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História O Cavaleiro Corrompido - Capítulo 53


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Notas do Autor


Fala galera, esse capítulo deveria ser postado amanhã (dia 18/03/2020), mas eu não terei acesso ao computador para postar, então estou adiantando a postagem para hoje. Semana que vem a rotina de postagem segue normalmente.

Capítulo 53 - Um Novo Propósito


Fanfic / Fanfiction O Cavaleiro Corrompido - Capítulo 53 - Um Novo Propósito

Após a luta contra as duas criaturas sobrenaturais, uma verdadeira confusão começou. Sayo implorou para que Heleno fosse embora dali o mais rápido possível, mas Tosaki acabou chegando com Axhá em suas costas, o homem negro estava extremamente ferido após lutar, segundo Sayo e Tosaki, com uma onça! Assim que viu Heleno, Tosaki jogou seu companheiro no chão e foi pra cima dele com tudo, querendo matá-lo com um facão, mas Sayo segurou o amigo.

Depois de alguns minutos, Sayo conseguiu convencer Tosaki a cuidar dos feridos ao invés de brigar. Além de Axhá, que estava com dois grandes furos no peito (com certeza feitos pelos dentes da onça), um homem chamado Akin levou uma flechada na barriga e desmaiou. Os dois homens estavam bastante feridos, e eles precisaram agir rápido para prestar os primeiros cuidados. Enquanto Sayo e Tosaki faziam o que podiam para estancar o sangramento de Axhá e o tal Akin, Heleno foi atrás do seu cavalo para ajudar a carregar os feridos.

 

            Heleno tinha saído da fazenda de Benjamin no dia anterior, quando caçadores foram atacados perto da fazenda. Um desses caçadores fugiu do ataque e foi pedir ajuda na fazenda, Heleno imaginou que poderiam ser as criaturas sobrenaturais que Sayo e seus amigos estavam caçando, e foi atrás. Os rastros eram muito confusos, mas Heleno conseguiu ir seguindo.

Em certo momento, Heleno foi chegando no fundo da selva, onde tinha vários pântanos, e estava muito difícil avançar com o cavalo, e acabou amarrando o animal em uma árvore e seguindo sozinho. Agora Heleno precisava do cavalo, e voltava pelo mesmo caminho que fez para, seguindo as marcações que ele mesmo deixou para não se perder.

Por um milagre, Heleno entrou em combate com as criaturas sobrenaturais no mesmo momento que Sayo e os amigos dela. Pelo o que ele pôde entender, ao mesmo tempo que a criatura vermelha (que Sayo chamou de Caipora) lhe atacou, a criatura verde (que Sayo chamou de Curupira) atacou o grupo dela. Enquanto lutava com o Caipora na mata, Heleno pôde ouvir os gritos de Sayo e correu pra ajudar, e por um triz ele conseguiu ferir o jacaré antes que ele comesse as pernas do tal do Akin.

“Apesar de todas as dificuldades que tenho passado ultimamente, Deus certamente não me abandonou.” Concluiu, agradecido.

Encontrando seu cavalo, Heleno o desamarrou da árvore que o deixou e voltou até onde Sayo e seus amigos estavam.

 

            Quando Heleno retornou, Sayo e Tosaki já tinham feito curativos improvisados em Axhá e o tal do Akin. Heleno os colocou em seu cavalo e os amarrou, e foi puxando o cavalo pela rédea. Em uma região como aquela, levar o cavalo era muito complicado, mas em muitas partes daquela região, principalmente onde a água batia muito alto, eles não conseguiriam passar carregando pessoas nas costas, e por isso precisavam de um cavalo.

 

            Após algumas horas de muitas dificuldades, eles finalmente conseguiram chegar onde o grupo de caçadores tinha deixado seus cavalos. Na sela dos cavalos estavam as poções “milagrosas” que Sayo usou para cuidar das suas feridas após sua derrota na Santa Fortaleza da Fé de Telbrant.

            Sayo e Tosaki se apressaram em dar as medicações aos homens e passá-las em suas feridas, mas ainda assim a situação era bem preocupante. O homem chamado Akin era o que estava pior, ele passava a maior parte do tempo desacordado, e quando acordava, dizia coisas delirantes. Por alguma razão, Sayo disse a Heleno que “era melhor que ele continuasse assim”. Já Axhá, apesar de estar bem fraco por ter perdido muito sangue, ainda estava aparentemente lúcido, mas não falava muita coisa.

‒ Onde vocês vão passar o resto do dia? ‒ Perguntou Heleno a Sayo.

‒ Não sei, eu pensei em a gente voltar pra Sarínt, mas tenho medo de alguém lá nos reconhecer depois que nós matamos uns caras na floresta e fomos perseguidos pelos cavaleiros sagrados. ‒ Respondeu a moça, aparentemente bem nervosa e perdida.

‒ Vamos pra fazenda do senhor Benjamin, lá vocês vão poder tratar bem deles. ‒ Sugeriu à moça.

‒ Que fazenda? ‒ Perguntou Tosaki a Sayo.

‒ É um lugar de amigos dele. ‒ Respondeu Sayo.

‒ Nem pensar! ‒ Exclamou Tosaki. ‒ Você já tá por aqui a tempo demais, mete logo seu pé que a gente se vira daqui. ‒ Disse a Heleno, dispensando-o.

‒ Tosaki, para com isso, ele tá ajudando a gente! ‒ Repreendeu-lhe Sayo.

‒ Tu não vai aceitar a ajuda desse cara, né?

‒ Nós precisamos da ajuda dele, não podemos cuidar deles dois aqui na floresta! ‒ Argumentou Sayo.

‒ Podemos sim, já nos cuidamos em lugares assim várias vezes. ‒ Retrucou.

‒ Mas não em uma situação assim, eles tão muito mal!

‒ Tá decidido, vamos pra lá. ‒ Chamou-os Heleno.

‒ “Tá decidido” é um caralho, melhor tu calar essa boca antes que eu pegue o meu facão de novo! ‒ Disse-lhe Tosaki, irado.

‒ Quer saber, Tosaki, você pode ir tomar no cu! ‒ Gritou Sayo. ‒ Se você quiser ficar no meio da floresta, foda-se! Eu vou levar o Axhá e o Akin junto com o Heleno! ‒ Decidiu.

‒ Tu vai me deixar pra ir com esse cara?! ‒ Reclamou Tosaki, indignado.

‒ Não, eu vou te deixar pra salvar esses dois! ‒ Respondeu-lhe Sayo.

‒ Eu não tô acreditando nisso!

            Em seguida, Sayo pegou um dos cavalos pela rédea e deu na mão de Heleno.

‒ Esse cavalo é do Axhá, leva o dele e o seu. Eu vou levar o meu e o do Akin. ‒ Explicou a moça.

‒ Tá. ‒ Heleno pegou a rédea.

‒ Tá bom! Tá bom! Eu vou com vocês! ‒ Decidiu Tosaki. ‒ Não quero te deixar sozinha com esse cara, agora ele é um criminoso procurado. ‒ Justificou.

            A contragosto de Tosaki, o grupo seguiu apressadamente para a fazenda.

 

            O caminho para a fazenda foi bastante tenso, Axhá e o tal de Akin estavam bem feridos e fracos, o tempo todo eles paravam para dar algo de beber aos dois, pois o corpo se desidratava bem rápido por causa da hemorragia. E além da preocupação com os dois feridos, Heleno tinha que ficar atento o tempo todo para o caso de Tosaki atacá-lo.

Enquanto caminhavam, Heleno também pôde tratar do seu ferimento, ele acabou recebendo uma flechada do monstrinho verde no peito durante a luta, mas a cota de malha que ele pegou do falecido sir Régis lhe protegeu, então o ferimento foi bastante superficial.

 

            Após algumas horas de árdua caminhada, o grupo finalmente conseguiu sair das regiões pantanosas, e puderam montar nos cavalos. Uma vez viajando montados, tudo foi muito mais rápido.

            Por sorte, Heleno conheceu toda aquela região a uns dois anos atrás, enquanto viajava pela Grande Floresta para conhecê-la, pois já que ele era o mestre responsável pela fortaleza da Ordem naquele estado, achava importante conhecer bem Telbrant. Na época todos os seus companheiros acharam aquilo exagero, mas graças àquela excursão e à sua memória de elefante, Heleno não se perdia em lugar nenhum da Grande Floresta.

 

            Já era meio de noite quando eles avistaram a fazenda de Benjamin, assim que eles chegaram, foram vistos pelos guardas que patrulhavam os campos. Heleno explicou a urgência e pediu para falar com Benjamin para que eles pudessem entrar. Um dos guardas buscou o velho homem, que foi até Heleno e concordou em abrigar o grupo, mas exigiu que, com exceção de Heleno e Sayo, todos deveriam deixar suas armas sob custódia da guarda da fazenda. Devido a urgência, todos concordaram, exceto Tosaki, que já estava querendo arrumar um barraco com os guardas. Mas bastou que Sayo ameaçasse entrar e deixa-lo sozinho lá fora que ele mudou de ideia.

            Uma vez dentro da casa de Benjamin, todos os servos e servas da casa foram acordados para poder ajudar no tratamento dos feridos, e Axhá e Akin puderam ter toda assistência possível.

            Foram horas de tratamento intensivo para neutralizar as feridas dos homens, Sayo usava as poções esquisitas que usou para cuidar dele a tempos atrás enquanto os servos tratavam de hidratar e alimentar os dois. Axhá foi o primeiro a apresentar uma melhora, mas Akin ardia em febre e delirava. No meio da noite, Tosaki, que estava muito inquieto, disse que ia sair para “esfriar a cabeça”.

 

            Já amanhecia quando os ferimentos de Axhá e Akin estavam o mais neutralizado possível, e só restava torcer pela boa recuperação deles.

Sem sono, Heleno sentou na varanda da casa para sentir um pouco do frescor da manhã e ouvir o canto dos galos. Depois de um tempo, Sayo também saiu e se sentou na varanda, porém, um pouco distante dele. Olhando para a moça, Heleno notou que estava bem triste.

‒ Não precisa ficar triste, eles vão se recuperar. ‒ Tentou consolá-la.

‒ Como você tem certeza disso? Por acaso é médico? ‒ Respondeu-lhe rispidamente.

            Deduzindo que Sayo não queria conversar, Heleno se calou.

‒ Eu tô nessa vida faz muitos anos... ‒ Disse-lhe Sayo, quebrando o silêncio. ‒ Desde que eu comecei, já trabalhei com muitas pessoas, já tive muitos companheiros. Com exceção de Tosaki, todos morreram. ‒ Contou enquanto seus olhos se fixavam nos campos à sua frente. ‒ Eu nunca pude ter uma família de verdade, nunca pude me apegar verdadeiramente aos meus amigos, e nunca pude ter um homem na minha vida. ‒ A voz de Sayo era triste e amarga.

‒ Eu sei como você se sente. Meus pais morreram quando eu era garoto, e fui criado pela Ordem dos Cavaleiros Sagrados. Embora eu considerasse meus irmãos da Ordem minha família, estive sempre viajando a muitos lugares em missões, deixando a todos. Nesses anos de missões santas, também perdi muitos companheiros preciosos para mim, principalmente recentemente... ‒ Seu coração se apertou ao lembrar da morte de Ítalo e Cláudio. ‒ Também nunca pude ter anseio por terras, ou construir uma família.

‒ A diferença é que você pode ter isso agora. ‒ Argumentou Sayo, dessa vez olhando para ele. ‒ Por que você quer deixar essa chance de lado pra viver uma vida de risco e horrores? ‒ Questionou.

‒ Porque eu acredito que, acima de todos os nossos desejos, vem o nosso propósito. ‒ Respondeu.

‒ Que propósito? Seu propósito não era a sua Ordem? ‒ Questionou-lhe confusa.

‒ Meu propósito é servir a Deus e suas causas. ‒ Respondeu.

‒ E por que você acha que seu Deus quer você fazendo isso?

‒ Você não vê? Não consegue perceber tudo que vem acontecendo nesses últimos tempos? A forma como eu encontrei você e seus amigos e levei vocês presos, a forma como você me encontrou e cuidou de mim depois que eu fui arremessado por um gigante no meio da mata, a forma como nos encontramos naquela casa abandonada, e a forma como nos encontramos ontem também... isso não pode ser coincidência, Sayo! Eu tenho certeza absoluta de que esse é o plano de Deus pra minha vida, o meu destino! ‒ Explicou.

‒ Na minha visão tudo isso foi um monte de coincidências infelizes. ‒ Retrucou a moça.

‒ É normal você pensar assim, você não compartilha da minha fé.

‒ E se fosse mesmo um propósito? Pra que atender?  ‒ Questionou-o. ‒ A vida é pra ser vivida, e não arriscada por esse tipo de coisa. É por esse tal “propósito” que as pessoas se metem em enrascadas e acabam morrendo.

‒ Uma vida sem propósito é como um lobo que não uiva, um leão que não rugi, ou uma árvore que não tem folhas. É incompleta. ‒ Respondeu-a. ‒ De que adianta ter uma vida farta em anos, mas que seja vazia?

‒ Ah, cala a boca! ‒ Respondeu irritada, virando-se novamente para a paisagem à frente.

            Os dois ficaram em silêncio por um tempo, Heleno notou que chuviscos começavam a cair do céu.

‒ O Tosaki vai ficar bem? Ele não chegou até agora, e já faz bastante tempo que ele saiu. ‒ Lembrou.

‒ Ele vai ficar bem, tá acostumado a se virar sozinho. ‒ Respondeu a moça.

‒ Obrigado por não deixar ele vir pra cima de mim com aquele facão. ‒ Agradeceu.

‒ Obrigada você por levar aquela flecha por mim.

‒ Ah, não foi nada. Eu estava mais bem protegido que você.

‒ Não precisa ser modesto, não tinha como saber se a flecha acertaria onde tava protegido ou não. Não é qualquer um que faria aquilo. ‒ Elogiou Sayo.

            Heleno baixou a cabeça, tímido.

‒ Você é um homem bom, Heleno. ‒ Disse-lhe Sayo, com uma voz triste e baixando a cabeça.

‒ Você diz isso como se fosse uma coisa ruim. ‒ Observou.

‒ Não é que seja ruim, é porque eu acabei gos-

            Um grupo de guardas da fazenda vindo da lateral da casa chegou até eles.

‒ Aconteceu alguma coisa? ‒ Perguntou-lhes Heleno, preocupado.

            Sayo e Heleno se levantam.

‒ O senhor Benjamin disse pra não confiarmos em nenhum outro visitante que não fosse vocês dois, então viemos perguntar algo. ‒ Disse-lhes um dos guardas.

‒ O que foi? ‒ Perguntou-lhe Sayo, ansiosa.

‒ O outro visitante chamado Tosaki trouxe duas pessoas com ele, e disse que são amigos. A informação confere?

‒ Mas quem que esse idiota trouxe pra-

            Por algum motivo, os olhos de Sayo se esbugalharam quando viu Tosaki chegar em seu cavalo acompanhado por um homem e uma mulher. O homem era branco, careca e com uma barba grande e esquisita trançada na forma de um tridente. E a mulher era negra e corpulenta, e seu rosto exalava superioridade.

‒ Oi, gracinha. ‒ Cumprimentou o homem a Sayo.

‒ Sayo... ‒ Cumprimentou a mulher negra, e em seguida se dirigiu a ele. ‒ E você deve ser o senhor cavaleiro foragido.

‒ Que merda...! ‒ Ouviu Sayo cochichar.



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