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História O baile de outono - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Roi... leitor né?

Essa é minha primeira fanfic, escrita no meio da quarentena.

Espero ter deixado a história razoável! Boa leitura :3

Capítulo 1 - A noite do baile


Fanfic / Fanfiction O baile de outono - Capítulo 1 - A noite do baile

No final de todos os anos, a academia UA permitia que o corpo estudantil organizasse bailes de outono temáticos no final das aulas letivas, para que a experiência escolar de seus alunos fosse ainda mais memorável. Para muitos adolescentes, aquela noite significava dançar até as pernas não aguentarem mais. Para outros, aquilo era uma perda de tempo, então o conforto do quarto se tornava mais agradável. Já para as almas românticas, aquele era o momento mais especial do ano; ali seria onde a magia da “paixão de colegial” surgiria. Mas não para Kirishima.


O garoto de cabelo vermelho, que havia participado desde o início na organização do baile, na grande noite encontrava-se trancado em seu quarto. Seus amigos de classe, que partilhavam o mesmo corredor, Kaminari e Sero, agora tentavam tirá-lo de dentro de lá.


    -Vamos Kirishima, sai desse quarto! Estamos todos te esperando aqui, caralho! - dizia, ou melhor, gritava Kaminari, enquanto batia impacientemente na porta do amigo. Mas não tinha resposta; eles sequer sabiam se ele realmente estava lá dentro.


 Sero, sem proferir uma palavra, começou a andar para o outro lado do corredor.


    -Onde é que você está indo, fita crepe? 


    -Se não conseguimos entrar nesse quarto, vou chamar alguém que consiga.


    -Você sabe que se eu quisesse, poderia fritar essa porra dessa maçaneta, né? Aliás, você mesmo poderia arrombar essa porta!


    -Ah, mas assim não seria divertido. - Disse Sero, enquanto dava um sorriso de lado, que não fôra  visto pelo amigo, já que este se encontrava andando em sua direção oposta. - Você vem ou não?


    Kaminari sabia muito bem para onde seu colega estava indo. E ele fez questão de chamar, como eles diziam, a fera. Assim, o loiro começou a bater na porta, que agora estava na sua frente.


    -Bakubakuuu! Tudo bem, amor? Abre a portinha pra gente, nenê! 


    -O que é que você quer, seu Pikachu do caralho? - Disse Bakugou, enquanto abria a porta com força. Estava vestindo um pijama azul marinho, diferente de seus amigos, que se encontravam em trajes formais. - Já são oito da noite, estou indo dormir. 


    -Desculpe pelo horário. Mas queríamos lhe fazer um pedido. - Diferente de Kaminari, Sero sabia as palavras certas a ser faladas, quando se tratava de uma bomba relógio. - Acontece que o Kiri não sai do quarto, e você sabe o quanto ele estava esperando por essa noite. Imagino que algo tenha acontecido, mas ele não quer falar com ninguém. Você pode tentar falar com ele? Estamos preocupados.


    -Querem que eu faça o que? 


    -Só tenta conversar. Vai ser muito importante para ele. 


Bakugou parecia estar pensativo sobre o pedido de Sero. - Tenho mais o que fazer.


-Ah, vai Bakubro! Por favor? Por favorzinho? - Kaminari insistia incansávelmente. 

   

    -Tá, tá. Eu vou, mas vaza daqui.


    -Obrigado, meu amigão! - Denki abraçava Bakugou, com um grande sorriso em seu rosto.


    -Eu vou explodir sua cara se você não me largar! 


    -Contamos com você! Tchauzinho.


Assim que se despediu, Bakugou entrou em seu quarto.


    -Isso foi mais fácil do que eu pensei. Você acha que ele vai? - disse Kaminari.


    -Acho. Vamos dar um tempo a eles. Enquanto isso, vamos encontrar as meninas. Jirou deve estar cansada de te esperar.


-


    Passado um tempo, Bakugou, após refletir sobre, decidiu se trocar. Colocou uma calça moletom cinza, uma camisa preta, e um chinelo, e dirigiu-se  ao quarto do amigo. Assim, bateu em sua porta, apenas três vezes, com um tom de voz calmo - que sequer soava como o próprio.


    -Ei, cabelo de merda. Não pensa que eu vou insistir aqui na sua porta por muito tempo como aqueles dois, então abre logo aí.


Por um curto tempo, o loiro não teve resposta, mas ele sabia que Kirishima se renderia. Depois de um minuto esperando, ele viu a porta abrindo em sua frente. O ruivo estava um traste; estava vestindo suas meias brancas, e uma calça formal, enquanto os sapatos, e a camisa estavam jogados no chão de seu quarto escuro. Tinha uma expressão solitária em sua face, como se alguém tivesse acabado de morrer.


-Vou entrar, sai da frente. - Bakugou ingressou no quarto do ruivo, ascendendo sua luz, e recolhendo as coisas do chão. Já Kirishima, fechou a porta, e voltou a deitar-se na cama.


-Vai me falar o que aconteceu? - disse fitando o que parecia ser o defunto de seu colega de classe, que tinha o rosto enterrado no travesseiro.


-É só que… eu não quero ir. Não precisa se preocupar. - Kirishima falava lentamente, e baixo, como se estivesse contando um segredo.


    -Como assim, não quer ir? Você ficou o semestre inteiro falando dessa merda, e agora você está ai chorando?


O loiro nunca o havia visto neste estado. Algo ruim deveria ter acontecido,  e ele sentia que estava sendo meio duro com o amigo. Mesmo ele sendo Katsuki Bakugou, sentia que deveria ser solidário naquele momento. Ele o encarava com a mesma cara de resmungão de sempre, mas em sua cabeça passavam mil pensamentos, a cada segundo de silêncio do outro.


-Não vai falar nada? - Outro longo período de silêncio se instalou no quarto. 


-Se lembra daquela menina do departamento de gestão? - Kirishima parecia falar com incerteza se realmente deveria. 


-Aquela feiosa do cabelo de tigela?


-Ei, não fala assim. 


-O que a pateta fez? 


-Sei lá, eu achei que estava rolando alguma coisa entre a gente, sabe? Eu convidei ela para ir ao baile comigo, e ela disse que me daria a resposta hoje. Eu fiquei todo esse tempo esperando uma resposta… mas quando ela foi conversar comigo, as meninas do 1-J ficaram fazendo pressão nela. Ela não me disse nada demais, mas eu ouvi os comentários.


-O que elas disseram?


-Ah… nada demais. 


-Se fosse, você não estaria aí. Desembucha.


-Foram só algumas coisas sobre… sei lá. Eu ser uma cópia mal feita do Crimson Riot. Também algumas coisas sobre meus dentes. E aparentemente eu não sou tão bonito quanto eu achava. Talvez elas estejam certas, sei lá. 


As palavras que Kirishima proferia, conseguiram alcançar Bakugou. Ele sentia seu desprezo por si mesmo, e já conhecia essa sensação de insuficiência, e insegurança. Ele reconhecia que estava preocupado com seu amigo. Também reconhecia as razões da preocupação, que jamais admitiria para si mesmo. Bakugou sentiu-se furioso, e sem pensar duas vezes, virou-se para sair do quarto.


-Ei, onde você está indo? 


-Vou explodir a cara de todas as garotas do 1-J, é claro.


-Tá doido, porra? Não é para tanto! -Kirishima se levantou na cama, pelo susto.


-Tô sem paciência para essas filhas da puta que acham que podem falar qualquer merda para você. Se eu explodir a boca delas, não vai ter por onde elas falarem. Pronto, solução encontrada.


-Ei, deixa disso, está tudo bem. - O foco dos pensamentos do ruivo, agora haviam se tornado outro; era sua impressão, ou Bakugou estava demonstrando preocupação?


-Se tá tudo bem, por que você não vai para aquele baile de merda que você ajudou a montar? Qual o tema mesmo?


-Titanic.


-Bela bosta. O salão vai estar sendo destruído enquanto uns retardados ficam tocando música clássica?


     Kirishima riu da perspectiva que Bakugou tinha. - Na verdade, a ideia é as pessoas irem de trajes formais. No começo, vai estar tudo feliz, com músicas animadas. Mas quando a festa estiver chegando no final, a música vai ficar triste, mudando totalmente o clima da festa, fazendo que as pessoas voltem para os quartos. 


    -Que merda.


    -Obrigado.


    -Então por que você não quer ir? Seu titanic já afundou?


    -Pode-se dizer que sim. Mas sei lá… tenho medo de chegar lá, e quando chegar na dança de casais, eu sentar no banco, e só ficar vendo elas dançarem com os caras, enquanto riem de mim.


    -Então o problema é que você não tem um par? Sério?


    -Não fala assim, mano. - O ruivo agora estava constrangido pela situação. Sentia que estava fazendo um drama desnecessário. 


    -Que merda.


 Os dois estavam na porta do quarto de Kirishima. Bakugou, já estava com a mão na maçaneta, pronto para sair de lá. Mas não conseguia simplesmente ignorar aquele olhar vazio do ruivo.


    -Ah, foda-se, vai. 


    -Que?


    -Se o problema é um par, eu posso ser o seu. - Disse Bakugou desviando o olhar.


    -Que? Calma… sério? Você faria isso por mim? 


    -É. To indo me trocar.


    -Ei, eu nem te dei uma resposta!


    -Vai dizer que não quer?


    -Ah… não… 


    -Então coloca uma camisa e me espera. - Bakugou saiu do quarto, sem olhar para trás. Se o houvesse feito, viria que os olhos de Kirishima, agora brilhavam. Este, ficou constrangido, pois esqueceu que estava sem camisa. Talvez seja por isso que Bakugou ficou desviando tanto olhares durante essa conversa.


-


Os dois garotos, que planejavam passar a noite sozinhos em seus quartos, agora estavam frente a frente no corredor. Kirishima não pôde deixar de notar que Bakugou havia passado seu perfume, com cheiro amadeirado. O loiro, que vestia um Smoking bordô, se aproximava do ruivo com Paletó cinza. Nenhum foi capaz de dizer, mas eles gostavam da visão que tinham um do outro. Katsuki conseguia reprimir seus sentimentos, contudo, Ejirou nunca foi esse tipo de pessoa; sem perceber deu um sorriso ao ver o novo par.


-Tá sorrindo por que, idiota?


-Por nada. Vamos?


-Tá.


Eles caminhavam em silêncio em direção ao ginásio onde ocorreria o baile. A situação estava constrangedora. A todo momento, Kirishima se perguntava o que estava acontecendo. Katsuki não é uma pessoa empática a ponto de fazer isso por um amigo. Não se arrumaria por qualquer um. Algo estava acontecendo, não só agora, faz tempo. Ele sabia, e quanto mais suposições fazia, mais ele entrava em pânico. De lá, já dava para ouvir o barulho da festa, mas ele não havia percebido, pois sua cabeça estava a mil. Mas Bakugou interrompeu esse surto interno;


-Isso tá ficando irritante.


-O que?


-Você está muito nervoso, está me irritando.


-É só que… sei lá, eu sei que vários amigos vão juntos ao baile, sabe? Tipo, sei lá, acho que a Uraraka está com a Tsuyu, né? Isso porque elas são amigas, claro, todos sabem que a Uraraka gosta do Midoriya. Então tipo, tudo bem, né? Tipo, a gente, e tal, sabe? Não é estranho, claro que não. - Kirishima mal sabia o que estava falando. As palavras saiam atropeladas de sua boca, enquanto ele ria de desespero. Katsuki parou de andar.


-Quer desistir?


-Não! De jeito nenhum! Só vamos encontrar o pessoal logo, certo?


Dessa forma, os amigos caminharam lado lado para o ginásio, ansiosos pelo que viria a acontecer. 

-



    Quando entraram no ginásio, tudo que Kirishima podia ver era aquela decoração tão bem feita por seus companheiros da academia, e as pessoas tão bem vestidas se divertindo em todos os lugares. Já tudo que Bakugou podia ver, era aquela expressão adorável e impagável que seu par tinha. Talvez essa noite não fosse ser tão ruim quanto pensava.


    Eles se encontraram com sua turma, e alguns colegas de outras séries e salas. Aquele local estava repleto de uma energia boa. Naquela noite, não haveriam vilões atacando a academia, pois barreiras fortes haviam sido feitas. Nada poderia estragar aqueles momentos, que estavam sendo registrados por um homem com individualidade de fotos. A princípio, os pares mal estavam juntos, pois na verdade, estavam todos juntos e misturados, se divertindo numa clássica festa adolescente (sem bebidas, claro).


    Mineta havia levado uns sete foras, enquanto Denki - por mais que não quisesse admitir - estava tentando causar ciúme em Jirou conversando com outras garotas. Mina dançava como bem quisesse, sem se importar com quem estava a olhando, e da mesma forma, lida a acompanhava. Haviam outros, como Tokoyami e Shoji, que preferiam apenas observar, e jogar conversa fora sentados no banco. Alguns, como Momo e Sato aproveitavam o banquete que havia ali, e outros mais velhos aproveitavam a parede, para dar uns amassos. E aí que os professores surgiam para separar. Isto é, alguns deles, pois Mic e Midnight haviam se esquecido de suas obrigações, e se jogaram na pista. 


    Porém, Katsuki não estava sentindo toda essa magia. Conversava, bebia um pouco, mas algo o incomodava. Ele sabia o que era. Por mais que não quisesse, ele sabia que sentia algo por Kirishima. Não sabia quando isso havia começado, ou o porquê, mas estava lá, o tempo todo. Ele não sabia se seria capaz de lidar com isso, mas sabia que este sentimento era mais do que gostar; infelizmente, Bakugou estava apaixonado.


    O tempo passou, e estava chegando “a hora do titanic afundar”, isto é, o fim da festa. As músicas românticas haviam começado, e o momento pelo qual Katsuki estava ali, havia chegado; mostrar para aquelas garotas que desprezaram Kirishima, que ele não estava só. Os pares estavam começando a se juntar, para dançarem juntos. Aqueles que estavam sozinhos iam para os bancos, ou para as paredes. Uma cena um tanto quanto dramática. Bakugou, que estava se preparando psicologicamente para seja lá o que estava por vir, teve seus pensamentos interrompidos por uma mão que o convidava para sair do banco.

    -Vamos dançar? - disse Ejirou, com um sorriso singelo. Katsuki sentia que começaria a corar a qualquer instante, então prometeu a si mesmo evitar troca de olhares. 

    

E eles foram para a pista. Kirishima, que havia tomado iniciativa, colocou suas mãos na cintura de Bakugou. Estava com medo, sentia que o loiro o explodiria se colocasse a mão um milímetro abaixo do esperado. Já Katsuki, colocou suas mãos nos ombros de Ejirou, e meio sem jeito, tentaram encaixar seus ritmos. 


-Não sabia que você sabe dançar. - Disse Kirishima, tentando quebrar o silêncio entre os dois.


-Tive que aprender para o casamento da minha tia. Foi um saco.


-Entendi. - Disse Kirishima como se estivesse rindo do jeito mal humorado de Katsuki.


-Acho que você conseguiu o que queria. A cabelo de tigela está sozinha ali na bancada, olhando para gente. 


-Não é só ela que está olhando. - Nesse momento, Bakugou se deu conta que olhares de todos os cantos vinham na direção deles. 


-Pelo menos esses merdas estão tentando disfarçar.


- Não é tão comum pares de pessoas do mesmo gênero para alunos do primeiro ano. Ainda mais quando quem está dançando é Bakugou Katsuki.


-Tá insinuando alguma coisa, cabelo de merda?


-Não disse nada… 


    Eles dançaram o resto da música em silêncio, cada um olhando para um lado. Todos pareciam estar aproveitando o momento, mas para aquele par, o tempo havia ficado mais devagar. Eles queriam que o tempo passasse mais rápido, mas ao mesmo tempo, não queria que aquele momento acabasse. Uma música de três minutos, parecia ter quinze. Nenhum sabia bem o que dizer, ou para onde olhar. Não sabiam se deveriam ficar ali, ou simplesmente deveriam se sentar. Ambos estavam com as mesmas dúvidas, mas um não sabia que o outro sentia o mesmo. 


    Quando a música acabou, e iniciou-se outra, Kirishima viu Mina, que estava dançando com seu amigo Sero, sinalizando para ele, como se quisesse dizer “Fala logo o que você tem para falar!”, e Sero fazia um sinal de joinha para ele, tentando o passar confiança. Por um impulso interior, Ejirou começou a falar.


    -Ei, não vai olhar para mim?


    -Por que eu deveria?


    -Bem, estamos dançando… acho que é o certo a se fazer. - Assim Kirishima pôde finalmente ver o rosto de Bakugou, que estava… corado? Não, deveria ser só a luz do salão, ele não deveria estar assim.


    -Pronto. O que você quer?


    -Nossa! Tá bravo?


    -Vai tomar no cu.


    -Tá bom então, né… - Katsuki voltou a virar o rosto. 


Kirishima sentiu que havia feito algo de errado, mas não sabia o que. Então decidiu falar o que sentia, porém com alguns filtros, pois não queria acabar com aquele momento, muito menos com aquela amizade. Ele não teria coragem de dizer essas coisas que passavam pela sua cabeça cara a cara. Assim, o puxou para perto, e continuaram a dançar lentamente. Porém, agora sentir o cheiro um do outro já era inevitável, e o cheiro do loiro fez com que o coração do ruivo disparasse.


    -Ei, Bakugou. Eu… só queria te agradecer. - Disse Ejirou no ouvido de Katsuki, fazendo com que ele se arrepiasse. 


    -Pelo que?




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