História O cemitério e os amáveis visitantes - Capítulo 1


Escrita por: e ourceci

Postado
Categorias SHINee
Personagens KiBum "Key" Kim, Personagens Originais, Taemin Lee
Tags Kids!au, Shineeproject, Taekey
Visualizações 49
Palavras 2.367
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Fluffy, LGBT, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá <3
Essa é uma história curta e bobinha, pra aquecer o coração e arrancar suspiros de amor!
Espero que vocês possam aproveita-la como eu aproveitei, beijossss

Capítulo 1 - Um amor pode curar a solidão


O dia estava nublado e frio, os urubus voavam juntos e o vento soprava com um "buuuu", como os fantasmas fazem. Enquanto o tempo se preparava para assustar os moradores da cidadezinha de algum país esquecido, um menininho de cabelos cor de uva se debruçava na janela e fazia beiço, sua mãe havia o repreendido e ele achou uma injustiça, afinal, só queria mostrar que conseguia se virar sozinho e que não precisava de ajuda.

— A mamãe acha que ainda sou um bebezinho, mas eu já cresci! — ele desabafava com o vidro da janela, enquanto fazia uma fumacinha. — Eu sei tomar banho sozinho...

Algumas lágrimas inocentes caíram sobre o rosto do menino. Ele jogou os cobertores para longe, calçou os pés e saiu indignado, batendo a porta, bem devagar e nas pontas dos pés, foi para a rua antes que sua mãe notasse.

Uma chuva fina caía e o vento gélido ainda fingia ser um fantasma. O garoto puxou as mangas do casaco até cobrirem suas mãos e, ignorando o medo que — dizia ele — era quase inexistente, continuou a caminhada. Não muito tempo se passou e o garoto deu de cara com um portão em ruínas e percebeu uma atmosfera um pouco triste, talvez até um pouquinho assombrosa, mas nada que o fizesse sair correndo de medo. Olhou mais para cima e leu os dizeres do portão, era um cemitério!

Adentrou o local um pouco receoso, mas logo ficou deslumbrado, não era tão ruim como pensara em seus quase nulos aninhos de vida. O menino ficou encantado com as inúmeras cruzes, túmulos e lápides, estas que possuíam dizeres fúnebres, então ele, ao ler, demonstrou alguma tristeza e pediu para que os falecidos ficassem em paz.

— Olá, amigos! — ele falou, como um apresentador de programas fala com seus telespectadores. — Eu sou o Taemin, mas podem me chamar de Tae.

Intrigado, Taemin se pôs a observar os túmulos. Queria que aquela gente fosse capaz de entendê-lo, mas infelizmente não deu certo. Mesmo recebendo somente silêncio em troca, ele se sentiu bem e era só sorrisos para com os túmulos, lápides e cruzes que se estendiam por todo o cemitério.

— Há um senhor coveiro aqui? Não quero levar um chute na bunda, mamãe me mata!

Mais uma vez só ouviu o silêncio, então não devia ter um senhor coveiro perambulando por ali. Num certo momento, Taemin deixou-se fantasiar. Pensava em tantas coisas curiosas! O que há após a morte? Um vácuo ou um mundo superior fantástico? O Inferno pegava fogo? Os anjos e demônios existiam? E a reencarnação? Pensou tanto e tanto que mal teve tempo de pensar em voltar para casa.

— Se o Inferno é quente como dizem, nem mesmo as pobres almas devem conseguir sobreviver... — disse com calma e, segundos depois, pulou eufórico — Se o Inferno é quente, significa que o Céu é frio? Isso é difícil, minha cabeça dói.

— Olha só! Temos visitas — um garotinho surgiu sabe-se lá de onde.

Vestia-se com um casaco cinza largo, o capuz cobria parte de seu rosto, tinha também uma calça preta que marcava suas pernas finas e seus pés tocavam a terra com um restinho de grama. Seus olhos estavam grudados nas vestes de Taemin.

— Ah... sim. Eu entrei aqui sem querer — ele mentiu —, minha mamãe estava com fogo nos olhos e eu fiquei com medo.

— Não se preocupe! — o outro fingiu acreditar e soltou um meio sorriso. — Só toma cuidado, ʼtá bem? Não mexe em nada.

— Você não se importa mesmo? — Taemin apertou as mãos e os lábios, nervoso. — Mas afinal, quem é você?

— Sou só um menino como você. — O outro exibiu uma expressão séria e voltou seu olhar para algumas lápides. — Mas não tenho quem me ampare.

Taemin entendeu de prontidão o que ele quis dizer. Mesmo sendo uma criança, sabia que as pessoas iam embora e seus parentes ficavam desamparados, então tentou confortar o menino.

— Eu sinto muito, colega.

— ʼTá tudo bem, já faz tempo, não dói tanto quanto antes — ele respondeu.

— Qual o seu nome? E quem cuida de você? — Taemin, curioso, deu dois passos para ficar mais perto do menino.

— Sou Key. — Ele deu uma piscadela. — Eu me viro sozinho, é um pouco difícil. Vou pra escola todos os dias, mas nos eventos de dia das mães ou dos pais eu fico sozinho, sabe? As reuniões de responsáveis não significam nada também… — O menino suspirou.

— Ah... — Taemin ficou sem graça. — Key, não quer vir pra casa da minha mamãe comigo? Você pode nos visitar sempre e eu peço pra mudar de escola, assim você não fica tão sozinho!

— Você é legal! Mas eu não sei se sua mamãe vai concordar com a ideia...

A mulher não demorou para aparecer chamando por seu filho.

— Key, eu já vou. E vou falar com ela, quem sabe ela concorda? Nos vemos outro dia! Aliás, meu nome é Taemin, tchau!

— Tchau, Taemin! — Key acenou, com um ar de alegria.

Quando Taemin e sua mãe chegaram à casa, já era noite. O vento havia se conformado que era apenas vento, mas a chuva só piorou. Depois de levar um pequeno — grande — sermão, o menino se trancou no quarto. Era muito bom ter um cobertor quentinho e um lugar para se proteger da chuva e daquele vento assustador. Se Key tinha isso ou não, ele não sabia, mas o que mais o preocupava era o fato de que seu mais novo colega não tinha ninguém. Antes que fosse outro dia, ele decidiu falar com sua mãe e saltou da cama, correndo pelo chão frio com seus pés descalços.

— Mamãe! — Taemin bateu três vezes na porta do quarto. — Vem aqui!

— Olá, querido. O que há? — A mulher abriu a porta, pegou seu filho no colo e o levou para dentro do quarto.

— É que eu conheci um menino naquele cemitério e ele é órfão. Não podemos ficar com ele aqui? — Taemin disse, com a maior simplicidade do mundo.

— Não é tão fácil, filho. Veja bem, é uma papelada danada, e eu não posso cuidar de mais uma criança.

— Mamãe... ele não pode nem vir nos visitar todos os dias?

— Certo, Taemin... pode sim. — Ela suspirou e o colocou no chão.

— Obrigado! — Ele deu uns pulinhos e abraçou as pernas de sua mãe.
 

[...]

Key retornou ao cemitério com um guarda-chuva velho e com as mesmas roupas do dia anterior, tinha em mãos algumas rosas vermelhas que achara em um bosque. Não sentia-se triste, muito pelo contrário, estava feliz por ter recebido tanto amor de seus pais antes da Dona Morte bater à porta. Esboçou um sorriso e colocou as rosas nos dois túmulos.

— Key, eu cheguei! — Taemin esbarrou no portão enquanto corria.

O menino carregava um carrinho cheio de coisas. Ele achou que seu colega gostaria de pelo menos algum de seus brinquedos ou roupas.

— Pra que tudo isso? — Key perguntou, com uma expressão desconfortável.

— É que você deve estar precisando, Key. Eu posso cuidar de você também.

— Taeminnie, não se preocupe comigo, estou bem, me viro sozinho.

— Key, Key... essas suas roupas não parecem ser muito confortáveis, tem certeza? — Taemin fez bico e bateu um dos pés na terra.

— Ah, meu Deus! Que garotinho insistente! — Key fez uma cena, provocando gargalhadas no outro.

— Você é engraçado. Agora chega, já pode se trocar. Minhas roupas devem servir em você.

— Me trocar? — Key fez uma careta. — Me trocar... aqui? — ele desandou a rir.

— Sim! Ora pois, por que você ʼtá rindo? — Taemin cruzou os braços, irritado.

— Não posso, tem muita gente olhando.

— Que piada. — Taemin colocou as mãos na cintura. — Se é assim, vamos pra casa da mamãe.

— Hã?! Não! Ela não deve ter deixado...

— Deixa de bobagem, ela deixou sim. Vamos.
 

[...]

— Senhora, sua casa é realmente aconchegante. Agradeço por cuidar de mim. — Key se curvou por alguns segundos.

— Que menino educado é o seu amigo, Taemin! — A mulher pôs o rosto sobre as mãos e sorriu docemente.

— Sim, mamãe. Vamos agora, Key — ele disse. — Você precisa tomar um banho e se trocar.

Assim os garotos foram até o banheiro, Taemin deixou que Key entrasse sozinho e fechou a porta, enquanto isso, foi até seu quarto, retirou as roupas do carrinho e escolheu algumas peças para seu colega, essas que eram as maiores que encontrou, pois o garoto era um pouco maior que ele. Era um pijaminha rosa claro com listras vermelhas.

Em um suspiro, o garoto se jogou na cama e cruzou os braços, inquieto; preocupava-se tanto com Key e não sabia o motivo, ele acabara de conhecê-lo. No fim, deu de ombros, não havia nada de errado em simpatizar tão facilmente com alguém, ainda mais com uma criança.

— Taemin, eu acabei! E agora? — ele gritou do banheiro.

— Xiiii! — Taemin notou que havia se esquecido de pegar uma toalha ou qualquer coisa que desse para Key sair do banheiro. — Mamãe! Me dá o roupão! — Ele saiu correndo, apressado.

— Toma aqui, estabanado — ela riu —, mas depois você não vai poder usá-lo mais.

— Ta! — Ele pegou o roupão e correu até o banheiro.

— Finalmente! Achei que fosse envelhecer aqui dentro. — Key usou de seu drama e se escorou na pia.

— Shiu, menino mau! Coloca logo e vem comigo pra pegar a roupinha.

— Certo.

Eles foram até o quarto e Taemin ajudou Key a tirar o roupão e a colocar o pijama.

— Ficou muito fofo! — Taemin exclamou com seus olhinhos brilhantes. — Você pode ficar com ele.

— Agradeço — Key sorriu.

Os meninos ficaram em silêncio por alguns minutos, mas Key acabou por ficar irritado.

— Ora, vamos, não fique me olhando! — rosnou. — Vamos brincar de alguma coisa.

— Hum... certo. — Taemin acariciava o queixo e olhava para o nada. — Já sei! — Ele pulou, como se tivesse tido uma ideia brilhante.

— O que foi?

— Ano passado eu fiz um trabalho pra professora — ele dizia, enquanto subia em uma cadeira perto do armário. — Era sobre um livro de um tio chamado Shakespeare.

— Oh! Interessante. E como é?

— Um jogo de tabuleiro. — Taemin finalmente o achou e desceu da cadeira. — Você tem que jogar o dado e, dependendo do comando da casa, tem que encenar uma cena, dã, voltar ou seguir em frente.

Key ficou fascinado pelo tabuleiro. Nele havia flores artificiais — ainda assim eram belas —, campos verdes e um castelo como ponto de chegada.

— Fez tudo isso sozinho? — Key finalmente disse algo.

— Mamãe e meus colegas me ajudaram, não foi nada fácil. — Ele suspirou só de se lembrar do perrengue que passou.

— Ah. Vamos jogar! — animado, Key escolheu seu bonequinho e jogou o dado.

Os meninos passaram a tarde jogando. Infelizmente, a noite chegou e já estava na hora de Key voltar para sua casa.

— Você já vai então... — Taemin, choroso, se levantou.

— Eu preciso ir, querido Tae — Key sorriu ternamente.

— Vou te acompanhar até o cemitério, deve ser solitário o caminho até lá. — O outro rapidamente colocou seu agasalho e foi até a porta. — Vamos?

— Vamos.

Realmente, Key se sentiu muito menos solitário com a presença de Taemin, até porque o garoto sempre tentava alegrá-lo, mesmo que com brincadeiras estranhas e que, digamos, eram até divertidas. Era tão bom ter sua companhia, o melhor de tudo era que Taemin entrelaçara seus dedos aos dele, dissipando a incômoda sensação de frio e trazendo o calor de volta.

— Tae... agradeço pela companhia, agora fico por aqui.

— Olha, não precisa. Gosto muito de você, Key, nos vemos depois — Taemin sorriu.

— Eu também gosto de você. — As bochechas de Key coraram.

Quando, por fim, o menino foi embora, Key suspirou longamente e saiu andando até sua casa. A cada passo que dava se sentia mais solitário e, por isso, sentiu vontade de correr atrás de Taemin, no entanto continuava a caminhar. Uma lágrima confusa encontrou o chão e, sim, estava confuso, pois ao mesmo tempo que Key estava triste por sentir-se tão só, estava feliz por ter momentos alegres com Taemin.

Chegou à sua casa, destrancou a porta e correu até seu quarto. Lá havia um retrato da família: ele, sua mãe e seu pai. Key o retirou do criado mudo com delicadeza.

— Mãe, pai... — ele controlava o choro — acho que encontrei alguém tão amoroso quanto vocês, mas ele vai embora também, né? Eu não quero que ele vá... puxa vida.

Key sabia que seu amigo teria o mesmo fim de seus pais, não sabia quando seria, mas em algum dia toda a felicidade iria acabar e ele ficaria sozinho novamente. Deu um leve soco em sua testa e tentou tirar aqueles pensamentos estranhos da cabeça.

— Nós temos tanta coisa pela frente... vamos aproveitar enquanto podemos. Queridos, boa noite, eu amo vocês. — Com a cabeça mais tranquila, ele deitou na cama e adormeceu.
 

[...]

Os "apenas dias" foram embora, vieram as semanas que acompanhavam os dias, passaram-se os meses e os anos vieram como subtítulos. Fazia anos do encontro tão peculiar no antigo cemitério, do pijaminha rosa e vermelho, das lágrimas caídas na terra. Eles possuíam tantas memórias boas e lá eles estavam, recordando uma por uma, até que Taemin ficou sério.

— Me dê a sua mão, por favor — ele pediu.

— Hum... então tá. — Key não entendeu, mas estendeu a mão para ele.

— Olhe. — O outro tirou dois anéis de caveirinha de uma caixa. —  É para simbolizar nossa amizade.

— Sério, Min? — Key riu da estranheza de seu amigo, mas ainda era fofo. — Coloque-o em meu dedo.

— Prontinho... — Taemin sorriu com ternura. —  É sua vez.

— Nunca me imaginei colocando um anel de caveira em alguém, você é estranho — Key sorriu e finalizou o processo.

— Que nada! Vamos? Seus pais devem estar agradecidos pelas rosas... — Taemin o agarrou pela cintura.

— Vamos.

Eles caminharam até a saída. O vento, como no primeiro dia, soprava um "buuu" e um chuvisco caía. Dessa vez, Taemin não sentia medo, pois estava com o homem que tanto amava e sabia que ele o protegeria. Virou seu olhar para Key e sorriu, completando a frase de antes:

— E eu tenho certeza de que eles vão aprovar nosso relacionamento também. — Em um gesto rápido, segurou levemente o rosto de Key e selou seus lábios.

— Finalmente, Minnie. — Key o abraçou. — Eu amo você.

— Eu também te amo — ele sussurrou no ouvido de seu amado.

Um encontro inusitado naquele cemitério resultou em uma linda história de amor. Quem diria?


Notas Finais


Acabou o milho, acabou a pipoca. q
Brincadeiras à parte shshshd gostaria muito de agradecer a todxs que leram, bem como gostaria de agradecer ao SHINeeProject e à beta @ParkEunsoo pela betagem, à designer @Abyrvsz pela capa maravilhosa e à crítica @Akaaka-chan. Muito obrigada mesmoooo sz


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