História O Beijo da Morte - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Erótico, Hentai, Original, Romance, Sobrenatural
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Palavras 2.125
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Harem, Hentai, Lemon, Literatura Feminina, Luta, Magia, Mistério, Musical (Songfic), Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Óbito


Esquece!

As grossas e pesadas gotas de chuva caíam em cima do meu para-brisa. Meu limpa vidro quase não estava suportando toda essa chuva. Droga de Seattle chuvosa e fria! Eu estou tão perto de chegar em Medina, na casa dos meus pais, para o aniversário da minha irmã Sarah. Pelo visto vou ficar ainda mais encalhada no trânsito. Com certeza algum idiota deve ter causado um acidente.

Verifico o horário no meu iPhone mais uma vez. Isso não vai mudar o fato de que estou totalmente atrasada, mas faço mesmo assim. Impaciente, aperto o botão que troca a música, para uma que espelhe mais o meu humor nesse momento: Photographs, da Rihanna, é mais ou menos adequado. Então, eu desisto, pegando uma barrinha de proteína no porta-luvas.

Só de lembrar o quanto foi difícil desocupar o fim de semana, minha boca inconscientemente franze num bico choroso — sim, sou o tipo de garota que chora quando as coisas não saem bem do jeito que eu quero. Mas tudo bem! Também sou o tipo de garota que é otimista e acredita que meu querido Deus vai me tirar dessa.

Por isso, eu ligo para Sebastian, meu namorado, pelo carro.

— Estou presa no trânsito. — meus olhos se fecham por um momento, depois eu tento enxergar qualquer coisa pelos vidros embaçados e molhados do meu carro. — Parece que vou demorar muito ainda.

— Você ainda está no trânsito, Noah? A chuva está terrível, deveria ter ido te buscar. — sua voz é calma, mas preocupada. Me alivia um pouco, mas me faz rir sem humor.

— E deixar meu carro no meio do trânsito? — ouço os agudos sons de buzinas, como se isso fosse ajudar a fazer o trânsito ir mais rápido. Rolo os olhos. — Não, mesmo que todos aqui merecessem ter um carro atrapalhando a passagem junto a chuva.

Ele ri levemente, como sempre fazia quando eu estava brava e começava a me sentir super vingativa. Mas não, eu não fazia esse tipo — sou mais delicada, bem humorada e alegre. E é isso que eu gosto de lembrar quando estou em situações assim, que me deixam de mal humor.

— Tenho certeza que você vai sair dessa. Afinal, é você. — ouço alguns barulhos ao fundo, caquéticos sons de vozes e bips. — Me desculpa amor, vou ter que desligar. Vou auxiliar em uma apêndice.

A felicidade em sua voz me faz sorrir, e melhora meu humor um pouquinho. Somos residentes de medicina num dos hospitais mais bem conceituadas em Seattle — se não, no país. Foi na faculdade que conheci Sebastian, com seu sorriso gentil e o cabelo rente loiro me oferecendo um café por ter me visto várias vezes na mesma mesa do refeitório.

Sim, foi amor a primeira vista.

— Tudo bem, amor, boa sorte. — eu digo, suavemente. — Te amo.

— Te amo, mais.

E desliga. Um suspiro corta minha garganta quando olho para o aparelho, já sentindo falta da sua voz robotizada saindo por ele. Quando meus olhos brevemente vagam pelo retrovisor, vejo a caixa do bolo parada atrás do banco.

Merda, em dobro.

Outra música começa a tocar. Sia, Satifield. Eu gosto dessa música, por isso sorrio, lembrando de quando America, minha ex-colega de apartamento e melhor amiga, fez uma festa surpresa pra mim. Quando entrei, estava tocando essa música e todos já estavam bêbados, porque eu me atrasei duas horas por ter transado com o Sebastian no carro.

Que infortúnio.

Novamente, procuro um contato no meu celular com a foto vestida naquele pijama ridículo de urso panda. Eu sempre digo isso à ela, mas ela não me escuta. É... Como ela diz? Otaku! Isso aí.

— Estou atrasada para a festa da minha irmã. — respiro, procurando minha nesesserie dentro da minha bolsa. Aproveito o tempo que tenho para retocar minha maquiagem. — E eu estou com o bolo.

— Noah? — sua voz soa esbaforida e cansada, certamente ela está correndo. — Está uma chuva horrível mesmo.

— Você está correndo? — junto as sobrancelhas, achando aquele movimento bem atípico. Como qualquer viciada em animes, games etc... América não era do tipo que escondia o cabelo curto dentro de uma touca e saia para correr numa chuva dessas.

— Não, eu... Ah! — ela suspira, a respiração começa a elevar. — Estou transando.

— Aí, America! — faço uma careta, fechando os olhos quando imagens dela transando começam a invadir minha cabeça. — Eu poderia ter ligado depois, que nojo!

— Você sabe que eu tenho um... um protocolo a seguir. — faço cara de tédio pro aparelho, já sabendo o que ela estava querendo dizer. — Nunca deixar de atender uma ligação, pode... meu deus... ser urgente.

— Se eu tiver uma urgência, vou ligar para outra pessoa. — balanço a cabeça, batendo levemente no banco.

— Bem, eu não... Ah, nossa! quero me sentir culpada caso você esteja morrendo e... o meu número esteja em primeiro na lista de chamada.

— Não vou morrer. Beijo! — eu desligo, antes de ouvir qualquer outro gemido ou suspiro indecente.

Começo a sentir minha nuca molhada quando finalizo a ligação. Mesmo que eu esteja de moletom, com um grosso cachecol e esteja numa temperatura mais baixa que 5° graus célsius, ainda consigo sentir calor porque detesto ficar num mesmo lugar trancada por muito tempo.

Eu tiro o cachecol, e amarro meu cabelo castanho escuro e cheio de ondas — agora nem tão bonitas — no alto da minha cabeça. De novo, vejo o reflexo dos meus olhos azuis pelo retrovisor, encarando a caixa do bolo como se ela fosse meu maior empecilho agora. Depois, encaro minha corrente com a cruz, presa nele para me confortar em momentos como esse.

— Vamos lá, Deus, por favor... Só falta um quilômetro. — suplico, como uma oração. Por ter sido criada em família católica, e por ter ido a igreja todos os Domingos desde que eu me entendo por gente, eu acredito muito em Deus, e acredito mais ainda que tudo pedido com jeitinho é atendido.

É isso!

Quando o carro a minha frente acende os faróis e avança um pouquinho, meu coração se afunda em um delicioso mar de alívio. Aperto o volante e avanço lentamente com o meu carro, olhando brevemente para o céu e imaginando que Deus deve estar sorrindo agora.

Agradecida, sorrio de volta. Valeu, Deus


...

— Acidente de trânsito na dividida de Seattle com Medina. — a paramédica alta, com o cabelo estilo joãozinho e os olhos escuros fala rapidamente. É a Eliza, que vive dando em cima de Sebastian. — Um caminhão desgovernado bateu nela. Tem múltiplas escoriações, costelas quebradas e bateu forte com a cabeça, ao que parece. Sinais instáveis.

Eu olho para a mulher na maca. Seu rosto está praticamente desfigurado, repleto de hematomas escuros pelo rosto e cortes pelo corpo. Estava só com a calça jeans e o sutiã preto, e um estilhaço de vidro preto na clavícula. A perna também estava visivelmente fraturada, com o osso saindo para fora.

— Meu Deus. — sibilo, perplexa pelo estado da mulher. — Ela não estava usando cinto?

— Ela estava usando cinto. — o outro paramédico diz, mas está olhando para outro médico. É Sebastian, vestido no jaleco branco e proativo como sempre. — Não deveria ter tantos ferimentos graves.

— Tudo bem, me ajudem a passá-la para cá. — todos nós seguramos a mulher, passando ela para outra maca. Rapidamente, os médicos e enfermeiros ali começam a correr com ela em direção ao centro cirúrgico. — Precisamos levá-la imediatamente ao centro cirúrgico. Chamem o neuro e o cardio, rápido!

Sebatian era extremamente focado em seu trabalho como médico, por isso não achei estranho o fato de estar me ignorando. Correndo com eles, nós chegamos ao centro cirúrgico. O enfermeiro, Doug, meu amigo, começa a pedir uma sala quando seus olhos estreitam em direção a moça.

— Doug, a sala! — Sebastian grita, encarando ele com impaciência. — Se não formos logo, essa mulher vai morrer.

— Eu já pedi, Sebastian. Só que... — ele se aproxima, tirando um punhado de cabelo sujo com sangue do pescoço. — Meu Deus! 

Balançando a cabeça, Sebastian se aproxima rapidamente e checa o mesmo lugar. Seu rosto fica pálido, e ele checa novamente o rosto da mulher.

— O quê? O que aconteceu? — eu sigo ele, conforme suas mãos começam a tremer. Sebastian não tremeu nem em sua primeira cirurgia. — Por que ninguém fala comigo!?

Nós três viramos o rosto na direção do monitor cardíaco, que começa a ficar com bips instáveis. Sebastian sobe em cima da maca, começando a fazer massagem cardíaca. Então, Doug passa o desfibrilador.

— Carrega em duzentos. Afasta! — ele bate no peito da mulher, mas nada. — Carrega em trezentos. Afasta!

Nada. Ela continua imóvel, sem batimentos cardíacos. Sebastian começa a fazer a massagem de novo, as mãos trêmulas e suando. Eu sabia que tinha visto ele muito poucas vezes assim — quando ele foi ao funeral da avó, quando passou para o mesmo programa de medicina que eu, quando pensou que eu tinha visto a caixinha com um lindo anel na sua gaveta de meias.

Eu disse que não tinha aberto a gaveta, mas sabia que estava lá.

Mas nunca o vi dessa forma por causa de um paciente, nem mesmo por um em estado terminal. Doug tem uma expressão de pena no rosto, devido a pobre da paciente. É realmente triste quando perdemos eles, eu sabia disso mais do que ninguém — na verdade, era meu lindo namorado que me consolava e dizia que tudo ia ficar bem nesse tipo de situação.

— Amor, para. — digo, suavemente, ele me ignora. — Não tem mais jeito, por favor...

— Não! — ele grita, repelindo minha mão para longe com o gesto. — Você. Não. Vai. Morrer.

Eu me afasto, assustada quando vejo Doug falar com outros médicos, que aparecem para ajudar. No entanto, ao contrário disso, eles precisam tirar Sebastian a força de cima da maca, que parece enfurecido por não ter conseguido.

— Triste, não? — alguém diz, a voz profunda e grossa. — Morrer nunca é fácil, mas é especialmente difícil para quem fica.

— Quem é você? — pergunto, com a voz tão trêmula quanto as pernas. Quase sem falta de ar. — Não pode ficar aqui, essa é a ala cirúrgica.

Quando o encaro, sou presa dentro de olhos profundamente azuis, como um oceano à noite repleto de estrelas. A pele branca destaca o cabelo rente e negro, juntamente a marca escura que cobre a mandíbula. Ele é alto, e grande, mas não tão grande... É grande de uma forma intimidadora, apertando forte uma jaqueta de couro ao redor de seu corpo.

— Você não está com falta de ar, nem nervosa. Não é possível. — um sorriso brinca em seus lábios, tranquilamente. Ele observa a comoção de médicos em volta da mulher morta. — Não sabe quem é essa mulher?

O tom de sua voz sugere que eu deveria saber quem é ela, mas ao olhar novamente, constato que sei tanto quando antes: nada. Mesmo que soubesse, é difícil dizer com tantos machucados e hematomas cobrindo o rosto. Eu balanço a cabeça de maneira incerta, engolindo em seco. Ele suspira, como se lidar comigo o deixasse extremamente cansado.

— O que vira motivo de risada toda vez que você reclama de Seatlle? — ele pergunta, erguendo uma grossa sobrancelha negra. — Vamos, até eu sei essa!

Meus lábios começam a tremer, meus dedos estão gelados e novamente eu sinto que estou suando — mas quando levo meus dedos até atrás da minha nuca, para limpar o suor que sinto crescer, não há nada para limpar.

— Eu achei isso. — Eliza aparece em nosso campo de visão, e seus olhos ficam desanimados quando nos vê parados com o bip do aparelho dizendo que não há mais frequência cardíaca. Em sua mão, há uma caixa. — Incrivelmente, foi a única coisa que sobreviveu no acidente.

— Que dramático. — o misterioso homem murmura, parecendo entediado.

Ao ver a caixa do bolo que estava atrás de mim no banco traseiro do meu carro, quando eu estava a caminho da casa dos meus pais para o aniversário de Sarah, eu vou até a mulher apenas para constatar, ao ver a marquinha de nascença com o formato de Seattle atrás de sua orelha, que sou eu a mulher desconhecida.

Estou morta.

Com um suspiro cansado e os olhos vermelhos, Sebastian olha brevemente para o seu relógio de pulso — aquele que eu dei à ele no Natal. 

— Hora da morte: — ele aperta os lábios, balançando a cabeça levemente. — 20h32pm.


Notas Finais


O que acharam do segundo capítulo?


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