História O Anjo Toto - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Romance
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


A expressão de “Anjo” foi dada a esse personagem por causa da sua aparência. Gabriel é uma criação minha e a personalidade dele é totalmente diferente da de Carlitos do filme “El Anjo”,apenas a aparência corresponde.

Capítulo 1 - O que será que o Anjo tanto olha?


Fanfic / Fanfiction O Anjo Toto - Capítulo 1 - O que será que o Anjo tanto olha?

Dono de um rosto impecável, angelical. Cabelos louros encaracolados,lábios vermelhos e chamativos. Olhos claros e uma bela figura vestida em jeans e tênis. 

Prezava a sua liberdade e popularidade. Não importava onde estivesse,Gabriel sempre atraía todos os olhares. E na verdade, seu poder de sedução é sua maior arma.

Dentro da sala de aula ele não é o aluno exemplar ,mas sabe exatamente quando parar,diferente de seus amigos babacas. 

Quantas vezes me perguntei se ele não era realmente um anjo enviado por Deus para me observar de perto? Já que algumas vezes seus olhos caíam em mim,sorrindo de canto,um lindo sorriso ladino que me deixava intimidada.

Sentado apenas duas cadeiras na minha frente,na fileira ao lado o garoto incansavelmente virava-se para trás e lançava seus olhos em minha direção. Eu desviava os olhos sempre que percebia suas olhadas.

Havia algo de errado comigo? Seria meu cabelo? Alguma espinha gigante no meu nariz? Eu tentava me convencer de que ele olhava além de mim,para os seus amigos no fundo da sala,que desobedeciam o professor e continuavam a conversar entre eles.

Mais uma vez,senti o peso das perfeitas orbes de Gabriel em mim,e sorrateiramente rodeando por toda a sala levei-os até os dele,que permaneceu sem desviar. 

Com um lápis entre os lábios vermelhos sorriu ao ver aonde meus olhos se encontravam. Me amaldiçoei por ter olhado para onde não deveria. Mas encorajada tornei a encara-lo.

Céus! Ele é sem dúvidas um anjo.

— Senhorita,Anne! — Estalou a régua sobre minha mesa o professor,me assustando com um sobressalto da cadeira — Creio que não estava prestando atenção sequer ao que estava dizendo,certo? — Argumentou o homem mais velho ao meu lado. Corrigi minha postura imediatamente e semicerrei meus olhos quando percebi que o dono dos cabelos encaracolados e louros dava risada,assim como o resto da turma.

— Perdão,senhor. 

— Mais atenção se quiser passar na minha matéria,senhorita.

— Sim,senhor.

Molho meus lábios e alcanço meus lápis e canetas no estojo para fingir estar fazendo anotações no caderno. Eu ainda me sentia constrangida pela vergonha de ter sido chamada a atenção daquela forma,mas fingi não me importar enquanto começava com os rabiscos.

Logo o horário do professor Wilson chegou ao fim,mais ainda teríamos aulas. A professora logo entrou com seus livros dando bom dia para todos. 

Depois de dois minutos escutando a voz de Grace,retirei os fones de ouvido de dentro da mochila e pus nos meus ouvidos. 

Rabsiquei com cuidado para não errar nenhum dos detalhes da garota na folha. Passei os olhos com cuidado pelo desenho e sorri por final,não era nenhuma obra de arte mais tinham que admitir que ficara bom. 

Mas em meio a música e pensamentos,o lado esquerdo do meu fone foi cuidadosamente retirado. Respirei fundo,pronta para levar outra bronca da professora e mais uma vez ser motivos de chacotas da sala.

Mas ao olhar para cima meu cenho se franziu e eu realmente fiquei surpresa.

— A professora pediu para fazermos dupla. — Ele sorriu,aquele sorriso que me deixava nervosa. Estava levemente inclinado para frente com a mão na lateral da mesa branca,seus dedos brincavam com o fone e o sorriso não sumiu dali.

— Alternativa dela você vir fazer dupla comigo? — Pergunto,desconfiada.

— Não. Foi escolha minha. — Mostrou os dentes em um sorriso que ganhou um pouco mais de espaço no seu rosto.

Concordei levemente com a cabeça. Ele logo sentava-se ao meu lado,abrindo o livro na página que a professora pedia. Guardei o desenho antes que ele percebesse e peguei também o meu livro,retirando os fones,

Observei que ele passava os olhos pelas letras rápido,com auxílio dos dedos deslizando pela página e logo rapidamente ele já lia o outro lado.

Vi mais um de seus sorrisos surgindo de lado e seus olhos voltando-se para mim sem mover a cabeça. Virei rapidamente meu rosto para frente na esperança de que ele esquecesse imediatamente que eu estava o encarando.

Até quando meus olhos continuariam a me trair?

— Precisa de ajuda? — Sua voz soou depois de um risinho descontraído. Virando de lado para me olhar melhor,com o antebraço em cima da mesa e ainda com o dedo na linha onde ele tinha parado a leitura.

— Não. — Apressei em dizer. — É que você estava tão concentrado,que nem parece que... — Tento engolir minha língua por estar falando mais do que deveria.

Ele riu.

— Eu entendo. Tem apenas algumas semanas que estou sentando na frente,e você ainda deve me ver como um dos bagunceiros da sala,não é? — Questionou,Gabriel,sem perder o humor. Eu manuseio a cabeça. — Meus pais são pessoas rígidas,exigem que eu tenha boas notas e passe de ano sem precisar ficar na recuperação. — Explicava. — Quero que eles tenham orgulho de mim.

Pisquei meus olhos.

— Vamos começar,então. — Molhei meus lábios inclinando-me para começar a ler. Ele se moveu também,sem se pronunciar novamente. Não tinha o porquê.

Li e reli as partes que não havia compreendido. Teríamos que entregar ainda hoje uma atividade de trinta questões de matemática. Tínhamos dois horários restantes e já estávamos adiantando as questões na folha. 

Gabriel sempre me perguntava quando eu gostaria de trocar com ele,para não ficarmos com calos nos dedos começamos a alternar entre nós para copiar.

— Ótimo,agora escreva o seu nome aqui e depois é só entregarmos para professora. — Entregou-me a folha.

— Quer que eu vá entregar? — Eu Pergunto já ficando de pé.

— Se você insiste. — Deu de ombros,com um leve movimento nos lábios.

Lhe dou as costas e caminho até a mesa de Grace,ciente que seus olhos estão me acompanhando.

— Já,querida? — Grace recebe nossas atividades ajeitando os óculos com a ponta dos dedos enquanto olha atenta para as folhas.

— Sim,senhora.

— Ótimo! — Ela olha-me — Você e Gabriel estão liberados,podem deixar a sala,se quiserem.

Balanço a cabeça e retiro-me.

Observo alguns dos alunos da sala no curto caminho de volta até o meu lugar. Estão de cabeça baixa,lendo e anotando.

— Aonde está indo? — Perguntou com inocência. Me observa agachada ao lado pegando meus pertences.

— Fomos liberados,mas acredito que queira ficar e ajudar seus amigos. — Respondi erguendo-me.

— Na verdade eu não quero,não. — Seu rosto se contraiu em uma careta,me fazendo lutar para reprimir uma risada.

Dou de ombros ajeitando a alça da mochila em apenas um dos ombros,corrigindo também minha postura.

— Faça como quiser,então. — Eu disse,rodando nos calcanhares e me virando para sair da sala.

Os corredores não estavam completamente vazios. Alguns professores também estavam liberando alguns de seus alunos,eles conversavam escorados nos armários azuis. 

Caminho até os portões sem chamar atenção,fazendo meu caminho silencioso e solitário como na maioria da vezes,já que minha melhor amiga nesta escola insistia em ficar faltando.

Antes de repor meus fones ouço passos distantes e apressados. Como uma verdadeira corrida.

A sensação de não estar mais sozinha me ganha,e eu percebo que alguém vinha andando atrás de mim.

— O que você costuma fazer depois da escola? — Ele novamente retira meu fone de ouvido e sua voz ganha a minha atenção. Ele caminha bem ao meu lado,muito próximo.

— Já são quase meio-dia e meio,e minha mãe espera por mim em casa. — Digo sem desviar meus olhos dos dele que me olhavam como se eu fosse uma descoberta.

— Você mora longe? — Ouvir a voz de Gabriel era como ouvir música sendo tocada por anjos,uma melodia que envolve e estranhamente vicia.

— Não. — Digo atravessando os portões junto à ele,paro ao seu lado e sem querer toco seus dedos quando retiro meu fone dele. — Mas eu gosto de andar,então até amanhã.

Me despedi já lhe dando as costas,mas ele impede ficando a minha frente bem rapidamente.

— Quer carona? — Pôs as mãos dentro do moletom que usava.

— O que você quer? — Tamanha gentileza me era estranha.

— Te dar uma carona? — Riu baixo,dando de ombros.

— Por que? — Estreitei os olhos. Ele fez o mesmo,me imitando.

— São quase meio-dia e meio. — Verificou seu relógio de pulso e depois voltou a por a mão pelo moletom. — Você deve estar com fome,e aposto que sua mãe vai me agradecer por ter levado a filha dela em segurança até em casa. — Ele arriscava em me olhar tão de perto quando se inclinava e sorria.

Bufei.

— Está bem. — Murmuro. Ele agita um pouco a cabeça.

— Vamos? — Prendo a respiração por automático quando sua mão atrevida puxa a minha para o outro lado da calçada,até um Ranger rover preto parado bem ali.

Ele desativa o alarme do carro e abre a porta para mim. Ponho a minha mochila em cima das pernas e tenho tempo de ver as meninas do outro lado observando Gabriel fazer a volta no carro,até está dentro afivelando o cinto de segurança. Eu seria caçada por essas garotas mais tarde.

 Ele liga e manobra o carro com facilidade e me deixa surpresa. Não sabia que ele dirigia tão bem assim. Antes que ele percebesse mais uma vez meus olhos inconvenientes eu os retirei de sua pessoa que se mantinha atento nas ruas.

— Então? — Indagou freando levemente na esquina no sinal vermelho. Virei o rosto para olhá-lo confusa.

— Então,o quê? — Continuo olhando confusa.

Ele riu.

— A sua casa,onde fica? — A voz de Gabriel me surpreendeu depois de ter focado no assunto.

— Ah,sim. — Chacoalho a cabeça virando para olhar pela janela. Passei o endereço e logo já estávamos nos encaminhando até lá.

Eu olhava para as casinhas que passávamos,eram simples mais muito bonitas. Logo já estávamos entrando no meu bairro então eu desafivelo o cinto de segurança e agarro minha bolsa. 

Alguns dos meus vizinhos olhavam curiosos por verem um carro tão bonito andando por ali.

— Pare aqui. — Pedi levando a mão até a porta para abri-la e sair.

— Não é tão perto assim. — Com a cabeça encostada no banco e os cachos bagunçados,o seu olhar tentava me convencer a ficar dentro do carro mais um pouco.

— Já disse,eu gosto de andar. — Me preparei para sair novamente,e outra vez fui barrada pela sua voz.

— Sua mãe deixa você na escola todas as manhãs?

— Nem sempre,mas quando pode sim. — Olhei-o timidamente.

Congelei no assento vendo sua postura. Ele não dizia mais nada, e mais nada me impedia de sair,mas eu fiquei parada  encarando-o de volta.

— Acho que aquela é a sua mãe,na porta. — Disse Gabriel.

Olhei rápido para minha casa. Fiz careta,abri a porta do carro e saltei para fora. Tive um choque de realidade e com certeza ele debocharia de mim com os amigos mais tarde.

— Obrigada pela carona. — Agradeço antes de fechar a porta do carro e seguir até dentro de casa,escutando o carro acelerar para longe.

Ficar perto de Gabriel é quase uma perfeita e completa tortura. Sentir seu perfume amadeirado,escutar duas risada encantadora e ter que aturar seus sorrisos que me deixam desconcentrada.

[...]

Acordar cedo todas as manhã estava se tornando uma das piores coisas. Mais estamos quase no final,falta pouco até a formatura e tudo isso acabar. Virando a esquina já posso ver alguns alunos entrando pelos portões,a sirene está prestes a soar então como estou um pouco atrasada eu apresso meu passo até dentro. 

O porteiro me cumprimenta e eu sorrio voltando a andar. Meus passos diminuem quando percebo a cabeleira loura mais à frente conversando com um grupo de garotas,eu não estava surpresa. Sempre via as investidas de Zoe e suas amigas para cima de Gabriel e o resto. A garota me nota ali,ao contrário do garoto que se mantém de costas. Ela sorri atrevida e passa a mão pelos cebelos do louro,gruadados os olhos nos meus que continuei a observar. Ele tocou a mão dela com a dele,envolvendo seus dedos. 

Engulo seco e passo por eles focada nos meus pés.

Só tenho tempo de atravessar a porta até o sinal soar,por sorte Sara veio hoje e me oferece seu sorriso quando me vê entrando,apontando para cadeira vazia ao seu lado.

— Por que não veio ontem? Você não tem medo de ficar reprovada? — Fiz perguntas quando me sentei,tirando o material da bolsa.

Ela deu de ombros.

— É que eu estava doente,sabe?

— Sei,era gripe ou dor de cabeça?

— Os dois. — Riu — Posso juntar nossas mesas?

— Você sabe que vão pedir para nós nos separarmos,não é? — Adiverti.

— Se dermos sorte,não!

— Tá,tanto faz.

— Está de mal humor? — Perguntou alinhando sua mesa na minha. Franzi meus lábios.

— Não.

— Então,comprei ingressos para o filme no auditório hoje. — Ela disse empolgada.

— Quem é o sortudo que vai com você? — Pergunto sem interesse.

Ainda tinham alguns alunos chegando,então a professora ainda estava os esperando para começar a aula.

— Você!

Reviro meus olhos.

— É terror? —

— Pode apostar que,sim!

Rolo meus olhos descordando. Não sou fã de filmes de terror.

— Por que eu iria?

— Porque você não tem opção.

Lembrei que ficaria em casa vendo televisão com a minha mãe se não aceitasse,mais por outro lado,se eu fosse teria vários pesadelos com o que veria.

— Que horas são?

— Hm,deixe-me ver...— Olhou o celular nas mãos. — 7:40 em ponto.

Dou uma risada pequena.

— Não,sua retardada! Eu estou falando do filme no auditório!

— Ah,sim! — Ela riu chacoalhando a cabeça. — 8:00 da noite.

Recosto na minha cadeira bufando.

— Não quero ir...

— Mais vai!

A professora chamou atenção,já deveriam estar todos presentes na sala. Mais reparei na ausência de uma pessoa. Gabriel,estava atrasado. Mais eu havia o visto na entrada.

A professora passava pelos alunos entregando as atividades de ontem,chamou pelo meu nome e pelo de Gabriel,já  que tínhamos feito dupla no dia anterior .

— Onde está o senhor,Toto? — Pergunta Grace,me entregando a atividade.

— Não sei dizer,senhora.

Ela somente ajeitou os óculos e continuou a andar.

— O que?! — Sara gesticula — Você fez dupla com o senhor,Toto?

Ótimo. Agora teria que dar explicações,

— A professora nos pôs juntos. — Minto enquanto analiso as questões certas e erradas,que eram pouquíssimas.

— Por que você trata esse assunto como se fosse bobeira? —Retirou as folhas das minhas mãos e virou meu rosto para ela. Fiz careta.

— Porque realmente,Sara,é uma bobeira. — Falei — Não entendo porque vocês tratam certas pessoas como se elas fossem celebridades,mais são apenas adolescentes comuns fazendo coisas para chamarem atenção.

Ela rolou os olhos,enquanto debochava de mim. 

Não tivemos como continuar a discussão,pois Grace logo  deu início à aula. Números e mais números . Eu anotava e anotava,tanto que meus dedos doíam,por um momento até senti falta de Gabriel para podermos trocar um pouco. Mais hoje era cada um por si.

As aulas passaram e logo já estávamos saindo para ir ao refeitório,Sara logo avistou as amigas em uma mesa bem no centro. 

Normalmente não seria um lugar onde eu ficaria mais por pura pura insistência de Sara acabei me juntando a elas.

Suas amigas não era chatas e muito menos metidas a patricinhas,eram comuns. Me incluíam em todos os assuntos,e Sara não pode deixar de contar que eu tinha feito dupla com Gabriel. O anjo da escola.

Beberiquei meu lanche mais no final apenas o remexo,apenas bebi meu suco enquanto tentava não me afogar com as piadas que as meninas faziam.

Will,acabara de se juntar a nós junto de mais alguns amigos. Nossa mesa realmente estava bem disputada hoje. 

Emy,uma das amigas de Sara — Que agora eu também já considerava minha amiga — Estava sentada ao meu lado,com Sara do outro. Ela trajava um uniforme de líder de torcida e um lindo laço nos cabelos. Ela insistia em tentar me fazer o teste,eu achei aquilo loucura.

— Não posso,Emy! — Disse pela vigésima vez. — Eu não posso e também não quero!

— Anne! — Repreendeu Sara me cutucando. — Não seja rude,eu não te criei assim!

Franzo meus lábios,virando para Emy.

— Foi mal. — Sussurro para a garota de olhos castanhos.

Ela sorriu e para minha surpresa me abraçou de lado.

— Não desisti de você ainda,Anne! — Tocou a ponta do meu nariz. Reviro meus olhos.

— Sara,me conta uma coisa? — Luca chamou pela amiga.

— Qual coisa?

— A Anne é solteira? — Senti minhas bochechas ruborizado.

— Ela está na mesma mesa que você,idiota. — Ela apontou para mim,dizendo que eu estava ali,que podia ouvir e responder por mim mesma.

— E então? — Luca arqueou a sobrancelha fitando-me,depois de ter revirado os olhos para Sara.

— Gente? — Abri minimamente a boca para responder,mas Emma chamou atenção do grupo ao mencionar o nome do anjo. — O que será que o Toto tanto olha para nossa mesa?

Disfarçadamente alguns arriscaram olhar. Eu não consegui.

— Acho que sei. — Sara sussurrou somente para mim,me lançando aquela cara sapeca.

— Deve estar com vontade de se juntar a nós. Aqueles amigos dele são um porre. — Disse Will,que brincava com o sanduíche.

— Igual ele. — Disse Emma.

— Graças a Deus ele é bonito. — Zombou Lilia virando para olhá-lo por cima do ombro. 

Já que estávamos mesmo todos trocando olhares eu o procuro pelo local. Está em uma mesa próxima da nossa,sentado em um ângulo que o permite olhar diretamente para...Mim?

— Acho que ele está olhando para mim. — Emy sorriu em direção ao anjo,mais não foi correspondida.

Sentado em mesas tão próximas eu suspeito até que possa ouvir nossas conversas.

— Ah,claro. Com certeza é para você. — Sara deu risada me cutucando outra vez.

Ele não parecia estar alegre. Eu não tinha como ter certeza para quem ele estava olhando,Sara e Emy estão ao meu lado. Ele pode estar olhando uma delas,e não para mim.

— Então,todos aqui presentes nessa mesa vão marcar presença no auditório hoje? — Quis saber Luca apoiando nos cotovelos na mesa.

— Com certeza! — Alguns responderam.

— Você vai,Anne? — Luca perguntou-me.

— Vou,mas não por vontade própria. — Tento me concentrar no pessoal da minha mesa ao invés da mesa ao lado.

— Ah,saquei. — Will riu — Sarinha usando seus encantos.

— Eu tenho meus truques. — Disse Sara passando as mãos nos cabelos.

Já faziam alguns minutos que o sinal para voltarmos para a sala havia tocado,mais nenhuma das pessoas da nossa mesa deixou o local. 

A conversa fluía da melhor forma,com brincadeiras e músicas que tocavam nos celulares em cima da mesa. Além de nós naquela área do refeitório tinham apenas as responsáveis pela limpeza e alguns vigias que passavam por ali.

Não era a primeira vez que eu matava aula mais sem dúvida  estava sendo a mais divertida. No final,acabamos vagando pela escola falando e falando. 

No final do horário de aula todos nós já estávamos nos portões em meio a novas brincadeiras.

— Sério,pessoal,não precisa mesmo. — Agradeço e dispenso a ideia do grupo me acompanhar até em casa.

— Assim você nos faz pensar que não nos quer por perto. — Luca fez bico.

Balanço a cabeça com um risinho.

— Ela quer,sim pessoal! — Garantiu Sara,como sempre sendo intrometida.

— Então vamos andando! — Chamou Will.

Não conseguiria mesmo ir sozinha,só me restou aceitar. Pelos menos teria companhia.

Logo depois de me deixarem em casa eles seguiram até as suas,naquele fim de manhã eu estava realmente feliz. Tinha feito novos amigos.

Pela noite eu me preparei para sair com o grupo novamente,eu teria que assistir aquele filme de terror.

Vesti uma calça jeans colada,que deixou meu bumbum  avantajado e uma blusinha de alça branca. Calcei meu vans e deixei os cabelos soltos,perfumei meu pescoço e pulso.

Ao descer para a sala já podia ouvir a voz de Sara aos berros com a minha mãe.

— Sobre o que estão fofocando desta vez?

Elas viraram para me ver parando de sorrir.

— Sobre como a aula foi divertida hoje. — Disse Sara,mentindo pois havíamos matado aula.

— Se você não faltasse tanto talvez nós nos divertiríamos mais ainda. — Falei e sorri — Já disse que fiz amigos novos hoje,mãe?

— Não,mas Sara,sim.

— Sabe o que a sua memória fraca esqueceu de me contar? — Sara veio até mim contendo um riso.

— O quê? — Perguntei torcendo para que minha mãe não tivesse falado sobre Gabriel.

— Que você chegou de Ranger rover ontem. — Contou não se contendo e rindo.

— E?

— Era o Toto,não era?

— Era,era sim. — Murmuro — Não posso mais receber caronas?

— Não estou dizendo nada. — Mordeu o lábio.

— Vamos? — Mudo de assunto.

— Vamos,não quero chegar atrasada e perder o filme.

Saindo de casa percebo um carro branco parado ao meio-fio,viro para perguntar e vejo Sara atrás de mim girando uma chave com chaveiro de pelúcia rosa. Me calo.

Ele pede para que eu entre e logo estamos indo rumo à escola. Eu ficava aflita a cada carro ou caminhão que passava por nós,já que nunca antes tinha visto Sara dirigindo; Mas até que ela estava se saindo bem.

Ela estaciona em uma das poucas vagas que tinham e descemos.

— Vamos encontrar nossos amigos por aí,ainda está cedo. 

Sorri ao processar a frase “nossos amigos.”

— A propósito, — Ela segurou minha mão por cima e me fez dar uma voltinha. — Eu não sabia que você tinha uma bunda tão bonita assim!

— Sua boba! — Ri.

— Aí estão vocês!— Gritou Emy de longe ao nos ver subindo as escadas para o segundo andar. 

Ela estava junto de Will,Luca e Emma. 

Ela me abraça quando chego bem perto,depois abraça Sara.

— De jeito nenhum eu perderia esse filme. — Disse Sara tirando o celular de dentro da pequena bolsa que vinha carregando.

— Quem trouxe vocês?

— Sara veio dirigindo.

— Misericórdia. — Zombou Emy.

— Eu não me arriscaria. — Também zombou Luca com um bico,começando a me analisar.

— Não tive escolha. — Falo.

— Vamos andando? Antes que nos impeçam de ficar aqui,porque está tendo aula e não podemos incomodar.

— Eu tinha esquecido que tem aulas a noite. — Murmurou Will. — Então é por isso que tem tantas pessoas por aqui! — Disse.

— Dã! — Dissemos em uníssono dando risada.

— Vamos indo. — Chamou Sara puxando meu braço juntinho ao dela.

— Meu Deus,Anne! — Emma gritou mais atrás. Virei para olhá-la sem entender.

— O que foi?

— Tá com uma bunda bonita,hein?

Franzi o cenho,querendo rir.

— Será que dá para pararem de falar da bunda dela aí atrás? — Sara continuava puxando-me. — Tô começando a ficar com inveja. Já olharam a minha? Também é bonita,não é?

Eles riram. Na porta do auditório algumas pessoas  vendiam lanches,cachorro-quente,pipoca e outras coisas para bebericar durante a seção.

Adentramos e vemos que quase todos os lugares já estavam cheios. 

Nossos olhos pareciam ter imãs,logo já estavam se encontrando. 

O anjo enrolava um cacho nos dedos e me direcionava um dos seus famosos sorrisos. Responsável por tirar o fôlego de todas. 

Engulo seco e evito olhá-lo por muito tempo,senão Zoe perceberia. Ela sentada bem ao lado dele. 

Sento na segunda fileira,entre Emma e Emy,deixando Gabriel para trás. Assim não teria que olhá-lo quando começasse os amassos entre ele e a namorada.

As pessoas na sala soltam pequenos gritos quando as luzes se apagam e focam apenas no grande telão da sala. O filme começa.

Assistir aquilo aquilo me deixava entediada,desejava que alguém surgisse e me tirasse dali. O filme é longo e chato.

— Se importa se eu sair um pouquinho? — Emma murmurou baixo para não atrapalhar.

— Aonde você vai? —

— Bom,digamos que o meu garoto está me chamando lá fora.

— Seu garoto?

Seus olhos se fecham e abrem de forma engraçada.

— Está bem,vai lá! — Empurro ela de leve.

Ela sai e deixa seu lugar vazio. O filme prossegue,meus olhos já rolavam a muito tempo de tédio e um pouco de sono.

Sinto algo se posicionar em meu ombro,olho assustada e vejo o anjo me olhando e sorrindo.

— Por que não assistiu aula hoje? — Perguntou baixinho — Senti sua falta.

Eu deveria acreditar nele?

— Eu duvido que a aula estivesse tão interessante quanto as conversas que eu estava tendo lá no refeitório com os meus amigos.

— Exatamente. — Sussurrou,eu conseguia sentir seu hálito. — Estava um tédio,você não estava lá então não tinham minguem interessante para eu poder conversar. — Sorriu,seu sorriso era tão inocente e tentador.

— E os seus amigos? — Eu tentava manter meus olhos nos dele,mas acontece que os lábios vermelhos me chamavam até eles.

— Eles são um porre.

— Os meus amigos também acham. — Ri fraco.

Seus lábios moldaram um sorriso espontâneo. 

Perfeito,essa era a palavra,

— Preciso de amigos novos. — Molhou os lábios com a língua e os contraiu. — Quer ser minha amiga?

Abaixei um pouco a cabeça e ri,sabendo que meu cabelo tinha escondido o ato.

Gabriel cuidadosamente pôs a mecha que o impediu de me ver sorrir para trás da orelha e outra vez umedeceu os lábios,eu quase acompanhei o movimento da língua dele.

— E então? — Forçou uma resposta ao me ver calada,apenas o olhando.

Ergui meus olhos até os cabelos louros dele,cachos perfeitos. Quase passei a mão por eles, e percebendo isso o dono riu baixo.

— Está bem. — Olhei para o seu rosto,iluminado por poucas luzes,os olhos claros ganharam uma cor mais escura. 

— Posso sentar ao seu lado? — Perguntou. — Aí você pode deitar a cabeça no meu ombro se quiser. 

Quis rir.

— Acho que a Zoe não gostaria disso.

— Oras,ela não tem que gostar. — Franziu as sobrancelhas. Seus olhos não abandonavam os meus.

— Eu pensei que...—

— Que namorávamos? — Contraiu os lábios em uma risada contida. Concordei. — Não,eu não gosto dela.

— Não? — Me xingo mentalmente por ter perguntado outra vez. Ele me deixava tão desconcentrada! 

Minha voz saiu baixa,espero que ele não tenha ouvido. 

Ele riu.

Porcaria. Ele escutou.

— Não,não gosto. — Sussurrou,outra vez alegando não gostar da garota.

Mordi meus lábios e concordei que ele sentasse ao meu lado. 

Eu outra vez pude sentir seu perfume. Ele me deixa embriagada.

Assim que viro para frente novamente para voltar a assistir o filme as luzes se acendem.

— Por quanto tempo conversamos? — Pergunto para o anjo que estava sentado de forma desajeitada,enrolando seu cacho nos dedos.

— Tempo suficiente para o filme acabar. — Disse tombando a cabeça.

— Anne,você...— A frase de Emy se encerra quando ela percebe Gabriel ao meu lado. — Você não estava lá no fundão com a namorada? Cadê a Emma?

Vejo Gabriel revirar os olhos e se preparar para responder sobre “a namorada” outra vez.

— Eu não sei onde sua amiga está,e a Zoe não é minha namorada.

— Por isso veio flertar com a Anne?

A olhei com os olhos arregalados.

— Não estava flertando. — Quando me viro o vejo sorrindo em direção à Emy.

É claro que ele não estava. Quem flertaria comigo?

— Bom,nós já vamos indo. — Sinto a mão de Emy me puxando para cima,me erguendo da cadeira. Gabriel imediatamente se levanta também.

— Espera um pouco, — Ele a impede de sair junto comigo — E se eu oferecer algo melhor do que ir para casa,assim tão cedo?

— Tipo o que? — Quis saber,Emy.

Eu estava entre os dois,não sabia exatamente para qual dos dois olhar.

— Acho que acabou de começar. —  Ele diz,olhando o celular.

— O que acabou de começar? — Luca se aproximou por trás de mim,me abraçando pela cintura.

Eu não pude deixar de perceber os olhos curiosos de Gabriel aos braços ao meu redor.

— Uma festa. — Disse somente,ele soou indiferente. Ou pelos menos tentou.

— Não ouvi a conversa toda,mais ouvi que a festa começou! — Emma apareceu entre nós comendo pipoca,com batom pelos cantos da boca.

— Por onde você andou? — Sara questiona estranhando o sumiço.

Ela deu de ombros.

— Por aí.

Will e Gabriel riram baixo,analisando os cabelos bagunçados e o resto de batom por toda a cara dela.

— O que acha,Anne? — Apreciei a voz de Gabriel falando meu nome.

Olho para os meus amigos,eles pareciam querer ir.

— Acho que temos uma festa para ir,então. — Meu murmúrio agitou eles.



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