História O Cavaleiro e o Lorde - Capítulo 17


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Categorias Lucas "Luba" Feuerschütte, Lucas "T3ddy" Olioti
Personagens Lucas "LubaTV", Lucas Olioti
Tags L3ddy, Universo Alternativo
Visualizações 15
Palavras 4.617
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Depois de eras, voltei! Entre eu ter que morar sozinho nesse último mês, minha formatura, e uma mudança para outro estado,minha vida estava complicada.

Eu planejava reescrever essa história antes de continuar. Até apaguei a história daqui, mas após passar algumas semanas e escrever só um parágrafo, percebi que isso não ia acontecer. Por outro lado, eu reli a história inteira umas duas vezes, e percebi que não estava tão ruim, então decidi continuar assim mesmo.

Não, eu não vou desistir dessa história. Então obrigado à todos que ainda estejam interessados nessa história, e espero que gostem do capítulo.

Capítulo 17 - Descida


— Tu não pode estar acreditando nisso tudo? — Teddy perguntou a Alberto. Eles conversavam na frente da casa dele enquanto esperavam pelo Grão Lorde.

Teddy ainda não conseguia acreditar que os esquemas de Julius funcionaram. Principalmente, não acreditava que Carlos realmente o traiu. Desde que ele era criança, Carlos era conselheiro de seu pai. Ele cresceu ao lado daquele homem, e o considerava um amigo.

Será que tudo foi uma mentira? Afinal, mal se passou um dia da morte de Paschoal, e Carlos mostra sua verdadeira face.

— Claro que não — Alberto disse, soando indignado — Mas se eles tem “provas”, a situação fica complicada pra ti. Maldito Carlos, vou ter uma conversa particular com ele.

— Não vai inventar de fazer besteira, preciso que tu cuide das pessoas do vilarejo — Teddy o repreendeu.

— Pelo menos tu conseguiu manter uma de nossas testemunhas vivo, já ajuda um pouco nossa situação — Luba disse, relembrando o pensamento rápido de Alberto que salvou uma das poucas evidências que tinham contra Julius.

No intervalo de tempo após o ataque dos Oliveira, e antes de Julius chegar, Alberto foi preso em uma das celas, justo a que o assassino, que por sinal se chama Diego, estava. Após descobrir que foi Julius que os salvou dos Oliveira, Alberto teve a ideia de tirar Diego do castelo, afinal, se descobrissem que o assassino de aluguel ainda estava lá, provavelmente o matariam.

Diego não protestou, afinal, queria continuar vivo. E agora já estava fora de Ribeirão Preto, e seria levado para São Paulo com eles. Pelo menos algo de bom nesse dia desastroso.

— Eu vou pra São Paulo, ver o que eu consigo fazer. Enquanto isso, fica quieto, e cuida das pessoas, por favor — Teddy disse, tentando soar confiante.

Na verdade, ele se sentia perdido. Seu pai estava morto. Um de seus melhores amigos o traiu. Pelo menos metade de Ribeirão Preto desconfiava dele. O pior de tudo é que ele não fazia ideia de como resolver essa situação.

Por mais que ele não quisesse admitir, parecia que Julius realmente havia vencido.

Duas Semanas Depois

Dizer que Lucas Olioti estava desolado não era o suficiente para descrever o que ele parecia sentir.

Assim que chegaram em São Paulo, Luba e Teddy passaram horas discutindo todas as possibilidades com Lira. Mandaram cartas para todo o reino, informando que Marcus era procurado, e Luba fez questão de cumprir sua promessa, e inssistiu que Lira mantivesse Diego vivo.

Além disso, não havia muito mais o que fazer. Julius cobriu muito bem seus rastros. O que nos leva à situação atual, um Teddy que parece não ter motivação para fazer nada. Ele acorda cedo toda manhã, se alimenta do mínimo possível, e passa praticamente o dia todo encarando o nada.

Por mais que Luba tentasse fazer ele conversar, fazer ele se abrir, ele não fala muito mais do que “não quero conversar”. Até que nem isso mais ele fala.

Luba sabia lidar com feridas físicas, já estava mais do que acostumado com elas. Mas o que aflige Teddy é uma ferida emocional tão extensa que ele não sabe nem por onde começar a abordar o problema.

Entretanto, Luba tinha uma ideia.

Ele carregava uma bandeja com café da manha para Teddy, que ainda estava dormindo. Além disso, também tinha duas espadas, sem corte, que pediu a Daniel. Às vezes, tudo que uma pessoa precisa é um empurrãozinho na direção certa, e Luba achava que treinar com o Teddy pudesse ser isso.

Luba abriu a porta do quarto, e viu que Teddy já estava acordado, olhando para o teto. Ele não falou nada quando Luba entrou no quarto.

— Bom dia! Aqui está seu dejejum, assim que acabar de comer nós vamos sair para treinar — Luba disse, colocando a bandeja no criado-mudo e apontando para as duas espadas presas na sua cintura — E não, você não tem escolha.

Teddy, que agora estava sentado na cama, o olhou com uma expressão levemente irritada, mas não protestou. Apenas grunhiu e começou a comer.

Luba o esperou fora do quarto, pensando no que exatamente iria fazer. Após alguns minutos, Teddy saiu do quarto, já vestindo roupas mais adequadas do que as usadas para dormir. Também estava colocando as braçadeiras de sua armadura. Ou pelo menos tentava, parecia não estar conseguindo apertá-las corretamente.

— Deixa eu te ajudar — Luba disse, sorrindo levemente com a cena. Ele veste as braçadeiras corretamente, aproveitando para deixar um leve beijo em ambas as mãos do outro, o que arrancou um breve sorriso.

— Vamos lá — Luba disse, se dirigindo à porta da frente.

Luba levou Teddy para uma pequena clareira nos arredores de São Paulo, não necessariamente remota, mas fora do caminho da maioria das pessoas. Era ali que ele costumava treinar, seja sozinho ou acompanhado por Arthur. Era um espaço grande o suficiente para que os dois pudessem se mover sem restrições, então poderiam treinar livremente.

— Como sua mão ainda não está completamente curada, não vou exigir muito. Apenas o ensinarei o básico — Luba disse, sacando uma das espadas e entregando-a a Teddy, que por sua vez a olhou sem expressão nenhuma — Elas não tem corte, então não se preocupe em me machucar.

— Por que está se dando a esse trabalho? — Teddy perguntou. Ele encarava com uma expressão um tanto vazia, o que deixava o cavaleiro um tanto desconcertado.

— Eu prometi que te treinaria, não se lembra? Não sabemos se Julius ainda vai tentar alguma coisa, então melhor estarmos preparados — Luba disse, sacando sua espada.

— Como se ele precisasse fazer qualquer coisa — Teddy disse em voz baixa — ele já venceu.

— Ei, ele ainda não venceu — Luba disse, pondo a mão no ombro do outro em uma tentativa de consolá-lo — Lira está investigando todos que sequer trocaram um oi com Julius. Logo logo deve encontrar alguma coisa.

— E quando que vai ser esse “logo”, ein?! — Teddy exclamou, afastando o braço que Luba pôs em seu ombro — Já fazem duas semanas, e até agora nada! Sabe porquê? Porque não existe nada para encontrar! — Teddy largou a espada aos pés do Luba, e se virou, começando a caminhar para longe — Melhor aceitar logo que nós perdemos, Luba.

— Então é isso? — Luba gritou, falhando em controlar sua frustração e raiva — Vai simplesmente desistir? Me pergunto o que Paschoal diria se o visse agora?

Teddy se virou, e sua expressão era de uma raiva que quase nunca esteve naquele rosto. Luba sabia que aquilo foi um golpe baixo. Ele queria tanto que Teddy expressasse qualquer emoção que fosse, que não percebeu que essa caminho só o faria sentir raiva.

— Não — a voz de Teddy estava estranhamente controlada para alguém que parecia tão furioso — Você não tem o direito de falar do meu pai.

— Alguém tem que falar sobre ele, não acha?! Desde que chegamos em São Paulo você age como se seu pai não tivesse sido brutalmente assassinado, e agora desistiu de levar justiça aos culpados! O Teddy que eu conheçi não era tão covarde — Luba disse sem pensar, e no momento que a expressão do outro passou de raiva para tristeza, sabia que tinha feito besteira.

— Se a minha covardia te incomoda tanto, não se preocupe — ele disse, voz trêmula, mas que ainda tinha resquícios da raiva que sentia — Te pouparei da minha presença.

Teddy caminhou rapidamente para fora da clareira, voltando para a cidade, e ignorando os chamados de Luba.

...

Luba, sabendo que não importa o quanto chamasse por Teddy, seria ignorado, decidiu permanecer na clareira, e treinar um pouco por conta própria. Uma tentativa de esvaziar sua própria mente.

Ele ficou lá por algumas horas, até chegar ao ponto da exaustão. Quando voltou para casa, estava coberto de suor e com o corpo todo dolorido.

Ele esperava encontrar Teddy em casa, e planejava se desculpar. Porém se surpreendeu quando chegou em casa e apenas Daniel estava lá.

— Como assim ele ainda não está aqui? — Luba perguntou, e Daniel parecia confuso.

— Eu achei que vocês dois estavam juntos — Daniel disse — O que houve?

— Eu falei merda — Luba disse, saindo correndo de casa, e deixando para trás um Daniel confuso.

Após deixar a clareira, Teddy andou sem rumo pelo bosque nos arredores de São Paulo.

Ele não queria voltar para a casa do Daniel. Não queria ter que falar com ninguém naquele momento. Principalmente, ainda estava remoendo a sua discussão com Luba.

Teddy queria poder pedir conselhos ao seu pai novamente, mas sabia que isso era impossível. Seu pai estava morto, e não pode sequer ter um funeral. Apenas isso seria suficiente para abalar qualquer pessoa. Imagine ter que lidar com a traição de um amigo próximo, especialmente quando esse ato o fez ser banido da própria casa.

Teddy sabia que não estava bem. Que tinha que fazer algo. Mas não conseguia.

Chegava até a ser estranho. Ele pensava que deveria estar, no mínimo, furioso com o Luba. Ele supostamente deveria estar sentindo um turbilhão de emoções durante essas duas semanas, com tudo o que passou. Pelo contrário,  era como se estivesse anestesiado. Não sentia motivação para nada, e deixava os dias passarem quase que em branco.

E o pior de tudo isso era ver o Luba tentando ajudá-lo, constantemente encorajando-o a conversar. Até mesmo Daniel, que além de lhe oferecer um teto em sua casa, também estava tentando animá-lo.

Não que ele estivesse colaborando muito, evitava ao máximo conversar sobre qualquer coisa que fosse. Na sua visão, ele havia falhado, e sequer merecia a empatia daqueles dois.

Ele não tinha ideia de como Luba ainda conseguia suportar a presença dele.

Após o que pareceram ser horas de caminhada, Teddy eventualmente voltou para a cidade, mas não para casa. Já havia entardecido quando ele foi parar uma taverna, que acidentalmente ou não, era do outro lado da parte da cidade em que Daniel morava.

Queria apenas esquecer tudo, mesmo que só por algumas horas.

O ambiente da taverna era quieto, com poucas pessoas lá. Afinal, não é todo mundo que está interessado em beber no meio da tarde. Haviam várias mesas longas espalhadas em um salão amplo. Ao fundo, um balcão, onde um senhor, que aparentava já ter idade avançada, servia um grupo de três homens com uma expressão nada amigável.

Quando o sino da porta tocou, sinalizando que alguém entrava, todos pararam o que estavam fazendo e se viraram para encarar Teddy. Além do trio de homens que pareciam estar pra lá de bêbados, havia apenas um senhor comendo uma refeição, e uma mulher que não parecia estar fazendo nada.

Teddy ignorou a todos, e se dirigiu a uma das mesas mais afastadas, sentando no banco próximo à ponta e sinalizando para o senhor, que acabou de servir os homens antes de ir atendê-lo.

— O que vai ser? — ele perguntou com uma voz rouca cheia de irritação.

Se o objetivo é atrair mais clientes, está fazendo um ótimo trabalho, pensou Teddy, mas evitou comentar isso, fazendo apenas seu pedido de uma refeição simples e ale, e enfatizando que queria bastante bebida.

— Não é um pouco cedo para encher a cara? — o senhor comenta, e Teddy achava que se o homem franzir a testa com mais força, seu rosto paralizaria naquela expressão para sempre. Talvez isso já tivesse acontecido, afinal ele parecia bem velho.

— Acho que sou eu quem decide isso, não? — Se for para receber animosidade gratuita, Teddy não tinha medo de devolver um pouco da mesma moeda.

O senhor respondeu apenas com um grunhido, e voltou para o balcão, mas Teddy viu que ele começara a preparar o seu pedido. Pelo menos isso.

Enquanto esperava pela sua comida, Teddy não pode deixar de perceber olhares em sua direção. Mais especificamente, olhares vindos da mulher, que acaba por estar sentada de frente para ele, mesmo que a algumas mesas de distância.

Em qualquer outro dia, Teddy admitiria que ela era uma mulher linda. Cabelos negros longos e ondulados, pele morena, e um corpo avantajado. Estranhamente, tinha algo errado com as roupas que ela usava. Pareciam trajes escolhidos para se passar por uma pessoa comum, mas por alguém que não faz ideia de como essas pessoas realmente se vestem. As roupas pareciam simples, mas estavam muito preservadas. Sem o desgaste que vem do uso contínuo. Isso gerava uma estranheza em sua aparência que Teddy não sabia identificar, mas com certea percebia que estava lá.

Além disso tudo, Teddy não somente estava em um péssimo estado mental, mas era um homem comprometido. Por mais que achasse que os dias de seu relacionamento com Luba estivessem contados, não seria capaz de sequer pensar em trair ele.

E pode não ser a pessoa mais experiente, mas conhecia aquele tipo de olhar, então ele o evitava. Algo difícil de se fazer quando a pessoa em questão estava de frente para ele.

Após alguns minutos, o velho leva o pedido de Teddy, que aproveitou para realmente ter um motivo de não olhar para a mulher, e começou a comer. Ele aproveitou a refeição, um ensopado de porco suculento e, surpreendentemente, delicioso.

Teddy começou a beber um tempo após terminar o prato, deixando a refeição sentar em seu estômago antes de ingerir álcool. Inicialmente em um ritmo lento. Eventualmente anoiteceu, e mais pessoas entraram na taverna, que começou a ficar mais agitada.

Alguns homens pareciam tentar a sorte com a mulher misteriosa, mas ela não tinha interesse neles. Ela continuava a encará-lo, para o desprazer de Teddy.

Após o sexto copo, ele já havia bebido o suficiente para ter uma embriaguez leve, mas não estava propriamente bêbado. Ele tentava não pensar muito enquanto bebia, mas não estava sendo bem-sucedido. Pelo menos, nem todas memórias eram ruins.

Teddy percebeu que a espuma da bebida formou um bigode, o que o lembrou de seu primeiro dia com Luba, quando viajavam para Ribeirão Preto e algo similar havia acontecido com o cavaleiro.

Os dois tiveram algumas conversas bem humoradas sobre os prós e contras de ter uma barba, e Luba, embora vaidoso, parecia não se importar com ocasionais alimentos e bebidas que ficam presos na sua barba.

E ele não podia negar, era uma barba linda.

Sem perceber, começou a sorrir, porém, fazia isso olhando para frente. Por estar perdido em seus pensamentos, não percebeu que encarava a mulher, que recebeu aquilo quase como um convite, e se levantou, dirigindo-se à mesa onde ele estava.

Na verdade, devido à embriaguez, ele só percebeu a presença dela quando ela falou com ele, se espantando com a voz desconhecida.

— Está com o bigode sujo — Teddy ouviu repentinamente uma voz suave dizer, e se espantou.

— Oi? — ele disse, confuso, o que causou uma leve risada vindo da moça. Após processar o que ela disse, limpou a boca com a mão.

Vendo ela de perto, ela parecia ainda mais bonita, e parecia não ser muito mais velha do que ele. Suas roupas indicavam que ela definitivamente não era uma mulher comum. Talvez fosse filha de algum mercador, ou até mesmo uma nobre atrás de “aventuras”.

— O que uma rapaz bonito como você faz em um buraco como essa taverna? — ela pergunta, e Teddy se espanta com sua franqueza. Aquela taverna podia não ser das melhores, mas ele não chegaria a chamá-la de um buraco. Pelo menos não em voz alta.

— Eu estava com fome — Teddy respondeu honestamente. Embora não estivesse com vontade de conversar, não tinha motivos para ser hostil com ela. Pelo menos ainda não. Porém, estava curioso — Mas você também não parece alguém que costuma frequentar buracos.

Ao ouvir aquilo, ela apenas levanta uma sobrancelha — As aparências enganam. Talvez eu goste dos buracos, justamente porque vez ou outra alguém interessante aparece — ela se inclina levemente para a frente, encarando-o.

— Acho que hoje não é seu dia de sorte. Não tem como ser mais monótono do que eu — Teddy disse, tentando logo encerrar a conversa. Ele continuou a comer, basicamente ignorando a presença dela.

— Aw, eu até que gosto de homens tímidos, mas não precisa se acanhar — Ela disse, mas Teddy continuou a ignorá-la — Olha, eu vou me apresentar para você, assim não seremos completos estranhos. Me chamo Isabela.

— Lucas — ele respondeu, mas continuou demonstrando indiferença. Infelizmente, Isabela não pareceu perceber. Ou se percebeu, ignorou.

— Então Lucas, você também não me parece ser de São Paulo — ela continua a falar com uma voz que para Teddy era enojantemente doce — De onde você veio?

— De fora de São Paulo — ele disse, fazendo-a revirar os olhos.

— Não precisa se fazer de difícil — ela disse com um sorriso.

— Não estou me fazendo de difícil, apenas não estou interessado — Teddy responde sem olhar para ela. A mulher parece ignorar completamente as rejeições dele, o que já estava enchendo a paciência.

— Deixa eu adivinhar, você deve ter uma mulherzinha qualquer, ordinária e entediante, te esperando em casa, e não quer traí-la — Teddy mentalmente compara Luba com uma suposta “namoradinha ordinária e entediante”, e ri consigo mesmo ao perceber o quanto aquelas caracterísiticas não se aplicam ao cavaleiro. Porém, Isabela entendeu a risada de outro modo — Ela não precisa saber de nada que acontecer entre nós dois — ela disse mais baixo, com uma tentativa de voz sedutora.

— Não, eu não tenho uma “mulherzinha qualquer” me esperando em casa — Teddy disse, já de saco cheio dessa mulher — tem um homem forte, barbudo, e muito mais bonito do que você. E ele com certeza não é nada entediante.

— Hm, então você é um “daqueles” — Isabela disse, de repente com desdém na voz — Está explicado porque não quer nada comigo.

— Não, pode ter certeza de que eu gosto de mulheres — Teddy não perdeu a oportunidade de dar o troco nela — É só você que não é interessante.

Indignada, Isabela dá um tapa na cara de Olioti e se levanta da mesa, indo direto para a saída. Apesar do ardor do golpe, Teddy não consegue deixar de sentir satisfação por ter finalmente se livrado daquela companhia.

Teddy se levanta, sentido apenas uma leve tontura que rapidamente passa, e anda até o balcão, com o objetivo de pagar por sua comida e bebida e ir para casa.

Porém, enquanto andava, percebeu que estava sem sua bolsa de moedas. Começou a olhar por seus arredores, caso tivesse deixado-a cair ou alguém a tivesse roubado, mas logo se lembrou que sequer a pegou antes de sair de casa pela manhã.

Envergonhado por acidentalmente ter dado um calote, Teddy foi até o balcão e chamou o dono.

— Achei que ainda fosse beber mais — o velho disse com a carranca de sempre — Já vai pagar.

— Iria, mas tenho um problema — Teddy disse, genuinamente envergonhado — Eu acabei de perceber que não estou com meu dinheiro — Imediatamente a irritação do dono se intensifica visivelmente.

— Mas é muito conveniente que só percebeu que não tinha dinheiro depois de comer e beber, não é?

— Eu realmente não percebi que não estava com dinheiro — Teddy disse, percebendo que algumas pessoas próximas o olhavam de canto de olho. Com certeza, ninguém gosta de um caloteiro — Olha, eu moro um pouco longe daqui, mas se me deixar ir, ainda hoje eu volto com seu dinheiro. Até te pago em dobro pela incoveniência.

— Como se eu fosse te deixar ir embora, pra você nunca mais aparecer aqui — o velho disse, saindo de trás do balcão e andando até Teddy, que ficou um pouco tenso — Não, você vai me ajudar trabalhando aqui o resto da noite. É a única forma de garantir algum pagamento que seja.

O homem ficou ao lado dele, bloqueando o caminho até a saída e indicando para que Teddy fosse para trás do balcão, onde havia uma porte que provavelmente levava à cozinha.

Sem muita escolha, Teddy ascentiu, indo até a cozinha e imediatamente sentindo o ambiente mais abafado. A cozinha era um cômodo pequeno, com um forno, um balcão pequeno, uma pia e alguns armários.

— Começa lavando essa louça, que depois eu vejo o que mais tem pra tu fazer — ele disse, logo se retirando da cozinha, não sem antes fazer uma pergunta — Qual o teu nome, mesmo?

— Lucas — ele respondeu.

— Hm. Tu deu sorte que tem pouco movimento hoje — Ele disse e saiu, voltando para a frente.

Teddy ficou de frente para a pia, que estava relativamente cheia de pratos, copos e talheres sujos. Ele não tinha ideia de como aquele homem conseguia manter uma taverna sozinho, mas decidiu não pensar muito nisso.

Primeiro ele retirou suas braçadeiras, colocando-as sobre um dos armários ao lado, e dobrou as mangas de sua camisa para que não molhassem, e pôs-se a lavar a louça.

Não era uma tarefa com a qual estava acostumado, mas, no mínimo, sabia o que tinha que fazer.

...

Teddy perdeu a noção do tempo enquanto lavava a louça. Ele já estava quase terminando, sua camisa um pouco molhada, quando o senhor entrou na cozinha, indo até a pia e aparentemente fiscalizando o trabalho dele.

— Até que não está tão ruim — ele disse — Mas já ta bom disso. Vem aqui pra frente, me ajudar a limpar — ele disse, já voltando pela porta da cozinha.

— Senhor, qual o seu nome? — Teddy perguntou ao homem, que o encarou por um segundo antes de responder.

— André. Agora cuida, vem limpar — ele disse, saindo da cozinha.

Teddy enchugou suas mãos o melhor que pode antes de sair da cozinha. Ele se espantou ao ver que a taverna já estava praticamente vazia, apenas poucas pessoas ainda restavam, e elas já estavam se dirigindo à saída. Ele não fazia ideia de quanto tepo havia passado. Principalmente, pensou que Luba e Daniel devem estar preocupados com ele, por ter sumido o dia inteiro.

De qualquer modo, pegou um dos esfregões e começou a limpar o chão ao redor das mesas que já estavam limpas.

Após finalmente expulsar um dos últimos bêbados que mal conseguiam andar, André continuou a limpar as mesas, ocasionalmente olhando para Teddy e verificando se ele estava fazendo um trabalho decente ou não.

— Até que você não é tão ruim — André disse após terminar a limpeza — Pelo menos não me deu mais trabalho.

— Eu já pedi desculpas por ter esquecido o dinheiro — Teddy respondeu enquanto continuava a limpar — E acho que fiz mais do que o suficiente para pagar um prato de comida.

— A questão não é o valor, e sim o intuito — André disse. Ele parecia ter ficado menos irritado — Aposto que nunca mais vai esquecer de levar suas moedas quando for comer em algum lugar.

Teddy apenas riu, assentindo. Afinal, não podia negar que era a verdade.

Eles continuaram a limpeza, e após cerca de meia hora, o estabelecimento estava completamente limpo.

— Se me permite uma pergunta — Teddy disse — Você cuida disso tudo sozinho?

— Normalmente não — André respondeu, irritação voltando levemente à sua face — O vagabundo do meu funcionário não aparece aqui já tem três dias. Por sinal, se estiver interessado em um trabalho, vou ficar muito feliz em me livrar dele de vez. Pelo menos você sabe lavar louça.

Isso explica a irritação aparente dele. Mas ainda assim, oferecer trabalho para um completo estranho era, bom, estranho.

— Você acabou de me oferecer um trabalho? — Teddy perguntou, surpreso. Ele nunca teve que trabalhar. Nunca precisou. Afinal, era filho de Lorde, e tudo mais. Porém, não tinha ideia de quando sua situação atual se resolveria, e mais cedo ou mais tarde, suas economias acabariam.

— Claro que não é o trabalho mais glorioso, mas eu pago em dia — André disse — Se não quiser, também não faço questão.

Naquele momento as portas da taverna se abrem, e uma figura familiar entre.

— Já estamos fechados — André disse rapidamente, pronto para expulsar quem entrou.

— Me desculpe o encômodo, senhor. Só estou procurando uma ... — Luba se explicava, mas parou de falar quando viu Teddy ao lado de André — Teddy!? Eu estava o dia todo te procurando!

Luba percorreu a distância entre eles e o abraçou, um pouco forte demais, mas Teddy não se importava.

— Achei que alguma coisa tinha acontecido contigo! — Luba disse, ainda abraçando-o. Porém, se afastou quando ouviu um pigarrear.

— Nada aconteceu, Luba — Teddy explicou — Exceto por eu ter esquecido meu dinheiro. Então tive que trabalhar para o seu André aqui, para pagar minha refeição.

— Espero que ele não tenha dado trabalho — Luba disse — E desculpe por entrar assim do nada.

— Até que ele sabe se virar. E não tem problema, você parecia preocupado.  — André disse, olhando os dois com o que parecia ser um sorriso — Mas então Lucas, vou te ver aqui denovo?

— Vou pensar na sua proposta — ele respondeu — Agora temos que ir. Até outro dia, André.

Os dois saíram da taverna, e começaram a caminhada relativamente longa para casa. Teddy estava realmente cansado, e queria apenas chegar em casa e dormir. Logo, não percebeu a inquietação de Luba.

Eles passaram algum tempo em silêncio. Teddy ainda processava o que havia acontecido. Desde a discussão com Luba, sobre a qual ainda tinham que conversar, até a proposta de trabalho.

Mesmo que aceitasse, seria apenas temporário, não? Logo eles conseguiriam desmascarar Julius, e ele voltaria para Ribeirão Preto. Ainda assim, que mal faria aceitar?

— O que você ficou fazendo o dia inteiro? — Luba de repente perguntou, olhando-o com preocupação.

— Fiquei só andando por aí. No fim da tarde fui naquela taverna para comer, mas quando fui pagar, vi que não tinha dinheiro, então o André me fez trabalhar.

Luba respondeu apenas com um “hm”, e continuaram a andar. Teddy então percebeu o quão tenso o outro parecia estar. Ele decidiu não comentar nada. Sabia que se Luba tivesse um problema ele falaria, então era melhor esperar.

Após uma longa caminhada, realizada sem mais nenhuma conversa entre os dois, eles finalmente chegaram em casa. Luba permaneceu em silêncio enquanto entravam, indo direto para seu quarto.

Teddy, por sua vez, foi até a área da casa onde ficava a água. Ele tirou as roupas sujas, e passou uma toalha molhada pelo seu corpo para se livrar do suor e do cheiro de álcool.

Ao entrar no quarto, viu que Luba estava sentado na cama, olhando para as próprias mãos. Ele não percebeu sua entrada, e apenas quando Teddy se sentou na cama ao seu lado, foi que Luba se virou para olhá-lo.

— Lucas, sobre hoje de manhã, eu queria te pedir desculpas — ele disse, olhos verdes o encarando.

— Luba, não precisa se desculpar ... — Teddy começou a dizer, mas foi interrompido.

— Preciso, sim. Eu não deveria ter dito o que eu disse. Não foi justo contigo.

— Eu é quem preciso me desculpar — Teddy disse, resultando em um olhar confuso vindo do outro — Eu realmente estava desistindo, e precisava ouvir aquilo. E mesmo que não consigamos fazer nada contra o Julius ... — Luba o corta.

— Nós vamos conseguir desmascarar ele, Teddy — Luba disse com convicção.

— Por mais que eu queira que isso seja verdade, não temos certeza disso, Luba — Teddy responde com um sorriso triste — mesmo assim, não é como se isso fosse o fim do mundo. Pelo menos ainda estamos juntos.

Duas semanas antes

— Aqueles malditos mentiram para mim! Até mesmo mostraram um corpo que supostamente era Lucas Olioti — Julius esbravejava para seus assessores. Ele estava furioso, afinal, a mentira dos Oliveira poderia destruir todos os seus planos.

— Eles foram espertos em queimar os corpos de Olioti e Paschoal — Carlos disse — não tinha como eles serem reconhecidos, então tivemos que confiar na palavra deles.

— Agora eu descubro que Lucas Olioti está vivo. Além disso a vadiazinha que Oliveira chamava de filha está viva em algum lugar de São Paulo! Se ela souber das conversas que tive com seu pai...

Julius andava de um lado para o outro da sala de reuniões. Ele já tinha uma ideia em mente sobre como lidar com a situação, mas era a pior das soluções. O problema era que não havia outra alternativa.

Ele parou de andar, apoiando ambas as mãos na mesa — Não posso me arriscar, eles têm que morrer.


Notas Finais


Pelo que eu tenho planejado, ainda faltam uns 15 capítulos para terminar. Vou tentar atualizar semanalmente, mas também não prometo nada :)


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