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História O casamento - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá pessoal, como vocês estão? Espero que todos bem. Se você veio aqui por ser meu leito de Obsoleto e em Desuso (minha outra história), prometo que logo, logo ela será atualizada. Se não, da uma olhada nela se você gostou de ler sobre Harry e Draco de uma diferente perspectiva.
De qualquer modo, aproveitem a leitura e me diga o que acharam desse conto de um capítulo único.

Capítulo 1 - O casamento.


Harry Potter se considerava uma pessoa excepcionalmente feliz. Depois do final da grande guerra bruxa ele passou quase dois meses morando na antiga casa de Severo Snape. Sim, o antigo mestre das poções de Hogwarts e ex diretor sobreviveu graças ao santo Potter, Hermione Granger e Ronald Weasley, o eterno trio de ouro. No entanto, o ataque e o veneno de Nagini deixou sequelas em Snape e como o carrancudo não tinha nenhum parente próximo vivo, foi Harry Potter, que após salvar o mundo bruxo, cuidou de Severo. Muito contragosto, ele aceitou a presença do garoto na sua antiga casa e para Harry, esse era o mínimo que ele poderia fazer, ajudar o homem que salvou a sua vida tantas vezes dentro dos seus dezessete anos. E foi em uma manhã calorenta no meio do verão, enquanto Harry Potter preparava o café da manhã dele e de Snape, que sempre reclamava da sopa de ervilha que o garoto fazia, alegando que ou estava fina de mais ou grossa de mais, por vezes reclamava ter ervilhas de mais e o moreno rebatia que era uma sopa de ervilhas. Além disso, foi em meio a essa mesma discussão que alguém bateu na porta da casa de Severo. Aquela batida fez o moreno ter suas varinhas em mãos e todos os sentidos aguçados, qualquer pessoa que tinha acesso aquele endereço não precisaria bater na porta, teria autorização para entrar. Então, as possibilidade de alguém ter conseguido aquela informação e não ser de confiança era quase absurda. 

- Padrinho? 

As batidas continuaram. Padrinho? Isso não fazia o menor sentido. As batidas continuaram, mas a pessoa não falou mais nada e Harry caminhou silenciosamente até a porta de entrada, ainda com varinhas em mãos. Por fim, ele a abriu.

- Padri… Potter?

Azkaban era um lugar horroroso e destruía até mesmo cada uma das células da alma de alguém que um dia precisou pisar lá como prisioneiro. Com Draco Malfoy não tinha sido muito diferente. O ex sonserino ainda tinha os mesmos cabelos platinados, mas agora eram opacos, sujos e um pouco maiores do que quando ele ainda era apenas um estudante de Hogwarts. O platinado usava trapos no lugar de roupas, cinzas e sujas, como se ele tivesse fugido do local e caminhado até a antiga casa de Snape.  A pele estava manchada pelo sol, o corpo tão magro que assustaria uma criança que o visse, diria até está vendo uma assombração perambulando na frente da casa. Aquele era Draco Malfoy após dois meses condenado a Azkaban e agora estava finalmente solto e inocentado. 

- Potter, quem está aí? - Snape andava com auxílio da sua bengala desde o final da guerra e dessa vez nem ela o fez manter a compostura ao ver seu afilhado parado na porta de entrada da sua casa. - Draco.

Sonserinos eram conhecidos por manterem, sempre que possível, suas poses de superioridades intactas e perfeitas. Mas não hoje não. Hoje, os dois sonserinos desvestiram as suas conhecidas máscaras de indiferenças e pouco se importaram com a presença de Potter entre eles dois. Fora Draco a cortar os metros de distância entre ele e Snape e uni-los em um abraço apertado. Um abraço cheio de tantas coisas, cheio de saudade e até mesmo de lágrimas, que o mestre de poções negaria até o seu túmulo.

- Por Merlin, Draco. - disse Snape ao se soltar do abraço e olhar para o rosto cansado e marcado do afilhado. - Quando eu sugerir que você fugisse de Azkaban eu não falei sério. Eles irão te matar! Perdeu a pouca noção de juízo que seus pais tentaram colocar na sua cabeça? 

Draco riu de leve e olhou para trás ao perceber que Potter fechava a porta e a selava com algum tipo de feitiço, provavelmente algum de proteção e após isso se sentar em uma poltrona que ficava na sala da casa, bem ao lado de onde os outros dois sonserinos estavam.

- Eu não fugi. - respondeu o platinado voltando para a pose sólida que lhe ensinaram desde criança. - Alguém alegou a minha inocência, tanto a minha como a da minha mãe.  

- Como? - perguntou Snape confuso.

- Alegaram que nós dois fomos coagidos a trabalhar para o lord das trevas. - ele engoliu seco ao se lembrar daquele-que-não-deveria-mais-ser-nomeado. - Que nós poderíamos morrer caso não fizéssemos o que ele queria. Foi um testemunha anônima, eu não faço ideia de quem fez isso ou o porquê.

- Então, Cissa também está solta? - perguntou Severo caminhando até outra poltrona, uma de cor cinza escura que ficava a frente da marrom amarelada que Harry permanecia sentado. Decoração não era muito o forte de Snape. 

- Sim! - ele respondeu animado. - Ela está na casa da irmã dela, Andromeda. Ainda não liberaram a Mansão Malfoy para nossas posses, ainda estão averiguando ela.

- Como se não tivessem feito isso a meses. - comentou Snape pensativo. - Fique aqui até conseguir resolver todos os problemas. Onde está sua varinha?

- Confiscada… Não importa. - disse Malfoy ríspido. - Eu preciso resolver isso no ministério ainda, não sei quem é o responsável por isso, mas darei um jeito. Eu estou livre.

O platinado tentava conter a animação em ver o padrinho vivo e bem, mas era impossível. 

- Padrinho, onde eu posso ficar? - perguntou ele olhando ao redor e vendo uma lareira apagada, vários livros espalhados pela sala, jarros com plantas e um estoque bem grande de ingredientes de poções. Uma bagunça meio caótica para quem não entendesse a utilidade de todos aqueles itens. 

- No andar de cima, do lado esquerdo há um banheiro e do lado há um quarto vazio. - disse Severo tentando se levantar, ainda que com um pouco de dificuldade, assim Harry se levantou para ajudar seu antigo professor de poções a se manter em pé. - Obrigado, Potter. 

Harry apenas acenou, ainda silencioso. 

- O quarto está limpo? - Severo perguntou para o moreno, que afirmou, mais uma vez, apenas com um aceno de cabeça. - Certo. Draco, você pode subir e tomar um banho que eu vou providenciar uma muda de roupas e lençóis limpos.

- Obrigado, padrinho.

O platinado subiu as escadas e Harry guiou Snape até a cozinha da casa, que ficava nos fundos logo após uma porta entre ela e a sala. Quando Severo estava novamente sentado em um dos bancos da cozinha e ele e Harry estavam completamente sozinhos o sonserino acenou com um dos dedos para que Potter se aproximasse. Harry ficou em pé perto de Snape até que o mestre de poções puxou o garoto pelo colarinho da blusa com força, o fazendo tropeçar e quase cair em cima de Severo Snape.

- Você enlouqueceu de vez?

- O senhor?

- Não precisa me chamar de senhor… AI! Não precisa bater na minha cabeça… Me solta! - grunhiu Harry que estava sendo agarrado pelas pesadas mãos de Severo.

- Preste bem atenção no que eu vou lhe dizer Potter.

- Eu sempre presto… AI! Para de me bater!

- Pare de ser petulante. E de me interromper. - continuou Snape sem soltar a gola da camisa do mais novo. - A dois mêses atrás você e seus amiguinhos insistiam em querer me fazer companhias e vir me ver todos os dias não lhe bastou, você se mudou de vez para cá e não me venha com o argumento de que eu precisava de ajuda, eu sei me virar muito bem. Você atrapalha mais do que ajuda, principalmente com as suas sopas de ervilhas horríveis. - Harry revirou os olhos. - Um mês atrás você sumiu por um dia inteiro, um dia antes você escutou uma conversa minha com Andrômeda sobre como Draco e Narcisa Malfoy poderiam morrer em Azkaban! Me diga seu moleque petulante, que amiguinho seu do ministério você subornou para que soltarem eles dois. Am?

- Ninguém! Por Merlin e… me… sol...ta… - disse puxando a gola da sua blusa com força e rasgar algumas costuras da roupa. - Eu não subornei ninguém, o depoimento foi meu! Eu fiz isso porque eu sabia que tanto ele como a mãe dele poderiam ter me entregado a Voldemort. Malfoy, quando nos capturaram e levaram até a mansão dele e pediram para que o seu querido afilhado me reconhecesse e ele negou. Ele disse que não era eu. Ele mentiu? Sim! Pra que? Não faço ideia. Narcissa Malfoy mentiu para Voldemort na Floresta Proibida, ela disse que eu estava morto e perguntou pelo filho dela, eu disse que ele estava vivo em Hogwarts. Os dois mentiram para me salvar e novamente, eu não sei o pra que! - Harry estava vermelho de tanto gritar sussurrando para Snape e percebendo que ele havia estragado uma das suas poucas blusas boas. - Eu devia uma para eles. Falar a verdade era o mínimo que eu poderia fazer. E o senhor, me deve uma camisa nova. 

Harry saiu da cozinha abrindo a porta que dava para o quintal da casa de Snape. O local era repleto de uma horta imensa que tinha de venenos a temperos para comida e mesmo Severo alegando que fazer comida do jeito trouxa demorasse muito, ele sabia no seu íntimo que a comida caseira era muito mais gostosa. Por isso, Harry estava colocando luvas de tecido grossas e pegando uma pequena pá de jardinagem para colher algumas ervas, maduras, para poder começar a preparar o almoço e renovar o estoque de Severo, que reclamou da pouca quantidade de mandrágoras na sua despensa. No segundo andar, se esgueirando pela janela do seu novo quarto, Draco olhava para Harry do andar de cima. Ele não fazia ideia de que o moreno no quintal era o responsável pela sua liberdade e de sua mãe, que ele fez isso apenas para retribuir um favor e não para esfregar na cara do platinado. Esfregar como o herói do mundo bruxo também era, a partir desse dia, seu herói.

Esse era um dos motivos de Harry Potter se considerar uma pessoa excepcionalmente feliz. O moreno se levantou da sua cama, não mais a de solteiro apertada embaixo da escada na rua dos Alfeneiros, ou a que ele tinha no Largo Grimmauld, ou até mesmo a que ele dormia na casa de Snape durante os seis meses que morou lá. Não, o moreno dormia em uma enorme casa de dossel, com o colchão mais confortável de toda sua vida, tão confortável que o fazia nunca querer sair de lá, por nenhum motivo no mundo. Tateou a escrivaninha que ficava ao lado, para achar seus óculos, e então sentiu outra coisa na escrivaninha antes de finalmente encontrar seus óculos e os colocar no rosto . Um porta-retrato. Ele sorriu o olhando melhor a foto que se movia minimamente se lembrando desse dia e de como era um dia especial. 

Harry colocou a fotografia de volta ao lugar e caminhou até o banheiro para poder tomar um banho rápido e se arrumar para ir até o Ministério da Magia, teria um dia muito cheio. Aos seus trinta anos ele tinha muito orgulho em dizer que era chefe dos aurores e que a mais de uma década não tinham ameaças absurda a ordem do mundo bruxo com o mundo trouxa. Ao vestir sua roupa de auror e colocar sua capa preta, o moreno limpava a lente dos seus óculos com um leve movimento de varinhas. Com passos calmos e curtos, como de qualquer pessoa que acordava às seis da manhã de uma sexta feira quentinha de verão, o grifinório descia as escadas e caminhou em direção a cozinha da casa.

E lá estava um dos reais motivos de Harry ser excepcionalmente feliz.Draco Malfoy estava sentado em banco de madeira negra de frente para a mesa da cozinha., segurando a edição do Profeta Diário com a mão esquerda e com a outra ele fazia um movimento com os dedos no ar os girando para mexer a colher na sua xícara de chá sem ao menos tocá-la. O platinado tinha os cabelos compridos quase tocando o seu quadril soltos como cortinas deitadas em seus ombros e vestia suas vestes brancas de Medimago do St. Mungos. Desde que saiu da prisão, o platinado dedicou seus dias de estudo a medimagia.

- Bom dia. - disse Harry ao abraçar Draco por trás e depositar um beijo no pescoço do platinado, que sorriu com o ato do moreno. 

- Bom dia. - ele respondeu de volta colocando o jornal na mesa e virando para poder ficar de frente para Harry e depositando um leve beijo nos lábios de Harry. - Seus amigos vão adorar saber que estão na capa do Profeta Diário. 

O platinado apontou para o jornal que fazia a chamada para o que seria o evento mais aguardado do ano. A primeira página mostrava uma foto de Hermione Granger e Ronald Weasley se beijando e depois sorrindo olhando para a câmera e relatando que nesta sexta feira seria o casamento de dois membros do Trio de Ouro de Hogwarts que salvou o mundo bruxo treze anos atrás. Relatava de como seria uma festa apenas para amigos e familiares em lugar privado e afastado dos holofotes.

- Não sei quem deve estar mais nervoso, Hermione ou Ron. - disse sorrindo. - Bom dia para você também Scorpio.

Escórpio Potter Malfoy era um bebê adorável, de bochechas rosadas que amava ficar deitado no colo de seus pais e hoje não era uma exceção, ele estava sentado no colo de Draco e tomando leite na sua mamadeira verde de bichinhos. Scorpio apareceu na vida do casal a mais ou menos um ano, quando Harry trabalha em um caso de assassinato em que a única testemunha e sobrevivente era um bebê chorão de seis meses que só ficava quietinho no colo de Malfoy. Adotar uma criança estava nos planos deles, não daquela forma e muito menos naquele momento, mas nada nem ninguém iria mudar isso. Não mais. O pequenino parecia muito com Draco, fisicamente, parecia tanto que até espantava os outros dois às vezes. Os cabelinhos platinados e quase brancos, a pele pálida, mas a grande diferença eram os grandes olhos pidões do bebê, eles eram negros como duas onix. Aqueles olhinhos pidões que Harry não resistia nunca, e assim pegando seu filho e o beijando ao colocá-lo em seu colo. 

- Você vai querer que eu lhe acompanhe até o casamento? - perguntou o moreno segurando uma das mãozinhas gorduchas de Escórpio e as cheirando e Draco se levantava para poder pegar uma xícara e fazer café surgir dentro dela antes de entregá-la para Potter.

- Não precisa. Depois do trabalho eu vou passar em casa para poder ir direto para lá. Minha mãe vai levar o Escórpio, junto com a tia Andromeda. - respondeu o platinado voltando a ler o jornal e tomando um gole de chá e Harry conjurava a cadeirinha de bebê para colocar Escórpio sentada nela enquanto os outros dois tomavam seus cafés da manhã. - E por favor, não se atrase. Lembre-se, você não é a noiva você é o padrinho.

O moreno rolou os olhos levando a xícara até os lábios e sentindo o cheiro do café fresco.

- Eu não vou me atrasar. - respondeu se sentando no banco ao lado de Draco e beijando o ombro do platinado. - Na hora do almoço eu vou buscar as alianças…

- Ron é uma pessoa muito corajosa em deixar você responsável por isso.

- Ou eu fazia isso ou Hermione.

- Claramente nós dois sabemos qual é de fato a opção mais responsável, ainda mais pelo histórico de Hermione sempre salvando a pele de vocês dois durante os últimos vinte anos.- disse sem tirar os olhos do jornal e bebendo mais um pouco do chá. - A sua roupa vai ser deixada no seu escritório.

- Draco…

- Não me venha com Draco, você é o padrinho e merece uma roupa a altura. Não vou entrar novamente na discussão sobre você usar o seu antigo traje de gala.

- Lhe conhecendo, escolheu uma roupa mais chamativa que a da noiva. - comentou fazendo carinho nos cabelos sujos de leite do filho. 

- Eu poderia fazer isso tranquilamente…

- Draco…

- Não se preocupe. - disse se levantando e colocando a xícara vazia na pia e acenando a varinha para lavar o resto da louça suja e então o platinado prendeu seus longos fios de cabelo escorridos em um alto rabo de cavalo e voltou para poder se sentar no seu banco. No entanto, Harry foi mais rápido o puxando para que Malfoy se sentasse no colo do moreno, ato esse que retirou um sorriso de Draco. Era ali, dentro das paredes da Mansão Malfoy, que todas as máscaras de indiferenças e poses de superioridade do platinado não existiam. Harry agradecia muito por isso.

- E eu posso saber como eu vou encontrar o meu belíssimo namorado? - perguntou Harry. - Já que ele não me mostrou a roupa que vai usar, o que é até estranho porque geralmente ele é bem exibido nesse quesito.

Draco sorriu e beijou de leve os lábios do moreno.

- Eu não sou exibido. - respondeu vendo o outro revirar os olhos - A culpa não é minha se eu tenho bom gosto para roupas e se eu sou naturalmente lindo e não me olhe desse jeito.

- Desse jeito como? - perguntou rindo.

- Me julgando. De qualquer modo, eu vou estar lindo e impecável, como sempre e terei um bebê lindo e impecável comigo, obviamente.

O platinado apontou para Escórpio, que soltou uma risada infantil como se entendesse perfeitamente tudo o que acontecia ao redor dele. Os adultos olharam aquilo antes de começaram a se beijar de modo mais intenso e pararam porque o bebê na frente deles derrubou a mamadeira como um aviso indireto de que ainda estava ali. 

- Eu só vou trabalhar até às duas hoje. - comentou Draco se levantando, principalmente porque sabia se continuasse sentado no colo de Harry, ambos chegariam atrasados nos seus respectivos trabalhos. - Provavelmente eu devo mandar uma coruja com as suas roupas ou então eu mesmo levo. O que você prefere?

- Uma coruja ou o homem da minha vida? Escolha muito difícil. 

O moreno coçou a cabeça como se realmente estivesse ponderando a oferta e ao ver Draco cerrando os olhos e o encarando o moreno riu com a pose do namorado. 

- É claro que eu prefiro a sua visita. Mas você não pode fazer que nem da ultima vez…

- Só que ninguém viu. - alegou o platinado conjurando sua maleta e pegando novamente o jornal.

- Draco…

- Tudo bem Potter. - o tom de voz de Malfoy indicava o início da irritação e Harry o conhecia o suficiente para saber como tudo aquilo iria ficar. - Eu mando uma coruja, já que a minha presença não é adequada para estar na sala do chefe dos Aurores.

O platinado começou a andar em direção a sala para poder ir via flu para o trabalho. O moreno revirou os olhos e pegou Escórpio no colo antes de ir pelo mesmo caminho que o namorado acabara de fazer. Sabia como Draco podia ser dramático às vezes, ou na maior parte do tempo se fosse possível.

- Amor… Por favor…

O platinado se virou antes de entrar na lareira da Mansão Malfoy. 

- Sim? - sua voz era seca e neutra e isso fez o moreno se aproximar ainda mais e segurar seu filho com uma das mãos e com a outra colocar um dos fios de Draco, que caiam do seu rabo de cavalo. Ele sabia que Draco ainda estava chateado desde a última vez que ele foi visitar Harry no começo da semana, no trabalho, e encontrou sua secretária dando em cima do moreno e fazendo comentários maldosos sobre Malfoy. E Harry? Harry pouco se importava em como sua secretária tentava chamar sua atenção, pelo contrário. O único momento em que ele realmente se importou foi quando ela começou a falar asneiras sobre o seu namorado e Potter começou a ficar bem possesso. Depois disso Harry resolveu ignorar a secretária e levar Draco até o seu escritório e mesmo que o platinado estivesse chateado, ainda tentou passar um tempo com o namorado. No entanto, Harry estava estressado e sem cabeça naquele dia e acabou se irritando também com Draco, que não tinha nada a ver com isso. E era sabendo tudo isso que o moreno estendeu o braço para que Draco vinhesse mais para perto e o mesmo fez, ainda que um pouco contragosto. O medmago pegou o filho no colo, e o mesmo encostou a cabeça no ombro do pai e ficou brincando com os fios platinados que estavam meio soltos. 

- Não fique assim. - começou Harry. - Você sabe que não existe pessoa que eu queira mais nesse mundo que você.

- Acho que não.

- Por Merlin, como você é teimoso. 

- Eu só acho. - retrucou Draco e tentou tapar um dos ouvidos de Escórpio. - Eu só acho que você deveria chamar a sua secretária para te chupar no meio da tarde. Já que quando eu tentei você alegou estar sem saco para isso. 

- Meu amor, meu querido e digníssimo loiro azedo…

- Você realmente acha que é um bom momento para piadinhas, Potter? Olha, se era só isso, eu estou atrasado e não estou afim de perder mais do meu tempo com besteiras. 

- Eu te amo. E você sabe que a única pessoa que eu quero fazendo qualquer coisa comigo é você. Seu dramático.

- Eu não sou dramático eu apenas exponho fatos. Fatos esses os quais você prefere ignorar ou fingir que não viu, acho que você deveria passar em um daqueles médicos trouxas para poder trocar os seus óculos, Potter. 

- Certo Draco. Você vai levar o Escórpio para a sua mãe? - e o platinado apenas acenou que sim. - Certo, eu vou direto para o departamento e depois eu falo com você. Bom trabalho.

Draco não se deu o trabalho de uma despedida mais longa ou cheia de palavras, apenas seguiu o seu trajeto inicial e sumiu pelas chamas verdes da lareira deixando um Harry de cabeça cheia para trás .

- Vai ser um longo dia.

A manhã já estava sendo realmente bem longa no Departamento dos Aurores com alguns casos de pessoas sendo atacadas pelo uso inadequado de alguns itens mágicos que se perderam em meio a uma aparatação mal sucedida. Harry jurou para si que iria até o Departamento de Aparatação exigir testes de aparatação mais rígidos sem contar na possível reunião que ele teria que ter com o Departamento do Controle de Itens Mágicos, seria uma longa reunião e muito chata por sinal. Mas, depois de uma manhã mais estressante que o normal, Harry se animou ao escutar alguém batendo na sua porta. No entanto, a animação de Harry foi ralo abaixo quando ele viu que era apenas Dora, sua secretária, batendo na sua porta e entrando segurando um caixa branca de mais ou menos um metro em mãos. 

- Sr. Potter, bom dia. - começou Dora toda animada. 

- Bom dia, Dora. 

- Chegou esse embrulho para o senhor. - Dora entrou e depositou o embrulho branco na mesa do escritório do seu chefe. - Parece algo muito caro e bonito. Alguma admiradora secreta? 

Harry sorriu, apenas como uma forma de ser educado e observou melhor o embrulho antes de começar a abrir. Era uma linda caixa branca, não muito alta com uma fita grossa e negra a envolvendo o embrulho feito de um modo muito bonito e delicado ao mesmo tempo. O moreno desfez o laço e retirou a tampa da caixa e dentro do pacote tinha um envelope branco em cima de um leve papel semitransparente envolvendo algo. 

Para você usar mais tarde.

Não se atrase ou então eu vou dançar com outra pessoa.

 

D.L.M

Harry sorriu com com a mensagem e seu sorriso morreu, provavelmente Draco ainda estava chateado, pelo fato de ele não estar ali para entregar em suas mãos a roupa que usaria no casamento de Ron e Mione. Ao suspirar triste, o moreno apenas se sentou de volta na sua cadeira, dizendo que Dora poderia voltar para sua sala e a secretária saiu do escritório de Harry toda desanimada. Ele encarou o pacote por alguns segundos antes de abrir de fato o que estava por baixo do papel semitransparente e ao levantar o conteúdo de dentro da caixa e o olhar bem.

- Draco… Você não tem limites. 

Ele sabia que seu namorado não deixou ele escolher sua roupa exatamente por aquele motivo. Porque Draco Malfoy daria um jeito de escolher algo chamativo, bonito e definitivamente algo que Harry, até estava acostumado, mas que ainda se surpreendia. Era um traje completamente preto, uma calça de tecido leve e uma blusa com um tecido um pouco mais grosso. Por cima, uma bela capa com abotoaduras de prata na gola e botões da mesma cor do topo até a base e nas bordas e nas mangas haviam bordados delicados da mesma cor dos botões. No fundo da caixa ele viu que tinha uma gravata borboleta preta e abotoaduras pratas muito reluzentes, polidas e com leves ornamentos nelas. Talvez a roupa de Harry fosse mais elegante que a do próprio noivo, só que ele não iria mandar uma coruja para discutir isso, ainda mais sabendo que Draco jogaria uma azaração bem no meio da sua testa do moreno, pelo menos agora o platinado poderia chamar ele de testa-rachada com gosto. 

O casamento seria daqui a mais ou menos umas sete horas e Harry saiu do seu escritório com o pensamento de ir até a sala de Ron para falar com ele, mas se lembrou que o ruivo estava de folga e o próprio Potter havia lhe dado a folga. Então, não teria parada antes de ir até a joalheria no Beco Diagonal.

- Bom dia, Potter. - era Cátia Bell, trabalhava no ministério no Departamento de Controle do Uso Inadequado de Artefatos trouxas. Ela comprimentou o moreno ao sair do elevador que Harry iria entrar para poder sair do Ministério.

- Bom dia. 

- Tudo pronto para mais tarde? - ela falava do casamento, obviamente.

- Sim. Assim, pelo menos espero que sim.

- Que bom! Eu vou indo, várias coisas para resolver.

- Tudo bem. 

Cátia Bell era uma pessoa simpática e fora a batida no quadribol, ela era inofensiva.

- Olá Harry! 

- Luna, o que faz aqui? 

Luna Scamander vestia um vestido azul de bolinhas verdes e um casaco roxo cheio de estrelas douradas, seus típicos brincos de rabanetes e um olhar sonhador. A loirinha entrou no elevador junto com seu antigo amigo de escola.

- Rolf e eu catalogamos novas espécies de Zonzóbulos. - começou Luna no seu habitual ar de birutice alegando que tudo era uma completa verdade não vista pela maioria das pessoas. - Vinhemos entregar no Departamento de Criaturas Mágicas. As pessoas precisam ter cuidado com esses novos Zonzóbulos, eles podem deixar as pessoas muito inquietas, tão inquietas a ponto de deixar elas apagadas por até três dias.

- Melhor eu manter distância deles. - respondeu Harry não entendo muito bem sobre o que sua amiga falava. - Ah, Luna. Meus parabéns, Gina me contou sobre a gravidez.

- Obrigada, Harry. É muito gentil da sua parte. - ela sorriu passando a mão na barriga ainda lisa sem tirar os olhos de Harry. - Ainda é muito cedo para saber o sexo, mas espero que os Zonzóbulos não atrapalhem a minha gravidez. 

Ela disse a última frase em um sussurro, como se de fato estivesse se escondendo desses bichos esquisitos. Foi então que o elevador chegou ao térreo, indicando que seria o andar que Harry sairia para poder resolver os últimos detalhes antes do casamentos dos seus melhores amigos. 

- Até mais tarde, Luna. - o moreno disse sorrindo.

- Até. E cuidado, eles podem está em qualquer parte.- alertou a amiga ainda dentro do elevador antes dele se fechar por completo. 

O moreno riu ao perceber como Luna continuava doce e em um mundo só dela mesmo depois de anos e isso deixava seu coração alegre e nostálgico. O auror voltou a caminhar silenciosamente em direção a lareira para poder ir até o beco diagonal e mesmo depois de tanto tempo, as pessoas ainda paravam para olhar duas vezes para conferir a cicatriz em formato de raio que ficava na sua testa. Era como se ninguém acreditasse de fato que aquele era Harry Potter caminhando tranquilamente no meio do Ministério da Magia e que agora era consumido mais uma vez pelas verdes chamas da rede flu e chegando no Beco Diagonal. 

O local estava com o seu movimento habitual para a época, sem muitos estudantes ou pais procurando materiais para mais um ano em Hogwarts e ao tentar passar despercebido pelas pessoas ao seu redor, Harry chegou finalmente na pequena joalheria onde pegaria a sua encomenda. 

Pontos de Luz joalheria era um lugarzinho charmoso e bem atrativo ao olhos dos bruxos que parassem para adentrar o local e a dona, a Sra. Topázio Luvres era uma senhorinha de pelo menos uns cem anos que entendia de joias como ninguém. 

- Sr. Potter! A que devo a honra? - Topázio estava vestindo sua habitual farda de cor branca e um chapéu pontudo de mesma cor. 

- Eu vim buscar a minha encomenda e a do Sr. Weasley também. - pontuou Harry ao olhar ao redor e ver  a quantidade absurda de todo tipo de ouro e pedras preciosas, em sua grande maioria diamantes. 

- Claro, só um instante. 

A senhora baixinha entrou para uma porta que deveria dar para a parte de dentro da joalheria e o moreno só havia ido lá talvez duas ou três vezes. No entanto, dessa vez ele estava nervoso e suando frio.

- Aqui. Creio eu que depois dos ultimos ajustes elas ficaram como o Sr. Wesley pediu.- alegou Topázio abrindo uma pequena caixinha de veludo e mostrando para Harry o par de alianças douradas, sendo uma delas mais finas com um três diamantes no centro, sendo o do meio um pouco maior que os das extremidades. - Esse é um modelo muito bonito e ficará lindo na Srta. Granger.

- Sim, de fato ficará. 

- No caso, logo logo Sra.Weasley. - a senhorinha disse e Harry sorriu ao se lembrar que Hermione não iria perder seu sobrenome, apenas acrescentaria o de Ron, mas ele não estava afim de entrar em maiores detalhes com a joalheira. 

- Mas o seu pedido foi bem intrigante Sr. Potter. - comentou a velinha mostrando a segunda caixinha que estava fazendo Harry ficar tão nervoso. - Particularmente, é um dos trabalhos que eu mais me orgulho. A sua namorada deve ser alguém de muita sorte. 

- Na verdade, é namorado. - respondeu Harry esperando que isso não gerasse uma discussão muito longa.

- Melhor então. - respondeu a mais velha sorrindo. - Esse anel não ficaria tão bonito em uma mão feminina. De qualquer modo, espero que sejam muito felizes.

Por fim, ela abriu outra caixinha de veludo. Essa era negra e guardava no seu interior alianças completamente diferentes das outras que ele acabara de ver. Essas eram de um aço negro e com duas linhas entalhadas ao redor de vários diamantes negros que ornamentavam toda a extensão dos anéis. Os dois eram exatamente do mesmo jeito, menos pelo fato de que um era um pouco maior que o outro. O moreno sorria extasiado com o produto final da sua encomenda.

- São perfeitas.

- Que bom que gostou. 

Depois da senhorinha fazer ainda alguns elogios, entregar os pedidos para Harry e o mesmo pagar o moreno apenas mandou um memorando para o seu departamento que iria direto para casa. Ele queria encontrar Draco, queria acalmar os nervos do seu namorado e principalmente que ficasse tudo bem entre eles dois, já que o moreno não queria mais chateações entre os dois. Não quando Harry Potter estava prestes a pedir Draco Malfoy em casamento. 

O auror aparatou nos jardins da Mansão Malfoy e começou a andar apressadamente até chegar ao interior da sua casa. 

- Draco? Draco? - ele perguntava pelo platinado sabendo que ele iria estar em casa, ele só trabalharia até as duas e já eram duas e meia, sendo assim, tempo suficiente para o medimago sair do trabalho e ir de volta para casa. - Draco?

Ele bufou de raiva e já estava começando a subir as escadas quando chamou por outra pessoa. 

- Lucy!

- Chamou, meu senhor?

Lucy era a elfa doméstica da Mansão Malfoy e graças as leis implementadas por Hermione no ministério, não só Lucy, como todos os outros elfos domésticos eram livres e pagos por seus serviços. A pequena elfa de orelhas pontudas vestia uma saia amarela e um blusão azul.

- Lucy, onde está Draco.

- Senhor Draco, senhor? Ele não está mais aqui. - ela comentou tentando se lembrar de algo.-Ele, meu senhor, veio aqui, pegou algumas coisas e disse que não voltaria. O Sr. Draco me disse que só voltaria para casa, meu senhor, depois do casamento dos Sr. Ron e Sra. Ron.

Harry riu com a fala de Lucy.

- Ele disse para onde ia? - perguntou esperançoso.

- Não meu senhor.

- Tudo bem, Lucy. Eu vou para o meu quarto. Se ele chegar, me avise, sim?

- Certo, senhor. Mais alguma coisa? 

- Não, Lucy obrigado.

Um Harry Potter bem muchocho caminhou em direção ao seu quarto, retirou o sapatos e deitou na sua grande cama de dossel. O moreno sentiu seu corpo afundando entre as fofas almofadas e os macios lençóis de algodão. Ele retirou seus óculos do rosto para poder coçar os olhos e suspirar mais uma vez por pensar que seus planos nunca funcionavam como deveria ou como ele planejava. Ao colocar seus óculos de volta ao rosto Harry levou a mão até o bolso direito da sua calça e levou a caixinha preta na altura dos olhos e imaginou como aquela aliança ficaria na mão de Draco, de como estava com medo do número não ser o certo ou de que o platinado não gostasse. Pior, tinha medo de que ele não aceitasse e mesmo que dois estivessem juntos a doze anos, Malfoy era uma caixinha de surpresas. Malfoy. Ele riu em pensar que talvez o namorado não seria mais um Malfoy e sim um Potter.

Harry se virou e olhou para o porta retrato que ficava na escrivaninha do lado da cama do casal. A foto era do dia que os dois oficializaram a adoção de Escórpio, que dormia no colo de um Draco muito sorridente e um Harry ainda mais sorridente e feliz que ajeitava a cabecinha do loirinho no colo do namorado. Potter se lembrava da briga que teve com o sonserino naquele dia, no dia em que os jornais anunciaram que o herói do mundo bruxo iria adotar uma criança junto com um ex comensal da morte.

- Harry, pela última vez. Eu não vou discutir isso mais uma vez com você. - o platinado dizia enquanto penteava os seus longos cabelos de frente ao espelho do quarto.

- E eu me recuso a aceitar a sua proposta. Me dê um bom motivo. - Harry estava impaciente com essa briga que já durava pelo menos uma semana.

- Já disse. Eu escolhi o nome Escórpio e isso me basta. Ponto final.

- Você é um excelente mentirosos, mas não para mim. - o moreno disse conversando com o namorado pelo reflexo do espelho.

- Tudo bem. - disse se dando por vencido e ainda penteando os cabelos para poder prendê-los.- Sabe o que as pessoas dizem quando vêem você chegando em qualquer ambiente?

- O que isso…

- Lá vem o grande Harry Potter, herói do mundo bruxo, o menino que sobreviveu, não uma mas duas vezes a Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. O chefe dos aurores, o rosto que todas as crianças querem ver aparecer nos seus sapos de chocolate. - ele continuou e parou por alguns segundos para ver que nenhum fio do seu cabelo estava fora do lugar e se virar para ficar de frente para Harry, que estava sentado na cama deles, em uma das suas vestes trouxas que tanto gostava de usar. - Você precisa se trocar.

- Eu sei… - o moreno se levantou retirando as calças jeans e sua camisa branca de gola careca e procurando algo mais apropriado para ir até o Ministério da Magia assinar os papéis de adoção de Escórpio.

- E você sabe o que as pessoas dizem quando elas me vem? - era uma pergunta retórica. - Quando eles vêem os restos da marca negra nos meus braços e descobrem que eu sou um Malfoy? Eles me ameaçam de morte, eles dizem que tiveram parentes mortos por tipinhos como os meus. Que meu pai mereceu a morte que tinha e que eu deveria estar apodrecendo em Azkaban ou então que eu mato trouxas por diversão. E não importa quantas vidas eu já salvei no St. Mungos eles sempre acham que eu estou lá para matar alguém.

- E que eu saiba, você nunca se importou que falassem esse tipo de coisas com você…

- Mas eu me importo que falem isso com meu filho! - o platinado disse as palavras quase as cuspindo no rosto de Harry, que terminava de colocar sua capa preta por cima de uma blusa vermelha e grossa de botões. - Se eu posso evitar que meu filho passe por esse tipo de situação, eu vou evitar. Acredite, ele não vai gostar de ser chamado de filhote de comensal.

 

Aquele foi um dia que começou muito triste e terminou com os dois tão felizes que nem cabiam neles, estavam exaustos e com lindo bebê dormindo tranquilamente no berço no quarto do lado, Escórpio Potter Malfoy era um filho muito amado por ambos os pais. Sim, Potter Malfoy, porque mesmo com todos os argumentos possíveis e impossíveis da parte de Draco, foi assim que a pequenino foi registrado. Além disso, Draco sempre ficava todo feliz e orgulhoso em apresentar o seu filho para as pessoas. Todas aquelas memórias estavam deixando Harry feliz e com sono, ao mesmo tempo e foi com todas aquelas memórias na mente que Potter pegou no sono deitado perfeitamente confortável na sua cama. 

Já era escuro quando Pichí bicava loucamente no vidro da janela do quarto no alto da Mansão Malfoy acordando um Harry muito atordoado com o barulho. Bocejando e caminhando em direção a janela e vendo que tinha uma carta amarrada na pata da pequena coruja. 

Harry, onde está você? O casamento já vai…

 

Harry não leu nem o restante da carta apenas começou a entrar em pânico ao pensar que de fato estava atrasado para o casamento e ele estava com as alianças. O moreno conjurou suas roupas para trocá-las o mais rápido que o seu desespero deixava e pior, não daria tempo para um banho e aos tropeços ele foi calçando seus sapatos pretos que Lucy tinha os lustrado na manhã do casamento. Potter foi até o banheiro e passou perfume para poder amenizar o cheiro de quem acabara de acordar de um longo cochilo durante a tarde. Ele praguejava sobre ter prometido chegar cedo para ajeitar tudo com o Sr. Weasley e agora estava atrasado sem ter muito tempo para pensar muito bem na quantidade absurda de merdas que ele fez nas últimas vinte e quatro horas. 

Aparatando nos terreno da nova Toca, Harry fazia feitiços para poder ajeitar seus cabelos e melhorar o hálito e começou a correr em direção a tenda que estava montada nos jardins da propriedade.

-HARRY, AONDE VOCÊ SE METEU?

O auror parou de modo súbito a ponto de tropeçar nos próprios calcanhares e quase cair de cara na grama.

- Me desculpa, eu perdi… Nossa, Mione, você está linda. O que você está fazendo aqui?

Hermione Granger nunca esteve tão linda em toda a sua vida, seus cabelos, que agora estavam domados em cachos que caiam pelos ombros indo até metade das costas da castanha tinham uma coroa de pequenas flores ornamentando a cabeça da jovem bruxa. O vestido dela era belíssimo, não era branco por completo. Ele tinha lindas flores de cor rosa clara desenhadas na barra da peça assim como na ponta das longas mangas do vestido, as mesmas cores das flores que ornavam a cabeça de Hermione estavam desenhadas no vestido e ela segurava um lindo buquê de rosas brancas em mãos. Ao seu lado estava o Sr. Weasley, vestindo um belíssimo traje de cor verde musgo e seus cabelos ruivos, quase brancos por completos, muito bem alinhados.

- Como você quer que eu suba ao altar se você está com as alianças! - alegou a castanha muito irritada. - Por favor, me diz que você está com as alianças.

- Sim estão aqui. Me desculpa, eu acabei perdendo o horário e …

- Harry, não é o momento. - disse o Sr. Weasley. - Acho melhor você entrar na tenda.

- Sim! - insistiu Hermione. - Eu deveria me atrasar, não você.

- Novamente…

- Eu sei, você sente muito. - interrompeu Hermione. - Entre pelos fundos da tenda, fique do lado do Ron e entregue as alianças para ele, por favor!

- Certo

O moreno voltou a correr como antes, esperando que as pessoas não prestassem muita atenção quando ele aparecesse no altar ao lado de Ron, mas parecia que tinha um canhão de luz bem na cara de Harry quando ele praticamente brotou ao lado do ruivo.

- Por Merlin! Onde você estava? - cochichou Ron para Harry ao ver o seu padrinho com a respiração ofegante 

- Me des...cul..pa… Eu… perdi… a… noção… do tempo. - disse Harry ao tentar recuperar a normalidade da respiração e passando os dedos entre os fios rebeldes da sua cabeça.

- Tá, tá. Onde está?

- O que? 

- As alianças!

- Certo. - o moreno levou a mão aos bolsos e mostrou a caixinha vermelha de veludo. - Aqui.

- Graças aos céus. Faz tipo, meia hora que eu to aqui em pé plantado. 

- Posso te contar um segredo? 

- E eu lá tenho tempo para segredos!

- Tudo bem. Mas, ela está linda. 

Os dois se viraram para a entrada da tenda ao escutar a música tocar e todas as pessoas ficarem de pé para poder receber Hermione acompanhada pelo Sr. Weasley. O local estava cheio de cabeças ruivas, Weasleys é claro, algumas pessoas do Ministério, ex alunos de Hogwarts. No entanto, enquanto Ronald Weasley abria a boca em um enorme sorriso e ficava com os olhos marejados ao ver a esposa caminhando em direção ao altar Harry Potter só tinha olhos para uma coisa, para uma pessoa para ser mais exata.

Draco Malfoy tinha um leve sorriso nos lábios ao olhar Hermione Granger subir ao altar e foi somente quando a castanha estava frente a frente de Ron que os olhos cinzas do platinado se cruzaram com as duas esmeraldas de Potter. Malfoy trajava vestes de um cinza levemente escuras, que eram quase iguais as de Harry a diferença que em vez dos detalhes em prata das vestes do moreno, as de Draco contem detalhes em um verde musgo levemente brilhoso e um corte mais justo no corpo. A capa que ele vestia parecia ser de um tecido mais leve, que se movimentava com mais delicadeza enquanto ele se mexia para poder ajustar melhor Escópio no colo. Harry sorriu ao ver o seu filho no colo de Draco, o pequenino vestia uma bela roupinha cinza clara, lembrando um mini terno e uma blusa de botões branca que era quase da cor dos cabelos do loirinho. Ele estava adorável e suas bochechas estavam muito rosadas ao rir das borboletas encantadas que Draco conjurava para distraí-lo. Foi então que Harry reparou em mais um detalhe. Os cabelos de Draco estavam cortados, eles estavam curtos e penteados para trás como a anos ele não usava, ele parecia com o Malfoy de quanto eles eram adolescentes e eram apenas estudantes de Hogwarts que se preocupavam em não ser mortos por Voldemort ou coisa parecida. O moreno não conseguia prestar atenção no restante ao seu redor, ele não via a Sra. Weasley toda orgulhosa chorando, ou até mesmos os outros irmãos de Ron segurando as emoções, não via Gina toda feliz sorrindo ao ver sua amiga se casando com seu irmão ou então as crianças que estavam na cerimônia e receberam reclamações dos pais que lhe mandavam ficar quietos e prestar atenção no casamento. Momentos depois Harry se virou para ver o juiz de paz que celebrava o casamento dizendo que Ron e Hermione poderiam se beijar. Gritos e assovios poderiam ser escutado em toda a tenda e que o moreno teve a sua atenção atraída por pequenos fogos de artifícios que pipocaram atrás do altar. Ele estava feliz, feliz em ver seus amigos casados e sabiam o quanto eles se amavam e o quanto eles mereciam estar juntos. 

Todos saíram da tenda assim que acabou a celebração, já que do lado de fora, bem atrás da tenda havia as mesas, onde ficariam os convidados e onde seria a festa em comemoração. Harry escutava as pessoas as pessoas dando os parabéns para o novo casal, e ele não poderia fazer diferente.

- Então esses são os mais novos Sr. e Sra. Weasley? - perguntou o moreno ao abraçar os amigos, que riram e retribuíram o gesto. A castanha bateu o buquê no braço de Harry.

- AI!

- Qual o seu problema? Você não era a noiva, seu cabeça tonta.

- Nunca mais eu peço para você ficar responsável pelas alianças de ninguém. - disse Ronny rindo da cara sem graça de Harry

- Não acho que vocês irão precisar dos meus serviços para isso de novo. - contestou o moreno. - Por favor, não me demitam da função de padrinho.

Ele disse com as duas mãos juntas na altura da boca e uma cara de pidão aos amigos que sorriram com a atitude dele.

- Só porque não temos essa opção. - disse Ron. 

- Falando em padrinhos. - começou Hermione. - O Escórpio está uma graça! 

Hermione e Ron eram os padrinhos de Escórpio e por mais incrível que pudesse parecer, isso fora escolha de Draco.

- Sim. - respondeu Harry cheio de sorrisos, mesmo que não estivesse vendo nenhum dos seus loiros desde que acabara a cerimônia.

- Ele está uma bela cópia da doninha. - disse o ruivo rindo e fazendo os outros dois revirarem os olhos. - O que? É verdade. 

- Então você admite que Draco também é uma graça? - perguntou Harry.

- Quem disse que seu filho era uma graça, foi a minha esposa. - retrucou Ronald enchendo a boca para falar a palavra esposa. - Não só minha esposa, como nova Ministra da Magia!

- Isso é verdade? - perguntou o moreno e a amiga balançou a cabeça em afirmação e riu ao receber um abraço muito apertado do amigo.- Meus parabéns, Mione! Quando?

- Obrigada, eu assumo oficialmente segunda feira. Kingsley quer se aposentar do cargo e me nomeou ontem. Mas, a posse só na segunda mesmo.

- Ron vai ser sua dama de companhia.

- Sim.

- E com muito prazer. - o ruivo disse beijando a bochecha da esposa

Começaram a aparecer alguns parentes de Ron, Harry deduziu serem parentes dele por causa dos cabelos ruivos e por chamarem ele de querido em um tom muito meloso. Harry disse que depois voltaria a falar com os amigos e essa foi a oportunidade perfeita para poder procurar por Draco. Enquanto começava na missão de buscar pelo loiro, Potter buscou por duas taças de champanhe que um dos garçons estavam servindo e escutou algumas piadinhas de Jorge pelo seu imperceptível atraso, deixando o moreno com as bochechas levemente vermelhas. Até que ele parou por alguns segundos para poder ver as pessoas que ele estava procurando. Draco estava sentado em uma mesa ao fundo e ele sorria ao olhar para sua mãe, Narcisa, ao dançar com Escórpio em seus braços e o pequenino gargalhava com o gesto de sua avó. O moreno se lembra quando contaram para a Narcisa sobre a decisão de adotar o menino, ela não apoiou muito a ideia, na época, até que ela viu o pequeno Escópio. Nesse momento em diante ela só não era mais babona que Molly Weasley, que dizia com gosto que o loirinho era sim seu neto.

Ao platinado ver o seu namorado se aproximar ele rolou os olhos e fechou um pouco a expressão e ajeitou sua postura para o usual e polido Draco Malfoy.

- Olá, Narcisa. Como está? - ele perguntou educadamente e a loira parou de dançar para poder arrumar o neto no colo.

- Olá, Harry, bela entrada hoje. - Malfoys tinham um belo modo de destilar veneno quando queriam. - Estou muito bem, e você? 

- Ótimo! E você campeão? - disse ele fazendo cosquinhas em Escórpio, que sorriu ao ver o pai e colocou algo na boca. - O que é isso? 

- Eu dei para ele. Achava que ele fosse gostar, é filho de vocês afinal.

- Muito obrigado Narcisa.

O jovem Potter Malfoy estava segurando um pomo dourado de pelúcia, que estava todo babado e metade dele estava na boca com dentinhos de leite do menino. Ao observar melhor o moreno viu que tinha EPM bordados em uma letra delicada. Essa era uma das formas da mãe de Draco de dizer que se importava não só com o neto, como com Harry também.

- Eu vou buscar um pouco de água para Escópio. - disse Narcisa se afastando e dizendo que depois voltava. Harry sorriu agradecendo mentalmente por ela conhecer tão bem o filho a saber que ele estava chateado com algo. Era até meio sem sentido, sendo que ela poderia apenas conjurar água com a própria varinha. Ele preferiu ignorar esse fato ao se sentar do lado de Draco e entregar para o platinado um dos copos de champanhe, ele sabia que Draco não iria recusar, ele adorava champanhe. 

- Resolveu aparecer, Potter? - ótimo, ele não só estava chateado, como também estava puto.

- Antes tarde do que nunca. - Harry disse tentando sorrir e seu sorriso morreu ao ver o olhar julgador do namorado. - Me desculpa.

- Não é para mim que você deveria pedir desculpas. - começou o platinado e dando um gole na bebida, a voz dele era indiferente. - Foram os seus melhores amigos que esperaram quase uma hora pelo padrinho idiota deles. Você só precisava chegar cedo. Só isso.

- Eu lhe conheço, Draco. - o moreno retrucou levando a ponta dos dedos para fazer um leve carinho nas bochechas do namorado. - Sabia que você está muito bonito.

- Potter, eu sou lindo. Não tem nenhuma novidade nisso. 

- Lindo e convencido. - ele disse e o platinado levantou uma das sobrancelhas. - Você cortou os cabelos. 

- E vamos para o óbvio.

- Você não disse que iria cortar os cabelos.

- Que eu saiba, eu não preciso dar satisfação de tudo o que eu faço da minha vida para você, Potter. - o platinado retrucou dando um ultimo gole na bebida espumosa. - Assim como você não precisa dar satisfações da sua para mim. 

- Draco…

- Potter, pare com esse negócio de Draco… Eu realmente não me importo mais com o que as pessoas falam ou acham de nada mais que me envolve. Você tem sua vida, eu tenho a minha. Ponto. O santo Potter pode fazer e falar a besteira que quiser que não tem problema, porque ele salva sempre a todos e blá blá blá.

Harry retirou os óculos do rosto e os colocou em cima da mesa por alguns segundo depois de escutar as acusações de Draco, da forma ríspida como ele falava e despejava várias coisas nas entrelinhas. O moreno coçou os olhos e prestou atenção que uma música leve tocava e com uma ideia de girico na cabeça, ele virou o copo com o resto do champanhe e se levantou.

- Você quer dançar? - perguntou Harry olhando para Draco. 

- Você não dança. -o platinado pontuou desviando o olhar para o centro da festa onde vários casais dançavam, entre eles os noivos.

- Eu perguntei se você quer dançar. - insistiu o moreno, mais uma vez. estendendo a mão. - Vamos, eu sei que você adora isso.

- E você é um péssimo dançarino.

- E você, um excelente professor. Você me pediu mais cedo para dançar com você hoje, ou então dançaria com outro. Não foi, Draco?

- Você não desiste? - perguntou o platinado encarando Harry, que tinha uma cara de pidão e os olhos brilhantes por trás do óculos redondos. 

- De você? Nunca. 

Malfoy rolou os olhos e por algum motivo ele aceitou dançar com Harry, que todo sorridente se deixou conduzir por Draco até a ponta mais próxima do espaço em que eles estavam. O motivo de Draco conduzir a dança era bem óbvio. Harry de fato não sabia dançar e já estava pisando nos pés do namorado e demorou um pouco para Malfoy manter o ritmo ao dançar com Harry.

- Até agora, você só pisou no meu pé cinco vezes. - pontuou com a cabeça erguida enquanto o moreno olhava para baixo levemente desapontado. - Alguns chamariam isso de um completo desastre.Mas, eu já chamaria isso de progresso. 

- Engraçadinho.

- Estou apenas expondo fatos.  

- Está tudo muito bonito. - disse Harry querendo mudar de assunto ao girar um pouco para o lado.

- Sim, de fato. Hermione estava até que bem bonita. O local também não é dos piores. Me admira um pouco. 

- Admira que as pessoas possam ter bom gosto? 

- Talvez. - Draco disse com um leve sorriso nos lábios. Um sorriso sarcástico, claramente.

- Você está pensando que você tem um gosto muito melhor. Não é?

- Sem dúvidas, mas você me chamaria de egocêntrico. - pontuou o platinado girando Harry para a esquerda. 

- E o que você acha da ideia? - perguntou Potter um pouco nervoso.

- De você me chamar de egocêntrico?  Não acha que já deu muitas bolas foras, Potter? 

- Não, Draco. De um casamento.

- Perdão? Não estou entendendo. 

- Estou perguntando o que você acha da ideia de se casar. - disse o moreno engolindo seco e sentindo o corpo suar.

- Eu acho ela bem ridícula. - respondeu Draco rindo. - E com quem eu iria me casar? Com os pavões da Mansão Malfoy?

- Acho que comigo seria uma opção muito melhor. Não? - retrucou Harry com a voz de quem estava começando a se irritar.

- Harry, estamos juntos a o que? Doze anos. Moramos juntos a uns dez, talvez. Temos um filho juntos. Por que diabos eu iria querer um casamento? - ele perguntou ironicamente até ver os olhos de Harry. Mágoa. - O que? Você realmente achava que fosse uma boa ideia?

- Achava.

- Por que, exatamente? 

- Porque assim você não seria, só meu namorado. - retrucou o auror sentindo a raiva transparecendo a sua voz e seu sangue a esquentar.

- Só seu namorado. - Draco riu. - É claro. Porque Draco Malfoy não pode está a altura de Harry Potter. 

- Você tem razão. - disse Harry por fim se soltando dos braços de Malfoy. - Talvez seja uma ideia muito idiota. 

A música parou e o moreno se afastou, encontrou outro garçom e pegou um copo de uísque de fogo e tomou em um único gole fazendo uma careta pro sabor forte que preencheu a sua garganta. Fechou os olhos e logo se abriu em uma velocidade de segundos e viu Narcisa caminhando em sua direção. 

- Narcisa! - ele quase gritou assustando a mais velha e pelo menos dois convidados que estavam próximos. - Pode deixar que eu fico com o Escorp agora.

A loira olhou um pouco confusa e olhou para o fundo da festa, Draco não estava mais sentado na mesa e ela muito menos o via por perto.

- Tudo bem. Eu vou procurar pela Andrômeda, ela estava querendo comer alguns dos aperitivos e já foram servidos. - ela respondeu colocando o neto nos braços de Harry.

O moreno abraçou o filho e beijou o topo da cabeça loirinha do bebê. Pelo menos esse loiro não deveria estar irritado com ele. Depois disso, Harry bateu algumas fotos com os noivos, com os Weasleys e até mesmo Molly Weasley pediu para bater uma foto com ele, Arthur e Escórpio, que já estava sonolento e um pouco manhoso. O auror jantou, com ajuda de Luna, que segurava o filho de Harry nos braços e quase meia hora depois o marido da loira, Rolf apareceu. Aparentemente tinha uma habilidade natural com crianças e pós Escórpio para dormir em minutos, fato este que deixou Potter bem aliviado e agradecido e depois um pouco confuso com as conversas entre o casal Scamander. Eles começaram a falar de novas espécies de plantas curativas que teriam um processo mais rápido e mais eficiente que as mandrágoras em casos de petrificação. 

E tomado por um estalo súbito em sua mente, Harry arregalou os olhos e segurou a mão da Luna que olhou para o amigo com os seus olhos gentis e sonhadores.

- Luna, desculpa interromper. Mas, por um acaso você viu o Snape? - perguntou o moreno com uma expressão muito curiosa. 

- Eu não acho que o vi. - respondeu Luna educadamente.

- Quem, meu amor? - perguntou Rolf sorrindo para a esposa.

- Nosso antigo professor de Hogwarts, Snape.

- Como ele é? - questionou novamente Scamander e isso fez Harry querer rir ao imaginar qual resposta sua amiga daria.

- Ele tem os cabelos negros, meio grisalhos hoje em dia. - começou Luna olhando para o nado ao tentar se lembrar de Snape. - Ele geralmente se veste sempre de preto e tem um olhar muito curioso, um olhar de quem já viu a morte mais de uma vez, eu acho. Ele é meio educado, pelos horrores que ele já passou é até que sim, meio educado. 

- Ele tem um nariz grande. - disse Harry ao ver o rosto confuso do marido de Luna. - Parece um morcegão. 

- Ah, sim! - Rolf respondeu animado finalmente entendendo de quem se tratava. - Eu acho que o vi dentro d´A toca junto com o Sr. Weasley e a Hermione, eu acho. 

- Eu vou procurar por ele. - informou Harry ao pegar Escórpio do colo de Rolf e torcendo para que o filho não acordasse devido ao leve resmundo que o mesmo deu ao sair do colo quentinho de Scamander. - Até me admira que ele tenha aparecido. Snape não é o tipo de pessoa que iria vir para um casamento e muito menos o casamento de ex alunos dele.

- Talvez no fundo, ele gostasse da gente. -respondeu Luna de maneira educada olhando para o nada.

Harry sorriu sabendo que Luna sempre iria ver o melhor de qualquer pessoa. E ao se despedir do casal, Escórpio deu mais um resmungo de desaprovação, o que deixou o moreno levemente desesperado e começando a caminhar em direção a casa dos Weasleys. O novo local era muito mais espaçoso que o antigo, sem tantas paredes tortas ou escadas niveladas e o antigo relógio, em que mostrava cada um dos filhos de Molly e onde eles estavam, onde era a foto de Fred, agora era uma foto em preto e branco de um dos gemêos.

- Você realmente está fazendo jus a um convidado de Hermione Granger. 

- E você de Ronald Weasley, atrasado e desajeitado. 

Severo Snape continuava vestindo suas usuais vestes negras, típicas de um morcegão das masmorras de sua antiga casa, Sonserina. Além disso, o mesmo estava sentado, em uma das cadeiras da mesa de jantar da cozinha com um livro, de capa verde, em mãos e um copo de uísque de fogo na mesa a sua frente. Sem ao menos perguntar se poderia ou não se sentar junto ao seu ex professor, Harry, um pouco desengonçado para não acordar o filho,  e tentou puxar uma das cadeiras. No entanto, Snape, com um aceno de mãos, auxiliou o mais novo a se sentar em meio a um olhar disfarçadamente preocupado.

- Obrigado. - disse Harry se sentando e jogando a cabeça um pouco para trás e fechar os olhos por alguns segundos e depois os abrindo para poder encarar Snape, que voltara a ler o seu livro. - Por que você está sentado aqui dentro?

- Eu acho que você pode responder essa pergunta sozinha. Já que você está fazendo o mesmo. Mas, parece que a sua cabeça oca continua não raciocinando como deveria para perceber o óbvio.

Disse o antigo professor sem tirar seus olhos das páginas amarelas do livro.

- Continua um doce como sempre. Não entendo como ele gosta tanto de você. - disse Harry apontando para o filho dormindo no seu colo. O pequeno realmente adorava Snape e, mesmo não dizendo, também gostava muito de Escórpio, menos quando ele puxava o seu nariz.

- Eu vim pra cá porque não lhe vi a noite toda. - comentou Potter.

- Talvez só estivesse muito atrasado para isso ou então preocupado com  as suas banalidades diárias. - pontuou fechando o livro, porque pelo que ele conhecia Harry, sabia que não calaria a boca logo. - Eu fui para a cerimônia, trouxe meu presente, falei com o noivos e agora estou aqui porque estava dando os parabéns a Stra. Granger pelo seu futuro trabalho como Ministra da Magia. 

- Você sabe que agora ela é casada, não sabe. 

- Ela pouco se importou quando eu a tratei assim, de qualquer modo.

- Severo Snape se preocupando com seus alunos é algo bem fascinante. - o moreno falou achando graça daquilo tudo. - Quem diria que os anos poderiam amaciar uma carne dura como a sua.

- Não me faça azarar a sua cara amarela seu insolente. - respondeu Snape e pegando o copo da bebida para poder dar um gole do líquido. - Se ainda me lembro das últimas atualizações que eu tenho sobre a sua vida particular. Onde está o meu sobrinho? 

Harry revirou os olhos e coçou um dos olhos com a ponta do seu dedo indicador antes de suspirar profundamente.

- Ele deve estar com a mãe dele, pelo menos foi onde eu o vi da ultima vez.

- Ainda contando mentiras, Potter?

- E por que se importa?

- Não me importo. Apenas fiquei curioso, já que, se dependesse de você, sempre estaria grudado ao meu afilhado. Hoje, em particular, parece até que estão se evitando.

Harry suspirou mais uma vez. Snape não era mais o seu professor que em Hogwarts lhe menosprezava a ponto de quase azara-o a cada aula que precisava dar para a Grifinória na época em que Harry estudava junto com Ron e Hermione. Depois da Guerra, depois de quase morrerem e de morarem juntos por pouco mais de um ano, as coisas mudaram bastante. Algumas farpas eram trocadas, claramente. No entanto, de algum modo, eles confiavam em si e até poderia dizer que nutriam um carinho esquisito entre si. Obviamente, negado até o túmulo pelos dois, algumas coisas nunca mudam. 

- Draco está chateado. - começou Harry em um tom tristonho. 

- Isso eu percebi desde o dia que ele me visitou, dois dias atrás.

- Ele comentou algo com você? 

- Nada muito específico, apenas como ele estava planejando arrancar sua cabeça fora qualquer dia. - respondeu Snape vendo Harry morder o lábio inferior. - Pela sua cara e pelas atitudes dele, fico imaginando o que você fez. 

- Draco foi até o meu trabalho para fazer uma surpresa, eu acho. Nesse dia eu estava estressado, resolvendo vários casos em aberto e tudo o que eu queria era resolver o mais rápido possível e naquele dia eu tinha três coisas que estavam atrapalhando isso.

- Draco…

- No caso, quatro com o Draco. - continuou Harry ao se lembrar do começo da semana.- A papelada atrasada por ter três aurores a menos nessa semana, tinha a minha secretária, que estava enchendo o meu saco constantemente sobre o fato de Draco estar na primeira página do Profeta Diário. Aí, você se pergunta o que isso tem a ver? Nada, ela começou a falar que eu era bonito demais para Draco, pelo amor de Merlin! Se tem alguém aqui que é o feio ou o esquisito esse sou eu.

- Draco…

- Sim! Draco. Ele apareceu no meu escritório e viu a minha secretária falando asneira e ele ainda… Ele ainda queria conversar em particular comigo para poder entender o que estava acontecendo. Sendo que eu não tinha tempo para isso, eu queria resolver tudo para que no final de semana eu estivesse livre. Sabe porque? Porque eu sabia que esse era o final de semana de folga dele e fazia mais de uma mês que a minha folga não se encaixava com a dele.

- Draco…

- Sim eu sei. Ele está puto comigo porque eu deveria ter dado um pouco mais de atenção para ele e agora eu vou ter que passar os próximos dois dias com ele puto e eu também. Porque eu já perdi o resto de paciência que eu tinha.

- Draco…

- O que tem? 

- Ele está querendo dizer que eu estou aqui. - disse o platinado fazendo Harry bufar e se virar para ver que o namorado escorado no balcão da cozinha logo atrás de Potter. O moreno estava se praguejando mentalmente não só a si mas a Severo, que tinha um leve sorriso sádico no rosto de quem estava adorando a sinuca de bico em que Potter estava metido. 

-Acho melhor voltarmos para casa. - Draco, continuou. - Está ficando tarde para o Escórpio está fora da cama. 

A voz dele estava igual a mais cedo. Ríspida e indiferente.

- Tudo bem, eu vou me despedir de Hermione e Ron. - disse Harry se levantando e vendo que Draco estendeu os braços para poder pegar o filho no colo. - Não, é mais fácil convencer sobre ir para casa por causa do seu filho quando está com ele no colo já dormindo. Pode deixar. 

O moreno saiu da casa dos Weasley rumando de volta para a festa, já era quase meia noite ou um pouco mais do que isso, realmente bem tarde para um bebê como Escórpio. A festa já tinha mais pessoas bêbadas do que sóbrias, algumas cantando as letras das músicas alto outras bem erradas. Com essa cena o moreno fez um feitiço silenciador em volta do filho antes de encontrar Hermione e Ron abraçados dançando em um canto afastados do restante dos convidados. 

- Estão aproveitando a vida de casados?

- Oi Harry. - disse Hermione. - Ele é tão fofo dormindo, nem parece que dá tanto trabalho assim. 

- Acredite, é só dormindo mesmo. 

- Você está dormindo? 

- Não, Ron e acho que você já está ficando bem bêbado.

- Só um pouco. - disse o ruivo sorrindo para o amigo.

- Eu já vou para casa porque precisamos colocar o Escórpio na cama. 

- Mas já? 

- Já, Ron.

- Harry, você sabe que pode colocar o Scorp para dormir na Toca. - comentou Hermione. - Inclusive, podem dormir aqui.

- Eu sei, Mione. Mas, é melhor a gente ir para casa, temos algumas coisas para resolver amanhã cedo e não trouxemos as coisas de Escórpio.

- Tudo bem. - ela tentou abraçar o amigo, sem chegar muito perto do afilhado. - Obrigada, por tudo. 

- Até pelo atraso? 

Os três riram e disseram que o moreno estava em dívida, com os dois. Harry desejou uma boa lua de mel e voltou para a Toca, ele sabia que voltariam via flu, era mais prático para o filho deles.Snape, não estava mais no local e o moreno bocejou cansado ao saber que a noite seria longa e talvez em claro. Ao olhar para Draco,que já estava de frente para a lareira com um olhar perdido para o nada, talvez pensando em tantas coisas, talvez em nada. Harry nunca saberia. Ou talvez só soubesse mais tarde.

- Você já falou com a sua mãe? - questionou o moreno ao já está de frente para Draco, o mesmo balançou a cabeça como se regressasse para aquela realidade, cansada e tão familiar mas ao mesmo tempo tão surpreendente tantas vezes. 

- Já sim. Ela disse que iria ficar mais um pouco com a tia Andromeda. - respondeu Malfoy sem muita animação e se ajeitando até a lareira para que pudessem voltar para casa.

Casa. Esse nome demorou a voltar à normalidade na Mansão Malfoy. Draco demorou para voltar a se sentir confortável dentro daquelas antigas paredes onde ele cresceu. Lord Voldemort era o culpado de tudo isso, do período em que o antigo lord das trevas usou sua casa de covil para os seu ciclo de comensais, foi naquele chão de madeira que sua tia Bellatriz torturou Hermione Granger. Naquele mesmo dia ele mentiu ao dizer que não reconhecia o rosto desfigurado de Harry e na época, ele mal entendia o porquê de ter feito isso. Hoje ele entendi, era o certo. Ele queria pensar que era amor, mas não era isso, não em meio aquela guerra imunda, era o pensamento de que estava fazendo o certo em meio a tantas coisas erradas que havia feito. 

- Eu vou colocar o Scorp na cama. - mais uma vez era a voz de Harry o retirando de pensamentos absortos. 

- Tudo bem. - Draco respondeu andando em direção as escadas da casa. - Eu vou tomar um banho para dormir.

O moreno o acompanhou pelas escadas e fez o caminho para o quarto do pequenino, que com todo cuidado para não acordá-lo, Harry retirou a veste de gala do seu filho e colocando um pijama de patinhos amarelos, um presente de Arthur Weasley. O moreno sorriu ao ver o pequenino levando uma das mãos até a boca e a outra até a cabeça. Sem dúvidas, Escópio foi o melhor caso que ele já resolveu na sua vida, pensou o moreno em meio a um sorriso. 

Harry Potter podia não ser o melhor pai do mundo ou entender muitas coisas de como criar um filho, mas ele tentava todos os dias ser o melhor para o seu filho. Não só para ele. No entanto, a outra pessoa a qual Harry faria de tudo para ver bem talvez não o quisesse ver nem se estivesse com seu peso em galeões. 

Ao regressar ao quarto, que durante os últimos anos eles dividiam, o moreno conseguia escutar o barulho da água que descia pelo chuveiro no banheiro que ficava no cômodo do casal. Ele estava exausto, fisicamente e mentalmente falando. Aquela semana sugou até a última gota de forças que ele poderia ter em seu corpo. 

Por alguns segundos ele pensou mais uma vez que de fato, era uma ideia idiota querer se casar com Draco um altura daquela do campeonato, tempo demais já se passara para querer tomar aquela atitude que rumava a um sonho juvenil inconcreto. Com um leve movimento de varinha, Harry conjurou a caixa das alianças e se surpreendeu quando um pedaço de madeira do assoalho se soltou e rumou para a suas mãos calejadas de auror, não uma mas sim, duas caixinhas pequenas de veludo. Antes mesmo de pensar em abrir qualquer uma delas, o moreno foi até a porta do banheiro a abrindo de uma vez.

- Você perdeu o seu juízo, Harry? - perguntou Draco assustado ao ver o namorado entrando de supetão no banheiro e o fazendo derramar shampoo nos olhos. - O que você quer?

- Foi por isso que você está desse jeito? - o moreno perguntou levantando a caixinha de veludo que saiu do assoalho na altura dos olhos de Draco, que retirou a espuma dos olhos e encarou o objeto engolindo um pouco de saliva sem fazer muito caso.

- Talvez…

- Draco, o que é isso?

- Um ovo de dragão. - disse ao continuar passando o produto nos cabelos, agora bem mais curtos para a quantidade de produto que fora colocado. - Você é tão tapado assim que não reconhece alianças quando ver umas? Foi por isso que não chegou no horário.

- Tenha paciência, pelo amor de deus!

- Potter, não tem o para que discutir isso. 

O platinado desligou o chuveiro e puxou o roupão branco para que pudesse se enrolar no mesmo e passando os dedos entres os fios de cabelos encarou o namorado sem saco para muita coisa.

- Por que não? Posso saber? - perguntou Harry o encarando.

- Você já deixou bem claro que não me quer por perto e não só isso, deixou bem claro que achava a ideia de casamento uma idiotice. Na verdade, a ideia de se casar comigo. Essa sim era uma ideia idiota para você. Porque você estava claramente animado com a ideia de um casamento.

Draco queria esconder a mágoa em sua voz, mas era inevitável. Ele já segurou demais esse sentimento nojento que estava preso em si.

- Draco, por favor. - disse o moreno puxando o braço do namorado, para que ele prestasse um pouco de atenção em Harry. Infelizmente, Draco puxou o braço de volta indo em direção ao quarto. - Draco!

- O que foi? Am? 

Então ele se virou e viu o namorado estendendo as mãos para ele. Naquelas mãos que ele tanto conhecia, aquelas mãos que lhe seguravam e lhe erguiam todos os dias agora contém uma caixinha de veludo apontada para o platinado. Não era a caixinha que ele compara no começo da semana de um joalheiro francês e passou o último mês confeccionando cada um dos detalhes. Era uma caixinha preta, bem mais simples, definitivamente não era a que Draco havia comprado. 

- Você realmente acha que depois de todo esse tempo. Depois de todos esses anos ao seu lado eu não ia querer me casar com você? - perguntou Harry se aproximando do namorado, que parecia mais pálido que nunca. - Em, Draco?

- Você podia ter mudado de ideia, vai saber. - o outro respondeu ficando nervoso com a proximidade de Potter e com o sorriso que crescia no rosto do moreno.

- Você estava agindo desse jeito porque queria ter feito o pedido. Você foi até aquele dia no meu escritório e queria porque queria que pudesse jantar com você, eu disse que estava sem tempo então você ficou chateado e depois inventou que queria almoçar comigo. Então você viu toda aquela cena que a Dora fez e você ficou puto. Porque justamente no dia em que você iria me pedir em casamento tinha alguém dando em cima de mim. Não era, Draco? Mas, eu tenho só uma dúvida nisso tudo. Por que? Por que você fez tanta questão de em plena segunda feira fazer isso? Só para saber.

- Porque foi no mesmo dia… Quer saber, esquece, não faz mais diferença. 

- Nem ouse!

- Porque foi o dia que eu cheguei na casa do Severo! Feliz?

Draco quase gritou, só não fez isso porque pensou no filho que dormia no quarto ao lado. A sua respiração estava descompassada e o coração batia como nunca. Harry se aproximou e segurou mais uma vez o braço de Malfoy. Dessa vez, o toque era leve e foi descendo até as mãos do platinado para que seus dedos se entrelaçaram.

- Foi quando eu saí de Azkaban. - ele continuou com a voz baixa e com a cabeça baixa, não estava afim de encarar as esmeraldas que tinham por detrás dos óculos redondos de Harry.- Naquele dia não foi só meu padrinho que me deu abrigo, você também me deu. Você me viu frágil, despedaçado depois da Guerra e em nenhum momento você me julgou. 

- Você não teve escolha.

- Todo mundo tem escolhas, Harry. - ele disse com a voz fraca e sentindo que não conseguiria continuar a se justificar.  - Você poderia ter desistido ou se entregado.

- Assim como você. Olha pra mim, por favor.

Sem muita vontade, Draco fez. Encarou, pela primeira vez em dias, Harry. Sem fingir que estava tudo bem.

- Você poderia ter escolhido me entregar naquele dia. - continuou o moreno, com uma voz doce e calma. Um dos sons favoritos em toda a vida de Draco. - Mas, você preferiu mentir…

- Porque era o certo.

- Está vendo? Nesse caso você teve escolha.Servir Voldemort…

- Não diga o nome dele.

- Ele já se foi…

Voldemort. Esse nome ainda assombra as noites mal dormidas dos dois.Foi então que as primeiras lágrimas caíram. Os olhos cinzas como o céu em noite de tempestade choravam assustados por fantasmas passados, que em dias ruins eram presentes. Não eram dádivas, mas eram presentes.

Harry o abraçou, jurou que estava ali, que tudo iria ficar bem. O lord das trevas não iria matar nenhum dos dois, nunca mais. 

- Draco…

- Oi?

- Você quer casar comigo? - ele perguntou levantando a caixinha negra na direção do platinado após se soltarem do abraço. Draco queria brigar com o namorado dizendo que não, que ele iria fazer o pedido, porque deu muito trabalho escolher as alianças e que o moreno o fez passar muita raiva. No entanto, ele não fez. Ele não brigou, ele aceitou as lindas alianças que o seu noivo escolhera. Depois disso, Harry contestou dizendo que de fato, as alianças que Draco escolheu eram muito bonitas e o que mais surpreendeu o moreno foi o fato de que elas não eram tão chamativas quanto ele imaginava. Eram perfeitas. Sendo bem sinceros uns com os outros, isso nem importava mais, porque eles estavam felizes, se quer se casaram de fato, não com toda a pompa e circunstância que Harry achava que Draco iria fazer questão. No dia seguinte eles foram ao cartório do Ministério, apenas com Escórpio como companhia, eles não precisavam de mais nada, não precisava de promessas, de juras de amor ou alguém como testemunha. Ali, naquele momento calmo de uma tarde de sábado, Harry Potter Malfoy afirmava, mais uma vez, que ele era uma pessoa excepcionalmente feliz.

 


Notas Finais


Então pessoal, o que vocês acharam? Espero que tenham gostado.
Se quiserem conhecer um pouco mais do meu ´´trabalho``, eu tenho outra história postada aqui, Obsoleto e em Desuso, que ainda está em desenvolvimento.
Dese já, obrigada.


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