História O beijo da meia-noite (camren G!P) - Capítulo 11


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, LGBT, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 11 - Capítulo X


Camila passou outra toalha de papel sob a água fria da pia da cozinha. Várias outras estavam jogadas na pia, encharcadas de água, sangue e do pó da rua que havia varrido com as palmas e os joelhos. Em pé, apenas de calcinha e sutiã, jogou um pouco de sabão líquido na toalha de papel úmida e esfregou com cuidado os machucados na palma das mãos.

– Ai! – Exclamou, recuando ao ver uma pedrinha afiada encravada na ferida. Tirou e jogou-a na pia, ao lado dos outros cacos e pedregulhos que recolhera ao se limpar.

Deus, ela era um desastre.

A saia nova estava rasgada e destruída. A bainha do suéter ficou ralada com o baque contra a calçada. As mãos e os joelhos pareciam os de uma desajeitada garota travessa.

E, além de tudo, havia feito uma cena ridícula em público.

Que diabos havia de errado com ela para ficar fora de si daquele jeito?

O prefeito, pelo amor de Deus! E tinha fugido de seu carro como temesse que ele fosse um…

Um o quê? Algum tipo de monstro?

Um vampiro.

As mãos de Camila ficaram imóveis.

Escutou a palavra mentalmente, ainda que se recusasse a pronunciá-la. Era a mesma palavra que estivera lhe beirando a consciência desde o assassinato que testemunhara. Uma palavra que não queria reconhecer, mesmo sozinha, no silêncio de sua casa vazia.

Os vampiros eram a obsessão maluca de sua mãe biológica, não dela.

A adolescente desconhecida se encontrava profundamente delirante naquele ano, há muito tempo, em que a polícia a recolhera da rua. Dizia que havia sido perseguida por demônios que queriam beber seu sangue – já tinham, na verdade, tentado, como explicou ao mostrar as estranhas feridas que tinha no pescoço. Os documentos judiciais que deram a Camila estavam repletos de referências insanas a demônios sedentos de sangue que andavam livres pela cidade.

Impossível.

Isso era loucura, e Camila sabia.

Estava deixando a imaginação e o medo de que pudesse um dia ficar demente como a mãe tomarem conta de si. Era mais esperta que isso. Mais sã, pelo menos.

Deus, tinha de ser

Ao ver aquele garoto da delegacia de polícia hoje – sem contar tudo o mais que havia passado nos últimos dias –, era como se algo tivesse despertado dentro de si. Embora, agora que havia parado para pensar, nem mesmo podia dizer com certeza se o rapaz que viu era o mesmo funcionário da delegacia ou não.

E daí se fosse? Talvez estivesse no parque almoçando, aproveitando o clima bom assim como ela. Não era crime nenhum. Provavelmente estava olhando para ela porque também achou que lhe parecia familiar. Talvez teria se aproximado para cumprimentá-la, se ela não tivesse corrido atrás dele como uma psicopata paranoica, acusando-o de espiá-la.

Ah, e não seria adorável se ele voltasse à delegacia e contasse para todos como ela o perseguira por vários quarteirões adentro de Chinatown?

Se Lauren ficasse sabendo disso, ela morreria de humilhação.

Camila terminou de limpar os machucados nas mãos e se esforçou por parar de pensar no que havia acontecido durante o dia. A ansiedade ainda lhe consumia e o coração batia forte. Tocou de leve as feridas e pôde observar uma fina trilha de sangue que escorria pelo pulso.

Tal visão a acalmou de um modo estranho. Sangue sempre a acalmava.

Quando era mais jovem, sempre que os sentimentos e as pressões internas se alojavam de tal forma a ponto de se encontrar sem saída, tudo que bastava para lhe tranquilizar era fazer um cortezinho.

O primeiro tinha sido um acidente. Camila estava descascando uma maçã em uma das casas adotivas quando a faca escorregou e cortou a carne macia de seu polegar. Doeu um pouco, mas, ao observar o filete de sangue vertendo, brilhante e escarlate, Camila não havia sentido nem pânico nem medo.

Havia sentido fascinação.

Havia sentido uma espécie incrível de… paz.

Alguns meses depois dessa descoberta surpreendente, voltou a se cortar. Cortou por vontade, em segredo, sem nenhuma intenção de se machucar. Com o passar do tempo, repetia o ato frequentemente, sempre que precisava sentir a mesma profunda sensação de calma.

E precisava agora, pois estava ansiosa e agitada como um gato, de orelhas atentas ao menor ruído que escutasse dentro ou fora de casa. Sua cabeça latejava. A respiração estava ofegante e exalava rápido por entre os dentes.

Seus pensamentos se intercalavam entre as lembranças vívidas daquela noite fora da boate, o horripilante hospital psiquiátrico onde havia tirado algumas fotos na outra manhã e o medo irracional, profundo e desconcertante que havia sentido esta tarde.

Precisava de um pouco de paz depois de tudo isso.

Ainda que fossem raros momentos de calma.

Camila deslizou o olhar para o conjunto de facas de madeira que estava no balcão ali perto. Esticou a mão e pegou uma. Fazia anos desde que fizera isso pela última vez. Havia se esforçado muito para conseguir controlar o estranho e vergonhoso impulso.

Mas havia realmente conseguido?

Seus psicólogos e os assistentes-sociais por fim se convenceram de que sim. Assim como os Cabello.

Nesse instante, Camila começou a divagar enquanto trazia a faca para perto do braço desnudo, e uma expectativa sombria a inundou. Pressionou a ponta da lâmina sobre a carne do antebraço, porém, ainda sem a força necessária para cortar a pele.

Esse era seu demônio pessoal – algo que nunca havia compartilhado abertamente com ninguém, nem mesmo com Harry, seu amigo mais querido.

Ninguém entenderia.

Quase nem ela mesma entendia.

Camila inclinou a cabeça para trás e respirou fundo. Ao trazer o rosto de volta e exalar lentamente, vislumbrou seu reflexo na janela sobre a pia. O semblante que a olhava de volta tinha as feições exaustas e pesarosas, e os olhos estavam assombrados e aborrecidos.

– Quem é você? – Sussurrou para a imagem fantasmagórica no vidro. Teve de engolir um soluço. – O que há de errado?

Sentindo-se miserável consigo mesma, jogou a faca para dentro da pia e se afastou dali enquanto o objeto batia contra a pia imaculada.

 

                      •••

 

O constante som das hélices do helicóptero cortava o noturno céu silencioso sobre o velho hospital psiquiátrico. Saído detrás de uma nuvem baixa, um Colibri EC120 preto desceu e pousou suavemente em uma área plana do telhado.

– Desligue o motor – ordenou o líder dos Renegados ao seu piloto subordinado assim que o helicóptero se estabilizou no heliporto improvisado. – Aguarde aqui até que eu volte.

Saltou para fora da cabine e foi imediatamente recebido por seu tenente, um indivíduo bastante desagradável que havia recrutado na Costa Oeste.

– Está tudo em ordem, senhor. As grossas sobrancelhas do Renegado se juntaram sobre os ferozes olhos amarelos. Ainda trazia na cabeça calva as cicatrizes de choques elétricos infligidos durante uma série de interrogatórios da Raça, aos quais havia sido submetido aproximadamente um ano atrás. Todavia, em meio ao resto de suas horrendas feições, as várias marcas de queimadura eram apenas um detalhe. O Renegado sorriu, deixando expostas as enormes presas.

– Seus presentes esta noite foram muito bem recebidos, senhor. Todo mundo espera ansioso por sua chegada.

Com os olhos escondidos detrás de óculos escuros, o líder dos Renegados assentiu brevemente e caminhou devagar enquanto o conduziam até o último andar do prédio, onde tomaram um elevador que lhes levaria ao cerne das dependências. Desceram bem além do andar térreo e saíram do elevador em um túnel cheio de curvas e reentrâncias que englobava parte da fortaleza do lar dos Renegados.

Quanto ao líder, havia se estabelecido em um quartel particular em algum lugar de Boston no último mês, revendo intimamente as operações, avaliando seus obstáculos e determinando as maiores vantagens que tinham nesse novo território que pretendiam controlar. Seria sua primeira aparição em público – um evento, tal como pretendia.

Não era sempre que se aventurava na degradação da população em geral; os vampiros que se convertiam em Renegados eram do tipo rudes, indiscriminados, e ele tinha aprendido a apreciar coisas melhores durante seus vários anos de existência. Era necessária uma aparição, contudo, ainda que breve. Precisava lembrar os animais a quem serviam, e por isso havia dado uma amostra dos benefícios que os esperavam ao fim de sua última missão. Nem todos sobreviveriam, claro. As baixas acabavam se acumulando em meio a guerras.

E, esta noite, era guerra que venderia a eles.

Nada mais de conflitos insignificantes por território. Sem mais brigas internas entre os Renegados ou atos despropositais de vingança pessoal. Iriam se unir e virar uma página nunca antes imaginada na épica batalha que havia dividido para sempre a nação dos vampiros em dois. Por muito tempo, a Raça havia reinado e chegado a um acordo informal com os humanos inferiores, ao mesmo tempo em que lutavam para eliminar seus irmãos Renegados.

As duas facções da linhagem dos vampiros não eram assim tão diferentes uma da outra; distinguiam-se por pouco. A diferença entre um vampiro da Raça que satisfazia sua fome de vida e o vício de sangue que atacava a Sede interminável dos Renegados era de apenas alguns litros. A linhagem real da Raça havia sido perdida desde o tempo dos Antigos, à medida que novos vampiros cresciam e se acasalavam com Companheiras de Raça humanas.

Mas nem toda a deterioração dos genes humanos seria capaz de destruir por completo os genes dos vampiros, mais fortes. A Sede de Sangue era um fantasma que assombraria a Raça para sempre.

Assim como acreditava o líder da incipiente guerra, podia-se tanto lutar contra o impulso inato da espécie quanto utilizá-lo em favor próprio.

Nesse instante, ele e o tenente que o acompanhava chegaram ao fim do corredor, onde a música alta reverberava pelas paredes e sob seus pés. Atrás das portas duplas de aço escovado, estourava uma festa. Diante dela, um Renegado que estava de vigia ajoelhou-se rapidamente assim que suas pupilas fendidas registraram quem esperava à sua frente.

– Senhor – disse, com a voz áspera e reverenciosa, mostrando deferência ao não levantar a vista para encarar os olhos que se escondiam atrás dos óculos escuros. – Meu senhor, sentimo-nos honrados.

E, de fato, era uma honra. O líder fez um breve gesto de assentimento com a cabeça quando o vigia se pôs de pé outra vez. Com uma mão suja, o guarda empurrou as portas para permitir a passagem de seu superior até a estridente reunião que acontecia ali dentro. O líder se despediu do acompanhante e ficou livre para observar o local em particular.

Tratava-se de uma orgia de sangue, sexo e música. Para todos os lados que olhasse, podia ver Renegados tateando, acossando e se alimentando de uma ampla variedade de humanos, tanto homens quanto mulheres. Não sentiam muita dor, ainda que estivessem presentes por vontade própria ou não. A maioria já havia sido mordida pelo menos uma vez e perdeu sangue o bastante para ser envolvida numa despreocupada onda sensual de êxtase. Alguns já estavam longe e afundavam nos braços de seus selvagens predadores como se fossem belas bonecas de pano, sendo devoradas até que não restasse mais nada.

Mas isso era de se esperar ao jogar tenros cordeiros em uma cova repleta de bestas vorazes.

Enquanto andava com passos largos em direção ao centro da festa, suas palmas começaram a suar. Sentiu o pênis endurecer por baixo do caimento apertado das calças confeccionadas sob medida. As gengivas começaram a palpitar doloridas, mas mordeu a língua para evitar que as presas se alongassem de fome, da maneira como as partes íntimas haviam respondido às eróticas toneladas de estímulos sensoriais que o atacavam por todos os lados.

Os aromas de sexo e sangue derramado se misturavam e chamavam por ele como o canto de uma sereia – bem conhecida, aliás, embora estivesse em um passado muito distante. Ah, ainda adorava uma boa transa e uma suculenta veia aberta, porém, tais necessidades não mais o possuíam. Havia sido um caminho difícil de volta do poço em que tinha afundado, mas, ao final, havia vencido.

Era Mestre de si mesmo agora, e, em breve, de muitos, muitos mais.

Uma nova guerra estava para começar, e ele estava disposto a oferecer a batalha final. Estava preparando seu exército, aperfeiçoando seus métodos, recrutando aliados que, mais tarde, seriam sacrificados sem hesitação no altar de suas extravagâncias pessoais. Aplicaria uma vingança sangrenta à nação dos vampiros e ao mundo humano, que só existia para servir à sua espécie. Quando tivesse fim a grande batalha e todo o pó e as cinzas estivessem por fim assentados, não haveria ninguém em seu caminho.

Seria um maldito rei. Como lhe era direito por nascença.

– Mmm… Ei, gato… Venha aqui brincar comigo. 

O rouco convite chegou até suas orelhas por cima do alvoroço da festa. De uma pilha retorcida de corpos nus e escorregadios, surgiu uma mão feminina que apertou sua coxa assim que passou. Ele se deteve e baixou os olhos com impaciência. Havia certa beleza oculta sob a escura maquiagem toda borrada, mas sua mente estava completamente perdida no delírio da orgia. Dois filetes de sangue lhe escorriam pela viçosa garganta até a ponta dos seios, perfeitamente delineados. Tinha outras mordidas em outros lugares também: no ombro, no ventre e no interior de uma das coxas, logo abaixo da estreita faixa de pelos que lhe cobriam a genitália.

– Junte-se a nós – implorou, saindo da selva emaranhada de braços e pernas e Renegados excitados. A mulher havia sido drenada quase completamente, estava a poucos litros da morte. Tinha os olhos vidrados, fora de foco. Seus movimentos eram lânguidos, como se os ossos tivessem se transformado em borracha.

– Tenho o que deseja. Sangrarei por você também. Venha, prove-me.

Ele não disse nada, simplesmente afastou os pálidos dedos manchados de sangue que se agarravam no tecido fino de suas calças caras de seda.

Francamente, não estava no clima.

E, como qualquer negociante próspero, nunca tocava sua própria mercadoria.

Empurrou-a pelo peito com a mão, de volta para a baderna. Ela gritou quando um dos Renegados a apanhou firme e a virou agressivamente, sujeitando-a debaixo de si e penetrando-a por trás; ela guinchou e gemeu, mas logo se reprimiu em silêncio, assim que o vampiro sedento de sangue lhe mergulhou as enormes presas no pescoço e chupou a última gota de vida de seu corpo exaurido.

– Aproveitem esses mimos – disse o que em breve seria rei, e sua voz profunda ressoou magnânima por cima dos rugidos selvagens e do estrondo ensurdecedor da música. – A noite se aproxima, e logo receberão todas as recompensas que tenho a lhes oferecer.


Notas Finais


Tenham um bom final de semana, beijos e até o próximo (:


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