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História O Cavaleiro Corrompido - Capítulo 44


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Capítulo 44 - Abandono da Velha Vida (Parte 1)


Fanfic / Fanfiction O Cavaleiro Corrompido - Capítulo 44 - Abandono da Velha Vida (Parte 1)

Dentro da masmorra da Santa Fortaleza da Fé Central de Telfraín, no último corredor, havia uma cela que sempre deveria permanecer vazia. Nessa cela havia um alçapão, esse alçapão levava para os túneis subterrâneos da fortaleza. Era costume da Ordem dos Cavaleiros Sagrados criar passagens secretas em suas prisões, essas passagens serviam principalmente como rota de fuga para trazer suprimentos em caso de cerco. Heleno e Cláudio entraram nesses túneis, e seria por eles que os dois fugiriam para sempre da Ordem dos Cavaleiros Sagrados.

            Assim como Heleno, Cláudio também estava preso, mas não na masmorra, mas sim em seu quarto. Do próprio quarto, Cláudio tramou com alguns irmãos da Ordem que estavam insatisfeitos com sua prisão, e conseguiu elaborar com a ajuda deles um esquema de fuga. Ao anoitecer, sir Jones libertou Cláudio, e os dois seguiram para a masmorra para libertar Heleno também. A prisão da fortaleza não era muito utilizada, na verdade, Heleno era o único prisioneiro ali atualmente. Por causa disso, o grão – mestre Antônius pensou que somente um guarda seria o suficiente. Cláudio e sir Jones nocautearam o guarda, deixando a prisão vazia para eles.

            Sir Jones era um dos cavaleiros sob o comando de Heleno na Santa Fortaleza da Fé de Telbrant, ele foi um dos poucos que sobreviveram à batalha contra os goblins, mas levou uma forte pancada no pescoço que o lesionou seriamente e o deixou mudo. Jones também estava extremamente insatisfeito com as medidas tomadas pela Ordem para abafar o que aconteceu na fortaleza, e por isso estava ajudando Heleno e Cláudio. Porém, no momento de fugir para os túneis, Jones decidiu não ir com eles, Heleno não pôde compreender bem a razão (porque Jones não falava), mas deduzia que o cavaleiro temia não haver um lugar no mundo para ele, o que fazia total sentido, já que ele era um homem mudo e que só sabia servir à Ordem.

Antes que Heleno entrasse nos túneis, Jones lhe ofereceu a sua espada (pois Heleno estava desarmado), era uma espada bastarda. Heleno aceitou sua espada, e em seguida partiu. Cláudio levava consigo sua bengala e uma clava de madeira maciça com ponteiros de ferro.

 

            Heleno e Cláudio tiveram que fazer uma caminhada bastante longa no subterrâneo, e essa caminhada se tornava ainda mais demorada por causa da perna ruim de Cláudio.  Ali era muito quente e abafado, os dois suavam bastante e respiravam com certa dificuldade, o que tornava a caminhada um pouco agonizante. O calor das tochas que eles carregavam também não ajudava, mas elas eram necessárias, pois a escuridão ali era tanta que Heleno não conseguiria enxergar a própria palma da mão se não fosse pela luz do fogo.

            Os dois se guiavam por instruções que estavam gravadas nas paredes dos túneis. Pelo o que puderam entender pelas instruções, aqueles túneis poderiam levá-los para vários lugares diferentes dentro e fora da cidade, era de fato uma obra extraordinária, era como se fossem múltiplas ruas feitas por baixo da cidade.

“Não consigo nem imaginar o quanto de ouro foi gasto pela Ordem para bancar uma obra dessas.” Refletia.

            Na Santa Fortaleza da Fé de Telbrant também tinha uma passagem subterrânea que levava da prisão para fora da fortaleza, mas era um caminho único, e não algo tão vasto como essa passagem que eles estavam usando.

            Os dois poderiam ir a muitos lugares, mas o destino deles era a saída que ficava próxima ao portão leste da cidade, segundo Cláudio, lá o portão estaria aberto e sem guardas próximos, e dois cavalos estariam prontos para eles em um estábulo que fica próximo ao portão. Heleno ficou impressionado em como Cláudio tinha conseguido toda essa ajuda dentro e fora da Ordem.

“Eu devia ter passado mais tempo fazendo amizade com as pessoas ao invés de ter ficado sozinho...”

 

            A maior parte da caminhada foi silenciosa, com os dois homens bastante pensativos e cabisbaixos, até que Cláudio quebrou o silêncio.

‒ Quem diria que logo nós dois estaríamos fazendo uma coisa assim. Logo nós que sempre fomos tão devotos à Ordem.

‒ Pensei que passaria toda a minha vida servindo à Ordem, e que envelheceria e morreria como um cavaleiro sagrado. ‒ Admitiu.

‒ Engraçado como as coisas mudam de uma hora pra outra. Algumas semanas atrás eu colocaria minhas mãos no fogo pela Ordem, confiava plenamente e de todo meu coração. Me pergunto como isso mudou em tão pouco tempo.

‒ Nada muda tanto assim em tão pouco tempo, Cláudio, éramos nós que não enxergávamos a verdade.

‒ Sinto como se a minha vida toda fosse uma mentira. ‒ Heleno sentia uma profunda tristeza vindo da voz do amigo.

‒ Nossas intenções eram sinceras... ‒ Tentou consolá-lo.

‒ Mas isso não vai acabar aqui! Eu juro pra você que eu vou arrumar um jeito de mudar isso! Eu não vou abandonar a Ordem nas mãos de pessoas covardes e mau caráter como o Antônius! ‒ Disse determinado.

‒ Antônius não é o único culpado por tudo isso, Cláudio. O problema está no núcleo da Ordem, Antônius é só um representante desse núcleo. A verdade é que já faz muito tempo que a Ordem dos Cavaleiros Sagrados não é mais o que deveria ser. Talvez no princípio os fundadores da Ordem tivessem um real desejo de servir a Deus e proteger Seus servos, mas acredito que isso se perverteu quando o poder político e econômico bateu à porta. ‒ Teorizou.

‒ Pode ser, mas nós dois sabemos que há muitos homens bons e honrados na Ordem que têm um desejo genuíno de fazer as coisas do jeito certo. A voz desses homens terá que ser ouvida!

‒ Se é no que você acredita, tem toda liberdade de lutar por isso. ‒ Heleno não conseguia compartilhar da esperança do amigo.

‒ Pode crer que eu vou! ‒ Afirmou com determinação. ‒ Mas e você? O que vai fazer depois que sair de Algón?

‒ Eu estive pensando em uma causa que acredito valer a pena lutar. Algo que vai de fato salvar a vida das pessoas e verdadeiramente combater o Mal presente no mundo.

‒ Nossa, do jeito que você fala fiquei até curioso para saber o que é.

‒ Primeiro vamos nos concentrar em sair da cidade, depois a gente fala disso.

            Heleno queria contar para Cláudio, mas tinha prometido a Sayo, Tosaki e Axhá que não contaria a ninguém o que passou com eles.

 

            Após muita caminhada pelos túneis, os dois finalmente encontraram o seu fim, era um poço abandonado que ficava a mais de dez metros acima do túnel. Os dois subiram por degraus de ferro presos à parede até chegar ao topo do poço. O poço era trancado por um alçapão que só podia ser aberto por uma tranca do lado de dentro. Heleno puxou a tranca e abriu o alçapão, podendo finalmente respirar o ar fresco da noite. O poço ficava no meio de um matagal na zona leste de Algón, próximo ao portão do leste. Assim como Cláudio havia lhe dito, o portão estava entreaberto e não tinha ninguém vigiando. Ao lado do portão tinha um estábulo, e em frente a esse estábulo estavam dois cavalos amarrados e selados.

‒ São pra nós. ‒ Disse-lhe Cláudio.

            Heleno e Cláudio foram rapidamente até os cavalos, afagaram um pouco os animais pra ganharem confiança e montaram neles. Os dois se preparavam para sair quando ouviram relinchar de cavalos. E eis que surgiram de trás do estábulo sir Saulo Gorjória e sir Régis Santóris, acompanhados de seis homens que vestiam os trajes da guarda da cidade. Dos homens da guarda apenas um que vestia um manto verde estava montado, os demais estavam a pé.

‒ Mas que merda! ‒ Resmungou Cláudio enquanto os dois eram cercados.

            Cláudio e Heleno foram rapidamente cercados em frente ao estábulo. Os homens a pé portavam lanças e escudos, sir Saulo segurava nas mãos um arco já com uma flecha colocada, e na cintura tinha uma espada bastarda. Sir Régis tinha uma lança e um escudo médio em mãos e uma espada longa na cintura. E o capitão da guarda tinha uma espada longa em mãos.

‒ Ora, ora, ora... O que temos aqui? Dois cavaleiros fujões encurralados que nem ratos! ‒ Caçoou Régis, assim que os dois estavam cercados.

‒ Como vocês descobriram? ‒ Perguntou-lhes Cláudio, tão irritado quanto constrangido.

‒ Você acha que é o único que tem contatos na guarda da cidade? ‒ Questionou-lhe Régis em resposta.

‒ Então alguém me dedurou...

‒ Só você mesmo pra achar que eles iam preferir ajudar a um cavaleiro decadente que nem você ao invés do sobrinho do governador. ‒ Disse arrogantemente.

‒ Se vocês já sabiam de tudo, por que nos deixaram sair da prisão? ‒ Perguntou-lhes Heleno.

‒ Pra podermos ter a glória de matar vocês... ‒ Respondeu-lhe Saulo. ‒ Depois que nós matarmos vocês, o grão – mestre com certeza vai ficar muito grato.

‒ Vocês são mesmo podres! ‒ Disse-lhes Cláudio, indignado com a baixeza dos dois.

‒ Veja bem como você fala comigo, Aldwin! Sua família pode ser alguma coisa nas Terras Secas, mas aqui nessa cidade você não é nada! ‒ Disse-lhe Régis, autoritariamente.

‒ Eu vou te mostrar quem eu sou! ‒ Berrou-lhe Cláudio erguendo a clava que segurava.

            Cláudio partiu irado com seu cavalo na direção de Régis. Saulo disparou uma flecha contra Cláudio que o acertou de raspão no braço esquerdo, mas não foi nem perto de ser suficiente para pará-lo.

‒ Matem ele! ‒ Gritou Régis ao capitão da guarda, assustado com a aproximação de Cláudio.

‒ Atacar, homens! ‒ Ordenou o capitão aos seus guardas.

            Dois guardas ficaram entre Cláudio e Régis e tentaram perfurar o cavalo de Cláudio com suas lanças, mas Heleno sacou a espada e foi a ter contra eles desferindo-lhes ataque com sua espada e a tocha que segurava, e tentando atropelar-lhes com seu cavalo. Os guardas rapidamente recuaram e outros tentaram avançar, mas Heleno movimentava habilmente seu cavalo e defendia a si e seu cavalo com sua espada e tocha. Olhando para Cláudio, viu que já estava entre Régis e Saulo, combatendo contra os dois, Régis tentou uma estocada com sua lança, mas Cláudio desviou a lança com a sua clava e contra-atacou com um golpe que teria esmagado o crânio de Régis se ele não tivesse desviado. Saulo já estava com a sua espada em mão e tentou cortar a garganta de Cláudio, mas Cláudio bloqueou a espada com a clava e também quase acertou um golpe na cara de Saulo, mas ele também desviou por pouco.

“Se ficarmos longe um do outro vai ser pior!”

Heleno tentava chegar em Cláudio para ajudá-lo, mas os guardas lhe cercavam e tentavam acertá-lo de todos os lados. Em um momento a tocha de Heleno incendiou o escudo de madeira de uma dos guardas ao atingi-lo, obrigando o homem a se afastar para se livrar do escudo ou apagar seu fogo. Depois a tocha acabou quebrando ao meio ao atingir outro escudo, Heleno se livrou do pedaço que ficou em sua mão lhe arremessando na cabeça de outro guarda que se aproximava, lhe atrasando um pouco. Em seguida, um guarda veio por trás e acertou sua lança de raspão na perna direita de Heleno, Heleno ia contra-atacá-lo, mas o seu cavalo fez o favor de dar um coice no guarda e derrubá-lo. Após isso, outro guarda tentou perfurar-lhe a costela com a lança, mas Heleno segurou o cabo da lança com sua mão livre e ameaçou um corte na cara dele, o guarda ergueu o escudo para se defender, mas Heleno foi astuto, soltou a lança, agarrou o seu escudo, puxou-lhe para tirar da frente do rosto do homem e enfiou-lhe a espada no meio da cara, atravessando-a, e assim que o homem caiu Heleno puxou seu escudo e o ajeitou no braço esquerdo rapidamente. Um dos guardas raspou a lança no pescoço de seu cavalo, que relinchou de dor.

“Se continuar desse jeito o cavalo vai acabar morrendo ou me derrubando!”

            Heleno desferia golpes para todos os lados com a sua espada enquanto tentava defender a si e o cavalo com o escudo. Olhando para Cláudio, viu que o capitão da guarda tinha se juntado na luta contra ele, mas acabava de ser derrubado e nocauteado com uma pancada da clava de Cláudio nos peitos.

‒ O capitão caiu! ‒ Alertou um dos guardas que cercavam Heleno.

            Heleno aproveitou a distração de um deles e lhe alcançou com uma pancada de escudo na cabeça que o fez cair sentado no chão. Após isso, Heleno conseguiu sair do meio dos guardas e foi correndo com seu cavalo ajudar Cláudio. Heleno chegou até Saulo tentando perfurá-lo, Saulo bloqueou o ataque com a sua espada, mas Heleno em seguida lhe acertou um golpe de encontrão com o escudo que o fez se desequilibrar do cavalo e se afastar por um momento para se recompor. Enquanto Cláudio lutava contra Régis, um dos guardas chegou por sua lateral e enfiou-lhe a lança pela lateral do abdome, a enterrando razoavelmente e fazendo Cláudio rugir de dor.

‒ Não!

            Heleno cavalgou rapidamente até o guarda e acertou-lhe por trás com uma espadada violenta na cabeça que foi suficiente para abrir o elmo de couro do guarda e ferir-lhe gravemente na cabeça. Em seguida, Heleno foi a ter contra Régis, mas ele se afastou.

‒ Cláudio, vamos embora agora! ‒ Chamou ao amigo.

            Cláudio recuperou-se do susto da dor e concordou com a cabeça. Heleno e Cláudio correram com seus cavalos para o portão da cidade (que ainda estava entreaberto).

‒ Saulo, vamos atrás deles! ‒ Ouviu Régis gritar.

‒ Ninguém mais tem cavalo, é perigoso ir só a gente. ‒ Ouviu Saulo responder covardemente.

‒ Cláudio tá ferido, temos chances! ‒ Retrucou Régis.

            Heleno e Cláudio cruzaram o portão, saindo de Algón.

‒ Cláudio, você tá bem?! ‒ Perguntou preocupado enquanto galopavam para longe da cidade.

‒ Mais ou menos, a lança entrou bastante. ‒ Respondeu-lhe Cláudio, com a voz abafada por causa da dor.

‒ Maldição! A gente tem que se afastar da cidade pra cuidar dessa ferida!

‒ Tá bom.

            De repente Heleno ouviu o som de uma flecha cortando o ar próximo a eles.

‒ O que foi isso?! ‒ Perguntou-lhe Cláudio, assustado.

            Olhando para trás, Heleno viu Régis e Saulo os seguindo, a flecha havia sido atirada por Saulo, que tinha seu arco em mãos.

‒ Saulo e Régis tão vindo atrás da gente!

            Olhando para trás, Cláudio também os viu.

‒ Esses merdas! Vamos matar eles logo! ‒ Sugeriu.

‒ Com você ferido assim vai ficar difícil. E ainda estamos perto da cidade, se pararmos aqui pra lutar vai dar tempo de mais gente chegar em nós.

            Heleno e Cláudio cavalgavam apressadamente para longe de Algón enquanto Régis e Saulo os perseguiam. Com certeza para um ou mais deles aquela noite não acabaria bem...



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