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História O Casamento - Capítulo 1


Escrita por: Mnemes

Notas do Autor


JK - Jung Kook
TH - Tae Hyung
HS - Ho Seok
Jin - Seok Jin
JM- Ji Min
YG - Yoon Gi
NJ - Nam Joon

Capítulo 1 - Capítulo 1


“Ele está mesmo vivo?” 

 

“Sim. É ele, Jeon Jungkook, seu primo-primeiro. Ele é um dos líderes da rebelião”

 

TH engoliu em seco. 

 

“Então será como a Deusa quiser”

 

Andrus ficava em um vale profundo entre montanhas cobertas de coníferas e bruma permanente. Era uma cidade aberta, onde qualquer um podia entrar. Os lobos viviam organizados em clãs e preferiam viver afastados, em grandes propriedades familiares dispersas pelo território. Andrus era sua referência mítica e política, pois a família governante tinha precedência e influência sobre todas as outras, mesmo as que não residiam ali. Além de ser a responsável por realizar os rituais e as festas de homenagem à Deusa, que reuniam milhares todos os anos, vindos de todo o Território Sul. 

 

A cidade era governada pelos Kim havia treze anos. Mas uma rebelião iniciada cinco anos antes nas montanhas levaria os Jeon de volta ao poder. 

 

***

 

Os rebeldes entraram em Andrus pela rua principal, sobre seus cavalos. Os moradores se amontoaram ao redor, pelos passeios e sacadas, formando um cortejo espontâneo, curiosos de finalmente ver os rostos daqueles que lhes fascinaram e amedrontaram por anos através das estórias que chegavam de longe. Os jovens líderes — Jeon Jungkook, com apenas vinte e dois anos, aliou-se a um clã sem prestígio, desconhecido da maioria, natural de uma parte das montanhas sobre que pouco se dizia, para então liderar uma rebelião exitosa contra o governo de Andrus. Kim Namjoon e Min Yoongi, dois chefes de clã, poucos anos mais velhos, estiveram a seu lado do início da campanha nas montanhas à tomada da cidade. 

 

A estória era conhecida. Todos sabiam que após a morte do Príncipe Jeon Rho, pai de JK, aparentemente de causa natural, seu primo Kim Doochul deu jeito de assassinar a esposa e os dois filhos do falecido príncipe a fim de lhes usurpar o trono. Para isso, de acordo com o que se dizia, levou-os para longe da cidade por muitos dias de viagem pela montanhas em direção ao Norte. JK, filho mais novo, sobreviveu por um milagre, foram os três jogados do penhasco no rio. Mas disso os moradores de Andrus só souberam quando a rebelião começou e surgiram rumores de que um dos Jeon vivera e agora voltava para vingar a família.

 

Dizia-se também que ele fora resgatado por um clã isolado, que não seguia as tradições, que fora criado como um lobo da montanha. Os nomes de Kim NamJoon e Min Yoongi também se tornaram conhecidos. Eles seguiram com JK em direção à cidade mítica, enfrentando destacamento após destacamento, vencendo uma a uma as missões armadas enviadas por Doochul e arregimentando centenas no caminho, entre desafetos dos Kim e aqueles que por interesse não aceitavam mais seu governo. 

 

Por fim, vários anos depois, JK enfrentou Doochul em batalha não longe dali. Os que viram teriam dito que os dois lutaram durante três horas sem parar no círculo de combate e JK só venceu porque era mais jovem.  

 

Enquanto eles entravam na cidade, com o rosto sério e os ombros erguidos, TH e JM olhavam através das janelas de madeira da residência oficial. O edifício tinha dois andares e de cima, pela lateral, eles conseguiam ver bem os líderes que passavam a cavalo. 

 

TH viu o rosto de JK. Pensou se podia reconhecê-lo. Tinha vaga lembrança dele mais novo, com olhos grandes e expressivos. Eles conviveram algumas vezes, em cerimonias e encontros familiares, em instruções de leitura e matemática, em algumas poucas brincadeiras em que as crianças eram postas juntas, não importava o gênero. TH se lembrava perfeitamente que queria bem ao outro, considerava família.

 

Pouco depois, seu pai se tornou príncipe e JK e sua família sumiram. E ninguém mais falava sobre eles. Eram um assunto proibido.

 

TH, com dez anos, passou a ser o herdeiro. Herdeiro ômega, quem seu pai um dia casaria com um sucessor, escolhido entre os alfas que melhor lhe servissem. Catorze anos se passaram, mas isso nunca aconteceu, seu pai sempre manipulando os outros com a possibilidade de casar com TH, sem ter realmente a intenção de concedê-lo a ninguém, querendo apenas usá-los como melhor lhe parecesse. Por isso, TH completara vinte e quatro anos sem ter se casado. E governara Andrus por quase seis, enquanto seu pai viajava e enfrentava os rebeldes no interior. 

 

“É como você lembra?”, perguntou JM. 

 

“Não. Não o reconheço”, balançou a cabeça. JK passava bem em frente de onde estavam, vestido de preto, com os cabelos pretos presos e o semblante fechado. 

 

Os dois se apressaram para alcançar a próxima janela, uma fresta nas cortinas, antes que JK e os outros passassem. 

 

“Aquele deve ser Kim Namjoon”, JM apontou. “HS disse que ele era maior que o próprio JK. E aquele outro, pode ser Min Yoongi, já que está ao lado dos dois” 

 

“Não importa”, TH suspirou, “Logo vamos saber quem é quem” 

 

“Mas não hoje, não é? Eles vão dormir na hospedaria. Pelo menos isso” 

 

“Foi o que Jin disse, mas não sei. Por que eles não viriam logo para a residência, eu não sei”, TH disse. Estava com medo. Não só por si, mas principalmente por JM e HS, e outras pessoas do seu convívio imediato. “Jin virá aqui mais tarde explicar o que vai acontecer e para onde devemos ir” 

 

JM pegou sua mão com a ponta dos dedos e apertou. Também estava com medo, mas principalmente por TH. “Se for preciso nós vamos sair daqui, sem que ninguém perceba, já está tudo pronto” 

 

“Jin disse para esperarmos” 

 

“HS também voltará logo com informações. Eu o vi conversando com os líderes, com aquele que eu disse que podia ser Min Yoongi. Ele vai saber de algo. Eu sei que ele vai fazer tudo o que pode para descobrir” 

 

“Você devia ir embora, JM”, TH fez um novo apelo.

 

“Nem pense nisso! Depois te tudo que falamos? Eu já não disse que não vou embora sem você de jeito nenhum? (…) Nós vamos esperar o que Jin ou HS têm a dizer e então vamos decidir o que fazer” 

 

TH suspirou de novo. Pela moldura da janela, ainda via JK e seus aliados percorrendo a rua principal, deixando-se serem vistos por todos, mostrando sinais de poderio e suas intenções de poder. JM ainda segurava suas mãos, enquanto a vida que conheceram era tirada deles como se fosse roubada.

 

***

 

“Que fique claro, nós apoiamos a reivindicação do trono pelo herdeiro dos Jeon desde que o Príncipe Taehyung seja poupado” disse Kim Seokjin, também primo-primeiro de TH, chefe dos Kim desde a morte de Kim Doochul, seu tio.

 

JK se levantou e avançou sobre ele, mas foi contido por NJ. Estavam reunidos os líderes dos rebeldes e o conselho dos clãs na propriedade de Jin, nos arredores da cidade. A tensão no salão era paupável e algo podia sair fora de controle a qualquer tempo. 

 

“Ele é um assassino e um usurpador!”, JK falou entredentes, transtornado. Os braços de NJ ainda seguravam  com força seu torso. 

 

À medida em que se aproximava da cidade, o lobo revisitava seu passado, lembrava de coisas que tinha esquecido e que preferia esquecer. Não importava que finalmente tivesse vencido e matado Doochul, novos obstáculos surgiam a cada passo que dava em direção ao trono. Estava frustrado e cansado e era muito difícil ser razoável. 

 

“Não, o pai dele era. Foi o pai dele que mandou matar sua mãe e seu irmão e te deixou para morrer naquela floresta…O príncipe TH é muito amado e não se confunde com o pai. Eu também sou um Kim, lembre-se disso” 

 

“Você há de concordar, Senhor Kim”, disse YG, "que enquanto o príncipe estiver vivo a vida do Senhor Jeon estará em risco, sempre haverá aqueles dispostos a atentar contra ele em favor do príncipe, mesmo que não a seu mando” 

 

“Vocês não entendem. Enquanto vocês travavam a guerra nas montanhas, TH governou Andrus sozinho por seis invernos. Ele resolveu problemas da cidade, cuidou do seu povo, tratou com os nobres que ficaram. Se matarem ou expulsarem o príncipe, seu governo nunca prosperará, vocês não vão poder confiar em ninguém porque Jeon Jungkook será odiado por todos”  

 

“Qual seria então a solução?”, perguntou NJ, desejoso de ver saída para aquela situação, desconfiado dessa possibilidade.  

 

“A solução é o casamento”, Jin respondeu, olhando o herdeiro nos olhos. “O príncipe é um ômega e vocês devem se casar e ter um filho. Essa é a solução” 

 

***

 

 

HS era havia muitos anos o chefe da guarda do príncipe e esteve na reunião com o rebeldes. No início da madrugada, ele retornou para avisar TH da solução proposta pelo conselho, a de que as duas famílias simplesmente se unissem em matrimônio, dando um fim cármico à guerra. O casamento é a solução  que agradaria a maior parte dos clãs. 

 

TH recebeu a notícia por ele e ficou ainda mais apavorado. O que ele esperava era poder sair da residência com vida. Sair para o exílio, com sorte. Poder ir viver em Quel com JM. Foi isso que ele pediu quando estava rezando e era nisso que se concentrava. Era o que ele queria negociar. Mas ficar naquele lugar com JK? Com seus soldados? Ser casado com ele? Ficar fisicamente sob seu controle? 

 

Quando Jin chegou, já alta a madrugada, TH esperava acordado. TH voltou-se para ele, assim que o viu chegar, com o casaco aberto, os cabelos lisos e olhos fundos depois de um dia e uma noite inteira tentando resolver a situação. 

 

“Foi você que sugeriu?”, TH acusou-o. 

 

“Jeon Jungkook teve que aceitar. Ele sabe que se você for viver em outra parte do Sul, os apoiadores de seu pai vão iniciar uma rebelião em seu nome e não haverá paz. E se ele te matar, se você morrer não importa a razão ou o lugar, a cidade vai se levantar contra ele e agora ele sabe disso” 

 

“Como pôde fazer isso, Jin?”, perguntou horrorizado. 

 

“Se você estiver casado com JK, ninguém poderá fazer nada contra você. Nem os aliados de Doochul poderão te usar para começar uma nova guerra. Essa é a vantagem de ser um ômega, você pertence a seu alpha, e não carrega responsabilidade ou culpa passada. Você será um Jeon. Aos olhos de todos, você será um Jeon” 

 

“Eu não quero ser um Jeon! (…) Como você pode querer que eu me case com uma pessoa que me odeia? Que preferiria me assassinar?” 

 

“Eu prefiro que você fique vivo. Eu não me importo com que nome te chamar se você continuar vivo” 

 

TH encarou Jin e apertou os lábios. Era especialmente difícil ouvir isso do chefe do seu clã. “Você está louco se acha que eu vou concordar com isso” 

 

“Oh, pela Deusa, TH, não é seguro para você em nenhum lugar, nem nos mosteiros. Onde você estiver, haverá gente atrás você. Longe, você será sempre uma ameaça para JK. E os apoiadores de seu pai vão querer que você se una eles, não importa o que você queira”  

 

“Tem que haver outro jeito”, TH insistiu.  

 

Não havia. Jin tinha pensado em tudo. Levara dias e noites pensando em como livrar TH. 

 

“Seu casamento também pode criar as condições para uma trégua, se você e JK se aproximarem, se tiverem um filho nos próximos meses, isso pode mudar tudo. E mesmo que isso não aconteça, em qualquer cenário JK se beneficia do casamento, ele não vai destratar você” 

 

“Destratar? Vc sabe o que ele sente a meu respeito? O que pensa de mim? Tenho medo que ele simplesmente não se segure, apesar da vantagem política que eu posso representar” 

 

“Ele não vai te machucar. Eu sei que não”. 

 

“Como vc pode saber, Jin? Só porque conviveu com ele quando era criança? Você acha que ele não mudou? Com tudo que aconteceu e o tempo que passou, que ele não cresceu e virou outra pessoa? Que ele não me odeia como odiava meu pai? (…)Ele nem deve lembrar de nada daquele tempo…Eu quase não lembro” 

 

(…)

 

“Eu poderia ir para longe. Ir para o norte. Para Ida, ou Astrar”

 

“Não TH, não!….Se você for, como nós ficamos? HS, JM, eu? Nunca vamos ter sossego se perdermos você de vista” 

 

“Seria melhor para todos se eu desaparecesse” 

 

“Então não teremos mais você aqui e nenhuma esperança em dias melhores? O povo de Andrus, que conta com você, vai simplesmente abandoná-lo? Para viver longe dos lobos, entre os bruxos do deserto?”   

 

“Jin, você…”

 

“Por favor, esfrie a cabeça. Tente descansar.”

 

(…) 

 

“Você vai ver que essa é a única saída. Pelo menos até a situação melhorar, o governo dos Jeon se estabilizar. Depois você pensa de novo em ir embora”

 

“Jin… Pela Deusa, tem que haver outro jeito!” 

 

“Nós precisamos de você, TH. Nós te amamos tanto. Você tem que ser forte. E eu estarei do seu lado não importa o que acontecer”  

 

***



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