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História O Anjo Da Dança - Música e Movimento - Capítulo 3


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Notas do Autor


A expectativa gera esperança na vida das pessoas. Seja para um emprego, seja para uma companhia de um homem solitário.
Pequenas atitudes que ecoam em uma família inteira.
Uma pequena centelha de gentileza, que derrubará os muros do coração de Erik.
Sutilezas que devolverão a Erik o desejo de amar.
Nur é silenciosa, mas seus olhos falam por si.
O amor nascerá entre Erik e Nur, não será necessário verbalizar.
Se entenderão no silêncio do olhar, mesmo nos momentos mais difíceis de Erik.
Será nesses momentos que Erik perceberá que não está mais só.
Mas junto com esse sentimento tão edificante e tão lindo, uma sombra acompanha.
A sombra do ciúme, Erik terá ciúme doentio de sua Nur.
Ele não conseguirá nem disfarçar, ele a quer só para si.
E quando acaba o horário de trabalho dela e precisa ir embora.
Erik vai até a mesa dela e fica vendo suas coisas, lendo suas anotações.
Recordando com saudade as horas que passam juntos.
Fica enfurecido ao ver a foto de Nur com Munir, seu vizinho/amigo de infância.
Erik não admite nenhum homem desejar Nur, nenhum homem olhar nos olhos de Nur, nenhum homem pode sequer tocar na pele de Nur.
Nur é sua, e Munir precisa entender isso, seja por bem ou por mal.
No passado Erik perdeu Christine para Raoul.
Erik não perderá Nur para Munir.
Ahhh, não vai mesmo...
...Guardem essa informação.

Capítulo 3 - O aconchego do olhar de Nur


Fanfic / Fanfiction O Anjo Da Dança - Música e Movimento - Capítulo 3 - O aconchego do olhar de Nur

As candidatas estavam todas reunidas na sala de espera da residência dos Destler. Todas muito arrumadas, porém inadequadamente . Conversando alto, rindo, tecendo comentários sobre a mansão, criando teorias sobre os filhos da Viúva Destler. Sem nem um pouco de bom senso. Afinal era uma entrevista de emprego, e não uma reunião no salão de beleza.

Mas uma se destacava entre as demais, a única a estar vestida elegantemente e em silêncio. Uma linda jovem de pele morena, com traços do Oriente Médio, traços exóticos, nariz pequeno e arrebitado, com lábios carnudos e rubros, queixo delicado, dentes perfeitamente enfileirados e brancos, grandes olhos negros com uma grossa cortina de cílios e um corpo escultural, com curvas sinuosas. E lindas covinhas quando sorri. Essa é Nur Karim Abdallah.

Era impossível para Nur passar despercebida, não apenas por seu comportamento exemplar, mas também por sua beleza exótica. 

A sala estava cheia de candidatas, e uma por uma foram chamadas. Mas por capricho do destino, justamente Nur ficou por último.

As outras moças já haviam ido embora quando chegou a vez de Nur.

Era a senhora Amelie quem estava chamando as moças, uma avaliação prévia antes da senhora Marina. Já no primeiro momento Amelie já se agradou de Nur. E coração de mãe nunca se engana.

- Essa é diferente das outras, e diferente de Christine - pensou Amelie.

- Nur Abdallah - chamou Amelie.

- Sou eu senhora - Respondeu Nur.

Outro fator que agradou Amelie, Nur tem um dengo carinhoso na voz, uma delicadeza suave quase um sussurro.

- Por aqui por favor - Amelie indicou o caminho. Nur levantou-se com elegância e andou calmamente, por onde passava um suave perfume a acompanhava.

- A nora dos meus sonhos, a esposa perfeita para Erik ou para Enrico - Pensou Amelie.

Amelie entrou primeiro na sala e com um olhar e sorriso de satisfação nos lábios ela entregou a candidata a sua sogra, que era feito uma mãe para ela. Como tinham sintonia e se conheciam muito bem, trocaram um olhar e um sorriso. Marina chamou:

- Nur Abdallah - Chamou Marina, com muita expectativa.

- Bom dia senhora, com sua licença - Nur falou com uma voz tão doce e suave, acompanhado de um sorriso acolhedor, ostentado lindas covinhas.

- Sente-se por favor  - Convidou Marina.

- CHUKRAN, muito obrigado senhora - Agradeceu Nur.

Pequenos gestos de uma educação esmerada que é impossível não compará-la com Christine, a soprano ordinária como Amelie e Marina se referem a ela. Nur aproximou-se e sentou no lugar indicado.

- Então Nur - Começou Marina - seu currículo diz que é graduada, pode me contar mais a respeito por favor? - Pediu Marina.

- Certamente senhora - respondeu Nur - Sou graduada em literatura e filosofia pela Universidade Do Líbano, e estou concluindo meu curso de Dança pela Academia De Dança De Porto Alegre. Tenho cursos de informática, sou fluente em espanhol, português e árabe. Mas tem um problema senhora, não possuo experiência  -  Nur falou com toda a franqueza, mirando seus olhos negros nos olhos azuis da matriarca dos Destler.  E isso foi outra coisa que Marina e Amelie gostaram em Nur, franqueza e transparência. Duas qualidades raras nas moças de hoje em dia.

- Abdallah, esse seu sobrenome...

...Você é dos Abdallah das joalherias? - Perguntou Amelie.

- Sim senhora, sou a filha única  de Karim Mansur Abdallah.

- Está explicado a educação diferenciada - Marina e Amelie elogiaram juntas.

Nur enrubesceu e sorriu.

- Mas por que escolheu uma carreira diferente? - perguntou Marina.

De uma entrevista de emprego, a conversa tomou um outro rumo. Um rumo informal.

- Não é o que me completa e me faz feliz - Nur respondeu com a suavidade de uma pluma. 

- E o que a faz feliz  então? - Perguntou Marina.

- Dançar e ler um bom livro, meu sonho é ser escritora, isso sim eleva minha alma ao céu - respondeu Nur.

- Nur, há coisas que você precisa saber, caso seja aprovada para o cargo de assistente pessoal de Erik, meu filho mais velho - Amelie falou. Uma sombra negra pairou sobre Marina e Amelie, o ar tornou-se denso e triste. Amelie baixou os olhos tentando conter as lágrimas.

- Erik possui uma condição rara de saúde, o meu filho é portador de Porfiria. E tem uma vida regrada cheia de limitações, cheia de limitações. - Amelie engoliu o choro.

- E o meu neto tem uma deformação no lado direito do rosto, ele repara com uma máscara. Erik não gosta que o olhem no rosto, meu neto é um compositor talentoso. A vida o compensou dando esse dom maravilhoso.

O contrário das outras moças que as olharam com espanto, com asco e desprezo. Algumas até desistiram da vaga no momento em que foram informadas. Mas Nur era diferente das outras, indo totalmente contra a expectativa negativa.  Nur as olhava com compaixão e bondade nos olhos.

Sem verbalizar as três compreederam uma a outra.

- Há algo que eu possa fazer por vocês? - Nur perguntou.

- Não filha, muito obrigado por nos escutar respeitosamente, sem nos pré-julgar ou desistir da vaga. - Amelie falou depois de se recompor.

- Isso é tudo filha, está dispensada por hoje, entraremos em contato com você. Pode ir em paz filha. - Disse Marina encerrando a entrevista.

- Eu é que agradeço a oportunidade da entrevista - Respondeu Nur levantando da cadeira.

- SABAH AL NUR, Uma Manhã Iluminada para vocês!!! - Nur se despediu.

- Para você também filha - Responderam juntas Marina e Amelie.

Nur se aproximou da porta e abriu. No mesmo momento Erik entrou e deram um encontrão.

- Aiiii meu nariz - Disse Nur passando a mão em seu nariz e fazendo biquinho. Erik achou engraçado aquela mocinha e por milagre esboçou um sorriso. Marina e Amelie não tinham dúvidas.

É Nur a pessoa certa para interagir com Erik.

- Me perdoe senhor - disse Nur

- Me perdoe você senhorita, também não olhei antes de entrar - Disse Erik com sua voz grave e rouca. 

Nur foi erguendo os olhos para ver com quem teve a colisão. Nesse momento o céu se abriu para ambos. Nur nunca tinha visto um homem tão lindo na vida.

Corpo musculoso todo trabalhado no crossfit; 1,90 de altura; pele branquinha parece de mármore; um maxilar bem definido com uma covinha; rosto simétrico em perfeita harmonia; um sorriso encantador exibindo dentes brancos e enfileirados; com a barba por fazer, mas dava para notar covinhas no sorriso; lábios carnudos e escarlate; um nariz pequeno; lindos hipnóticos olhos azuis claros. Mas tão claros feito o orvalho da manhã. Dono de uma voz grave e rouca, muito sexy. Nur ainda não sabe, mas Erik entrou no seu coração. Quando os olhos se encontraram Nur Falou:

- MAKTUB, estava escrito - Nur falou hipnotizada pelo azul dos olhos de Erik.

Erik sorriu, meio confuso, mas ironicamente pensava igual. 

- Me perdoe senhor, com sua licença. - Disse Nur, ruborizada.

Erik deu o lado para Nur passar, estreito o suficiente para os corpos se roçarem. Gerando uma tensão sexual entre eles. Erik ficou inebriado com o perfume daquela mocinha tímida e linda. Ficou lisonjeado e espantado em perceber que podia causar esse efeito em uma mulher. Algo mexeu dentro de Erik, um sentimento há muito tempo adormecido.

- CHUKRAN, muito obrigado - Agradeceu Nur. - SABAH AL KHAIR, tenha um bom dia.- Nur se despediu e foi embora.

Marina e Amelie testemunharam o primeiro contato de Nur e Erik. Por conhecerem Erik tão bem, perceberam que ele se agradou de Nur. Para romper aquele silêncio perturbador, Marina mexeu com o neto.

- O que achou de Nur? - Pergutou Marina com um sorriso malicioso nos lábios.

- Nur? - Indagou Erik.

- Sim, Nur Karim Abdallah. Esse é o nome dela - Amelie falou, também com um sorriso malicioso nos lábios.

- Vou ver se o almoço já está pronto, com licença - Disse Amelie beijando a bochecha do filho e dando uma piscadinha esperta para a sogra.

- Nur - Repetiu Erik com um suspiro - A imagem dos olhos negros da bela brasileira/libanesa não saía da sua memória. Marina percebeu e perguntou ao neto:

- O que achou de Nur? Ela é de boa família, qualificada e meu sexto sentido de vó me diz que ela gostou de você - Analisou Marina.

Erik riu debochado e falou com sarcasmo.

- Ah é, esse povo arranja casamentos entre si. E alguém como ela jamais iria querer um deformado que nem pode se expor a luz do sol - Disparou Erik, amargurado.

- Cale-se Erik, não admito você se comportar assim. Nós o educamos para ser um príncipe  - Marina o repreendeu duramente. Ela era a única que conseguia ter pulso firme com Erik. A única que conseguia conter a sua agressividade.

- Me perdoe pela grosseria vovó - Se desculpou Erik.

- A solidão é uma péssima conselheira. - Erik falou com tristeza na voz.

- E então? Gostou de Nur? Eu vou definir agora com quem fica o cargo de sua assistente pessoal - Marina deu o ultimato ao neto.

O rosto de Erik se iluminou e com um sorriso aberto respondeu a sua avó.

- Sim, eu gostei dela. Eu a quero por perto, como minha assistente pessoal. 

Erik olhou para a avó com um semblante de paz, com uma esperança no olhar, há muito tempo esquecida. Na ficha de Nur tinha uma foto avulsa dela, Marina deu a ele. Erik ficou contemplando a beleza daquela linda jovem. Delicada como uma pluma, perfumada feito um jasmim. O amor revelando para Erik e Nur, em duas colunas de luz. Erik não está condenado á solidão e nem a infelicidade. E Nur provará isso a ele. Nur desafiará todos os obstáculos, não se curvará para os problemas que virão. Nur é uma mulher de verdade, mulher de fibra. O mundo conhecerá o amor indestrutível que ainda está por ser construído.


Notas Finais


O coração de Erik sempre foi solo fértil.
Depois de muito semear, e regar com suas lágrimas.
Começou a florescer no jardim da solidão de Erik.
E a borboleta mais rara e bela pousou nas suas flores.
Coletando o néctar e promovendo a polinização.
Mas os caminhos para chegar no coração de Nur não serão só flores e borboletas.
Haverá pedregulhos e zangões na sua pequena jasmim.
Erik terá que ter controle sobre o seu ciúme doentio.
Nur recusou casamentos com homens de sua mesma origem, já para não sofrer com relacionamentos abusivos.
Mas o amor já foi semeado nos corações de ambos.
Erik e Nur terão que juntos superar as dificuldades que o mundo vai impor.
Seu amor é puro, verdadeiro e incondicional.
Erik terá que compreender que Nur não é Christine. É ofensivo para Nur compará-las.
Aguardem cenas dos próximos capítulos...


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