História O céu sobre nós. - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Capítulo III


Ficamos de frente ao corpo após limpar todo sangue que foi derramado justamente, não senti remorso, nem tristeza, elas estavam vingadas. Minha mãe chorava muito:

-por que choras? Ele te batia, te estuprava , além de molestrar tua filha. - eu disse raivosa com a ideia dela sentir tristeza

-eu sabia que ele molestava Rachel -ela soluçava e desde a morte dele ela não parou de chorar um minuto. Meu mundo caiu, como ela permitia isso, ela sabia, ela deixava.

-COMO VOCÊ TEM CORAGEM DE SER CHAMADA DE MÃE!- explodi vomitando as palavras, eu estava branca, comecei a chorar junto, de desespero, ela não era uma mãe, mães não permitem isso, mães protejem suas crias.

-ele me batia não tinha nada que eu pudesse fazer, eu estava de mãos atadas- ela gritava as palavras sufocadas enquanto eu tentava entender o que ela dissera. 

Eu chorei, um choro estrangulado de dor, de culpa, de medo, de raiva , era um mix de sensações, eu pensava em tudo ao mesmo tempo não consiguia pensar em nada. Abrimos uma cova funda no fundo do quintal, funda o suficiente para que quando chovesse o seu corpo não boaria na água. Eu sentiria falta da casa, de sua madeira ruidosa, de suas estantes com livros que passaram de gerações pelos meus avôs, eu vivera minha vida inteira ali, era hora de partir, perguntas tomavam minha cabeça, Não tinha uma resposta para elas, onde rachel vai ficar? Eu não pensava na mulher que dizia ser minha mãe, nojo me descrevia.

-vou sair! Não aguento olhar para a sua cara, eu fiz o que você tinha de ter feito a anos atrás. - sai pensativa, ela me seguiu até a porta e logo depois desistiu.

Fui até a igreja católica, tinha de achar uma forma de acudir minha irmã, encontrei minha madrinha que vivia por ali ajudando na limpeza e organização da igreja.

- bença madrinha - ela me olhou de cima a baixo com olhos assustados.

-o que ouve você está pessima!

- papai desapareceu, eu vou sair de casa, mas mamãe e rachel estão desamparadas. - eu era péssima para mentir, minha voz saiu falsa, mas minha tia não era ligada então nem percebeu.

-nossa faz quanto tem...

-muito.- cortei-a. 

Conversamos por muitas horas planejando e cada mentira minha parecia mais convicente, estava tudo certo, minha pequena áurea teria uma boa vida no convento, enquanto a monstra, ela estava segura também. Estavamos livres.



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