História O Ceifador e o Arruaceiro - Capítulo 51


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Personagens Cho Seungyoun, Kim Wooseok, Lee Hangyul
Tags Ceifador, Cha Junho, Cho Seungyoun, Gyulem, Gyullem, Jungyul, Kang Minhee, Kim Wooseok, Lee Dongwook, Lee Hangyul, Lemgyul, Nam Dohyon, Produce X 101, Song Hyeongjun
Visualizações 284
Palavras 3.721
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi leitores lindos e maravilhosos, já tava aqui com saudade de vocês (a dramática kkkk) ♡ Muita gente me pediu pra saber sobre o passado do Wooseok e como ele se tornou um ceifador e eu decidi fazer um capítulo extra pra mostrar pra vocês o que rolou com ele ^^ Espero que gostem ♡

Lembrando que amanhã eu começarei a postar a segunda temporada, tô já com alguns capítulos escritos e mal posso esperar pra dividir com vocês tudo o que eu tenho em mente! Então me sigam aqui pra não perder as novas postagens~

Também planejo fazer mais alguns capítulos extras pra essa fic, então assim que der eu apareço por aqui com conteúdo novo ^^

Agora, sem mais delongas, boa leitura ♡

Capítulo 51 - Como Wooseok morreu (e virou um ceifador) EXTRA


Wooseok não nasceu com sorte, ao contrário, viu toda a sua família ser aniquilada quando era apenas uma criança e cresceu aos cuidados de estranhos. Apesar de tudo, nunca acreditou no azar e sozinho se reergueu e se responsabilizou pelo próprio destino. Por volta da última década da dinastia Joseon, abriu seu próprio comércio e trabalhou diariamente por seu sustento, provando a si mesmo que a vida sempre dá voltas inesperadas.

Ele se apaixonou por aquela época também, a garota em questão era bonita e delicada como uma flor, elegante e refinada. Wooseok mesmo não era um rapaz feio, ao contrário, tinha herdado os bonitos traços da mãe e se destacava no meio dos trabalhadores, alguns até mesmo diziam que ele tinha cara de nobre, combinaria usando roupas elegantes e vivendo no palácio, mas ele não se importava com nenhuma dessas coisas. Tudo o que mais queria era ver aquela adorável garota todos os dias e se casar com ela no momento mais oportuno.

Eles começaram a se encontrar as escondidas, flertavam sempre que se viam, uma olhada aqui, um sorrisinho ali. A química evoluiu para dedos entrelaçados, beijos roubados, promessas de união eterna. Tudo parecia lindo, como se seu destino estivesse finalmente alinhado com seus objetivos, mas como ele sempre pensava... A vida dá voltas inesperadas, e nem sempre elas são positivas.

Era noite de lua cheia, ela não veio ao encontro debaixo da árvore de sempre, Wooseok esperou apreensivo por horas e começou a se sentir estranho com o sumiço, afinal de contas ela nunca faltava. Ele sabia onde era sua casa, ainda não tinha sido apresentado à sua família, portanto não sabia se era certo aparecer por lá, quem sabe apenas espiaria por cima do muro para ver se estava tudo bem. Enquanto caminhava, começou a notar uma movimentação estranha pelas ruas, todos ao seu redor pareciam mais agitados conforme ele se aproximava do local. Seu coração começou a bater depressa e uma sensação ruim se apoderou de seu peito, não podia ser que algo tivesse acontecido a ela, podia?

Havia um grande número de pessoas aglomeradas em frente à casa e o garoto precisou fazer caminho entre elas, empurrando um a um. No meio da multidão, espiou por cima do ombro de um homem e não acreditou que seus olhos estivessem vendo o que viam. Como em um flashback do passado, a garota, seu pai, sua mãe e seu irmão mais velho estavam jogados no chão, um rastro enorme de sangue escorrendo de seus corpos falecidos. Aquela era a mesma cena que viu quando foi poupado aos seis anos de idade, seu pai, sua mãe e sua avó atirados no chão como se não fossem nada, como meros fantoches em uma época onde a vida não tinha qualquer valor.

Wooseok achou que iria enlouquecer, não podia estar passando por aquilo de novo, não sabia se iria aguentar aquela dor mais uma vez. Por que tudo o que amava sempre era tirado dele do jeito mais brutal possível?

Ele não queria mais ser uma boa pessoa, qual era o ponto? Ele tentou ser bom e honesto mesmo nas condições nas quais cresceu e a vida lhe recompensou por isso apenas com mais desgraça. Ele logo perdeu a vontade de abrir sua loja todos os dias, não via objetivo nenhum em ganhar dinheiro e chorava sozinho todas as noites sonhando com o casamento que nunca teria e a família que jamais seria sua.

Sua tristeza logo se tornou raiva e um desejo doentio por vingança, se pudesse mataria todos à sua volta porque não queria sofrer sozinho, não queria ser o único a perder quem amava. Esse desejo logo lhe levou ao crime e o guiou até a casa de um homem nobre chamado Lee Dongwook, que ao que parecia precisava de alguém que lhe fizesse determinados “trabalhos”. Wooseok não estava lá pelo dinheiro assim como todos os demais, foi o que o nobre homem logo notou, ele nem se importava com o pagamento. Tudo o que queria era matar os corruptos, fazer sua vingança com as próprias mãos, e corruptos era o que mais havia ao redor de Lee Dongwook.

Foi assim que começou a trabalhar para o homem, primeiro precisou praticar sua pontaria no arco e flecha, depois os dotes com a espada. O garoto nunca tinha lidado com nenhuma das coisas, tinha sido apenas um comerciante simples, jamais havia matado sequer uma formiga. Mas lá estava ele, movido pela raiva, treinando noite após noite até fazer sua primeira vítima. E então a segunda, a terceira... Em um ano, Wooseok trazia em mãos o sangue de boa parte dos corruptos da região, e logo se tornou o braço direito de seu nobre chefe.

Mas cada morte atendida com sucesso era também mais um dia escapando do perigo, e por mais que estivesse preparado para triunfar, sabia os riscos que corria. A melhor parte de ter se tornado um monstro, como se referia a si mesmo, era que a morte não lhe assustava. Tinha sofrido tantos anos por ela, perdido seus entes mais queridos, que agora não se importava mais, se morresse apenas se conformaria com isso.

Ele lutou e matou com essa mentalidade por muito tempo, até o dia em que sua batalha chegou ao fim. Naquele dia, ironicamente, ele não estava trabalhando, não levaria sangue nenhum nas mãos. Wooseok tinha ido até a casa de seu chefe para um jantar, não gostava daquele tipo de coisa, vivia sozinho agora e isolado de todo mundo, então o convívio social lhe deixava nervoso, mas Dongwook tinha insistido muito que viesse para celebrar seus grandes feitos, o nobre homem acreditava que estava fazendo justiça e que eles logo viveriam uma nova era graças a ele.

Naquela noite ele bebeu e comeu comidas que nunca tinha provado antes, assistiu uma performance de teatro e se permitiu relaxar um pouco. Olhava para os casais ao seu redor e lembrava de sua garota e todos os sonhos que morreram junto com ela. Uma lágrima fina escorreu por sua bochecha depois de muito tempo... Por que não podia ser feliz?

Com a guarda baixa, não percebeu a invasão do local até a matança começar. Aparentemente, haviam descoberto quem era o mandante por trás de todos aqueles crimes e resolveram se vingar. Dongwook e seus guardas foram pegos de surpresa, o número de pessoas enviadas para mata-los era o dobro dos homens que tinha, nem sequer seria uma batalha justa.

O sangue de criminosos e inocentes começou a jorrar pelo chão do local que antes tivera sido pacífico, Wooseok pulou com sua espada e levou o máximo de homens que conseguiu ao chão, mas àquela altura a grande maioria de seus colegas já tinha morrido e havia muito mais homens de pé do que ele sozinho conseguiria deter.

Foi quando soube que seu dia havia chegado.

Dongwook estava tremendo, tinha sido encurralado e não era assim tão bom com a espada, além do mais não conseguiria encarar três homens de vez. Wooseok correu até a cena e se colocou na frente do chefe, se pelo menos ele continuasse vivo, quem sabe conseguiria cumprir seu objetivo de criar um novo mundo.

Ele nunca teve medo da morte, mas no segundo em que se virou e viu um quarto homem pular em sua direção, rasgando suas costas de fora a fora com uma espada, visualizou toda a vida passando por seus olhos... Sua infância, os afagos da mãe, o aprendizado com a avó, as vezes em que orgulhou de seu pai... A morte brutal de todos eles, sua vida sendo poupada, os estranhos que o jogavam de um lado para o outro, a fome, o incentivo para continuar seguindo em frente e nunca desistir, as primeiras vitórias, o primeiro amor, o primeiro beijo, o sonho do casamento, a criação dos filhos, dos netos e uma morte pacífica. Aquela não teria sido a vida perfeita, mas era a vida que queria muito ter tido. Agora ele estava indo para a escuridão, para um lugar que não sabia o que esperar e tudo o que pensava, com os olhos marejados, era se veria seu grande amor novamente.

“Não acredito que enviaram apenas cinco de nós, de jeito nenhum vamos conseguir mandar esse tanto de gente lá para cima”.

Wooseok ouviu vozes desconhecidas e em seus últimos segundos de vida, viu vários homens com capas negras se aproximando dos demais corpos jogados ao chão, mas não soube o que estava acontecendo. Quando olhou para cima com o resto de força que tinha, viu uma enorme foice ser apontada em sua direção e no segundo seguinte sentiu o coração parar de bater. Tudo ficou escuro por um segundo, mas estranhamente, no segundo seguinte, ele estava de volta no mesmo lugar.

- Eu geralmente tenho várias coisas para te dizer, mas preciso levar várias pessoas hoje, então apenas me acompanhe em silêncio que lá em cima irão te explicar tudo, ok?

O homem de capa negra lhe deu as costas e foi até outra pessoa que estava jogada no chão. Wooseok olhou em volta e tentou entender a situação, olhou para as próprias mãos e se sentiu vivo, mas sabia que não estava mais. O que tinha acontecido e para onde estava indo?

Ele olhou para trás e viu Dongwook jogado no chão, outro homem de capa negra erguia a foice em sua direção naquele instante. Um grito feminino, seguido pelo de uma criança, vieram do portão da frente e em questão de segundos, a esposa e o filho de seu chefe estavam aos prantos ao lado de seu corpo falecido. Ao lado dele estava o próprio Dongwook, que parecia tão confuso quanto ele mesmo sobre tudo aquilo. Wooseok olhou para seu corpo estendido no chão e se sentiu pequeno e insignificante... Todos eles haviam morrido naquela noite, mas pelo quê?

Os assassinos tinham escapado assim que mataram o chefe, então quando os reforços chegaram, já não adiantava mais nada. Eles continuariam por ai fazendo ainda mais vítimas e só Deus sabe como seriam detidos. No fim das contas, será que ele havia tido a vingança que tanto queria?

Um grupo enorme de pessoas seguiu os homens de capa preta até um local que não era mais na Terra, mas que também não era no céu. Eles se aglomeraram em um corredor apertado e um a um foram sendo chamados em uma sala, ao que parecia seu destino seria decidido ali. Wooseok ficou chocado ao descobrir que havia mesmo uma divisão entre o céu e o inferno e teve a certeza absoluta de que seu destino nem precisaria ser decidido: ele iria para o inferno. E então pensou sobre a garota que tanto amava, seu coração puro e bondoso jamais teria a guiado para um lugar ruim, ela certamente estava no céu agora. Se ele fosse para o lugar oposto, havia sequer alguma chance de se verem de novo?

Dongwook estava escorado na parede em sua frente, os olhos fixos nele, mas os lábios mudos pela falta do que dizer. O chefe não acreditava que eles estavam ali, que tinham mesmo morrido, por que o preço de mudar o mundo tinha sido tão caro?

O nome de Wooseok foi chamado meia hora mais tarde e ele entrou com as pernas um pouco bambas numa enorme sala escura. Havia uma mesa redonda e vários homens e mulheres com capas negras olhavam para ele, como se estivessem checando sua alma. Fazia muito tempo que tinha perdido o medo de tudo, nada mais lhe assustava, mas aqueles estranhos estavam fazendo seu coração gelar.

Um deles começou explicando que todos eram ceifadores e que aquela era a sala onde o destino dos homens eram decidido. Depois que seus pecados e bondades fossem avaliados, eles iriam ou para o céu e viver um grande período de descanso no paraíso, para algum dia reencarnarem, ou então para o inferno, um lugar sombrio e frio de onde jamais era possível sair.

Wooseok engoliu em seco e seu coração estremeceu ao pensar que seu grande amor estava tão próximo a ele agora, mas que logo estariam separados pela eternidade. Aquilo doeu, quem sabe se desde o início tivesse sabido disso, teria repensado sua ideia de vingança. Agora que estava quase morto, já não tinha mais tanta vontade de vingança, ao invés disso, só conseguia lembrar de seu grande amor.

Os ceifadores começaram a contar seus pontos, embora ele soubesse que era perda de tempo, havia matado tanta gente que não tinha a menor chance de sair dali com uma pontuação positiva. Apesar disso, começou a murmurar baixinho “eu quero uma segunda chance, eu quero uma segunda chance” e desejou com todo o seu coração poder reencontrar seu grande amor. Não havia nada mais que queria, só estar ao lado dela.

Após uma discussão mais longa do que ele esperava, parecia que aqueles ceifadores tinham encontrado algo de bom nele, algo que ele nem sabia que ainda tinha. Decidiram por fim dar a ele a segunda chance que tanto queria, mas ao invés de ir para o céu, ficaria por ali trabalhando como um ceifador até recuperar todos os pontos que precisava para subir ao paraíso. Ao invés de ter achado aquele um trabalho enfadonho, Wooseok agradeceu milhares de vezes e correu para começar a se preparar, quanto mais cedo começasse, mais rápido estaria nos braços da amada.

 

Quando chegou para sua primeira aula – usando a capa preta que tinha recebido – o garoto se deparou com alguns olhares conhecidos, dentre eles o de seu chefe, Dongwook. Parecia que o homem também tinha recebido uma segunda chance e ele não podia negar que era confortável ter alguém que conhecia por perto.

Wooseok começou a trabalhar como ceifador naquela mesma semana, colocando em prática tudo o que tinha aprendido meticulosamente. Não achou o trabalho difícil, era na verdade bem mais fácil conduzir os mortos ao céu do que ser o responsável por sua morte. Com o passar do tempo, começou a se destacar, recebia trabalhos extras, via sua pontuação melhorar todos os dias, sabia que estava a um passo mais perto de reencontrar sua felicidade.

Mas seu chefe parecia estar com a mesma dedicação do que ele e os dois começaram a competir pela posição de destaque. Dongwook era um homem muito sábio e inteligente, tinha construído uma fortuna com as próprias mãos em vida, fortuna essa que suas próximas gerações usufruiriam. Sua aptidão se mostrou igual no trabalho como ceifador e não demorou nada para que toda a divisão onde trabalhava soubesse quem ele era.

Foram necessários apenas 50 anos de trabalho para que Dongwook atingisse a pontuação necessária para subir ao céu e isso é metade do tempo que a grande maioria leva. Seus superiores estavam muito surpresos com sua dedicação e até mesmo um pouco tristes por perderem um ceifador tão dedicado. Aquela situação deixou Wooseok ainda mais nervoso, tinha feito os cálculos, mas precisava de ainda mais alguns anos de trabalho para concluir sua pontuação. Ainda assim, ele era o segundo ceifador mais competente da divisão e tão bem visto quanto o outro.

No dia em que Dongwook deveria subir aos céus, Wooseok não parava de pensar em como seria se estivesse em seu lugar, imaginava o reencontro com a amada lá em cima, nunca tinha se esquecido dela nem por um dia sequer. Assim que levantava, trabalhava o dia inteiro pensando nela e em estar mais perto de seu reencontro. Tudo em sua vida girava em torno disso.

Foi surpresa geral quando Dongwook anunciou que não iria subir ao céu, tinha se acostumado tanto com o trabalho como ceifador que preferia ficar. Em suas próprias palavras “não havia nada de excitante no céu, ali onde estava se sentia mais valioso ajudando as pessoas a encontrarem seu caminho para o paraíso. Wooseok não acreditou quando ficou sabendo disso, daria qualquer coisa para ter a oportunidade que ele teve, mas seu chefe era mesmo um homem muito diferente. Naquele dia, pouco sabiam o quanto ele iria revolucionar o mundo dos ceifadores.

Ao decidir ficar, Dongwook foi presenteado com um cargo de aprendiz na diretoria, posição bem mais elevada do que a dos simples funcionários. Esse lugar deu a ele um poder que nunca teve antes e muito mais liberdade para entender o mundo em que vivia e seus arredores. Wooseok, é claro, abusou da posição do amigo para descobrir uma informação que lhe era crucial: o paradeiro de sua amada. A princípio, seu chefe não estava disposto a quebrar regras, porém ele logo descobriu que o garoto era insistente demais e não se daria por vencido até ter aquela informação em mãos.

“É só para me certificar”, foi o que prometeu, mas quando Dongwook digitou os dados dela no sistema, descobriu muito mais do que apenas uma certificação.

- Ela não está no céu – disse e franziu a testa – Ela reencarnou há 30 anos.

30 anos? Wooseok fez as contas e caiu sentado ao descobrir que sua amada já não estava mais lá há tanto tempo... Pior do que isso foi quando seu chefe decidiu dar uma olhada no que ela fazia na Terra e descobriu que ela estava casada com sua alma gêmea.

- Eu sou sua alma gêmea – Wooseok apontou para si mesmo chocado.

Dongwook ergueu a sobrancelha e suspirou.

- Não, eu não acho que você seja. Ela está cumprindo seu destino agora, ao lado da pessoa que ela ama... Desculpe.

Aquele choque pegou o garoto de surpresa, quase parecia que aquela não era sua vida e sim um filme muito esquisito no qual havia se metido. Como podia ser que não fossem almas gêmeas se tinham se amado tanto? Como era possível que agora ela estivesse vivendo sua vida ao lado de outro homem enquanto ele passou os últimos 50 anos trabalhando diariamente para estar ao lado dela? Será que sua existência inteira tinha sido uma mentira?

Nos dias que se seguiram Wooseok não tinha vontade de nada, pediu folga do trabalho e passava o dia todo encarando o teto do quarto. Tinha trabalhado tão duro para que? De repente, todos os seus esforços não faziam o menor sentido, era melhor que apenas abandonasse tudo e fosse para o inferno. Fora ela, não tinha mais motivo algum para ir para o céu, sua família provavelmente já teria reencarnado também. Não era melhor apenas desistir?

- Por que você não trabalha comigo?

Dongwook bateu o copo de uísque na mesa e encarou o outro, que parecia muito mais sombrio agora do que jamais pareceu antes. Seu chefe tinha planos, sabia que em um ou dois anos seria promovido como o diretor do departamento e precisaria de um aprendiz ao seu lado. Ele via potencial em Wooseok, sabia que ele não o deixaria na mão, afinal de contas os dois se conheciam desde que ainda estavam vivos. Achava um desperdício alguém como ele se render e ir para um lugar como o inferno, ele havia nascido para ser muito mais importante do que isso.

Aquela sugestão fez o garoto pensar, antes tinha perdido todos os seus objetivos e sentia como se não tivesse lugar no mundo para ir, mas agora talvez pudesse haver uma esperança... Não parecia má ideia trabalhar na diretoria, teria um status mais alto do que os ceifadores comuns e viveria num lugar melhor, além disso completaria os pontos necessários e se algum dia no futuro quisesse subir para o céu, seu caminho estaria aberto. Além disso, teria a companhia de Dongwook, não que eles não passassem boa parte do tempo se bicando, mas era melhor do que ficar sozinho.

- Eu aceito – disse e estendeu a mão diante do outro, em uma tarde chuvosa.

O chefe sorriu e pegou em sua mão, selando o trato. O garoto ainda precisava completar sua pontuação, mas em mais ou menos dois anos, eles seriam os ceifadores mais importantes daquele departamento.

 

 

 

 

Quando Dongwook assumiu a diretoria, aplicou mudanças fundamentais no dia a dia dos ceifadores: Suas capas negras de outrora foram substituídas por belos ternos e um chapéu elegante e cada ceifador recebeu um tablet, o qual continha um sistema atualizado que permitia que os dados de cada ser humano estivessem disponíveis com um simples download, para facilitar o processo de entrada no reino celestial. Todas aquelas coisas foram implementadas com o tempo e dedicação, mas em seus primeiros 50 anos na diretoria, o mundo dos ceifadores viu mais mudanças do que em todos os outros de sua existência.

Wooseok também se acostumou com o trabalho, com a rotina da diretoria, a papelada, os ceifadores que iam e vinham. Apesar de conviverem com muita gente ao redor, os dois só tinham um ao outro, no tipo de trabalho que faziam não podiam se apegar a ninguém. Eles achavam que era melhor assim, quando você se apegava a alguém, sempre sentia sua falta quando ela partia, e se tinha algo que o garoto sabia muito bem era que sentir a falta de alguém era a pior coisa.

 

 

 

 

 

O ano era 2019, fazia mais de 100 anos que Wooseok tinha se tornado um ceifador, e mais de 50 que virou o ceifador aprendiz na diretoria de seu amigo e chefe de longa data, Lee Dongwook. O trabalho era mais legal do que imaginava que fosse ser e ele se surpreendia sempre que pensava que era feliz. Pela primeira vez desde que nasceu, ele era feliz.

Há um mês, teve que se despedir de duas pessoas que se tornaram muito importantes para ele, contrariando sua ideia inicial de que o trabalho na diretoria não lhe deixaria próximo de ninguém. Kang Minhee, o garoto inteligente de cabelos loiros tinha seguido seu caminho para o céu e dá última vez que soube, ele estava vivendo muito feliz com sua família e era uma grande atração no paraíso. Song Hyeongjun também havia encontrado sua felicidade, a dele na Terra. Vez ou outra o espiava pela tela da diretoria, sorria sozinho ao vê-lo feliz ao lado de seu grande amor e pensava sobre como seria aquilo. Depois de sofrer tanto por um amor, havia destruído qualquer fragmento dele de seu coração e decidido que nunca mais iria amar, mas às vezes se pegava pensando....

E se...

E se um dia pudesse abrir seu coração para alguém de novo, como será que seria essa pessoa? 



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