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História O Brilhante Mundo de Ethan - Capítulo 4


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Notas do Autor


Boa Leitura♥

Capítulo 4 - Sozinho


Fanfic / Fanfiction O Brilhante Mundo de Ethan - Capítulo 4 - Sozinho

"Mas por que isso te aborrece? 

Por que te entristece? 

Por que você finge não ter preconceito? 

Sendo que ele ruge dentro do seu peito...

Olhe lá, veja...

 Lá vem uma anormal...

Aquele lá da família tradicional."




- Está tudo bem? - Uma voz aparentemente feminina fala ao encostar a mão no meu braço, fazendo com que eu mova levemente a cabeça para glorificar a corajosa que se sentou do lado de um "favelado." 


Levanto a cabeça olhando para a garota na minha frente, e fico chocado com a legítima representação da burguesia parada na minha frente. Com cabelos loiros lisos compridos que batem um pouco acima da sua cintura,  olhos azuis com a íris em um tom um pouco esverdeado, uma boca que varia entre grossa e fina, mas parece extremamente proporcional ao seu rosto, e um sorriso extremamente lindo e tranquilizador,  mesmo não tendo idéia de quem é a garota na minha frente, sua presença acabou de me trazer um pouco de tranquilamente em meio a todo esse caos.


- Definitivamente não. - Respondo jogando a cabeça para trás e fechando os olhos.


- Posso ajudar em alguma coisa?  - Ela pergunta com uma delicadeza indescritível no seu tom de voz.


- É apenas uma crise de pânico.  - Falo tentando soar o mais natural possível,  enquanto minha respiração começa a se estabilizar.


- Não sabia que as pessoas sangravam com "apenas uma crise de pânico" - Ela fala provavelmente se referindo aos diversos machucados no meu rosto, e as marcas de sangue na minha camisa, e sou obrigado a abrir os olhos para lhe encarar, sendo recebido com um olhar demonstrando uma preocupação que nunca imaginei receber de uma garota como ela.


- Tem um pouco a ver com apanhar por ser gay.  -  As palavras pulam da minha boca com uma naturalidade incomum,  e congelo por nunca ter falado isso em voz alta, mas por algum motivo falar isso pareceu extremamente normal agora, provavelmente é porque eu não conheço essa garota, então tenho motivos para ter medo do seu julgamento,  afinal depois de ter apanhado por conta da minha sexualidade, julgamentos alheios realmente não me assustam mais, apenas se eles foram seguidos de agressões físicas. 


- Calma, você apanhou por causa da sua sexualidade? - Ela pergunta se virando no banco, para ficar completamente de frente para mim, e é visível no seu tom de voz, o seu descontentamento com esse fato. 


- Exatamente isso que você ouviu. - Falo jogando a cabeça para trás e a olhando com o canto do olho. - Depois de tudo que passei hoje, se conseguir me animar, te declaro a dona do próximo Nobel da paz.


- Desafio aceito. - A loira falando me estendendo a mão, e eu a aperto, selando um acordo. Essa garota é realmente bem animada. - Pode começar ms falando seu nome cavalheiro. 


- Cavalheiro? Não sei se sou. - Respondo rindo um pouco, mas a risada dói minha barriga, fazendo com que eu leve a mão até a mesma, tentando evitar a dor. - Mas, meu nome é Ethan, e o seu Madame?  


- Meu nome é Annie, mais conhecida como princesa desse glorioso reino. - Ela fala apontando para o bairro ao nosso redor, e não consigo conter dar mais uma risada com a animação da garota, e minha barriga dessa vez dói um pouco menos.


- Muito prazer em conhecê-la, princesa. - Falo puxando a mão dela, e depositando um beijo ali, fazendo com que ela dê risada. 


- Ei, o objetivo é eu te animar e não o contrário. Então me conta, onde você estuda? - Ela pergunta jogando a cabeça para trás da forma que eu, para poder olhar nos meus olhos. 


- No Padre Felicítio, mais conhecido como Padre Toxicidade. - Digo tocando meu rosto, como se ela pudesse ler as entrelinhas desse sinal.


- Estudei lá durante um tempo, mas sai por causa dessa mesma toxicidade.


- Olha só, alguém entende minha dor. - Brinco erguendo erguendo as mãos para o céu, em sinal de agradecimento, mas me contenho com o movimento, afinal não sei se Deus gostaria que alguém como eu, fizesse isso para ele. - Mas porém como você conseguiu se ferrar naquele lugar?


A maneira como falo "você" deixa claro que quero dizer "Como uma garota branca, aparentemente da burguesia, com uma beleza exuberante, conseguiu se ferrar naquele lugar?"


- Eu namorava o legítimo metido a famosinho da escola, mas ele era um completo babaca com tudo e todos ao seu redor. Se achava superior a qualquer pessoa que não fosse do grupinho dele, e até do mesmo do próprio grupo. - Não consigo evitar pensar que parece Kimberly versão masculina. - Então, eu decidi terminar, não queria ficar com alguém assim. Bom, ele fez da minha vida um inferno, jogou os amigos dele contra mim e automaticamente as namoradas dos amigos deles também, todos começaram a espalhar boatos de que a gente tinha terminado, porque eu havia dado para o time de futebol inteiro, e logo eu fiquei conhecida como a "Rodada, Sabonete, Catraca, Escada Rolante, Rodízio de Pizza, oferecida, dada, piranha, vagabundo" e alguns apelidos mais fortes que você deve imaginar. Então decidi sair de lá, quando eles publicaram nudes fakes meus no Facebook.


- Nudes fakes? Eu nem sabia que isso existia. - Falo completamente chocado com sua situação, me desligando um pouco da minha situação. 


- Mais conhecidos como "Montagens bem feitas."


- Cheguei a uma conclusão, aquela escola atrai gente babaca, acho que todos os babacas da face da terra, estão lá. 


- Nisso, somos obrigados a concordar. - Ela fala estendendo o braço para darmos um "toca aqui" e dou risada, sabendo que mesmo em meio a tanta confusão, posso ter acabado de ganhar uma amiga.


Vejo meu ônibus parado no semáforo um pouco longe, e aviso a Annie que tenho que ir, a garota me passa o número dela, e surpreendentemente me dá um abraço, e eu nem sabia que precisava tanto de um abraço, até ela fazer isso. Me aconchego nos seus braços, afundando a cabeça no seu pescoço, deixando uma pequena lágrima escorrer ali.


- Me liga sempre que precisar. Você acabou de ganhar uma aliada, caro príncipe caído. - Me afasto dela, dando risada com seu último comentário. 


- Príncipe caído? - Pergunto ainda com um sorriso no rosto.


- Uma mistura de anjo caído com príncipe, não seja lerdo. - E mais uma vez dou risada dos comentários completamente aleatórios da garota, e entro no ônibus ainda com um esboço de um sorriso. Logo estarei em casa, na minha cama, no meu quarto, protegido de tudo e de todos, finalmente em paz. 



 Chego em casa alguns minutos depois, e vou em direção a cozinha. Preciso de um pouco de água, encho o copo, e encontro um bilhete da minha mãe, colado na geladeira: 


"Vou trabalhar até mais tarde, seu almoço está na geladeira, e na janta pode pode pedir uma pizza. Beijos mãe."


Otimo, pelo menos hoje minha mãe não vai me ver nesse estado, e amanhã eu invento alguma coisa. Subo para o meu quarto, e me jogo na cama, finalmente em paz, aqui ninguém pode me machucar. Acabo pegando no sono assistindo uma série, tentando evitar pensar nos acontecimentos de hoje. Acorda com o barulho da campainha, olho no relógio e vejo que são 20 horas, "quem será a essa hora?"


 Desço as escadas com cuidado, porque cair novamente não me parece uma boa ideia, assim que abro a porta, encontro os seus olhos pretos como a noite, e o seu olhar repleto de preocupação.


- Posso entrar? - Justin pergunta como se não tivesse entrado nessa casa outras trilhões de vezes, mas dessa vez é diferente, e nenhum de nós sabe de verdade o motivo disso.


- Entra. - Digo indo para o lado para abrir espaço.


Ele entra olhando ao redor com discrição, com as mãos no bolso da jaqueta, Justin sempre age assim quando está nervoso. 


- Quer alguma coisa para beber? - Pergunto tentando quebrar o clima tenso que se forma entra nós.


- Aceito um suco.


 Sigo até a cozinha para buscar o suco, e sei que daqui alguns minutos ele vai vir atrás de mim, tenho pouco tempo para pensar em como explicar essa esses machucados. Devo dizer a verdade ou mentira? Mas, qual seria mentira? E como eu contaria a verdade? 


- Então...O que houve? - Me viro para olhar para ele, e o encontro escorado na parede da cozinha, com os braços cruzados, e seus cabelos pretos caídos sobre seus ombros, com algumas mechas invadindo seu rosto.


- Sobre o que você está falando? - Me fazer de desentendido parece uma ótima idéia para o momento. Pego o suco e me escuro levemente na mesa da cozinha, fazendo de tudo menos olhando para ele.


- Ethan? - Ele me é chama, mas eu sigo olhando fixamente para baixo, sei que não aguento o peso do seu olhar.


- O que? - Pergunto, sentindo ele se aproximando, até ficar a centímetros de mim, Justin tira o copo da minha mão, segura meu braço delicadamente, me puxando contra si, minhas mãos pousam no seu peitoral, e ele leva as suas mãos até as minhas, as acariciando com as pontas dos dedos, tentando me fazer olhar para ele. 


- Olha para mim. - Justin pede com uma delicadeza que nunca o vi usar, porém me falta coragem para encará-lo. Ele solta uma de suas mãos da minha, e a direciona até meu rosto, ele começa acariciando de leve minha bochecha, levando ao meu corpo aquele arrepio confortável que sempre acontece quando estamos tão próximos assim. Logo em seguida, ele leva a mão até meu queixo, o levantando com calma, até que eu finalmente encontre o seu olhar.


- O que aconteceu com você? - Ele pergunta mais uma vez,estamos me solto de seu toque, seguindo em direção a sala.


- Não é nada importante. 


- Eu me importo. - Ele diz, assim que segura meu braço novamente, dessa vez com uma força um pouco maior, se tornando difícil que eu me afaste. - Ethan, eu me importo, e não tô falando já só dá boca pra fora, você é a pessoa que eu mais preocupo na minha vida, e quer que eu ignore o fato que você está todo machucado? Que nitidamente apanhou quando saiu da aula? Não posso fazer isso, não vou fazer isso, não quando o assunto é você.


Meus olhos lacrimejam quando ele termina de falar, Justin sempre foi delicado e fofo comigo, mas dessa vez parece que ele fez um esforço ainda maior, e meu nível de sensibilidade também está altíssimo agora, então acabo sentindo suas palavras com ainda mais força. Sento no sofá, e ele senta ao meu meu lado, me puxando contra si, até que eu deite a cabeça no seu ombro. Como devo começar a explicar essa situação? Para começar tenho que contar sobre minha sexualidade, e isso não me parece fácil. Respiro fundo, e procuro pela sua mão, e ele entrelaça nossos dedos automaticamente.


- Dois anos atrás eu aceitei algo que deveria ter aceitado muito antes. Eu sempre fui diferente dos outros garotos, enquanto eles queriam jogar bola, eu preferi assistir, enquanto eles queriam sair, eu preferia ficar ouvindo música, as suas principalmente. - Percebo que ele sorri assim que falo isso, e mais uma vez vejo que o sorriso de Justin é definitivamente o mais lindo que eu já em toda a minha vida. 


- Eles queriam ficar com as meninas escondidos no vestiário ou no banheiro, e eu preferia comer meu lanche, conversar com a Nati, ou escrever alguma coisa. Uma vez eu apanhei tanto que acabei quebrando meu braço, você se lembra? Mas você imagina o porquê de eu ter apanhado? Meu pai ficou tão possesso por eu pedir uma boneca de Natal, que ele começou a me bater tanto, mais tanto, que não percebeu quando eu fiquei na ponta da escada, e acabei caindo. Tudo porque eu queria uma maldita boneca. - Lágrimas caem dos meus olhos a cada frase, e Justin pressiona minha mão, e passa a mão pela cintura, me abraçando, tentando de certa forma, me proteger das minhas próprias lembranças. 


- Eu achei que você tivesse caído enquanto brincando com o Pink. - Meu cachorro.


- Foi o que eu te disse, afinal pensei que se eu te falasse que apanhei por querer uma boneca, você me bateria também. - Olho para baixo fixando o chão, e continuo falando. - Eu fiquei toda a minha recuperação na tua casa, porque eu fiquei com medo de ir para casa e irritar meu pai de novo. Você cuidou de mim todo aquele tempo, enquanto minha mãe? Ela abafava a situação. Quando eu voltei para casa, apanhei de novo, sabe por que? Porque fiquei na casa de um homem, de um macho, porque eu não procurei a Nati, uma mulher, essas foram as palavras que meu pai me disse enquanto me batia.


- Por isso seu pai me odeia. - Ele fala enquanto olha para mim com toda a atenção, como se o mundo todo fizesse sentido depois das minhas palavras.


- Exatamente. Quando meu pai saiu de casa, ano retrasado, meses depois da minha recuperação, antes dele sair, ele me puxou e disse no meu ouvido "minha maior decepção foi ter um filho viado", e nunca mais me procurou, nem um dia sequer, nenhuma mensagem, nem um oi. - Respiro fundo, tentando evitar um grito que formou na minha garganta, e me agarro a camisa de Justin, ele pressiona a mão na minha cintura, enquanto leva a outra mão até meu cabelo, e começa me fazer cafuné, e aos poucos começo a me acalmar, como se Justin fosse meu remédio contra qualquer coisa.


- Eu tentei negar para ele naquele dia, disse que não era gay, ele riu, bateu a porta, e foi embora.


- Ele não merece o filho incrível que tem. - Justin fala ainda acariciando meu cabelo, e sorrio com seu comentário.


- Algum tempo depois, eu fui numa festa, a primeira da minha vida, já que antes ele não me deixava ir, porque "eu ia acabar me assumindo de vez", enfim errado ele não estava. - É a primeira vez que eu vou contar essa história em voz alta. - Bebi muito nessa festa, bebi pra esquecer cada tapa que ele me deu, cada grito, cada palavra, para esquecer dele. Já era quase 5 horas da manhã quando eu já não sabia mais nada que eu tava fazendo, subiu para o banheiro, e fiquei lá durante um tempo, sentado no vaso, olhando pro nada. Até que um garoto entrou lá, e de cara me assustei, afinal era para eu estar sozinho ali, mas então ele não disse uma palavra, simplesmente me jogou na parede, e começou a me beijar. Eu quis parar, juro que quis, porém não consegui, retribui o beijo, a pegada, o toque, retribui tudo. Depois, ele parou, deu um sorriso, e saiu, e eu fiquei ali pensando sw aquele momento tinha me tornado aquela decepção que meu pai temia. Chorei, gritei, esperniei, até que percebi que não havia me tornado nada, eu sempre fui assim, sempre serei assim,e acabei aceitando isso, e sinceramente? Não me arrependo. Eu sou gay Justin, essa é a verdade, e eu nem lembro do rosto daquele garoto, mas se pudesse agradecer a ele, por ter feito eu ver quem sempre fui, certamente agradeceria.


Respiro fundo por finalmente ter dito tudo que sempre esteve preso na garganta, me afasto de Justin, ao sentir seu toque afrouxar na minha cintura, e congelo ao vê-lo pálido dos pés a cabeça, com os olhos arregalados, e parecendo prestes a infartar. 


- Não acredito, não pode ser. - Justin sussurra baixinho, provavelmente para si mesmo, e não para mim, mas mesmo assim suas palavras palavras me atingem em cheio, esperava por essa reação, entretanto tinha esperança que não fosse assim.


- Justin? Tin? - Chamo por ele, porém ele não me responde, levo a mão até seu ombro, mas isso parece assustá-lo ainda mais, e ele levanta, começando a andar desesperadamente de um lado para para o outro.


- Eu preciso de um tempo Ethan, só me dá um tempo ok? - Sua voz sai meio gritada, o que faz com que eu recue com um leve receio, sei que ele nota isso, porque vejo seu rosto se contorcer em um pedido de desculpas silencioso. E então, depois de me encarar por alguns segundos, pela primeira vez sustendo seu olhar, e quando lágrimas começam a brotar nos nos seus olhos, ele se afasta, saindo pela porta da frente, e deixando a porta aberta atrás de si.


E eu me encontro sozinho... De novo.






Notas Finais


Todo mundo em consenso que a Annie é maravilhosa?

Justin e Ethan são a coisa mais fofa do mundo.

Que história essa do Ethan, não é meus caros?

Quem mais achou que o Justin ia reagir mal? E o que acharam da reação dele?

Como nosso pequeno (Ethan) vai reagir a tudo isso?


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