1. Spirit Fanfics >
  2. O amor está fora de questão? >
  3. Entre a desordem e o imprevisível;

História O amor está fora de questão? - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Boaa leitura. ^^

Capítulo 3 - Entre a desordem e o imprevisível;


Fanfic / Fanfiction O amor está fora de questão? - Capítulo 3 - Entre a desordem e o imprevisível;

— Nós conseguimos chegar até lá mas fomos praticamente os últimos a nos apresentar. — Taemin falou, logo que chegaram a frente da casa de Key.

— Tudo bem, ninguém imaginava que fossemos nos atrasar, estava tudo certo antes, mas na hora não saiu como esperávamos. — Key respondeu calmo, ele queria com antecedência quebrar o climão do qual sabia que se instalaria entre os cinco ainda dentro do carro. Eles tinham muito o que conversar sobre os acontecimentos recentes.

— É verdade, às vezes não podemos ter controle de tudo. — Completou Jonghyun na sequência, enquanto Minho e Onew ainda permaneciam em silêncio, ouvindo o que estava sendo dito.

— Eu vou entrar. — Key pronunciou ao passo em que abria a porta do veículo. Estava cansado, pularia aquilo, deixaria para outro dia. — Vocês mandaram bem, animem-se! — Sorriu sem mostrar os dentes olhando para cada um.

Minho suspirou, ele estava com as mãos apoiadas no volante, tentando ignorar que: sentia-se exausto, ainda pensava no incidente que encarou no começo da noite e, que parecia ter fracassado mais uma vez quando tinham uma boa oportunidade.

— Vão pra casa, devem estar com sono. — Enfim saiu do carro a fim de entrar na própria residência.

— Está bem, tenha uma boa noite. — Se despediu Onew, após por a cabeça um pouco para fora da janela do banco do carona, para o amigo ouvi-lo antes de entrar na própria casa.

Minho deu partida no carro, direcionado para onde cada um deles deveriam ficar, ainda na noite que estava fluindo mais exaustiva que divertida, e que estranhamente parecia que a todo momento, aleatoriamente, algo daria errado e teriam que enfrentar.

— Estão chateados? — Questionou o mais velho, quebrando o silêncio que mais uma vez se instalou entre eles. — Apesar de não termos cantado aquelas músicas sem energia e sem vontade, desde que saímos de lá, vocês estão falando absolutamente nada.

— Estamos cansados... Talvez por isso não queiram falar, não é? — Dialogou Jonghyun, enquanto buscava visualizar a feição de um por um no automóvel.

— Não, Jonghyun, mesmo cansados... Nós nutrimos a energia depois do palco, conversamos e vejo vocês sorrindo um para o outro.

— Mas, Onew, hoje não parece ser uma noite pra isso. — Interrompeu Taemin, sendo muito sincero.

— Certo, vou recapitular. — Começou Minho, puxando o ar dos pulmões por dois segundos. — Nós conseguimos chegar lá depois de toda a agonia e estresse que eu passei naquela rua tentando voltar com o carro. E eu posso estar sendo ingrato, mas não sei mais o que dizer além de perguntar a vocês: cantamos para quantas pessoas? — Questionou, falando tudo tão velozmente que todos estavam atentos a cada mera palavra dita por ele. — Quanto conseguimos fazer? Nós nem... Chegamos na hora certa, nem vimos os artistas que queríamos ver hoje. Fora o fato de termos cantado e tocado por um momento, o resto deu errado. Deu tudo errado, praticamente.

— Você está se precipitando. — Onew o parou por alguns segundos. — Eu entendo seu desabafo, nós somente cantamos e tocamos. E não é isso que quer fazer? Sei que sonhamos com uma noite brilhante onde teremos reconhecimento, mas, por enquanto, Minho, essa é a melhor realidade que podemos ter dando tudo de nós.

— Eu estou sendo verdadeiro, Jinki. Tão honesto agora que me dói por dentro. Escuta, eu sinto que isso caiu em mim como um temporal que me impede de fazer o que eu preciso. Você não sente nada diante dessa situação? — Indagou olhando indignado para o mais velho.

— Key te repreenderia por falar nesse tom com ele. — Taemin comentou sincero com a voz calma, mas convicto do que dizia.

— Vai ser melhor se conversarmos em outro momento... — Minho quis dar fim a discussão, que viraria uma bola de neve se passasse dos limites. Onew não cederia ao seu momento de estresse, e ele acabaria ficando ainda mais chateado por não entenderem um ao outro. — Chegamos, vocês podem ir pra casa.

— Certo, pessoal, precisamos descansar, vocês fizeram bem hoje. — Jonghyun foi o primeiro a abrir uma das portas, anunciando sua partida.

Onew aceitou o pedido de Minho aquela noite, ficaria preocupado, pensativo, porém, era muito tarde para terem qualquer conversa onde iam expor sua ideias, aquilo precisava de calma e disposição. Não se tem conversas difíceis quando está de cabeça quente.

— Minho — Chamou ao tocar um de seus ombros. —, eu entendo que queira conversar em outro momento, mas não se massacre enquanto isso, está bem? Nada é culpa sua, nem nossa. Todos passam por situações agonizantes. — Saiu do carro e virou as costas, deixando Minho imerso em sua própria mente, querendo ver  todos os maus pensamentos que contrariavam Onew se dissiparem por inteiro, porque ele deveria estar certo, Minho talvez estivesse se precipitando. Parecia que o outro lia sua mente, sabia o que sentia e o que mantinha dentro do coração. Sempre dizia palavras que o fazia refletir quando passava por momentos complicados, e ainda por cima aparentando estar muito calmo toda vez que realizava isso. Talvez ele gostasse muito de ser atencioso, ou se preocupasse tanto que não conseguia sair em silêncio, ao contrário de Minho, que não proferiu uma só palavra após o observar partir.


[...]


Alguns dias se arrastaram, e houveram ainda os poucos que passaram-se de forma ágil, trazendo a tona o no qual encontraram-se os cinco para ensaiar, passar um tempo juntos, e fazerem o que tinham para criarem juntos, afinal, o shinee –  nome que escolhiam chamar sua banda – era composto por garotos amigos um do outro, e que tinham a música como uma paixão em suas vidas.

“O luar está surgindo
eu estou indo até você antes que seja tarde
eu vou segurar você
imaginando quão surpreso você ficará
eu estou indo até você, eu estou indo até você
sem uma razão, estou indo até você”

Cantavam em uníssono a parte da música que daria início ao refrão, good evening era a intitulada, que agora estava sendo ensaiada nas vozes harmoniosas dos cinco.
Eles nunca faziam aquilo sem um sorriso no rosto, sempre fora espontâneo, inclusive a energia que prevalecia ali, e fazia os corações pulsarem.


— Jonghyun está ainda melhor no vocal. — Key elogiou, após largarem os instrumentos, e decidirem dar uma breve pausa no ensaio.

— Key não está mentindo por agora, mas deixa eu falar, está sempre elogiando a voz dele, isto não é novidade. — Minho disse rindo ao observar Key rolar os olhos e direcionar sua careta ao mesmo, achando graça junto em seguida.

— Obrigado, Kibum, e você que é muito talentoso. — Jonghyun sorriu dessa vez olhando para Key.

— De nada, e não precisa me chamar de Kibum.

— Tá com vergonha, é? — Questionou Minho ao outro que, caíra na brincadeira muito fácil. Ele adorava brincar com Key e vê-lo de bochechas vermelhinhas tentando retribuir as afrontas de volta.

Os três riram daquela troca amorosa e debochada, que acontecia em momentos muito aleatórios.

— Ela piorou? Estão no hospital? Tudo bem, eu vou agora. — Taemin, que afastou-se ao retirar o celular do bolso do qual vibrava anteriormente, mantinha o aparelho na orelha, agora ouvindo o que lhe era dito atentamente, do outro lado da linha.

— Pessoal, eu preciso ir. — Avisou após desligar a chamada, e arrumando apressadamente o instrumento na case. — Minha irmã está no hospital, ela passou mal. — Ergueu o olhar e o desviou rapidamente, dos que obtiveram feições assustadas ao ouvirem ele.

— Liga pra retornar como ela está. — Disse Onew, rapidamente, antes de o ver sumindo de suas visões a passos largos, nos mesmos segundos em que os quatro ainda estavam com a boca no formato de um perfeito “o” porque souberam da notícia a mais ou menos um minuto, e Taemin já não estava presente ali.

O que não se encontrava mais com os outros, correu até a rua, chamando o primeiro táxi que avistou pela frente, do qual felizmente conseguiu parar.
Durante a viagem, estava tão ansioso que roía todas as unhas de seus dedos, ele queria ficar mais relaxado, porque aquele poderia ser um momento delicado, mas estava tão preocupado com Somin que, não conseguia ficar quieto. Sua mãe estava desesperada quando atendeu ao telefone, e ele agora, ficara assim também.
Entrou no hospital, pisando fundo com seus sapatos, indo até a recepcionista, que o comunicou em seguida onde a irmã estava. Não demorou muito para que chegasse até a sala em que sua mãe encontrava-se, abatida e aflita, observando Somin que dormia na cama de hospital. Ele respirou fundo, dirigindo-se para dentro.

— Como ela está? — Questionou.

—  Tomou todos os remédios que os médicos puderam passar, e dormiu, teve vômito de novo e estava com dor. Suspeitam que ela esteja com uma hérnia umbilical, mas o resultado dos exames ainda não saiu... — Suspirou, e por alguns segundos, fechou os olhos. — Por enquanto, eles disseram que, quanto antes soubermos o que ela tem, melhor para poderem fazer algo. — A mulher olhou para a criança tão quieta na cama do hospital, que dormia muito profundamente, e passou as mãos lentamente nos seus cabelos. — Eu penso em todos os motivos que puderam levar ela a estar neste estado agora, como pude deixar isso acontecer?

— Mãe, ela sempre foi uma criança saudável e muito esperta, nós quase nunca a trazemos aqui. Não fazíamos idéia de que isso poderia acontecer agora.

— Eu deveria estar sempre olhando por vocês, Taemin, meu mal é ser uma mãe tão desatenta. Meus filhos adoecem e eu não sei o que fazer, fico perdida de preocupação e tristeza. — Começou a chorar baixinho após dizer.

— Por isso você precisa ser forte e não deixar esses pensamentos te colocarem em um poço sem fundo, você está aqui com a gente agora. Olha, a Somin vai acordar e irá ser tratada novamente, igual quando ela nasceu. E nós ainda temos o resultado dos exames, não está tudo perdido. — Taemin disse a ela enquanto se ocupava a sentar-se ao seu lado.

— É, tem razão. Eu preciso ser forte. Ela vai ficar melhor. — Limpou as lágrimas do próprio rosto. — E você, desde quando está tão bom conselheiro? Está preocupado com ela também, não é? — Questionou.

— Eu cresci, mãe, já sou maior de idade. E eu estou preocupado, mas não devemos nos desanimar, agora, sabia? Temos que ter esperança para que tudo corra da melhor forma possível. Isso vai nos manter de pé.

— Meu garoto está grande mesmo, ficou tão maduro... mas sempre vai ser meu bebê! — Apertou suas bochechas.

— Tudo bem, tudo bem. — Afastou as mãos dela de seu rosto. — Não sou mais bebê, quando você vai parar com isso? — Fingiu estar chateado, e a viu sorrir.

— Não vou parar, Taeminnie!

— Está vendo? Não deve permanecer pra baixo. A Somin ficará bem, então não se culpe. — Chamou a atenção da mais velha, ignorando mais um vez o fato de que era tão mais novo que ela para falar naquele tom – que não havia a intenção de ser desrespeitoso, mas para algumas pessoas poderia soar como. – e também que estava tão preocupado quanto a mesma.  — Inclusive, quando sai o resultado dos exames?

— Vai sair hoje ainda. Disseram que assim que tiverem os resultados, dirão o que vão fazer quanto ao estado dela, então não podemos ir para casa. — Falou, no momento em que Taemin calou-se.

—  Vou ligar para os meninos e informar sobre ela, eles estavam preocupados. — Afirmou passando uma das mãos pelas costas da mulher, e levantou de onde ficara sentado antes de retirar o telefone do bolso.

Discou o número ao afastar-se das duas, não queria trazer o barulho para dentro de onde a mãe e a irmã se encontravam agora.

— Oi, Onew, sim, minha mãe já ouviu dos médicos sobre o estado da Somin. — Deu a notícia após responder ao outro, que havia perguntado se ele estava bem assim que atendeu a chamada.

— O que eles disseram? Vocês não podem trazê-la para casa? — Indagou Onew.

—  Eles suspeitam de algo, só saberemos realmente com os exames que irão sair hoje, mas ainda não temos em mãos, nós estamos aguardando ela acordar, espero que não sinta muita dor...

— Entendi, quer dizer que vocês vão ficar aí essa noite, certo? Assim que pudermos iremos até vocês, eu vou dizer aos outros sobre Somin. E ei. — Deu uma pausa. — Espere por nós, a sua irmã vai ter um bom resultado. Não fique muito assustado, você está?

— Eu estou. — Respondeu Taemin. — Mas, obrigado pelas palavras e pela sua super proteção em alguns momentos, Onew, só em alguns momentos mesmo. Às vezes você é muito sentimental.

— Seu moleque, estou apenas tentando te confortar! —  Onew exclamou com sua voz em irritação, quase repreendendo o outro, só não conseguiu segurar e riu acompanhado dele. — Mas, sério, Taemin, vocês são fortes, vai dar tudo certo.

— Tá bem, obrigado de novo, Onew. — Disse com a voz calma. — Nos vemos depois, tchau. — Disse e em seguida o ouviu dando adeus também.

Desligou-se do celular voltando a realidade do quarto de hospital. Ainda teriam com o que lidar, com certeza, e ele pedia mentalmente e fielmente que melhorasse e não piorasse, por mais que sua irmã e mãe fossem uma das razões de se sentir reconfortado, assim como seus amigos que o apoiavam e o apoiariam até onde pudessem, sentia que aquele ainda seria um longo dia para se fazer o que estava por vir, mas ele não sabia nem em muitos e nem em poucos detalhes o que poderia estar vindo em sua direção. Estava no presente, e o futuro era uma incógnita, faria planos, agiria, porém, ainda desconhecia tanto, de boas situações, e das ruins, as quais sabia que viveria, só não o exato momento e o que viria com cada uma delas.

[...]


— Hana, como vou poder voltar a faculdade neste estado? E o café? Meu Deus, vou ficar sem emprego e poder estudar. — Luna proferiu, com os olhos arregalados, após lembrar-se dos afazeres que não cumpriria por vários dias, pois havia sido atropelada, estava machucada e com um gesso no braço que necessitava de cuidado.

— Ei, você pode resolver isso em outro momento! Eu já fui na faculdade e dei a notícia para o pessoal do café. Você não precisa se preocupar.

— Sério? Nossa, eu não sei nem como agradecer, vou ficar te devendo essa, muito obrigada. — Deu seu melhor sorriso para a outra.

— Não precisa me agradecer, tem que ficar boa logo, pra podermos ir para casa.
Que susto você nos deu, eu ia te repreender logo quando acordou mas você ainda estava muito debilitada. — Hana confessou.

— Não se preocupe, eu já posso até andar. — Falou, enquanto remexia as próprias pernas em cima da cama, para mostrar que estava certa do que havia acabado de dizer.

— Você pode, mas tem que ir devagar até tirar esse gesso do braço, não faça muito esforço.

— Eu já estou bem, você tem que relaxar, não foi tão grave assim.

— Não foi tão grave? Você foi atropelada. — Reclamou indignada. — Por isso deixe cuidarem dos seus ferimentos agora, e fazermos por você. A Yerin disse que vai passar aqui, pra te ver e trazer algo para comer.

— Vocês estão sendo solidárias demais, eu não necessitava de todo esse cuidado.

— Já vi que agora não vai desistir dessa idéia, não é, Luna? Mas eu não vou acatar isso, e vamos continuar tentando cuidar de você. Não discuta.

A outra apenas suspirou e sorriu pequeno, sem mostrar os dentes, para Hana. Luna não apreciava discussões, ela também não achava que com a amiga, tinha vontade o suficiente de discutir para entrarem em uma, então só ficaria calada, naquele momento. Porém, o silêncio durou cerca de cinco segundos até ouvirem o barulho da porta do quarto de hospital se abrir, em seguida vendo a figura da mulher, que entrou sem nem bater, antes de girar a maçaneta.

A que estava na cama, moveu-se desconfortável, e sem vontade de manter contato visual com a mãe, que tomou espaço do lugar.

— Eu vou lá fora procurar algo para tomar. — Hana falou, levantando-se, e saiu pela porta.

Luna ainda permanecia sem dizer nada, mas ergueu o olhar para Seongja, que já a observava há minutos.

— Como você está? Eu vim nos primeiros dias te ver, Daniel esteve aqui pela última vez ontem, mas só a viu dormindo. Ele não veio agora junto de mim porque precisa estudar. — Deu início a conversa.

— Estou ótima. — Luna não tinha nem vontade de abrir a boca na hora, o que proferiu saiu em automático. Lembrava-se de tudo, a última pessoa que viu antes de ser atropelada foi aquela mulher que agora dividia o quarto consigo. Se dissesse que trocar palavras com ela, por menores que fossem, não estava sendo sufocante, estaria mentindo.

— Eu trouxe comida pra você, me autorizaram no hospital. — Mostrou as vasilhas de tamanhos diferentes, a incentivando a visualizá-las. — Daniel quer passar aqui quando terminar com o que está ocupado, então você pode esperá-lo.

— Eu estou bem, não tem com o que se preocupar. — Respondeu simplesmente, nem dando atenção para a refeição que ela havia estendido para si.

— Você está chateada comigo? Lembra do que te aconteceu antes do incidente?

— Eu estou melhor, você não precisa perguntar mais. — Disse em seguida, e suspirou em busca de ar. Sua paciência não deveria se esgotar tão cedo, ela não tinha que ceder a irritação. Mas estava incomodada.

— E você não lembra do que aconteceu antes do atropelamento? — Perguntou mais uma vez, com os olhos mais grandes que o normal.

— Eu não quero conversar sobre isso, então você pode ir. — Quebrou contato visual, porém, o ergueu ao continuar a falar. — Eu vou ter alta logo, só avise Daniel para não se preocupar.

— Não vou forçá-la a dizer o que está sentindo, da última vez, não tivemos um bom resultado para você. Estou de saída. — Enfim andou com destino a sair do local, trazendo alívio a Luna que permanecia sentada no mesmo lugar, fingindo que lembrar da briga que tiveram antes do incidente não havia se tornado uma lembrança ruim, e se juntado a recordações massacrantes.

— Não sei o motivo de ainda sentir tanto por isso, eu deveria simplesmente ignorar. — Conversou consigo mesma, sentindo um enjoo que a trouxe uma careta em reprovação, o cheiro daquele ambiente estava a sufocando, e o que a tirou dali foi justamente isso, precisava de ar.

Sair do quarto, provavelmente não seria o bastante, pois de fato, inalar todo o cheiro que o hospital inteiro exalava em uma mistura, a deixava zonza. Procurou por uma área onde pudesse ter um ar mais puro, e já havia visto a parte da clinica onde haviam algumas árvores, consequentemente aquela área não era coberta de um teto, seria perfeito já que não podia simplesmente se dar alta e sair pela rua só porque não aguentava mais o que aquele lugar emanava. A princípio, não tinha certeza nem se podia sair do próprio quarto sem um acompanhante. Ela não encontrou Hana, e talvez fosse até melhor, não queria dar trabalho.

— Ai, caramba. — Reclamou antes de chegar a escadaria. — Como vou descer com esse soro? — Perguntou-se com a voz baixa e chorosa, ela não iria voltar e procurar um elevador, poderiam a ver e levá-la para onde estava anteriormente, não arriscaria.

Se aproximou da escada, visualizando as costas de um garoto, que estava sentado bem nos últimos degraus. E pronto, além de lutar para chegar ao fim dela sem cair, caso acontecesse de se de desequilibrar por estar segurando o suporte só com uma mão, a qual tomava o soro, ela teria que pagar o mico na frente de alguém. Era só sair dali e achar onde pudesse ficar um pouco sozinha, mas estava sendo mais difícil do que imaginava.
Sentia o estômago embrulhar, mas iria descer, precisava prosseguir, não estava segura totalmente de que não colocaria o que nem tinha nele, para fora.

Colocou os pés no primeiro degrau, fazendo um barulho ao trazer o suporte para perto de si, o garoto sentado nos últimos degraus se moveu muito rapidamente ao ouvir o som, e a encarou com os olhos muito pretos arregalados, obtendo logo após, uma feição em alívio, talvez momentaneamente tenha se assustado. Luna decidiu não sustentar seu olhar, e pôs os pés no segundo degrau.

— Ei. — Ele chamou. — Você precisa de ajuda? Eu posso levar o suporte pra você.

— Não, não, obrigada. Eu consigo descer. — Sorriu em um flash tentando o convencer nervosa, pois queria sair dali, mas tinha risco de cair e machucar, e ele era um total estranho que se propôs a ajudá-la, sem questionar o porquê de não ter pego o elevador.

— Você poderia descer de elevador. — Falou como se tivesse acabado de ler sua mente.

— Não está funcionando? — Indagou aproximando-se dela.

— Não está. — Disse ligeiramente, mentindo, então acabando por ouvir passos vindo na direção dos dois.

— Meu nome é Lee Taemin, se quer mesmo descer eu posso te ajudar e — Luna o cortou a fala, puxando seu braço enquanto pedia ajuda, seria seu fim caso a descobrissem andando sozinha por ali, os passos que vinham para perto de si, na escada, eram de dois funcionários do hospital, ela teve certeza quando olhou pelas costas.

No final das contas, Lee Taemin a ajudou, os funcionários não questionaram o porquê de ela estar ali. O garoto foi um bom disfarce, já que era normal ver acompanhantes andando com pacientes na clínica, e ele não era bem isso pra ela, mas foi o jeito que achou para sair da situação, fingindo que era.
Sentiu receio de aceitar logo quando ele ofereceu ajuda, afinal, estavam só os dois na escadaria antes dos funcionários chegarem perto, e sempre dizem para não acatar seja lá o que for de estranhos, por mais que esse estranho seja um jovem com um rosto bonito e saudável.

Acharam rapidamente o local que Luna procurava no hospital, ele a seguiu, só não no mesmo tempo, e ficou andando quase em círculos em uma parte do lugar quando chegaram. Luna sentou-se em um dos bancos desocupados que havia lá. Nos outros, haviam algumas pessoas juntas.

— Você não tem nenhum um amigo ou parente aqui no hospital com você? — Perguntou a Luna, enquanto se aproximava. Ocupou um banco que não era colado ao seu, mas próximo o suficiente para os dois se ouvirem, sem terem que levantar a voz. Ele não estava perto a ponto de deixá-la desconfortável com a proximidade, e parecia fazer de propósito.

— Eu tenho, mas decidi vir aqui sozinha. — E como quase sempre que trocava palavras com estranhos, se comunicou como quem não queria prosseguir com a conversa.

— Você pode sair do seu quarto? — Questionou desconfiado. — Não tem risco de sofrer algo por estar aqui fora?

— Não estou, como eu disse, apenas decidi vir aqui sozinha. — Mentiu dessa vez, na parte onde dava a entender que não a repreenderiam por ter andado tanto, sozinha até aquele lugar.

— Tudo bem. — Ele sorriu, de uma forma que fez seus pequenos olhos encolherem ainda mais. Era fofo, e dava vontade de apertar suas bochechas. Mas, é claro que Luna não faria aquilo, nunca. — É sufocante lá dentro. — Completou.

— É mesmo. — Respondeu, distraindo-se enquanto sentia a brisa bater em seu rosto. Havia chegado até lá com tanta pressa que nem notou quando o enjoo cessou. Não queria voltar para dentro, queria mais do que nunca naquele dia, estar de volta ao apartamento, porém, no estado em que estava, essa não poderia ser uma opção.

— O que aconteceu para você precisar estar aqui? Seu rosto está machucado. — O garoto proferiu após um tempo em silêncio, e talvez ele tivesse a mesma energia que Yerin, e não fosse incomum na parte de questionar, Luna pensou, e na mesma intensidade ela não achou ruim, algumas pessoas são curiosas, ela era em vários momentos, mas acabava não fazendo perguntas aos outros, por medo de incomodar.

— Se está perguntando a causa de eu estar no hospital, é porque eu fui atropelada há alguns dias aqui em Seul, por esse motivo meu rosto está machucado.

Ele a olhava com atenção mas fez uma careta que transparecia surpresa, assim que ela terminou de dizer.

— Espera, seu atropelamento foi perto da rua de uma sorveteria na noite em que haveria um evento público na praça central? — Disse tão rápido que ela precisou de alguns segundos para processar o que ele havia falado. — Desculpe, talvez você nem lembre de tudo do incidente. — Se corrigiu.

— Eu lembro, foi perto da sorveteria e nessa mesma noite. — Respondeu, receosa, mas com o propósito de fazê-lo não sentir-se culpado após ter questionado.

— A notícia correu, e um dos meus amigos estava perto quando aconteceu, indo a caminho de mim e nossos outros parceiros, iríamos nos apresentar na praça aquela noite. — Informou-a, não fazendo questão de dizer que Minho ficou preso entre os vários carros que tiveram de ficar parados no local do acidente. — Que coincidência.

— Vocês iriam se apresentar na praça central? — Indagou, após ouvir ele, não havia conseguido segurar aquela pergunta.

— Sim, nós temos uma banda. — Sorriu ao respondê-la, ele parecia feliz ao recordar-se. Mas desviou o olhar de si, logo após notar que o celular vibrava no bolso, ao mesmo tempo.
Taemin o pegou, e após desbloqueá-lo, leu a mensagem de Jonghyun, que o informava sobre já estarem os quatro no hospital. Ele levantou de onde estava sentado, e se direcionou para ainda mais perto da garota.

— Eu notei que você se comprimiu em uma feição de dor, e quase vomitou enquanto vínhamos para cá, só relaxou quando chegamos aqui. Você precisa de cuidados, então vá até aqueles enfermeiros — Apontou para os que estavam no mesmo local. —, e diga que precisa de ajuda, tem vários aqui que, podem te dar apoio. Eu preciso ir. — Ele falou, ao passo que a via manter toda a sua atenção em si, que ao olhar de Luna, parecia tomar todo o cuidado do mundo ao proferir aquelas palavras.

— Está tudo bem.

Taemin a entregou um pequeno cartão. Havia números, e algumas palavras, sendo “SHINee” a que parecia ser a logo, destacada entre todas elas.

— Se você quiser achar nossa banda, neste cartão tem informações. Adeus. — Virou as costas após dizer, deixando a outra confusa, e sem reação.
Ela viu ele ir para dentro, em direção a um garoto, que Luna enxergou de longe, ele tinha cabelos prata e uma pele que reluzia. Ela de fato avistou de longe, mas ele estava muito bem vestido, deduziu isso pelo tempo em que ficou olhando, e se estendeu até vê-lo sumir de sua vista.

Aquela sensação era nova, ela não ficava observando os outros assim, como se estivesse tentando decifrar um quadro num museu, totalmente paralisada, porém a aparência dele a intrigou, e ela não queria acreditar nisso. Então, ligeiramente decidiu que iria pedir a ajuda de alguém como Taemin havia sugerido, mas não realizou tão rápido quanto pensou, afinal, Hana havia descoberto sua fuga de dentro do quarto para tomar ar, ela estava perto de alcançar Luna, caminhando em sua direção com a cara de quem pergunta o que está havendo, mas não esboçava em nada estar brava.

Havia sido uma longa tarde, ela quase adormeceu enquanto esperava a outra, se sentia mais leve, contudo sem energia o suficiente para realizar o trajeto inteiro que tinha cruzado, mais uma vez.

[...]


Taemin e a mãe haviam terminado de receber o resultado dos exames de Somin. Havia um diagnóstico, e uma notícia um tanto incomoda para se conversar com os garotos, que esperavam no corredor do lado de fora do quarto.

— Ela precisa realmente da cirurgia, urgente.  — Falou após sair pela porta e avistar os amigos. — Nós esperaremos até isso acontecer, ainda terá a recuperação, mas vamos confiar no trabalho dos funcionários do hospital.

— É necessário vocês serem compreensivos mesmo em um momento difícil. — Jonghyun disse.

— Sim, Onew falou para eu não me preocupar tanto. — Olhou para o outro. — Estou com dor de cabeça, passar por isso é difícil.

— Acredito que a sua irmã logo vai ficar bem e cheia de energia, ela é assim e você também. —Key incentivou.

— É, cara, eu entendo sua enorme preocupação, a princesinha lá no quarto tão quieta, é difícil de encarar, mas assim como você, ela é forte e logo estará saudável. — Dessa vez quem conversou foi Minho, que adorava Somin. E para ele, os dois irmãos eram “duas crianças muito cativantes”.

Onew observava tudo, como fazia de costume. Em alguns momentos ele era o mais calado, pensava bastante antes de proferir qualquer palavra.

A situação obviamente não era uma das melhores, mas, com certeza os cinco estarem juntos enfrentando aquilo ao lado de Taemin, o fazia sentir-se mais forte.

— Você já comeu? — Perguntou ao mais novo, vendo o outro negar. — Era de se esperar que ficasse fazendo qualquer coisa que não fosse isso. Vamos comer.

— Eu quero ir pra casa. — Taemin respondeu a Onew.

— Tudo bem, então compraremos algo para comer no caminho.

Taemin concordou antes de dizer que iria avisar a mãe, falou que iria sair por um breve momento, ele não queria deixá-las sozinhas.

Pegou a jaqueta que estava apoiada na poltrona da qual havia ocupado há alguns minutos, e passou ao lado da mulher, despedindo-se em um instante.

— Tudo dará certo, ela é forte, vai ficar bem. — Abraçou-a, dizendo as únicas palavras que teve forças de proferir naquele momento, porque estava tão despedaçado e ansioso que o que pronunciou serviria de consolo até pra ele mesmo. Se funcionasse.

Os dois viram Somin tão fraquinha e sonolenta aquele dia, o que foi ainda mais estranho, e tão difícil quanto receber a notícia de que ela precisava ficar ali por mais tempo. Ele queria que ela ficasse curada logo, porque aquilo a fazia sofrer, e o fazia sofrer. Aquela criança não parava quando estava em casa, tinha tanta energia que Taemin se perguntava, por várias vezes, se era possível ter a mesma que ela. Ele era jovem, o mais novo do grupo de seus amigos, mas achava que não poderia medir seu nível de disposição com a  dela, sendo alguém muito mais velho.
Acontece que, se questionava enquanto cuidava de Somin, como ela poderia ser tão amável e cheia de vida. E agora, se convencia de que tinha envelhecido o suficiente para ser responsável pela irmã, e para confortar a mãe dos dois, que o deu o colo a vida inteira. Seria, claramente, mais um dia onde tentaria com todas as forças, ser otimista, um dia mais difícil que os outros, tão cansativo que o fazia ter vontade de chorar. Mas não se entregaria ou deixaria levar por pensamentos negativos. Tudo daria certo para Somin, era o que esperaria pelas próximas horas da noite. E foi assim que decidiu olhar e cuidar, de toda responsabilidade possível que lhe surgisse.


Notas Finais


Até a próxima, e stream don't call me, shawol!! ♡♡


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...