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História O Cavaleiro Corrompido - Capítulo 48


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Capítulo 48 - Os Vingadores da Floresta (Parte 2)


Fanfic / Fanfiction O Cavaleiro Corrompido - Capítulo 48 - Os Vingadores da Floresta (Parte 2)

Após conversarem com o velho Porã e descobrirem sobre as criaturas que supostamente estavam matando os caçadores pela floresta, o grupo decidiu que já não tinha mais o que fazer além de ir direto à caça.

O grupo saiu de Sarínt e foi para o local onde enterraram suas armas. Eles tinham bastante pressa, principalmente depois que descobriram que o rei de Telfraín iria caçar naquela região em aproximadamente três dias.

‒ Nós temos que achar logo esses dois monstros. ‒ Disse Axhá, bastante preocupado.

‒ Esses nobres só servem pra dar trabalho, a gente vai ter que nos desdobrar pra matar logo esses tais de Curupira e Caipora. ‒ Reclamou Sayo. ‒ Tudo por causa desse “ritual” besta dessa gente fresca!

            Para os nobres, caçar era um esporte muito importante, principalmente para os mais jovens. Era na caça que eles aprendiam técnicas de rastreamento, aprendiam na prática a atirar com o arco e a manusear armas, sentiam um certo nível de perigo ao enfrentar animais mais agressivos e, acima de tudo, aprendiam a matar. Ora, se um homem não tinha coragem de matar um animal durante a caça, como teria coragem de matar alguém durante uma guerra? Tudo isso era como se fosse parte de um ritual de amadurecimento do homem. O pensamento até fazia sentido considerando que muitos desses nobres nunca experimentaram uma briga real na vida, já que eles têm homens que brigam por eles, mas para Sayo isso era tudo coisa de amador, pois ela não havia nascido em um berço de ouro, e desde cedo teve que aprender a se virar. Para ela era um bando de gente fresca vivenciando um risco superficial e se achando o máximo por isso.

            Sayo nem conseguia imaginar a repercussão que teria se o rei de Telfraín fosse atacado por duas criaturas sobrenaturais. Com certeza isso iria repercutir em toda a nobreza, em todos os estados de Telfraín, e até mesmo fora do país. O caos seria generalizado, e todo o trabalho da guilda para ocultar as criaturas sobrenaturais cairia por terra. E com certeza os superiores da guilda jamais perdoariam os caçadores responsáveis por esse caso, ou seja, eles! Se falhassem, com certeza seriam mortos sem nem terem chances de argumento ou defesa.

 

            Chegando no local em que enterraram suas armas, o grupo pegou o que julgava necessário para o trabalho. Pelo menos com toda aquela movimentação atrás de Heleno, eles teriam uma justificativa plausível caso fossem parados por guardas, era só dizer que tinham comprado as armas para caçar o tal fugitivo.

            Sayo se equipou com uma espada curta e uma adaga na cintura, duas facas de arremesso nas botas, uma aljava cheia de flechas nas costas e um arco de caça em mãos. Akin se armou com dois machados na cintura, sendo um deles de arremesso, uma aljava cheia de flechas nas costas e um arco de caça em mãos. Tosaki se armou com duas facas de arremesso nas botas, uma espada curta e um machado de cabo curto na cintura, uma aljava cheia de flechas nas costas e um arco de caça em mãos. Axhá não pegou armas, pois decidiu se transformar em cão para rastrear os alvos pelo faro.

 

            Após se equiparem, os quatro caçadores partiram para o interior da floresta. Como já era fim de tarde, não demorou muito para anoitecer. Após pouco tempo de busca, o grupo decidiu parar para passar a noite, pois com certeza nada de bom aconteceria se eles fossem caçar no meio da noite aquelas duas criaturas que provavelmente conheciam toda aquela região como a palma de suas mãos.

            Após conseguirem alguns galhos, o grupo acendeu uma fogueira, e como não tiveram tempo pra caçar, comeram alguns pães e frutas que já tinham em estoque, a alimentação foi acompanhada por vinho que ainda tinham desde que saíram de Tierrê. A noite estava bem tranqüila, portanto, o grupo pôde comer em paz.

            Após a refeição, Axhá (que já tinha voltado à sua forma humana para comer) lia um livro recostado em uma árvore, Tosaki brincava com uma de suas facas de arremesso testando movimentos no ar, Akin vislumbrava a lua enquanto bebia, e Sayo se aquecia na fogueira enquanto refletia.

“Como será que o Heleno tá agora?” Se perguntava preocupada. “Quando nos despedimos em Salús, pensei que ele ia voltar pra Ordem dele e ia continuar com a vida. Ele era tão fiel à religião dele, o que será que aconteceu pra chegar a esse ponto?” Sayo não conseguia imaginar Heleno cometendo tais crimes. “Será que ele foi acusado de algo que não fez? Só pode ser isso.” Deduziu. Em seguida balançou a cabeça negativamente. “Pára de ficar pensando nessas coisas, você tem mais com o que se preocupar!”

‒ Tá acontecendo alguma coisa? ‒ Perguntou-a Akin, sentando ao seu lado.

‒ O que? ‒ Sayo se assustou como se estivesse dormindo e fosse acordada. ‒ Não tá acontecendo nada. Por quê? ‒ Fez-se de sonsa.

‒ Nada, é que você parece meio preocupada.

‒ Nada demais, é só esse trabalho que tá me preocupando. ‒ Mentiu.

‒ Não é pra menos, é muita pressão ter que encontrar essas duas criaturas em um território tão grande e em tão pouco tempo. ‒ Concordou.

‒ Na verdade, ultimamente tem tido muita pressão em cima de nós, caçadores. Tantos casos em tão pouco tempo, e tantas criaturas monstruosas... A sensação que dá é que cada trabalho vai ser o último. A impressão que tenho é que a minha vida tá cada vez mais perto de acabar. ‒ Desabafou.

‒ Sei como é essa sensação, também sinto isso às vezes. Só que eu não me importo tanto assim. ‒ Disse Akin.

‒ Não? Falando assim, a impressão que dá é que você não gosta da sua própria vida.

‒ Se é que podemos chamar isso de vida. Eu costumo dizer pro meu irmão que nós morremos no dia que essa organização nos encontrou, e que desde aquele dia nossas almas tão sendo escravizadas. ‒ Disse de forma amargurada. ‒ Quando a gente era mercenário, mesmo que vivêssemos no meio de tanta violência, em brigas, guerras e essas coisas, pelo menos a gente tinha a nosso liberdade. Hoje em dia, até isso nós perdemos. ‒ Sayo ainda não tinha visto aquele lado melancólico de Akin.

‒ Você tá me deprimindo ainda mais! ‒ Reclamou em tom de brincadeira.

‒ Foi mal! Era pra eu te consolar e acabei piorando as coisas. ‒ Akin riu coçando a cabeça.

‒ Fica difícil de ler com vocês dois falando. ‒ Reclamou Axhá, fechando o livro que lia.

‒ Eu nunca vi alguém lê de noite, você por acaso vê no escuro? ‒ Perguntou-lhe Akin, curioso.

‒ Quando se tem o costume e o gosto, até a luz do fogo já basta. ‒ Respondeu-lhe Axhá.

‒ Se fosse eu, usaria o fogo pra queimar o livro. ‒ Disse Tosaki, revelando todo seu desgosto por leitura.

‒ Eu confesso que não tenho muito gosto por leitura, na verdade eu não sei ler muito bem. Eu aprendi a ler há pouco tempo, quando a guilda me “recrutou”. ‒ Contou Akin.

            Antes de colocar um caçador para trabalhar, a organização ensina algumas coisas básicas que julga ser necessário para o trabalho, ler é uma dessas coisas.

‒ Eu também não sabia ler até conhecer a guilda, mas depois que aprendi nunca mais me distanciei dos livros. ‒ Contou Axhá. ‒ Descobri que em um mundo de ignorantes, quem tem conhecimento fica mil passos à frente.

‒ Vai ver é por isso que você sobreviveu a tantos anos nesse trabalho. ‒ Teorizou Sayo.

‒ Bobeira! O que faz um caçador ser bom é a sua habilidade com as armas, e não ficar lendo livros. Quero ver você brigar com esses monstros dando livradas neles. ‒ Retrucou Tosaki.

‒ Quando você completar mais de trinta anos de trabalho, vai poder criticar o que eu falo. ‒ Respondeu-lhe Axhá.

‒ Eu vou deixar vocês discutindo aí e vou dormir. ‒ Avisou Sayo após bocejar.

‒ É melhor a gente ir dormir mesmo, amanhã vamos ter que rodar bastante. ‒ Concordou Akin.

‒ Tosaki, o primeiro turno é teu. ‒ Determinou Axhá.

‒ Sempre sobra pra mim. ‒ Reclamou Tosaki. ‒ Se vier uma cobra, eu vou deixar ela morder o rabo de todo mundo! ‒ Ameaçou.

            Sayo forrou o chão, deitou e fechou os olhos. Ficou refletindo por mais um tempo, mas depois acabou dormindo.

 

            Sayo acordou com um grito, ela se levantou rapidamente assustada e com duas adagas em mãos pensando ser algum inimigo, mas era só Tosaki que tinha acabado de bater com o dedinho em um pedregulho.

‒ Até que enfim a preguicinha acordou. ‒ Zombou Akin.

            Sayo tinha sido a última a acordar.

‒ Eu só acordei agora porque dormi mal por causa dos seus roncos. ‒ Retrucou em tom de brincadeira.

            O grupo comeu rapidamente e depois saiu pra trabalhar.

 

            A busca pelo Curupira e o Caipora não estava sendo muito boa, o grupo passou horas procurando pela floresta e não tinham achado um rastro sequer, mesmo com Axhá já transformado em cachorro e com seu faro estando muito mais aguçado.

‒ Tá uma merda pra achar esses dois filhos da puta. Queria matar eles logo! ‒ Reclamou Tosaki, não contendo a ansiedade.

‒ Pelo visto esses dois seres não são feras irracionais como a maioria das criaturas que a gente caça. ‒ Deduziu Akin. ‒ Eles são caçadores de caçadores, criaturas protetoras da floresta. Vai ver é muito mais fácil eles acharem a gente do que a gente achar eles.

‒ Verdade... ‒ Sayo levou a mão ao queixo, pensativa. ‒ Vai ver a gente tá fazendo do jeito errado, talvez a gente devia fazer eles virem atrás de nós. ‒ Sugeriu.

‒ E como a gente faria isso? Matando vários animais pra eles virem nos caçar? ‒ Questionou Akin, pelo seu tom de voz percebia-se que não gostou muito da idéia.

‒ Isso. ‒ Confirmou.

‒ Gostei da idéia. ‒ Opinou Tosaki.

‒ Mas isso faz da gente um alvo, se essas criaturas são mesmo tudo isso que tão dizendo, é burrice deixar eles darem o primeiro ataque. ‒ Retrucou Akin.

‒ Mas nós já estaríamos preparados pra eles. ‒ Contra-argumentou Sayo.

            Akin coçou a cabeça, ainda não gostando muito da idéia.

‒ Vamos votar então. ‒ Sugeriu Tosaki. ‒ Eu sou a favor.

‒ Eu também. ‒ Votou Sayo.

            Axhá latiu uma vez, era uma resposta positiva.

‒ Tá beleza então, só espero que não dê merda. ‒ Concordou Akin.

‒ Dá merda é sempre uma opção, por isso que gosto desse trabalho! ‒ Disse-lhe Tosaki, empolgado.

 

            O grupo voltou a vagar pela floresta, mas daquela vez a intenção não era mais achar o Curupira e o Caipora, mas sim encontrar animais para matar.

            O primeiro a matar um animal foi Akin, acertando uma flecha em um coelho. Algum tempo depois Axhá abocanhou uma raposa. E não muito tempo depois, Sayo acertou um macaco, derrubando-o quase do topo de uma árvore. O grupo não aproveitou nenhum dos animais, a intenção era justamente fazer parecer que se tratava de mortes gratuitas.

            Passaram-se horas, o frescor da manhã dava lugar ao calor da tarde, e até o momento o quarteto não teve nenhum sinal de criaturas sobrenaturais.

‒ Que saco! ‒ Berrou Tosaki do nada.

‒ Tem que ter paciência. ‒ Disse-lhe Sayo.

‒ Nós já estamos perambulando aqui faz maior tempão, eu acho que isso não vai dar certo. ‒ Reclamou Tosaki.

‒ Vai ver eles tão com medo de vir atrás da gente. ‒ Sugeriu Akin.

‒ Até parece que essas criaturas têm medo de alguma coisa. ‒ Discordou Sayo.

            Axhá latiu enquanto erguia as orelhas.

‒ Tem alguém se aproximando! ‒ Alertou Sayo, entendendo o sinal do companheiro.

            Sayo, Tosaki e Akin encaixaram imediatamente flechas em seus arcos. Após alguns segundos, Sayo já pôde ouvir um som de cavalos.

‒ Tem pelo menos uns três cavalos. ‒ Avisou enquanto distinguia os sons.

            Deduzindo que eram pessoas, o grupo manteve os arcos abaixados, mas ainda com as flechas encaixadas.

“Tomara que não seja encrenca.” Torceu.

            Em pouco tempo, um grupo de pessoas surgiu, eram quatro homens em quatro cavalos, todos estavam armados. Os homens pararam os cavalos assim que encontraram eles.

‒ Quem são vocês? ‒ Perguntou-lhes um homem negro com um longo cavanhaque, que parecia estar à frente do grupo.

‒ Caçadores. ‒ Respondeu Tosaki.

‒ São dessa região?

‒ Isso é um interrogatório? ‒ Tosaki não gostava de muitas perguntas.

‒ Não somos dessa região. ‒ Interveio Akin, respondendo à pergunta e querendo evitar briga.

            O homem deu uma breve analisada em todos eles.

‒ Vocês devem ser péssimos caçadores, não to vendo caça nenhuma com vocês. ‒ Disse-lhes o homem, com um tom desconfiado.

“Não tô gostando muito do tom desse cara.”

‒ Eu diria que é falta de sorte. ‒ Respondeu Akin, cordialmente. ‒ Mas não é só a gente que tá sem sorte. Vocês também tão sem. ‒ Reparou ao ver que eles também não tinham animais abatidos.

‒ A gente não tá procurando animais, e sim um homem. Ele tá valendo cem moedas de prata se pegar ele vivo. ‒ Explicou enquanto olhava fixamente para os olhos de Akin.

‒ É mesmo? Não tava sabendo, ele deve ter feito uma merda e tanto. ‒ Disse Akin, se fazendo de desentendido.

            Sayo começou a reparar nos outros homens, tinha um arqueiro já com o arco em mãos e com uma fecha encaixada, outros dois portavam facões, e o homem que estava à frente segurava um machado de lenhador em uma das mãos.

“Não são profissionais, mas com certeza são bem maliciosos.” Deduziu.

‒ É uma recompensa e tanto mesmo... ‒ Disse o homem respondendo à Akin. ‒ Não é de se estranhar se tivesse um monte de gente por aqui atrás dele né?

‒ Não. ‒ O tom de Akin já estava mudando para algo mais sério.

“A coisa vai ficar feia!” Notou.

            Sayo já estava preparada para atirar a flecha, escolheu o arqueiro do grupo.

‒ Nesses casos, é bom eliminar a concorrên-

            Uma lança vinda do meio da mata atingiu o homem bem no meio dos peitos enquanto ele falava, o derrubando do cavalo. Ao mesmo tempo uma flecha também vinda do nada atingiu as costas do arqueiro do grupo, também o derrubando

‒ Que porra é essa?! ‒ Berrou um dos homens e Tosaki ao mesmo tempo.

‒ Corre! Corre! ‒ Gritou um dos homens, desesperado em seu cavalo.

            Sayo, Tosaki, Axhá e Akin se espalharam e se abrigaram atrás de árvores enquanto os dois homens restantes tentaram correr com seus cavalos. Um dos homens caiu após ser atingido com uma flecha na cabeça, e o outro conseguiu fugir.

‒ De onde tá vindo isso?! ‒ Perguntou Akin.

‒ Sei lá! ‒ Respondeu-lhe Sayo.

            Axhá olhou para uma direção da mata e começou a latir.

‒ Deve ser de lá! ‒ Apontou Tosaki após ver a direção em que Axhá olhava, e saiu de trás da árvore para ir ao local.

            Uma flecha surgiu de outra direção e acertou Tosaki na lateral do abdome, o fazendo cair sentado.

‒ Tosaki! ‒ Gritou Sayo, assustada.

            Axhá correu na direção em que estava olhando, ignorando a flechada que Tosaki levou.

‒ Cobre ele! ‒ Pediu Sayo a Akin.

Akin foi atrás de Axhá enquanto Sayo foi até Tosaki, que se arrastava para trás da árvore.

‒ Esses viados são bons de mira. ‒ Reclamou Tosaki em um riso constrangido e dolorido.

            Sayo ajeitou o arco e a flecha em uma mão enquanto com a outra pegou no cabo da flecha cravada em Tosaki.

‒ Prepara pra dor.

            Tosaki segurou a respiração, Sayo puxou a flecha de uma só vez, removendo-a de Tosaki e provocando um forte gemido abafado no amigo. Analisando rapidamente a ponta de pedra da flecha, Sayo logo viu que se tratava de um material bem primitivo.

‒ Vai demorar quanto tempo pra curar? ‒ Perguntou ao amigo após jogar a flecha fora.

‒ Não vai demorar. ‒ Respondeu Tosaki, levantando-se com dificuldade.

            Sayo e Tosaki ouviram o barulho de galhos de uma árvore se mexendo, olhando para a árvore, viram uma criatura pequena, do tamanho de um anão, se posicionando em um dos galhos com um arco na mão e mirando neles.

‒ Cuidado! ‒ Alertou Sayo.

            Sayo e Tosaki se jogaram no chão, e a flecha atirada pela criatura acertou o tronco da árvore atrás deles.

‒ Seu filho da puta!

            Tosaki levantou-se rapidamente e atirou uma flecha contra a criatura, mas o tiro passou longe. Porém, logo em seguida Sayo se levantou, mirou e atirou, a sua flecha não acertou, mas passou tão perto da criatura que a assustou e a fez cair da árvore. O anão caiu no chão de pé e rolando várias vezes, um movimento quase inacreditável.

‒ Essa porra é acrobata agora?! ‒ Tosaki estava descrente.

            Assim que a criatura amorteceu sua queda com os rolamentos e se levantou, Sayo pôde vê-lo melhor. Tinha por volta de um metro e quarenta, sua pele era verde como a de um goblin, seu cabelo era longo e vermelho e seus pés eram virados para trás.

‒ Esse é o tal do Curupira! ‒ Avisou Sayo, identificando-o pela pele verde

‒ Foda-se quem é, desde que morra!

            Tosaki preparou outra flecha e atirou no Curupira, mas o monstrinho se mexeu e ele acabou errando.

‒ Merda! Além de pequeno, ainda fica se mexendo! ‒ Reclamou como se fosse obrigação da criatura ficar parada para ele acertar.

            Sayo se preparou para atirar, mas parou quando viu um javali grunhindo correndo em sua direção.

‒ Mas que porra-!

            Sayo driblou o animal, deixando-o passar direto, mas ele insistiu em segui-la, obrigando Sayo a sair correndo em círculos. Sayo tentou acertar-lhe a flecha que já estava posta no arco, mas a corrida e o desespero a fizeram errar.

‒ Sai de mim! Sai de mim! ‒ Gritava enquanto corria e driblava o animal.

            Tosaki pôs outra flecha no arco e mirou no javali.

‒ Eu pego ele!

            Mas antes que Tosaki atirasse, o Curupira lhe acertou uma flechada nas costas, lhe derrubando.

‒ Porra Tosaki! ‒ Berrou irritada e preocupada.

            Enquanto Sayo corria do javali, Tosaki se abrigava atrás de uma árvore para tentar tirar a flecha de suas costas e se curar de novo. E enquanto isso, o Curupira se aproximava cautelosamente dele, pronto para atirar outra flecha.

“Esse monstro vai matar ele!” Pensou sem saber o que fazer.

            De repente ouviu um barulho de dois animais se atracando atrás dela, quando olhou, viu Axhá, já em sua forma bestial, rolando no chão com o javali e o abocanhando no pescoço. Axhá claramente estava levando a melhor, e não precisaria de ajuda.

‒ Valeu! ‒ Agradeceu aliviada.

            Em seguida Sayo puxou uma flecha da aljava, a encaixou no arco e atirou contra o Curupira, a flecha passou rente à cabeça do monstrinho, que na mesma hora parou de avançar contra Tosaki e correu pra se abrigar.

‒ Tosaki, você tá bem?! ‒ Gritou ao amigo.

‒ Tô, valeu! ‒ Agradeceu enquanto tirava a flecha de suas costas.

            Olhando para Axhá, viu que seus dentes enormes já estavam totalmente cravados no pescoço do javali, que perdia suas forças enquanto sangrava abundantemente.

            Akin surgiu do meio da mata trocando golpes com outra criatura, que portava uma lança. Aquela criatura tinha por volta de um metro e cinqüenta, cabelos longos e vermelhos e pele escura avermelhada.

“Esse deve ser o Caipora.” Deduziu pela cor da pele.

            O Caipora manuseava a lança habilidosamente contra Akin, que estava pressionado e recuando, tentando defender as estocadas da criatura com seus dois machados. Sayo se preparava para atirar uma flecha contra o Caipora, mas de repente a criatura parecia ter sentido algo estranho e parou de atacar, e no mesmo momento Axhá começou a latir.

“O que tá acontecendo?”

            De repente, o Caipora correu para o meio da mata, e viu o Curupira fazer o mesmo. Ambos sumiram de sua visão rapidamente.

‒ O que foi?! ‒ Perguntou Tosaki, sem entender.

            Axhá simplesmente saiu correndo e sumiu no meio da mata.

‒ O que ele tá fazendo?! Por que não vamos atrás dos monstros?! ‒ Perguntou Akin.

            Após se concentrar, Sayo pôde ouvir cavalos se aproximando, e também ouviu gritos.

‒ Ele deve tá perto, vamos achar ele! ‒ Ouviu um homem gritar.

‒ Tem gente vindo pra cá! ‒ Alertou a Tosaki e Akin. ‒ Vão achar que nós matamos esses caras aqui!

‒ Vamos nos esconder! ‒ Sugeriu Akin.

            Mas antes que os três se escondessem, o grupo de homens que chegava os viram, eram cavaleiros sagrados.

‒ Hei, vocês! ‒ Gritou um dos homens.

‒ Corre! ‒ Gritou Tosaki.

            Sayo, Tosaki e Akin correram para lados opostos, sumindo no meio da mata em um cada um por si.



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