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História O Anjo Caído de Pines Village - Capítulo 20


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Notas do Autor


Sim, meus amigos. O dia que eu temia finalmente chegou.

Boa leitura desse último capítulo!!!!

Capítulo 20 - Cicatrizes de batalha


Fanfic / Fanfiction O Anjo Caído de Pines Village - Capítulo 20 - Cicatrizes de batalha

-Vou te dar o que você sempre quis -disse Lúcifer afastando o cabelo de Laura da frente do rosto. - O coração do anjo Ross.

Mil facas pareciam ter atravessado centenas de vezes o peito dela.

"Não. Tudo menos isso".

-Não. Você não pode. Laura o afastou com um empurrão grosseiro.

-Sou Lúcifer, a estrela da manhã - proclamou de braços abertos diante da sua gente. - Que a minha vontade seja feita assim na terra como no inferno. Tragam-me o anjo.

Os demônios agiam como soldados inteiramente entregues as ordens e caprichos de seu senhor maligno. Cada palavra sua era dada como lei, todo ato profano era digno de elogios e ele sempre tinha razão. Lúcifer era o Deus deles, visto como um libertador que caiu do céu.

Ross então foi desacorrentado e levado até a presença do líder. Um dos demônios que o entregou tinha feições semelhantes às de um suíno e Laura congelou assistindo a cena.

-Ross! Sussurrou o nome dele no ar e seus olhos marejaram-se. -Eu sinto muito.

Ela o abraçou - num ato de mandar o diabo para o inferno - sem dar a mínima para o que iriam dizer ou se tentariam impedir.

-Sente o quê? Ainda podemos ganhar, Baixinha. Disse só para ela.

-Ross, você…?

-Fica atrás de mim.

Um movimento ágil de sua mão direita apanhou a seta estelar do cinto e afastou 

instantaneamente todos os anjos caídos que debocharam dele minutos atrás.

-Ah, mas que belo exército é esse, satanás? É com um bando de chorões com medo da lança brilhante que você vai dominar o mundo? Eu esperava mais de você.

Lúcifer rosnou e tencionou o maxilar.

-Você - o loiro chamou a atenção de um dos caídos que ainda mantinha sua forma angelical de asas prateadas. - Liberte Riker.

Nenhum ser ruim ousaria ir contra alguém que possui arma tão poderosa. - Sim, agora mesmo.

E assim ele o fez. Riker estava livre e logo empunhava sua seta também.

-O que foi Lúcifer, não vai reagir só porque seus homens estão com medo de lutar? Cadê o poder da lendária estrela da manhã do qual você tanto se gaba?

Seus olhos flamejantes deram em Riker a olhada mais ameaçadora que alguém pode receber.

Todo cristão um dia já ouviu falar que o Diabo tem três formas - um belo anjo querubim, uma serpente falante e um dragão de escamas vermelhas - corrompidas pela maldade que crescia cada vez mais em seu coração de pedra.

Esta noite com raiva escorrendo pelo rosto ele transfigurou-se numa gigantesca fera alada, com força para arrasar um batalhão inteiro. Ross se contrapõe a Laura, protegendo o corpo miúdo dela com suas asas brancas.  

Tomando fôlego o ar nos pulmões da besta se converteu em fogo, cuspindo todo esse ardor contra a garota mortal e o anjo missionário.

Sozinha ela não saberia como escapar ilesa de um ataque desses, foram os reflexos e o instinto de Ross que conseguiram empurrá-la.

Sua queda não causou absolutamente nenhuma lesão, apenas um descuido fez com que a seta estelar caísse junto a ela para direita enquanto que ele pendeu para a direção oposta.

O dragão vermelho suspendeu-se no ar preparando o próximo ataque. Ele não planejava poupar nenhuma vida ali, todavia queria começar o massacre pelo anjo loiro. Fazia questão de matá-lo primeiro.

-Corre! Ross gritou apontando para o lado onde a floresta era mais densa e escura.

-Não. Você…

-Laura, faz o que eu mandei! Se esconda. Quando tudo estiver calmo eu vou te buscar, tá bom?

Cada palavra saindo da boca dele contava com uma pitada de desespero; a hora crucial se aproximava e Ross tinha que mantê-la afastada, se não ela poderia ser levada ao inferno por engano junto com a legião inteira de demônios.

Desta vez - tirando todas as outras - Laura não tinha entre as opções uma dizendo que ela podia desobedecer às ordens do anjo. A garota teimosa e esquentadinha devia ficar de escanteio enquanto a Laura sensata entrava em juízo.

Agarrando a seta estelar, sem receio a garota baixinha o deixou e correu para a direção indicada.

Ross se defendia das chamas da besta atrás das mais altas árvores. Um simples toque do fogo na ponta de uma de suas penas poderia causar uma enorme e terrível catástrofe. Além de que não poderia cumprir sua missão.


[Na visão de Laura]


Longe o bastante para o olhar para trás e não ver o clarão alaranjado ou um demônio assustador me perseguir eu parei de correr e sentei sobre as raízes cobertas de musgo de uma sequoia solitária. Se o medo em mim não fosse tão dominante eu me lembraria de perguntar o porquê dela estar crescendo numa floresta de pinheiros.

-Graças aos céus eu te encontrei.

Era a voz do Noah.

Me abraçando no escuro ele me disse que o brilho da seta estelar na minha mão o ajudou a me localizar e que Ross pediu que ele me levasse para a praia na cidade vizinha. Se por uma acaso a cidade fosse destruída como estava nos planos de Lúcifer eu não seria afetada. No entanto, por salvação alguma eu deixaria meus pais esperando a morte bater na porta de casa. Ross sabe bem disso.

-Não vou a lugar algum com você, Noah. Você é um traidor e esteve nos enganando esse tempo todo.

-Tá falando do quê? Sou eu, seu amigo.

Levantei-me das raízes e fiquei em uma distância segura.

-Ah, é mesmo? Eu não confio em você. Qualquer vestígio de confiança que eu tinha a seu respeito se desvaneceu durante meu "agradável" reencontro com o diabo. Ele me contou que você era o informante.

Apontei a seta para o peito dele. Noah era um anjo caído e o objeto era uma das únicas relíquias que tinha poder de matar seres como ele.

-Abaixe essa lança, Laura. Você não quer fazer isso.

-Tá errado, o que eu mais quero agora é te ver morto, seu desgraçado.

Falei séria.

-Lembra de quando começamos a sair juntos eu me declarei pra você? Eu disse que te amava e você ficou com o rostinho todo vermelho - um sorriso pensativo apareceu entre os lábios dele ao revirar nosso passado. - Depois você segurou minha mão e pediu que eu te beijasse. Estávamos apaixonados, Laura. Você era feliz comigo.

-Até eu ficar sabendo que você transou com metade da escola - não baixei a guarda. - Mas tudo bem, ser meu namorado era só um disfarce; você queria mesmo era levar notícias minhas e do Ross para Lúcifer.

-Não estou mentindo agora, eu te amo, Laura.

-Fica longe de mim - ordenei armada. - Como pode dizer que me ama se fez coisas tão horríveis para mim? Tentou me estuprar, me beijou na frente do Ross só para me passar um demônio controlador e o pior de tudo, nos atraiu direto pra cá.

Sem mais uma palavra Noah - apenas um olhar firme e decidido - ele retirou as asas negras para fora e levantou voou, envolvendo minha cintura e me tirando do chão.

-Me solte! Socorro!

-Não adianta gritar, Ross está ocupado demais para te ouvir.

Ele estava lutando em desvantagem contra um dragão agora mesmo. Eu tinha que voltar para ele, saber como tudo ia terminar.

-Não tenha medo, Laura. Vou te levar para fora da zona de risco. Vai estar a salvo e vamos poder viver finalmente juntos.

As asas cortando o vento faziam o som de espadas antigas de soldados no ar. Tão rápidas e flexíveis quanto as de Ross.

-Nunca vamos estar juntos, você não entende que o meu coração é de outra pessoa?

-Você era minha antes dele aparecer e estragar tudo.

A altura em que ele me levou era demais para eu tentar perfurar seu peito com a lança. A queda era fatal para mim.


[Na visão de Ross]


Não há como eu conseguir sozinho - tudo o que tinha era uma seta estelar em mãos e um par de asas danificadas nas costas - além disso, não era preciso olhar de fora para notar minha desvantagem contra o dragão vermelho.

Riker estava inconsciente e os demônios lá embaixo assistiam a luta sem interferir em nada. Lúcifer os maravilhou com a exibição de poder e os mesmos aplaudiam de pé quando seus golpes me atingiam em cheio.

Cheguei ao estado da garganta seca e pensei que meus pulmões fossem explodir.

 -Este banquete não estaria sendo tão divertido se você não estivesse aqui, Ross. Está fazendo a diversão da noite.

Zombou alguém lá embaixo.

Fumaça escura saía pelas narinas da grande besta, devia estar fervendo por dentro e reparei que estava prestes a me atacar de novo.

Suas chamas tomavam conta do meu corpo - superficialmente - Me feriam um pouco, mas pelo pouco de glória que ainda existia em mim elas não eram suficientes para me destruir. Pelo menos era com isso que eu estava contando.

-Acerta ele! Gritaram.

O dragão me encarou enfurecido por suas investidas não terem maior efeito. Ele me golpeou com sua cauda longa e escamosa, fazendo-me voar uns seis metros ao longe, até bater no topo de uma árvore.

-Seu maior erro foi pensar que poderia ter algum tipo de futuro aqui na terra com a Laura - disse satanás berrando. Eu não sabia que ele podia falar estando na forma de dragão. A voz soava grave e ampliada, preenchendo meus ouvidos e cutucando-os feito agulha. Mas embora eu não pudesse lutar contra os poderosos atributos do Diabo por muito tempo eu tinha plena consciência de que essa batalha nunca foi verdadeiramente minha. Eu estava ali em nome do altíssimo; ele sempre esteve ao meu lado sussurrando instruções sutis em meu subconsciente. Com a força maior a meu favor apenas o bem poderia triunfar. Não havia o que temer.

-Seu maior erro foi pensar que poderia comprar briga com a grandeza dos céus, Lúcifer. O mundo não vai ser seu, nem mesmo o inferno. Tudo o que existe, existiu e o que ainda vai existir está nos domínios de Deus e somente a ele pertencerá.

Um demônio enfurecido com os olhos cheios de repulsão não é algo que queira ver, ainda mais se ele estiver no corpo de uma besta vermelha que cospe fogo.

-Que pena Ross, eu queria que você visse o estrago que essa cidade vai estar de manhã. Ele fez uma pequena pausa. -Só que eu não vou esperar mais. Quero te incinerar no meio da floresta, onde ninguém jamais vai encontrar seus restos insignificantes.

Era engraçado ouvir aquilo tudo. Realmente doentio o jeito como ele falava das coisas no futuro sabendo que ele próprio não teria um.

-Okay, vamos! Instiguei. - Acabe comigo. Mostre-me o sumo poder da Estrela da manhã.

-Será a última coisa que vai ver.

Seu fogo veio tão rápido. Minha camiseta estava literalmente em trapos e meu rosto coberto por uma camada de sujeira causada pela fumaça.

Eu não fazia ideia do que viria a seguir; apenas fechei os olhos e pensei no sorriso estonteante no rosto da Laura. Em como os olhos cor de chocolate se estreitavam quando ela ria e nos belos lábios rosados com sabor doce.

Se devo cair esta noite então que seja com essa lembrança em mente.


[Na visão de Laura]


Noah me soltou quando chegamos em uma praia. Estava escuro e eu não conseguia ver o mar, apenas ouvi-lo. Indo e voltando neste ciclo eterno.

-O que estamos fazendo aqui?

Perguntei encarando o brilho azul contornando suas asas negras. Porque era a única coisa que eu conseguia ver.

-Pines Village não está segura no momento. Um dia você irá me agradecer por ter salvo sua vida. Além disso Satanás nunca permitirá que fiquemos juntos; por isso temos que fugir e viver esse amor em outro lugar.

-Eu não amo você. Repliquei.

Soube que ele estava mais perto do que pensei quando senti sua respiração batendo em meu rosto.

-Vamos ter tempo suficiente para mudar isso, minha linda. Seus dedos deslizaram de leve pela minha pele e eu então saí correndo sem saber para onde. Com a seta em mãos.

A areia debaixo dos meus sapatos era dura e escura, o que facilitava a fuga. Mas mesmo assim eu sabia que ele iria me alcançar.

-Aonde você pensou que ia? Noah me agarrou forte. -Não precisa mais fugir. Está tudo bem. Ao amanhecer vou te levar para o nosso novo lar. Uma charmosa casa no litoral.

O Noah encrenqueiro e divertido que eu conheci na escola se foi. Na verdade era só uma casca camuflando o anjo maligno que agora me prendia em seus braços.

Tudo o que ele diz não casa com a realidade. Meu coração e alma pertencem ao Ross desde que o conheci; por que ele pensa que vivemos um amor proibido?

-Você ficou louco, Noah. Gritei tentando me desvencilhar. - Tá delirando.

-Shh!! Vai ficar tudo bem, meu amor. Eles não vão nos encontrar.

-Me solte.

-Não se preocupe, ninguém sabe onde estamos. Aqui é totalmente seguro.

-Fica longe de mim, seu maníaco.

Fiz uma tentativa de usar a seta estelar contra Noah, mas falhei e a perdi para ele.

-Por que está me tratando assim? Estou fazendo isso por nós.

Sua voz era melosa e efetiva.

-Noah, você não tá pensando direito. Por favor me solta.

-Tudo o que você precisa fazer é dizer que vai comigo para nossa casa.

Respirei fundo, ele não ia me soltar enquanto eu resistisse.

-Está bem. Eu vou com você.

-É uma promessa?

-Sim, eu te prometo.

Noah riu satisfeito.

-Bom.

-Já pode me soltar agora.

-Uhm.

Ele concordou.

A seta estelar ainda estava em sua mão esquerda; Tomá-la dele seria impossível em todas as realidades que eu podia imaginar.

-Por que temos que ficar nesta praia, você não disse que vamos ter uma casa? Distraí-lo com conversa fiada parecia um bom plano.

-Ótima pergunta, Laura - ele sentou na areia, sabendo que eu não tentaria fugir outra vez.

-Sim, nós vamos para nossa nova casa, assim que eu estiver certo de que aquele anjo imbecil não está nos seguindo.

-Pode apostar que ele está. Lembra do dia em que você me desafiou a te beijar e o Ross nos viu? Será como daquela vez; só que sem o beijo e eu não vou mover uma palha quando ele estiver prestes a quebrar o seu pescoço.

-Ah, faça-me o favor. Eu acho bem difícil dele aparecer por aqui, mas se for o caso sei como contornar essa hipótese. Agora cale a boca e me deixe pensar.

Eu ri querendo provocar.

-Confiante demais - murmurei sentando bem ao lado. - Esse sempre foi seu maior problema.

-Hm.

Ainda me era estranho pensar nele como um anjo caído - o cara com que eu convivi tempo de mais para supor que ele não fosse normal - mas as asas negras em suas costas que nos trouxeram até ali não deixaram dúvida alguma pendente.

-No que está pensando?

Seu olhar encontrou o meu com um toque sujo e malicioso.

-Se você quer saber mesmo eu estava pensando em dar uma festinha amanhã em nossa casa, para comemorar nossa chegada.

Não precisava conhecer todas as legiões de demônios para chegar a conclusão de que Noah era o mais tolo dos anjos. Depois de Lúcifer, é claro.

Noah achava mesmo que eu ia morar com ele e viver feliz pra sempre.

-Ah é? E quem vai convidar pra essa festinha?

-Seremos só você e eu. Minha convidada de honra na inauguração da nossa cama.

Mostrei um sorriso embora estivesse nauseada. Precisava mantê-lo calmo e fazer com que pensasse que eu estava me entregando.

-Algo me diz que isso vai ser… interessante.

-Você não perde por esperar, querida Laura. Eu tô louco pra te ouvir gritar.

-Quem garante que vai ser tão bom assim? Afinal nós dois nunca fizemos. Acho que está contando vantagem, Noah.

Eu mal podia ver seu rosto, mas ouvi sua risada pervertida no escuro. A risada desavergonhada que ele dá enquanto planeja algo bem sujo.

Noah pôs minhas costas na areia ficando por cima de mim. Soltei o dos meus pulmões e sorri para ele.

A ideia de usar meu corpo para ganhar tempo era nojenta, mas estava funcionando.

-Contando vantagem? Ele repetiu em dúvida. -Não, eu não preciso disso. Sei que nem mesmo o Ross tem um… você sabe. Tão grande e grosso quanto o meu.

Pelo amor de Deus, o que eu tinha que aturar.

-Pode ser que você tenha razão. Se bem que o Ross me conhece melhor, ele sabe das minhas vontades e preferências - Tomei posse de seu tom desafiador. - Já você é inexperiente sobre mim.

Ele assentiu animado. - Você deve estar certa.

-Sempre estou.

-Mas isso não vai te impedir de gritar e gemer pra mim, ou vai?

O fato dele pensar que está me ganhando com aquelas palavras é repulsivo. Eu não sei por quanto tempo eu ainda aguento fingir.

-Veremos.

Sua boca prendeu meus lábios em um beijo voraz - meu corpo estava ali, mas minha mente só pensava nos perigos que o Ross e seu irmão deviam estar enfrentando neste exato momento - ele tinha um sabor muito diferente de quando éramos namorados e ele me beijava. Amargo e… azedo, como uma uva verde. Talvez pela influência das forças ocultas sobre as quais ele se aliou.

-Adoro esse gosto de morango.

Do que ele estava falando, o beijo foi horrível; sem falar que eu não correspondi.

-O que quer fazer agora, tirar minha roupa?

Por favor, que ele não faça isso. Implorei mentalmente.

O silêncio me levou a crer que ele estava avaliando as próximas ações. Aquela altura parecia mesmo que o Ross não viria e que não havia escapatória.

-Não, deixe isso pra mais tarde. Disse saindo de cima de mim. Eu estava quase me sentindo aliviada.

-Okay.

Eu estava de olho mesmo era na seta estelar caída na areia, a poucos centímetros. Noah esqueceu dela ali então era minha chance. 

-É uma pena o Ross não ter vindo, eu queria muito que ele visse nós dois aqui; iria partir o coração dele. Mas… Lúcifer e os demônios devem ter acabado com ele por mim.

Desgraçado.

Agarrei a seta e a enterrei em suas costas… pelo menos foi o que pareceu ter acontecido do meu ponto de vista. Droga!

-Laura, não seja tão ingênua. Ele tirou a lança das minhas mãos outra vez e me rendeu. -Está começando a me chatear.

Minha respiração ficou pesada e eu decidi contar que estava apenas fingindo -Você achou mesmo que aquilo tudo era verdade? Eu nunca te amei Noah, tenho nojo de quem você é. Nojo de todos os beijos que vocês me deu e de cada toque das suas mãos sujas.

O empurrei para longe e saí correndo.

Sentia as conchinhas que vieram com a maré alta se quebrarem debaixo dos meus pés durante a fuga. Eu estava tão rápido… tão perto de me livrar... mas parei de correr.

Solucei ao sentir algo me atravessando pelas costas. Olhei para mim mesma e vi a ponta brilhante da lança saindo de dentro da barriga.

Eu senti me queimando por dentro e foi a pior sensação que tive de experimentar nessa vida.

Ross onde você está?

Caí ao encontro do solo arenoso e úmido.

O mundo ficou turvo. Perguntei a mim mesma se iria morrer quando vi um clarão descendo do céu noturno. Uma figura com asas douradas que pousou a poucos metros de onde eu estava; porém não olhou para mim e sim para Noah que imediatamente notou sua presença.

De longe parecia existir espanto no olhar dele, no entanto confiar em minha visão turva numa hora dessas gerou bastante dúvidas.

-O dia do julgamento chegou para você servo de satã. Disse a figura angelical em voz feminina.

Ela tinha em mãos algo parecido com uma seta estelar, grande o suficiente para ser um cajado.

Desarmado ele fugiu pelos céus trovejantes, sendo seguido pela garota com asas e cabelos loiros.

Agora eu estava agonizando sozinha e as lágrimas foram descendo.

Cadê você, Ross?


[Na visão de Ross]


Abri os olhos ao ouvir o som de uma trombeta celestial - as mesmas que tocavam no céu quando o criador trazia um novo ser para junto de nossa existência - Eram as tropas que estavam lutando ao meu lado. Uma legião inteira de anjos que eu conhecia. Todos ali.

-Levanta-te irmão, a guerra não acabou.

Disseram pra mim. Vi que era Ryland, um dos meus amigos mais próximos. Um dos guerreiros mais habilidosos que já foram criados.

-Ryland, você está aqui. Falei sorrindo.

-Sim - respondeu sem pousar no chão. -Pegue isso!

-Uma seta de fogo. Falei tocando no objeto pontiagudo igual a uma seta estelar, só que com um brilho amarelo nas escritas antigas gravadas ali.

-Cumpra sua missão, Ross.

...

Anjos e demônios agora travavam uma violenta batalha para decidir o destino de toda uma cidade. Centenas de pessoas já poderiam estar mortas quando o sol despontasse ao amanhecer.

Voei o mais alto que pude para ter uma visão geral da situação. O maior número a cair era dos demônios, mas logo não seria possível enxergar seis metros a minha frente por conta da fumaça os queimando.

Assim que voltei lá pra baixo dois imundos me encurralaram entre rochas e árvores - um com cara de javali com presas saindo da mandíbula, e outro em carne viva - tentaram me golpear, mas a sua falta de asas para se locomover facilitou o meu trabalho. Sobrevoei suas cabeças e os acertei com a lança brilhante. Um de cada vez até que virassem cinzas.

Lúcifer, o dragão, foi rendido pelos anjos com cordas de luz. As quais eram usadas para erguer e amarrar coisas no paraíso. Aquilo poderia segurá-lo durante milênios ou até mais.

Enquanto eu cruzava lanças com os demônios Riker veio me ajudar.

-Sabe que é você quem tem que mandá-lo ao inferno, não é? Perguntou acertando um imundo.

-Agora eu sei.

-Assim que o Diabo desaparecer daqui os seus seguidores vão recuar e a cidade vai estar livre.

-Tudo bem, farei isso. Acertei um com chifres que veio correndo até nós. -Mas Riker… onde está a Laura?

-Pensei que soubesse.

Fiquei perplexo, sem dúvida ela estava com Noah, correndo perigo.

-Riker eu quero que você a encontre, por favor.

Ele assentiu e levantou vôo.

Pedi aos céus que ele a trouxesse de volta pra mim.

A besta se contorceu lutando contra os que a detiveram, então segurei a seta de fogo com mais força e caminhei em sua direção.

Meu corpo doía muito.

Estava exausto mas precisava dar um fim em tudo aquilo.

Meus batimentos cardíacos ultrapassaram qualquer medida que já foi registrada.

Olhei aquele monstro traidor nos olhos e perfurei suas grossas camadas de escamas e pele com o instrumento feito pelos anjos.


[Terceira pessoa]


A maré começou a subir durante a madrugada e a praia ficou muda. Faltavam apenas algumas horas até o sol nascer, Laura pensou que não havia chances de estar viva quando isso acontecesse. No entanto, ela abriu os olhos e percebeu que a seta estelar que atravessou seu corpo já não estava mais ali, tampouco a dor.

-Você vai ficar bem.

-Quem… quem é você? Perguntou Laura sentando na areia olhando para a figura brilhante de uma garota de asas douradas, a mesma que perseguiu Noah antes da própria desmaiar.

-Eu me chamo Rydel, sou um anjo ceifador. Cuidei para que aquele imundo não volte a te perturbar.

-Mas e a lança? Era para eu estar morta agora.

-Impossível - o sorriso cintilante dela foi gentil com a garota assustada. -Você foi atingida por uma seta estelar, um objeto criado para matar seres que vão contra Deus, ao julgar pelo seu status atual diria que você não é assim.

Laura ficou em pé encarando o mar.

-Minha irmã não teve essa mesma sorte - murmurou melancólica. - Ela morreu em uma praia como essa; acho que cheguei bem perto de sentir o que ela sentiu.

-Sabe que a culpa não foi sua, não é? Rydel tocou seu ombro de leve.

-Eu sei que não. Só queria ter uma última chance de dizer a ela o quanto eu a admirava. Ela era minha irmã mais velha, minha única irmã e meu maior exemplo a seguir. Sempre fomos o oposto uma da outra, mas por mais que eu tentasse esconder de todos eu queria ser como ela. Ser boa.

-Algo me diz que você é sim.

A garota de cabelos castanhos olhou para a jovem alta e loira, tão linda e gentil quanto todos os outros anjos que já conhecera.

-Obrigado por me salvar.

-Não há de quê. Vamos voltar para o bosque!?

Laura franziu a testa. -Mas e quanto a guerra?

Rydel então sorriu antes de dar a resposta.

-Ross cumpriu a missão dele. Sua cidade será completamente poupada.


Bosque de Pines Village

2 horas para o amanhecer



Alguns anjos se retiraram para a morada celeste depois de ajudar na batalha. Sete deles ficaram no bosque discutindo entre si qual seria o melhor destino para o anjo caído e a mortal que se apaixonaram.

Eles eram um conselho justo e não errariam naquilo que precisavam decidir. Ross estava com eles ouvindo tudo enquanto Laura teve que ficar a alguns metros de distância para não interferir.

-Acha que temos alguma chance de ficamos juntos? Perguntou inocente a Rydel.

-O conselho dos sete não toma uma única decisão a menos que ela beneficie todos os lados da situação.

Ela estava certa, uma das melhores características dos anjos é o fato de seres cem por cento verdadeiros o tempo inteiro. Mas ainda que isso fosse real Laura não conseguia evitar o nervosismo quanto ao veredito - as pernas dela tremiam muito - tentar descobrir alguma coisa lendo os lábios deles não foi nada reconfortante, não se entendia uma só palavra da língua antiga que eles usavam para se comunicar.

De repente ficaram quietos e Ross foi até as duas jovens, olhando somente para a sua.

-E então? Laura questionou chegando mais perto dele.

-A boa notícia é que vamos poder ficar juntos.

Ela sorriu. Mas essa felicidade logo passou quando percebeu o porém.

-E a má notícia?

O anjo loiro franziu as sobrancelhas. - Tenho que abrir mão da minha natureza angelical e você das suas lembranças.

-Você diz… nossas lembranças? Tudo o que aconteceu até aqui?

-Sim, você e seus pais não vão se lembrar de mim nem dos anjos e demônios que conheceram.

-Não estou entendendo, Ross. Como vamos ficar juntos dessa forma?

-Os sete anjos do conselho disseram que vai levar dois anos até que eu me transforme em um humano completo e minha alma se adapte a um corpo mortal. Depois disso vão me deixar te procurar. É claro que você pode recusar essa condição, daí eu volto com eles.

-Você promete que vai me encontrar não importa onde eu esteja a dois anos?

Ross segurou as pequenas mãos e apertou. - Eu prometo, Laura. Mas Tem certeza de que quer fazer isso?

-Se for para ter você pelo resto da minha vida.

Ela assentiu com a cabeça e ele beijou a cicatriz na palma da mãos dela.

-Eu te amo muito, Laura - disse.

-Eu sei, e você já provou isso pra mim tantas vezes que eu nem consigo contar, chegou a minha vez de provar pra você.

Ross sorriu e depois voltou-se para os companheiros. - Nós aceitamos.

-Muito bem. Disse o líder. -Já sabes o que fazer, Ross.

Voltando para Laura ele acariciou seus cabelos que ainda tinham resíduos de areia. -Vou te levar pra casa.

Com seus braços ele envolveu o corpo miúdo para um último voo com ela.


Casa da família Marano

06h12 - Na visão de Ross


Pousamos no quintal e eu a larguei de volta ao solo. Porém seus braços não soltaram meu pescoço, invés disso seus lábios rosados vieram encontrar os meus devagar. Aproveitei cada segundo daquele beijo agridoce.

-Nosso primeiro beijo foi exatamente assim, lembra?

-Lembro - beijei outra vez com mais voracidade. - Mas esse não será nosso último, Laura. Eu vou te encontrar mesmo depois que você passar por aquela porta e se esquecer da promessa. 

-Eu vou te amar pra sempre, Ross Lynch.

O jeito como ela me abraçou me encheu de esperança e confirmou ainda mais o que eu já sabia. - Eu também vou, Baixinha.

Fiquei parado ali vendo ela hesitar na varanda - os ombros se erguendo numa respiração profunda e tensa - com os dedos finos sobre a maçaneta antes de girá-la ela virou o rosto na minha direção com um sorriso tímido no rosto.

-Não se esqueça de mim.

Dito isso Laura pôs os pés para dentro de casa, separando-se de suas memórias comigo para sempre.



Notas Finais


Seguinte pessoal, depois desse capítulo eu postei um outro especial. Capítulo 21. Esse é bem curtinho, mas é só pra explicar o que aconteceu depois, okay?
Me contem o que vocês acharam da fanfic.


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