História O caso (REPOSTADA) - Capítulo 3


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Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Abo, Drama, Horror, Jikook, Suspense, Taekookmin, Terror
Visualizações 44
Palavras 4.609
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Terror e Horror, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - Capitulo 3


Autora POV

O dia já raiava quando Jungkook parou para encarar a janela do seu apartamento, ele não conseguiu dormir a noite depois da conversa que teve com Namjoon e Jin, seu corpo estava cansado e suas costas o castigavam pela noite mal dormida, porém, mesmo exausto, seu cérebro não conseguia parar de trabalhar. Pensava a todo segundo no que poderia ter acontecido a sete anos atrás, olhando para o horizonte o alfa desejava ardentemente poder ter o dom de voltar no tempo e saber o que aconteceu de fato, tudo que ele tinha até aquele dado momento eram superstições. Jeon já trabalhou tempo suficiente na polícia para saber que suposições não significavam nada, ele precisava de provas.

— ​O que aconteceu com você Park Jimin? — Jungkook sussurrou encarando o sol que emanava de maneira preguiçosa por de trás das nuvens.

Mesmo sendo um policial modesto Jeon vinha de uma longa linhagem de alfas economicamente instáveis, sempre teve tudo que o dinheiro podia comprar, mas infelizmente o dinheiro nunca pode comprar o afeto que lhe foi negado durante toda a vida pelos seus progenitores. Talvez por isso o alfa  estivesse tão impelido em ajudar o ômega depois da conversa que teve ontem com Namjoon, ele sentia empatia pela família que foi destruída brutalmente daquela forma.

— ​Não posso mais ficar aqui sem fazer nada —  Jeon falou de maneira rápida, passou a noite inteira em claro, revirando cada canto do processo longo que envolvia Park Jimin. Mesmo lendo cada clausura minuciosamente, nada parecia se encaixar. O caso era como um quebra-cabeça sem todas as peças, mesmo tentando, não podia formar imagem alguma pois faltava algo que ligasse os fatos.

Segundo os atos do processo Jimin havia deixado a escola de maneira espontânea, mas por que o ômega iria sair do colégio se Namjoon falou que iria buscar o menino na saída da escola? Como Jimin podia ter sido levado a força e ninguém escutar seus gritos desesperados? Algo não estava correto naquela história, com aquela sensação foi que Jungkook pegou novamente a papelada em suas mãos. Tentando se ater a cada detalhe, cada linha e vírgula, foi quando seus olhos se atraíram ao nome que vinha atrás do registro do caso, nesse momento Jeon se perguntou como não percebeu o óbvio, como pode ser tão burro em não ver? A resposta estava logo ali, em uma nota de rodapé.

Durante a época em que tudo ocorreu, Bong Sun era, nada mais nada menos, que o escrivão da policial, sem pensar duas vezes pegou o telefone, ligando para a pessoa que conhecia melhor do que ninguém esses trâmites.

— ​Alo? — A voz de Kim Taehyung soou rouca ao telefone.

— ​Taehyung? Preciso perguntar algo e quero que me escute com atenção — Jungkook falou preocupado e um tanto agitado devido a nova descoberta.

— O quanto um escrivão pode ter acesso aos testemunhos do processo? – perguntou e Taehyung demorou um pouco para responder.

— ​A todo o processo, dependendo do delegado somos nós que editamos todo o processo antes dele ir para a promotoria — Tae proferiu sério e ao fundo da ligação um barulho foi ouvido, Jungkook reconheceu como sendo a voz de Hoseok murmurando algo e logo em seguida a risada de Taehyung.

— ​Taehyung você entrou na delegacia na época do antigo delegado, certo? O quanto ele era permissivo com os escrivães? — Lançou outra perguntou e Taehyung demorou um pouco.

— ​O delegado Choi? Ele nos deixava editar cada laudo do processo, o velho Sunghyun não tinha paciência para trâmites jurídicos, malmente lia os depoimentos... — Antes que Taehyung terminasse, Jeon desligou.

Agora tudo fazia sentido de uma maneira absurda, as histórias não batiam porque algo de fato estava errado. Bong Sun já era chefe da guarda na época em que o caso se desenrolava, se ele de fato tinha participação naquilo ele havia alterado os depoimentos ao seu belo prazer a fim de nunca ser descoberto. Os policiais não conseguiram conduzir as investigações porque eles procuravam pelas pistas erradas, sem esperar mais Jungkook pegou uma blusa e um casaco de maneira apressada e saiu em direção ao endereço que ele recolheu as presas, a maior parte dos envolvidos no caso Park já haviam falecido, ou “sumido” de maneira misteriosa, então a única forma de saber algo era recorrer a primeira etapa: a busca na casa da vítima.

Demorou quase meia hora para que Jungkook chegasse em frente a casa que, outrora, havia sido de Park Jimin, desde que Jihyo havia se matado naquela casa Namjoon pegou todas as suas coisas e trancou a residência indo embora em direção a uma nova, onde posteriormente começou a viver com Jin. Assim que parou com o carro em frente a casa antiga dos Kim percebeu ali o estrago que os anos haviam feito a construção de tijolos e concreto, olhou em volta e viu próximo ao portão de entrada algumas flores murchas e uma foto do jovem Park Jimin com um semblante sorridente em meio a algumas velas, Jungkook conseguiu distinguir aquilo como um pequeno memorial, com certeza construído pelos vizinhos, sem esperar mais nenhum segundo o alfa pulou o muro indo em direção a rua.

Sem perceber, do lado oposto alguém encarava de longe suas ações, já fazia pouco mais de uma semana que aquela pessoa observava ao longe o alfa e sua rotina, era perceptivo o sorriso do homem, finalmente seu coração estava mais leve, sua culpa amenizada. Já fazia muito tempo que ele não conseguia mais dormir, comer ou até mesmo respirar, fazia anos que a culpa em suas costas pesava de uma maneira insuportável , diversas vezes ele chegou a pensar na hipótese de suicídio, principalmente quando soube da notícia a cinco anos atrás do nascimento da criança, um menino, Kyungsoo, o nome daquela criança ainda estava gravado em sua pele, saber que ele só veio ao mundo devido ao estupro, este que o alfa anônimo, sabia que acontecia no fim das contas.

Porém finalmente a vida estava dando a ele mais uma chance, consertar seu erro e talvez ajudar o pobre ômega a quem ele negligenciou por tantos anos, ele tinha por fim a chance de mudar o futuro através de Jeon Jungkook, ele sabia que o policial em questão iria descobrir tudo mais cedo ou mais tarde, conhecia bem o potencial do Jeon, mesmo sem pretensão de admitir sabia também que seu nome iria aparecer em um momento, por isso havia preparado tudo, quando essa hora chegasse ninguém que ele amava ficaria desprotegido, quando chegasse o fatídico dia ele estaria esperando a cadeia com um sorriso no rosto, uma prisão com barras de ferro não era nada comparada a prisão que viveu em sua mente durante sete anos construído pela culpa e o medo de ser descoberto. Afinal a suspeita sempre persegue a consciência culpada; o ladrão vê em cada sombra um policial.

Assim que o Jeon se viu de frente para porta não precisou de mais do que dois solavancos para que as dobradiças de metal que prendiam a porta cedesse, com um rangido enorme Jeon afastou a porta quebrada e adentrou o cômodo que parecia uma sala de estar, os móveis estavam cobertos com lençóis brancos e camadas de poeira, o carpete era sujo e uma fina luz entrava entre as fresta das tábuas pregadas nas janelas, pegando o celular Jungkook tentou iluminar o caminho, vendo as mesas de madeira e as marcas na parede demonstrando que outrora houveram quadros presos ali, a escada estava a frente mostrando um andar inteiro que ainda havia para ser explorado, mas o seu treinamento o impediu de seguir seus instintos e o forçou a revirar cada cômoda e gaveta, não encontrando nada, nem um papel sequer.

Depois de desistir de buscar pistas no primeiro andar, Jung foi até o segundo, onde consequentemente ele imaginou ficar os quartos. Mesmo com o passar dos anos a casa ainda preservava as pequenas nuances de que havia sido habitada um dia pela família Kim Park, se Jeon fechasse os olhos poderia até mesmo ver a casa cheia de vida, e imaginar um Jimin de 13 anos correndo pelos corredores, como será que ele era? O que gostava de fazer? Ele nem ao menos teve tempo de descobrir os prazeres da vida, tudo foi interrompido de maneira brusca na  naquela criança tão cheia de vida.

Mas quem poderia prever que as ilusões sobre uma casa cheia de vida talvez só estivesse na cabeça daqueles que olhasse de fora, existiam segredos profundos de mais naquela casa, segredos esses nunca revelados, entretanto existia um ditado que diz: só podemos manter segredos entre duas pessoas se a outra estiver morta, talvez essa seja a chave para tudo, os segredos…

Rapidamente Jungkook se dirigiu ao quarto que tinha uma cama de casal, ventilador de teto, uma escrivaninha e um guarda-roupa, inconscientemente Jungkook sabia que aquele deveria ser o quarto de Namjoon e Jihyo, com voracidade o alfa começou a revirar o quarto, olhando na cômoda, batendo no guarda-roupa a procura de um fundo falso ou qualquer forma de alçapão onde algo poderia estar escondido, mas nada, a única coisa que existia no quarto era poeira e lembranças, memórias essas que Jungkook não conseguia enxergar pois nunca havia vivido, depois de uma hora de incessante busca o alfa saiu do local.

Respirando alguns segundos, Jungkook se dirigiu até o último quarto, o único que parecia não ter sido tocado pelas mãos frias do tempo, na porta podia se ler as iniciais P.J. Ao tentar abrir a porta descobriu que estava trancada, da mesma forma que abriu a porta da frente Jeon a forçou, dobradiças da porta do quarto do mais novo integrante da família Park se arrebentando rapidamente, como era imaginado o quarto parecia intocado, a cama se localizava no centro ainda forrada como se estivesse pronta para um alguém que nunca retornou para casa, o guarda-roupa possuía alguns posters colados sobre as portas, as paredes tinham desenhos de flores desbotadas e a penteadeira vazia demonstra a esperança que a família manteve até o último segundo da volta do seu primogênito.

Abrindo as portas do guarda-roupa, viam-se diversas peças de roupas, algumas comidas pelas traças, porém muitas delas em perfeito estado, começando a procura por documentos Jungkook não achou nada além de pequenos desenhos, como flores e borboletas, algumas frases e nada mais, nenhum documento, nada que incriminasse ninguém.

Quase uma hora depois do início das buscas naquele quarto, ele já se encontrava cansado tanto mentalmente quanto fisicamente, a noite mal dormida e o cansaço por procurar incessantemente algo que ele nem ao menos sabia o que procurar matava sua vontade de prosseguir, sem conseguir conter mais a fadiga, sentou-se sobre a cama tão bem arrumada sentindo a dor em suas costas piorar gradativamente, foi quando um pequeno som de algo caindo chamou a atenção do alfa, rapidamente Jeon se abaixou olhando embaixo da cama encontrando ali um pequeno caderno, apanhou rapidamente o objeto em suas mãos vendo ali em letras garrafais o nome que tanto atormentava seus pensamentos : Park Jimin. Folheando de maneira desesperada, ele foi em direção as últimas folhas daquela espécie de diário, algumas páginas se mantinham intactas, outras a tinta da caneta já nem mais existia, porém foi na folha borrada intitulada 20 de julho que achou o que necessitava, aquele era as anotações referentes a um dia antes do sequestro.

“Faz algum tempo que não escrevo aqui diário, mas estou a ponto de surtar, preciso contar ao papai as coisas que descobri sobre a omma, porém não tenho coragem, ela me odiaria se eu ousasse falar tudo que sei. No entanto, não gosto de mentir, por isso a confrontei ontem a noite, pedi que ela falasse tudo para o appa, ela me disse que iria fazer, mas que precisava de um pequeno tempo para conversar, por isso ela me pediu para encontrar um antigo amigo dela na saída da escola amanhã, ela falou que ele irá me levar para me divertir enquanto ela tem a conversa com papai.

Espero que o appa não fique muito triste com isso, mesmo me doendo admitir, mas a errada da situação foi a mamãe e o tio Bong se eles se apaixonaram não precisavam enganar o papai dessa forma...”

Jungkook, sem saber mais o que pensar levou a mão, a boca. Encontrava-se assustado pela crueldade exigida por Jihyo para sequestrar o próprio filho, além da falsidade de ter chorado por Jimin nos programas de televisão.

Se tudo que ele estava pensando estivesse correto, eles haviam de fato sequestrado uma criança para promover a contenção de um caso amoroso entre Bong Sun e Park Jihyo, tentando normalizar a respiração e o horror que aquele pequeno texto causou em si mesmo, o alfa continuou folheando as páginas, voltando data por data, quantas vezes desde que começou a investigar o caso não havia rezado para poder voltar no tempo e falado com Jimin ou pelo menos escutado da boca dele sobre o que aconteceu, agora ele tinha a versão do Park de toda a situação e mesmo assim as lacunas ainda ficavam em branco, quem era o suposto amigo de Jihyo? Jimin realmente estava falando de um caso entre sua mãe e seu tio? E por que Jihyo havia se matado dois anos depois se ela era a culpada de tudo? Por que Bong Sun parecia tão desesperado naquele dia ao telefone? Foi naquele momento em que Jungkook percebeu que mesmo tendo as peças do quebra-cabeça em suas mãos não podia interpretá-lo, Jimin escreveu aquilo com a mente de uma criança de 13 anos, diversas coisas que são de extrema importância para a investigação perderam-se no tempo, ou ele não as deu a devida atenção por ser uma criança, aquele diário não bastava se ele queria desvendar algo, ele precisava escutar a história, e foi naquele momento, ainda na página do dia 20 de julho, que ele encontrou a resposta, ou parcialmente a resposta.

“Mas como irei encontrar esse amigo da mamãe se estarei ocupado amanhã? Não posso mais falhar com o Hope... já sei! Se esse amigo da mamãe irá nos levar para nos divertir talvez ele possa levar o Hope com a gente, mesmo se ele não puder, irei pedir ao meu amigo que me acompanhe”.

— ​Existia mais alguém com Jimin naquele dia? — Jungkook sussurrou em descrença total, quem poderia ter estado com a criança antes de tudo? E por que não procurou a polícia para avisar? Foi quando Jeon se lembrou que era provável que essa fosse a parte do quebra-cabeça que faltava, esse era o depoimento que faltava para juntar todas as peças, se a resposta estava em um amigo do ômega então o único lugar que Jungkook poderia ir agora era a escola Gomyeon.

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Demorou quase meia hora para que Jungkook chegasse até a escola de Gomyeon, no centro de Busan. Era uma área não muito popular entre as pessoas, desde o desaparecimento de Jimin tudo ficou muito sombrio naquela área da cidade, os parques eram desabitados e a escola quase não possuía alunos, o alfa lúpus folheava o caderninho tentando parecer relaxado, mas suas mãos suavam. Estava prestes a conhecer um outro lado de Park Jimin, aquele que não era o lado vítima, o lado humano, e sim  do um ômega na pré-adolescência descobrindo um novo mundo.

Jungkook estava tão absorto na leitura que mal percebeu a hora que a diretora Sungjoon apareceu em sua frente sorrindo, Jeon conhecia a senhora, assim que começou sua pesquisa sobre o caso Park esse foi o primeiro depoimento que leu.

— ​Senhora Kim — Jungkook a cumprimentou tentando sorrir guardando o pequeno caderno no bolso do seu casaco.

— ​Minha secretária me avisou que queria me ver — a senhora falou sorrindo e antes que o Jeon pudesse continuar a falar um homem alto de cabelos vermelhos veio ao seu encalço.

— ​Senhora Kim estão a convocando na sala de reunião, pode deixar que atendo esse senhor — o homem, aparentemente era um alfa, falou fazendo sua presença ser ouvida, mesmo sua voz demonstrando preocupação, seus olhos demonstravam um enorme vazio, nenhum sentimento, nada, ou talvez seja somente a visão decrépita da autora, mas o Jeon também percebeu além de sentir um cheiro suspeito vindo do alfa, algo impregnado nele, um cheiro de maracujá e morango como se fosse algo grudado em sua pele.

— ​Mil desculpas senhor Jeon, porém terei que deixá-lo aos cuidados de Chanyeol e… —  antes que a beta completasse sua fala Jungkook a interrompeu.

— ​Senhora, por favor eu peço que fale comigo, garanto que é de extrema urgência — Jungkook proferiu controlando seus instintos, sua visão periférica percebeu o rosto de Chanyeol que  demonstra uma pequena irritação que novamente não chegava aos olhos.

— ​Chanyeol peça para que os acionistas esperem mais dez minutos, diga que ocorreu um imprevisto, senhor Jeon me siga por favor — a senhora falou e foi em direção a sala, Jungkook a seguiu deixando um Chanyeol zangado para trás.

Assim que se sentaram na sala cinza da antiga escola, Jungkook assumiu a face de investigador, sem expressão, sem apega emocional. Naquele momento ele deveria ser a mais fria rocha e Jungkook sabia bem como desempenhar aquele papel.

— ​Chanyeol trabalha aqui a muito tempo? — Jungkook perguntou, tinha curiosidade sobre o homem.

— ​Não, ele entrou aqui em meados de 2011 — a beta respondeu sem pretensão.

— ​Senhor Jeon, tenho que lhe informar que só o recebi aqui por respeito ao legado de sua família, porém preciso que seja rápido — a senhora Kim proferiu de maneira casual e Jungkook assentiu.

— ​Pois bem Matrona estou aqui pelo caso Park — Jungkook falou rápido e a mulher perdeu a cor ligeiramente.

— ​Não tenho nada a declarar, tudo que tinha a dizer já foi dito em juízo — a mulher falou de maneira astuta, aquela história já tinha lhe rendido muitos aborrecimentos, se ela estava falida hoje em dia era justamente por aquele incidente infeliz, não estava disposta a abrir novamente esses parênteses em sua vida.

— ​Eu sei de tudo senhora, reabrir o caso Park e sei da sua negligência em relação a saída do garoto, todos sabem que a senhora permitiu a saída do ômega da escola mesmo não tendo autorização dos pais, foi negligente e estava acostumada a fazer isso — Jungkook falou sorrindo, ele jogava com a mulher e ela caiu como um patinho, as batidas descompassadas do coração da beta indicavam que ele havia atingido o êxito em sua provocação.

— ​Você não tem como provar... — sussurrou e Jungkook sorriu ladino.

— ​Tem certeza? — Jungkook perguntou em o tom uma oitava mais baixo e a beta arrepiou de medo, ela já estava arruinada, não precisava adicionar presidiária a longa lista de adjetivos pejorativos que recebia desde o sequestro de Park Jimin.

— ​O que quer saber Jungkook? Sei que se fosse somente para me acusar teria ido ao seu chefe ao invés de vir aqui me  importunar. — Se tinha algo de sobra em Sungjoon era inteligência.

— ​Quero apenas  algumas informações — Jungkook jogou e Sungjoon aceitou já que estava desesperada. Do que adiantava negar-se a colaborar? Apenas perderia o pouco patrimônio que lhe restava em vida.

— ​Park Jimin tinha um melhor amigo, correto? Denominado pelo mesmo de Hope, quem era? — Jungkook perguntou e a mesma sorriu, era só aquilo? Ela só precisava falar um nome e poderia ir para casa arrumar suas coisas e fugir do país? Confessara estar esperando algo mais revelador, algo que comprometesse ainda mais seu intimo.  

— ​Você deve estar se referindo  á Jung Hoseok, melhor amigo de Park Jimin, ele era mais velho que o ômega em questão, na época tinha entre os 16 e 17 anos, no dia do sequestro ele cabulou as aulas da manhã — Sungjoon falou, ela poderia esquecer de tudo, mas nunca esqueceria daquele dia, o dia que acabou com sua carreira, porém Jungkook arregalou os olhos, ele conhecia bem um Jung Hoseok, porém não era possível que fosse o mesmo.

— ​Tem alguma foto dele? — Jungkook perguntou e a ela assentiu penosamente, erguendo-se e  indo em direção a uma pequena estante, entre os livros grossos pegou um que continha fotos dos alunos pertencentes a escola, o anuário de 2011.

— ​Este aqui de blusa verde — falou após abrir o livro repleto de fotos de crianças e apontando para a figura nítida de um menino magro de rosto largo e sorriso em formato de coração, ao lado de Park Jimin que também sorria para a câmera.

Não precisou de muito para Jungkook sair correndo da sala indo em direção a casa que ele conhecia tão bem, hiperventilando Jungkook começou a desconfiar de todos a sua volta, se até seu hyung poderia mentir para si quem mais estava mentindo? Qual era a próxima armação que ele descobriria? Sem hesitar tocou a campainha enquanto respirando fundo, na tentativa de normalizar seus batimentos cardíacos.

— ​Jungkook? — Min Yoongi perguntou assustado ao ver o amigo suado a sua frente, talvez seu susto na verdade vinha de outra coisa, possivelmente o telefonema que recebeu a alguns minutos atrás, mas o que eu uma velha autora saberia?

— ​O que veio fazer aqui a essa hora? — Yoongi perguntou e o Jeon negou entrando na casa, indo em direção ao quarto onde ele sabia que o seu alvo estava, desde o início da gravidez o ômega estava em estado de repouso absoluto.

— ​Jungkook o que esta fazendo aqui? — o ômega perguntou alarmado assim que teve a porta do quarto aberta de maneira ríspida, Jeon estava quase deixando seus instintos mais primitivos assumirem e ele nem ao menos sabia o porque estava tão exaltado.

— ​Somente vim conversar Hoseok Hyung — Jungkook falou sorrindo, porém seu rosto estava contornado em uma faceta estranha, Hoseok tentou levantar mas foi impedido por Yoongi que o pediu para continuar deitado— ​Jungkook preciso que vá embora, o Hobi acabou de passar por um desmaio ontem a noite, não é bom que se estresse pode por favor ir embora? — Yoongi falou e Jungkook assentiu.

— ​Sério que não vai querer conversar comigo Hoseok, ou devo te chamar de Hope — Jungkook falou sendo cínico e Hoseok ficou pálido, sem perceber ali se encerrava um ciclo, dependendo do que Hoseok o dissesse tudo acabava ali naquela conversa, ou talvez tudo começa-se ali, desenterrando segredos e ações, finalmente o jogo de xadrez estava ao ponto de acabar, Jungkook fez suas jogadas, mas infelizmente ele não conhecia o outro jogador, não conseguia prever seus movimentos e talvez isso o custasse a peça mais importante, o único motivo do jogo realmente existir.

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No mesmo quarto de 5 metros quadrados, Jimin esquentava a água enquanto se enrolava em um casaco grosso, o aquecedor do cubículo havia sido cortado como forma de punição a ele ter resistido da última vez... última vez que ele foi forçado a transar com aquele maníaco assassino, a dor em seu punho estava ainda mais forte lembrando a ele da última vez que tentou fugir dali, seu corpo ainda lembrava dos hematomas e dos ossos quebrados, havia apanhado tanto… porém dessa vez ele sentia que seria diferente, seu plano precisava ser diferente.

— ​Aqui meu amor, precisa ficar bem quente — Jimin falou para eu filho que estava deitado sobre a cama com diversas cobertas, colocando sobre o menino o pano molhado com a água fervente.

— ​Esta queimando omma — Kyungsoo reclamou, ele não conseguia compreender o porque seu pai precisava tanto fugir, aquele era vossos lares, certo? Tudo que ele conheceu a vida inteira, como aquilo podia ser ruim?

— ​Apenas fique quieto, você precisa estar quente — Jimin pediu e logo levou a mão a boca forçando o vômito, molhando a cama e o travesseiro com o líquido.

— ​Eca omma! — Kyung falou e Jimin negou.

— ​Precisa estar com cheiro de doente, preciso que tudo dê certo, ele não pode desconfiar...

Jimin falou e olhou para o relógio, todo dia naquele horário aquele alfa o visitava, faltava apenas dois minutos para que ele aparecesse pela porta, o pequeno corpo de Jimin já tremia somente de cogitar a ideia.

— ​Quando ele te levar ao hospital o que você vai falar? — Jimin perguntou repassando o plano com seu filho.

— ​Que sou seu filho — Kyungsoo falou e Jimin negou.

— ​Filho de quem? — perguntou novamente a criança, ele não podia esquecer.

— ​Park Jimin — ele falou rapidamente e Jimin assentiu, se tudo corresse bem, pelo menos até aquela parte, ele saberia que a pessoa mais importante para si iria ficar bem, se ao menos Kyungsoo conseguisse fugir e sobreviver desse inferno sua missão estava completa.

— ​Você vai amar meu amor — Jimin sussurrou chorando e Kyung o encarou.

— ​O que omma?

— ​O mundo — o ômega falou depositando um beijo nos fios molhados de Kyungsoo no mesmo momento em que a porta emitiu o ruído característico que indicava o destrave.

— ​O que está acontecendo aqui? — aquela voz característica falou, era hora de convencer, Jimin se virou chorando e encarou os olhos sem expressão do alfa a sua frente — ​o Kyungsoo está doente, você cortou a energia e ele pegou uma febre, eu não consegui aquecê-lo — Jimin falou baixo, não conseguia encarar por muito tempo o rosto do alfa a sua frente sem sentir náusea.

— ​Você sempre cuidou dele sozinho, dê um jeito — o alfa falou sem esforço e Jimin negou.

— ​Ele está muito mal, tentei dar a ele os analgésicos que deixou aqui, mas ele esta vomitando tudo — Jimin falou e o alfa encarou os olhos do ômega a procura de um rastro de mentira, mas não encontrou, por isso chegou mais perto da criança, no mesmo minuto Jimin tentou impedir, além do medo de ser descoberto ele não queria que aquelas mãos sujas tocassem seu filho.

— ​Saia daqui! — O alfa gritou empurrando Jimin, fazendo-o bater a cabeça na parede ficando um pouco zonzo.

— ​Ele está ardendo, eu vou arranjar uma coisa mais forte — o alfa falou se virando para ir embora.

— ​Você não pode, ele tem cinco anos, está desidratado, fraco, ele precisa do pronto-socorro — Jimin gritou chorando, seu plano dependia daquilo.

— ​Não vou levar ele a lugar nenhum, vou trazer um antibiótico forte amanhã a noite e se contente com isso — o alfa falou inexpressivo e Jimin chorou, um choro tão profundo quanto sua dor, as lágrimas rolavam por sua bochecha e seu coração queimava, Jimin estava tendo um ataque de pânico, porém ele conviveu tanto com isso que nem ao menos sentia mais.

Seu cérebro e alma já estavam calejados de tanta tortura, sentado no chão próximo a porta foi assim que Jimin passou a noite, Kyungsoo sentou ao seu lado mas acabou pegando no sono enquanto Jimin se manteve acordado, seu corpo doía, estava cansado, queria acabar com tudo, porém somente ao olhar Kyung ele sabia que não podia dar o fim a sua vida, mesmo sendo tão fácil, um corte com o vidro e nada mais, estaria morto e nunca mais seria abusado, pisoteado e feito de um boneco humano daquela forma, toda a dor e remorso se transformaria em nada. Porém para onde irá Kyungsoo com sua morte? O que iria acontecer com seu filho? Respirando fundo enquanto tentava conter os gritos de ódio e pânico uma nova ideia surgiu, demorou muito para pensar nisso, mas foi rápido de aceitar. Foi ali que a concepção verdadeira tomou a mente de Jimin: não existia mais tempo para ele, sua vida havia acabado a sete anos atrás quando aquele alfa colocou as mãos sobre si, porém a de Kyung estava apenas começando, ele precisava salvar seu filho, mesmo que morra para isso.

Aquele seria seu último ato de amor, sua vida estava arruinada, mas sua criança iria ficar viva, ele salvaria seu filho custe o que custasse e então finalmente daria fim a sua dor, se nunca pudesse sair daquele inferno iria salvar seu filho e se matar em seguida. Seu tempo acabava ali.


Notas Finais


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