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História O Cão de Guarda - Capítulo 3


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Notas do Autor


Estou de volta com mais um cap :3
BOA LEITURA

Capítulo 3 - Reunião familiar


Ás cinco da manhã do dia seguinte o Ackerman já estava de pé. Nix havia deixado um singelo café da manhã na porta de seu quarto, e o moreno aproveitou o momento para perguntar-lhe onde ficava a academia da mansão. Depois da mulher finalmente parar de balbuciar sobre como os vigias noturnos fizeram uma bagunça no ultimo andar ela revelou a localização da academia para Levi.

   Então lá estava ele, treinando. Um mês cativo o deixara um pouco fora de forma, mas nada que não pudesse ser resolvido com um treino básico. E um treino básico para um Ackerman era: trezentas flexões de braço, cem abdominais, alguns saltos dignos de ginastas profissionais e levantamento de peso. O suor incessante escorria por seu corpo, as costas nuas brilhando. Vestindo apenas uma calça moletom preta, Levi assustava os demais subordinados de Eren que treinavam naquela manhã, a velocidade e precisão de seus movimentos era espantosa. Ele parecia não fazer esforço algum enquanto erguia cento e vinte quilos nos braços.

   Os outros presentes na academia fingiam não o observar, mas Levi contou pelo menos nove pares de olhos virados para si. Eles provavelmente estavam nervosos com a presença do moreno na mansão, e internamente deviam pensar que seu chefe era insano por manter alguém igual ao Ackerman como guarda-costas. Mas nada diziam, afinal não queriam a ira de Eren e nem de Levi voltadas contra eles.

   A academia era a maior sala do segundo andar, em tons brancos e com equipamentos diversos para que os subordinados da família Jaeger pudessem se exercitar. Ao lado dos banheiros comunitários havia um grande tatame, ótimo para a prática de luta ou no caso de Levi de saltos acrobáticos. O Ackerman estava completando quatrocentas flexões na barra mais alta quando Eren entrou no recinto. O castanho vestia uma calça jeans desbotada, juntamente com uma blusa social branca e paletó preto.

   - Vejo que está se adaptando. – Comentou Eren. Parando ao lado da barra em que Levi estava.

   - E eu vejo que quer alguma coisa de mim, já que está aqui. – Disse Levi. A face concentrada no exercício que fazia, erguendo e abaixando o corpo como se seus diversos músculos não pesassem nada.

   - Exato. Você tem uma hora para se trocar. – Colocou as mãos nos bolsos das calças. – Vamos dar um passeio, tenho que visitar um certo amigo.

   - E esse amigo tem algo haver com Nicolas?

   - Não diretamente.

   Levi largou a barra ao finalizar quatrocentas e trinta flexões. Cruzou os braços sob o peito e parou de frente para Eren, sentindo os olhares disfarçados dos outros as suas costas. Jaeger não pode deixar de notar o porte físico do Ackerman. O corpo completamente forte e tonificado, resultado de anos de treinamento exaustivos, a feição séria como se estivesse preparado para qualquer coisa. Quando o castanho percebeu que encarava demais o abdômen definido e os braços marcados por veias graças ao esforço recente, desviou o olhar e voltou a focar no motivo para estar ali.

   - Devo ir preparado? – Indagou o Ackerman.

   - Talvez seja necessário. – E virou as costas para sair dali.

   Em trinta minutos Levi já estava devidamente banhado e vestido. As pistolas que ganhara de Eren ficavam guardadas nos suportes de cada lado de suas costelas, sendo escondidas pelo paletó. E enquanto rumava para a saída da mansão, para encontrar o Jaeger, colocava o grampo de ouvido na orelha esquerda, para o caso de algo acontecer e ele precisar se comunicar com alguém. Assim que pôs os pés no hall de entrada encontrou o castanho esperando ao lado da porta, ele mexia no celular e levou alguns segundos para perceber a presença do Ackerman.

   - Eu acertei o seu tamanho? – Perguntou se referindo ao terno que dera para o moreno no dia anterior.

  - Está bom assim. – Falou o seguindo para o lado de fora.

   Um carro estilo esportivo de cor azul profundo estacionou a frente deles, Mikasa como sempre estava no banco do passageiro com seus óculos de sol característicos. Levi deduzira que eles não iriam a uma missão, mas sim em algum encontro mais informal. Os bancos eram beges e de couro, o Ackerman ainda precisava se acostumar a todo aquele luxo dos Jaeger. Partiram dali rapidamente e em mais ou menos trinta minutos estacionaram ao lado de um galpão das indústrias Braus, uma famosa empresa de alimentos enlatados. O estranho é que não havia funcionários no lugar e com certa surpresa o Ackerman notará que estavam a apenas quinze minutos da cidade vizinha, Rose.

   - Devo acompanhá-lo também, senhor? – Perguntou o motorista.

   - Não precisa. – Respondeu Eren. – Fique aqui e deixe o carro pronto. – Olhou tanto para Mikasa quanto para Levi. – Vamos.

   A garota ia à frente, com o castanho e o Ackerman logo atrás. Ela pareceria uma pessoa comum indo visitar o local, isso claro, se não carregasse uma pistola semi-automática no cós da calça. A sensação de que a conhecia não abandonava Levi desde o dia anterior. Talvez ela fosse uma Ackerman, deduzira. Era a possibilidade mais plausível, porém restava à dúvida: o que Mikasa fazia ali? Ela não parecia uma subordinada comum de Eren, pois nunca o chamava de senhor e o Jaeger parecia apreciar sua presença mais do que a dos outros que trabalhavam para si.

   Porém, o moreno não teve tempo para divagar mais. Após Mikasa anunciar suas presenças pelo interfone preso ao lado do portão de metal, o mesmo começou a deslizar dando passagem. O estacionamento estava quase vazio, apenas um caminhão da empresa permanecia ali e ele estava sendo abastecido por três pessoas que colocavam caixas de madeira na caçamba. Eren tomou a frente da caminhada dessa vez, passaram sem problemas pela entrada e deram de cara com um imenso espaço vazio, salvo por oito homens e mais algumas caixas de madeira.

   O que parecia ser o líder segurava uma prancheta e gritava para seus subordinados se apressarem. Era alto e tinha cabelos loiros, só quando ele virou-se na direção do Jaeger que Levi pode ver seu rosto. Os olhos eram verdes e pequenas sardas enfeitavam seu nariz, parecia estar na faixa dos vinte anos.

   - Eren. – O loiro sorriu se aproximando dos três. – Mikasa. Quanto tempo, porque vieram aqui? Estamos um pouco ocupados com a nova remessa. – Voltou os olhos para Levi como se o nota-se ali pela primeira vez, franziu o cenho desacreditado e em seguida arregalou o olhos. Como se depois de analisar bem, tivesse percebido quem era o moreno ao lado do Jaeger. – Levi Ackerman? O Levi Ackerman?

   - O próprio. – Disse Levi.

   - Uau, digo nossa! – Exclamou. – O que faz aqui? Soube que foi deserdado do clã, é verdade?

   - Chega Merlloh. – Eren cortou a fala do outro. – Não estamos aqui pra você entrevistar o Ackerman. Precisamos conversar.

   - Tá bom. Só preciso terminar de organizar tudo aqui e...

   - Não. Nós vamos conversar agora. – Falou Jaeger de forma autoritária. Merlloh ficou pálido em um piscar de olhos. – Soube de Nicolas?

   - Você quer dizer: o mais recente cara em que você deu um fim, Jaeger? – Disse o loiro, a simpatia inicial sumindo em um instante. Sendo substituída por uma singela raiva velada. – Soube sim, mas o que eu tenho haver com isso?

   Os sete homens que lidavam com as caixas ao perceberem o clima pesar deixaram o trabalho para depois e se postaram atrás de seu líder. Levi e Mikasa já estavam completamente atentos, e o Ackerman se perguntou a onde Eren queria chegar com aquela intimidação mal disfarçada para Merlloh.

   - Então você também deve saber que Nicolas, bem debaixo do seu nariz, estava fazendo negócios com a Tropa de Exploração. – O Jaeger continuou. – Estou certo?

   - Não, eu não sabia. – Respondeu visivelmente nervoso.

   - Pois se não sabia, então você não passa de um incompetente. – Concluiu Eren sem acreditar na palavra de Merlloh. – Porque a Tropa de Exploração tem uma base de operações dentro do seu território, bem do lado de Rose.

   - Está bem, olhe Eren, o que você queria que eu tivesse feito? – Indagou apressado. – O lugar é impenetrável e eu não tenho condições de entrar lá.

   - Ah, e todas essas armas encaixotadas servem pra quê? – Disse Eren apontando para as caixas no fundo do galpão. – Você recebe um bom estoque da família Braus para transportá-las dentro e fora do país, fora a minha permissão para comercializar em toda Sina. – Deu um passo na direção do loiro. – Mas mais importante que isso: você sabia e não me contou sobre a Tropa de Exploração. Devo encarar isso como uma traição, Merlloh?

   - Não, claro que não!

   - Se você trabalhasse para mim como subordinado direto, estaria morto agora mesmo.

   - Não me ameace Eren. – Falou de um jeito carregado, o suor brilhando na testa. – Você está em menor número, não vai querer me machucar. – Olhou atônico para Levi. – Seriam oito contra três e estamos equipados com armas pesadas, nem o Ackerman pode lidar com todos nós de uma vez. Além de que tem mais três lá fora.

   - Você acha? – Um sorriso sarcástico brincava nos lábios de Eren, voltou-se para o moreno ao seu lado. – Levi, se eu pedisse para matá-los você mataria?

   Merlloh esbugalhou os olhos, nervoso. Eren parecia muito relaxado esperando a resposta do Ackerman, enquanto Mikasa já levava a mão à pistola. Levi franziu as sobrancelhas, percebendo que o garoto o estava testando para ver se era capaz de cumprir ordens, e se sua lealdade era forte o suficiente para que depositasse confiança. O pirralho era petulante e parecia não medir os perigos em que se metia, pensara Levi. O castanho lhe encarava de forma intensa, o obrigando a tomar um posicionamento. O Ackerman não disse nada, mas ao sacar suas pistolas em uma velocidade impressionante e mirando-as na cabeça de Merlloh, Eren soube que ele estava do seu lado.

  - Ei! – Gritou Merlloh alarmado.

   Os sete homens atrás de si sacaram suas armas também, todas de fogo e apontavam tanto para Eren quanto para Levi. Mikasa segurava a própria pistola, preparada para atirar sem piedade no primeiro que ousasse disparar contra o Jaeger.

   - Levi, em quanto tempo você consegue matar todos eles? – Perguntou Eren despreocupado, sabia que o Ackerman daria conta do serviço. O plano de Armin para testá-lo dera frutos afinal.

   O moreno analisou a situação ao redor. Mikasa iria se ocupar em proteger o castanho, logo não precisaria se preocupar em cuidar dele. Poderia matar todos os oito, rapidinho.

   - Um minuto. – Respondeu o Ackerman.

    - Ei, você está brincando não está Eren? – Disse o loiro desesperado. – Você não faria isso comigo.

   - Quer apostar? – A face fria de Eren deixou Merlloh amedrontado. – Já conversamos sobre isso uma vez, se lembra? – Colocou as mãos nos bolsos da calça jeans. – Pra sobreviver nesse mundo temos que ser insensíveis. Eu só estou fazendo a minha parte.

   Mikasa espiou o Jaeger pelo canto dos olhos, tinha ciência de que quando Eren precisava seu coração poderia se transformar em pedra. Mas ainda assim, a garota sabia que o castanho não queria fazer isso. Porém, se fosse necessário, a morena tinha certeza de que ele não hesitaria.

   - Ele te mantém na rédea curta não é, Ackerman? – Falou o loiro virando-se para Levi que continuava com as armas apontadas para sua cabeça, o rosto sério frente o medo do outro. – Você é o que? O cão de guarda do Jaeger, agora?

   - Sim, ele é. – Disse Eren sentindo o olhar de Levi na sua nuca, contudo o moreno não parecia irritado consigo. – Pode espalhar por ai. Diga que quem vier contra mim terá que encarar o meu cão de guarda, como você o chamou. – Deu-lhe um olhar presunçoso. – Vamos ver quem vai se arriscar.

   - Eren... – Balbuciou o loiro, as mãos erguidas em rendição. Uma segurava a prancheta e outra a caneta. – Não precisa fazer isso.

   - Tem razão. – O Jaeger concordou calmamente. – Sendo assim, me dê o pagamento do mês agora e eu irei embora sem encostar um dedo em você.

   - Mas o dia de pagar é daqui duas semanas. – Falou Merlloh, seus homens suando frio atrás de si. – Não sei se já temos o dinheiro todo.

   Eren andou até estar com o rosto quase colado com o do outro, a face séria e os olhos jade vidrados quase fizeram Merlloh recuar um passo. As pistolas do Ackerman, ainda apontadas para a sua cabeça, serviam como um incentivo a mais para que quisesse sair correndo dali.

   - Não me faça repetir. – Sibilou o Jaeger.

   Merlloh engoliu em seco antes de pedir a um de seus subordinados que fosse buscar o dinheiro do castanho. Em cinco minutos o homem estava de volta, e Levi só baixou as armas quando a maleta recheada de notas estava nas mãos de Eren.

   - Muito bem. – Disse o Jaeger vendo todos recuarem e abaixarem as armas de fogo a sua volta. Mikasa parecia desconfiada, mas guardou sua pistola no coldre mesmo assim. – Escute Merlloh, os Braus vão saber que você tem escondido informações de nós. – O loiro engoliu em seco mais uma vez. – Deixarei que eles lidem com você.

   - Você é desprezível, Eren. – Falou Merlloh, a raiva escapando em sua voz. – Não sei como eu, um dia, pude gostar de você.

   - Ex-namorados, negócios a parte. – Retrucou não se importando com a ofensa do outro. – O que acha que aconteceria se a Tropa de Exploração conseguisse por uma faca no meu pescoço? Tudo porque um idiota, não contou que eles tinham uma base em Rose, e eu teria sido pego desprevenido.

   Merlloh não teve como contradizer as falas do Jaeger.

   - A partir de hoje nossos laços estão cortados. – O castanho anunciou. – Adeus Merlloh. Sugiro que não volte a comercializar seus produtos em Sina nunca mais, até porque agora você não tem mais a minha permissão.

   E com isso virou as costas para sair dali. Mikasa e Levi o seguiram em direção ao portão de metal que deslizou apressado, dando vista para o carro de luxo do Jaeger parado mais a frente. Eren entregou a maleta prateada para o motorista, que havia descido do veiculo, para guardá-la no porta malas. Com um suspiro de cansaço o castanho juntou-se ao Ackerman no banco de trás, e a garota ao lado do motorista, que arrancou dali de volta para a mansão.

   - Aquilo foi imprudente, pirralho. – Disse Levi para um Eren no banco ao lado. Mas tanto Mikasa quanto o motorista começaram a prestar atenção, como se o Ackerman estivesse dando bronca em uma criança mimada. – Me pergunto se pensa antes de agir. O que acha que teria acontecido se eles decidissem atirar nessa sua cara arrogante?

   Eren soltou uma risadinha.

   - Eu tinha tudo sob controle. – Declarou.

   - Talvez estivesse no controle se não ficasse preocupado em me testar. – Se incomodou com o descaso do mini Jaeger. – Já aceitei ser seu guarda-costas e iremos trabalhar juntos para dar cabo de duas certas pessoas. Você não precisa desconfiar de mim, moleque.

   - Palavras são apenas isso, Levi, palavras. – Voltou os olhos para a expressão do Ackerman, que embora fosse séria Eren conseguiu ler a raiva sob ela. Raiva do castanho, por ter se arriscado daquele jeito e duvidado do comprometimento do moreno. – São as ações que nos mostram em quem devemos confiar. Confiei na palavra de Merlloh e ele mentiu na minha cara sobre a Tropa de Exploração. – Exemplificou. – Eu precisei testá-lo para que pudesse confiar em você, Levi. E você foi aprovado.

   - Entendi, mas escute bem Eren. – Encarou o Jaeger nos olhos. O castanho sentiu um arrepio. A feição fechada do Ackerman, junto de seus orbes nublados lhe passou um sinal de alerta vermelho. – Não se atreva a fazer isso de novo.

   Eren sentiu vontade de lhe dar uma resposta bem mal-criada, porém seu celular tocando o interrompeu. Era Armin, por isso o Jaeger atendeu sem pensar duas vezes.

   - Alô. Já acabamos aqui Armin, o que foi? – Prestou atenção nas falas do outro. E o Ackerman acompanhou o semblante do castanho passar de surpresa á ira num clique. – Estou chegando. – Desligou o celular e gritou com força para o motorista: - Acelera!

   O homem obedeceu e em menos de quinze minutos Eren já descia tempestivamente do automóvel. Em volta da casa o Ackerman notou três carros tão luxuosos quanto o do castanho e acompanhado deles mais dois sedans pretos, guardados de perto por homens de terno. Eram seguranças, mas não de Eren. Mikasa e Levi iam ao encalço do mais novo, o acompanhando pela mansão até se encontrarem no corredor do segundo andar com Armin e Nix que pareciam tão agitados quanto o Jaeger.

   - O que foi? – Perguntou Mikasa.

   - Eles estão na sala de reuniões. – Disse Armin quase sem fôlego, ignorando a pergunta da amiga e falando diretamente com Eren. – Só soube que estavam aqui quando já tinham entrado.

   - Aqueles filhos da puta. – Murmurou o Jaeger, apoiando uma das mãos na cabeça como se de repente uma dor latente tivesse surgido em sua testa. – Mikasa, deixe todos prontos para o caso daqueles imbecis tentarem alguma coisa. – A garota fez que sim e se afastou para cumprir as ordens. – Armin, pegue minha maleta de dinheiro que está no carro, vá para o meu escritório, tranque a porta e me espere lá.

   - E eu, senhor Jaeger? – Questionou Nix.

   - Nada, suma da minha frente. – Suspirou pesadamente. – Eu lido com isso.

   O Ackerman não sabia o que estava acontecendo, mas percebeu que a tal visita surpresa na sala de reuniões do castanho o perturbou. Sendo assim, o seguiu até lá já que o mesmo não o dispensara. Eren abriu a porta da sala com certa violência e deu de cara com quatro figuras lhe esperando. Levi conhecia cada uma delas: Natalie, Nara, Joshamme e Mike. A família Jaeger estava reunida. E demorou apenas dois segundos para Eren identificar quem estava sentado em sua cadeira. Joshamme, seu tio, usurpava a “Cadeira do Poder” e sorriu presunçoso ao receber o olhar de puro ódio do castanho.

   Eren cruzou a sala como se escalasse uma montanha, a raiva fazendo seu sangue ferver nas veias. O Ackerman fechou a porta e o seguiu, parando ao seu lado quando o mesmo se postou a frente dos presentes na mesa de quinze lugares.

   - O que pensam que estão fazendo? – Quase gritara.

   - Ora, primo. – Disse Mike, o sorriso debochado dançando na boca. Tinha os mesmos olhos verdes de Eren, mas seu cabelo assim como de seu pai, Joshamme, era platinado. Usava correntes no pescoço e tinha tatuagens nos dedos das mãos. – Não podemos vir lhe fazer uma visita?

   O castanho o ignorou completamente e foi em direção a Joshamme, que permanecia sentado em sua cadeira ornamentada.

   - Sobrinho. – Falou ele, amando ver a raiva crescente do mais novo enquanto estava sentado na cadeira que simbolizava a liderança da família Jaeger. – Você demorou, achei que não fosse conseguir juntar-se a nós.

   Eren exibia o olhar mais sombrio que Levi já vira em alguém tão jovem. O castanho parecia pronto para matar o tio ali mesmo, como se Joshamme fosse a criatura mais repugnante que existia.

   - Saia daí. – Sibilou ferozmente, os olhos jade fervendo de ódio.

   - Eu acho que não. – Sorriu descaradamente. – Aqui é extremamente confortável. Sinto como se tivesse nascido para sentar aqui, entende?

   - Não seja mesquinho, Joshamme. – Disse Natalie, outra tia de Eren. Ela parecia se divertir com aquela comoção, enquanto enrolava os cachos ruivos nos dedos.

   Levi não estava gostando daquela situação. Os Jaeger pareciam um grupo de serpentes peçonhentas em volta do castanho.

   - Não ouviu da primeira vez? – Falou Eren, controlando-se para não arrancar o tio de sua cadeira pelo nariz. – Saia daí.

   Joshamme lhe lançou um sorriso malicioso, gostando de ver o quanto sua afronta deixava Eren irado. Isso era o suficiente para afirmar, mais uma vez, que não desistira da liderança da família. E que quando o jovem menos esperasse lá estaria ele para tomar seu lugar. Pensou em ficar mais alguns minutos testando a paciência de Eren, talvez fazer-lo sair dali a força, tudo para provar que o outro não passava de uma criança birrenta que não era capaz de cuidar dos negócios da família.

   No entanto, seu pequeno plano foi arruinado pelo Ackerman. Que com o sacar de uma pistola o surpreendeu. Levi passara a frente de Eren e agora apontava sua 9mm para o rosto de Joshamme, que ao olhar para o moreno e descobrir quem era começou a suar frio e o sorriso malicioso foi substituído por um amarelo sem graça.

   - O chefe da sua família acabou de lhe dar uma ordem. – Disse o Ackerman ameaçadoramente. – Saia daí.

   - Não precisam exagerar. – Falou Joshamme levantando-se lentamente da cadeira com as mãos para o alto. Sorrindo sem graça. – Estava apenas brincando. – Rumou para uma cadeira vaga ao lado do filho e sentou-se nela. – Você é muito jovem sobrinho, deveria saber se divertir às vezes.

   O desprezo no rosto de Eren era quase palpável.

   - Atiro nele? – Indagou o moreno, a arma ainda em punho. Joshamme ficou pálido.

   - Não será necessário. – Disse o castanho, a voz arrastada ainda preenchida de raiva. Sentou na “Cadeira do Poder” e encarou todos os presentes. Levi em pé ao seu lado direito, guardou a pistola. – Agora que todos estão devidamente acomodados nos lugares ao qual pertencem. – Lançou um olhar ameaçador para o tio. – Façam o favor de me explicar o que fazem na minha casa.

   - Eu cresci nessa casa garoto, ela não é apenas sua. – Resmungou Joshamme. – Parece que a história se repete, não? – Seu sorriso tornou-se uma careta. – Eu era mais velho que o seu pai quando ele tomou o poder. E agora mais uma vez o filho caçula usurpa o lugar do irmão mais velho.

   - Não venha com vitimismo pra cima de mim, Joshamme. – Respondeu o castanho. – Meu pai sempre foi mais competente que você. E eu provei ser mais competente do que qualquer um nessa sala. – Bateu a mão na mesa. – Nenhum de vocês mora aqui. Essa casa é minha e tomarei providencias para que não voltem a entrar aqui sem serem convidados.

   - Acalme-se, Eren. – Pediu Nara, filha de Natalie e atual membro mais jovem da família, tendo apenas dezessete anos. Levi a analisou e de todos ali percebeu que ela era a única que parecia desconfortável com a situação. Tinha os mesmos cabelos ruivos da mãe, contudo seus olhos eram lividamente azuis. – Não foi nosso tio que convocou essa reunião. – Apontou para a mãe, que bebericava uma taça de champanhe ao lado. – Mamãe tem algo importante para nos comunicar.

   - Espero que seja algo importante mesmo. – Disse Mike irritadiço. – Tive que dirigir quase duas horas para chegar aqui. Então, titia, é melhor que valha o meu precioso tempo.

   - Claro. – Natalie deu-lhe um sorriso mordaz. Voltou-se para Eren e depois encarou o Ackerman da cabeça aos pés. – Eren, creio que um simples empregado não deva ouvir nossa conversa. Então, Levi Ackerman, queria se retirar.

   O moreno não moveu um músculo.

   - Você não dá ordens aqui. – Disse o castanho. – Levi não vai a lugar algum. Se têm algo importante para falar ande logo e se apresse. Não quero ficar nem mais um segundo desnecessário na presença de vocês, tenho trabalho pra fazer.

   - Tudo bem. – Ingeriu o resto do champanhe. – Serei direta então: vou concorrer à presidência de Eldya.

    - Não pode está falando sério. – Falou Mike chocado, seu pai rindo na cadeira ao lado.

   - É claro que estou. – Evidenciou ela, os olhos negros ferozes como tigres. – A pirralha dos Reiss, Histoya, está concorrendo. – Soltou um riso de escárnio. – Acreditam nisso? – Revirou os olhos. – Além de que ouvi boatos de que um Ackerman vai se candidatar também. – Sua atenção foi para Levi. – Seu clã parece querer mostrar as garras, não é mesmo?

   - Então a sua ideia é competir com os Ackerman e os Reiss em uma corrida a presidência? – Eren teve vontade de rir assim que terminou a frase. – Acho desnecessário. Você já gerencia todos os hotéis da nossa rede, Natalie. Mike gerencia os cassinos e Joshamme o conglomerado Jaeger. Não acho que um cargo público com tanta visibilidade seja benéfico para nós, ou você esqueceu o que fazemos por baixo dos panos?

   - Claro que não esqueci Eren querido. – Sorriu para si e o castanho sentiu repulsa, pois conseguia ver o veneno borbulhando na boca da tia. – Não abrirei mão do controle dos hotéis, mas se os Jaeger não concorrerem a presidência como as outras famílias elas vão achar que somos fracos. – Olhou para Eren em advertência. – E você sabe o que acontece quando a fraqueza de pessoas como nós fica aparente, eles pulam em nossa jugular e trituram nossos ossos.

   - O atual presidente Braus não irá concorrer esse ano. Eu não me oponho a sua candidatura irmã. – Disse Joshamme, os olhos castanhos brilhando ao pensar no poder que os Jaeger acumulariam no caso da artimanha de Natalie ser bem sucedida. – Claro que a mídia ficaria em cima de nós, mas nada com o qual já não lidamos diariamente.

   - O preço que pagamos por sermos quem somos. – Riu Mike.

  - Certo, sendo assim, faça o que quiser Natalie. – Decretou Eren. Levi notara o quanto ele parecia exausto, como se estar na presença da própria família sugasse sua força vital.

   - Você terá que me apoiar, Eren. – Disse a ruiva e o castanho a olhou de forma desconfortável. – A família deve permanecer unida nesse momento. Preciso de dinheiro para financiar a minha campanha e já que você é o chefe da família essa responsabilidade é sua.

   Eren suspirou, louco para mandar todos irem a merda e não o incomodarem mais. Mas o que disse foi:

   - Que seja. Apenas sumam daqui e não voltem a menos que sejam convocados por mim.

    Com essa palavra final seus familiares saíram da sala. Quando a porta se fechou Eren desabou na cadeira, fechou os olhos e massageou as têmporas. O Ackerman continuava como uma estátua ao seu lado e percebeu que de certa forma o Jaeger e ele não eram tão diferentes quanto pensava. “O preço que pagamos por sermos quem somos”, dissera Mike de forma leviana sem saber o quanto estava certo. E pela primeira vez Levi notara que Eren era a pessoa que mais sofria por ser quem era. Não entendia exatamente porque isso o afetava, mas também tinha a impressão de que não demoraria tanto assim para descobrir.


Notas Finais


E é isso por hoje meus queridos. Pra quem quiser dar uma olhada na música do capítulo deixarei o link abaixo. Na minha opinião essa música combina MUITO com o Eren, ainda mais nesse capítulo. Então aproveitem e até o próximo ;)

https://www.youtube.com/watch?v=paTYR7czPds


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