História O Campo Vermelho - Capítulo 42


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Categorias Once Upon a Time
Personagens Alice, Anna, August Wayne Booth (Pinóquio), Capitão Killian "Gancho" Jones, Cora (Mills), Cruella De Vil, Daniel, David Nolan (Príncipe Encantado), Elsa, Emma Swan, Henry Mills, Ingrid / Rainha da Neve / Sarah Fisher, Lacey (Belle), Malévola, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Mérida, Paige (Grace), Personagens Originais, Princesa Aurora, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Sr. Gold (Rumplestiltskin), Tinker Bell, Vovó (Granny), Xerife Graham Humbert (Caçador), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Emma Swan, Ouat, Regina Mills, Swanmills, Swanqueen
Visualizações 378
Palavras 5.400
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, FemmeSlash, LGBT, Magia, Mistério, Orange, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Gentee, eu só queria iniciar dizendo que o David é muito filho da mãe e que amei ler os comentários de vocês sobre ele kkkk
Obrigada pelos comentários, obrigada por tudo! Nem demorei, não é? Para quem gosta, tem a música da Demi que é o título do capítulo. Eu gosto de ler ouvindo músicas e essa ficou muito aaaa

Enfim, boa leitura!!

Capítulo 42 - Only Forever


Dor.


A cabeça de Emma doía e latejava um pouco. Estava tudo escuro, aos poucos, piscando e forçando a sua vista, conseguia ver o raio de luz entrando em seu quarto. Doeu mais ainda e voltou a tombar a sua cabeça para trás, descansando-a nos travesseiros. Era mais um dia, um novo dia. O corpo coberto por uma camisola foi erguido aos poucos, acostumando-se com a claridade e com a dor. Os longos cabelos dourados caíram para o lado e as esmeraldas vibraram ao ver o lindo dia que fazia além da varanda. Bocejando, tocando o pescoço e massageando-o, Emma respirou fundo ao olhar para tudo a sua volta. Estava em casa.


Quando tentou levantar, assustou-se com batidas na porta.


- Entre!...- disse ao cobrir-se um pouco mais e sorrir simpaticamente para David. Observou o homem e tentou lembrar-se dele. Não lembrava de quase nada.


- Como você está, querida? - devagar e vibrando em vitória, David sentou na beirada da cama. Ainda sonolenta, Emma meneou a cabeça.


- Me sinto um pouco… - encolheu os ombros e encarou o homem à sua frente. Sentia-se estranha.


- Sua mãe está esperando-a para que se alimente. Ficamos felizes que você esteja bem, minha filha… Por anos achamos que estava morta, mas nossa felicidade foi enorme quando a achamos presa na torre de Regina… - seu sorriso era malicioso, quase maníaco. Emma sentia calafrios com a aparência doentia que seu pai tinha.


- Regina?! - franziu o seu cenho e estranhou a felicidade de seu pai assim que perguntou pelo nome. - Eu não me lembro de nada, papai…- seu tom foi baixo e cheio de tristeza. -...Ela me machucou?


- Sim, minha filha… Regina é uma rainha muito má, levou você de nós e a maltratou… Encontramos você desacordada, foi horrível… - seu tom tinha uma tristeza falsa. A julgar pelo tempo que Emma dormiu, ela acreditaria. -...A moça que cuidou de você disse que perdeu boa parte de sua memória… Que quando acordasse, por conta da batida na cabeça, não lembraria-se de quase nada, mas, que aos poucos, lembraria-se de algumas coisas… Ficará tudo bem, minha filha… - tocou o rosto da filha e acariciou ao vê-la fechar os olhos e sorrir fraco. -...Vista-se e desça.


- Eu já vou, papai… - disse baixinho ao encolher-se mais ainda. -...Obrigada por ter vindo aqui… - tinha um enorme ponto de interrogação em sua testa. Parecia tudo novo. Era como se tivesse estado dias fora.


- O príncipe Gideon está aí, temos muitas coisas para resolvermos sobre o seu casamento… - Emma arregalou os olhos levemente e assentiu ainda assustada com tantas informações. -...Você se lembrará dele, querida… Aos pouquinhos você se lembrará daqueles que ama… - levantou-se em silêncio e deixou o quarto.


Sozinha, triste e confusa, Emma caminhou até o espelho de seu quarto que estava coberto por um pano, o retirou e olhou-se no espelho. Não haviam marcas pelo corpo e em sua cabeça não havia corte algum…Tocou o seu corpo e tocou o espelho com delicadeza, como se estivesse tocando a sua própria face. Suspirou, olhou para o armário aberto cheio de vestidos e bufou de leve. Teria que experimentar muitos vestidos de noiva, pelo visto. Olhou-se novamente, tocando o espelho e segurando o seu choro. Sentia-se presa. Era horrível não lembrar-se de nada. O que havia acontecido? Perguntava-se.


O nome repetia-se na mente de Emma e de um jeito estranho, sentia-se confortável dizendo-o. Sua pele eriçou, fechou os olhos com força e suspirou ao deixar uma lágrima pingar ao chão. Estava tão concentrada em tentar se lembrar de algo, que o som da gotícula caindo ao chão a despertou.


- Regina… - foi o seu último sussurro naquela nova manhã.  Com ele, o seu coração bateu rápido. Tão rápido que assustou-se. Onde estava Regina? Por que ela a deixou em uma torre? Por que havia feito isso? Teria um motivo, Emma sabia disso.


Desde então, Emma esteve ao lado de seus pais, conversou com o príncipe Gideon e com a Rainha Fiona. Assim, juntos e em harmonia, como uma bela e nova família, Emma escolheu o seu vestido ao lado de sua mãe e de sua futura sogra.


-...Você está esplêndida, princesa!... - Fiona aproximou-se por trás da princesa e sorriu para o espelho assim que encontrou-se sozinha com ela.


- Obrigada…- disse tentando disfarçar o seu desânimo. Olhou para o anel de pedras em sua mão com o símbolo da família de Gideon e suspirou. Queria ao menos lembrar-se do pedido de casamento. -...Você acha que ele gostará? - Fiona riu baixinho e grudou seu corpo ao da princesa deixando-a um pouco desconfortável com o contato.


- Você está bela, querida… - sussurrou. Quando Fiona passou a língua pelos lábios, Emma percebeu a língua bifurcada e controlou a sua careta, ato que não passou despercebido por Fiona. A rainha riu e suspirou. -...Você amará o reino! - afastou-se um pouco.


- Espero que sim… - ofereceu um sorriso esquisito e soltou uma lufada de ar quando Fiona a reverenciou e a deixou sozinha no quarto.


Seus dedos passaram pelo tecido branco, pelo véu com detalhes de renda, pelas ondas douradas de seus cabelos e, por fim, no anel em seu dedo anelar. Era tão lindo… Levou a mão à boca e abafou o seu choro para que ninguém ouvisse, mas foi inútil, já que sua mãe logo entrou em seu quarto encontrando-a chorando.


-...Querida, o que aconteceu? Não gostou de seu vestido? - acolheu a filha em um abraço e Emma soluçou. - Eu sei que é muita coisa, eu também estou tentando lembrar do que aconteceu…Seu pai me disse que eu caí junto com você quando tentei salvá-la…Eu quero tanto saber onde a Regina está para poder…


- Por que ela fez isso comigo? - afastou-se para olhar nos olhos de sua mãe e fungou. - Por que todo esse ódio? Por que toda essa escuridão? Por que ela quis me ferir, sendo que não há nenhum arranhão em meu corpo? - mexeu as mãos e Branca ficou pensativa. - Por que estou me casando? Eu nem me lembro do pedido… - olhou para o anel em sua mão e limpou sua lágrima. -...Eu não sinto nada por ele…Isso não é justo!


-...Mas irá, Emma. - David apareceu no quarto da filha e tomou a frente de Branca ao vê-la pensativa demais. Tinha total cuidado para não dizer o nome completo da princesa.


- Eu não sinto nem meu coração acelerar, papai… Eu sinto que não o amo, não estou feliz, não quero usar esse anel e nem esse vestido! Eu não me lembro de nada!... - elevou o tom, mas abaixou ao ver seu pai balançar a cabeça. David controlava a sua raiva. -...Eu não quero isso, não quero essa vida, papai…


- Talvez possamos adiar, David… - Branca olhou para a filha. -...Ela precisa do tempo dela também…


- Acabamos de encontrá-la… Querida… - aproximou-se da esposa e tocou o rosto dela com paixão. Emma estava acuada, como se não fizesse parte daquilo, daquela família. Era uma sensação horrível. -...É uma forma de protegê-la… Regina não a achará mais, amor…


- Eu não sei David… Isso não é o mesmo que o Henry fez com a Regina? - encarou o marido. - Isso não é o certo…


- Não é o certo ela deixar de se casar por algo banal… Aos poucos ela se lembrará, eu tenho certeza…O pedido de casamento foi lindo, Branca…  - sorriu para a filha e a puxou delicadamente para um abraço em conjunto. -...Nós protegeremos você daquela mulher má, minha filha… É isso que fazemos quando amamos alguém. Protegemos…


Emma deitou a cabeça no ombro do pai e enfiou-se naquele abraço desajeitado. Novamente, o nome de Regina rodou a sua mente e seu coração saltou. Queria ver o rosto dela e entender o porquê ou o quê aconteceu durante os anos que se passaram, já que era essa história que tinha ouvido durante toda a manhã. Que quando pequena, Regina a levou e sumiu com ela. Só agora que seus pais haviam encontrado-a. Branca de neve, mesmo sabendo e conhecendo quem era Regina, estava estranhando o fato de que Emma não possuía marcas, nem mesmo cicatrizes. Ela também não lembrava-se nada, tirando o seu marido e mais do que nunca, acreditava fielmente no que ele dizia, na história que ele contou, mas algo a perturbou. Por vingança, Regina nunca deixaria de marcar o corpo da princesa. Por que ela não havia feito?


No castelo, todos sabiam do que David havia feito e os mesmos foram ameaçados, principalmente Ashley que participou do ocorrido sem saber o que estava acontecendo. August, entendendo o que estava acontecendo com Emma e Branca, vendo a submissão da princesa com o seu pai, entristeceu-se consigo mesmo por não conseguir protegê-las como prometeu, faria de tudo para poder falar com Regina. Blue, por sua vez, estava trancada no calabouço.


Era o fim. Regina revoltaria-se por ver o seu verdadeiro amor sofrer o mesmo abuso que havia sofrido com o seu falecido pai.


Distante dali, Regina estava na varanda de seu quarto olhando para o castelo de Branca de Neve ao longe. Não teve acesso a nenhum dos espelhos, muito menos conseguiu sentir Emma dentro de si. Estava fraca, como se uma parte de si tivesse sido levada. Estava preocupada, seu coração doía e ela nem sabia o motivo. Talvez fosse a falta de conseguir conectar-se a Emma. O amor era tão intenso, que não senti-la dentro de si era perturbador.


- Mamãe, quando a mamãe Emma volta? - Hope puxou o vestido de Regina e no mesmo momento a mãe a pegou no colo. Estava com os olhos claros cheios d’água.


- Meu amor, eu não sei… - desde quando havia acordado, Hope não parava de perguntar sobre Emma e só haviam se passado uma noite desde que Emma se fora. -...Eu não sei, aposto que essa demora dela é porque ela está trazendo uma surpresa para você! - pensando que a pequena Hope sorriria, entristeceu-se ao vê-la chorar.


- Eu não quero surpresa, mamãe Regina… Eu quero nossa princesinha de volta… - coçou os olhinhos e soluçou. -...Me abraça? Meu coraçãozinho dói muito… - agarrou o pescoço de Regina e afundou seu rosto no vão. Regina alisou as costas da filha e chorou em silêncio. Não gostava de vê-la assim e não sabia o que fazer. - Você não vai salvar a sua princesa? - perguntou baixinho.


- Ela vai voltar, amor… É só esperarmos um pouquinho mais… - Regina dizia mais para si do que para a filha. Queria acreditar no que dizia, mas sentia que David havia aprontado alguma.


- Não, mamãe!... - Hope encarou a mãe, cruzou os braços e fez força pra ir ao chão. Assustada, Regina a colocou no chão e respirou fundo ao ajoelhar e ficar do tamanho dela. -...Tia Elsa contou que todos somos fortes… - mostrou o bracinho e Regina riu ao enxugar a sua lágrima. -..Só que não é porque somos fortes que não precisamos de ajuda, poxa…Mamãe Regina, traz nossa princesinha de volta… - implorou ao juntar as mãos.


- Quando é que você cresceu tanto, meu amor? - tocou o rosto da menina e ela sorriu.


- Não posso ficar pequenininha pra sempre, mamãe… - disse ao mostrar os dentinhos. -..Promete trazer nossa princesinha? Não pode quebrar a promessa… - cerrou os olhos e Regina riu ao trazer a menina pra perto e apertá-la. Nunca imaginou que em meio de tanta dor haveria ainda uma esperança em sua vida.


- Eu prometo trazer a nossa princesa pra casa… - sussurrou e deu seu dedinho para a menina. Riram e cruzaram os dedos. Era uma promessa e Regina não a quebraria.


Regina não falou com ninguém, apenas com a sua mãe e Ingrid. Nem mesmo com Malévola ela falou. Subiu em cima de Perséfone e saiu pelos portões do castelo em direção ao reino de Branca. Seu olhar estava frio e, além de Elsa ajudar, o inverno estava chegando e a floresta encontrava-se mais fria do que já era. Sumiu em meio às árvores, sorrateiramente, sempre como uma loba atrás de sua presa.


No castelo de Branca, Fiona e Gideon estavam juntos em um dos quartos decidindo outras coisas sobre o casamento ao lado de David. Já Branca, estava voltando para o quarto da filha, onde, segundo ela, estaria banhando-se para poder descansar devido a dor que ainda persistia em sua cabeça.  


Encostou a porta do quarto, chamou pela filha e a mesma apareceu enrolada em uma toalha. Emma sorriu fraco e sentou em sua cama ao ver a sua mãe segurar algo.


- Está melhor da dor? - perguntou ao sentar na cama também. - Eu tomei um chá mais cedo que me ajudou…


- Estou melhor, obrigada… - disse baixinho. -...Pensei que a senhora estivesse com a Fiona…


- Seu pai está com ela e o príncipe… Vocês já conversaram hoje?


- Não muito… - encolheu os ombros. -...Pedi para que ele me desse um tempo e ele aceitou…É um bom rapaz. - sorriu fraco.


- Ele é sim…Querida, você consegue se lembrar de algo que Regina tenha feito com você? - perguntou baixo.


- Não… Por que? - franziu o seu cenho e ouviu um suspirar longo.


- Não é nada demais, querida… Curiosidade. - sorriu. - Bem, eu tenho algo para você… - Emma animou-se e olhou para a mão de sua mãe. Havia um anel com uma pedrinha verde.


- Outro? - ficou confusa.


- Este é especial… - sorriu ao pegar a mão de sua filha e apertá-la. -...Tem uma bela história…


- Não posso aceitar…Parece ter muito valor para a senhora…- observou o anel.


- E é por isso que aceitará, minha filha… - tirou o anel que estava no dedo anelar da filha e pôs o anel de pedrinha verde. Segurou as mãos dela e fechou os olhos aos suspirar. - O verdadeiro amor segue este anel onde quer que vá. Aceite, e saberei, mesmo que nunca mais eu a veja, já que irá para um novo reino, que você encontrará o seu amor. Eu saberei que você será feliz, filha… - Branca sabia muito bem que, mesmo não lembrando-se de nada, e mesmo se estivesse com a memória boa, a filha não amaria aquele rapaz. Conhecia o amor o suficiente para saber que a sua filha não estava destinada aquele homem. Emma encontrou o olhar emocionado de sua mãe quando essa abriu os olhos e jogou-se nos braços dela. Esqueceu-se até que estava nua. Só queria abraçar a sua mãe e ficar ali por horas.


Depois de passar mais um tempo com os seus pais, com a sua futura sogra e um tempo com o príncipe Gideon no jardim do castelo, conversando sobre o futuro, o casamento, as novas alianças que os reinos estavam fazendo e os filhos que ele queria ter com a princesa, Emma resolveu deixar um pouco o castelo e caminhar pela floresta sendo protegida de longe por August. Foi escondida. Ela só queria respirar um pouco e ficar longe daquilo. Enquanto andava pela floresta conversando com August, que tentava iniciar uma conversa sem assustá-la ao contar a verdade, Emma olhava para o anel que sua mãe havia lhe dado e suspirava. Pensava na história que havia atrás dele.


Longe dali, após deixar Lacey no quarto, mesmo querendo ficar por mais tempo com ela, Regina voltava para o castelo onde procuraria por Regina para poder conversar com ela e contar como tudo havia sido naquele tempo em que ficou fora aproveitando e conhecendo Lacey. Em uma das conversas, descobriu que ela havia sido criada por uma família pobre, que se aproveitava dela. Lacey, durante anos, foi obrigada a fazer tudo o que eles mandavam e a ficar trancada durante a noite. Quando alcançou a sua maioridade, recebeu a proposta da dona do prostíbulo e passou a ficar por lá. Contou a Regina que foi um caminho bem difícil para ela durante a época, mas que era necessário para que se mantivesse bem e livre dos abusos daquela família. Assim, tornou-se a prostituta mais cobiçada e bela do vilarejo.


Regina sentiu-se estranha. Sentiu ciúmes de saber que cada vez que ficava mais longe, a chance de Lacey estar com outra pessoa, aumentava. Balançou a cabeça e sumiu em sua fumaça aparecendo no jardim cheio de tulipas bem cuidadas por Regina. Estaria apaixonando-se? Riu de si mesma e de raiva que sentiu por Regina tê-la incentivado a entrar no prostíbulo. Tocava as tulipas com delicadeza, não havia ninguém no jardim e ela não queria ir para o seu castelo. Sentia-se muito sozinha lá. A cauda de seu vestido arrastava-se ao chão, enquanto enfiava-se cada vez mais ao meio das diversas espécies de flores que ali haviam. De longe, passando ao assobiar, Graham a viu e estranhou o fato dela parecer triste. Mudou a sua rota e em silêncio, caminhou até a cúpula onde ela estava subindo os pequenos degraus. Observou Regina e sorriu ao coçar a garganta.


- O que faz aqui sozinha? Pensei que… - ela balançou a cabeça.


- Regina contou para todos do castelo? - bufou de leve. - Não é por isso… - cruzou os braços. Graham coçou a nuca e aproximou-se mais.


- Então o que é? Pode contar comigo, você sabe… Somos melhores amigos… - sorriu fraco. Regina suspirou e olhou para o nada.


- Acabei de deixar a Lacey… - Graham assentiu. -...Eu não queria deixá-la, queria trazê-la… Ela sofreu tanto, Graham… Pensar na possibilidade dela se deitando com outra pessoa, isso me deixa frustrada! - resmungou. - E eu não tenho ninguém além da Regina para conversar sobre isso. Zelena mal fala comigo, Elsa e Anna estão sempre com Rose, Ariel e Ruby. Robin nem mesmo fica comigo, minha mãe… - deu de ombros. -...Eu construí um castelo para recomeçar e eu me sinto tão só… É assim que é ser feliz? Sentir-se só? Eu tenho a Hope, mas ela não entende o que eu sinto… - disse baixinho. Graham sorriu e trouxe Regina para os seus braços, mesmo ela relutando no início.


- Você não está sozinha, Regina… Eu amo você, sabe disso. E eu estou aqui com você agora, por que não me conta como esse coração aí dentro está? - Regina sorriu, deitou a cabeça no peito de Graham e recebeu um beijo demorado em sua testa. - Estou aqui por você… Quero ouvi-la e cuidar assim como faço com Regina…- a rainha odiava a maneira como Graham tinha poder sobre ela, seria sempre o seu melhor amigo.


- O amor me assusta, Graham… É tão perigoso… Tantos sacrifícios… - fechou seus olhos e fungou. A única coisa que desejava naquele momento era sentir mais daquele carinho, do abraço acolhedor, da sensação de estar em paz e sentir que tudo mais para frente ficaria em ordem, principalmente, o seu coração. Quem sabe, Lacey não estaria junto consigo?


Ouvindo um cantarolar ecoar pela floresta, Regina sorriu ao reconhecer a voz de Emma. Desceu de Perséfone e pediu que a loba fosse andar um pouco deixando-a sozinha. Aproximando-se, Regina observou Emma ao meio de um jardim cheio de flores amarelas, brancas e rosas vermelhas. Ela estava linda com o vestido branco cheio de detalhes e os cabelos bem ondulados sendo levados pelo vento. De costas, já conseguia ver o sorriso de sua princesa e seu coração aqueceu-se por vê-la bem. Caminhou em silêncio ao meio das flores e apanhou uma rosa para dar a ela. Emma, distraída com a sua canção, assustou-se quando ouviu um pigarrear atrás de si.


- Quem é você e o que quer?! - perguntou ao ficar em posição de defesa, mesmo sem estar com sua espada ou qualquer outro armamento. Todos foram guardados por David. Regina gargalhou diante da brincadeira, deixou a rosa cair e olhou com total deboche para a princesa.


- Eu fiquei preocupada com você, sabia? Não consegui ver você pelos espelhos, acho que seu pai os tampou, não sei… - aproximou-se, mas Emma afastou-se bruscamente.


- Eu não sei quem é você! Afaste-se ou chamarei a minha guarda! - Regina franziu seu cenho e riu ainda mais.


- Emma, deixe de palhaçada, não cairei em suas brincadeiras! Até parece que não se lembra de mim… Regina, sua namorada, mãe de sua filha… - gesticulou e parou de rir ao ver o espanto na face da princesa.


- Você quer me machucar… - disse baixinho. -...Você me trancou em uma torre durante anos, como tem coragem de inventar tanta mentira assim? - estava séria e seu coração estava acelerado. Era Regina a sua frente, a mulher que passou o dia pensando onde ela estaria.


- Emma, quem bateu a cabeça foi eu, não você! - Regina estava com o seu coração acelerado e estava começando a ficar irritada com a princesa. - Não estou achando graça das suas brincadeiras, Swan! Pode dar adeus a noite romântica que eu preparei para nós duas, sua graça está indo longe demais…- tentou tocar o braço da princesa.


- Você quer me machucar, afaste-se!…Meus pais disseram para não confiar em você… - irritada, Regina segurou a mão de Emma com força e a puxou para perto olhando para as mãos que marcaram o seu corpo por muitas noites. Sua voz sumiu ao ver o dedo anelar com um outro anel. Era o anel de Branca. Então, tudo fez sentido. Emma não se lembrava dela. - O que está fazendo? - puxou a sua mão ao sentir um arrepio pelo o seu corpo e quase caiu para trás. Regina engoliu em seco, suas mãos tremiam e sua vontade era de gritar de tanta raiva que sentia de David, mais raiva ainda pela Branca por ter deixado tudo aquilo acontecer.


- Você tinha um anel...Eu lhe dei um anel… Amor… - segurou o rosto da princesa em suas mãos. Emma tentou fugir, mas Regina não deixou. -...Por favor, diz que se lembra de mim, da nossa filha… - olhou nas esmeraldas que não tinham mais o mesmo brilho e implorou com o seu olhar. Emma ficou assustada e nem mesmo conseguiu reagir ao vê-la começar a chorar. Havia dor, muita dor nos olhos castanhos que pareciam ler o que ela sentia. Seu coração batia muito rápido, como se tudo fosse muito além do ódio que seus pais haviam dito para ela mais cedo. -...Emma, por favor… - Regina ajoelhou-se sujando o tecido de seu vestido e a olhou. Estava perdida. -...Você tem que se lembrar de mim… - caiu no choro e Emma engoliu em seco. Quando uma rainha má ficaria de joelhos para ela? Algo estava estranho…O choro repleto de dor e angústia ecoava pela floresta. Só havia o som do choro angustiante de Regina e aquilo, de uma maneira intensa, machucava Emma que estava um tanto confusa e assustada com a cena que via a sua frente. Para Regina, era melhor terem enfiado uma espada em seu peito do que ver que Emma, que lhe trouxe o amor de volta, não lembrava-se mais dela.


- Me desculpe… - estendeu a mão, mas Regina levantou-se sozinha. Estava devastada, literalmente. -...Tudo o que eu sei é que você me prendeu durante anos numa torre, que me sequestrou quando criança como forma de punir os meus pais pelo o que aconteceu com você… - Regina negou e respirou fundo. -...Eu vou me casar, apesar de não querer isso para mim, de não sentir nada pelo príncipe, eu me casarei… Como posso ter uma filha com você? Sabe… - olhou para as duas e riu baixinho. -...Não tem como, majestade…- disse mais baixo ainda. -...Eu sinto muito… - disse com toda a sinceridade. Era horrível não se lembrar de nada do seu passado. Regina assentiu, controlou o seu choro e secou a sua face.


- Um dia você se lembrará de mim…De tudo o que vivemos… - sorriu fraco ao segurar novamente o rosto da princesa em suas mãos. -...Você não se lembra de nada mesmo? - Emma negou, deixando-se sentir o carinho em sua face. - Não usarei a minha magia, seria abusivo demais… Você se lembrará de mim, eu sei…- soluçou e sorriu ternamente para aquela que sempre seria dona de seu coração. -...Tente só mais uma vez, por favor… - encostou as testas, colando mais o corpo da princesa ao seu e roçou seu lábio levemente nos de Emma, mas, meio sem jeito, ela virou o rosto de lado. Regina engoliu em seco e voltou a olhar nos olhos dela.


- Não me lembro, alteza… - disse ao fechar os olhos sentindo-se atraída pela aproximação. O toque em sua face era puro e genuíno, tão puro e intenso que se não estivesse segura nos braços da mulher que não tinha nada de má, teria caído ali mesmo, pois seu corpo estava fraco e sua perna tremia. Era como se tivesse uma conexão profunda com Regina, algo que nem mesmo ela conseguia explicar. Era confuso e assustador.


- Eu amo você, Emma… Espero que um dia sinta o meu amor por você novamente. - tentou disfarçar a sua voz, mas não adiantou. - Nós dividimos um coração, você se lembrará de mim, eu sei… - deixou um beijo demorado na testa da princesa, fechou os olhos e esperou que quebrasse o feitiço, mas nada.


- Por que uma rainha má como você, que me trancou na torre durante anos, diz me amar? - perguntou baixo ao sentir o toque quente em sua pele. - Isso é amor para você, majestade? Digo, como você pode me amar? Como posso ter amado alguém que me fez tão mal?


- Você não desistiu de mim em momento algum…Isso não é amor?


- Isso é tão…- nem percebeu os seus olhos enchendo-se de água também.


- Inexplicável… É, eu sei, Swan… - ficou em silêncio segurando o rosto entre as suas mãos e fungou. Era doloroso olhar nas esmeraldas e não ver o brilho de sempre. -...Você não acreditará em mim, no que eu disser agora e eu entendo você, mas um dia se lembrará do que realmente aconteceu… - Emma comoveu-se com a intensidade das palavras da rainha e deixou suas lágrimas escorrerem. Uma rainha estava tocando a sua face dizendo que a amava, já o seu noivo, planejava a noite de núpcias sem nem saber se este era o seu desejo. Queria fugir e esconder-se. -...E eu estarei esperando por você, porque o meu coração será sempre seu. Você é única para mim e o meu coração bate dentro do seu, meu verdadeiro amor… - Emma sentiu seu coração acelerar ainda mais diante da profundidade que estava mergulhando naquela bolha criada e acabou roçando seu nariz no da rainha deixando seus braços descansarem na cintura dela, sentindo uma paz gostosa, que não havia sentido desde o momento em que abriu os olhos. Regina limpou as lágrimas de sua amada e sorriu.


- Você promete me ver mais vezes, minha rainha? - perguntou baixinho. Regina sorriu ao assentir e suspirou durante um tempo. Era como se visse Emma pela primeira vez, estava conhecendo-a novamente, de uma nova maneira. Teria que fazê-la apaixonar-se novamente.


- Eu sempre voltarei para você, querida… Meu lar é aqui…- pôs a mão no peito de Emma. Doía muito ter que ir antes que David aparecesse e machucasse a Emma. Doía mais ainda saber que ela casaria-se. -...É nele que habito…


- Desculpe, isso é muito confuso para mim… - Regina assentiu e a fez descansar a cabeça em seu peito. -...Você não me contará o que aconteceu? O normal seria você tentar me fazer lembrar, me forçar…Me forçar a lembrar que a amo, que a amei um dia…


- Sinto vontade, mas isso não seria bom… Eu não preciso provar para você que você me ama…- beijou os fios loiros e chorou em silêncio. -...É só você prestar atenção nos detalhes, promete para mim?


- Eu prometo, minha… Minha rainha… - disse baixinho e nem viu o sorriso na face de Regina. -...Quando eu acordei, meu pai disparou muitas coisas em cima de mim e seu nome ficou em minha mente durante um bom tempo. Eu tentei me lembrar de você, dá voz, de como você era, mas não consegui…Ele me disse que você me torturou durante anos, mas não há marcas em meu corpo… Não há corte em minha cabeça…Então, veio o casamento, o noivo, a escolha do vestido e o anel… Eu não me lembro de nada… É ruim não saber quem você realmente é. - enquanto dizia, Regina chorava em silêncio. Casamento… Não deixaria que Emma se casasse.  - E agora você está aqui, não me parece nada má, pelo contrário, me traz paz estar em seus braços… Como isso é possível, minha rainha? Quem está contando a verdade? E se você estiver me enganando?


- Você descobrirá sozinha, meu amor… - não adiantaria beijá-la, Emma estava cheia de dúvidas e esse não era o melhor jeito de quebrar o feitiço. Ela teria que amar Regina para que pudesse se libertar daquela mentira contada por David e ver Emma apaixonando-se novamente, despertando novamente o amor, seria a coisa mais bela para Regina, apesar de toda dor.


- Amor? - afastou-se para olhar nos olhos de Regina e deixou escapar um sorriso.


- É o que sinto por você… - deixou um beijo na testa de Emma e afastou-se. -...Você precisa ir, não deixe que seu pai a force fazer coisas que não queira, Emma… Você sabe o caminho que deve seguir, o do seu coração… Preste atenção nas coisas, veja as saídas e pense nas consequências que cada escolha sua trará para todos…Por favor, fique a salvo… - a princesa assentiu. -...E nunca, jamais ache que eu a odeio e que lhe fiz mal, isso não aconteceu…O que eu sinto é puro, tão puro que estou deixando-a escolher o caminho que quer seguir e eu só vou interferir se eu ver que você estiver apaixonando-se por mim como um dia apaixonou-se com todo o seu coração, a ponto de dividi-lo comigo e me salvar inúmeras vezes…- Emma fechou os seus olhos e quando os abriu, Regina já caminhava para longe. Não podia deixá-la ir daquela maneira. Sentia que ela falava a verdade, não o seu pai. Principalmente, por não sentir ligação alguma com o rei. Então, deixou seu coração falar naquele momento. Emma sempre obedeceria Regina.


- Regina, espere!...- gritou.


Regina virou-se devagar, com o rosto todo vermelho, já distante de Emma e enxugou a sua face ao vê-la correndo em sua direção. Os cabelos esvoaçantes, o olhar brilhando e o sorriso que sempre iluminou o seu dia. Sorriu assim que Emma parou a sua frente e respirou fundo esperando-a prosseguir.


- Eu salvei você? - perguntou sentindo suas mãos tremerem. - Dividi meu coração?


- Salvou muitas vezes, querida…- Emma assentiu e aproximou-se um pouco mais.


- Eu não sei o que aconteceu, mas eu sinto que você está dizendo a verdade para mim…Eu posso não me lembrar, mas sinto quando alguém mente e não vejo isso em seus olhos. - segurou as mãos de Regina e uniu as mãos. - Eu salvei você, agora, me salve…

Depois do pedido da princesa, Regina a abraçou ainda mais forte, sorriu e afastou-se um pouco. Era demais para o seu coração. Emma ficou observando-a sumir ao meio das árvores, tinha os dedos cruzados a frente de seu corpo e mordia seu lábio sentindo-se uma boba por estar tão vulnerável e feliz por ter visto Regina, mesmo seu pai dizendo horrores sobre ela. Mas, do contrário de Emma, para Regina era ainda mais difícil. Como contaria à todos sobre aquilo? E Hope? Seria um caminho tão doloroso e difícil, mais ainda por ter que lutar contra as trevas dentro de seu coração. Tentaria não cair em tentação e conquistaria a princesa novamente. Antes de subir em Perséfone, olhou para trás e Emma continuava parada e distante. Sorriu fraco quando viu August aparecer e seu coração ficou em paz. Ao menos ele cuidaria dela. Em cima de Perséfone, sumiu entre as árvores. A princesa, andando pela floresta ao lado de August que desistiu de falar algo, sabendo que Regina daria um jeito, nem percebeu o anel em sua mão brilhar um pouquinho. 



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