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História O ano da formatura. - Capítulo 20


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Notas do Autor


Hey. Podem ler as notas finais depois? Tenho coisas importantes para dizer lá.

Aliás, me desculpem se houverem alguns erros. Eu escrevi este capítulo chorando, sabe... Eu prometo que vou revisar depois.

As partes em NEGRITO são FLASHBACK.

Boa leitura! <3

Capítulo 20 - Até logo.


 

Eren chegou em casa naquele fim de tarde com uma sensação tão ruim que parecia que tinha acabado de voltar do funeral de algum ente querido. Seu peito doía pela frustração de não ter conseguido entrar em contato com Armin, o que obviamente comprometeu todo o desenrolar de seu pacato passeio em família. O que era para ser algo divertido, acabou se tornando um evento desastroso que fez com o que o garoto quisesse simplesmente cavar um buraco e enterrar a cabeça como um avestruz. Ou talvez, quisesse entrar em uma bolha e ficar ali tempo o suficiente para que seus problemas se resolvessem por completo. Contudo, ele sabia que, se ele mesmo não colocasse sua vida em ordem, ninguém o faria por ele. 

O problema é que ele não tinha como resolver muita coisa com o tempo tão apertado. Quando encarou o relógio em sua escrivaninha, notou que faltava um pouco menos de duas horas para que tivesse que partir para o aeroporto, além de ter que terminar de organizar suas bagagens. O que ele poderia fazer? Suas opções eram quase nulas. E correr até a casa de Armin era uma opção meio arriscada, visto que poderia dar de cara com a porta se demorasse muito. 

No fim, lhe restou apenas a dolorosa opção de terceirizar a responsabilidade. Ainda que preferisse fazer isso diretamente e tivesse plena noção do que o que estava prestes a fazer era, de longe, a decisão mais desumana e insensata, era melhor do que simplesmente ir embora. 

Eren retirou o celular do bolso e rapidamente procurou pelo contato de Historia. 

 

Eren Jaeger, 18:22 

Preciso que você me faça um favor. 

 

Pôs o celular sobre a escrivaninha, mas não precisou esperar muito, pois logo viu a notificação saltar na tela. Pegou novamente o aparelho para conferir a resposta. 

 

Historia Reiss, 18:23 

O que foi? Aconteceu alguma coisa? 

 

Na realidade, ainda não havia acontecido nada. Mas, a partir daquela mensagem, sabia que aconteceria sim. Eren respirou fundo, enquanto digitava. 

 

Eren Jaeger, 18:24 

Quero que conte tudo ao Armin. 

Eren Jaeger, 18:24 

Literalmente tudo mesmo. Todos os detalhes. 

 

Eren pensou em colocar o celular de escanteio novamente, mas fora surpreendido quando o aparelho começou a vibrar em sua mão. Historia estava ligando, provavelmente para lhe dar alguma bronca ou querer saber mais detalhes. De qualquer forma, ele lhe devia isso, portanto não hesitou em atender. 

— Como assim contar tudo ao Armin? — a voz feminina soou exacerbada do outro lado da linha — Eu achei que você já tivesse feito isso. 

— Vai por mim, eu tentei. — ele suspirou, passando a mão livre sobre os cabelos em claro sinal de nervosismo — Eu tentei várias vezes, Historia... mas sempre algo ou alguém me impedia. E agora eu não tenho mais tempo. 

Eren ouviu um longo suspiro do outro lado da linha. Ele não precisava olhar para loira pra saber que, naquele instante, ela sustentava uma expressão indignada. Ela, mais do que qualquer um, queria que essa situação já tivesse sido resolvida para que pudessem bater o martelo e acabar com tudo de uma vez, restando apenas a paz. 

— Tudo bem, Eren. Eu faço isso. — ela finalmente respondeu, logo após um curto período em silêncio — Eu prometi que iria te ajudar, não é? Então eu vou fazer isso. 

— Muito obrigado. — ele não podia conter o alívio que se aflorou dentro de si ao ouvir aquilo, embora ainda se culpasse por ter que tomar uma atitude tão drástica. 

— Que horas é seu voo mesmo? — ela perguntou, repentinamente. 

— Nove da noite, por quê? — arqueou a sobrancelha. 

— Não é nada. — deu de ombros — Boa viagem então. Tenha juízo. 

E então, ela desligou sem lhe dar chances de resposta. Talvez ela tenha ficado chateada por ter que receber uma bomba como essa em suas mãos? De qualquer forma, Eren não tinha muito o que fazer mais, a não ser confiar que Historia iria conseguir contornar a situação da melhor forma possível. E, na pior das hipóteses, o Jaeger já estava disposto a aceitar que Armin ficaria com raiva, que o odiaria e que não iria querer vê-lo nunca mais. 

— Eren? — Mikasa o tirou dos devaneios ao adentrar seu quarto com alguns filmes de fotografias. Ela parecia tão animada ao erguer as fitas para ele — Veja! São as fotos que nós tiramos na cabine do parque mais cedo. 

O rapaz se aproximou, estava realmente curioso para ver como aquelas fotos tinham ficado desastrosas. Basicamente, enquanto analisava uma a uma, pode concluir que nunca devem colocar Levi Ackerman, Mikasa Jaeger e Eren Jaeger em uma cabine minúscula para tirar fotos. As polaroides estavam impagáveis, principalmente uma em que Levi estava o agarrando pelo colarinho, encenando uma cena de briga, enquanto Mikasa fazia uma cara de desespero com as mãos nas bochechas. 

Eren não foi capaz de conter a risada. Certamente sentiria falta de momentos como os que haviam sido congelados naquelas pequenas fotografias. Sentiria falta da sua irmã, do seu cunhado metido a brigão, de seus pais, dos seus amigos... 

— Eu vou sentir tanta falta disso... — soltou, do nada. Mikasa, ao perceber que as expressões de alegria haviam mudado drasticamente, abraçou o irmão sem pensar duas vezes. 

— Não vai sentir porque vamos sempre estar juntos, mesmo longe! — ela se afastou e segurou o rosto do garoto, fitando profundamente aquelas iris esverdeadas tão bonitas — Nós prometemos, não é? Vamos fazer chamadas de vídeo sempre, vamos nos ver durante as férias e... 

Ela foi obrigada a parar de falar, assim que os lábios do garoto se curvaram em um sorriso enorme. A mais velha não entendeu muito bem o motivo, mas não teve tempo de questioná-lo, visto que ele mesmo a abraçou em seguida. Um abraço tão apertado que a deixou espantada, o que resultou em uma certa demora para corresponder. 

— Eu te amo, Mikasa. — e então, os olhos dela marejaram e ela o apertou ainda mais. 

Era a primeira vez que Eren se deixava tão exposto para ela. Era a primeira vez que ele vocalizava seus sentimentos mais puros, que não fossem velados por alguma espécie de insulto fajuto. Era estranho, mas, ao mesmo tempo, dava a ela a sensação de acolhimento. 

Eren era uma muralha inquebrável, mas que, naquele momento, estava demonstrando que era possível enxergar dentro de si através das poucas fissuras em sua superfície tão áspera. Ela não podia se sentir mais sortuda e amada pelo seu irmãozinho. Irmãozinho... e foi neste momento também, que ela percebeu o quanto ele havia crescido. Já não era mais o pequeno Eren de antes. Ele havia se tornado um homem.

— Eu também te amo. — as palavras escaparam como um sussurro de seus lábios. 

E assim eles ficaram por alguns minutos, apenas matando com certa antecipação a saudade que os preencheria tão vorazmente depois daquela noite, até que Eren decidiu quebrar o contato e voltar a arrumar suas malas. Afinal, não tinha muito tempo e precisava ser rápido. Por sorte, Mikasa estava ali para ajudá-lo, como sempre.  

 

... 

 

 

— Posso te perguntar uma coisa? — arriscou. 

— Vá em frente. 

— Eu realmente queria saber o porquê de você ter escolhido justo a mim. — uma breve pausa — Você sabe, nós não tínhamos intimidade nenhuma antes dessa loucura toda e agora estamos aqui. 

Um sorriso cheio de satisfação tomou conta dos lábios de Historia. Parecia que Eren havia acabado de chegar no ponto que ela estava ansiando a noite inteira. 

Fez questão de terminar sua bebida só para fazer suspense e deixar o moreno ainda mais aflito e descartou o copo na lixeira apropriada pendurada ao lado da porta. 

— Eren, eu acho que você ainda não percebeu. — voltou-se para ele, seu semblante ganhado seriedade — Eu e você somos iguais. 

— O que quer dizer? — ele estava confuso. 

— Eu te chamei porque vi em você a mesma coisa que vejo em mim todos os dias. — tentou explicar — Nós dois queremos a mesma coisa, mas não podemos ter. 

Dito isso, uma luz se acendeu sobre a cabeça de Eren. 

Aquela ligação. O jornal. Tudo passou como um loooping na mente do moreno. 

— Eu acho que nós temos que conversar. — ele afirmou e ela concordou plenamente. 

— Vem, vamos andar. 

Historia segurou a mão do Jaeger e juntos contornaram toda a extensão do parapeito, desceram os oito degraus e partiram para a praia. 

Eles não tinham uma trajetória em mente, apenas caminhavam, vagarosos, a marca de seus pés descalços sendo cravada na areia fina que não parecia incomodar tanto quanto deveria. 

Historia carregava os sapatos em uma das mãos, da mesma forma que o Jaeger também carregava os seus. Seus olhares não tinham um foco específico: observavam o mar, contemplavam o céu e, por vezes, sustentavam por poucos segundos uma tímida troca de olhares, enquanto o silêncio pairava confortavelmente. Até certo ponto, a cena foi preenchida apenas pelo canto noturno da natureza, enquanto a brisa do mar os acolhia com um abraço amigável. Contudo, tudo pareceu mudar quando já estavam afastados do estabelecimento e se aproximaram de uma pedra bem grande na borda da praia. Mais para frente, havia a entrada de uma espécie de pequena floresta e ao redor era possível enxergar  muitos coqueiros que balançavam em favor do vento. Certamente, ninguém os seguiriam até ali, para o alívio do jovem Jaeger que já havia começado a ficar tenso só de olhar para a loira parada em sua frente, com as mãos dentro dos bolsos da jaqueta, enquanto os olhos pareciam fixos nos sapatos novamente no solo. 

— Eren, em algo que eu preciso te contar. — ela ergueu o olhar, mantendo uma seriedade que fez o rapaz engolir seco — E eu quero que você me escute com atenção até o fim, tudo bem? 

— Claro... — ele devia se preocupar? Aquele tom sombrio não era do feitio de Historia, mas estava disposto a ouvir tudo para descobrir mais de suas facetas escondidas. Ele caminhou lentamente e parou ao seu lado, apoiando as mãos na rocha atrás de si enquanto mantinha-se atento — Pode falar. Estou ouvindo. 

— Eu quero começar pedindo desculpas por ter te beijado do nada aquele dia. Foi idiotice da minha parte ter feito aquilo sem aviso prévio, mas eu estava... — uma pausa, o que aumentou ainda mais a tensão — Eu estava desesperada. 

— Desesperada? — perguntou, num misto de incredulidade e curiosidade, o que a fez balançar a cabeça. 

— Naquela hora, eu tinha acabado de brigar com aquele velho escroto que infelizmente responde como meu pai. — explicou, o desdém respingando em cada palavra. 

— Mas por que estavam brigando? — a curiosidade só aumentava. 

— Você deve conhecer a Ymir, certo? A irmã gêmea do Marco que estudou com a gente no ano passado. — disse, recebendo um aceno positivo do moreno — E se a conheceu, também deve saber que houve alguma coisa entre nós duas... 

— Hum... — ele colocou a mão no queixo, ponderando por um momento — Bom, lembro vagamente do jornal da Hitch. Ela dedicou uma página inteira só para falar que vocês duas estavam... 

— Se pegando? — ela desviou o olhar, rindo amargamente — Pois é, esse maldito jornal... Foi por causa dele que a Ymir foi expulsa do colégio. 

— Expulsa? — espantou-se — Mas ela não saiu por conta própria? Parece que foi morar em outra cidade... 

— Isso é o que aquele velho quer que vocês pensem que aconteceu. — ela o encarou novamente, o semblante inexpressivo  o fazendo se arrepiar — Na verdade, ele expulsou ela do colégio por não admitir que eu e ela tivéssemos um relacionamento. Que idiota, não é? — riu novamente — E desde então, ele fica no meu pé. Monitora minhas amizades, não quer que eu me aproxime de outras garotas além da Annie, colocou pessoas para me vigiar. E eu nem preciso dizer que ele diz que sou doente pelo simples fato de amar outra garota.

Eren não sabia se ficava triste pelo que Historia lhe contava com tanto pesar, ou se fervia de ódio pela ignorância do maldito Rod Reiss. Afinal, o que havia de tão errado? Ele trincou o maxilar e fechou as mãos em punho. 

— Eu não entendo isso. — sua voz era tão firme que beirava a um rosnado — Em que século esse cara está? Acha que pode regular seus sentimentos e dizer quem ou não deve amar? Falta pouco ele te arrumar um casamento arranjado. 

— Não me surpreenderia se ele fizesse isso. — ela suspirou, relaxando as costas sobre a rocha — Mas a questão é que agora eu não tenho mais liberdade para nada. Da última vez, nós brigamos porque ele cismou que me viu olhando para uma das animadoras de torcida de um jeito "estranho”. — ela fez questão de desenhar aspas com os dedos — Você tem noção do nível que chegou isso? Eu não posso nem olhar para outras garotas mais. 

— Eu imagino como deve ser um inferno... — ele baixou o olhar, a empatia surgindo em sua voz — Eu realmente queria poder fazer algo para ajudar. 

— E você pode. — ela afirmou sem rodeios, o deixando levemente perplexo — Eren, confesso que, naquele dia, eu te beijei porque foi o primeiro garoto que vi na minha frente. Eu estava cansada de tudo aquilo, da gritaria, do julgamento excessivo, daquele homem, dos olhares acusatórios dos outros, de tudo. Não via lugar para mim naquele colégio, entende? Ainda não vejo. Por vezes pedir para sair também, mas era ameaçada por ele... E tinha que fingir que estava tudo bem e manter a postura. 

— Isso é cruel... — quanto mais ela falava, mais nojo ele sentia de tudo aquilo. 

— É... Mas, quando eu te beijei, senti que podia fazer algo a respeito. Que podia mudar o curso da minha vida pelo menos nos próximos meses se tivesse a sua ajuda. — novamente, suas íris azuis procuraram as semelhantes verdes — Eu percebi que você era a pessoa certa, e quis acreditar que você passar na frente da diretoria naquela hora foi uma obra perfeita do destino. Eren, por favor, você é minha luz no fim do túnel. 

O Jaeger arregalou os olhos mais uma vez. Como assim? Ele não conseguia entender onde iria entrar nessa confusão toda. No entanto, independente do que fosse sugerido, ele estava disposto a se inserir nessa confusão pela liberdade de Historia. 

— Como eu posso te ajudar? — ele perguntou, dessa vez convicto. 

— Eu sei que parece loucura, mas eu preciso que você finja ser meu namorado. Pelo menos até o fim do ano. — declarou, fazendo o moreno engasgar com a própria saliva — Eu prometo que tudo isso vai acabar assim que nos formarmos. Só preciso que você me ajude para que eu possa ter paz até o final do ano letivo.

— E o que pretende fazer depois disso? 

— Eu vou atrás da Ymir. — a convicção na voz da loira era tão intensa que chegava a ser paupável — Vamos ficar juntas. Eu a amo e vou ficar com ela. Eu só preciso de tempo para que meu pai saia do meu pé e pense que de repente comecei a gostar de homem.

Eren não desconfiava dos sentimentos da Reiss, mas não podia negar que aquela proposta era um tanto confusa. Embora realmente quisesse ajudá-la, algo ainda estava faltando para que aquele quebra cabeças se completasse corretamente. Sendo assim, ele ajustou a postura e sustentou mais uma vez o contato visual. 

— Eu entendo. Mas por que eu? 

— Eu já disse: porque somos iguais. — ela repetiu sua fala, tocando o ombro do garoto — Eren, eu sei que você é apaixonado pelo Armin. 

Mais uma vez, o rapaz se engasgou com a própria saliva. 

— D-Do que você está falando? — e praguejou-se por ter gaguejado. 

— Você o olha como se estivesse contemplando a jóia mais rara do planeta. — sorriu para ele — E eu só consegui perceber isso porque te observo há muito tempo. A forma como você o olha é a mesma que a Ymir me olha... Não adianta negar e nem esconder, pelo menos não para mim. 

Eren nunca se sentiu tão exposto. Ainda que ela estivesse correta em cada palavra de sua informação, ele não deixou de se sentir desprevenido. Estava deixando tão na cara ou ela que era observadora demais? 

— Mas... ainda não sei onde entro no seu plano. — questionou. 

— Bom, nós dois queremos algo que não podemos ter, até porque agora temos uma terceira pessoa em jogo. 

— Terceira pessoa? 

— Jean. — e então, ela era realmente bem observadora. A loira deu de ombros, dando sequência ao seu monólogo: — Sendo bem direta, Eren, eu acho que você é uma boa opção porque eu sei que você não vai desenvolver algum tipo de sentimento por mim enquanto estivermos fingindo um relacionamento. Estou certa? 

— Está. 

Eren não precisava ponderar mais, para enfim entender quais eram os objetivos da loira por trás de uma proposta tão arriscada. No fim, ela só queria alguém que a apoiasse em seu plano de liberdade. Ela só queria amar sem sofrer represálias por isso. Era só... amor

— Então... você vai me ajudar? — perguntou, enfim, seu semblante se suavizando — Se você não quiser, eu entendo. É algo arriscado e- 

— Eu topo. — a interrompeu, dando seu veredito — Eu vou fazer isso. 

— Você tem certeza disso? — ela não conseguia acreditar. 

— Tenho certeza absoluta. — as sobrancelhas levemente franzidas indicavam sua decisão pontual. 

— Eu... obrigada. — suas palavras vacilaram por um momento — Mas você não me acha uma pessoa ruim? Você não precisa me apoiar com isso... 

— Mas eu quero. — ele tocou sua mão como gesto de apoio — Vamos fazer isso juntos. 

— Eren... — ela sorriu por um momento, antes que seu rosto tomasse a seriedade novamente — Mas eu prometo que vou fazer de tudo por você também. Eu prometo, Eren! Prometo que vou fazer até mesmo o impossível para que você também fique com o Armin no fim. — ela apertou sua mão ainda mais — Eu não vou permitir que sua vida tome o mesmo rumo infeliz da minha... 

— Caramba... — foi o que conseguiu dizer, ainda bastante atônito — Historia, eu- 

— Não precisa dizer nada. — foi sincera, recebendo um olhar do moreno — É sério. Você não precisa dizer palavras bonitas para me consolar, nem precisa me colocar como vítima. Também não quero que me acuse. Eu só quero que você tente me compreender e que, diferente dos outros, não me julgue. — suspirou, fazendo uma breve pausa antes de continuar — Eren, agora você me conhece melhor do que ninguém, até mesmo Annie e Reiner. E também sabe o porquê de eu ter escolhido você para depositar minha confiança. 

— Eu sei... 

— Você... me odeia ou me acha problemática como os outros? — foi a primeira vez que ela demonstrou receio. 

— Claro que não! — afirmou da maneira mais sincera possível — Como você disse, nós somos iguais. Se você é problemática, eu também sou, não é? 

— É, você tem razão. — ela baixou o olhar. Ao mesmo tempo que saber que havia mais alguém no mesmo patamar o deixava feliz, também a fazia se lamentar. 

— Ei. — ao perceber que a loira havia ficado triste, ele a tocou pelo ombro, chamando sua atenção para si novamente — Estamos juntos nessa, Historia. 

O sorriso que Eren expôs logo em seguida fez os olhos da loira marejarem. Ela não esperava que o moreno fosse compreendê-la com tanta facilidade, tampouco esperava poder contar com seu apoio. Aquilo a emocionava e a fazia se sentir pelo menos um pouco amada. 

Ela não estava sozinha. 

A Reiss não sabia se podia realmente fazer aquilo, mas ela não hesitou em abraçar o garoto. Seus braços se envolveram ao redor do tronco de Eren, seu rosto se escondendo sobre o peito dele. Eren, no entanto, demorou um pouco para processar e, consequentemente, corresponder ao gesto. No fim, seus braços a acolheram, a apertando e aconchegando naquele abraço que dizia muito além das limitações que as palavras de ambos tinham. Era muito mais do que um contato superficial. 

Eles não estavam sozinhos. 

 

Quando Historia se aproximou de si, alegando que precisavam conversar, Armin sentiu seu corpo todo estremecer. Em antecipação, seu cérebro já o martirizava só de pensar na hipótese da loira ter descoberto do que aconteceu entre ele e Eren nos últimos dias, até mesmo se recordou do seu conflito interno que insistia em torná-lo um vilão desprezível. Contudo, não hesitou em seguir junto dela para perto do próprio armário. Não havia entendido bem o propósito da garota ao optar por tal local, mas preferiu se resumir à própria insignificância e apenas fazer o que ela havia pedido. 

E desde então, o Arlert se prestou apenas ao papel de ouvinte, deixando que ela falasse e explicasse toda a sua versão da história. A cada palavra que escapava da boca da garota, ele sentia o estômago revirar, até que tomaram um rumo que não pode mais assimilar como culpabilidade. Historia estava abrindo o coração para si, contando tudo o que foi uma verdadeira incógnita durante todos esses meses. E tantas verdades sendo despejadas de uma só vez fez sua cabeça doer e suas têmporas reclamarem. 

— Espera aí. — ele a interrompeu, massageando as têmporas — Então você quer dizer que o seu namoro com o Eren foi falso? 

— Exatamente. — afirmou sem nenhum tipo de empecilho, como se fosse óbvio – e realmente era — Só fizemos isso porque eu precisava de ajuda para despistar o meu pai. 

— Despistar... o seu pai... — ele repetia mais para si mesmo do que para ela — Que loucura...  

— Loucura que eu seja lésbica e tenha um pai preconceituoso? Pois é. — deu de ombros — De qualquer forma, eu quero que você entenda que os sentimentos do Eren por ti são reais. 

— Quer mesmo que eu acredite nisso? 

Historia não podia acreditar. Depois de tudo que havia contado, ele ainda não conseguia enxergar a verdade? Para alguém tão inteligente, às vezes Armin conseguia passar dos limites da burrice. 

— Olha, eu não posso te obrigar a acreditar em mim, mas eu sei que você é esperto. — suspirou — E se você pensar bem e ligar os fatos, vai saber que eu não estou mentindo. 

E ele pensou. Ele já havia feito um mapeamento de todos os pontos em sua mente e sabia que ela não estava mentindo, muito pelo contrário. Só... era difícil de acreditar que os dois haviam esquematizado aquilo tudo por debaixo dos panos e sem que ninguém percebesse.

— Mas e o jornal? — lembrou-se do detalhe importante — A Hitch fez questão de te humilhar com a manchete falando sobre você e o Eren. 

 ​— Eu sei disso, aquela maldita. — mas apesar do insulto, o que emoldurou os lábios da loira foi um sorriso singelo — Aquilo foi uma dívida sendo paga. — virou-se para o loirinho, enquanto explicava: — Quando a Hitch fez a publicação sobre meu caso com a Ymir, eu jurei que iria acabar com o clube de jornalismo, mas seria difícil com eles sendo os protegidos do diretor. Afinal, por que acabar com a fonte que passou informações sobre o relacionamento lésbico da filha dele? 

— Faz sentido, mas mesmo assim... — era difícil de entender — A sua manchete com o Eren... 

— Bom, quando Hitch percebeu que havia destruído minha vida com a publicação sobre a Ymir, ela resolveu se desculpar. E tudo bem, eu aceitei as desculpas dela, afinal não tinha como prever o surto do velho. — deu de ombros — Mas eu pedi que ela publicasse a foto que ela acabou tirando coincidentemente do momento em que eu e Eren nos beijamos em frente a diretoria. 

— Então quer me dizer que você estava ciente de tudo aquilo? Dos comentários maldosos e tal...? — Armin sentiu uma pontada em sua cabeça novamente. Que confusão... 

— Mais ou menos. — contou — Na realidade, eu não sabia que ela iria avacalhar tanto, mas entendi o objetivo dela. Ela queria que todos percebessem mesmo que eu estava em outra. No caso, ela queria que todos engolissem o discurso torto falando que de repente eu acordei gostando de homem e que iria pegar qualquer um que aparecesse na minha frente. 

— Mas isso é errado! 

— Eu sei! — admitiu, lançando um sorriso mínimo para o outro — Mas eu tenho que admitir que foi efetivo de algum modo... E também, eu prometi à ela que continuaria protegendo o clube de jornalismo como forma de agradecimento.

Ainda que Armin fosse uma pessoa bastante perspicaz e até mesmo sagaz, ele tinha que admitir que Historia conseguiu ser ainda mais cautelosa e metódica em seu plano. Apesar de, na sua concepção individual, ainda existirem pequenos erros de cálculo na forma como tudo foi colocado em prática, não podia negar que ela teve muita ajuda de fora, o que tornou tudo ainda mais convincente.  

— Então é certo pensar que Reiner ter entrado nessa história também foi para te ajudar? — questionou, recebendo um aceno positivo. 

 

Ela respirou fundo, mantendo os olhos fechados por um momento. Ainda tinha algo que ela precisava fazer, caso contrário não iria conseguir ter paz, mesmo longe dali. — Reiner... — chamou, a troca de olhares voltando no mesmo instante — Eu preciso que você me faça um último favor. 

— Hum? Pode dizer. — a encarou. 

— Quero que você faça o Eren e o Armin ficarem juntos. 

 

— Eu não sei o que aconteceu naquela festa porque não estava presente, mas... tenho certeza que ele fez o que eu pedi. — explicou — Além do mais, também tenho que agradecer ao Marco. Ele também foi uma peça fundamental desde o início. Se não fosse por ele dar informações da irmã e ter ajudado a tirar o Jean de jogada, as coisas teriam se complicado. 

Armin soltou um longo suspiro, enquanto apoiava as costas no próprio armário e acariciava novamente as têmporas. Ele não estava com raiva, muito pelo contrário. Ele entendia totalmente os motivos da loira e aplaudia a decisão do moreno em ajudá-la... mas onde Eren estava? Ainda que tudo estivesse se encaminhando por uma explicação plausível e convincente, ainda faltava a cereja do bolo. Ainda faltava a versão dele, as explicações dele. 

Ele ergueu o olhar novamente e a encarou, sua expressão se suavizando. 

— Eu agradeço por isso, de verdade. Me lembre de agradecer ao Reiner também... e a todos os outros envolvidos. — ele estava sendo realmente sincero — Mas... cadê o Eren agora? 

Sem dúvidas, era a pergunta mais difícil para Historia responder. Ela sabia que aquele era o questionamento que Eren havia jogado em suas mãos, só que ela não tinha um sangue tão frio para fazer isso sem levar em consideração os sentimentos do loirinho, mas... que outras opções ela tinha? Eren tinha lhe lançado a bomba, agora a responsabilidade era inteiramente dela. 

A Reiss desviou o olhar, baixando-o gradativamente conforme as palavras vazavam por seus lábios, tão baixas quanto um curto, pausado e doloroso sussurro: 

— Ele... foi para... a Califórnia. 

Os olhos do loirinho se arregalaram e seu coração disparou automaticamente. Era mentira. Tinha que ser mentira. 

— O que você disse? — sua voz já estava trêmula e a risada soprada que veio depois só ressaltou ainda mais seus sentimentos sombrios no momento — É brincadeira, não é? Não tem como ser verdade isso...

Ela moveu a cabeça em negação e seu coração se partiu em mil pedaços quando notou as lágrimas se acumulando em torno daquelas íris oceânicas. 

— Dá uma olhada no seu armário. — foi a única coisa que teve forças para dizer. Afinal, Eren tinha lhe contado sobre a carta de despedida que havia deixado para ele. 

Armin não entendeu muito bem de início, sua consciência vacilante não o deixava raciocinar com perfeição, o que resultou em uma certa lentidão até que se tocasse do que foi lhe pedido. Ele virou-se para trás desesperadamente e colocou a senha com certa dificuldade, pois suas mãos tremiam de modo incontrolável. Tinha medo do que poderia encontrar ali dentro, mas nada se comparava ao sentimento que o acometeu assim que viu aquele característico envelope vermelho tão conhecido. 

Ele o tomou em suas mãos e virou-se para Historia. Seu coração batia tão rápido que parecia que iria abrir um buraco no seu peito, e os olhos queimavam pelas lágrimas acumuladas. 

Com o aceno que recebeu da loira, ele enfim abriu o envelope e, dali, tirou uma carta. Era bem diferente dos bilhetes que costumava receber, era bem pior. 

 

"Oi. 

Acho que hoje não preciso fingir que sou um cara misterioso e mudar minha caligrafia. Me desculpe, eu sou um desastre. 

Fiquei na expectativa que você me descobrisse algum dia, mas não queria que fosse em circunstâncias tão deprimentes.

Hoje, tenho lágrimas nos olhos ao escrever. Não é como te vejo todos os dias e acabo abrindo um sorriso involuntário porque você é minha alegria. 

Hoje, sinto o coração doer porque escrevo como um grito de socorro. Eu queria poder te abraçar e dizer o quanto te amo, mas sei que, agora, devo estar em maus lençóis. 

Eu não te culpo se me odiar a partir de agora, mas não pode dizer que eu não tentei te avisar antes... 

Bom, muito prazer. Meu nome é Eren Jaeger e atualmente tenho 17 anos. Faço 18 em breve, mas, infelizmente, não estarei por perto para comemorar com você como em todos os outros anos. 

Aliás, lembra do meu sonho de infância? Eu sempre te contava que queria ir para a Universidade da Califórnia e... Eu consegui! Me sinto feliz por ter conquistado algo que sempre quis, mas não consigo deixar a tristeza de lado quando penso que terei que te deixar para trás. Não... pior do que isso. Eu vou ter que te deixar sem nem ao menos ter uma chance de despedida decente.

Como eu disse, tudo bem se você me odiar. Eu entendo que não estou sendo o cara mais certo... e talvez você até duvide dos meus sentimentos, mas eu só queria que você acreditasse que, diante de tudo que a Historia acabou de te contar, quero que você pense sobre o que é verdade ou não e tire suas próprias conclusões. 

Independente do que pensar sobre, a única coisa que eu te peço é que não me veja como um vilão ou mocinho. Eu quis ajudar uma amiga, mas nada supera a minha vontade de ficar com você. O que eu sinto por você, nem mesmo a distância que vai se instalar a partir de agora pode fazer parar. 

Novamente, eu sinto muito por ter fracassado em minhas tentativas tolas de te contar sobre o ocorrido... Eu devia ter insistido mais."

 

E antes que conseguisse concluir, as lágrimas o impediram. Armin não sabia o que pensar, não conseguia assimilar seu raciocínio de maneira lógica, ele só conseguia se lembrar de todas as vezes que o viu seguindo as pistas do tal admirador secreto e do quanto se negou quando suspeitou da possibilidade de ser ele. 

No fim das contas, era mesmo Eren Jaeger. 

Seu choro copioso o impedia de continuar, mas porque ele se sentia tão patético. Ele não percebeu. 

 

— Me dê um dia. 

— Hã? 

— É! Me dê apenas um dia pra resolver esse pequeno contratempo. — disse, convicto — Prometo que vou dar um fim nessa história de Jean hoje mesmo. 

— Armin- 

— Eren, por favor! Eu juro que só preciso dessa noite para acabar com isso. — insistiu — Eu prometo que amanhã, na cerimônia de formatura, vamos poder conversar em paz e resolver tudo. 

— Amanhã na formatura? Olha, Armin, eu acho que não é uma boa ideia... — abaixou a cabeça — Sobre isso, eu também- 

— ARMIN! — gritou novamente. 

— Eren, eu te amo. — o loiro declarou, assim que sua destra tocou a pele bronzeada do rosto do mais alto e depositou uma carícia terna ali — De verdade, eu te amo. Mas preciso resolver isso, tá bom? Nos veremos amanhã. — o beijou — Fica bem, tá bom? Até. 

 

Como ele pode ter sido tão idiota? Como ele não percebeu o esforço que ele estava fazendo para conversar? Seu coração parecia que iria explodir... Mesmo assim, ele se esforçou para continuar lendo até o fim. 

Me perdoe por ter sido falho. Me perdoe por não ter sido o melhor amigo e companheiro que você merece. Mas, por favor, nunca se esqueça dos meus sentimentos por você. — uma pausa, um soluço antes de enfim finalizar: — Eu amo você como nunca amei ninguém. E sempre irei amar, independente da distância... Isso não é um adeus. Nos veremos em breve. Com amor, seu... eterno grandão. 

Ao finalizar, ele encarou a loira diante de si. Só então notou que ela o encarava com os olhos marejados – tanto pelo choro contagioso do loirinho, quanto pelo conteúdo da carta que ele lia em voz alta. Apesar de ser um desastre em de demonstrar sentimentos, Eren tinha colocado tudo de si naquela pequena demonstração silábica de amor. Estava mais do que claro tudo o que ele nutria por Armin. 

— Eu... sinto muito, Armin. — foi tudo o que a loira conseguiu dizer, enquanto passava o dorso da mão pela lágrima que sorrateiramente escapou de seu olho esquerdo — Eu queria que tudo tivesse dado certo no final. Eu juro que fiz de tudo para que as coisas se resolvessem e que vocês pudessem ter um último momento juntos... 

— Está tudo bem. — ele respirou fundo, tentando conter as lágrimas teimosas. Então, tomou uma das mãos da loira — Eu sei que você fez o possível. 

— Eu me sinto péssima. — declarou, encarando as mãos atadas diante de si — Se não fosse por mim e meu plano maluco, vocês poderiam ter ficado mais tempo juntos. É tudo... culpa minha. 

Então, ela se rendeu às lágrimas. A sensação de destruir tudo com o único toque a esmagou dolosamente, fazendo com que ela se sentisse a pior garota do mundo. Não apenas de modo literal como Annie costumava dizer, mas como ser humano propriamente dito. Ela se sentia podre, deplorável, usando sentimentos para que pudesse ser feliz às custas dos outros. Entretanto, Armin não a via assim. Ele entendia seus propósitos e sabia que eles eram puros, portanto, ela não precisava de redenção e nem mesmo se sentir culpada por tentar ir atrás de sua felicidade. 

Ninguém tinha culpa total, no fim. Claro que cada um tinha  sua pequena parcela, mas seria injusto demais jogar tudo nas costas da garota como se fosse uma a única vilã, quando, na realidade, tudo o que ela queria era dar algum propósito para sua vida medíocre. Armin jamais tiraria sua razão ou a julgaria erroneamente por isso. Apesar de tudo, ele ainda era uma pessoa empática. 

Dessa forma, ele apertou ainda mais a mão da outra entre as suas e suspirou, contendo o choro, enfim. 

— Eu não te culpo por nada. De verdade. — ele a encarou profundamente, íris azuis em íris azuis — Você nunca vai estar errada por simplesmente querer ser feliz. 

Historia abriu e fechou a boca. Ela se sentia até mesmo emocionada por ser acolhida de tal forma. Ela não esperou que Armin fosse a compreender tão bem. E ela iria o responder com todo o agradecimento que lhe cabia em seu coração, quando o barulho de passos ligeiros vieram em sua direção. Ela se desvencilhou do loiro de supetão e girou o corpo para trás, encontrando algumas figuras bastante conhecidas. 

— Finalmente... encontramos... vocês. — disse Bertholdt, ofegante e com as mãos nos joelhos.

Além do moreno alto, Reiner, Annie, Sasha e Connie pareciam que tinham corrido uma maratona em busca daqueles dois loiros. 

— O que vocês dois estão fazendo parados aqui? — perguntou Sasha — Precisamos nos apressar! 

— Ela tem razão. — o olhar entristecido da loira se voltou para o Arlert novamente — Vamos lá... 

E então, ela deu um passo adiante. Contudo, antes que pudesse seguir na direção dos amigos, Historia teve o pulso agarrado pelo loirinho. 

— Algo me diz que você sabe que horas será o vôo do Eren. — ele afirmou, firme — Eu quero acreditar que ele ainda não se foi, como disse. — ele ergueu o olhar novamente e encontrou os semelhantes azulados — Então me diga, quanto tempo eu tenho?

Os lábios tingidos de Historia se entreabriram ao enfim perceber o que estava se passando na mente do loirinho. Embora ele soubesse que era arriscado demais tentar algo do tipo, ele ainda queria contar com as forças do universo e com a influência do destino para que tudo desse certo e ele conseguisse pelo menos se despedir do garoto que tanto amava. 

— Bom, de acordo com minhas contas, temos uma hora. — Reiner entrou na conversa, fitando o relógio de pulso enquanto caminhava para mais perto dos outros dois loiros. 

— Reiner? — a loira exclamou, confusa. 

— O que foi, acha que só você tem planos geniais? — ele sorriu ao encarar a irmã, girando o molho de chaves no indicador da destra — Me adiantei e peguei a chave da van do coroa. Acho que deve ser o suficiente, não é?  

A verdade é que Historia não estava entendendo nada. Eles precisavam se adiantar para a formatura, certo? Por isso todos estavam ali, a não ser que... Ela com certeza acharia aquilo uma decisão ainda mais insana do que tudo que já havia acontecido, só não contava que a ideia mirabolante de Armin havia permeado para os outros antes mesmo que ele a vocalizasse. Afinal, quando Sasha disse sobre "se apressar”, ela não estava necessariamente se referindo à formatura. 

— Não! — ela exclamou — Não me digam que vocês estão pensando em ir ao aeroporto! 

— Por que não? — a Leonhardt finalmente se pronunciou, mantendo os braços cruzados — O Eren também é nosso amigo, mas tá achando que pode ir embora sem se despedir da gente. Aquele idiota. 

— Nós estávamos pensando se realmente valeria a pena deixar ele ir sem nem ao menos dar um cascudo naquela cabeça oca. — disse Connie. 

— E então, o que me diz? — o mais loiro mais alto deixou que seu sorriso aumentasse ainda mais ao fitar Armin — Vamos? 

— Claro que vamos! — o loirinho sorriu com convicção, recebendo um olhar incrédulo da Reiss. 

— Nós também vamos! — mais uma voz soou pelo outro lado do corredor, chamando a atenção dos demais. 

— Jean? Marco? — a loira exclamou, surpresa — Até vocês?

— Eu também tenho coisas para resolver com aquele lunático antes de ir para a universidade. — disse entredentes. 

— Por favor, nos deixe ir também.  — Marco juntou as mãos, como se estivesse implorando. 

Reiner deixou escapar um riso soprado, então cruzou os braços e sorriu novamente. 

— Eu só espero que não tenha polícia na rua a essa hora. — brincou, direcionando seus passos para a escadaria que dava acesso à saída — Venham! Não temos muito tempo. 

 

E assim, todos o seguiram rumo à saída e se apertaram naquele veículo. Reiner teria que usar todas as suas habilidades de motorista recém admitido, mas ele estava disposto a fazer de tudo para que seus amigos atingissem seus respectivos objetivos naquela noite. Sobretudo Armin, que tinha uma ansiedade evidente em seu olhar. Ele encarava o relógio a cada minuto e rezava para que pudesse chegar a tempo. 

 

 

... 

 

 

Eren havia chegado ao aeroporto há um pouco mais de trinta minutos. Estava acompanhado dos pais, Mikasa e Levi, como de costume. Estavam sentados na praça de alimentação, aguardando o horário do garoto fazer o check-in e seguir para seu assento no avião. Enquanto isso, Mikasa aproveitava para tirar fotos aleatórias da paisagem e do noivo, além de algumas selfies com o irmão para ter o que postar nas redes sociais nos primeiros dias que sentisse a saudade apertar.

— Promete que vai mandar mensagem assim que chegar? — a mais velha perguntou, enquanto analisava a última foto que tinham acabado de tirar. 

— Prometo. — ele respondeu tedioso, já havia respondido aquela pergunta umas quinhentas vezes.

— Não seja tão protetora, o garoto não está indo para uma guerra. — o Ackerman ironizou — E mesmo se estivesse, ele não tem mais sete anos. 

— Eu sei, mas me preocupo com o meu caçula. — ela murmurou, fazendo um leve biquinho. 

— Pode ter até trinta anos, mas vai ter que comunicar aos pais. — disse Carla, tão séria que fez todos ali se espantarem — E vai se comportar adequadamente. Não quero que tenha problemas na Universidade. 

— Ah, não fale como se eu fosse um pirralho impulsivo que vai arrumar problemas com tudo. — foi a vez de Eren formar um biquinho irritadiço. 

Grisha, que estava sentado ao lado do filho, estendeu uma das mãos para bagunçar seus cabelos castanhos. 

— Somos seus pais, vamos sempre nos preocupar com você. — sorriu para o garoto. 

Antes que Eren pudesse formular alguma resposta malcriada para tamanha melação, ele ouviu uma voz feminina soar por todo o local, indicando que estava na hora dele seguir para a fila de check-in sozinho. 

Despediu-se, por fim, ao dar um abraço em cada um ali – até mesmo em Levi. Viu sua mãe e Mikasa chorarem novamente, mas não havia muito o que fazer a não ser dizer que iria ficar tudo bem e salientar novamente que mandaria mensagem e ligaria assim que chegasse ao seu destino. 

Após a despedida um tanto melancólica, Eren seguiu sozinho com as suas bagagens para a fila. Haviam algumas pessoas em sua frente, mas nada que irritasse sua paciência quase escassa. Ele puxou o celular do bolso e conferiu as horas. Faltavam apenas quinze minutos para que seu vôo partisse. Assim, ele se viu fantasiando o momento da formatura. Como seus amigos deveriam estar? Com certeza, Sasha e Connie estariam devorando a mesa de doces antes mesmo da permissão para que pudessem comer. Annie e Bertholdt deveriam estar em algum canto conversando entre si e dentro da própria bolha. Reiner deveria estar aproveitando os últimos momentos com Historia de maneira divertida, afinal ele havia comentado o quanto queria jogar o capelo para cima junto com a irmã. 

E Armin... 

Ao pensar no loiro, Eren enfim sentiu o peito doer. Ele havia terceirizado aquele sentimento nebuloso durante a noite inteira, rebuscando apenas a vontade que tinha de ir para outra cidade, viver o seu sonho de infância, jogar em um time profissional. Ele só queria pensar em coisas que não alimentassem o sentimento de culpa tão intenso dentro de si. 

Enquanto a fila andava, ele só conseguia sentir seu coração comprimir ainda mais. Estava cada vez mais próximo de realizar seu sonho, mas por quê não conseguia se sentir plenamente feliz? Pensar na possibilidade de ser odiado pela pessoa que mais amava era algo que o matava por dentro. 

Quando finalmente chegou sua vez, ele ergueu os documentos e o recibo de confirmação de compra da passagem e colocou sobre o balcão da atendente, que o encarou sobre os óculos e sorriu. 

— EREN! — um grito agudo surgiu de trás de si, o que automaticamente o fez se espantar e encarar a direção de onde vinha. 

Seus olhos se arregalaram na mesma hora. O que Historia estava fazendo ali? E pior, por que  Reiner, Sasha, Connie, Bertholdt, Annie, Jean e Marco estavam com ela? Sua cabeça deu um giro por um momento. Ele jurou estar preso em algum tipo de sonho e cogitou até mesmo estar em um daqueles programas ridículos de câmera escondida, mas foi ao beliscar o cotovelo de leve que ele pode constar que aquilo era totalmente real. 

— Eren Jaeger? — a moça perguntou do outro lado do balcão, capturando sua atenção novamente — Está tudo bem? 

— Ah... está sim. — ele forçou um sorriso e pegou a caneta que estava ao lado, presa por uma correntinha — Onde eu assino? 

Ele aproximou a caneta do papel, mas foi impedido pela atendente que pôs a mão na frente e sorriu para ele mais uma vez, assim que notou sua expressão confusa. 

— Você tem dez minutos. — disse espontaneamente, antes de erguer levemente o queixo e indicar os amigos que o aguardavam atrás de si — Vá até lá. 

Eren poderia despejar ali uma série de questionamentos, mas, no instante em que seu olhar deslizou sutilmente para o crachá de Pieck Finger, ele preferiu aceitar que aquilo era obra do destino que enfim estava lhe dando uma chance de fazer a coisa certa... pelo menos com seus amigos. 

Ele então maneou a cabeça e seguiu em direção aos garotos. 

— O que estão fazendo aqui? — ele perguntou, ainda bastante confuso — Achei que vocês estavam na formatura. 

— Achou mesmo que iria embora sem falar nada? — Annie foi a primeira a falar, o repreendendo ao colocar o indicador bem diante do seu rosto — Quem você pensa que é para sair assim, sem se despedir da gente? 

— Cara, isso me magoou. — dramatizou Connie, falsamente ofendido — Achei que éramos mais do que só colegas de aula extracurricular. 

— Idiota! Muito idiota! Super idiota! — disse Sasha, dando três leves petelecos na testa do moreno. 

— Você vacilou mesmo em achar que podia ir embora sem frequência dar um tchau. — foi a vez de Bertholdt falar, o semblante triste fazendo a culpa pesar novamente nas costas de Eren. 

— Me desculpa, pessoal. — ele coçou a nuca, estava sem graça — Eu realmente não sou bom com despedidas... Me desculpem mesmo. 

— É bom pedir desculpas mesmo. — a Reiss colocou as mãos na cintura, batendo um dos pés freneticamente ao bufar — E agradeça ao Reiner, se não fosse por ele, não estaríamos aqui agora. 

— Ao Reiner? — o moreno ficou ainda mais confuso. 

O loiro então se aproximou, dando um leve tapa no ombro de Eren. 

— Digamos que eu queria me despedir do meu companheiro de time. — declarou, abraçando o amigo em seguida. 

Eren correspondeu ao abraço sem pestanejar, mas foi ao fitar sobre o ombro de Reiner que ele ficou ainda mais confuso. E quando se desvencilhou, sua atenção se foi automaticamente para Jean. 

— Olha, eu esperava que todos vocês viessem, mas você é surpresa. — ele deu dois passos e parou na frente do mais alto. 

— Ah, não seja idiota. — ele revirou os olhos e estendeu uma das mãos para o moreno — Eu vim aqui para me desculpar por tudo que aconteceu entre a gente. Nossas briguinhas idiotas e sem fundamento, entende? Eu só não queria levar um sentimento tão imaturo para a universidade.  

Eren ergueu a sobrancelha um tanto confuso e relutante, mas se deixou levar pelas palavras aparentemente sinceras do Kirschtein. Ele não parecia estar mentindo, e mesmo que estivesse, não tinha tempo o suficiente para descobrir. Só lhe restava erguer a própria mão e selar de vez aquele tratado de paz. 

— Tudo bem. Acho que somos adultos o suficiente agora para resolver isso. — ele apertou a mão de Jean — E me desculpe também. 

— Me desculpe pelo Armin também. — ele soltou repentinamente, fazendo o moreno retesar levemente a mão em um gesto que não passou despercebido pelas íris em tom de caramelo — Eu devia ter jogado limpo, mas preferi ser covarde. Então, de verdade, me desculpe. 

— Está tudo bem, cara. Já passou. 

Não estava realmente tudo bem, mas Eren sentia que pelo menos um peso havia saído de suas costas. Não ter mais aquele sentimento sombrio e desgastante por Jean já era algo que o aliviava bastante, ainda que quisesse ter um último momento com Armin para esclarecer as coisas. De qualquer forma, ele sabia que não tinha essa opção, então bastava se contentar com o que tinha em mãos. 

É claro que ele estava frustrado, pois a pessoa que mais queria encontrar naquele momento não estava ali. Mesmo assim, uma parte de seu coração estava mais leve. 

— Bom, acho que preciso ir agora. — disse ele, sorrindo para os amigos. 

— Na verdade, ainda não. — declarou Historia, esboçando um sorriso quase malicioso — Ainda tem mais uma coisa. Espera aqui. 

Eren não entendeu, mas a acompanhou com o olhar enquanto ela se afastava e seguia para uma enorme pilastra a alguns poucos metros dali. Era branca e sustentava a parte do salão do aeroporto, mas foi dali de trás que ela trouxe algo surpreendente. 

Os olhos verdes se arregalaram assim que fitaram a pessoa que a acompanhava com um sorrisinho terno. 

— Armin... — ele murmurou, sem de fato conseguir acreditar. 

Historia soltou a mão do Arlert assim que ele parou em sua frente e deu alguns passos para trás, assim como todos os outros ali – eles queriam dar um pouco mais de espaço para os dois nos últimos sete minutos que restavam. 

Eren não sabia o que dizer ou fazer, tê-lo diante de si em circunstâncias tão espantosas havia o deixado em estado de choque. Mas foi o loirinho quem tomou as rédeas da situação ao, surpreendentemente, desferir um no rosto do moreno. Foi um gesto tão repentino e súbito que espantou até os amigos que estavam por perto. Porém, ele não deu tempo para ninguém dizer nada, nem mesmo o próprio Eren, pois ele o agarrou pelo colarinho e aproximou seus rostos. Só então que Jaeger pode perceber com clareza que Armin estava lutando contra o choro. 

— O que estava passando pela sua cabeça quando cogitou ir embora sem se despedir de mim, seu... — sua voz falhou, o choro escapando por seus olhos de forma incontrolável —  Seu imbecil! 

Eren nem tinha o que responder, ele não tinha o direito de sequer se desculpar por uma atitude tão idiota. 

— Eu- 

— Cala a boca e me deixa falar! — ele esbravejou, o interrompendo. Armin chorava tanto que parecia que ia entrar em um colapso, enquanto amassava a camiseta do moreno com força — Durante todo esse tempo, eu achei que o que sentia era errado... Eu pensei que não podia me apaixonar pelo meu melhor amigo, um garoto. Que... que tolice, não é? — ele sorriu sob as lágrimas — Mas, Eren... eu descobri que não posso controlar isso. Quando eu pensei na possibilidade de você ir embora, quando eu pensei em nunca mais te ver, eu... E-Eu... eu...

Armin escondeu o rosto contra o peito de Eren e enfim se rendeu totalmente ao choro, enquanto suas mãos gradativamente se afrouxavam. Ele chorava feito uma criança após perder a mãe, era um choro tão sentido que fez com que não apenas o Jaeger, mas seus demais amigos se sensibilizassem. Seus sentimentos eram tão verdadeiros que chegavam a machucar. E amar machuca, dói. Eren o envolveu em seus braços e o aconchegou em um abraço. Só então pode perceber o quanto ele tremia e o quanto seu peito saltava pelos soluços consecutivos enquanto sentia sua camiseta ficar cada vez mais úmida. 

— Me perdoa, por favor. — foi a única coisa que ele conseguiu sussurrar para o loirinho — Por favor... eu espero que você consiga me perdoar algum dia. 

Em resposta, Armin correspondeu ao abraço e o apertou ainda mais contra si. Ele tinha a sensação de que a qualquer momento Eren iria evaporar e que tudo não havia passado de um sonho. Ele só queria viver naquele abraço para sempre... 

— Eu... eu perdôo você. — ele disse, por fim, fungando ao afastar o rosto do peito alheio — Eu perdôo... porque também te amo. E porque também errei com você. Errei ao ponto de não te dar brechas para me contar que precisava partir... 

O tom choroso parecia uma faca extremamente afiada cortando o coração de Eren. Se ele pudesse desistir de tudo, se ele pudesse se isolar no mundo com Armin... Mas a realidade o chamava. A voz feminina e robótica ecoando pelos alto-falantes do aeroporto chamavam todos os passageiros do vôo 104 com destino a Los Angeles, Califórnia. 

Infelizmente, ele precisava ir... 

— Armin, eu-

— Eu sei, você precisa ir. — ele se desvencilhou do abraço a contragosto e passou as mãos pelos rastros de lágrimas — Então.. acho que é isso, não é? Vai lá. Boa viagem e- 

Eren o interrompeu com um beijo. Ele poderia até ir embora, mas não o faria sem deixar bem claro que seus sentimentos eram totalmente puros e verdadeiros. E ele não ia fazer isso apenas em palavras. Armin sentiu o corpo todo estremecer conforme o contato se intensificava e foi obrigado a procurar sustento nos ombros largos do moreno, que imediatamente o segurou pela cintura e o puxou para mais perto de si. 

Línguas se encontrando, bocas se envolvendo, sabores se mesclando, sentimentos recíprocos se conectados, interiores vazios se enchendo e transbordando. Aquele beijo marcava a promessa de que eles pertenciam um ao outro independente da distância e que eles se veriam outra vez. Não importava as circunstâncias, eles iriam se encontrar. E Eren estava determinado a fazer isso acontecer.  

— Eu amo você. — ele declarou em um sussurro enquanto encarava as orbes azuis cintilantes, assim que o beijo foi quebrado e suas testas se encontraram — Nunca esqueça disso. Nunca!

— Eu... também te amo. — Armin sentiu as bochechas esquentarem por um instante — E eu prometo que nunca irei esquecer.

Eren aproveitou seus últimos segundos para abraçá-lo novamente. E, sobre os ombros do loiro, ele gesticulou para que os outros – que até então só assistiam a cena de longe – se aproximassem. Sem hesitar, os sete se juntaram ao abraço em grupo, o que acabou gerando um pouco mais de choro e despedidas emocionais em demasia, até o momento que Eren precisou se desvencilhar e seguir sozinho para o portão de embarque. 

Em uma última olhada, ele percebeu que os amigos permaneceram abraçados a Armin, que o observava com os olhos ainda marejados. Eles estavam ali, ao lado dele, servindo de suporte e lhe passando forças para que pudesse enfrentar esse novo desafio. Por um momento, Eren se sentiu feliz e aliviado, pois sabia que não deixaria seu loirinho sozinho e desamparado. 

Após pegar seus documentos com a Pieck, a agradeceu pela espera e recebeu um singelo sorriso cúmplice. Ele não conhecia aquela mulher, mas sabia que tinha uma dívida eterna com ela. 

Enquanto seguia para a escada que dava acesso ao portão, sentiu que finalmente estava mais leve consigo mesmo. Embora estivesse deixando algo importante para trás, ele sabia que em breve poderiam estar juntos novamente. Era só questão de tempo para ter Armin em seus braços novamente.

 

Até logo, meu pequeno. 

 


Notas Finais


Senta que lá vem textão. ~


Cara... que sensação estranha.
Quando eu comecei essa estória, não tinha nem pensado que ela iria ter reconhecimento, engajamento ou algo assim. Foi do nada, sem propósito. Eu já sabia o final, mas não tinha ideia do que escrever até chegar aqui. E cara... é surreal. Ao mesmo tempo que sinto que falta um pedaço de mim, também sinto aquela coisa que costumam chamar de missão cumprida. E eu não acredito que consegui.
Eu espero que vocês tenham gostado. Que tenham curtido acompanhar cada capítulo, que também tenham sido preenchidos por um misto de sentimentos a cada situação meio tensa ou complicada com esse casal. Mas chegamos ao fim.
MEU FEUS ISZK É SURREAL DEMAIS KKKKK rindo de nervoso.
Gente, obrigado! Obrigado por me acompanharem, por não me deixarem desistir quando tive minhas recaídas e bloqueios. Obrigado por terem surtado com esses dois e por terem me inspirado todos os dias.
Eu prometo que esse não é o fim definitivo, até porque eu prometi um epílogo E ELE VAI ACONTECER, AGUARDEM. Mas decidi encerrar esse ciclo aqui. Os dilemas do colégio, os enigmas, tudo. Tudo chegou ao fim. Foi bom acompanhar esse tempo com essa turma meio maluca do colégio Paradis. Agora é hora de crescer. ~~

ENFIM. Falei demais.
Espero que vocês tenham gostado e me deixem recadinhos chorosos também.
Aliás, estou pensando em postar uma Eremika depois, o que acham? Tenho uma ideia já, mas isso vai depender do amor de vocês.

Mais uma vez, MUITO OBRIGADO POR TUDO!!! Vocês são os melhores leitores do mundo. <3

Ate, xoxo. ~


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