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História O boto. - Capítulo 1


Escrita por: e lastjeedi


Notas do Autor


Espero que gostem.

O último capítulo sai até sexta-feira.

Capítulo 1 - Capítulo um:


Fanfic / Fanfiction O boto. - Capítulo 1 - Capítulo um:

Suas férias estavam chegando ao fim.

Jensen sabia que sentiria falta do Brasil. Muita falta. Agora, um pedaço de si estava naquele país. O americano havia se encantado pela beleza natural, pela comida, pela música e pelas pessoas.

O loiro havia visitado São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais. Passado uns dias no Rio Grande do Sul e no Paraná. E agora, estava no Amazonas. E era incrível como cada um dos estados que conhecera era rico em cultura. Cada um com sua própria característica marcante. Com suas gírias.

Seria difícil se esquecer de tudo. Principalmente das lendas. Dos mitos folclóricos que haviam lhe contado em Manaus durante uma noite de Lua Cheia. Em uma festa perto do rio.

Um morador local se sentara perto do Ackles e começara a conversar com o maior e dissera coisas sobre as criaturas diversas. Tudo parecia mágico. Misterioso. Jensen gostara de saber sobre Iara, Curupira, Boi Tata, Negrinho do Pastoreio, Lobisomem, Mula sem Cabeça.

Porém, a lenda que mais lhe causara sensações diversas, foi a do Boto Cor de Rosa. Que consistia na história de um boto que assumia a forma de um belo homem e seduzia mulheres, deitava-se com elas e na manhã seguinte, sumia.

- Isso é bem mesquinho. - Jensen comentara após ouvir toda a lenda. - Abandonar uma mulher grávida... Não é algo que se deveria fazer.

- Bom, as entidades não têm pensamentos como os nossos. Nem seguem nossas leis. Tampouco nossa moral. Elas se comportam como querem. Não se apegam. Não se apaixonam. Não conhecem o amor como nós. - O idoso disse com um sorriso misterioso e brilho no olhar.

- Você acredita nessas lendas, não é? Acha que são reais. - O Ackles não precisava exatamente de uma confirmação.

- Toda lenda tem algo real por trás. Se alguém conta essas histórias, significa que algo assim deve ter ocorrido. - O senhor ampliou o sorriso, fazendo rugas marcarem a pele de tom marrom claro. - Filhos do Boto devem andar por aí.

Jensen franzira a testa. Ele não sabia se deveria acreditar naquilo. O loiro era um homem cético em relação a lendas. E sabia que poderia ofender o idoso se revelasse o que pensava de fato.
- Amanhã faremos outra festa aqui. Deveria vir. - O senhor disse, olhando as águas escuras e calmas do rio. Elas lembravam os olhos dele. Tinham o mesmo tom e serenidade. - Afinal, não pode ir embora do Brasil sem se despedir de nossa comida e da nossa cachaça.

- Claro que virei. - Jensen prometeu, segurando seu copo já vazio. Ele estava um tanto tonto, mas bem o suficiente para conseguir saber o que fazia. - Obrigado por compartilhar essas lendas.

O senhor assentiu. Ele se ergueu devagar, apoiando-se na bengala para poder andar. Seus cabelos pretos eram salpicados por muitos pontos brancos e estavam presos em um rabo de cavalo comprido. E Jensen notou que haviam tatuagens negras nos braços e pernas do idoso.

O Ackles ficou observando o senhor ir embora. As pessoas começavam a ir para casa aos poucos. Todas parecendo satisfeitas. E quando Jen ficou sozinho, sentiu ventos frios soprarem repentinamente, fazendo os pelos do loiro ficarem eriçados.

O homem olhou para o rio. Agora, sua superfície ondulava com os ventos, criando pequenas ondas. E por alguma razão, as águas pareciam mais vivas naquele momento, como se estivessem mudando. O reflexo da Lua pareceu mais brilhante.

Jensen negou com a cabeça. Deveria estar só imaginando tudo aquilo. Ele se levantou também, jogando o copo de plástico no lixo e seguiu para o hotel, que ficava perto do rio.

E enquanto andava, o loiro sentiu que estava sendo observado. Olhou para trás, porém, não havia ninguém. Deveria ser o sono apenas, criando ilusões. Pregando peças. Afinal, o americano se sentia exausto. Visitara muitos lugares naquele dia. Precisava descansar.

O Ackles negou com a cabeça e seguiu seu caminho, sem se dar conta de que no lago, uma figura misteriosa tornava a subir para a superfície e olhá-lo com interesse...

-XXXXXXXX-

O dia seguinte amanheceu claro. E quente. Fazia muito calor naquela época do ano. O verão no Brasil era intenso e não parecia dar trégua.

O céu estava bem claro. De um azul bonito. Com poucas nuvens. O sol brilhava como nunca. E havia o canto de pássaros e o som de alguns insetos. E o de passos no corredor do hotel.
Jensen resmungou baixo, meio grogue pelo sono. Era cedo ainda. Sete da manhã. Mas, se quisesse conhecer mais lugares, teria de se apressar. Afinal, era seu último dia ali. Na manhã seguinte já tinha de partir para o aeroporto e ir para os Estados Unidos.

O loiro se ergueu e foi ao banheiro, tomar um banho e escovar os dentes para se vestir então. A água gelada o ajudou a despertar por fim e o ajudou a relaxar os músculos. E assim que acabou, colocou uma bermuda e uma camiseta.

O homem não demorou a sair do hotel após se alimentar. O café da manhã estava saboroso como sempre. E Jen se sentia satisfeito e bem alimentado.

As ruas já estavam cheias de pessoas. Umas estavam indo trabalhar, outras, apenas se divertirem. Falavam alto, riam. Cumprimentavam-se. Carros passavam aqui e ali. Alguns motoristas buzinavam às vezes. Ônibus e motos transitavam também. E ciclistas pedalavam nas calçadas.

Jensen foi caminhando, procurando por um táxi. E enquanto andava, viu o mesmo idoso que estava com ele durante a festa. Estava sentado em um banco, em uma pequena lanchonete, as mãos apoiadas na bengala e os olhos pretos sempre atentos aos movimentos.

- Bom dia. - O idoso disse em inglês ao loiro. Ele tinha um sotaque leve.

- Bom dia. - Jensen sorriu, meneando a cabeça de leve e seguiu caminho.

O idoso não desviou o olhar do maior. Seu rosto ficou sério. Era como se ele soubesse de alguma coisa. Como se estivesse prevendo. Havia uma energia diferente no ar. O homem sentia aquilo. Algo mudara. Tinha certeza daquilo.

E da última vez que tivera aqueles sentimentos, era por que havia uma entidade por perto. E uma que conhecia bem demais. Portanto, uma nova vítima logo seria feita.

E o idoso suspeitava quem era essa vítima.

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A noite chegara por fim. A Lua brilhava mais do que nunca. Bela e misteriosa.

Jensen estava sentado, olhando casais dançando ao som de uma música rápida e ritmada, animada, parecendo em sintonia, rindo baixo e conversando. Tudo parecia tão simples e fácil naquela hora. Como se nada ruim pudesse acontecer.
O loiro tinha uma taça de açaí em mãos. Aprendera a amar aquilo quando chegou em Manaus. E agora, tinha certeza de que não conseguiria viver mais sem. E sem as cachaças. Sem cupuaçu. Sem Guaraná. Sem o arroz e o feijão sem igual.

- Acho que vou levar um pouco de cada coisa embora. Para poder me lembrar daqui. - Jensen disse ao idoso. - Pena que não posso levar a areia da praia. Nem o mar. Ou o rio. Acho que nunca me senti tão bem acolhido em um país antes.

- Ah. Essa é a magia da nossa terra, rapaz. - O senhor riu baixo. - Uma vez que conhece o Brasil, nunca o deixa mesmo.

- Tem razão. Acho que voltarei aqui um dia. - O loiro sorriu de lado.

O idoso ficou em silêncio. Ainda se sentia inquieto. Sabia que deveria alertar Jensen sobre os perigos, mas, o loiro não acreditaria nele. Achá-lo-ia um maluco. E não podia impedir o destino. Nada podia. Quando uma entidade queria algo, ia lá e conseguia.

- Vai repassar as histórias que ouviu aqui a seus filhos um dia? Quando tiver sua família? - O mais velho olhou o rapaz.

- Sim. Eles vão gostar de saber disso. - Jensen terminou de comer o açaí, segurando o pote devagar e lambeu o lábio. - Acho que não me disse seu nome ainda.

- Meu nome é Kayke, meu rapaz. Como disse, sou um simples pescador local. A água é como minha casa. - Kayke sorriu, mostrando os dentes brancos e alinhados. - Meu nome descende de nossa língua indígena.

- Uau. - O Ackles assobiou baixo, parecendo impressionado. - Percebi que a cultura dos índios é bem viva por aqui.

- Mais do que possa imaginar. Somos a raiz desse país. - Kayke disse, sorrindo com orgulho. - Quero te dar um presente.

Jensen olhou de modo curioso o idoso pegar de dentro do bolso um pequeno pacote prateado. O loiro o aceitou e o abriu com cautela, tirando de dentro do embrulho simples um apanhador de sonhos. Era bonito. Colorido. E possuía belas penas de ave e contas.

- É muito bonito. Obrigado. - O loiro disse, ainda admirando o objeto. - Vou usar em minha casa.

- Fico feliz que tenha gostado, rapaz. Agora, devo ir para casa. Acordo cedo para iniciar minha pesca. - Kayke se ergueu, olhando o mais jovem. - Espero que faça uma boa viagem de volta.

- Obrigado. O Senhor tornou a minha viagem bem mais divertida e interessante. Boa sorte com sua pescaria. - O Ackles sorriu gentil e guardou o apanhador de sonhos com cuidado.

Kayke meneou a cabeça e foi indo embora. Jensen decidiu caminhar. Ir até o outro lado do lago, onde havia um pier deserto. Queria ficar sozinho um pouco, apenas admirando a paisagem e refletindo sobre algumas coisas.

O loiro passou pela pequena aglomeração, acenando para algumas pessoas e as deixou para trás. A caminhada era um pouco longa. Demorou cerca de vinte minutos para chegar do outro lado.

O som da música era muito baixo ali. Mas, o loiro ainda conseguia ver algumas pessoas, que agora pareciam apenas pequenos pontos em movimento. O americano sentou no píer, tirando os sapatos e mergulhou os pés na água. Sentiu arrepios profundos. Ela estava um pouco gelada.

Fechou os olhos, respirando fundo, aproveitando a brisa fresca que começou a soprar, acariciando seu rosto e seus cabelos. Gostava daquilo. Era como se estivesse em sua própria casa. Acolhido. Seguro.

Não sabia dizer quanto tempo ficou ali, sozinho. Mas, a festa havia acabado e as pessoas haviam ido embora quando o loiro finalmente abriu os olhos e se deu conta de que parecia ser tarde.

Deveria voltar ao hotel. Dormir um pouco. Afinal, tinha de ir ao aeroporto mais tarde. Não poderia se dar ao luxo de chegar atrasado. E não podia perder o voo de modo algum. Aquilo seria péssimo para Jensen.

O loiro havia se erguido devagar quando, de repente, viu ondulações intensas na superfície da água negra. Jensen ficou paralisado, curioso e com o coração batendo depressa. Afinal, seria algum animal aquático?

A pulsação do homem acelerou quando a água se agitou mais. O homem arregalou os olhos, assustado. Ele queria se mover, sair do lugar. Porém, suas pernas pareciam ter congelado. Mal conseguia abrir a boca para gritar. Seu cérebro parecia ter pifado.

E então, o que pareceu ser um longo momento depois, uma figura pálida começou a surgir de dentro do lago, erguendo-se de modo majestoso e belo, quase teatral. E o queixo de Jensen despencou.
Era um homem. Muito bonito. Tão bonito que chegava a ser doloroso olhá-lo. Sua pele era alva e lisa. Seu corpo era musculoso, definido. Ombros largos. Braços compridos. Peitoral largo. Abdome bem trabalhado.

Mas, o que mais chamou a atenção de Jensen foram os olhos daquele desconhecido. Azuis. Intensos. Vívidos e brilhantes. Pareciam abarcar as águas do rio dentro de si.

O coração do Ackles errou uma batida. Ele estava encantado. Hipnotizado. Tonto. As pernas tremeram. Ele ofegou, estremecendo de leve. Quase desabou, encarando o moreno.

Seus olhares se cruzaram. Arrepios percorreram todo o corpo de Jensen, fazendo seus pelos ficarem eriçados. O americano mordeu o lábio devagar, sentindo uma enorme tentação nascer dentro de si.
O estranho lhe sorriu e foi se aproximando dele bem devagar...









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