebro conluiar em um apreço; apreço por tempos que jamais chegariam a lhe dar algum tipo de conforto.

Mas tudo ali é muito novo. Em uma estruturalização diferenciada de toda e qualquer coisa que está acostumada em seu leso terreno. Mas, se havia aceitado deixar tudo para trás; tudo que lhe faz ser denominado como uma pessoa ‘normal’. Uma pessoa que anda nos limites da própria vida. Não se deixando palpar em dominâncias alheias. Mas, que, curiosamente, havia pagado um mês inteiro de aluguel, compactado as parcas roupas em uma mala velhaca e um tanto mofenta. E, pudera, fugir ao lado de um intrépido como Oh Sehun. Que, em tese, não conhece. E, que de fato, nunca haveria de conhecer. Mas, com o tempo, tudo se torna consumptível, inclusive, o abarreirar involuntário de Sehun. É um jogo infectuoso, onde estavam dispostos a entregar tudo que estavam dispostos a congraçar com as próprias mãos.

Baekhyun não é alguém de expectativas. Mas, uma parte pulsátil de si, simplesmente ousava afirmar que tudo haveria de ter uma diferenciação primordial. Afinal de contas, se não fosse para rebobinar a fita, por quais motivos simplesmente estaria se mudando para outro país, com um homem que desafia seus limites e acerca sua mente de uma forma que, nem de longe, poderia ser considerada costumeira para si.

— Não acredito que simplesmente considerou não pregar os olhos por um segundo sequer – a voz de Sehun lhe tomou os ouvidos, fazendo com que sorrisse de canto, inconformadamente. Aquela não era nem o ponto do iceberg se tratando de sua disturbada e comanditada ações involuntárias. Há muitas coisas que fogem de seu controle. Coisas que, de fato, não se preocupa em controlar, deixando-se soerguer na sua própria apoteose.  —  Mas, olha, pelo menos, comeu os biscoitos que foram servidos no avião.

Baekhyun mordeu o canto dos lábios ressequidos. Como se aquele simples ato pudesse bloquear o tom de voz alheio Duvidosamente, é um escapismo. É um escapismo tão latente como simplesmente tomar o olhar, em lonjura, para a moça que conclamava em um tailandês, claramente nativo, em roupas de alta-estirpe, defronte a si. Por um momento, pensara que ser rico deveria ser um saco. Ter sua existência assim, ultrafocada.

Sobre seus hábitos alimentícios, sequer vale a pena mencionar. Qualquer solidez fermentada não lhe interessa. Jamais haveria de lhe interessar. E, quem sabe, eruditamente, deseje se manter espectral. E não seria exatamente uma formalidade agradável caso Sehun decidisse meter o nariz no que convém os seus assuntos pessoais. Afinal, há um limite para absolutamente qualquer coisa neste mundo. E há uma ordem subentendida que, se tratando de tais assuntos, se deve manter uma distância replicante. 

— Eu precisaria de um sedativo para cavalos para que me visse disposto a ser derrubado na porra de um avião. – Baekhyun está irritadiço. Dor de cabeça. Uma moleza que trespassa cada um de seus músculos, ultrapassando meros conceitos de fisicalidade. É tortuoso confessar que sua primeira viagem de avião não havia sido a transplantação astral que imaginava em sua singeleza. Mais das torpezas que lhe eram mais indiciantes de que deveria, o quanto antes, manter sua bola baixa. Margeando a realidade, a crucialista realidade sempre pronta a lhe abatelar. — Mas, acredite em mim, aqueles malditos biscoitos tinham um gosto bem particular de... fraldas geriátricas. Por favor, não me diga que a culinária daqui é sempre tão baseada em estranhismo. Onde está o tempero dessas coisas?

Aquele tom descontraído de Baekhyun, claramente falseta, não passa de um vero visonalismo. Que, caso Sehun seja esperto o suficiente, simplesmente se deixaria levar no teor fantasista de suas palavras. Porque, no fundo, não passa de nada além disso. Uma mera fantasia incorporalizados, sobre dois pseudos-conhecidos que se sentavam ali como se fossem paviadores do novo-mundo. Cristóvão Colombo em roupas de segunda-mão.

— Como um quase-nativo, devo lhe dizer que aqueles biscoitos não representam a culinária desta nação. Fique tranquilo, na verdade, devo lhe dizer que passa bem longe disso. Pode desprender a respiração agora mesmo. Não tenho culhões, nem intenções de lhe levar a um desses restaurantes Michelins cinco estrelas. Mas a cultura está nas ruas. E, se a cultura está nas ruas, é mais do que claro que a comida também está nela. Tudo pronto a lhe fazer deslumbrar.

Baekhyun deu de ombros. Duvidava muito que um tanto de temperança lhe fizesse agir como uma criança deslumbrada, acima de qualquer vicissitude. É, pode ser um perfeito chatonildo de galocha. Principalmente, perante as preocupações que suas malas haviam sido extraviadas. Talvez se tratasse apenas uma protocolização rigorosa. Porém, acima desta distancialidade, se tratasse de algo muito maior do que pudesse refertar. As raízes que circundam Sehun naquela cidade não são tateáveis. E qualquer tipo de pergunta está absolutamente fora de questão.

— É, ok, me mostre a verdadeira comida de rua quando nos vermos livre dessa enrascada. Porque, até agora, as minhas impressões da Tailândia não poderia ser piores. Desculpa, mas me parece um puta pesteiro.

Baekhyun, aos ouvidos de Sehun, deve estar como um reclamão egoístico, no mais pleno sentido da palavra. Mas tudo para si se entorna no mais puro desencaixe. Baekhyun se encaixava na crueza mortaliça de Seul, mas, ali não passa de um erro turista. Sabe que jamais chegaria a ser considerado um vivente propriamente dito, independentemente de suas tentativas irregressíveis. 

— É só Pattaya, Baekhyun. Só Pattaya. E eu te garanto que, aqui, nenhum mal chegará a lhe acometer. Estamos no topo do mundo. No pico da neblina. E isso significa coisas maiores do que podemos delinear por si só.

É, Baekhyun pensa que, se estivessem no topo do mundo, simplesmente não estaria na bichenta posição de esperar uma maldita mala. Desejando por um conforto inaudito, preferencialmente, na forma de lençóis quentes. Não, mas aquilo não chegaria a lhe acometer na facilidade que lhe achavasca. Mesmo quando as situações não lhe envolvem diretamente, o simplismo não é concernivel quanto está ao lado do Baekhyun.

Baekhyun quase se sentiu arrependido, isso até a mala ser cominativa em seus braços. Um suspiro de alívio automatizou seus lábios, enquanto os dígitos decalcavam suas têmporas. Agradeceu, ao menos por aquele momento, que Sehun não houvesse lhe dirigido nenhuma palavra sequer. Estava preparado para, de uma vez por todas, ressignificar sua realidade.

A cada passo que davam para fora do aeroporto, Baekhyun se perguntava, de uma vez por todas, porque, insistentemente, havia uma ruma de casacos loteando sua bolsa. Duvidava que o inverno daquela cidade pudesse ser propício de qualquer forma. Nem toda a calefação deste mundo pode se equiparar minimamente a este lugar, Baekhyun sabe melhor do que ninguém que, ledamente, trata-se da ribanceira do submundo. E que escapedalas não são exatamente permissivas. Há um mutismo irreplegível dentro de si. Uma certeza cruciada que atarraxava seu pulmão, afunilando-se por si só: que, caso simplesmente se visse a verbalizar, aquela cidade se desencantoaria tão rápido quanto veio a si. É como uma vivenciação caneja, quanto mais desenforna, mais tudo se evapora. E Baekhyun bem que gostaria de estar eternamente bêbedo – o tipo de declaração que não deveria ser eternizada em termos peremptórios. Mas nunca foi exatamente de seu feitio se manter em linha reta. Ou, quem sabe, ser um utilitário de inverdades.

Sehun é daquela cidade, pau e pedra. Constituído para alicerçar tudo que lhe engala, com um discernimento imperativo. O Byun detém o conhecimento trivializado que é exatamente que seria. Que não passa de um mero ponto decompositivo. Um acompanhamento, uma regragem. Não haveria como Sehun se ver no topo alteado do mundo caso Baekhyun não estivesse a seu lado. Trata-se, açodadamente, de uma regra catalítica. Nos fundilhos de si, na parte incontrita, em depreciamento, Baekhyun sempre fora um acompanhamento. Uma parte vilificada. Mas, apoucadamente, aprendeu a se encabar em seus lugares. E, faustuosamente, Sehun faz com que detenha uma importância cruciada em si. Quase que, por mais irrealizável que foste, tal cidade não seria mais a mesma caso Baekhyun não se encabasse de pisar ali. E, claro, aquele é um pensamento bonito demais para ser verdade; o tipo de glorificação que impetra paredes caluniosas.

Mas mentiras abrandecidas não fazem mal a ninguém. É uma maneira curiosamente aceitável de receitar o que, em tese, não deveria lhe fazer a sua vida. Um prazer delatório. Mas completamente aceitável, dado a visão, tepidamente, hedonística de Sehun. Pelo visto, balburdiar vale a pena quando se está a seu lado.

Descobri que, mesmo não sendo dado a tipificações, enquadrei este em minha própria conceitualidade: distanciamento moroso, suficientemente vaguejante a ponto de fazer empestear minha cabeça com pensamentos distanciados de chateza. Ele é planificado de seu próprio modo, amortecido, diluente como ventos aprilinos. Mais uma daqueles gargantuescos que apenas desejam paz de espírito – e, querendo ou não, não somos todos? – mas, que, infundindo, é um caos profético por si só. Não seria validoso simplesmente se afastar deste. Querendo ou não, Byun Baekhyun e Oh Sehun são unha e carne. E isto não significa exatamente que singrariam para a prosperidade aventurada.

A felicidade não está exatamente no método classificativo daquela terra aquentada. O paraíso é, feramente, mutável.

                                                                                 ...

   — Aqui é quente. Muito quente.

Baekhyun ditou. Apenas aquele estupor que só poderia ser pertencente a um cara como Oh Sehun. Que simplesmente pautou uma distância bem clara dentre todos os pontos turísticos que, todo mundo, em tese, me imergiria. Sehun simplesmente se descabe para becos sujismundos, em uma irrealização barata de que, aquilo, é a vida que está predestinado a se ater. Baekhyun é um fidelizado de tal pensamento, no mínimo, extremamente determinista. Porém, ao mesmo, tempo, não gostaria de se despaletar em tal linha.

Mas simplesmente o seguiu. Mastreando diante da silhueta esguia, esmagadora de sonhos. Tentando desvendar o que detinham. Mesmo que, de certa forma, estivesse mais clareado em sua mente do que devidamente acarreia.

No fundo, querendo ou não, detinham uma vida a dois. Estranha. Intocável. Incorporando um estranho no ninho, da pior forma possível. A única alternativa que Baekhyun detém, até então, é assentir. Se alocar na posição de bom garoto que nunca se desprivou, um belo de um contrarregra.

— Creio que essa é a impressão que qualquer pessoa passaria por livre e espontânea vontade desta terra.

Sehun entonou, sua fala demarcada pela mais pura obviedade. O Byun detém a grandiosa consciência de que, a última coisa que seus comentários poderiam ser abjugados, se tratam de sua criatividade. Ele é tediosamente previsível, nada de si incorre. Até mesmo o ato de perder as estribeiras, se tratando de si, é absolutamente previsível.

— Eu gosto da variedade de tudo que pode ser encontrado por aqui. Sinto que qualquer coisa pode ser vendida nessas ruas. Que maluquear. Acho que estou pensando alto demais. Mas, é, é diferente. É diferente de qualquer lugar que estivesse antes. E, no fundo, é isto que realente importa.

Baekhyun se consolou com tal pensamento, mesmo com o olhar enviesado de Sehun sob si. Na verdade, sente que o outro não compreende com exatidão seus ditos, nada expectáveis. Os pensamentos de Baekhyun não são do tipo que seguem uma linha exata, há uma tortuosidade vaguejante. Do tipo, que, de bom-grado, Sehun está disposto a lhe ouvir.

O tilintar da chave na fechadura é prazenteiro. Novos começos, não retardáveis. Não havia nenhum desfalque a lhes impedir. Ambos haviam deixado tudo para trás em prol de estarem ali, esborrifando suas vistas com um apartamento que, no mínimo, é notoriamente lamentável. Que passa longe de qualquer metodismo que o pontue como cinco estrelas.

— É, de fato, precisaríamos dar uma remodelada. Mas nada sério. Apenas as coisas mais simplórias deste mundo, como um toque mais do que bem vindo de um sofá e uma cama, por exemplo. Pelo menos, a longa-escala, temos onde colocar nossos perecíveis cacarecos. Não lhe é esplendido, Sehun?

Baekhyun ditou, claramente, tentando escorificar o fato de que seu olho é esvaziado. Quase repulsivo. O olhar que, claramente, não é o que se espera de alguém que nunca deteve nenhum luxo em sua vida, o que é o caso de Baekhyun. Viveu em uma vida que lhe foi negada a completude, onde nada deteve para se crivar além de imaterializaçoes. Seu futuro foi ensoreado em papelotes e meias-palavras.

E, mesmo com tal cenáculo lamentoso, ainda se permitia, mesmo que minimamente, pressagiar o que deveria ser um bom-futuro. De fato, não é assim que a banda toca. A gafieira está despendida e refazível.

Resfolegou, colocando seus pensamentos no lugar. E, previsivelmente, deixando a crucialidade de lado para decair no reformismo de sua generalidade: um teto debaixo de sua cabeça. Um lugar que o impede de se depredar nas ruas. Um lugar que não lhe faz se arremeter na limitancia de ser um degredado. Uma oportunidade refolgada de vendeta. Afinal de contas, é uma oportunidade de um em um milhão de deter a tão esmerilhada paz de espirito. Replantada em seu peito. 

 

— Fico feliz que tenha gostado. Mesmo que não me pareça nada que esteja acostumado em sua vida, de fato.

Baekhyun quase não pode identificar a ironia displicente em seu tom de voz. Categoricamente, o tipo de comportamento que poderia se despeitorar de outrem. Porém, apenas se manteve impassível. Andando alguns curtos passos, o olhar desenformando a ruela do piso inferior. Não havia uma alma avivada naquelas ruas. Ao menos, uma diferenciação do apartamento onde morava, de estruturabilidade tão parecida, mas que, definitivamente, passava longe da impressibilidade desta. Ali é um refúgio. Não estavam ali para se assentarem moderadamente. É uma forma de se remodelar, de se encavar em um periodismo unicamente. Alencar, se livrar de disturbadas passageares temporais. Sehun não gostaria de ir em cana novamente, tampouco Baekhyun gostaria de estar embarricado por sentimentos tão degradantes quanto no que, temporalmente, define, em sua singeleza, como antes.

— Tá brincando com a minha cara, Sehun? Aqui é exatamente como o apartamento que vivi em toda a minha medíocre vida universitária. E não que a casa que eu morei antes seja exatamente diferente, de fato. Mas não creio que haja o mínimo de necessidade de ficar se bordejando perante tamanha banalidade. Eu, quando digo que gostei daqui, estou falando com a mais plena seriedade.

Baekhyun ditou. Ainda não podendo acreditar que, por um instante que fosse, Sehun simplesmente acreditasse que, por mais aloucado que fosse, Baekhyun esperasse de si um palácio nababesco de quinhentos cômodos. Mas, claro, não valeria a pena lhe explicar que é impossível sentir falta do que nunca deteve. É ritualístico estar naqueles apartamentos apequenados, que só lhe entregam o que se espera: infiltrações, aquecimento barato, restolhar, vizinhos mal-intencionados e brigas abalançadas. Estar em território estrangeiro não haveria de significar que tudo teria que ser, obrigatoriamente, diferente.

 — Eu sei, mas ambos sabemos que aqui não pode ser classificado como o lugar mais aconchegante desse mundo. Nem sequer tente negar. Não é um bom mentiroso, Baekhyun.

Um suspiro abluiu livremente dos lábios de Baekhyun. Achando, no mínimo, um acessório ofensivo, como mesmo, tendenciosamente, Sehun insistia em querer arrancar, escrachar e delimitar, verdades irresolúveis e inexistentes. É de um grau de irritabilidade ansiolítica. Comprovadamente, punível. Porém, o rapaz de fios enegrecidos e baçentos, simplesmente murmurejou incompreensibilidade. Uma tentativa de findar um palavreio, em primeiro lugar, insensato.   

— Certo, Sehun, o que quer que eu faça então, saí abreviando para os sete cantos deste mundo o quanto achei seu apartamento uma imundícia completa, sem tirar nem pôr?  Claro que não, não é mesmo? Acredite em mim, estou feliz por ter um teto debaixo de minha cabeça. E, claro, por você, seja lá o que tu podes creditar como lhe ter. Até parece que, por algum momento, eu pensei que um cara que carrega cupons pode ser a definição de suntuosidade. Se foder com essa.

Acomodou-se no sofá, pescando um cigarro dentro de seu bolso. Primeiro cigarro em terra estrangeira, será que aquilo haveria de ser considerado um marco? Para o mundo de alguns, não lhe resta nenhuma dúvida. O Byun é um odiador funesto da fleuma inalterável de Sehun, não importava a circunstância.

— Você me tem, Baekhyun. Acredite, de todas as pessoas deste mundo, você, com certeza, é quem me tem nas pontas dos dedos. Tanto que fez com que eu remodelasse todos os meus planos para lhe dar o mínimo de confortabilidade. Mesmo que passe bem longe do que derradeiramente merece, sempre bem sincero no que tenho a afirmar com todas as letras aqui.

Um riso aberrativo tomou os lábios de Baekhyun. Porque, de fato, soa como uma piada, no mínimo, de mal gosto. É isto que lhe ressona. É um tanto cruel, que, perante dígitos tão encurvadamente paliativos, a única que se viu afluente em sua mente fora aquilo: risadas matraqueadas. A comprovação inata que, debaixo de toda aquela batelada, é uma inequação reformativa.

Sehun apenas tragou do seu cigarro, em uma lonjura óbvia. Mais uma vez, Baekhyun não se vira capacitado para se enfocar no que, em tese, deve ser de um peso revelativo comparável ao calvário de Jesus Cristo.

Mas analogias amortizadas em precipitações religiosas jamais haveriam de ser o seu forte.

— O que? Que outros planos tinha em mente, Sehun?

Meramente, averbou. Contemplativo, sonante do ar que lhes involucra. Rançoso. O mesmo de sempre: cigarros. Desta vez, mentolados. É como se detivesse quatorze anos, cerceado por um ideário enfraquecido, e, dentre toques corpóreos inválidos, sua única saída se demarcou em cigarros. No fim, tudo é uma reação em cadeia. A leviandade de uma borboleta. Quem sabe, se não fosse tão embrutecido o suficiente para abocar tal cigarro, jamais estaria ali.

 — Eu iria ficar em um albergue. Não, não, estou mais do que simplesmente eufemístico aqui. O lugar sequer pode ser classificado como pardieiro. Na verdade, é o pior tipo de localidade que qualquer tipo de ser-humano, classificável como sendo provedor de um lar, possa ter debaixo de sua buzanfa. Eu não gostaria de expor em nenhuma situação que possa ser considerada minimamente degradante, Baekhyun.

A mente de Baekhyun se viu regressista naquele instante. Apanhadiço em um nível de importância que ´poderia ser classificado como a dissidência de um novo mundo para si. Em sua vida, sempre

Era pequeno. Um tanto esbagoado. Mal caberiam todos os seus mequetrefes pertences. Mas, por ora, é tudo que detinham – e, naquele simplismo, é exatamente disso que precisam. E, que toda a crendice de Baekhyun, se viesse corroborada por aquele instante. Afinal de contas, acima de qualquer coisa, se sente propriamente acolhido.

                                                             ...

Trata-se da primeira noite de ambos naquele quarto reticular – sim, quarto, com toda a pungência que resguarda uma cama e seus lençóis. Baekhyun já deve ter contado umas cinco infiltrações na parede. Porém, não é um detalhe de dignada importância. Apenas achava engraçado que, enquanto cavalgava no membro alheio avidamente, as rachaduras infiltradas simplesmente se mesclam em um retalhar glorioso.

Diante das últimas transas, Baekhyun, certamente, havia apercebido uma mudança clara de intensidade. De fato, não se trata apenas de uma transa mediana. Estavam indo fundo com o enlevamento carnal. Sehun não poupava nas marcas em seu corpo, e nem se importava com o Byun gemendo seu nome de forma escandalizadora. Simplesmente, é um narcísico de marca-maior que gosta de deter seu nome condecorado em qualquer mínima ambiência possível. E, acima de qualquer coisa, Baekhyun não pode implicar com sua mania de poderio.

Não lhe faz nenhum mal se sentir como um objeto luxurioso. Moeda de troca passional de tão foguento que se encontra suas labaredas interiorizadas. 

— Puta merda, Baekhyun. Você tem uma bunda de um milhão de dólares.

O tom alheio, acompanhado de um tapa estalado, fizera com que risse audivelmente. Propositalmente, empinando o traseiro, onde ainda há uma réstia do pó branco. A cabeça do Byun gira, mas nada que não pudesse ser remediado na velocidade da luz. Com uma boa noite de som, o mundo se vê flumíneo em um piscar de olhos. E Sehun sabe como lhe eixar de uma só vez.

— Então agora quer monetizar a minha bunda. Qual seria o próximo passo? Me arremedar nas ruas daqui?

Ditou, ainda virado. Devidamente eivado a ponto de não querer se virar, mesmo que sentisse o olhar alheio queimar sob o seu corpo. Sehun jamais haveria de o negligenciar se tratando de quanto estivesse sem nenhuma peça de roupa a recobrir seu corpo. Sabe muito bem de cada uma de suas exigências primordiais. Baekhyun sentiu a garganta seca, mas nenhum dos dois está minimamente disposto a pegar cerveja na geladeira. Afinal de contas, entre álcool e qualquer meio purificado de bebida, a resposta é mais do que óbvia.

— Não, não. Longe disso. Digamos que eu sou um admirador eirado dos meus garotos. E, caralho, de todos eles, a sua bunda é a melhor. Seja de apertar, beijar, foder ou de acomodar minha tão preciosa farlopa.

Baekhyun, em uma risada bem-humorada, finalmente se virou na cama, soerguendo levemente o corpo sob os ombros. Respirando profundamente, encarando o rosto alheio. Os fios do outro decididamente mareavam a própria testa, além de um sorriso para lá de pervertido em seus lábios. Sua falta de fumagem na vida é um belo de um pecado.

 — Seus garotos? Então há outros garotos envilecidos por aí... Caramba, que excitação.  Mas, me diga, em que posição desses tais garotos eu me encontro? Décimo primeiro? Décimo quinto? Quer saber, seja revogador. Eu sou um tremendo apreciador de mentiras bem-alinhadas e puntiformes. Então me diga que eu não passo da sétima posição. O número sete me é capacitor de um modo que você jamais entenderá.

Baekhyun enunciou, levando os dígitos até os fios alheios, em uma rápida carícia. Sente-se um tanto cansado. Uma morgação sem fim. Porém, é justificável diante do fato que, enquanto Sehun atacava uma refeição típica, o Byun simplesmente se limitou a lhe olhar, com um cigarro dentre os dígitos e futicando vez ou outra a porção pequena de batatas-fritas. Que, amolecidas, estavam na geladeira. Não é idealístico de si dar um jeito nas consideradas sobras alimentícias que desvaeciam. Felizmente é um sabedor de que, dificilmente, Sehun acabaria por levar comida para casa, não importando a tipagem.

— Não tenho um método classificatório para meus garotos. Mas, sem, sombra de dúvidas, você é o número um disparado, Baekhyun. E não veja de mexerico para cima de mim. Sabe que não estou falando nada além da mais pura verdade. Cara, você é surreal. Ninguém sabe rebolar em um pau como você. Ou ser tão guloso. E não é todo mundo que gosta de levar porra na cara, afinal de contas. Eu tenho que utilizar dessas qualidades da melhor forma que posso, não acho?

O Byun tocou a ponta do nariz alheio com a ponta dos dígitos. Factualmente, não detém muitas restrições. Sehun mais parece que lhe enfeitiçou, pois, até certo ponto, faz todas as concessões possíveis para o Oh. Dentre as quatro paredes, o céu é a definição de infinito. Em perdição. Em uma embriaguez trepidante.

— Então eu sou o primeiro por ter o que você, normaliza em suas próprias palavras, uma bunda incrível? Isso me faz soar abjeto. Mas, é, o que eu posso fazer? Eu gosto quando me fode com força, quando me dá tapa na cara, quando me chama dos piores nomes e deixa minhas partes baixas ardendo. Talvez eu seja uma putinha suja por isso, mas abençoado seja todas essas putinhas sujas. Porque elas, meu bem, sabem como se divertir. E eu estou me divertindo à beça. Deus abençoe essa terra infunda.

Baekhyun ditou, em um tom tão delirante. Ambos sabem que estão completamente lisérgicos, as palavras se atabalando na língua. Não havendo reentrâncias. Mas estão sozinhos, não há nenhum motivo para restrições.

— O que quer que eu elogiei a partir de agora? Sua alma vibrante ou seja la que tipo de palavra poeticamente irenista que você faz uso para se edificar, Baekhyun.

Como sempre, nada haveria de ficar em ponto de pacificação. Sempre, independentemente do subjeto, os nervos acabam por se substanciar. Caluniados, em um ponteio que nenhuma palavra pode ser suficientemente dada como reconforto. Baekhyun, simplesmente, se vê encorujado por tais dizeres. Tal qual, estivessem pesteando no veiar de seu coração.

— Não tente fazer essas colocações absurdas sobre mim, Sehun, por Deus. Estamos simplesmente tratando do organizativo fato de que, seus elogios, quando direcionados a minha pessoa, são apenas reservados a meu corpo. O que, claro, apenas me faz na linha lenteada que, dentre tantas coisas, é a única coisa que tenho a oferecer.

Baekhyun não poderia simplesmente se meter em um método classificatório com si próprio.  Na verdade, definições não lhe aventam de nenhum modo. Logo ele, que sempre fora a prole rebelativa, com nada além de distintivos caluniosos a lhe dardejar. Porém, ao menos de Sehun, lhe é esperado o mínimo de enlevação. 

— Eu não me sentiria mal se o que eu tivesse a oferecer fosse uma raba gostosa dessas. Eu só acho graça como você tenta dramatizar as coisas em uma velocidade incrivelmente dilacerante.  De verdade, parece que todas as palavras que saem da minha boca se intuitiva a lhe macerar. Sendo que, de fato, eu prefiro ficar de boca fechada a seu lado.

Sehun comentou, em um ruído aparentado, pudico, se tratando da índole feraz de Sehun. É impossível para Baekhyun simplesmente não se culpabilizar, porque mais parece que cada mínimo que salteia de sua boca é motivo de conflitos irreformáveis.

— Ótimo. Devia levar a crer seus próprios conceitos. Ao invés de simplesmente achar conveniente se despojar assim tão facilmente. Deveria ser o primeiro a saber que não um exemplo demarcado de sensibilidade. 

Naquele momento, a dadivar, havia o fato de que ambos não estavam em um estado exatamente apresentável. Sendo insulados por uma insipidez de estontear qualquer um. É como de, ambos os corpos desnudos de qualquer propriedade, pudesse se achegar o olor honorífico.

O ponto crucial é que, mesmo entabulados pelas substancias de pior procedência que poderiam ensejar esse mundo, ainda assim, se viam completamente distantes. E, pelo que se diz, aloucadamente, é apenas o começo.

Mas nem sempre começos são alienantes com a paz.

                                                         ...

Estupidamente quente. Todos os dias do Byun assim que pusera os pés naquela cidadela e, primordialmente, naquele bairro, que mais lhe parece demasiadamente inóspito, de fato lhe faz com que detenha um fastio empeirado em cada mínimo centímetro de seu corpo. Não é com se detivesse grandes expectativas. Afinal de contas, Baekhyun viverá uma vida inteira pautada em não deter nenhuma expectativa.

Porém, a nulidade que o engazopa está sendo levada a níveis imprestimosamente extremos. Por mais que não detivesse nenhuma expectativa se tratando de tal mudança tão súbita e enervativa. Afinal, nunca lhe fora sabido o estresse de passar pela alfandega até pouquíssimo tempo atrás. Sente-se como se seu mundo fosse principalmente delitivo. Delitivo perante o fato de que pouquíssimas coisas haviam mudando se tratando daquela mudança. Não é o paraíso tropicalista que lhe aguarda. E, sim, uma vida redutiva. Sehun lhe fizera redutivo.

O nariz coça, assim como o resto do corpo. Simplesmente, o calor abeirava os quarenta graus. Quarenta graus de um inferno resumido nos termos mais injustos. Baekhyun não é um exibicionista, mas, certamente, toda aquela temperança faz com que suas peças de roupa sejam redutivas. Incrivelmente redutivas apenas por uma cueca um tanto puída – que, felizmente, é do agrado de Sehun. Que, por aquelas dias, havia se tornado ainda mais silencioso do que nos conformes de sua normalidade. Muitas das vezes, dias se reequacionavam com que nada além de murmurações fossem trocadas. Baekhyun, certamente, acaba por sentir falta da própria vez.

Tailandês é comprovadamente difícil. Não se pode negar que há um exotismo se tratando desta língua. Ou, quem sabe, apenas a língua de Baekhyun que se enrole por demais se tratando de qualquer tentativa de se encaixe com os verbetes daquela terração. É patético; patético, como, em um mês ali, o máximo que poderia se trata de meros palavreares básicos que ajudava-o a não levar um tiro na rua – afinal de contas, como esperado, cada ser citadino dali sabe perfeitamente que é Oh Sehun e o veiar do perigo que o rodeia vastamente.

Ele é uma figuraça, no pior sentido que essa palavra poderia carregar. Mas, supreendentemente, a mudança de posicionalismo do reconhecido ‘Sehun de Seul’ para ‘O rei do crime tailandês’ não lhe causou nenhum efeito destroçador. Apenas um distanciamento que já se previa. Afinal, no final das contas, mal se conheciam. É um experimento que se previa para a loucura. E Baekhyun segurava as pontas como podia.

Baekhyun tragou do cigarro. O apartamento estava cheio até minutos atrás. Não é como se fosse de dada importância qualquer um dos compadres de linhagem trabalhista que partilhavam do mesmo caminho do crime que Sehun havia decidido seguir. Afinal, não falavam consigo. Então, não há obrigação em nenhum nível para que falasse com estes. Principalmente, quando não passa de um bibelô; um maltrapilho consumidor. Sua vida havia se reduzido a olhar pela janela. Não tendo nada além de deformações tabelando sua vista. Não poderia acreditar no que sua vida havia se tornado. Ou sequer se ver fortalecido a ponto de ir embora. Gostaria de dar a trigésima nonagésima chance para tal.

O ventilador fazia um barulho incrivelmente irritante. Quase bufante, como se em concórdia com os pensamentos dos que ali permeavam. E, de fato, o coração de Baekhyun bambeavam terminativo em seu peito. Pensou em, na sua singeleza vagal, pedir para que Sehun lhe levasse até a praia. Que agissem em normalidade pela primeira vez, em muito tempo. Que agissem indevidamente como turistas, em modismos que não lhes pertencem. Tudo em prol de divertimento, por mais falseta que seja.

Mas assim como as cinzas, as palavras morreram no céu de sua boca. Afinal de contas, se Sehun está ocupado o suficiente para sequer conversar consigo. Imagina só no que convém fazerem uma autentica mudança de ares. O seu corpo se arrepia todo em simplesmente saber que sua garganta ensecada da falta de uso – no que não convém os termos sexuais.

E, no fim, tudo se resume a sexo. Baekhyun jamais pensou que acabaria por se sentir cansado de ser fodido. Mas aquela é simplesmente a situação que inundeia. Acaba por se sentir cansado de ser fodido. Cansado de ser fodido quando carece de tantas outras coisas em sua realidade. Todas as conversas haviam se transmutando em meias-sentenças, uma evitação mútua. É como se houvessem se estiado por completo. E, de fato, não são os mesmos do que aqueles que se esbarraram em uma tarde friorenta a menos de três meses atrás.

De fato, é enlouquecimento se mudar com um completo desconhecido para uma região desconhecida. Mas, de fato, os filtros de Baekhyun se perderam há muito tempo. Mas o que era para ser uma tempestuosa aventuração, acabou por se transnoutar em uma versão acalorada de sua vida de universitário. Sendo, que, agora, sequer detém o didatismo para lhe dar o mínimo de reconforto. Sem surpresa alguma, se via emburrecido.

— Pensei que tivesse gelo. – Sehun ditou, com uma feição, claramente, desgostosa. Assim que seus orbes se convolaram da geladeira até Baekhyun. Impugnantes. Como se estivesse no método vinculativo de Baekhyun simplesmente dar conta de todas as necessidades não-professadas de Sehun.

 — Não tem. Não posso fazer nada se saí em me deixa sem grana. – novamente, Baekhyun se vê, na, claro, enervável posição de pontuar o fato de que, ali, não passa de um bibelô. Um objeto passadiço. Visto que Sehun não se via exatamente disposto em o deixar brutificar pela cidade. 

— Desculpa, mas tempos de cães magros.

Baekhyun deixou com que o riso, que, estava prestes a voejar de seus lábios, mortificasse por si só. Uma risada não seria validosa naquele momento. Ou sequer espojar no fato de que, dinheiro, naquele momento, parece um criadouro revivalista quando convém em substancias não-essenciais. De nenhum indulto. E que a vida não é um sonho adolescente onde podem se fazer vitalistas do moto antigo: drogas, sexo e rock n’ roll.

— Você me prometeu sonhos.

Fora todo o palavreio que tomou seus lábios. Verborragia intuída em preceitos cediços. O tipo de frase aflitiva, que remonta os mais ambíguos significados. Para Sehun, Baekhyun é um mistério derivativo. Um azedume nos momentos mais inconfessos. É simplesmente impossível de o compreender. Principalmente, quando este adoesta ditos que, amplamente, significam tudo, ou nada.

— Sonhos? Eu nunca lhe prometi coisa alguma. Eu só te prometi uma mudança, Baekhyun. E esse tipo de mudança pode ser reavaliada. Quer dizer, qualquer pessoa concordaria que este lugar é diferente. Afinal, onde se pode sentir tanto calor em um espaçamento tão curto quanto aqui, huh? Me diga. Aposto que suas remoinhosas respostas não podem me abater da forma que imagina.

Baekhyun decidiu avantajar o olhar sob o corpo alheio. Em sua magreza que, diferentemente de si, é pecaminosa. Como aguardente, pinguço.  Um ponto afogueado que jamais haveria de passar despercebido na multidão. E, acima de qualquer coisa, Baekhyun é um apreciador daquele homem – mesmo que ele esteja disposto a lhe escangalhar em milhões de pedaços.

Porém, jamais se difrataria de um desafio.

— Sehun, quando se chama alguém para um lugar que nunca lhe foi habitado. Querendo ou não, está lhe prometendo sonhos. E, sim, eu senti como se estivesse me prometendo sonhos. Por mais ondulosa que essa declaração pareça. Eu quis constituir uma vida contigo nesse desleal espaço.

Confessou, em um tom ferrenho. As palavras custearam a sair de sua boca, praticamente gaguejante. Logo ele, com o tom tão inferente, carregado de certezas indiciáveis; todos os resquícios de quem haveria de ser haviam de ser recantados. A única coisa capaz de lhe uniformar se trata dos orbes de Sehun. E Sehun, naquele momento, não parece exatamente interessando em se fazer contemplativo em sua vida. Simplesmente, lhe ressona como uma desfeita completa ser tratado daquela forma tão insinuante. Por aquele que, tisicamente, jurou persentir.

— E o que não lhe faz querer mais? Parece que estou lhe mantendo em cárcere privado quando fala dessa forma, assim tão abertamente? Querendo simplesmente se departir do fato de que é um belo de um medroso? Sempre pronto para se esconder nas asinhas de alguém, no final das contas. E isso é a bela de uma idiotice sem tamanho. Porque eu nunca quis ter mais nada do que estivesse exatamente do alcance de minhas mãos.

Baekhyun detém ciência de que não passa de uma mera propriedade andante. Porém, ouvir tal coisa em alto e bom som não deixava o esporear de tais dizeres menos dolorosos.

Baekhyun sempre pensou que dizer adeus para algum ser que lhe proporcione o mínimo de experimentação aprofundada poderia ser a coisa mais cruel que se veria fazer. Porém, no momento, tudo está em defluência máxima. E não tem nada a oferecer além de palavras quebradiças e torpezas.

Sua vida é um cata-vento. Onde seu vetor se trata unicamente de Oh Sehun.

— Desculpe-me. Desculpe-me, mas simplesmente não tenho forças. Agora, estou mais do que certo de que acabei por me trancar nessa infâmia de lugar por conta própria. Nada neste mundo jamais haveria de ser culpa sua, no final das contas. Como sempre, está mais do que certo, Sehun. E das minhas palavras, nada pode ser arremetido. Porque, bem, eu sou feito para ver refutado. Eu fui amurado dessa forma, parando para pensar. Onde eu, nunca, jamais, pensei jamais estar. Todos esses anos, simplesmente lutando por uma independência esguia, que jamais me atingiu como gostaria. Deve ser o que mereço. Estar na terra dos sonhos, e, simplesmente, não poder repisar.

Baekhyun refletiu. E, mesmo perante tal reflexão, ainda se vê amorfanhado. Nada do que diz constituí um valor amadorrado para Sehun. E, certamente, detém plena noção de suas ações. E do senso de superioridade que palmeia cada centímetro do outro tão abertamente. 

—  Viver em prol dos nossos sonhos é um cachorro engrandecido daqueles. Requer mais coragem do que as línguas molestas andam dizendo por aí. É realmente uma guerra. Então, porque deixa que seu sonho dependa de um cara como eu? Não faz o mínimo de sentido. É patético. É patético em níveis que sequer consigo mensurar. – Baekhyun continuou rebatizando em seu silêncio. Deixando que seus pensamentos se incrustam, alamedem. Se estruturem. E tudo para um moto arguto: você vale menos do que nada. —  Sabe o que eu acho? Que deveria se incidir em toda essa onda de viver pelos próprios sonhos. Isso sim lhe traria um bem danado, Baekhyun. Eu lhe garanto com toda a certeza que apolenta o meu coração. Nem precisa de muito para se asselar.

Baekhyun sempre foi desesperado pela vida, isso não era difícil de perceber. Simplesmente, em toda sua trajetória de vida, deixará bem claro esse desencaminho. Que lhe impede de viver em completude. Uma trajetória tão insípida quanto o gosto do café que toma todas as manhãs. Nada pode ser tão persecutório quanto os rebordos destes momentos que se desfalcam contra o mundo. Estar ali deveria ser uma ressignificação. Porém, demorou para que recaísse na conclusão de que, acima de qualquer coisa, o rapaz de fios enegrecidos necessita de férias de si mesmo. 

— Se não precisa de muito, por que está agindo com toda a certeza deste mundo que estou mais do que necessitado de viver em prol dos meus próprios sonhos? Olha, puta merda, eu detesto o fato de que está sempre disposto a ficar lançando umas ideações absurdas se tratando de minha pessoa. É simplesmente uma hipocrisia barata. Uma puta de hipocrisia o fato de que fica o dia inteiro enchendo o cu de droga, agindo como a porra de uma maioral. Chateante, eu diria. É de deixar qualquer um de cabelo em pé. Porque fica o dia enchendo o cu de droga, agindo como se fosse a porra do dono do mundo pela esfulinhada de uma biqueira. Isso que é vida. Tá bem, eu sei que não sou lá muito diferente. Na verdade, é um fato de que estamos na mesma estaca... Não adianta fingir mais.

A ironia versejava de seus lábios. Dado aos fatos de que, sem aviso prévio, outrem se via como um semideuses. Mesmo que, tenuemente, sua vida estivesse encarcerada. Sempre na corda bomba. E não haveria nada, nem ninguém, que poderia o salvar. Nem mesmo as leis regias deste universo. Ou a religiosidade que sondava tais plagas. Estavam presos em si mesmos. Presos o suficiente para que se vissem totalmente impossibilitados de se inteirar.

— Não sei, pode parecer devidamente sadista. Mas, quem sabe, eu gostaria de simplesmente te viveseccionar entender. Poder ter a oportunidade de abrir o seu cérebro e engalhar as engenhocas que ali residem. Eu sei perfeitamente o quão antiético isso pode ser. Mas, no fundo, quem liga não é mesmo? Porque a forma que reduz a minha existência comparável com a sua pífia, é, no mínimo, risível.

O Byun se permitiu rir. Fechando os olhos, aspirando o perfume, naturalista demais para si. O tipo de olor que se assevera. Fazia tempo que não tinham aquelas sabatinas discursivas, se tratando de ofensas gratuitas, repudiáveis. Mas que, factualmente, são atribuídas de um sentido aberrante: ambos se detestam. O ódio perfura a carne e se ressalteia nos dizeres. Simplesmente, não conseguem conviver um com o outro em um espaçamento digno que não envolva o corpóreo. De fato, é doloso esse encarecimento. Sequer sabem como dividir o mesmo teto sem desaterrar em pé de guerra. 

— Eu sequer sei se sou detentor de meus próprios sonhos. Então, digamos assim, que fica um trabalho dificultoso os acordoar na ribalta quando sequer do que eles são feitos. E, quem sabe, minha cabeça não seja feita para dígitos maldizentes escarrarem. Porque é oca. Praticamente insana. E, céus, nós dois sabemos de que daqui não sairá nada de bom. Sei que espera se encontrar remando sob minhas sinapses. Mas essa é uma impossibilidade, de todo modo. Eu vou continuar sendo o mistério mais concernivel de seu mundo, Oh Sehun.

Ditou, espevitado. Em tom, surpreendentemente, bem-humorado. Pelo visto, não havia sido totalmente esganitado de seus cinismos. Sempre há uma parte dentro de si que não haveria de morrer tão cedo, e o sorriso que canteja os lábios de Sehun é a prova viva e consagrada disto.

Baekhyun, agastamente, se recaiu no fato de que demoraria para que visse tal sorriso nos lábios de outro. Ao menos, com aquela intensidade indicante de quem nem tudo está perdido. 

— É, até que faz sentido. Sua cabeça é oca como a tal da oficina do diabo, caso me permita relampear. No fundo, não importa. Quantos menos holofotes a seu redor, melhor não é mesmo Ninguém está aqui para acarrear de necessidades alheias. Ou ter mais do que um dispositivo arrodeando seus pés. Disto eu sou um perfeito conhecedor, por mais que seja tentável de enganar a todo custo. E sempre esteve tão disposto a enganar tudo e todos a seu redor. No fim, enganou até mesmo a mim. Quem diria que isto porfiria. É realmente inédito. Mas eu gosto de surpresas. Até mesmo as enxofradas que me proporciona. – Baekhyun se permitiu rir baixo. Em um torpor lisérgico, que, meramente, não se faz cabível discernir e dissolucionar o teor de seus dizeres. Podem ser tão avulsos e frívolos quanto as tatuagens destoradas de significado.  —  É só que você não tem nenhum papel a ser assegurado aqui. Sabe o risco que está correndo e com quem está lidando.

Baekhyun nunca viu Sehun como perigoso. Por mais que sangue já houvesse crivado suas mãos. Tal qual, ele simplesmente não contribuísse para retonhar o sistema. Sehun, para si, é um rapaz perdido, com um senso de enormidade irrealizável. Estonteado. E que, a cada dia que passa, o mundo se desencarmina. Nem mesmo o idílico de Pattaya é capaz de lhe restabelecer.  

— Não, não tem medidas separatistas aqui. E eu estou cansado de lidar com meu matraquear constante. Sabia disso? Ser a porra de um saco nunca me foi algo particularmente desejoso. E, no fundo, é exatamente isso que eu sou.

Baekhyun nunca gostou de si mesmo. Isto é um fato, sempre se redobrou para, no fim das contas, não ser nada além do ser-humano mais insignificante deste mundo. Uma intercorrente da natureza. Genética falha. Um amontoado de carne fraca e nenhum senso de honra que o valha. Simplesmente, ainda não havia se acostumado com a própria pele. Sempre tendente a se acordoar em qualquer outra pessoa. Aproveitar da expressividade desta gente que o rodeia. Desta gente tão normal, sem vícios expressivos, contas a pagar que não incluem canais de compras e garotos de programa, filhos, uma carreira rebimbada em desprezo. Simplesmente, um anestésico bom e barato. Do tipo, injuntivo.

Mas o que detinham para hoje se trata de uma vida que muitos desejariam, mas que poucos aguentariam o tranco, tal qual deveria ser.

— É, que saco para você então. O cara mais sem graça desse mundo, sorte sua que nunca foi fichado pela polícia, maldito. Aí, vai ver a aplicabilidade das leis no seu coro. Spoiler: não é nada bom.

Viver margeado nunca é bom. Conquanto, viviam na repetia ilusão de que, sim, haviam pontos positivos em estar em um estado incólume. Em saber que tudo é desprazível como o sopro da maresia, que corteja suas almas. Passaporte falso, vida falsa. Nem sequer podem se reconhecer quando se olham no espelho, se trata da indução de um amor matador, que não mede exatamente quem serão suas vítimas. Estão estafados; estafados o suficiente para não deterem forças o suficiente a ponto de se afastarem.

— Há palavras melhores para me definirem neste mundo do que maldito. Maldito me parece um acréscimo vago demais para todas as coisas que quartejam neste mundo. Quem sabe, eu seja realmente um maldito. Me condicionei a isso. Com todas as escolhas que, invariavelmente, sopesam em meus ombros. É como se eu estivesse no marco zero. Com dezesseis anos novamente. Onde eu preciso ser constantemente avaliado. Em uma ótica que não combina comigo. Sempre estou tentando ser alguém que não sou. Tentando me transmutar em alguém que jamais chegarei a ser. Querendo ou não, isso dói. Ser um desses garotos errantes não é tão divertido quando a ficção tende a arriçar. Principalmente, quando seu saldo da vida não passa de ledos vícios que lhe enlodam. É inadmissível estar cansado de si mesmo, mas, ainda assim, persisto. Por que? Sinceramente, não sei. Mas há dias que até mesmo contemplar o céu pela janela é dadivoso.

Baekhyun e Sehun se refratem. Nunca estão em completude, ou à mercê de clichês que desgraciam suas vidas. Deve-se permutar diante do fato de que estão enxiados um ao outro, facciosamente. Simplesmente, não há saída para um sentimento que lhes encorta em tamanha rudeza.

Comprovadamente, Baekhyun é a pessoa que mais se sensibiliza. Tendendo a tomar todas as dores do mundo inteiramente para si, a ponto de lhe insuflar o peito. Em uma ansiedade idgna, que lhe faz contemplar o futuro de forma taxativa. Porque, subitamente, estar com Sehun é uma maldição penosa. Uma maldição que fora encaixotada em si de forma voluntariosa. E é impossível não se fazer ceder. É impossível se manter de pé e centrado quando os orbes impávidos, de vida aparcada, lhe rasteiam. É como um lampejo de vida, uma prova consignada do inferno.

Baekhyun é bom em poucas coisas. Mas, dentre estas, pode ser considerado um exímio pecador. Que jamais se refrata diante do caos iminente. E o caos está materializado em 1,85, olhos escurecidos e nenhum refinamento. É uma prova remontada de que de boas intenções o inferno está cheio.  

— Seja sincero comigo, você me ama?

Baekhyun ditou, o tom de voz apenas uma partícula ínfima, mesmo que não se tratasse do maior quarto desse mundo. A tencionalidade que pincelava seus tons o deixava perfeitamente atrelável a uma solitária. Uma solitária que não deveria comportar dois homens que se embatiam no revoltear de uma noite tão imodesta. 

— Por que está perguntando isso tão subitamente? Pensei que tínhamos concordado que qualquer enunciação desse cunho simplesmente não contasse em nossa quota de problematizações, Baekhyun. O dia está cheio demais para que possamos decalcar o amor, não achas? O silêncio, muita das vezes, é comprovadamente a melhor alternativa, caso queira saber.

É esperado uma reposta de tal calibre. Objetiva. Estruturalizada em conceitos sabidos por qualquer pessoa que o conhecia. Mas Baekhyun jurava que não o conhecia tão bem como se fazia acreditar. Que estava em porte de desmantelar cada uma daquelas paredes. De se fazer credor de um peso mais que se pode consignar.

— Você sabe que eu sou problematização por si só. Creio que esse não é um aspecto exatamente modificável de mim mesmo. Então, desculpe, se vez ou outra, eu acabo por dar cabo dessa regras que palmeiam nosso lugar. Ou seja lá o que temos. É só uma resposta simples, Sehun. São três letras. Três letras que não arrancam pedaço. 

As cinzas do cigarro se espalhavam pelo carpete, mas nenhum dos presentes se viu pressionado a mover um músculo. No que convém aquele apartamento, não é como se pudessem considerar exemplares no quesito organização. E, no meio de uma arenga, não é como se pudessem se dar o luxo para o terrear. Facilmente refazível – o que não pode se dizer o mesmo dos andarilhares dessa relação. Um passo de virar ficção, de se fazer em vão. 

— Eu sei, tem muitas coisas que eu tenho que aprender a lidar se tratando de si mesmo, mas, tudo bem, eu acho que consigo perpassar essas toxicidades que lhe rodeiam.

O sorriso matreiro de canto, o que se embainhava no fato de que, nem metade daquelas sentenças, haviam de representar a verdade que se dinamiza. Sehun não é capaz de dizer todas as verdades que lhe são desejáveis para o outro. Porque não valeria a pena perder sua mobília por meros verbetes. Baekhyun é uma bomba relógio desatinada. Tudo há de ser em cuidado redobrado quando está a seu lado.

Aquele é o ponto de partida para um desencaminho de que nenhum dos envolvidos na situação estão prontos para se encaber. 

— Que me rodeiam? Realmente quer agir como se as toxicidades desse teto de vidro estivessem encravadas em meu corpo, Oh Sehun? Eu sou mais forte do que pensa. Não sabe nem metade da porra que aconteceu na minha vida para agir como se eu fosse a droga de um coitado. Se eu fosse a droga de um coitado, provavelmente meu corpo estaria relhando no asfalto quente. Sendo esplendidamente derretido. Mas, é, aqui estou eu, firme e forte. Não pareço tão firme, nem tão forte. Mas, eventualmente, a vida acaba por se encarregar de algumas surpresinhas.

A confiança em seu tom de voz é tecilada cuidadosamente, quebradiça. Os olhos escaneiam a face alheia enquanto se pronuncia. Bambeante. Sendo um sabedor de que Sehun é tão malditamente belo que tem o poder de arrancar tudo de si e lhe fazer descrente. Aquele é o seu poder absolutamente desvencilhavel.  

— Merda, merda, mil vezes merda. Eu deveria saber que toda santa vez que você inventa de falar meu nome nesse tom ritmista de voz as coisas tendem a descaber em um ponto mortífero. Quer saber, eu ando me esforçando por tempo demais para simplesmente me encaber na posição de que você não anda me enlouquecendo, Baekhyun. E você anda me enlouquecendo. Se estou em um ponto de ser arrítmico, a culpa está lhe ressonando.

Dependendo da óptica, seus dizeres poderiam ser vistas como uma declaração de candura tão ímpar e repimpada quanto de qualquer filosofo do século XVI. Porém, a raiva que borbulha em seu tom não é cometida. Mesmo que sua voz 

Mas Baekhyun não está em posição de recuar. Há muito em jogo.

 —  Eu simplesmente te fiz uma simples pergunta. Porque se vim parar nessa porra de muquifo porque eu acreditei em coisas maiores do que meu olhar pode permear. Mas, porra, são só três palavras. Três malditas palavras que me subjunta confiança. Não deveria ser tão difícil assim se desprender delas, Sehun. Ao menos, que não as sinta. O que não é nenhum crime, para ser sincero.

O cigarro fora parar no cinzeiro. A ponderação é óbvia, os nervos parecerem estar um tanto arrefecidos. Finalmente, lhe é apelante de que conseguem colocar a mente no lugar, de uma vez por todas. 

— Tudo para você é uma grande questão logística fora de ordem. Questões desordenadas que não me cabem questionar em nenhum instante. E, quer saber, eu te amo. Eu te amo a ponto de que isto me faz adoecer. Satisfeito? Porque é esta a verdade, querido. Eu te amo, Byun Baekhyun. Te amo a ponto de não lhe esgoelar. Te amo a ponto de me manter firme e não enfiar DHL em cada poro meu. Te amo a ponto de não me mandar para bem fora daqui.

As palavras manam de seus lábios, descoordenadas. Baekhyun sequer se importa se estas são veras, ou não. Porque o impacto destas não revoluciona seu peito. Ou lhe faz querer decair em uma morte lenteada. Escutar Sehun falar que lhe ama é como se ele estivesse a dar uma declaração de que havia comprado carne fresca em qualquer mercado central de qualidade duvidosa.

Mas, ainda assim, é satisfatório. Satisfatório como seria a queda de temperatura em um lugar quente como este.

                                                               ...

Sehun sempre lhe fora o ponto fugidio. E, claro, o que sempre perigava de cair em pontos inestimados. De minha pifiada existência, pontos cujo eu ainda não me via assegurado para a explorar com propriedade.

Mas eu nunca soube como negar quando seus dígitos deslizavam pela minha tez tremente, implorativa de calamidade. Uma calamidade que parecia drapear de seus dígitos calejados, secativos de todas as atividades criminalísticas. Eu ainda podia sentir o saltear pululado de seus crimes, mas, em meu interior, eu era o melhor ilusionista de todos. Naquela barateada ilusão de que eu não passava de um mero purgativo; um purgativo eficaz para cada um de seus sonhos brejosos.

E, de tempos em tempos, eu detinha a poderosa consciência de que eu não passava de um sonho revitalizante. Um devanear. Uma tolice momentânea que seria motivo de riso nas noites de quarta-feira a serem revolteadas em pôquer.

Nunca pensei que naqueles vinte e três anos de vida seria apetecedor ser uma mera carneação. Com um sorriso que entregava a dose revanchista de permanência.

Uma permanência tão vadiada que simplesmente lardeava cada pedaço saneado de minha existência. Jamais pensei que pudesse ser possível se sentir tão vazio ao, supostamente, ser completado.

— Não, eu estaria mentindo se falasse que não quero lhe ver nunca mais, Sehun. Eu não sou dotado de tanto cinismo assim, infelizmente. Mas, bem, eu tenho todo o direito desse mundo de estar chateado, caso queira saber. Talvez seja melhor assim, se assertivar de que esse fingimento nos levará a algum lugar. A algum lugar que não se renomeie em pura dor. Nós somos atores tão bom que poderíamos estar nos grandes holofotes. Em lugares que nos valorizem. Mas, normalmente, não é isto que acontece...

A chateação é mútua. E, de tempos em tempos, discussões de tal cunho podem significar, igualitariamente, tudo e nada. Ou, apenas, um motivo para recair na astúcia. Em se deixar fomentar por fragmentos de injustiça.

Baekhyun ainda está em dúvida se é conveniente, ou não, chamar Sehun de assassino. Por vias das dúvidas, é melhor deixar que tais dizeres morram na praia: aquela conclamada de sua mente.

— Eu juro que tento compreender essas suas poetizações que não me fazem o mínimo de sentido em nenhuma instancia. É tão decepcionante. Que droga. Que droga me ver em uma posição tão redundante de estar arrodeado de um homem com doses irregulosas de amor nesta vida. De alguém que tem que implorar por amor. Bem, quem sabe, essa carência desmedida venha do fato que nunca tenha tido amor em sua vida. E que, inevitavelmente, acabará por implorar por ele.

— Quer saber... Sequer posso dizer a razão para estarmos discutindo em primeiro lugar. E, adivinha só, não adiante de muito. Eu vou tentar não me enjaular nessas perguntas. Estas perguntas que me fazem dar voltas e voltas em um reduto espacial. Não sabemos o que fazemos um com o outro. Mas, eventualmente, iremos descobrir. Mas, agora, minha razão para ficar de pé se trata dos cigarros. E, se os cigarros não estão dentre meus lábios, há algo de muito errado. Mas, ao menos isso, tenho o poder de resolver. Felizmente, a loja de conveniência mais próxima está a apenas algumas quadras de distância.

O Byun enunciou, o tom convicto de sua integridade ressonaram calmamente pela sala. Os sentimentos se esbarroando dentro do peito. Sendo um perfeito sabedor de que nada adiantaria rufiar. Não é do feitio de Sehun lhe escutar.

                                                    ...

As noites, de fato, são muito mais frescas do que os dias. Mesmo que o verão estivesse se afrechando em qualquer mínimo lugar. Mas, naturalmente, com o tempo, Baekhyun até mesmo se via em um nível que se sente agraciado com tal clima, por mais estranho que tal declaração venha a se parecer em primeira instancia. Simplesmente, é tendente de que se pode acostumar com qualquer coisa, caso esteja devidamente exposto.

E, se tem uma coisa que Baekhyun está exposto, se trata dos ondeares caloríficos de Pattaya. Por isto, seu guarda-roupa, que, normalmente, é constituído de um assacar de roupas pesadas, regateadas de brechós, está loteado com regatas e bermuda. Que, normalmente, Sehun compra para si. Sendo um reconhecedor do quanto Baekhyun simplesmente detesta comprar roupas, ou, intimamente, o ato de se ver em um provador de roupas. Por isto, nada mais justo do que simplesmente evite tal ato. E, ao mesmo por uma vez, Sehun se vê disposto em um ato de bondade mínima.

Baekhyun suspirou profundamente ao adentrar a loja de conveniências algumas quadras distantes do prédio onde mora. Não é surpresa nenhuma que está emputecido com Sehun, visto que os berros de sua discussão poderiam ser ouvidos até nos templos budistas e, por si só, altaneiros. Mesmo que jamais fosse sua intenção ser considerado um escandalizador. Mas, certamente, algumas situações estavam passando do limite.

E camisas esbranquiçadas ensanguentadas são uma delas, distintamente. Pelo visto, as atividade criminosas deste estavam substancialmente em alta por aquela temporada. E Baekhyun pode perfeitamente adivinhar o porquê, mas jamais seria audacioso o suficiente a ponto de adentrar nessa tonicidade, como se lhe fosse validoso.

Agradeceu pois, assim que adentrou a loja, o ar-condicionado lhe envolveu, não precisaria lidar com o calor que parecia se interpor em seu corpo. Independentemente da leveza da peças que estivesse trajado. Diante desse aspecto, o calor jamais haveria de ser ultrajante para os seus padrões. Mas é o tipo de peteca que teria que se acostumar. Ainda não estava disposto a deixar tudo para trás, mais uma vez. Já havia tido sua quota de pequenas desistências. E ainda não estava pronto para um strike daquele tamanho. É um belo de um fato.

Os olhos do Byun rastearam as prateleiras repletas dos produtos mais típicos da região. Não é um típico 7-ELEVEN, afinal de contas, por isto não é como se pudesse esperar qualquer acidentalidade a os envolver em longo-prazo. Gosta do aspecto da cidade de jamais deixar de desassociar de suas raízes, até mesmo nas coisas mais simplistas, o tipo de característica que Baekhyun, infelizmente, não é capaz de reter em si próprio, para seu todo e completo desprazer.

Decidirá por levar apenas os seus cigarros. Não é como se a tentativa de mandar qualquer solidez para si em forma de doces típicos lhe valeria de alguma coisa. Lamentava-se profundamente de nunca ter conseguido aproveitar com propriedade no que convém a culinária de tal localidade. Mas não é apenas a culinária de tal localidade que fora mal aproveitada por si.

Chegava a ponto de considerar que sua vida inteira havia sido simplesmente mal aproveitada, nos mais diferentes âmbitos. É algo realmente enlouquecedor, caso se pare minimamente para pensar. Por isto, preferia estar sempre a um ponto de estar totalmente dopado. Simplesmente andando no limiar da corda bomba, para seu todo e completo reconforto.

— Você mora no apartamento do outro lado da rua, não é?

A voz de sotaque carregado, e em um inglês um tanto embolada inquirirá a si. Baekhyun se perguntava se suas feições de turista se veem tão aparente assim para que um questionamento de tal cunho seja feito para si. Aparentemente, é mais do que óbvio que si. Tudo que fora capaz de desferir fora um sorrisos totalmente entortado, não sabendo onde encontrar verbetes que se encabecem em passividade.

— ... Desculpe?

Respondeu, em um tailandês completamente indigno. Que apenas deixava ainda mais claro que não é de tal localidade, mas, que, felizmente, se viu minimamente compreensível se tratando do outro. Para seu todo e completo prazer. De fato, Baekhyun sente falta do que pode ser propriamente classificado como uma conversa de verdade, em seus parâmetros.

— O apartamento. Do outro lado da rua. Não quero ser intrometido, é apenas um embasamento neutral. Não precisa responder, caso não queira. Não sou nenhum tira, antes que saía correndo.

Baekhyun riu baixo, mesmo que houvesse um certo nervosismo sustenido em sua fala. De fato, não é como se fosse exatamente a pessoa mais classificatória de discussão. Mas, pouco-a-pouco, os eventos de horas atrás começavam a se remontar em seu cérebro, com toda a aspereza que este poderia haver de carregar. Sentia todo o seu corpo ribombar com tamanhas afirmações.

Mas decidirá por controlar o seu ímpeto de simplesmente deixar aquele rapaz tão novo e de tom claramente desolador para trás. Deve-se lembrar de que nem toda troca de informações simplesmente é carregada de tons mal-intencionados. E Baekhyun sente falta de outros tons de vozes que não sejam a voz absolutamente roufenha de Sehun, isto é um fato imputado.

— Tira? Do que está falando? – pronunciou, claramente, com um bom-humor conveniente. Afinal, o pobre rapazito parece estar à beira de um ataque de nervos. — Bem, respondendo à sua pergunta. Sim, moro no apartamento do outro lado da rua. O que não me traz nenhuma diferenciabilidade, mas eu estou apenas querendo compreender todo esse papo de tira que veio assim, tão ocasionalmente.

Por um momento, as duas partes envoltas naquela conversa, tão falsamente casuais, se imergiram nas entonações tão diferenciadas. Um nativo, acostumado com a criminalidade do perímetro e um eterno errante. Pontos opositores mas que, em determinado momento, improvisamente, acabam por se unir.

— Droga, me é eternamente condenável ser tão boca grande. Meu chefe sempre me disse que eu deveria evitar conversar quando estivesse por essa área. Apenas, como deve saber, barulhos que só podem ser associados a tiros. Encontraram um corpo aqui perto. É de escandalizar todo mundo, de alguma forma. Sabemos que aqui é um finzinho de mundo, mas, ao mesmo tempo, não esperamos que um corpo seja encontrado na valeta dessa esquina. Tentamos nós dar um nível de proteção, entende?

Facilmente acintoso, Baekhyun entregou, tremulante, algumas notas, o que deveriam ser suficientes para pagar o cigarro. Sua mente dava giros, que entremeavam frases entrecortadas, sussurradas e de teor nauseabundo. Subitamente, não há como confiar nem em que divide o próprio teto.

Todas aquelas ligações na surdina, claro que deveriam ser detentoras de um motivo. Baekhyun apenas não esperava de que o outro fosse investir no ramo de assassino de aluguel.

 — Desculpa, não sei nada sobre isso. Mas, não se preocupe, nenhum outro morador se feriu. Apenas o pobre coitado que se meteu em uma situação tão desaforada como essa.

Os dígitos ainda tremeiam ao receber a sacola, impessoal, sequer havia um logo para identificar. Pode ser receptível que dentro daquela sacola não haja cigarros mais sim um item para lhe mandar a uma viagem reparadora e o levar ao pinote.

— É verão, tantos turistas. De fato, eles não sabem que essa parte da cidade não é o que pode ser exatamente retratador de todas as amenidades que procuram. Se até os nativos tem que tomar cuidado por onde pisam, imagina só aqueles que sequer estão nessa categoria.

O Byun já havia se acinturados no fato de que a violência perscruta cada esquina, deixando um rastro de medo vigente. Porém, em todas as suas incertezas, é um fato de que não se pode confiar em nada, nem ninguém — não quando se está ao lado de Oh Sehun, tão inesperado quando uma réstia impolida.

— Obrigado. Tenha um bom dia.

Fora tudo que disse, com a certeza enfraquecida dentro de si que havia gaguejado. Sabedor que sequer seu estado físico é apresentável, pode se esperar que tudo dentro de si se engazopa ao caos. Tudo em si é aberrante, sabedor de que não passa de um turista. Uma parte insignificante é desprezada por aquela terra. É como se suplicasse para ser extraditado. 

Cigarros amargados. A partir de agora, todos os seus cigarros seriam intimamente amargados. Fora tudo que perpassai em sua mente quando, bamboleante, acendeu o cigarro. A fumaça se espessava contra os passantes. Felizmente, um rapaz magricela como si sabe muito bem como passar despercebido.

E cada passos era como percalços as labaredas do inferno. Aquelas escadas se tornam vertiginosas, a cabeça dói. Na mente, apenas um vocábulo se faz terminante: assassino.

Não que não desconfiasse. Ninguém há de carregar um revólver à toa. E antes que pudesse girar a chave na maçaneta, Baekhyun se retalia com memórias. Memórias de mais um dos sumiços de Sehun. E de como a realidade é tão insólita como o véu despótico que envolve aquela noite.

                                                                              ...

3 dias antes:

Baekhyun, finalmente, se vê no que pode ser considerado o limiar de uma decisão. Do fato que de que ficar largado as traças simplesmente não traria nenhum bem a si mesmo, de fato. Por isto, detidamente, ser revanchista, por aquele momento, é a sua única saída. Baekhyun não havia ido no que, em tese, seria a maior aventura de sua vida, jogando tudo e todos para trás, apenas para que se visse em um caleidoscópio cada vez maior de problematizações internas.

E, enlouquecidamente, o fato de que está sem nenhum narcótico apenas há de alavancar cada vez mais sua atual situação, para seu todo e completo pesar. Há pouca coisas que lhe fazem se reavivar neste mundo. Ao menos, se mantém em uma pose de retidão, deixando, circunstancialmente, o apartamento no maior dos trinques.

— Você sumiu por três dias, Sehun. Três dias que eu fui fodidamente ignorado e largado na berlinda. Você, acima de qualquer pessoa, sabe com o que lida todos os dias de sua existência. Por isto, é perfeitamente plausível que seja um conhecedor das circunstâncias que uma mínima mensagem de texto possa fazer. Ao menos, faria com que eu sentisse o ar nos meus pulmões novamente. Seria um grande arremedo, de verdade. Eu estou cansado de comer pelas beiradas, para ser sincero.

O tom perdura em uma urgência indelicada. Baekhyun sempre foi detentor de uma simplicidade, uma tenência. Porém, naquele momento, sua atitude é dissonante do que fora mostrado para o mais alto nos últimos tempos. E ele apreciava que houvesse essa diferenciação bem aclarada. Não seria de todo mal lhe mostrar que, também, pode enlouquecer. Perder as estribeiras, se desjuizar.

Eu estava trabalhando, e só. E eu te deixei grana, pra que tá papagaiando no meu ouvido assim de graça? São só três dias. E sabe que não é a primeira vez que sumo. Ou seja, não há nenhum motivo para tamanho alarde inaudito. Até parece que não me conhece. Que não estamos dividindo o mesmo tempo a uma par de tempo. Chega até mesmo a ser patético esse tipo de comportamento.

O tom, como lhe fora esperado, viera banalista. Os sentimentos foram tão irrealisticamente desvalorizados que Baekhyun não poderia evitar se sentir um tanto magoado. Logo naquele momento cujo estava colocando as cartas na mesa. É doloso como o desquiciar de sua voz.  

— Tudo bem então... Então o que tem a dizer da multiplicidade de machucados que esse seu corpinho estampa toda santa vez que resolve sumir indefinidamente sem sequer mandar sinal de fumaça ou qualquer coisa que o valha? Benzadeus que, ao menos, agora, tudo parece incólume na mais santa paz que podemos nos obrigar a estar. Pelo visto, os ares tailandeses estão lhe fazendo muito bem, para não dizer o contrário.

Desasseado, era assim que Baekhyun se encontrava toda vez que estava a discutir com Oh Sehun naquele relacionamento indefinido que apenas há de cordializar as rotatórias mais inviabilizadas que poderia estar santamente acometido. Seu coração despenca à medida que passam tempos juntos; se tornando consciente da encrenca que escarpeia de seus ombros.

A bela de uma encrenca. Nem Deus poderia perdoar o que estava acontecendo sob o conforto férrico daquelas paredes.

— Eu deixei a porra de um bilhete na geladeira, Baekhyun. Realmente não entendo o motivo para tanto drama. Será que o tempo que fica grudado na televisão assistindo essas telenovelas fez com que senso de visão fosse alterado? Porque mais me parece que está me fazendo de tiete para a droga de um teste ou qualquer coisa que o valha. Vá em frente, aposto que qualquer produtor vai acha uma graça esse seu sotaque de quinta e esse tailandês enferrujado. Nem vai precisar de teste de sofá.

O Byun estalou a língua no céu da boca. Sabendo que, independentemente dos motivos que levaram àquela discussão, outrem não se importa derradeiramente consigo. Simplesmente lhe obstina como uma sina imputável. Mas não alguém que vale qualquer tipo de discussão. Tudo que Baekhyun pode fazer se tratou de respirar bem fundo, fitando aqueles olhos tão dissimulados.  

— Obrigado, eu serei um grande apreciador da comodidade que um recado na droga da geladeira me trará, Sehun. Não sabe o quanto significa um gesto tão vagal quanto este. Na verdade, qualquer tipo de gesto singular mais lhe parece completamente fora de seu entendimento vagal. Enfim, deve ter conhecimento de que três dias não equivalem a duas horas, por exemplo. Mas essa é apena suma simplória comparação. Não espero que entenda.

A tendência de evitar conflitos não detinha mais funcionalidade naquela residência, aquele é um fato. E se o embate está ali, de portas abertas, não seria Baekhyun que iria tartamudear. Agir em mudez. Destratar-se constantemente. Consegue perceber que até mesmo suas opiniões merecem ser ouvidas.

— Porra, Baekhyun. Sai desse teu mundinho encantado em que todo mundo é um amante de comunicações. Ou sei lá, esse teu ciúme sem fundamento algum. Porque, adivinha só, não é assim que a vida funciona. Não tenho que te dar satisfações da minha vida toda porra de tempo. E sabe perfeitamente disso, mimadinho. Para com essa tua graça que eu não estou a fim de ouvir você matraqueando no meu ouvido. Poderia fazer o favor de gastar a minha grana sem ficar bosteando pelos meus ouvidos com toda essa sentimentalidade barata. Afinal de contas, porque acha que eu te deixei dinheiro se não fosse perante o fato que quero, ao menos uma vez, ser deixado em paz. Reclama tanto do meu raciocínio. E, no final das contas, nem mesmo consegue deixar de lado uma questão banal como essa. Não se preocupa. Não vou te abandonar. Não conseguimos viver longe um do outro.

A entonação viera carregada de um deboche pungente. Seu tom se refletia por todo o cômodo. E, mais uma vez, Baekhyun se arrepende de suas palavras. Pois, como sempre, é ele que é o errado da história. Onde a culpa inevitavelmente recai. Onde, acima de todas as coisas, é um desentendimento por si só. Garotos confusos não detém direito de opinião, nem sequer um retículo. Desde sempre, o Byun aprendeu que de nada vale. E, por agora, é mais contemplado do que nunca com esse acoucear.

Discutir com Sehun é jogo perdido. Uma jogatina tão convincente quantos jogos de azar.

— Certo, eu bem que poderia imaginar que as coisas seriam tratadas desse modo. Não se preocupa. Não lhe troçarei mais com minhas preocupações infundadas. Mas, quando aparecer no jornal das sete, não venha me pedir misericórdia na porra do inferno. Passar bem.

Naquele dia, Baekhyun passará a noite fora. Desbravando as noites degradadamente. Sequer sabe como suas narinas e seu senso de direção se mantiveram intactos por aquele tempo. Quando voltou para casa, Sehun não estava lá.

                                                       ...

 No exato momento que irrompera pela porta, outro cigarro tomou os seus lábios. Ao menos, por aquela instancia, Sehun decidirá por dar o ar de graça. Torna-se mais fácil não se deixar envolver em seus remedos quando os orbes calculosos de Sehun estão sobre si.

— A merda está feita, Sehun. A merda está feita... — Baekhyun murmurejou, em seu estado torpe. Não se sabe quantos dias está oficialmente limpo. Deve ser apenas um sintoma paranoide. Mas quando os dígitos de Sehun se encravam sob seus ombros, a realidade se asseverou em seus ossos. — Você matou alguém não foi? A mando de algum cartel ou coisa que o valha. Por que estamos aqui ao invés da Colômbia?

De fato, seu tom não externou nenhuma seriedade. Sehun deveria lhe ver como o belo de um palhaço. Dado a ironia dominante em seu tom de voz.

— Acha que eu sou tão top de linha a ponto de trabalhar com Medelín? Caralho, está me fazendo se sentir o fodão aqui. – o cigarro antes nos seus lábios, tomou os dígitos de Sehun. Pelo visto, fumar mais de um maço por dia detém os efeitos sob sua psique transtornada.  —Não, não, nem Montevidéu ou qualquer porra que o valha. Eu estaria multimilionário, na caceta das alturas se eu tivesse uma belezinha desse calibre em mãos. Mas, ah, ambos sabemos que a banda não toca nesse ritmo. Baekhyun, eu não estou em nenhum cartel. Poderia parar com essa ninharia. Pensei que tivesse saído para acalmar os nervos, não para ficar nesse estado.

 Baekhyun ainda se vê estigmatizado. Esmagado pela realidade, imaginava o corpo sem-vida, desfarelado no canto de uma calçada sujismundo. O quão desolador deve ser ter o reconhecido em algum necrotério. Poderia sentir até a bile se fermentar sob sua garganta.

— Tudo bem... Eu acredito em ti. Eu acho que estou tomado por algum tipo de desilusão temporária. Falta de sono. Tanto tempo aqui e eu sinto como se o jet-lag estivesse injetado sob minhas veias. O quão ridículo isso pode ser, não é mesmo? – o Byun ditou, as palavras solfejando. Seu centro de gravidade, pouco-a-pouco, se reestabelece, a ponto de que sua mente não parece estar em queda livre. Desonerando-se perante os orbes tão intensos.  —  Eu sei disso, Sehun. Eu não deveria estar te contestando assim. Que droga, eu sempre estou metido em minhas certezas...  Também sou um conhecedor de que temos nossos milhares de desentendimentos. Mas, nenhum, nenhum, repito, nenhum, irá me fazer margear perante as suas atividades. O seu trabalho, trampo, seja lá como você denomina, apenas concerne a você e mais ninguém neste mundo. E eu tenho todo o direito de ficar preocupado. Mas eu não quero ultrapassar a linha do que é aceitável até certo ponto. Esqueça o que eu disse. Esqueça o que eu disse pelas últimas três horas de sono. Culpe a falta de sono, das comidas mal fermentadas ou até mesmo desses malditos cigarros. Só não vamos correr o risco de por tudo a ruir. Porque, por Deus, isso não vale a pena.

Baekhyun rememorou de quando viu Sehun pela primeira vez. Foi como um descarne. Sehun é tudo que há de ruim no mundo, mas há algo de impetravelmente bom em si; algo que faz qualquer cético cair descrente, serpenteando a seu encalço. Deixando-se redemoinhar. Há algo indefinível em seus orbes escuros, em sua tez pálida e em sua pose facciosa. Não é o tipo de homem que qualquer pessoa pode lidar ou se moldar. É o que estaleja suas paredes, desprende seus conceitos e faz arder o céu da boca.

No fim, uma mudança bem-vinda ao Byun.

— É bom saber. Estou fodidamentre cansado dessas pessoas tentando a cada instante meter o nariz onde não devem. Isso me frustra em pontos irrevogavelmente imagináveis, Baekhyun. Porque todo mundo que ver me ver em uma inderrogável derrocada. Claro, estou sendo aumentativo. Eu tenho consciência de que, neste meio, eu não passo de pouca-bosta.

Baekhyun riu baixo. Por vezes, aprecia aquele aquebrantar cômico que Sehun entremetia no ambiente sem o mínimo de adulação. É simplesmente natural de si, nada é tão sério que não possa ser esquecido em frações de segundos. Deixar-se levedar pelos cardeais da mente, por aquele instante, não pareceu uma grande problematividade.

E, como nenhuma outra vez, seus dígitos deslizaram sobre a tez alheia. Sentindo seu poro, se deslapidar de seus conceitos imodestos. Ele é tudo e mais um pouco. Ele é a queda-livre, o sentimento de infusão. É a moléstia que lhe açora. E não cabe a Baekhyun o extirpar.

— Vamos foder. Longe daqui. Por agora, essa saleta me enoja. E eu não posso ignorar as suas ideias. Não aqui, não agora. Eu só quero que me foda. Só quero esquecer tudo isso de uma vez por todas.

Deixaram todas as suas idealidades para trás. Deixando que o descontrole vingasse sob seus corpos aquentados.

                                                                  ...

 

A lavanderia do prédio, até pouquíssimo tempo se tratava de uma localidade obscurada, desconfiável. Mas que, naquele exato momento, não passa de um canto apreciável por ambas as partes.  

— Ah, porra... O que aconteceria se formos pegos? Mandados para a rua da amargura, talvez? – Baekhyun ousou dizer, rememorando do fato de que estavam, desgostosamente, na lavanderia do prédio onde nem substancialmente estavam alocados. Contudo, ainda assim, não relutaram nem por um instante ao considerarem foder ali.

—Ninguém aqui é corajoso o suficiente para me contrariar. Para de pensar besteiras. Se eu quero foder com meu garoto aqui, não há nada que possam fazer para me impedir.

Àquele ponto, Baekhyun já está completamente nu, e, de fato, não há nada que possa lhe impedir de se entregar para o outro naquele exato instante. Sehun é delirante. E, após algumas carreiras, o desejo alavanca seu descontrole, seu poderio. Deixa-o ensandecido.

E o quer; quer desesperadamente, a ponto de fazer toda e qualquer mínima concessão que tome seu corpo por si só. Quando Sehun o penetrou, seu centro de mundo se eixou de uma vez só.

O corpo do Byun sacolejava acima da máquina de lavar. É como se estivesse estreando um filme pornográfico de baixo-escalão, para simplesmente estar trepando em um local tão escatológico. Enquanto gemia contra o ouvido alheio, deixando com que seu corpo fosse tomado na mais alta intensidade. As paredes se contraíam contra o pau alheio, enquanto os dígitos apertavam os fios escuros sem detenças. Implorando por mais e mais. Estava acostumado a trepar todos os dias. Então, três dias se trata de uma bela ausência.

Não duvidava, nem por um segundo sequer, que Sehun detinha seu casos extrapostos. Porém, no fim, não dava a importância que acha que deveria dar. Afinal, como esperar que um homem de tal porte simplesmente estivesse na devida atividade das relações monogâmicas? Quando sequer haviam pautado sentimentos, que não fossem ofensas, na mesa, uma vez que seja? No máximo, brincadeiras irrisórias e totalmente infundadas. Totalmente irritáveis. Mas não funcionam se não estivessem sob pressão.

Baekhyun gemeu alto, espertinando de qualquer preocupação que houvesse de ulular dentro de si, simplesmente gostaria de aproveitar a sensação dos lábios alheios contra seu pescoço. De suas apoucadas roupas tomando parte do chão. Simplesmente, desanuviar. Ser tão livres quanto as nuvens do céu que os entorna.

Baekhyun abriu um sorriso flumíneo quando ejaculara. Ao menos, Sehun sempre se certificava que de que havia ejaculado. Nem todos os homens – de sua vasta e imprecisa lista – haviam se certificado de que havia chegado até o seu ápice.

— Somos pecadores. Pecadores que quebraram as leis.

O rapaz de fios enegrecidos, que se grudavam na testa dado a temperatura afogueada, reiterou. Abancando a estoicidade que toma sua tez, incauta suas veias. Não ousou se separar do corpo alheio. Estavam febricitantes, a ponto de implodirem.   

— Que leis? As de Deus, desrespeitadas hora após hora ou as mundanas que tampouco alguém dá alguma importância? Realmente não sei o que está querendo colocar aqui, Baekhyun.

—É uma brincadeira. Não tenho religião, ou seja, não tenho nenhuma lei a desrespeitar a não ser a que delimito. E sobre a lei vigente constitucional, ninguém segue à risca.

Deu de ombros, recostando a cabeça sob a curvatura do pescoço alheio. Resvalencendo seus pensamentos, seus tão dolosos pensamentos. Que se enublam perante o suor pardieiro, as dores inconsoláveis de um homem que nunca aprendeu a viver.

— Eu quero que case comigo. Que use a porra do maior anel. Que a gente se mude para um tríplex. Que se amarinhe com tudo que tem direito. Ninguém merece estar estropiado nessa vida. Eu lhe prometi sonhos. Eu estava sendo negativista. Pois, de fato, eu lhe prometi sonhos. E eu vou te dar estes, contanto que conceda ser meu. Para todo o sempre.  

E o inferno começou quando Baekhyun, singelamente, proferiu: ‘eu aceito’.

                                                                            ...

Baekhyun não é um bom cozinheiro. Na verdade, ele passou mais da metade de sua vida como um verdadeiro fugitivo da cozinha. Sem nenhuma desculpa propulsada para tal passionalidade – quem sabe, a preguiça dominativa de seu corpo no que convém cada mínimo passo refundado que lhe estimule a sair de sua zona de conforto.

Mas o fato de que Sehun ousava sanear sua vida após o que, em tese, foram uma semana e meia devidamente enregelada em seus padrões; uma semana e meia que o decursar do relógio parece quebradiço. Que nada se encontra em seus devidos padrões. Que tudo é uma sistemática descaracterização.

Por isto, após muito tempo, teriam um jantar concordialmente dado na mesa de jantar.

— Pensei que perguntaria onde eu estaria.

Baekhyun sequer ousou soerguer o olhar perante os vocábulos alheios, tão sequiosos. Continuou remexendo o garfo de prataria barata em seu próprio prato. Constatando assim, como o purê de batatas se encontra endurecido. E se costeando de sua imprestabilidade.

— Eu aprendi que não devo simplesmente me recair em promessas que envolvam o seu nome, simples assim. Seu trabalho exige tais saídas repentinas. O que posso ter em minha defesa então? Querendo ou não, se tratando de você, indiretamente, o relógio é meu melhor amigo.

Sehun riu de canto. Assim como si próprio, não havia tocado na própria comida. E, como o falsário que eram, se perguntavam quando deixariam aquelas baboseiras para trás e simplesmente se renderiam ao delivery. Ao sabor apimentado do curry de um cigarro dividido na varanda, em uma banalidade assomadiça sobre o calor. Porque ambos preferiam se engadanhar na morte do que trazer uma palavra que seja se tratando de mortos e suas diabragens.

— É, mas eu esperava que perguntasse. Porque, quem sabe eu tenha uma surpresa. E não adianta negar, adora minhas surpresas. Veja só, até mesmo permitiu me surpreender com... esse jantar com gosto de morte.

O rapaz de fios, agora, aloirados não se deixou desancar em tal conversação. Cutucou o alimento com o garfo.

— Pensei em pedir delivery. Mas fiquei sem grana. Não é lá minha culpa. Não é culpa de ninguém, antes que ouse perguntar.

Evitar conflitos, ser um apaziguador. Todos os seus conhecimentos holísticos deveriam de se aplicar, ao menos, em um jantar.

— Eu sei que não devo fazer perguntas a você, Baekhyun. Já que insiste em vir com essa atitude esquiva. Não importa onde estejamos. O que eu acho engraçado, para falar a verdade. Acho engraçado o fato de que se esforça tanto para ser impassível. Até que não é um ator ruim, para ser sincero. O negócio da telenovela não colou.

O tom era bisonho, como se a maior piada estivesse alardeando sobre os cantos. Cada vez, um inconsolável inferno. Onde as culpas não se percolavam por si só.

— Me é um grande consolo de alma saber tal coisa, Sehun. Ter o reconhecimento dos meus esforços. Mesmo que não sejam exatamente no âmbito culinário. O que, claro, reconheço que passa longe de ser meu forte. E, também falta uma birita aqui e ali. Porque, Deus, sabemos o quanto a sobriedade é o maior pecado dessa terra. E essa casa simplesmente está cansada de ser permeada por pecados, não acha?

Ironizou. Tentando, ao seu máximo, ser duro na queda.

- Que tipo de pecados? Porque, em qualquer instancia, estamos em processo condenatório para ir ao inferno. E jamais voltarmos. Porque sabemos como não somos bem-vindos no que convém ser a parte boa do sobremundo. Mas que, sinceramente, não tenho nenhum pensamento formalizado. Já que, em boa parte de minha vida, não fui bem-vindo em lugar nenhum. Tenho até mesmo as minhas dúvidas de que sou bem-vindo aqui.

A cartada final, dada pelos orbes fumegantes de outrem.

— Acredite, eu não te chamaria para estar aqui a meu lado se não fosse bem-vindo, Baekhyun. Eu sei perfeitamente o quão confiança passa longe de ser o seu forte. Mas nós conhecemos a uma par de anos. E, pelo menos agora, me seria desejoso que tivesse um tanto de confiança em minha pessoa. Porque, não sei se reparou, mas ao longo de todos esses anos, realmente me vi disposto a fazer com que as coisas desses certo.

Um riso amargado tomou os lábios de Baekhyun; um daqueles risos que, com toda certeza, indutavam em Sehun até a alma. E este é exatamente o objetivo de Baekhyun a rir daquela maneira. Diante que verbalidade, por aqueles tempos, passa longe de ser o seu forte. E prefere a morte do que simplesmente verbalizar a Oh Sehun. Não é nenhum tipo de pensamento a se vangloriar.

Mas, ultimamente, não é como se Baekhyun fosse um afã de suas aparcadas conquistas.

— Eu sei disso. Eu gostaria de ser capaz de ver o seu esforço com os olhos mais abertos. Realmente gostaria de os ver, Sehun. Mas você sabe muito bem como a minha visão simplesmente se tornou afetada nos últimos tempos. Não sei se posso definir como o calor da alta-estação. Ou, talvez, quem sabe, seja o preenchimento de minha ignorância. E que grande prêmio seja a minha ignorância a trazer a bendita queda. Minha queda do meu trono que eu jurei que me traria muitos bens.

A aliança ainda está em seu digito. Um símbolo carcerário. Vago, pilastras declivadas.

— Baekhyun... Eu te avisei os riscos que vir aqui lhe trariam. Mas sempre está disposto a agir como se eu estivesse lhe enganando. Mas não é assim que a banda toca, Baekhyun. Não foi assim que constituímos nossa relação.

Não havia mais espaço para comida e papos que soam como afago naquela mesa.

— Nossa relação? Agora temos uma relação que inspira algum tipo de seriedade. Porque, caramba, ao longo de todos esses tempos. Eu tive minhas potenciais dúvidas do que era feito. Agora, tudo está mais claro do que algum dia ousei admitir. Quer dizer, sabemos que quem controla esse joguinho todo é você.

O garfo espetava o frango tostado. Ao menos, seu esforço não havia culminado exatos bons frutos. Um jantar tostado em suas injurias.

— Para com isso. Para de querer ser o centro das atenções. Vamos para a varanda. Não quer terminar essa noite sozinho, não é? Porque se eu sair por essa hora, não terá mais sinal de meu rosto por um bom tempo. Vamos deixar tudo de lado. Incluindo, essa odiosa comida.

                                                                    ...

Não haveria uma brisa que fosse a lhes dar boas-vindas. Mas nenhum dos dois espera ser recepcionado em nenhum lugar que ousassem pôr os pés. Nem mesmo no que convém a varanda do apartamento de ambos. Na verdade, são coisificados naquele terrear tão bagunçado, que, até mesmo, se via permeado por umas poucas folhas secas.

A garganta de Baekhyun estava embolorada. O fato de que havia saído do banho há poucos minutos não lhe trouxe nenhum bem, muito pelo contrário. Mais pareci que tudo estava se redimensionando a seu redor por mais tempo do que poderia contar. E, de fato, isso é assustador. Porque sente que sequer há o que mantear de si.

— Sempre alimentando meus maus-hábitos. – Baekhyun ditou, se sentando de pernas cruzadas no chão, se permitindo contemplar a metrópole que se desarrolhava sob os seus olhos. Em uma noite de sábado como aquela, em plenas oito horas, é um espetáculo a quem quer que seja, com seus transeuntes apressados, dignitários de respeito. E, que, de fato, não viam muitos motivos para erguer os olhos. Afinal de contas, aqueles prédios de pintura precariada lhe eram o lembrete de uma vida precariada que jamais gostariam de voltar.

Diante do riscar do isqueiro e da concordância silenciosa de Sehun, Baekhyun tomou os cigarros dos dígitos longos repletos de anéis de prata. Não sabe mesurar desde quando Sehun havia começado a fumar os tais Lucky Strike. Mas, ao passar dos anos, Sehun havia transacionado para tantas marcas de cigarro, que se torna uma total impossibilitada contar com os dígitos de uma mão só quais foram.

— Eu sou um mau-hábito por si só, Baekhyun. Você me disse quando embarcamos. Quando estava grogue pelo remédio. Pensei que fosse apenas um mero efeito colateral. Mas, digamos assim, que não demorou muito até que eu recaísse em minhas ações como um vigário. De que eu sou o efeito colateral. E que, efeitos colaterais, não se dissipam tão facilmente. Eu poderia pedir desculpar por ser quem eu sou, mas creio que desculpas influem uma certa mudança. E, por assim dizer, não estou lá exatamente disposto a mudar.

 Baekhyun dera uma tragada seguradamente anunciante do mal que lhe tomava. Uma tragada que, falhamente, tentava colocar os seus pensamentos no lugar. Sehun nunca tardava em lhe deixar aos frangalhos. Fazendo o se amantelar em questionalidades aprofundadas de sua própria realidade.

E não adiantaria pedir vingante resoluções a milhares de deuses. Porque, certamente, Sehun sempre estaria ali. Poderia sumir improvisamente, mas, ainda assim, não se via disposto a sair.  Não queria ser cotado com um beberrão improvido.

Mas se viciou em Oh Sehun. E sequer haveria negativa plausível para tal.

 — É, eu sei disso. Eu nunca cobrei que mudasse, Sehun. De verdade. Não sei de onde tirou que eu desejei que mudasse, porque jamais foi isso que aconteceu. Talvez porque sinta que não é suficiente. Mas o que é suficiente nestes tempos? Porque, aprendi que, se tratando de você, não há exatamente o que eu possa cobrar.

A cabeça repousou sob os ombros alheios, postergando a verdade. As inflexões, mais uma vez, morrendo no céu da boca.

— Mais ou menos, mas, no fundo, isso nem importa, não é mesmo. Enfim, vai mesmo pedir delivery? Eu não quero nada. Só cerveja. Bem gelada. De trincar os dentes. Sabe como eu gosto.

 O fato de que, mesmo que minimamente, Sehun fosse um verdadeiro descobridor de seus gostos, por mais banalizáveis que fossem, dava um centro de centralidade apreciável aos olhos de Baekhyun. Simplesmente saber que alguém, naquele mundo, tinha noção de que prefere cerveja gelada; de que não suporta banhos de chuva; de sua imunidade baixa; de seus indecorosos sangramentos nasais. Ou, até mesmo, de sua teimosia que mais parecia congênita. Sabia que, se tratando de Oh Sehun, havia muito do que lardear sem polidez. Mas ele nunca falhava em lhe compreender em suas nuanças.

O que pode ser entrevisto tanto como uma bonança quanto um pecado.

— É, eu sei. Você tá cansado. Não tem dormido direito, não é? Deixa essa cerveja para o café da manhã. Deveria descansar. Eu não comprei uma cama tão grande para que simplesmente não a aproveite por completo, beleza?

Baekhyun riu baixo. Envolvendo a face de Sehun com o olhar. Aquele rosto que exala a

No fim, nem tudo parecia exatamente perdido. Nem mesmo quando suas pernas falharam ao adentrar o quarto. Revelando o quando o teor famélico anda consumindo nos últimos tempos. Receptando que, as coisas mais óbvias, não detinham lá muita importância para o escopo de Sehun. Mas, ao mesmo tempo, é um perfeito sabedor de que Sehun não detinha exatas obrigações de se preocupar consigo.

Baekhyun nesta vida, esteve derreado pelos decaimentos mais repentinos. Mas, ao mesmo tempo que caía, detinha o poderio de se levantar com uma potência indizível.

                                                                                ...

O branco é antisséptico e cerimonioso. De certo modo, palatável – mas não deixando de ser menos dominativo. O fato é que, nos seus drapeares, ali não é um amatilhado território que se descabreia de conhecimento. A dor é lancinante, despaletada. E seus ossos parecem que iriam se desintegrar e, naquela momentude, é reequacionado ao vazio. Estipula que um segundo seja dado a disparidade de mil. Seu julgamento se torna tão falho quanto sua alma. E se trata apenas da prova que está se descaindo cada vez mais. Em um precipício delirante. 

Baekhyun odeia hospitais. Odeia tanto que prefere sangrar na berlinda do que ter sua via, aparentemente, revitalizada por uma destas ambiências. Porém, está tudo fora de seu controle. Prova disto, é o fato de que está em uma cama de hospital. Em uma daquelas camisolas ridiculamente branqueais. A porra de um paladino. E não adiantaria ser destiloso perante todas as coisas que simplesmente empacha seu corpo se tratando de ambientes hospitalares. Afinal de contas, se o Byun ali remanesce, trata-se de que todos os seus atos detiveram consequências defectíveis; consequências escrachadas de seu estilo de vida destrutivo.

Porém, a última coisa que sua persona nefasta poderia esperar é que, lhe aleitando, estaria Oh Sehun. 

— Que merda aconteceu...? – o tom de voz vierá fraquejado, dementado. Baekhyun estava se sentindo em um carcerário repudiante. A liberdade sempre fora um bem que respaldava com todas as suas forças. Porém, indignamente, está atarraxado a uma cama de hospital, sendo objurgado por aqueles maledicentes orbes escurecidos, imprecados em insipidez.

Sehun. Oh Sehun. Um tiro no escuro. Um apartear carnoso com a morte. O tipo de pessoa que, em hipótese alguma, deveria se dar um voto de confiança. Exatamente o que, diante de tudo e todas as coisas, Baekhyun dará. E ele lhe fita como se você detivesse alguma significância para seu mundo reticular.

A colateralidade de seus lados o levou a estar ali, definhando em uma cama, esfrangalhado em pensamentos desistentes e dispendiosos. E o silencio é perdurante. Baekhyun se permite convalescer na faceta embrutecida de Sehun. Pergunta-se, por um instante ou dois, o porquê dele estar permeando o mesmo espaço que si. Afinal, é de se considerar que, após toda as averbações inconsoláveis, estão na corda-bamba. Sem chance de se alocarem novamente.

No fim, toda a balela de pertencimento mutualista fora mandando para o espaço.  

— Você aconteceu, Baekhyun. Você e sua maldita tempestividade aconteceram. E, olha só onde viemos parar. – o tom de voz veio arrastado. Baekhyun perceptava que, aparentemente, o outro não dormia há horas. Ou se esforçava demais para se arrastar em seus verbetes, rechaçando dos lábios rachados. Em uma mania insuflada de grandeza. Baekhyun queria rir, mas sua garganta ensecada não lhe permitia tal ato. — Poderia ter morrido. Imagino que o curso da terra não se permitiria continuar caso morresse. É esse tio de coisa que se permeabiliza. Morrer em um estado clinico tão falível... Não é o tipo de coisa que toda gente deste mundo pode se orgulhar, assim, de mão beijada.

As palavras do Oh ricocheteavam em sua mente. Em toda a sua estada – ou, melhor, em toda sua vida – tudo fora incrivelmente passadiço. Nada simplesmente remeava dentro de si. E, de todos os momentos que se encravam em sua alma, o ar passadiço dos orbes alheios é que o pestearia. Não eram a branqueza do seu quarto de hospital que calcificaria em sua mente. E, sim, o petrume dos orbes de Oh Sehun. Vingantes de toda a falta de sentimentalidade que o inunda. 

 — Ora, ora, veja só quem acordou. Nosso ilustre paciente da unidade semi-intensiva. Acordou mais cedo do que expectávamos. Seu estado não era realmente um dos melhores, devo ressaltar. Desidratado, extremamente abaixo do peso, sinais paranoides. Seu companheiro foi bem eficiente em lhe trazer para a emergência. Descreveu seu estado de forma bem cirúrgica, por assim dizer.

Os ditos na língua estrangeira ricochetavam sua mente, díspar do que realmente confabulava. Baekhyun apenas gostaria de ser um sabedor de quando daria o fora daquele reduto. De quando poderia respirar o ar puro, se deixar desenganar dos braços ociosos de Sehun. Daquela realidade tão indignante. Seu pecante mais consumptível. Mas o tom da médica pontuava que a última coisa que poderia estar disponível se trata de se livrar daquele quarto de hospital. Novamente, se encaminha para uma rotação disposta a lhe lançar para metros carvoentos para debaixo da terra; sem a menor chance de retomada.

— Está sentindo uma dor terrível na garganta, presumivelmente. Sugiro que evite a fala. O tubo induzido realmente incomoda nesta regiões. – os mirantes foram aguantes sob a prancheta em sua mão — Temos uma unidade perfeitamente adequada para lhe comportar, Sr. Byun. Há esperança no que, supostamente, deveria ser o final do caminho. É apenas o estratificar de uma nova era para si. Agora, se me dão licença, creio que deveria descansar. E refletir sob seus atos.

O tom polido, mas impessoal, se findou. Baekhyun não se viu aliviado. Não quando Sehun empertigou a postura, adomado por si só no instante em que a médica seguirá seu rumo.

— Eu te disse que não poderia ir embora. Não vou deixar que se cauterize nos encalços da morte. A menos que seja por minhas mãos. Agora, tanto fisicamente quanto em cunho geral, vale menos do que nada, Baekhyun. Como se sente em saber que é tão malditamente manipulável? Que, até quando está tentando se refazer, tudo decaí para cima de si? Sinceramente, eu teria vergonha.

Portas fechadas. Engatilhar. Aquele velho revólver, praticamente western. Tudo é efêmero.  

Vazio. Malditamente vazio. O pesadelo nunca acaba.

 

 



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