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História O anjo (caído) da guarda do Lorde das Trevas - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Eu odeio Paris


Fanfic / Fanfiction O anjo (caído) da guarda do Lorde das Trevas - Capítulo 6 - Eu odeio Paris

 

 ‘Se Leta Lestrange tentar se sacrificar pelos irmãos Scamander, não a mate.’

 Grindelwald leu em tom neutro antes de erguer os olhos para Riddle.

 - Por que?

 - Sacrifício de sangue. - respondeu facilmente. 

 Grindelwald estalou a língua compreensivamente enquanto ajeitava a gravata ligeiramente torta. 

 - Para quando vai querer o voto? - Tom indagou sem ânimo.

  Se ele iria fazer esta loucura, precisava se preparar psicologicamente com antecedência ou correria o risco de assassinar o avalista e desaparatar para o outro lado do país. 

 - O que vai fazer até lá?

 - O que mais eu faria? Conhecer Paris? - o sarcasmo sangrou de sua voz. 

 - Pense em mim quando fizer a travessia à barco do Sena e lembre-se: sempre que estiver olhando para o romântico e estrelado céu noturno parisiense, eu também estarei e todos os meus pensamentos estarão voltados à você. - Grindelwald disse sonhadoramente, com uma mão sobre o coração e uma reverência que teria sido um gesto de cavalheirismo em qualquer outra ocasião. 

 - Eu deveria protegê-lo, mas na primeira conversa real já quero matá-lo. 

 O outro riu, divertido. 

 - Eu desperto paixões com mais frequência do que não. 

 - Isto não é...

 - O ódio também é uma emoção apaixonada. E como tal, um caminho para um coração gelado. 

 - Estou começando a compreender porque cortaram sua língua em Macusa. E pensar que quase senti pena por isso...

 - Você é tão cruel comigo! 

 - Não mais do que merece. - sentenciou o britânico, rabugento. 

 - Por que não vem comigo?

 - Ainda não. 

 - Então quando? 

 - Será o primeiro a saber. - garantiu irônico. - Tenho assuntos pessoais a tratar. Até lá, fique vivo. 

 - Eu tentarei. Adeus, meu anjo. 

  Riddle abriu a boca para corrigir o que estava rapidamente se tornando um apelido indesejado, apenas para a crítica morrer em sua garganta quando o outro se aproximou repentinamente, a sensação de lábios macios pressionados em sua bochecha. 

 Antes que o amaldiçoasse pela audácia, de algum modo Grindelwald contornou as enfermarias e desapareceu em um estalido, deixando um Voldemort de olhos arregalados e confuso sobre se deveria estar mais surpreso com a ousadia inimaginável ou furioso. 

 Talvez o austríaco estivesse correto em uma coisa: era difícil ser indiferente a ele. Ele despertava, de fato, fortes emoções. No caso de Tom Riddle, intensa raiva e irritabilidade. 

 Infelizmente, o bastardo deixou no ar um traço do perfume que emanava de si e Lord Voldemort nunca, jamais, em hipótese alguma, admitiria que o inspirara, tentando identificar a composição de odores. Shampoo, colônia cara, loção pós-barba suave e uma nota de tabaco. 

 

 

 

 

 O bilhete chegou na semana seguinte, breve e direto: 

 ‘Partirei em breve, avise-me quando quiser me encontrar.’

 

 O queimou em seguida, não deixando quaisquer vestígios. 

 Neste momento, estava ocupado acompanhando os passos de um certo magizoólogo e seu desconhecido amigo trouxa. 

 A presença de Grindelwald em Paris estava atraindo outras interessantes. 

 Começando por Newt Scamander, a auror readmitida Porpentina Goldstein e sua irmã mais nova (aparentemente frágil e bobinha, mas que tinha um talento muito útil e interessante, como Tom descobrira quando estivera em Macusa). Leta Lestrange e Theseus Scamander também estavam ali, assim como o caçador do ministério, Gunnar Grimmson.

  E tudo girava em torno de duas pessoas: Gellert Grindelwald e o obscurial sobrevivente ao ataque no subsolo de Nova York, Credence Barebone. 

 Grindelwald estava claramente jogando sua teia e Tom observou de longe como todos estavam rumando para um mesmo ponto. 

 As coisas começaram a soar interessantes quando Scamander encontrou Nicolas Flamel e quaisquer dúvidas que poderia ter sobre o envolvimento de Dumbledore se esvaíram. 

 Então, na década de 20, Newt Scamander era quem ocupara o posto de bichinho adestrado de Albus Dumbledore, do mesmo modo que Harry Potter faria décadas depois. Que curioso...

 Era típico de seu ex-professor agir à distância, como um hábil jogador de xadrez manipulando suas peças no tabuleiro. Quão longe ambos chegariam neste jogo antes de seu confronto direto era uma curiosidade presente na mente de Tom. 

 Dado o que conversou com Dumbledore, o fantasma de seu breve relacionamento retornou em algum momento. Pelo que sabia, após o término daquele verão, eles não tiveram mais contato. Algo que Dumbledore viera a saber sobre Grindelwald após a morte o fizera sentir algum remorso. 

 Analisando a memória que vira, percebeu alguns pontos importantes. 

 Dumbledore não apenas concordou, como ajudou um jovem Grindelwald a colocar suas ideias no papel. Era perceptível também, que Grindelwald era muito mais incisivo e disposto a usar a força para atingir seus objetivos. Entretanto, as opiniões do ruivo pareciam ser de influência positiva... se Dumbledore tivesse permanecido envolvido nos projetos do mago austríaco, talvez o reinado de Grindelwald não tivesse causado tantos danos. Dumbledore era mais político, Grindelwald, mais guerreiro. Seria esse seu grande arrependimento? Sem Dumbledore ao seu lado, Grindelwald não tinha mais sua outra metade um tanto compassiva e analítica, que equilibrava suas tendências destrutivas. 

 No final, um recuou e o outro prosseguiu a todo vapor e então, eles se cruzaram novamente em posições completamente distintas anos depois, o destino do mundo mágico e os antigos planos e sonhos de dois garotos entre eles.

 Tom sabia como terminou, mas não tinha ideia de como terminaria desta vez, quando ele estava aqui para intervir. 

 

 

 As bandeiras de seda negra se ergueram no ar, sinalizando a toda Paris mágica que o lorde das trevas à chamava. 

 Então era assim que Grindelwald os convocava. Tom tocou uma delas, compreendendo rapidamente. Estiloso, admitia. Porém, nada discreto, o que estava claramente afirmando uma característica do outro bruxo das trevas. 

 Ele viu vários magos, apenas bruxos comuns, terem reações adversas a elas: enquanto alguns se encolhiam, outros olhavam em dúvida, temerosos mas igualmente curiosos. 

 

 Naquela noite, Tom alcançou facilmente o mausoléu Lestrange, chegando ao ponto exato da reunião que já continha bruxos e bruxas lotando as arquibancadas circulares. Ele permaneceu em pé nos corredores, de início, uma posição que lhe concedia uma visão privilegiada para captar qualquer anomalia ou ameaças antes de se juntar aos outros para a reunião. 

 Ele localizou os seguidores de Grindelwald, à postos para conter possíveis intrusos, bem como os aurores, que se aproximavam lentamente do pequeno e oculto anfiteatro. Não eram nem de longe tão sutis quanto pensavam e Voldemort bufou em depreciação. 

 Ele não tardou a localizar os atrasados mais aguardados: as duas Goldstein, em locais separados e que não pereciam ter vindo juntas, o magizoólogo e o obscurial, acompanhado de uma jovem que não reconheceu. 

 Scamander e Goldstein tentaram sair, mas foram impedidos. Assim, Tom escolheu um lugar vago com uma boa vista para aproveitar o show, atento a quaisquer perturbações vindouras. 

 

 Grindelwald era um sedutor, um encantador que como Hamelin, cujos contos lera quando criança, tocava sua flauta e seduzia os ratos a seguirem-no. 

 Não haviam ameaças, como Tom teria feito. Seu barítono suave fluía livremente por todos os presentes, carregando suas palavras até cada um. Viu como por encanto os efeitos que seu discurso produzia, claramente acertando em cheio um nervo para a população em geral. 

 Toda a campanha baseada em uma única questão, tão verdadeira que fazia mesmo os mais relutantes ouvirem-no com atenção: se nós, magos, seres escolhidos e abençoados com magia, somos naturalmente mais poderosos e dotados de maior conhecimento, então por que não temos direito à liberdade de exercer nosso dom de nascença livremente, por que nos escondemos quando ser quem somos é uma dádiva, não uma falha?

 Era uma boa pergunta. E ficou muito claro que, mesmo com todo o poder, com o legado da Elder Wand, a maior arma de Grindelwald eram suas palavras, não sua força. 

 E com tais palavras, cada curioso e receoso, cada bruxo que até ouvi-lo se perguntava se era correto estar ali, se transformou em um apoiante, um futuro seguidor totalmente convencido de sua causa. 

 O compartilhamento da visão foi apenas um brinde. Algo que incutiu medo em muitos corações, lembranças de uma guerra violenta encerrada há menos de dez anos, ainda muito presente nos pesadelos e traumas de tantos... a mera possibilidade de que se repetisse era o bastante para gerar o impulso inicial: era necessário lutar. 

 Mas Tom, Tom que cresceu durante este conflito, que viu durante as férias os bairros bombardeados na Londres trouxa, viu mais do que uma mera possibilidade e temor. 

 Grindelwald previu com clareza cenas de alguns dos confrontos mais sangrentos da segunda guerra mundial. Algo que marcaria a história bruxa e trouxa para sempre. Era este o nível de vidência do lorde das trevas? Voldemort estava impressionado. 

 Se lembrando do diálogo entre os dois meninos na penseira, de um jovem Grindelwald tentando convencer um jovem Albus de que a ameaça trouxa precisava ser contida antes que fosse tarde, que a ambição daqueles desprovidos de magia e sua falta de compaixão e conhecimento uns com os outros arrastariam à todos a conflitos inimagináveis, Tom se perguntou seriamente a quanto tempo tais visões sangrentas se manifestavam no vidente. A certeza naquelas palavras que brilhavam nos olhos do adolescente enquanto afirmava o que estava por vir.

 

 

 

  Tudo corria bem, até que aconteceu. 

 Os aurores chegaram, Grindelwald os anunciou e então, incutindo sutilmente, inspirando com palavras suaves, uma jovem bruxa atacou um dos aurores e foi morta instantaneamente. 

 A tensão surgiu de imediato e atingiu seu pico. Os olhos treinados de Tom acompanharam Grindelwald todo o tempo, sua varinha em punho, pronto para atacar ou conjurar um escudo enquanto o outro se aproximava sozinho dos aurores até o corpo caído. 

 Grindelwald talvez não tenha visto, mas Tom, cujos olhos estavam focados nele e em qualquer movimento suspeito em sua direção, não perdeu o movimento rápido sob a arquibancada e estreitou os olhos seguindo o pequeno vulto. Trato das Criaturas Mágicas nunca foi uma de suas disciplinas preferidas, o que não significava que ele não seria capaz de reconhecer um pelúcio. E um pelúcio em tal local, só poderia pertencer a uma pessoa. 

 Quando Grindelwald retornou a seu lugar ao centro do palco e ordenou que todos os convidados aparatassem em segurança, além dos aurores e de Rosier, no centro, Tom agora podia ver nas arquibancadas quase vazias os últimos remanescentes. Ele mesmo, as irmãs Goldstein, Scamander, Lestrange, o trouxa Jacob Kowalski, o obscurial e a menina que o acompanhava. 

 O estado confuso dos outros presentes e a confiança dos aurores durou pouco, apenas o segundo que levou a Grindelwald para conjurar sua versão mais poderosa e controlada do  Protego Diabolica. 

 Era azul, percebeu, não sem surpresa. Originalmente, as chamas deveriam ser pretas. Apenas em raros casos, havia alteração de cor. Tom já ouvira falar de alguns, mas o único que presenciara fora o seu próprio, chamas verdes. Agora, ele podia acompanhar o fogo azulado que cercava todo o local. 

 Os primeiros a tentar ultrapassa-lo e atacar seu conjurador, foram naturalmente os primeiros a morrer. 

 E no caos gerado por isto, Tom tirou proveito da falta de atenção de todos os outros a ele. Fácil, escorregar algumas moedas de ouro e aguardar poucos segundos e então, a pequena bola de pêlos negra foi atraída para ele como mariposas às chamas.

  Um aceno discreto da varinha silenciou a criatura e um segundo fez flutuar suas últimas aquisições. Moedas, abotoaduras, clipes dourados, brincos e lá estava, em uma corrente, um pingente. Apenas duas letras gravadas no verso: G & D; e dois pontos no círculo de vidro, perseguindo um ao outro. 

 Voldemort franziu o cenho, intrigado; mas não teve tempo para examinar o objeto, não com o caos que tomava o recinto. Quando fechou seus dedos sobre ele, o soltou de imediato, os olhos arregalados de surpresa e dor. Sua palma direita sangrava, o inconfundível cheiro de carne queimada. 

 Qualquer que fosse a magia contida no objeto, o impedia de toca-lo diretamente. E os segundos perdidos nesta constatação foram cruciais, como o pelúcio saltou no ar e recuperou a corrente, se esgueirando sob os degraus e desaparecendo antes que pudesse alcançá-lo. 

 Tom amaldiçoou sob sua respiração enquanto tentava cicatrizar magicamente o ferimento, erguendo os olhos para a batalha que se prosseguia ao seu redor. 

 Foi um desenrolar dramático. Mas positivo. 

 O único instante em que Voldemort ficou tenso foi quando Leta Lestrange atacou Grindelwald pelas costas, que se defendeu facilmente. O momento estava lá, aquele ao qual já o alertara e constatou que poderia apenas esperar. 

 Mas ele não se desapontou. Grindelwald optou por deixá-la inconsciente ao invés de matá-la. E então, perdeu um seguidor não muito leal, mas ganhou Credence e Queenie. 

 Tom estava de pé, aurores lutando e chamas dançando ao seu redor e seu olhar cruzou o de Gellert pela primeira vez desde seu encontro no quarto de hotel. 

 O homem caminhou facilmente até ele, suas chamas ainda se movendo, refletindo em seus olhos e o canto dos lábios se erguendo quando parou, a mão estendida em sua direção em um convite silencioso. 

 Não era uma ordem, ele estava lhe dando a opção. 

 E talvez fosse esse o motivo pelo qual Tom a aceitou. 

 Olhou brevemente para o fogo. Voldemort acreditava que magos eram superiores e não deveriam sacrificar uns aos outros para proteger seres que os atacariam sem hesitar. Isto seria o bastante para passar por elas? Ergueu os olhos para encarar os azuis de Grindelwald novamente e tocou a mão estendida com a sua.

 O mar de chamas à sua frente se abriu quando o homem o puxou para o círculo e Tom atravessou facilmente, sem quaisquer empecilhos.

  Grindelwald lançou um último olhar à frente enquanto Rosier desaparatava. 

 - Eu odeio Paris. - o lorde das trevas declarou. 

 E os dois desapareceram com um estalido seco, deixando a capital do amor e um grande incêndio atrás de si. 

 



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