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História O Boy Magia Da Minha Omma - Kaisoo - Capítulo 5


Escrita por: e Samyoonn


Notas do Autor


Hola queridas amoras, sentiram saudades?

Pois é, tipo assim, precisamos conversar sério.

Não quero ser mediadora de má notícias, mas sabe como é né? Tanto tempo já se passou e sinto informar que resolvermos desistir... NUNCA NE GENTE, PELO AMOR DE DEUS!!! Mil perdões pelo atraso, sei que faz mais de 6 meses desde a última postagem, mas peço encarecidamente que vcs leiam as notas finais se quiserem mais explicações, e mais uma vez, desculpas pela demora, mas pra quem perguntou : NÃO! não vamos abandonar nada não, amamos a história e amamos vocês, levaremos ela até o final com maior prazer do mundo.

Bjs e um capítulo enorme e cheio de tretas quentinho para vcs 💛
~samyoon

Capítulo 5 - Traição



Eu estava ao lado do Kyungsoo, observando de soslaio toda movimentação que acontecia enquanto bebericava a cerveja que o Baekhyun e Luhan tinham acabado de trazer, para abastecer o grupo novamente, a noite estava perfeita até aquele dado momento, eu estava um pouco tonto, sim, mas não bêbado, estava sombrio o suficiente para não ir com a cara daquele sujeitinho, a verdade, é que aquela cena que estava acontecendo ali tão perto de minha pessoa, não estava me agradando nem um pouco, aquele cara que aparentava ter mais ou menos da idade do Kyungsoo, havia chegado todo cheio de sorrisos e agarrando ele por trás de uma forma nada decente. Eu ainda estava focado naqueles dois quando Sehun chegou praticamente pulando no meu pescoço, ele estava tão alegre e saltitante que também me contagiou e eu acabei rindo, apesar de continuar tenso.


– E AI M-MANINHO, TUDO C-CERTO POR AQUI? – ele praticamente gritou no meu ouvido com a voz arrastada e embolando as palavras.


– Puta merda! Você está muito bêbado, sei que a noite é uma criança, e é o seu dia, mas vai com calma viu, tudo que eu menos quero é cuidar de gente bêbada. – falei olhando para ele agarrado ao meu pescoço, que me encarou sorrindo sem mostrar os dentes, porém de forma bem estranha. Assustador.


– Ué maninho, vo vo-voce... tu também tá bêbado, só que a diferença de MIM para TU, é que MIM não tô com cara de b-bunda, nem parece que está se divertindo. – ele oscilava seu dedo apontando entre ele e eu, enquanto falava ou tentava falar fazendo um biquinho muito fofo.


– Primeiramente eu não estou bêbado, estou levemente alterado, você sabe que nunca fico bêbado de verdade, e outra, quem te disse que eu não estou me divertindo? Tô me divertindo como nunca estive antes. – falei dando de ombros e bebericando minha cerveja.


– ATAAA SEI. – gritou no meu ouvido de novo – Você tava todo felizinho, agora que ta de boas com Soo ne, mas ai, pluf, do nada ficou com cara de quem chupou um limão, deveria ta com uma carinha melhor maninho, é meu aniversario porra, não chupe os limões do meu aniversário. – falou quase gritando e me olhando com uma expressão fofa e raivosa, porem tão atrapalhado que minha única reação foi rir, rir tanto que levei as mãos a barriga, é, talvez eu estivesse quase bêbado mesmo — Ah meu Deus, eu sabia, é dor de barriga ne? Porra.


– Tá bom amigo, você já não está falando coisa com coisa. - tive que me concentrar para parar de rir — Mudando de assunto, onde está o Luhan hein? Que eu saiba era pra no mínimo agora vocês estarem atracados em qualquer canto escuro desse local, se bem que a essa altura ele deve está pior que você – olhei ao redor a procura do Luhan pra tentar fugir ao máximo das alfinetadas que o Sehun mesmo bêbado insistia em me dá, era obvio que depois de colocar tudo em pratos limpos com aquele pequeno endiabrado - que devo confessar me fez sofrer os caralhos a quatro em suas mãos - eu estava me sentindo como se tivesse tirado um caminhão de uma tonelada das minhas costas, agora sim eu estava leve como uma pluma, para falar a verdade, acredito esse joguinho de ódio que estávamos fazendo já tinha passado dos limites, a partir do momento que envolveu a relação dos nossos amigos, eles literalmente começaram a tomar as nossas dores e brigar como se cada um fizesse parte de um time diferente, foi surreal eu vi a dor do meu amigo sempre que ele e o Lu brigavam, o Sehun nunca precisou me falar nada, eu sabia que eles tiveram uns desentendimentos, principalmente quando saiamos juntos, eles evitavam o máximo que eu e o Kyungsoo nos encontrássemos, então tinham que decidir quem levavam, ou não... em resumo a situação estava em um nível hard de tão incomodo, então foi inevitável, era mais que certo essa nossa trégua, se ele surpreendentemente não tivesse tomado uma atitude eu teria tomado, uma hora ou outra.

 Eu ainda procurava o Lu no meio da “multidão”, quando foquei na pista de dança e lá estavam eles, eu nem tinha percebido quando o Kyungsoo e o outro cara haviam saído do meu lado, só sei que agora eles estavam se esfregando na pista de dança com o Luhan solitário rebolando perto do casalzinho, o cara lá parecia uma lagartixa serelepe ele se esfregava tanto no Soo que se continuasse assim por mais alguns segundos tinha certeza que os dois se fundiram, ou ele derrubaria o garoto.


– OLHA LÁ MEU MÔMÔ MANINHO. – o Sehun voltou a gritar – EI MÔMÔ! EU TÔ AQUI ÔOOOOUUUU!


– Por mil caralhos Sehun para de gritar assim, meu Deus, e que bosta é essa de ¨mômô¨? Pare de ser brega homem. – outra coisa que eu me perguntava era como o Sehun havia ficado tão bêbado em tão pouco tempo. Talento.


– Vamos p-pra lá anda, p-pra perto deles anda, anda anda. – falou me puxando e cagando para as minhas perguntas.


– Não, eu não vou pra lá, por favor Sehun, caralho. – sussurei como se alguém pudesse nos ouvir com o som naquela altura, e estanquei igual um toco de madeira velha no chão.


– Eu sei besta, que o motivo de v-você, não querer ir pra lá é por causa do amiguinho do Soo – sussurrou no meu ouvido rindo 


– Me poupe né Sehun, pelo amor, eu sou lá de ficar de ciuminhos, e por que eu teria ciúmes dele? Anda, você quer que eu vá lá com você, então vamos. – falei tudo de uma vez, exasperado e muito puto da vida e agora era eu que puxava o Sehun pelo braço.


– Iiiihh tá bravinho é? Depois quando eu falo que toda essa raivinha tem nome e sobrenome você nega na cara dura. E-e eu nem falei nada de ciúmes. – falou rindo da minha cara, miserável parece que tinha encarnado uma hiena hoje.


Nada respondi, só prosseguir praticamente marchando até a pista de dança segurando o braço de Sehun para que ele não se perdesse igual uma criança, deixei ele junto com o Luhan, num banco de madeira perto da pista e passei a minha noite cuidando deles e em alguns momentos eu encontrava o Kyungsoo, porém sempre com o parasita do lado, a lagartixa serelepe – foda-se, não sei o nome dele mesmo, então vou chama-lo assim - que não desgrudou um momento se quer dele, pareciam até gêmeos siameses, credo, odeio gente grudenta. A festa só foi encerrada as quatro da manhã – pro nosso grupo - e posso dizer nada orgulhoso que era o único sóbrio, além do meus colegas que iriam dirigir, mas não sei o que aconteceu comigo, sei que não sou fraco pra bebidas, porém com a quantidade que eu bebi, poderia sim ter dado um pt bonito, me sentir o próprio flash como se álcool não fizesse diferença nenhuma no meu organismo. Estava pra lá de frustrado também, porque era quase cinco dá manhã quando eu e o Sehun chegamos em casa após garantir quinhentas vezes que o Soo e Lu estavam bem, se bem que se dependesse do amiguinho do Soo ele iria parar no carro com a gente e se convidaria para dormir na casa do Luhan, não posso negar que sorrir por dentro quando o Soo deu um chega pra lá nele, credo, odeio gente oferecida, mas a verdade é que o real motivo da minha frustação era saber que estava praticamente carregando o meu amigo no colo e ele iria dormir feito uma pedra o domingo inteiro e eu o trouxa que não estava com um pingo de sono se quer, iria ter que fazer faxina naquela casa sozinho, porque eu sei perfeitamente que posso mandar uma banda tocar aqui dentro de casa hoje que essa criatura que está babando no meu ombro não iria acordar... e sim naquele mesmo dia o Sehun só foi levantar às cinco horas dá tarde enquanto eu estava morto jogado no sofá depois de ter terminado tudo às três e meia, o bonitão ainda teve a pichorra de perguntar: " O que eu perdi?" Só não estrangulei aquele safado porque ele ainda estava meio grogue e reclamou de dor de cabeça, então lá fui mais uma vez cuidar dele, eu reclamo, mas ele que aguarde o meu aniversário. O bom da nossa amizade que mesmo sendo hyung dele, eu ainda era muito cuidado por ele também, no começo eu me incomodava, mas hoje já havia caído para nossa rotina.


Acho que nunca estive tão satisfeito igual aquelas semanas que tinham se subseguido após a trégua de paz que eu o Kyungsoo havíamos feito, tudo ia as mil maravilhas, tinha até me esquecido da presença constante da lagartixa serelepe nas nossas vidas, ele literalmente parecia que tinha nascido grudado ao Soo e ao Luhan, já disse que odeio gente grudenta? Enfim, tô nem ai mesmo, naquelas três semanas que haviam se passado até minha relação com a noona havia melhorado ela estava radiante, sorria distraída, acho que assim como eu, pensava no Soo, quer dizer, pensava em como nossas relações havia melhorado, a noona e Kyungsoo estavam bem mais próximos, às vezes até pareciam cúmplices, rindo pelos cantos, até códigos eles tinham criado, estava pensando nisso quando o Sehun me despertou jogando a almofada em mim. Ele estava esparramado no sofá todo relaxado e me olhava com cara de tédio.


– Eu tô falando sozinho faz um tempão aqui, parece que você tá no mundo da lua, parou olhando pro nada e com esse sorrisinho de canto umas três vezes só hoje, até Baekhyun que é uma lesma ambulante notou e me perguntou na saída se você estava bem, desembucha filhão, o que tá acontecendo com você? – perguntou me olhando com os olhos semi serrados e quase de cabeça pra baixo no sofá.


– Não é nada, sabe, é só alegria mesmo, fico repassando o tempo inteiro o quanto está tudo bem e em perfeita ordem entre a gente, Kyungsoo e eu, é até estranho – falei sorrindo só de lembrar.


– Que bom meu amigo, porque sinceramente, o quanto você e o Soo são cabeças duras, me assusta, não aguentava mais você pelos cantos chorando as pitangas, o soo é legal e é meu amigo também, mas essa situação ...se foi difícil para mim, imagina pra você campeão.


– Nem fala, me vi a ponto de explodir, o Kyungsoo sabe mesmo testar a minha paciência. – lembrei dos momentos que passamos nos ignorando, nos provocando, parecia que a qualquer hora a gente ia sair no tapa, que íamos se enroscar em qualquer canto daquela casa e dar na cara um do outro – O próprio demônio, satã deve temer, Satãnsoo... – tomei um susto com a gargalhada que o Sehun soltou.


– Puta que pariu, Santãnsoo? Caralho, cara se ele ouvir você dizendo isso... é capaz de... te espetar com um tridente, entendeu? – agora quem gargalhava alto era eu — O Lu vai amar esse apelido.


 – Nem pense em contar, ele ia contar pra Soeyon, ali são outros dois que vivem de fofoca, e por falar nela, cara, nossa como a noona está feliz, está menos tensa sabe? – Sehun balançou a cabeça concordando comigo – Estava pensando aqui o quanto ela e o Kyungsoo parecem bem mais chegados agora, ontem mesmo ela estava me contando super animada como o seu filho e o pai dele a fizeram reviver momentos um tanto quanto constrangedores, porém felizes, foi uma chamada de vídeo com o pai do Kyungsoo e ele a chamou pra participar, ela até disse que o Soo fazia perguntas e ria junto com eles, você tinha que ver o sorriso dela contando, falando o quanto a surpreendeu...

—Que estranho...sei la cara, o pouco que conheço o Soo, não parece algo que ele faria, parece que realmente as coisas estão mudando entre eles ne?

— A Soeyon disse isso também, disse que ele perguntou bastante sobre o passado deles, que ele estava tão interessado, que até pegou umas fotos antigas e... – por um minuto tudo fez sentido na minha mente, puta que pariu, aquele safado, sem vergonha, levantei da poltrona em que estava já gritando eu deveria estar com os olhos arregalados, pois o Sehun caiu de cabeça do sofá e depois se levantou com a mão no peito.


– Não pode ser, que grandíssimo... – eu ia o xingar de um palavrão para lá de feio.


– O que foi cara? Pelo amor de Deus, não me dá um susto desse não caralho, eu quase fiquei sem coluna agora, seu cusão... – exclamou o Sehun fazendo bico e mostrando dedo do meio pra mim


– Meu Deus meu amigo você não percebe? Aquela peste tá aprontando cara. Como eu pude ser tão ingênuo? - é óbvio que o plano dele é unir de novo os pais, acho que já conheço o Soo o suficiente pra saber que aquele ali nunca mudaria água para o vinho sem ter algum objetivo em mente, ele me odeia, porque teria estendido a bandeira da paz entre nós, se não quisesse apenas ficar com pontos positivos com a mãe? Eu sei que estou certo, só preciso ter uma confirmação.


– Do que você está falando Kai, pirou de vez foi? – o Sehun me encarava com uma expressão de dúvida, enquanto massageava a lombar, pô eu não posso falar isso com ele, eu preciso confirmar primeiro minha dúvida, porque se caso eu especular algo para o Sehun certeza que ele acabaria abrindo o bico pro Luhan, não que eu não confiasse no meu amigo ou que ele fosse um fofoqueiro de primeira – mentira, ele é sim - mas é porque para o Luhan o Sehun fala as coisas naturalmente e se ele pelo menos citasse isso ao Lu eu tinha certeza que ele o apertaria até o meu pobre amigo soltar tudo, se caí na boca do Luhan então caí nos ouvidos do satãnsoo, aqueles ali são carne e unha, alma gêmea, bate forte coração, um sabe tudo que o outro sabe.


– Nada moço, lembrei daquilo que o senhor King está repassando errado, acho que isso é de propósito, ele não suporta a gente, lembra? Te falei isso hoje de manhã, o quanto aquele conteúdo parecia estar vago. – tentei parecer o mais verdadeiro possível, não sei se isso foi o suficiente pra enganar o Sehun, porém acredito que sim já que depois ele começou a picar o pau falando mal do Sr. King. Nós tínhamos algumas aulas juntas, mesmo estando em semestres diferentes, isso é bem normal, então vivíamos reclamando dos professores juntos.


– Verdade, bem que eu percebi mesmo aquele velho é uma víbora peçonhenta...homofôbico... – não ouvir mais nada que o meu amigo falava, só pensava em como aquela peste do Kyungsoo era um tremendo sem vergonha, poxa, acreditei mesmo que estávamos de boa, ele literalmente me passou pra trás, mas isso não vai ficar assim, ah mas não vai mesmo, ele me paga, e com juros.


O resto da noite foi a mesma monotonia de sempre, já que eu não trabalhava mais na academia, e esta seria mais uma das noites que o noona iria passar na empresa, Sehun e eu tiramos o vídeo game da gaveta e também conversamos mais um pouco sobre assuntos banais para depois ir dormir, quer dizer eu não conseguir nem pregar o olho, aquela história martelava em minha cabeça, parecia um disco arranhado, todo hora lembrava da noona falando o quanto seu filho estava feliz com a interação de seus pais, o quanto estava interessado nas histórias deles juntos antes dele nascer... Porra! Eu não me sinto mal por causa da tentativa do Soo de juntar os pais e sim pelo fato de ser usado, "ele só estava te usando mesmo otário" meu subconsciente praticamente gritou, me manipulado pra conseguir o que queria, o Kyungsoo pouco se ferrava se isso poderia quebrar a confiança que eu tinha depositado nele. Ta que uma parte minha estava enciumada, eu nem sei como é esse pai do Kyungsoo, so sei que se chama Kim Mal-Chin, só isso, e que o cara é um deus nos negócios, vários questionamentos surgiram. E se ele estivesse interessado na Soeyon de novo? Mas a noona não ia querer ele de novo ne? Porra Kyungsoo, o que você está fazendo pirralho?

 Eu odeio ser traído assim, ele não tinha interesse em criar um laço de amizade comigo, poxa, parece drama, mas imagina minha situação, como um simples peão em um jogo de xadrez que pode ser derrubado a qualquer hora pelo rei Kim Mal-Chin, e nesse caso seria um jogo diferente em que as regras quem dita é o seu filho, e único objetivo é me derrubar, quem sabe eles estavam até mancumunados, "ele não te quer por perto idiota, ele te odeia" meu subconsciente gritou novamente, estava me sentindo inseguro novamente e não sentia essa sensação a semanas, aquele garoto pode sim me desestabilizar. Demorou e acabei cochilando às cinco da manhã faltando poucas horas para começar o meu dia e uma coisa eu tinha certeza, faria ele me entregar essa história com a maior facilidade possível.


O meu dia foi aquela correria de sempre, quer dizer, estava começando me acostumar a não ir mais para a academia, apenas passei lá a uns dias para dar uma mão para o novo professor e me despedir da galera, minha nova rotina a alguns dias já era apenas faculdade e agencia, tudo se encaminhava na mais perfeita ordem até me surpreendi com meu autocontrole, enfim, hoje eu fazia meu trabalho o mais rápido possível, mal podia esperar para terminar todo o treino de uma vez, eu não iria para a casa da Soeyon com ela, mas a avisei que mais tarde estaria por lá, acabei conseguindo sair mais cedo da agência, queria encontrar o Kyungsoo sozinho, sabia que ele não teve aula hoje por causa da dedetização que estava ocorrendo em seu colégio, isso já fazia uns dois dias já, lembro como eu e o Soo nos divertimos horrores, porque o Luhan acabou desmaiando igual banana pobre no chão por causa de um rato que viu no banheiro, mas o pior nem foi isso foi o fato do chilique que meu amigo deu não querendo entrar no colégio para buscar o seu namorado - ele não tinha medo de rato, o que tinha era pavor mesmo, já presenciei vários momentos de desmaios épicos do meu amigo por causa de um bixinho que é menor que a palma da sua mão - no final quem carregou o Luhan no colo foi o próprio Kyungsoo, e nós zuamos eles até dizer chega, enquanto dirigia lembrava o quanto tinha sido legal aquele momento ver o Soo rindo despreocupado era tão legal, aquilo me deixava mais leve não sei, parecia mesmo que estávamos nos dando bem.


– TUDO BALELA – Rir com desgosto do meu pensamento, demorou um pouco até chegar na casa deles, e como eu tinha a chave – sim e eu so aceitei depois de belas discussões com minha namorada porque eu achei exagero e achei que podia chatear o soo - entrei sem fazer barulho nenhum, não que eu quisesse fazer algum tipo de surpresa, mas porque sempre fui assim entrava em qualquer lugar sem que ninguém percebesse a minha presença, deixei minha mochila no sofá mesmo e fui até a cozinha para beber água... e lá estava a peste sentado na bancada, bebendo um suco de fones ouvindo uma música no último volume, enquanto digitava algo no seu celular com um sorriso no rosto, distraído, e nem percebeu a minha presença, o Kyungsoo sempre ouvia música no volume máximo e sempre viajava quando estava assim, ele parecia uma daquelas pessoas que vivem com trilha sonora, sentia que ele tinha uma boa conexão com música, naqueles meses que eu estava namorando a sua mãe eu nunca vi uma vez se quer que ele tenha notado a minha presença quando estava de fones e desde que havíamos feito aquela trégua de paz ele sempre dizia que eu era sorrateiro feito um ladrão e me xingava de meliante toda vez que tomava um susto quando percebia que eu estava no mesmo lugar que ele, era divertido e também... interessante observa-lo curtindo suas músicas, balançando a cabeça, fazendo gestos, estalando os dedos, e ate mesmo dançando sem pudor achando que estava sozinho em casa, e ele não se moveu nem quando eu abri a geladeira para pegar o jarro de água... andei até a bancada e coloquei o jarro lá em cima, isso o fez tomar um susto pois ele virou com tudo me olhando com os olhos arregalados e com a mão no peito.


— Meu Deus que susto Kai, seu projeto de meliante desgraçado. – Kyungsoo ainda me olhava com os olhos arregalados e com a expressão de susto no rosto, porém sua expressão mudou e agora tinha uma grande interrogação na sua testa franzida, eu olhei bem no fundo dos olhos dele e devo está com a cara bem fechada. — O que... que foi? – eu sabia que deveria tirar a verdade dele da forma mais fácil possível, sem pressão e sem ser grosso... simplesmente jogando um verde. Então endireitei minha postura e cortei o contato visual.


— Não, não é nada só estou cansado, então...não teve aula hoje ne? Havia me esquecido da dedetização e dos ratinhos, amanhã você volta? – falei enquanto enchia o copo com água e voltei o encarando sorrindo levando o copo aos meus lábios.


— Ah... ah sim, sim verdade, amanhã eu volto, tava falando com Lu aqui, estamos ferrados, a gente deixou um monte de atividades e trabalhos pra última hora... – ele sorria tímido enquanto falava e eu nada respondia só balançava a cabeça sorrindo também, puta que pariu como ator eu sou um ótimo dançarino, porque sinceramente estou parecendo um maníaco só concordando com o que ele fala. E como eu nada falava um silêncio constrangedor se formou na cozinha e então o Soo se virou para descer da bancada e eu finalmente voltei a falar novamente.


– É, tipo, que bom ne, quer dizer, não que bom vocês estarem com os trabalhos atrasados, mas vocês voltearem... e tipo vocês me dão mantimentos para zuar o Sehun para uma vida inteira, acho que nunca vou esquecer aquele dia do desmaio, ele tava quase dando um piti também. – o Soo gargalhou alto, e o acompanhei pois isso não deixava de ser verdade.


– Aahhh nem me fale, acho que zuar aqueles dois é a coisa mais divertida do mundo... estar com vocês... são sempre os melhores momentos dos meus dias. – disse distraído, mas logo depois abaixou a cabeça, e foi andando até o fogão percebi o quanto aquilo o deixou envergonhado e por um momento acreditei que a minha presença também o fazia bem mesmo, entretanto eu precisava saber se ele realmente estava fazendo aquilo que eu imaginava que estava, precisava tirar esse peso da minha mente.


– É verdade, estar com vocês tem sido bem legal, o clima anda bem mais leve ultimamente, sabe... até sua mãe anda bem menos tensa, ela comentou que você, ela e seu pai tiveram uma conversa bem legal... acho que isso deixou a deixou bem feliz. – só foi eu fechar a minha boca que o Soo virou pra mim sorrindo, ah...aquele sorriso me fez ter quase certeza que eu estava certo, foi um sorriso que dizia ¨consegui! ¨, bingo. 


– É mesmo é? Que máximo Kai, o papai e ela estavam falando de carros e lembraram coisas tão engraçadas e eles formam um casal e tanto, você... – naquele momento eu já estava puto da vida, nem precisei me esforçar muito pra provar que aquela peste tava mentindo pra mim ele só estava me usando como um simples peão, como eu imaginava. Não aguentei.


– É isso, você não quer ser meu amigo ne? Você só está tentando juntar seus pais e fingir ser meu amigo só facilita pra sua mãe ficar feliz e te dar moral pra ficar de conversinha com o ex dela. – eu estava cego de tanta raiva, magoa, eu agora o encarava e meu rosto queimava, vi o Kyungsoo novamente com a expressão de susto no rosto e agora estava branco igual um papel, porém ele foi ficando vermelho novamente e poderia sair fumaça da suas orelhas e a expressão agora existente no seu rosto não era de apenas raiva e sim de ofensa também.


– Como você pode pensar isso de mim Kai, o que você acha que eu sou? – perguntou ja apontando o dedo na minha cara e eu estava com tanta raiva, e não vou cair naquele papo magoado dele, quem tá magoado aqui sou eu, ele me usou e depois vem querer se sentir o injustiçado.


–Ah faça- me o favor Kyungsoo, eu sei realmente o que você quer, e quero que você saiba que eu não sou sua marionete não, quer me ver longe é só falar, agora não me paga de otário não, não finge e não força algo que você não quer porra! – sair dali puto da vida, eu não queria ouvir as suas desculpinhas, ele iria me enrolar e eu cairia feito um patinho agora eu tenho uma certa noção de como ele consegue tudo o que quer. Vai ser fofo no inferno, e tentar comprar o capeta com essa cara de coitado, que raiva.


Depois daquele dia eu ignorei totalmente a presença dele em qualquer lugar possível até mesmo dentro da sua própria casa, sim, regredi a esse ponto, nem buscar ele e o Luhan no colégio junto com o Sehun eu ia mais, dava desculpas pra ir a pe e de caronas com os outros, já fazia uma semana, um sem olhar pra cara do outro, eu sabia que poderia minar novamente a relação do meu amigo com o Lu, mas eu estava magoado, e fui só seguindo o fluxo da minha mágoa por aquele tempo, foi ai que eu me apeguei mais ainda a minha namorada, eu passava o máximo de tempo com ela, pelo menos o tempo que ela e eu tínhamos livres em nossas agendas, cheguei a dormir por uns três dias seguidos na casa dela, sempre que o Sehun falava do Kyungsoo eu acabava me retraindo e quando ele saia pra casa do seu namorado eu simplesmente ia dormir na casa da Soeyon, a verdade é que no fundo o que eu queria era provocar o Kyungsoo, mostrar pra ele que seu plano iria por água abaixo e principalmente deixar bem explícito a minha decepção, não é todo dia que sou apunhalado por quem dizia ser meu amiguinho.


Já era sábado à tarde e eu estava ali sentado no sofá fazendo hora com a nonna do meu lado, deitada com a cabeça no meu ombro falando sobre a agência - acho que trabalho é um dos assuntos preferidos dela - eu ouvia tudo com atenção, mas queria mudar de assunto, tudo o que menos queria agora era falar disso, claro que antes ela tinha me enchido de perguntas, ela mais que ninguém sabe quando eu não estou bem, mas eu não quis falar de mim então ela entrou nesse assunto sem fim chamado trabalho.


– Sim concordo com tudo que você falou sobre a agência, sobre os sócios, sobre os próximos eventos e bla bla bla, mas o que eu quero agora é namorar um pouquinho, será que a gente pode em? – perguntei todo manhoso, já beijando o seu pescoço e pegando em sua cintura com pouco mais firmeza. A Soeyon sorriu acariciando meus cabelos e me deu um beijo doce, estávamos apenas trocando carícias ali no sofá e não era nada demais, somente carícias e selinhos mesmo, então eu ouvi passos vindo da cozinha, sabia que ele estava vindo e estava de fones de ouvido, com certeza não tinha notado a nossa presença ali, já que passou manhã inteira enfurnado dentro do quarto, a noona não havia percebido, e continuava curtindo o momento de intimidade entre nós, foi ai então que num ato de puro impulso para tentar provoca-lo de uma vez eu aprofundei o beijo e literalmente agarrei a Soeyon pela cintura e segurei seus cabelos com firmeza enquanto olhava para a entrada da cozinha, quando o Kyungsoo passou pela porta estava de cabeça baixa, mas a levantou... e foi ai então que ele nos viu. O Kyungsoo paralisou e abriu sua boca em formato de "O" e eu o encarei olhando no fundo dos seus olhos, eu queria pirraçar, eu queria ver raiva em seu rosto, e eu acabei por ter o que queria, mas isso não me fez nada bem, meu coração acelerou e apertou, era sempre assim eu querendo ou não as reações dele me afetavam de tal forma que chega a ser estranho eu não conseguia continuar com aquilo eu senti o impulso de parar , só que não deu tempo nem de pensar direito e o ele passou praticamente correndo subindo as escadas e foi ai que a Soeyon despertou.

– Meu Deus era o Soo Kai? – perguntou se levantando e arrumando sua roupa.

– Sim, eu acho que era Noona. – menti me levantando também. Eu estava pronto pra subir as escadas e ir atrás dele porém percebi o quanto essa minha atitude poderia ser estranha.

– Acho que vou lá conversar com ele. Meu Deus, o que ele deve está pensando agora? Que irresponsabilidade a minha, eu sabia que ele estava em casa e a situação já é complicada o suficiente. – disse se virando em direção as escadas.

– Espera, deixa que eu vou vocês estão progredindo bastante agora e eu sei o quanto você fica nervosa quando o assunto é o Kyungsoo... se alguém deve conversar com ele esse alguém sou eu, pois eu que sou o intruso na vida de vocês eu que preciso tentar mostrar que essa não é a minha intensão. – tentei ser o mais convincente possível já que parte daquilo que disse era verdade, eu precisava conversar com Kyungsoo, porque hoje vi que estou sendo tão infantil e irresponsável quanto ele.

– Tem certeza Kai? Eu não quero que vocês briguem ou que continue e piore esse clima ruim... você sabe que eu tenho tentado e.…parecia que as coisas estavam melhorando e de repente...ele se afasta e eu também não sei me aproximar sem invadir o espaço dele... – ela começou a se explicar e era visível que estava tão nervosa que poderia começar a chorar a qualquer instante.

– Ei soe, calma, vem cá, vem. – ela veio e me abraçou apertado, sabia das razões pra ela está assim, Soeyon pisava em ovos quando o assunto é o seu filho, não teve como não me sentir mal, afinal dessa vez o culpado do clima ruim era eu, dessa vez eu escolhi ignora-lo. 

– Tá tudo bem, sente aqui tá bom, eu e seu filho precisamos dessa conversa. - a virei de frente para mim beijei o topo da sua cabeça

– Tá...Tá bom, pode ir meu bem. – ela respondeu de cabeça baixa massageando as têmporas.

Dessa vez eu não iria confronta-lo, só precisávamos conversar mesmo, entender as coisas e tentar achar uma solução, nem que tivesse que engolir minha magoa, o importante era dar um jeito nessa situação de merda, subi as escadas saltando os degraus, estava ansioso e ao chegar na porta do seu quarto dei dois toque leves e esperei uma resposta.

– Não Omma, eu não quero conversar, tá tudo bem. – ele gritou do outro lado da porta.


– Não Kyungsoo, não é a sua Omma, sou eu o Kai, será poderíamos conversar? – respondi um pouco ansioso, já esperava um grito mandando eu ir embora ou um palavrão ou talvez ele me ignorasse, porém me surpreendi com ele abrindo a porta devagar e me encarando, ele parecia com vergonha pois suas bochechas estavam vermelhas, ou seria vontade de chorar? De qualquer modo não via motivo pra ele estar assim. Porque a raiva que vi em seus olhos la em baixo agora parecia tristeza? E mais uma maldita vez, eu me prendi ali, ficamos nos encarando, ele triste e eu confuso.

– O que foi em? Perdeu o cu na minha cara? – e lá estava o Kyungsoo que conheço 

– Será que eu posso entrar? Quero conversar com você? – surpreendentemente ele me deu espaço para entrar, era a primeira vez que entrava ali - até tinha tentado né - não soube muito bem o que fazer, somente coloquei as mãos no bolso e passei a observar o local, era um lugar simples, nada extravagante, porém pra lá de desorganizado, a cama de casal estava cheia de roupas jogadas e emboladas, na parede em cima da cama vários pôsteres desses desenhos japoneses, tinha livros e mais roupas largadas no tapete que ficava em um dos lados da cama, tinha uma estante com uns bonequinhos e mais livrinhos, reconheci aqueles como mangás, Sehun tinha vários, do lado havia uma escrivaninha também lotada de coisas e bagunçada e acima dessa, na parede, alguns quadros, desenhos, fotos dele com o Luhan, com o pai, uns velhinhos que devem ser os seus avós, e a que mais chamou minha atenção, uma com um mini soo e uma Soeyon mais jovem abraçados, próximo a mesa havia um guarda-roupas bem grande e do outro lado uma parede, estava totalmente branca, sem nada, e ela chamou minha atenção justamente por contrastar tanto com o resto do quarto que era tão, colorido.


– Eu pretendo fazer algo com ela. – ouvi sua voz atrás de mim, e ela estava mais baixa do que de costume.


– Com ela quem?


– Com a parede, pretendo pintar, decorar, ou so tacar spray... sei lá.– ele se sentou na cama ainda sem nem me olhar, meu subconsciente gritava ¨Peça desculpas seu bosta¨, mas eu não achava que estava errado, talvez a minha reação tenha sido explosiva, mas errado eu não estava, eu fui usado, tanto que ele não negou nada de que eu o acusei e isso me deixou mais chateado ainda — Enfim o que você quer? – por que ele parecia triste?


– Então...tudo bem? – “ Peça desculpas seu bosta " meu subconsciente gritou novamente.


– Estou ótimo Jongin é só isso que você quer saber? – o Soo agora me olhava e tanto seu rosto como sua voz se tornaram indiferentes — Não vai começar a berrar comigo?


– Não, não Soo! Não é isso, eu...olha eu realmente sinto muito por ter sido tão mal educado aquele dia. 


— Ah...só aquele dia ne? – ele riu irônico — Você foi mal educado aquele dia, e está sendo inconveniente desde então. – me acusou


— Não foi por querer...- mentira


—A não foi por querer que você fez questão de levantar e sair sempre que eu entrava no mesmo cômodo que você nessa casa? Não foi por querer que você deixou de ir com Sehun na lata velha buscar a gente? Não foi por querer que você estragou todo o progresso que a gente teve? Eles estão todos tristes de novo seu babaca! E isso tudo por algo que você apenas supõe.


—Ta! Voce esta certo Kyungsoo, eu escolhi fazer essas coisas, mas negue agora seu planinho de bosta de juntar seus pais? Negue tudo que eu joguei na sua cara aquele dia. – ele abriu a boca mais nada saiu dela e eu sorri, decepcionado, mas sorri — Você me usou, foi falso e eu realmente acreditei que estava tudo dando certo, então não venha me xingar de babaca e dizer que eu estraguei tudo! Por que foi você que estragou.


—V-VOCE É SIM UM BABACA KAI, EU REALMENTE GOSTO DE VOCE, QUERO SER SEU AMIGO, MAS VOCE ESTRAGOU TUDO SIM SEU BABACA!!! – ele já estava de pé e gesticulava com os braços enquanto gritava comigo, e respirou fundo antes de continuar porque eu fiquei em silencio o encarando — Eu não neguei o meu planinho como você disse, porque ele é real, eu gostei de ver eles juntos, eu me senti bem e quis mais, então continuei, e saiba que não pretendo desistir, pode contar pra minha omma se quiser, não importa! E eu não fui atrás de você pra explicar, porque não espero que você entenda como é ter uma família complicada como eu tenho, e quer saber? Você que me decepcionou achando, que eu estava sendo falso com você, é estranho te ver com a minha omma e você sabe bem o porquê, e eu me esforcei para isso dar certo pelas pessoas que nos amamos, porra, já é tudo um inferno e você ainda me acusa de ser falso? Você por acaso já parou pra pensar no meu lado dessa situação de merda? - ele soltou um suspiro longo, recuperando o folego e eu estava tentando digerir suas palavras sem me sentir um imbecil. Eu respirei fundo, eu acreditava nele, dava pra ver em seus olhos que estava sendo sincero, então so tinha uma coisa que eu podia fazer.


— Me desculpa Soo, eu...


— Não é tão fácil. – ele desviou o olhar para aquela parede branca feia.


— É sim, antes eu te desculpei porque queria ser seu amigo e concertar as coisas e agora pouco você falou que gosta de mim...da minha amizade. – fui me aproximando e vi suas bochechas enrubescendo — Então eu finjo que você não está tentando fazer minha namorada ficar com outro e você me desculpa por ter sido um ...babaca, e duvidado da nossa amizade prematura. – sentei do seu lado na cama e o empurrei pelo ombro o fazendo quase rir– Por favor Soo.


– Tá tudo bem Kai, não desejo que vivamos em pé de guerra sempre... vamos só seguir do mesmo jeito de antes, continuar de onde paramos, dessa vez nos dois erramos. – ele realmente sorriu pra mim e eu quis apertar as bochechas dele até arrancar um pedaço de tão fofo que o infeliz é — E eu não to tentando fazer sua namorada ficar com outro, só to mostrando pra ela que eles são perfeitos juntos e poderiam dar certo. – deu de ombros — Você não se garante não? – eu tive que rir junto


— Sei la, depende do adversário, olhei umas fotos do seu pai no Google, dá medo... – eu não estava brincando mas o Kyungsoo não precisa saber disso


—Aquele ali não bate em nem uma mosca, é igual você, frouxo! – ele empurrou meu ombro e eu o empurrei de volta


—EI! – eu protestei e nós rimos juntos e uma sensação de alivio tomou conta de mim, talvez amolecendo meus filtros e não controlando a bosta que eu ia falar em seguida — E se ela escolhesse ele, o que seria de nos dois? - estávamos muito próximos e quando ele ouviu minha pergunta seu sorriso foi morrendo, seus olhos se tornaram curiosos e eu diria que um pouco assustados enquanto encararam os meus, eu me liguei no que disse e como podia ser interpretado, fiquei com vergonha, mas surgiu em mim um questionamento, O que este olhar significava? No que ele pensou? Foi difícil desfazer aquele contato visual, mas uma culpa bateu em minhas costas e então eu completei — Digo...da nossa amizade? Ainda iriamos ser amigos ne?


—Claro, eu amo o Sehun hyung e você vem de bagagem com ele. – foi engraçado, nos rimos, mas aquele clima estranho ainda estava ali. Kyungsoo cutucava os próprios dedos e eu passei a olhar para as coisas que estavam na sua mesa, tentando me distrair daquela tensão, quando vi um cd do Ray Charles lembrei imediatamente da minha tia Badá, ela o ama, e ver aquilo me bateu uma nostalgia incrível, era como se o Jongin criança estivesse ali vendo ela balançando o cd entre os dedos antes de colocar para tocar a música que mais gostávamos de ouvir "hit the road jack."


– Não sabia que você gosta de Jazz? – falei me levantando e pegando o cd da mesinha. O Soo se virou e me encarou e depois encarou o cd.


– Ahh isso, sim gosto, na verdade eu curto todos os gêneros – respondeu se sentando na cama.


– Humm então você é eclético – perguntei ainda olhando o cd. E voltei a sentar em sua cama.


– Na verdade não, é só que... tipo, é que cada momento exige uma música diferente, entende? E também cada gênero e estilo tem algo de bom, algo que dá para aproveitar.


– Sim, claro, acho que entendo perfeitamente. – me virei pra ele sorrindo, ele também sorria e naquele momento novamente não soube o que fazer, sentia o nervosismo subir pelas minhas pernas então, desviei o olhar para o cd e continuei o assunto.


– Também gosto de Jazz, foi esse gênero que me fez querer ser bailarino, na verdade foi um dos motivos, porque o primeiro foi minha tia Badá, ela é minha tia mais nova e a mais próxima também, esse cd aqui, me lembrou dela dançando no meio da sua casa feito uma doida. – eu sorri enquanto as memorias iam se fazendo mais e mais presentes — Eu deveria ter por volta de doze ou treze anos, eu era puxado para dançar com ela enquanto a minha outra tia, a tia Hae-rin tentava fazer ela me soltar, tia Rin gritava: "deixa o garoto sua doida", mas no fundo eu sabia que ela gostava também, sabe? Falava rindo tanto quanto eu. Quando elas e minha Omma se juntavam era os meus momentos preferidos... lembro dela falando: "dança meu bebê, não tenha medo, porque a dança liberta" – tinha um filme passando em minha mente, era um sentimento de nostalgia quase que palpável, eu mergulhei e quando retornei bateu a vergonha. – Meu Deus eu viajei, desculpas Kyungsoo, eu estou falando pelos cotovelos ne?


– Não! Tudo bem Kai, continue por favor, fale mais das suas tias, elas dançam também? Ah essa tia Dada deve morrer de orgulho de você ter se tornado um dançarino tão bom. – eu ainda segurava e encarava o cd, mas tive que rir de como esse garoto conseguia ser fofo.


– É tia Badá Soo. – eu o olhei já rindo e ele acabou por rir também, e não querendo manter contato visual por muito tempo eu desviei o olhar e continuei a responde-lo – E sobre suas profissões, só a tia Badá é bailarina, aliás Badá é apelido viu e fui eu que comecei a chama-la assim, isso segundo minha mãe, porque eu não conseguia pronunciar o nome dela direito, o nome dela é Kim Hae-ram, já a tia Hae-Rin é advogada, resolveu seguir a carreira da família, mas ela ama o que faz, a tia Badá tem sua própria academia, acho que ninguém dança como ela, é uma bailarina fora do comum, e eu adoro esse cantor porque ela disse que a uma música dele, neste álbum aqui, que é nossa, se chama "hit the road jack", é muito importante pra mim, inclusive foi essa música que dancei na audição para faculdade, ela e a tia Rin estavam lá nas cadeiras da frente, e só não gritaram porque haviam prometido para minha Omma que não iriam fazer aquilo...duas doidas... – naquele momento eu lembrei da minha audição, o porquê da minha Omma não estar presente e o tanto que eu chorei naquele dia, era pra ter sido o dia mais feliz da minha vida, mas por culpa daquele monstro não foi, minha mente ficou nebulosa e acredito que minha expressão havia mudado porque o Kyungsoo se mexeu ao meu lado, como se estivesse incomodado com algo.


– Qual o problema? De verdade. – eu o olhei, e apenas olhei, porque não sabia oque responder. Era tão fácil assim me ler? — Eu sei que nos não somos muito próximos, mas, sei lá kai, aquele dia que você explodiu comigo, você estava estranho, e depois daquilo, todos os dias que você foi meio babacão, eu também vi algo estranho em você? Eu posso estar me intrometendo, ou estar errado, mas esse estresse todo, não é só porque descobriu o que fiz e achou que eu tinha sido falso, não é?


– Não, nada disso Soo! – vi seus olhos irem pro chão, mesmo ele estando certo e no fundo ele sabe que está, e eu sou um imbecil por deixá-lo pensar que não confio nele —Olha...eu realmente estava e estou bem estressado, não é que eu não confie em você, é porque eu lembrei o quanto minhas tias são maravilhosas e o quanto são fortes e deram a cara a tapa para tomar as rédeas de suas vidas, ao contrário da minha Omma que apesar de ser a mulher mais forte que eu já vi na vida, ela vive presa e não se da conta, tem um casamento de merda e eu sinto que não posso fazer nada, sinto que sou um filho de merda e..


– Continua a falar das suas tias e da sua mãe, mas fala só as coisas boas tá legal... elas parecem ótimas pessoas, foca em quem vale a pena Kai...pelo menos nesse momento é o que vai te fazer bem. 


Eu o olhei novamente, sorri e acenei positivamente, ele sorriu também e dessa vez foi um sorriso tímido e tão lindo, fazia dias que eu não via aquele sorriso e aquilo foi o suficiente para o meu coração voltar a bater acelerado feito louco, o Soo percebeu que eu o encarava de forma diferente pois estava vermelho feito um tomate e então abaixou a cabeça olhando para as suas mãos, eu até tentei me segurar mas foi inevitável... levei minha mão até o seu queixo e levantei delicadamente eu queria olhar o seu rosto, eu queria ver mais daquele sorriso, olhar em seus olhos ver se que aquilo que eu estava sentindo também é recíproco, queria ter certeza que não estava afundando sozinho, porém o que eu vi foi culpa, a culpa em olhos marejados e que quebraram meu coração. Antes que pudesse falar algo, ouvimos três batidas na porta e foi o suficiente para eu o Soo nos afastarmos praticamente na velocidade da luz e levantamos juntos.


Como não ouve resposta a porta teve apenas uma fresta aberta, onde a Soeyon passou a cabeça e sorriu pra gente.

— Desculpem interromper o papo meus amores, eu só queria saber se estão todos vivos? E eu também vou pedir o jantar, o que vocês querem? – tinha algo diferente no olhar dela, e em mim eu senti algo ruim: culpa, a culpa é corrói, é em minha opinião um dos piores sentimentos que se pode sentir, ela te mostra alguém que você não queria ser, te mostra e traz a tona a vergonha de atitudes que as vezes você nem mesmo realizou mas desejou no fundo da sua alma, ela destrói a confiança, e te faz duvidar da sua própria índole, você nunca vai estar preparado para senti-la, e você também nunca saberá o que fazer em seguida.


Notas Finais


Bom gente acredito que 2020 não foi fácil para ninguém e pode ter certeza que para nós também não, quando começamos essa fanfic ela era para ser algo não muito grande, porém a partir do momento em que as idéias vão surgindo a tendência é crescer cada vez mais, a cada reunião que fazíamos ela se tornava algo mais complexo e forte, cada vez nós apaixonamos mais pela nossa história, porém, depois do último capítulo postado, uma enxurrada de coisas começaram a surgir: trabalho, aulas ead, cansaço tanto físico quanto mental, falta de resursos para a escrita e principalmente, no final a falta de tempo foi o que pesou mais, amoras esse projeto é nosso porto seguro em meio a essa crise em que vivemos, nunca iremos desistir dele, jamais, vamos até o fim!
E o fato é que não brotava nada em meio ao cansaço chegamos até nós perder da essência da história devido a essa bagunça em que estávamos, voltamos sim, mas sempre sem forçar a barra (como diria nosso satansoo kkkkk) como eu disse, esse projeto é nosso porto seguro e um das principais promessas que fizemos foi escrever sem pressão e com prazer, o intuito é se divertir escrevendo e passar esse sentimento pra vocês... enfim peço mil, mil desculpas pela demora, a gente sabe BEM qual a sensação de encontrar uma obra que vc gosta de ler cuja última atualização foi a 300 anos kkkkk... saibam as coisas não seguem nada fáceis, mas não existe ninguém aderiva que deixa seu porto seguro viu? Cuidem de vocês, tanto físico como mental. Agradeço a compreensão de todxs e todxs. E até o próximo capítulo.
~samyoon


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