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História O Belo e a Fera - Capítulo 14


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Capítulo 14 - Matem a Fera (II)


–– Aproximem-se todos, por favor! – pediu com firmeza em seu tom de voz, balançando seus braços e convidando os servos e demais objetos a se aproximarem das escadas. Olhares curiosos e superfícies planas voltaram-se para encarar o braço direito do mestre. –– Este não será o nosso fim! –– falou, vasculhando o cômodo com os olhos. –– Permanecemos nas sombras por muitos anos, calados devido ao medo e petrificados com as mudanças do mundo. Preparamos nosso ataque e sabemos que este –– sinalizou em direção a porta. –– não é o nosso fim!

Seokjin deslizou com cuidado em direção ao companheiro, seu semblante brilhando extasiado com determinação. Kim sorriu veementemente, sentindo seu coração bater por aquele homem mais uma vez.

–– Não vamos desistir, não vamos entregar nosso destino a eles! Este castelo é o nosso lar, o nosso legado, a nossa mais pura riqueza. Não somos objetos encantados, mesmo que tenhamos, agora, a forma dos mesmos: somos homens e mulheres determinados e confiantes, bravos e valentes, orgulhosos e protetoras! Somos seres humanos, como aqueles que tentam invadir nossos domínios –– respirou fundo e fez uma breve pausa. –– Vamos lutar pelo o que é nosso por direito e por nossos votos. Proteger este lugar é nosso dever.

–– Ele está certo! –– Taehyung gritou, saltitando em direção as escadas. A animação em sua voz era visível e, de certa forma, contagiante, um impulso necessário para a mobília.

A motivação começava a perpetuar sobre todos os seres animados do castelo. Lentamente, os protestos iniciaram-se como sussurros para tornaram-se frases indignadas com o destino, para, portanto, tornaram-se uma única voz que brandia a favor de seus direitos. Namjoon sorriu orgulhoso.

–– Não devemos perder mais tempo. Vocês todos sabem o que fazer! –– anunciou, apagando as chamas de suas velas.

Os móveis correram e se arrastaram em direções opostas, mas não mais com o intuito de se esconderem. Chegara a hora de serem os protagonistas de seu destino, de sua própria história. A determinação em proteger o castelo e a honra do mestre era evidente, como brasas que queimavam bravamente em seus olhos e movimentos.

A multidão enfurecida, que continuava a bradar e rosnar em alto tom, continuava a desferir golpes pesados contra as amplas portas de carvalho do castelo. Aos poucos, a madeira começara a lascar e as estruturas, desprenderam-se das dobradiças e pendendo para frente; a abertura repentina lançou os primeiros homens para dentro do breu que engolia os corredores da mansão. Brevemente desnorteados, cambalearam sem jeito até firmarem-se em seus pés, cada rosto vermelho de raiva e indignação analisando cuidadosamente o cenário que os rodeava.

Os aldeões foram entrando em pequenos grupos, uma mistura heterogênea de seres temorosos com o destino que os aguardava e enraivecidos, sedentos pelo derramamento de sangue que lhe fora prometido. Conforme adentravam, Namjoon os observava com cuidado, analisando meticulosamente cada visitante indesejado que se mostrava em seus domínios. Seus olhos captaram a figura distinta de um jovem rapaz portando uma expressão arrogante, trajando roupas de classe e uma postura não típica de camponeses.

–– Um nobre! –– suspirou incrédulo, franzindo o cenho. Seokjin ofegou, olhando para o parceiro com um misto de preocupação e curiosidade. –– Deve ser um dos mandantes do ataque, senão aquele que arquitetou tudo. –– virando-se para trás, sinalizou discretamente para Hoseok. –– Preparem-se, é o nosso alvo!

O relógio assentiu rapidamente, passando o recado em formato de sinais para Yoongi e Taehyung, que se encontravam postos em um dos carrinhos. Kim ofegou animado, respirando fundo e soltando um suave tilintar para chamar a atenção dos aldeões. Efetivamente, todos os presentes congelaram, seus olhos esbugalhados procurando freneticamente pelo responsável, murmúrios começavam a preencher o silêncio ensurdecedor do castelo.

Byun Baekhyun sorriu maliciosamente, caminhando em direção ao carrinho. Pegando em mãos uma das pequenas xícaras, girou-a entre os dedos com falso interesse, bufando divertido ao notar detalhes anormais em sua composição.

–– Olha só o que temos aqui. Seria você um dos itens amaldiçoados deste castelo? –– perguntou provocativamente, virando-se para a multidão em busca de aprovação. Os homens da linha de frente bradaram, soltando risadas e maldições.

Taehyung abriu os olhos, encarando intensamente o nobre que o segurava em mãos com intensidade antes de lhe lançar um sorriso malicioso.

–– Encantado, não amaldiçoado.

–– É a nossa deixa –– Namjoon sussurrou antes de respirar fundo e gritar o comando que todos esperavam ansiosamente. –– Atacar!

 

Park Chanyeol não conseguia acreditar no que seus olhos viam. Observando a cena desenrolar-se a sua frente, um suspiro surpreso fora arrancado de seus lábios e o cenho franziu-se em desgosto. Os aldeões lutavam e desferiam golpes contra a mobília do castelo, embora suas tentativas falhassem miseravelmente conforme a realização da situação alcançava a todos. Era óbvio que os objetos encantados estavam mais preparados que os próprios seres humanos – não duvidava que, durante o confinamento da Fera, ensaiaram e treinaram a batalha que decorria a favor deles.

Rangeu os dentes com raiva, nada estava saindo como o esperado. Imaginava, e, de certa forma, esperava, que teriam a vantagem por serem de proporções maiores que meros utensílios domésticos e móveis adornados com madeira apodrecida; de fato, estava equivocado.

–– Malditos –– xingou-os, não sabendo exatamente se desferia aos objetos ou aos aldeões. Byun cambaleou até seu lado, ofegando pesadamente enquanto se afastava do conflito. Sua figura, antes tão bem composta por uma devoção eterna ao nobre, estava desgrenhada e banhada em surpresa, além de, claro, manchada pelo óleo de cozinha que fora despejado sobre muitos. Agarrando-o pelo ombro, forçou-o a olha-lo. A raiva brilhava como labaredas nos olhos de Park. –– Distraia-os para mim, meu caro. Preciso chegar ao meu objetivo.

–– Chanyeol, o que...

–– Você me ouviu –– rosnou, estreitando os olhos. –– Onde está a lealdade que me prometeu?

–– Meu caro, olhe ao seu redor –– murmurou com a voz apreensiva, gesticulando para a batalha que se desenrolava a favor dos servos do castelo. Pela primeira vez, Chanyeol reparou, Byun estava o questionando. –– Não esperávamos por isso! Estávamos prontos para um ataque, mas não um com proporções gigantescas como este.

Park sentia a raiva borbulhar em seu interior. A incompetência daqueles aldeões estava lhe custando um prêmio valioso

–– Oh, Baek –– murmurou entredentes, forçando um sorriso carinhoso a surgir em seus lábios. –– Somos parceiros de longa data, esta batalha será apenas mais uma história para contarmos e nos vangloriarmos mais tarde, enquanto festejamos no bar –– os olhos do companheiro brilharam, um tom rosado surgindo em suas bochechas manchadas de óleo. –– Nós precisamos vencer. É uma questão de vida ou morte.

Baekhyun engoliu a seco, uma breve realização cruzou suas feições, mas Park absteve-se de comentar. Balançando a cabeça hesitantemente, voltou a portar uma postura ereta e confiante, lançando ao outro nobre um sorriso decidido antes de voltar para a batalha. Sorrindo triunfante, Chanyeol caminhou discretamente em meio ao caos em direção as escadas.

Estava na hora de matar a Fera e reivindicar aquele que era seu por direito.

 

Jimin suspirou aliviado quando Noya postou-se em frente aos domínios do castelo, entretanto, o alívio que se instalara em seu peito fora rapidamente substituído por aflição ao deparar-se com as portas estilhaças no chão e a cacofonia presente no interior. Desceu rapidamente do cavalo, murmurando um pedido para que o animal o esperasse, e pôs-se a correr em direção ao tumulto que se instalara naquele lugar anteriormente tranquilo e mágico.

A batalha que se desenrolava a sua frente era de tirar o fôlego, e um sentimento de orgulho dominara seus pensamentos ao ver os servos do castelo lutando bravamente por seus destinos. Entretanto, aquele não era o momento certo para admirar-se com o cenário a sua frente, precisava chegar até os aposentos de Jungkook – precisava encontra-lo antes que Chanyeol o fizesse.

–– Oh céus, Jimin! –– Hoseok ofegou, sinalizando para que os amigos mais próximos se aproximassem do humano. –– Você voltou!

–– Jamais abandonaria vocês, meus amigos –– todos os objetos ofegaram em deleite, resultando em um risinho alegre por parte de Jimin. Entretanto, sua alegria rapidamente dissolveu-se em preocupação. –– Onde está o Jungkook? Ele está correndo um sério perigo!

–– Está no quarto –– Kim ofegou, saltitando em direção ao jovem.

–– Não ficará a salvo por muito tempo –– Yoongi murmurou, recebendo um olhar enfurecido de Seokjin. –– Embora estejamos em vantagem devido ao local, não tardará para que os aldeões percebam que o mestre não se encontra neste andar.

–– Yoongi tem razão –– Taehyung concordou. –– Basta olhar ao nosso redor, alguns já estão desconfiando da suposta ausência do mestre Jungkookie.

–– Oh céus –– Seokjin suspirou horrorizado, lançando um olhar exasperado em direção as escadas. –– E se alguém já subiu sem o nosso conhecimento?

–– Chanyeol –– Park ofegou sem fôlego, arregalando os olhos. Lançando um rápido olhar para a multidão a sua frente, procurou freneticamente o líder do ataque. Seus olhos captaram brevemente a figura de Baekhyun, desgrenhado e enfurecido com a situação ao seu redor. –– Meu pai e uma amiga da família chegarão aqui em breve. Por favor, guiem-nos. Caso eles tragam mais alguém, os orientem da mesma forma. Toda ajuda é necessária neste momento.

E com isso, disparou em direção a escadaria.

 

A comoção no andar de baixo ecoava pelos corredores do castelo, uma cacofonia desarmônica com o silêncio costumeiro que, antes, reinava por entre as paredes frias e rodeava os objetos que ainda permaneciam sem vida. Park, entretanto, não se importara com os ruídos dos móveis e os gritos dos aldeões enfurecidos, do som da refinada porcelana se partindo e das maldições jogadas pelos humanos – não, ele somente se importava, desde o início, com seu objetivo primordial: matar a Fera e tomar para si o que era seu por direito.

Direito este que, em sua cabeça, era válido. Sentiu um rosnado enrolar em seus lábios com a realização que, tardiamente, conseguira chamar a atenção de seu amado. Tal feitio era um insulto a sua dignidade como homem e nobre, um lembrete cruel, embora real, de sua incompetência de agir como tal e cortejar adequadamente o homem que dominara seu coração.

–– Não permitirei tal calúnia a meu ser –– rosnou para ninguém e, ao mesmo tempo, para si. Retirou o espelho de seu bolso, olhando para a superfície refletora com certo escárnio em seus olhos enfurecidos. –– Mostre-me o caminho para o quarto da Fera!

Como ordenado, o espelho mostrou-lhe o caminho a ser seguido. Ao adentrar os aposentos em que a Fera se escondia, seus olhos levaram alguns segundos para se acostumarem com o breu que tingia o cômodo em sua totalidade e era tão pouco suprido pela luz da Lua que adentrava pela enorme janela. Seus lábios se curvaram em um sorriso mortal ao avistar a silhueta do monstro, encurvado no parapeito da varanda.

Bastava apenas um empurrão e Chanyeol ver-se-ia livre daquela ameaça.

Não, sua mente cega pela vingança o interrompeu, não bastava apenas empurrá-lo para a morte. Queria sentir o sangue da Fera escore-lhe por entre os dedos, sentir a viscosidade de seu líquido manchar suas roupas refinadas e poder se vangloriar com os resquícios de sua caça bem sucedida. Queria impor sua espada na garganta do ser e trazer a cabeça do mesmo para a taverna, exibindo-a como um prêmio. Queria, ele próprio, ser reconhecido por seu ato bárbaro e parabenizado por este mesmo.

Sacou uma das pequenas facas que carregava consigo e, com uma precisão aprimorada por anos de caça e treinamento, jogou-a em direção ao homem a sua frente, vendo-a afundar-se no ombro da Fera.

Jeon jogou a cabeça para trás e gritou de dor, sua voz humana sendo cortada com um rugido estrondoso devido às características animalescas que o dominavam. Olhou por cima do ombro lesionado, seus olhos vermelhos brilhando com um brilho assassino e raivoso, seus lábios arreganhados em um grunhido irado, entretanto, ao ver a figura do homem parada a poucos metros, seu humor dissolveu-se rapidamente. A realização da situação não tardou a chegar a seus conhecimentos: Jimin não retornaria ao castelo, somente a morte certa o cumprimentaria naquela noite.

–– Não irá revidar? –– Park bufou impaciente, decepcionado com a falta de reação que recebera em resposta. Por um lado, contudo, estava extasiado com a fácil opção de livrar-se da Fera.

Jungkook desviou o olhar, as sobrancelhas tensas devido à dor que pulsava por seu ombro. Estendeu a mão e arrancou da carne a faca que tanto o infringia no momento, sentindo o sangue escorrer pela ferida; jogou a arma branca pelo parapeito da varanda, vendo-a girar no ar e desaparecer na escuridão do abismo.

–– Mas que patético! –– riu humorado. A Fera não retornou seu olhar ao humano. –– Oh, quão insolente da minha parte, permitir que minha presa morra sem ao menos conhecer seu predador –– Jungkook não lhe dera a atenção que clamava novamente, seu olhar estava preso no horizonte. Perguntava-se se veria o Sol nascer antes de sucumbir aos braços da morte. –– Meu nome é Park Chanyeol.

Chanyeol. O coração da Fera martelou em seu peito com a realização. Virando-se para, enfim, enfrentar o homem, seus olhos agora arregalados de choque e raiva, sua reação fora imposta a seu corpo no tempo errado. O nobre estava posto a sua frente, desembainhando a espada e preparando-se para desferir um ataque. Jeon desviou antes que a lâmina ofensiva tivesse chance de cravar-se em seu corpo, cambaleando para trás conforme um misto de raiva e surpresa percorria suas veias.

–– Você –– rosnou ameaçadoramente. –– Como ousa perturbar Jimin com suas intenções impuras?

–– Não consigo acreditar no que estou vendo com meus próprios olhos –– o nobre pigarreou, seus lábios franzido em uma descrença clara. –– Uma fera horrenda como você exigindo explicações de mim! Por acaso está apaixonado por ele?

–– Sim! –– proclamou com convicção, adotando uma posição de ataque e mostrando suas presas ao intruso.

Seu corpo corpulento e enorme, coberto de pelos causavam um desconforto no humano, embora Park jamais admitira tal coisa em voz alta. Sentiu seu interior borbulhar em raiva com a frase, sua mente tentando assimilar os fatores postos a sua frente. A situação piorava a cada momento, tornando-se uma calúnia ao seu ver – como aquela Fera horrenda, um monstro em sua totalidade, conseguira conquistar o coração indomável de Jimin? 

–– Não me faça rir com tamanha besteira –– provocou, apertado o cabo da espada com força. –– Pense comigo, monstro: como uma criatura amável e bela como Park Jimin amaria alguém como você? Como seus olhos sonhadores poderiam encará-lo com seriedade e compromisso quando tudo o que veem é uma fera desumana? Sua aparência não faz jus ao “bondoso coração” que seus olhos afirmam ter –– seus olhos se arregalaram com uma lembrança em particular. A carta perfeita para desarmar a Fera. –– Minhas palavras fazem sentido, afinal, Jimin não voltou para resgatá-lo.

Pego de surpresa, Jeon engasgou com um rosnado preso em sua garganta. Seus largos ombros caíram em derrota enquanto seu coração pesava em seu peito. Ele estava certo, precisava admitir: Jimin não voltara para o castelo, não voltara para os servos e, principalmente, não voltara para ele como prometido.

–– Uma promessa vazia, não é mesmo? –– suspirou pesadamente, vendo a Fera desestabilizar-se aos poucos, seus olhos perdendo o foco e vagando pelos detalhes ao seu redor. –– Quase sinto pena de você.

–– Pena? –– Jungkook riu sem vida, fechando os olhos. A pena que Chanyeol oferecia a ele era quase nula as suas principais preocupações: Jimin não retornara ao castelo e a ele como prometera, os servos travavam uma batalha que, em algum momento, viraria a favor dos seres humanos e, em pouco tempo, o Sol nasceria.

O futuro que tanto almejara em algum momento, agora, escapava de suas mãos.

–– Sim, pena –– aproveitando que a Fera não mantinha seus olhos em si, Chanyeol ergueu a espada, pronto para desferir o golpe final. –– Pelo fato de Jimin nunca lhe amar verdadeiramente.

–– Não coloque palavras na minha boca, seu insolente! –– uma voz familiar soara pelo cômodo, juntando-se à briga de forma repentina, embora firme em seu tom decidido. O nobre virou a cabeça para o lado, seus olhos captando a figura de Park Jimin correr em sua direção com uma espada artesanal em mãos. Por reflexo, ergueu sua própria arma, mas rapidamente a viu sendo retirada de sua mão com um golpe habilidoso e bem planejado.

Sua espada voara de sua mão e pousou a poucos metros atrás de Jimin. Vidrado em surpresa, Chanyeol virou-se para encarar o jovem Park a sua frente.

–– Você é louco, Park Chanyeol, embora eu admire sua persistência –– franziu o cenho, sinalizando em direção a porta. –– Pare esse ataque ridículo e retirem-se do castelo. A paz que reina neste lugar jamais deveria ter sido perturbada por seus motivos mesquinhos.

O outro homem soltou uma risada curta e entrecortada. Suas mãos robustas firmaram-se nos ombros de Jimin e o empurraram para trás, passando por seu corpo franzino e correndo em direção a espada. Jeon, ainda inerte do chão, olhava a cena com os olhos arregalados, uma incompreensão nítida em suas feições. Levantando-se com certa dificuldade, sentindo o sangue ainda manchar suas costas e a dor percorrer por seus membros, cambaleou até o jovem loirinho e agarrou-lhe pelo braço, tirando-o do caminho de Chanyeol que, com a espada já em mãos, lançava-se novamente a dupla.

Jungkook arreganhou os dentes afiados e rosnou audivelmente, mantendo os olhos fixos em Chanyeol enquanto seus corpos colidiam. Suas garras cravaram-se no peito do nobre, raspando a carne e agarrando-se ao tecido de sua roupa. Seu aperto era forte comparado aos socos que recebia na tentativa falha do humano de se livrar de seu aperto.

–– Saia da minha propriedade! –– bradou com ódio evidente em seu tom de voz robusto e rouco. Quão tolo a Fera a sua frente ao pensar que palavras e rosnados ameaçadores poderiam faze-lo recuar de forma tão covarde e imprópria! Manejando com cuidado a espada ainda em mãos, desferiu um golpe de raspão nas laterais do corpo do homem a sua frente, vendo-o vacilar momentaneamente.

Desprendendo-se de seu aperto, Chanyeol cambaleou para o lado, sentindo a dor em seu peito tornar-se presente após a liberdade das garras ofensivas em sua pele.

–– Chega dessa palhaçada tão insolente! –– rosnou como um verdadeiro animal, permitindo que um sorriso maníaco se firmasse em seus lábios. Empunhando a espada com firmeza, apontou-a para Jungkook, jurando-o de morte pelo brilho raivoso em seus olhos enlouquecidos. –– Não permitirei que um monstro tão horrendo como você manche minha reputação. Sou um nobre respeitado, idolatrado pelas mentes pequenas e ignorantes daquela amaldiçoada cidade, e farei questão de agradar aos tolos com sua cabeça!

–– Pare com isso! –– Park interviu, postando-se a frente de Jeon, defendendo-o de peito aberto. A espada artesanal ainda estava firmemente presa entre seus dedos. –– Seu egoísmo está fora dos padrões aceitáveis. Como consegue proclamar tais frases com um orgulho tão genuíno? –– e franzindo o cenho em desgosto, continuou. –– Os tolos a quem se refere são pessoas inocentes que foram facilmente manipuladas pelos seus status de poder e controle! O medo que você impõe a elas é tamanho que a única solução é manter-se ignorante ao mundo exterior –– sinalizando para o cômodo, proferiu. –– Este castelo está preso em um tempo mágico, uma verdadeira prova de que o mundo exterior é maior do que suas próprias convicções a nós.

–– E você quer o que, que eu mantenha esta relíquia como prova do meu erro? –– rosnando, começou a caminhar a passos vagarosos e curtos em direção do loirinho. –– Aguentei sua petulância por muito tempo, Park Jimin, em respeito a minha imagem e integridade como um nobre respeitado por aqueles homens e mulheres. Sua imaginação tão fértil e infantil nos trouxe a essa situação, a essa batalha irreal! –– com sua aproximação, Jimin levantou a espada para se defender, apenas para tê-la tirada de suas mãos com um golpe brusco pelo outro. –– Se tivesse firmado seus pés na realidade que o rodeia, nada disso estaria acontecendo.

–– A qual realidade você se refere, Park Chanyeol? A realidade em que você não passa de um nobre fajuto, posto em um berço de ouro que usa seu poder para me assediar?

Com tal afirmação, o nobre esqueceu de seus modos. Naquele momento, cego por sua fúria, esqueceu de sua obsessão compulsiva e perigosa pelo jovem Park a sua frente. Em um movimento fluído, disparou-se com a espada em mãos em direção ao humano indefeso a sua frente, motivado a pôr um fim em sua existência. Fora abruptamente interrompido pelos movimentos rápidos de Jungkook: postando-se a frente de Jimin, a espada cravou em seu corpo, causando-lhe uma sensação absurda de dor.

Entretanto, mesmo com a terrível sensação de dor que o acometia, agarrou o nobre incrédulo a sua frente pelo colarinho da caminha, erguendo-o como se não pesasse nada. Caminhando em direção a varanda, fulminava-o com um olhar banhado em ódio e desdenho, uma motivação oculta por trás que escondia seu desejo de vingança pelos recentes e antigos acontecimentos.

Sem quaisquer filtros ou censuras, lançou um último olhar ao rosto assustado do nobre e jogou seu corpo, deixando que a escuridão do abismo consumisse toda a maldade que, um dia, decidira os incomodar de tal forma profana.


Notas Finais


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