História O ânimo que me habita - Capítulo 23


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Categorias Banana Fish, Yuri!!! on Ice
Personagens Ash Lynx (Aslam Jade Calenreese), Minako, Otabek Altin, Phichit Chulanont, Victor Nikiforov, Yakov Feltsman, Yuri Katsuki, Yuri Plisetsky
Visualizações 120
Palavras 2.538
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Esporte, Famí­lia, Lemon, LGBT, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 23 - Defina-se


Fanfic / Fanfiction O ânimo que me habita - Capítulo 23 - Defina-se

YURI

Depois de cerca de uma hora de viagem, o mar no fundo do horizonte finalmente começou a aparecer, junto com o cheiro salgado do vento. A orla era preenchida por uma calçada larga e extensa, onde os poucos turistas podiam caminhar. Também haviam alguns coqueiros e pequenos pontos de alimentação. A areia era fina e a água quase transparente. Gaivotas e pombos também eram comuns alí, fazendo uma cantoria sobre o mar. No entanto, era uma cidade em que quase sempre chovia e, portanto, o céu estava sempre nublado. Hoje não era a exceção. Por esse motivo, ela não era muito visitada, mesmo sendo um lugar maravilhoso. Mas foi justamente por ela ser pouco frequentada que quis trazer Victor aqui, um lugar tranquilo onde poderia ficar longe de qualquer um que o atormentasse, essencialmente a sua mulher. Não o trouxe aqui para que tivéssemos um dia divertido de sol, castelos de areia e ficar pulando onda. Trouxe para que ele pudesse descansar, esfriar a cabeça, pois pelo visto, a discussão tinha sido feia dessa vez.

Já estávamos em frente à praia. Parei a moto no canto da rua, para perguntar a Victor onde ele queria ir. Mas mal havia terminado de estacionar, Victor saiu de cima da minha moto e me entregou de volta o capacete. Logo depois, literalmente saiu correndo em direção a areia, me deixando para trás.

- VICTOR! Espere ai!

Ele retirou seus sapatos apressado e caminhou rapidamente pela areia. E quando chegou bem em frente ao mar, ele gritou. Tinha sido um grito tão alto que até havia assustado um pobre cachorro que passava por perto. Era um grito de raiva, desespero, desesperança. Ele andava em círculos apertando suas mãos contra a cabeça, enquanto chorava. Mesmo longe, até o som do seu choro eu era capaz de ouvir. E de tanto ódio, chegou até mesmo a tacar seu sapato no mar, como se isso fosse adiantar alguma coisa. Será que é uma boa hora eu conversar com ele? Talvez fosse bom deixá-lo um pouco sozinho. Então, liguei a moto novamente e andei pelas ruas daquela cidade praiana até achar um estacionamento vinte e quatro horas, onde deixei minha moto. Até eu ir até lá e voltar a pé à praia, acredito que tinha dado tempo suficiente para Victor se acalmar.

Tirei meu tênis e pisei fundo na areia. Andei até Victor, agora calmamente olhando o horizonte, sentado com as pernas cruzadas. Como esperado, seus olhos e seu nariz estavam rosados. Ao seu lado, seu par de sapatos, sendo que um deles estava completamente encharcado.

- Acho que teremos que comprar outro sapado para você, Victor.

Ao dizer isso, indiquei a ele que eu havia voltado. Enquanto ele permanecia quieto, eu0 me sentava ao seu lado. Seu silêncio era agonizante, mas precisava respeitá-lo. Mas ele não dizia uma palavra, sequer olhava para mim. Eu precisava descontrair esse clima estranho.

 - O dia está bem feio hoje, não é? Olha o tamanho daquela nuvem! Como será que ela consegue permanecer no céu sendo tão pesada? Olhe só aquela outra! Até parece a Macachin! – Victor me ignorava como se eu fosse invisível, além de jogar um olhar desprezível para as nuvens que eu gentilmente apontava. Suspirei pesado ao perceber que se quisesse tirar alguma coisa da sua boca, teria que ser mais direto – O que aconteceu? Por que vocês brigaram dessa vez?

Ficou em silêncio por mais uma vez, quando finalmente decidiu desabafar.

- Por tudo. Eu joguei na cara dela tudo o que estava preso na minha garganta.

- Foi muito sério?

- Até que não. Mas estou a tanto tempo tolerando tantas coisas… Eu meio que explodi. Na verdade, Yuri, Diana desconfiou de mim depois de ter visto uma foto minha dançando naquela boate em que fomos aquela noite. Eu consegui convencê-la de que não estava a traindo, mas mesmo assim ela me proibiu de voltar no Mark's.

- O que?! Ela não tem o direito de fazer isso!

- Sim! Eu sei! Foi por isso que brigamos – não bastava ela ser uma chata, ela precisava ser aquele tipo de mulher que precisa estar no controle da vida de tudo e de todos para que ela própria se sentisse segura. Que ótimo... – Mas não foi só por causa disso que discutimos. Eu fiquei bravo e fui pegar o carro e ir até a sua casa ficar com você. Mas quando cheguei na garagem o carro não estava lá! Diana emprestou o MEU carro sem a minha permissão para aquele maldito do Joe. Duvido muito que meu carro voltei inteiro...

- Quem é Joe?

- É irmão dela. Dupla infernal. Ai eu voltei para dentro de casa e briguei com Diana sobre o irmão dela e ela se irritou de novo. Eu odeio ele, Yuri. É tão insuportável quanto ela. Caloteiro de merda – Então foi por isso que ele havia me pedido para que eu fosse busca-lo – Voltamos a discutir e acabamos vomitando um no outro tudo que a gente se irritou durante todos esses anos. Ah, e aliás, você acredita que ela me deu um tapa na cara, Yuri? – arregalei os olhos. Não estava acreditando que haviam partido até mesmo para agressão física – Meu rosto está ardendo até agora.

- Afe! Você devolveu o tapa, não é?

- Para ela me denunciar de violência doméstica depois? Claro que não, né Yuri! Por mais que eu quisesse, eu jamais bateria numa mulher.

- Aquilo não é uma mulher, é um demônio!

Foi quando Victor riu. Fiquei aliviado. Finalmente consegui fazê-lo rir.

- Pff... HÁ HÁ HÁ! Yuri, não precisa falar assim dela.

- Não ouse defende-la, Victor.

Aos poucos, seu sorriso foi sumindo, voltando ao Victor deprimido de antes.

- Eu não entendo o que está acontecendo, Yuri. Eu... eu gosto dela, embora alguns dias mais que outros. Sempre a tratei tão bem, fui um marido exemplar. Mas não sinto que recebo o mesmo retorno por parte dela. Principalmente nos últimos anos.

- Victor… Se ela te trata tão mal assim, por que não se divorcia? Se separe. Vai viver a sua vida...

A princípio, fiquei em dúvida se deveria tocar nesse certo assunto com ele. Mas precisamos ser francos com pessoas que passam por isso, já que não fazia sentido ficar se iludindo todo esse tempo investindo em algo que jamais daria certo.

- Não é assim tão simples. Não é fácil ter que abandonar todo patrimônio que construímos juntos, toda aquela casa, todas as nossas coisas, toda nossa história e todo esse tempo que gostei dela.  E além disso, não posso deixar de pensar em Yurio. Meus pais são separados e sei na pele que não é nada agradável para os filhos passarem por isso – Concordava, em partes. Se não está dando certo, valia a pena jogar tudo isso para o alto em prol de uma vida mais feliz, na minha opinião. Mas Victor estava certo num ponto: não se tratava apenas dele. Existe Yurio nessa história. Depois de uma breve pausa, ele continuou – Eu vou ser honesto. Não ligo de continuarmos casados. Eu só queria que ela me desse um pouquinho mais de valor.

- “Não ligo de continuarmos casados?” – repeti a frase de Victor, tentando fazê-lo perceber o quanto absurdo era o que havia dito. Quem em sã consciência fica com alguém que não lhe da a mínima? Fiquei irritado e decidi jogar a real da cara dele - Victor, você sabe porque a Diana te menospreza tanto?

- Por que?

- Porque você deixa! – Ele me olhou triste e profundamente ofendido. Victor era o tipo de pessoa que aceita tudo o que a vida lhe entrega, independente se era algo bom ou não. Ele não se revolta, ele não luta pelo o que ele quer. Desse jeito, ele nunca sairia do mesmo lugar e continuaria nesse marasmo de sempre – Sabe Victor, você não tem uma personalidade muito forte. E isso faz com que mesmo inconscientemente as pessoas se impõem sobre você. E você tem que saber retrucar, sem necessariamente ter que brigar. Não que eu não tenha gostado que você gritou com a Diana. Honestamente, eu adorei! Mas você não precisa gritar toda vez que quer se impor. Existem maneiras de fazer isso. Sabe... Corra atrás do que você quer! Se cair, levante! Segue em frente! Faça alguma coisa! Pare de se acostumar com o que não te faz feliz.

Decidi calar a minha boca quando vi seus olhos se encharcarem. Talvez tenha exagerado. Mas fiquei internamente muito irritado.

- Acho que recebi outro tapa na cara...

Dito isso, ficou em silêncio, processando a minha bronca. E fiz o mesmo, porque estava bravo. Victor era um homem intrigante. Como poderia ser mais velho que eu e era eu quem dava lições de vida? Olhei para ele de canto, enquanto ele continuava a observar o mar. Sua testa estava franzida e seus olhos semiabertos. Estava bravo comigo? Eu precisava ter sido franco... No entanto, ao olhar sua expressão, senti meu peito bater forte. Victor estava passando por dificuldades. Talvez eu não precisasse ter dito dessa forma.

- Victor...

- Hm?

- Eu não quis ser grosso.

- Tudo bem... É bom ter você comigo, Yuri. Para me dizer umas verdades e me por na linha quando necessário. Obrigado.

Me afundei profundamente nos olhos de Victor, me surpreendendo com a sinceridade com que dizia isso. De certa forma, me senti importante. Eu só queria que ele ficasse bem. Me perdendo em seu olhar e ele fazendo o mesmo com o meu, quando vi, meu rosto estava bem perto do dele. Eu nunca havia o beijado num contexto que não fosse... sexual. Então, isso era estranho. Mas eu nem pensei muito nisso. Estava já em transe devido a tamanha proximidade, querendo cada vez mais que o espaço entre nós diminuísse até o máximo. Estava prestes a sentir o calor proveniente da sua boca.

E aí o celular dele tocou. Ódio. Victor se afastou, buscando seu celular nos bolsos do seu grande casaco. Ao olhar a tela, pude ver quem o chamava. Era Diana.

- AH, NÃO! – gritei, em reprovação – Não é possível! – arranquei o celular das mãos de Victor e o taquei para o mais longe que a minha força fosse capaz. O aparelho rolou sobre a areia, bem longe da gente.

- Ta maluco, Yuri? E se caísse dentro da água?

Antes de deixar Victor brigar comigo, agora agarrei seu rosto e bruscamente o trouxe para perto de mim. Foi um beijo forte e imóvel. Victor estava assustado, mas aos poucos relaxou. E eu esperava a minha raiva ir embora com o toque dos nossos lábios. A única coisa que se mexia era nosso peito, respirando o máximo de ar que conseguia para dar conta daquela deliciosa sensação.

Nossas bocas se separaram e nossos olhos se abriram. Eu não estava satisfeito. O jeito que Victor me olhava me fazia deduzir que ele também não. Por isso, não hesitei em juntar nossas bocas mais uma vez. Um selinho daqui, outro dalí e gradativamente fui sentindo seus lábios massagearem os meus. Nem era um beijo de língua e meu corpo já sofria reações que estava completamente fora do meu controle. E para piorar, Victor mordeu a minha boca, suave e torturante como nunca havia feito antes, até que meu lábio se livrasse dos seus dentes. Diana era burra. Ela sabia o que estava perdendo? Tudo bem. Sobrava mais Victor para mim.   

Os seus toques e gestos eram sedentos por carinho, sedentos por suprir uma carência que há anos estava aprisionados no seu coração. Eu não o julgava por nenhuma de suas atitudes, afinal, ele era apenas um ser humano, que como todos os outros, queria ser amado.

Depois de um tempo, chegou a vez de nossas línguas trabalharem à medida que o beijo de intensificava. Pressionei minha mão sobre a nuca dele, tentando fazer com me beijasse mais fundo. O que aquele beijo? Que insano... Que delícia... Foi o beijo mais lento que já presenciei. Além disso, ventava muito forte naquela hora, fazendo nossos cabelos voarem e fazerem cócegas na nossa pele. Também sentia um arrepio descendo pelas costas, mas não tinha certeza se era o vento frio ou o toque enlouquecedor de Victor.

E durante um momento do ato eu me afastei. Senti um gosto salgado na boca e, quando notei, era uma lágrima de Victor que havia invadido nosso beijo.

- Ohn, meu querido... Não chore – eu disse, limpando seu rosto – Não tem porque ficar triste por causa dela. Eu estou aqui.

- Não é só por causa da Diana que estou assim, Yuri – Victor voltou a chorar, soluçando algumas vezes – Durante a viagem até aqui, estive pensando. Nunca imaginei que explodiria daquela forma. Gritei com a Diana por horas. Eu nunca havia brigado com ninguém antes. Não soube reagir a essa situação nova que me apareceu. Eu também tinha certeza que a amava muito e agora não tenho certeza mais. Também sempre soube que seria fiel e cá estou eu. Estou agindo de forma tão distante dos meus princípios que... Nem sei mais quem eu sou. E quando paro para tentar pensar na definição de mim mesmo, não gosto do que vem a minha mente.

- Você não gosta de quem você é? -  perguntei, enquanto escondia mechas do seu cabelo atrás de sua orelha.

- Não é que eu não goste de mim. Não gosto do que me tornei. Quando tinha sua idade, Yuri, eu era tão cheio de energia, fazia tantas coisas... E agora, olhe só pra mim! Só trabalho e fico em casa, trabalho, casa... Brigar com Yurio e aturar as frescuras da Diana. E depois tudo de novo e de novo... Eu ando cansado, Yuri, cansado de tudo isso. E sobre aquilo que me disse, você tem toda razão! Eu aceito tudo sem me revoltar. Sou tão submisso a tudo e a todos e por isso não consigo mostrar quem sou de verdade, assim como as coisas que quero fazer ou dizer. E o pior de tudo, é que a cada dia que passa eu me sinto mais vazio. Se não há nada dentro de mim, como poderia me definir?

Fiquei em choque. Não apenas porque não esperava esse desabafo, mas porque eu sabia exatamente como ele se sentia. É uma merda não saber quem você é, ou saber e não conseguir se expressar. Ficamos nos sentindo presos almejando a liberdade que apenas nós mesmos conseguimos alcançar. Mas não era um trajeto fácil.

- Não é tarde para descobrir quem você é. Eu posso te ajudar.

- Como?

Victor me olhou um tanto curioso e desconfiado. Eu poderia ajuda-lo até um certo limite, pois se conhecer é um processo longo que dependeria apenas dele. Ele já sabia de cor e salteado o que deu errado, bastava agora seguir o achava que daria certo. Mas eu sabia que autoconhecimento vinha apenas na tentativa e no erro. E é justamente isso que eu tentaria dar um empurrãozinho.

-  Vem, Victor. Eu tive uma ideia!

Mesmo não entendendo, Victor levantou-se e logo em seguida me ajudou a levantar. Depois de buscar seu celular caído na areia, puxei seu braço apressado, abandonamos a praia e fomos até o centro da cidade. 


Notas Finais


Desculpe pelo capítulo depre, mas é uma parte importante, então não poderia deixar ele de lado. Fiquei surpresa com tamanho odio em conjunto com relação a Diana no capitulo anterior, mas faz parte! hahaha Obrigada por tudo <3


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