1. Spirit Fanfics >
  2. O clube dos renegados - Imagine Verkwan >
  3. Desespero

História O clube dos renegados - Imagine Verkwan - Capítulo 38


Escrita por:


Notas do Autor


ALELUIA, EU VOLTEI.
Ai, gente, desculpa a demora mas vocês já sabem o motivo. Tia Jupiter andou bem ocupada, mas nosso nada querido Covid-19 nos deu um pouco de tempo para escrever novamente.
Enfim, tô um pouco cansada para colocar muita nota então
Boa leitura e espero que gostem.

Capítulo 38 - Desespero


Fanfic / Fanfiction O clube dos renegados - Imagine Verkwan - Capítulo 38 - Desespero

SEUNGKWAN POV’s

 

17 de janeiro de 2019,

-Obrigado pela carona, Lee. –Agradeci assim que desci do carro.

-Aí, por que você é tão formal comigo? –Perguntou o mais novo.

Fiquei confuso por um momento, sem saber o que responder. Pensei e a única resposta que consegui alcançar era a mais óbvia.

-Porque é educado? –Respondi. –Aliás, você me odeia. Por que te chamaria de outro jeito?

-Aish. –Resmungou o mais novo. –Qual ‘é, parece uma criança criada em berço de ouro me chamando desse jeito. –Então ele voltou a focar no volante e, por um momento, pensei que suas bochechas tivessem corado um pouco. –Você é meu hyung. Deveria agir como um jovem hyung.

Abri a boca, surpreso com o que ouvi. Nunca pensei que, algum dia, na minha vida, ouviria Lee Chan me chamando de hyung e... bem, agindo todo... fofo?

Meu deus, Lee Chan parece tanto um cachorrinho. Quero apertar suas bochechas. Tão fofo. Será que posso adotar ele como meu filho? Vernon já gosta dele de qualquer jeito.

Acho que ele percebeu meus sentimentos, pois desviou o rosto para o outro lado, corou mais e colocou óculos escuros.

-Não importa. –Sua voz tremeu um pouco. –Apenas me chame de Dino. É estranho demais ser chamado de Lee por um velho.

-Velho? Quem? Eu? –Perguntei desconcertado.

Como se quisesse comprovar o quão infantil é, o mais novo abaixou os óculos, puxou uma pálpebra inferior e mostrou a língua. Tão idiota.

-Adeus, babacão. –Falou o mais novo, ameaçando acelerar o carro.

-Babacão? –Continuei indignado.

-Aish, será que dá para as maricas pararem com a gayziasse? –Perguntou Minghao, que estava no banco do carona. –Te vejo mais tarde, Kwannie. –Como eu não havia fechado a porta, o chinês fez isso por mim. –Tchau!

Sem dizer mais nada, Lee Chan deu partida no carro e, juntos, foram embora, deixando-me para trás acenando para, bem, ninguém. Perdido entre uma nova amizade estranha de Minghao e Lee, e, bem, com a nova simpatia que ele decidiu demonstrar para mim.

Creio que devia me sentir feliz por finalmente ser aceito pelo melhor amigo de Vernon – ou, simplesmente, a pessoa mais próxima de si – mas sua mudança repentina é estranha demais para ser, simplesmente, aceita. Deveria ficar com medo?

Balancei a cabeça e apenas observei enquanto os dois novos amigos desapareciam entre carros e pedestres. Enfim, voltei-me para o portão atrás de mim e toquei a campainha e esperei.

-Olá? –Mesmo com o som estridente do interfone, pude reconhecer uma voz feminina, fraca.

Deve ser Minseo, a irmã mais nova de Mingyu.

-Ah, olá. Sou o Seungkwan, amigo do Mingyu e do Vernon. –Anunciei, um pouco animado demais, talvez? Bem, eu nunca sei o quanto de energia devo colocar numa frase. –Mingyu está aí?

-Está sim, oppa. –Disse a mais nova. -Espera aí.

Então o interfone foi desligado, não sem antes ouvir vozes masculinas abafadas e um suave “oppa”, dito manhosamente pela menina.

Não sei o motivo, mas me peguei questionando-me como seria ter um irmão mais novo – ou irmã. Eu sempre fui o mais novo, ou seja, sempre o protegido. Será que ser irmão mais velho é equivalente a ser o mais velho em um relacionamento? Porque sou mais velho que Vernon e, tecnicamente, eu o protegi de seu padrasto.

Será que ter um irmão mais novo é como ter um namorado só quem sem os beijos e amassos?

-Oi. –Uma voz grave chamou minha atenção repentinamente. Quase dei um pulo com o susto.

Olhei na direção do dono da voz e avistei Jisoo ao meu lado. Ele não me encarou, apenas focou seu olhar no portão, sem piscar. Sério.

-Oh, o-olá Hyung. –Cumprimentei com uma reverência curta e rápida.

Não sei o porquê da reverência, mas o olhar assombrado e distraído de Jisoo me alarmou um pouco, como se qualquer movimento pudesse lhe afetar.

Mas por que ele está assim? Um cavalheiro de armadura brilhante nunca tira o belo sorriso de seus olhos para uma expressão, um tanto quanto, raivosa. Admito me sinto preocupado, ainda mais depois de tê-lo visto tão frágil há uma semana atrás.

Abri a boca para lhe perguntar, mas fui interrompido pelo som estrepitante do portão sendo aberto.

-Seungkwan, olá. –Fui recebido pelo alto, com seu sorriso resplandecente. Então ele virou os olhos um pouco e reparou em Jisoo, aumentando mais seu sorriso. –Joshua, você também chegou! –Mingyu nos cumprimentou com um toque de mãos, depois abriu espaço para que entrássemos. –Vieram juntos?

-Não, o Jisoo hyung acabou de chegar. –Respondi. Esperei que o mais velho entrasse, depois adentrei a residência atrás dele, com Mingyu em nossa cola, fechando o portão atrás de nós. –Com licença.

Mingyu logo nos ultrapassou, guiando-nos por sua casa – que, aliás, é enorme. Jisoo não precisava de guia, afinal, quantas vezes já não veio na casa do amigo. Apenas eu estava perdido, como um filhote de gato no meio de uma ninhada.

Às vezes sinto-me um intruso no meio de um conjunto de membros definidos. Sou o calouro no meio do grupo popular da escola. Mesmo sabendo que não deveria me preocupar com isto, mas muitas vezes é incomodante, e eu sou esse incomodo.

Claro que os renegados não se incomodam com minha presença. Pelo menos, se eu os incomodo, eles fazem questão de não demonstrar. Ainda assim, é estranho. Uma sensação de puberdade.

-Podem se acomodar. –Mingyu disse assim que chegamos aos fundos da casa. –Vocês foram os últimos a chegar, mas aproveitem que ainda temos comida e bebida. Se Soonyoung não tomou todo o estoque de cerveja. –Acrescentou.

-Obrigado. –Agradeci formalmente, enquanto Jisoo apenas seguiu reto em direção a geladeira. –Caramba, ele está realmente mal. –Disse para eu mesmo, tanto por ser um mero comentário quanto por não ter mais ninguém ao meu lado.

Antes de me mover, dei uma boa analisada nos fundos da casa. Era uma área de lazer muito bonita. As paredes e chão eram revestidas com madeira de pau-amarelo, no meio havia uma churrasqueira e balcão de pedras com a mesma tonalidade que as paredes. Uma enorme mesa de tatajuba – imagino o quão caro deve ter sido – juntamente com uma mesa de tênis de mesa e uma de pebolim ocupavam quase todo o espaço gourmet.

Na área iluminada pela falta de telhado, há um pequeno jardim num canto mais distante do gramado. Creio que deva se estender até as laterais da casa. Já o meio do gramado estava preenchido por cadeiras e um poste que parece ter sido instalado há pouco tempo. Se não me engano, farão uma tradição japonesa de rachar melancias.

A casa está cheia, pude notar. Mingyu convidou todos os renegados para uma espécie de festa simples para comemorar o fim das férias. Não sei por que isso deveria ser uma comemoração, mas sei que fui convidado também, afinal, sou um deles agora.

-Pequeno Boo! –Virei meu rosto imediatamente, com um sorriso instintivo estampado no rosto. Era Vernon. –Que bom que veio.

Deu-me um beijo longo nos lábios, sem língua, apenas um selar caloroso. Como senti a falta disto, mesmo que tenhamos nos vistos semana passada. Ficar longe de Vernon por um minuto é a tortura mais dolorosa para minhas borboletas no estômago.

-Senti sua falta. –Sussurrei para que só ele pudesse ouvir.

E parece que surtiu efeito. O sorriso fino e apaixonante que só aqueles lábios podem dar, era tudo o que eu precisava. Não consegui me conter, quando vi, já estava o beijando novamente.

Creio que teríamos continuado nessa vibe melosa por muito tempo, esquecendo a casa e o mundo ao nosso redor. Bem, se não tivessem jogado água fria em nós.

-Aish... –Resmunguei comigo mesmo, tentando descobrir de onde vinha essa água e quem havia jogado. Então avistei, no gramado, Soonyoung e Jun segurando uma mangueira ligada. –YA! SEUS MALDITOS. VENHAM AQUI.

Por fim, deixei um Vernon para trás, rindo da minha reação infantil ao correr na direção dos dois, que voltaram a jogar água em mim.

[...]

-Eu queria ser que nem o Josh quando fica bêbado. –Comentou Mingyu. –Simplesmente cair no sono e não fazer nenhuma loucura.

-Hahaha, ainda bem que você não ficou bêbado hoje, ou eu iria para casa no meio dessa festa. –Disse Wonwoo no banco de carona. –Dá para acreditar que ele só fala gritando e começa a fazer free style sem camisa? –Então balançou a cabeça com os dedos na testa fazendo uma careta de desgosto ao relembrar a cena. –Até hoje não sei como eu aceitei um homem desses na minha vida.

Já é noite. A festa acabou cerca de 21 horas e Mingyu decidiu dar carona para mim enquanto levava um Jisoo bêbado para sua república. Vernon está ao meu lado no banco traseiro, com Jisoo no outro lado, deitado no meu colo.

Bem, explicando toda a situação, Jisoo continuou de mau humor o resto do dia, fechando-se no seu mundinho. Vez ou outra fingia enganar os colegas com seu sorriso fraco e simpático, mas todos notaram seu mal-estar. Claro que ninguém quis se intrometer nos seus problemas a menos que o próprio decidisse comentar – exceto Soonyoung, que estava tão bêbado ao ponto de lhe perguntar exatamente “por que está com essa cara de bosta, Josh? “, antes de receber um belo tapa de Jihoon.

-Aish, eu não acho que seja certo deixar Jisoo sozinho na república dele. –Comentei preocupado. –Jun e você não voltarão essa noite para lá, e deixa-lo sozinho no estado em que ele está não é nada amigável, não acham? –Perguntei, olhando para Vernon para buscar ajuda. –Eu quero levar ele para casa. Você não se importaria, né Hansolie?

Sei que Vernon se incomoda um pouco com isso, por isso tive que usar minha tática principal: chama-lo pelo apelido com uma voz manhosa. Ele não resiste.

Para provar que estou certo, Vernon hesitou por um momento com um olhar que dizia “sério? “ – consigo ouvir sua voz, mesmo que não tenha uma resposta ainda. Por fim, ele suspirou e sorriu, derrotado.

-Claro. –Respondeu simples. –Vou descer com você para me certificar de que Joshua vai chegar bem no seu apartamento. –Claro que ele tinha que demonstrar seu descontentamento, mas tudo bem, ele ainda é consciente e sei que confia em mim. –Vocês podem nos deixar no apartamento do Seungkwan e ir embora. Quero andar um pouco e vou passar na conveniência do Jun.

-Você sabe que é perigoso, não sabe? –Mingyu perguntou. –Se algo lhe acontecer meu pai vai me matar.

-Aish. –Resmungou o moreno ao meu lado. –Eu estou preso na sua casa há cerca de um mês. Preciso de um pouco de liberdade, não acha? –Vernon, quando quer, também sabe ser persuasivo. –E Sophie não dorme direito quando eu estou lá.

No banco do motorista, Mingyu suspirou frustrado. Ele foi requisitado pelo próprio pai para cuidar do amigo, logo Mingyu, o garoto popular e descontraído. Se o próprio odeia ficar preso em casa, quem é ele para prender um amigo, ainda mais quando o amigo é alguém que ficou preso quase sua vida inteira e agora tem que enfrentar o estresse de cuidar da irmã fragilizada com a descoberta do verdadeiro pai que possui.

-Ha (suspiro), tudo bem, mas se meu pai perceber e perguntar algo, direi que você ficou na casa do Seungkwan e disse que me ligaria quando fosse para busca-lo. –Ótima estratégia, Mingyu. Colocar a culpa do seu deslize no patinador. Muito esperto. –Não quero saber de problemas para o meu lado. Meu pai já está muito estressado ultimamente por causa das comitivas de imprensa.

Ao meu lado, Vernon sorriu com o quão fácil o amigo é. Colocou a mão na cabeça em forma de “sentido” e riu baixinho, falando em seguida:

-Pode deixar, chefe.

-Aish. –Resmungou o motorista. –Só espero que eu não esteja fazendo nenhuma burrice.

Seu namorado, então, riu da situação.

-Você sempre faz burrices, Min. –Disse o mais velho.

[...]

-Aigoo, eu não fazia ideia de que Jisoo fosse tão pesado assim. –Reclamei assim que deixei o menino na cama de Minghao.

Os meninos já foram embora, deixando apenas Vernon, Jisoo e eu para trás. Vernon me ajudou a carregar Jisoo até meu apartamento e a ajeitá-lo no quarto. Me sinto incrivelmente curioso com o quão pesado deve ser o sono deste menino. Em nenhum momento ele acordou, e olha que balançamos muito subindo as escadas – o maldito elevador quebrou de novo – fora os baques que dava vez ou outra, batendo seus braços e cabeça na parede.

-Eu diria que você é fraco demais, isso sim. –Meu namorado contradisse.

-Aish. –Reclamei, bocejando em seguida. –Você só quer se gabar.

Então Vernon riu fraco de mim. E como se não tivesse ninguém em casa, se aproximou um passo, puxando-me para um abraço de urso, ao qual eu retribuí.

-É claro que eu quero me gabar. –Falou o mais novo. –Farei isso quantas vezes puder, na sua presença.

Sorri maliciosamente com seu comentário, erguendo um pouco a cabeça para encará-lo.

-Você poderia se gabar de outra maneira para mim. –Passei as mãos por todo o seu abdome, vendo-o sorrir com a mesma malícia que a minha.

Não sei se é o sono ou o desejo constante de Vernon, mas neste momento, sou uma flor esperando por pólen. Ou, como as pessoas dizem do dia a dia, estou com fogo.

Respondendo as minhas expectativas, Vernon começou a aproximar seu rosto do meu, lentamente, daquele jeito manhoso que só ele sabe fazer. Tão inocente e provocativo que me faz derreter sempre. “Ah, Vernon, você é tudo de bom e mais um pouco”.

Então, seus lábios tocaram os meus, pressionando levemente minha tez fina. Aos poucos, começou a mover, iniciando uma valsa ritmada com os passos de sua língua.

Ele adentrava minha boca tão suavemente que eu estava delirando com a demora, mas admito que valia a pena. Sua língua estava quente e um pouco seca demais para o meu gosto – terei que repreendê-lo mais tarde para beber mais água -, mas continuava macia, como sempre.

Aos poucos, Vernon varria tudo com sua intensidade felina. Me apertava cada vez mais em seus braços, e eu, claro, me jogava nele. Já conseguia sentir seu membro inferior entre minhas pernas, o que atiçava mais o meu desejo por ele.

Mais, eu quero mais.

-Vou embora. –A voz grave do moreno sussurrou assim que nos separamos brevemente.

Afastei-me bruscamente, com os olhos arregalados, surpreso. Vernon, no entanto, apenas riu da minha situação. Deu-me um último selar e se afastou lentamente de mim, pegando seu casaco que estava sobre a cama, ao lado de Jisoo.

-Você está com sono. Irei deixar-lhe dormir. –Anunciou o mais novo.

Então, ele foi em direção a porta e começou a calçar os sapatos. Eu o segui, com a boca aberta, ainda sem acreditar na ousadia que ele teve ao me provocar tanto e simplesmente interromper.

-Por acaso eu tenho cara de xoxota para você fazer coito interrompido? –Perguntei, irritado.

-Hahaha, de xoxota não, mas... –Mas Vernon não completou a frase, me irritando mais.

Ele só quer me frustrar, eu sei que é isso que ele quer, mas mesmo que eu não queira cair no seu jogo, não consigo evitar. Vernon sabe como mexer comigo.

-Aish, seu... –Eu não sabia o que dizer, então, apenas bufei e bati os pés no chão, irritado.

-Hahaha, parece uma criancinha birrenta. –Ele se levantou, e aproximou para dar mais um beijo, mas eu não deixei, bravo com ele. Isso apenas o fez rir mais. –De qualquer maneira, eu prometi ao seu pai que não faria nada com você, apenas cuidaria de você. Pelo menos, não por agora.

“Aish, appa”.

-Fora que eu não sei se estou preparado ainda. –Vernon sussurrou, mais para si do que para mim.

Toda a raiva e sentimentos negativos que eu tinha se esvaíram, substituídos pela pena. Desde o dia em que tentamos ter uma relação mais íntima em sua casa, nunca deixei de lembrar da fragilidade no olhar de Vernon naquele dia. No quão difícil deve ser para ele.

Por fim ele sorriu, fingindo que não tinha dito nada.

-Bem, eu vou embora agora. –Anunciou o mais novo. –Se Joshua fizer algo contigo, me avise.

-Você está com medo do Jisoo? –Perguntei descrente. –Logo ele, o cavalheiro.

-Ah, meu amor, pode ter certeza de que os mais safados são os mais santos. –Respondeu o moreno. Então, num movimento rápido ele me deu um último selar, ao qual não reclamei, nem desviei. –Estou indo agora.

-Certo. –Respondi. –Se cuida.

-Até mais, Pequeno Boo.

E, assim, ele foi embora, me deixando só naquele apartamento com um Jisoo dormindo bêbado.

Não o acompanhei até o portão de entrada, afinal, devido a todas as vezes que cuidei de Seokmin bêbado, aprendi que nunca devemos deixar um bêbado só em uma casa. Ao invés de acompanha-lo, apenas tentei ligar para Minghao para lhe avisar sobre a pessoa a ocupar sua cama e para, quando chegar, ir direto para o meu quarto, já que ele dormirá no colchão lá – e Vernon não poderá saber disso se eu não quiser ser morto.

Por algum motivo, Minghao não atendeu o celular. Parece que está desligado pois nem chamou.

Quanto ao meu amigo chinês, digamos que ele recebeu um novo horário de serviço, assim que descobriu que passou na universidade. Atualmente, ele está trabalhando durante a noite, enquanto Jun foi substituído para a manhã. Creio que não ouvirei mais reclamações sobre um Jun irritante – graças a deus.

Bem, como Minghao não atende o celular, decidi que a melhor coisa que posso fazer é ficar na sala, esperando-o.

Liguei a televisão e coloquei em um canal aleatório. Sei que não aguentarei assistir nada pois logo cairei no sono, portanto, vamos apenas deixar a TV ligada enquanto eu mexo nas minhas redes sociais.

E assim o fiz, por vários e vários minutos. Talvez horas. Até que Jisoo acordou.

-Onde estou? –A voz do mais velho soou junto com o som da porta abrindo. –Por que estou aqui? E o que você faz aqui?

-Ah, hyung. Boa noite. –Cumprimentei-o, sem saber qual pergunta deveria responder primeiro. Decidi dar um espaço para ele no sofá, para conversarmos. –Sente-se aqui. Vamos conversar.

[...]

-Aqui. –Falei estendendo um copo de água na direção do mais velho. –Você se sentirá um pouco melhor.

-Obrigado. –E cá estamos nós com nosso Jisoo de sempre. Ele pegou o copo e tomou metade do conteúdo de uma só vez. –Aish, não acredito que fiquei bêbado. Eu prometi para eu mesmo que não ficaria assim novamente.

Sentei-me ao seu lado, curioso com a situação. Não consigo imaginar Jisoo, o cavalheiro, bêbado. Bem, não conseguia, até vê-lo assim hoje.

-Quando fez essa promessa, hyung? –Perguntei curioso.

Ele deu mais um gole e suspirou antes de falar:

-Quando eu tinha 19 anos. –Respondeu o mais velho. –Eu fiquei viciado em cerveja, soju e vinho branco assim que cheguei na maioridade e pude beber. Mas todas as vezes que bebia não bebia moderadamente, eu gostava de extravasar.

A decepção com as lembranças está evidente no rosto do moreno. Gostaria de saber o motivo para ele ter ficado assim. Não que beber exageradamente seja bom, mas sim que sou um jovem curioso demais para a minha idade.

-Eu simplesmente bebia o quanto podia até dar problemas para minha melhor amiga. Essa foi a gota d’água. –Como se ele tivesse ouvido meus pensamentos, respondeu ao meu desejo, mesmo que com meia resposta. –Depois disso decidi que não ficaria bêbado mais.

Sei que é errado fazer isso, afinal, é algo pessoal dele, afinal, Jisoo não voltaria a ficar assim por nada. Infelizmente, minha mente é fraca e eu me segurei demais o dia inteiro para deixa-lo em paz e não lhe questionar nada enquanto o moreno se afundava em álcool.

-Por que, então, o hyung voltou a fazer isto hoje? –Perguntei finalmente.

Jisoo tomou todo o resto do líquido que estava no copo em um gole só, como se estivesse tomando um shot de soju com os amigos. Eu jurava que quase o vi resmungar como um bêbado assim que tomou toda a água. Depois, encarou o chão, com o mesmo olhar sério e assustador de mais cedo.

Eu não sei quem, ou o quê, mas sei que seja lá o que aconteceu com Jisoo, não quero que volte a acontecer. Seu rosto fica sinistro demais quando está sério deste jeito.

-Jeonghan e eu brigamos ontem à noite. –O moreno começou a desabafar. –Depois que a Jaehwa morreu, ele foi em bares beber todas as noites. Seus pais estavam depressivos e preocupados com ele. Eu também estava e fiz de tudo para detê-lo nos últimos dias, mas ele não me escutava. –O mais velho riu nasalmente, um sorriso triste. –Ele nunca me escutou de verdade. Não quando seu egoísmo se sobressai a qualquer um.

Suspirei frustrado. “Aish, Jeonghan, por que você sempre faz isso? “. Se ele ao menos se tocasse, já seria o suficiente.

-Eu tenho corrido atrás do Jeonghan para cuidar dele desde que tudo aconteceu. –Jisoo voltou a falar. –Nós temos uma espécie de contrato de almas onde ambos nos tornaríamos amigos para nos ajudar, mas Jeonghan... bem, depois que ele me ajudou assim que me conheceu, parece que cada vez mais tem se afastado. –Então sua expressão ficou mais sombria que antes, e sua voz ficou mais baixa. –Quanto mais o casamento de Seungcheol se aproxima, mais ele tem evitado a todos e se desesperado por ele.

“No fim das contas, eu o acompanhei todas as noites, cuidando daquele desgraçado e tentando me controlar para não beber sequer um shot de soju, enquanto escutava as reclamações dele, os choros e os desesperos. Eu o carreguei até sua casa e deixei que vomitasse e chorasse comigo todas as noites. Tudo para aquele desgraçado apenas choramingar, não apenas pela falta da irmã, mas pelo quanto ama Seungcheol. O quanto o deseja para si desesperadamente”.

“E eu tentei consola-lo ainda assim, mesmo que doesse no fundo do peito. Mesmo que fosse a pior tortura para mim, eu cuidei dessa criança maldita, tudo para, no fim ele reclamar que não era para eu estar lá, era para Seungcheol estar no meu lugar”.

Arregalei meus olhos. Acho que terei que dar um soco no estomago de Jeonghan assim que o ver novamente. Aquele idiota.

Mas o que mais me surpreende é o linguajar tão impuro que Jisoo tem usado. Ainda mais quando se refere a Jeonghan, o homem que ama.

-Sabe o que é pior? –Ele voltou a falar, finalmente me encarando, furioso com a lembrança. –Eu fiquei tão frustrado a ponto de me confessar para aquele merda, para simplesmente ouvir um: “Eu amo o Cheol e ninguém nunca chegará aos pés dele. Agora me leve até a casa dele se quiser continuar a ser meu amigo”.

Abaixei a cabeça com o final dessa história, envergonhado. Não por Jisoo, nem por Jeonghan, mas por eu ter deixado que Jisoo tomasse conta de tudo.

Eu sempre soube como Jeonghan é fraco para bebidas, ainda mais quando está vulnerável. Justo agora que a irmã morreu e que o casamento do melhor amigo, ao qual sempre amo, está cada vez mais próximo. Jeonghan está uma confusão interna gigantesca. Não sei como tem conseguido se controlar.

E se ele se controlou até agora, precisava de uma rota de fuga antes que explodisse e ficasse maluco. Infelizmente acabou sendo da pior maneira: bêbado e sem pensar em nada, falando até mesmo o que não convém.

-Aish, eu ainda tive que carregar ele para casa, e o desgraçado nem me retornou. –Reclamou Jisoo. -Bem, mesmo que tentasse me contatar, eu fiquei fora de casa o dia inteiro e deixei o celular lá.

-Acho que você fez a melhor escolha decidindo se afastar um pouco. –Falei, finalmente. –Você precisava relaxar. Ainda precisa.

-Melhor escolha ou não, eu não sei. –Ele se jogou para trás no sofá, suspirando com os olhos bem fechados. –Só sei que estou cansado. Até demais.

Voltei a olhar para o chão. Não gosto de ver as pessoas em situações tão... tristes, como esta. É simplesmente péssimo, ainda mais quando sei que eu poderia ter feito algo.

-Bem, de qualquer maneira, obrigado por hoje. –O mais velho voltou a falar após um segundo de silêncio. –Sei que é pedir demais, mas poderia me deixar dormir essa noite aqui? –O Jisoo bondoso de sempre voltou. –Estou cansado demais para passar uma noite sozinho na república, ou para ver alguém, caso alguém apareça.

Na hora, eu acordei. Balancei a cabeça frenético e disse:

-Claro que não, hyung. –Levantei-me do sofá. –Você pode usar o quarto em que estava. Minghao vai dormir no meu quarto. –Então fui para o quarto, indicando que me seguisse.

Instruí tudo sobre o quarto para Jisoo e lhe arrumei a cama e cobertores, além de pegar um dos pijamas de Minghao para emprestar a ele.

-Tenha uma boa noite e não se preocupe com nada, hyung. –Falei, na sala novamente, observando o moreno no quarto.

-Mais uma vez, obrigado, Seungkwan. –E lá está seu sorriso triste novamente. –Boa noite.

Por fim, ele fechou a porta atrás de si, deixando-me sozinho na sala novamente.

Voltei para o sofá, me jogando nele preguiçosamente. Suspirei mais uma vez, decepcionado comigo mesmo e mal pelos meus amigos. Por que coisas tão ruins assim têm que acontecer?

Então, meu celular começou a vibrar no bolso. Um pouco irritado, peguei o aparelho e olhei a tela para ver quem era. Vernon.

 

LIGAÇÃO ON

 

Seungkwan: Aí, era com você mesmo que eu queria falar.

Vernon: Hahaha, já sentiu minha falta?

Seungkwan: Eu sempre sinto.

Pude ouvir uma risada nasal do outro lado da linha. Meu coração, na mesma hora, se aqueceu ao imaginar o sorriso fofo que Vernon deve ter estampado na cara.

Vernon: Eu também. Aliás, acabei de sair da conveniência que seu amigo trabalha. Não sabia que eles tinham trocado de turno.

Seungkwan: Ah, é mesmo, eu tinha esquecido de te falar isso. Foi mal.

Vernon: Foi mal mesmo. Aquele chinês chato ficou me enchendo as paciências. Aish.

Agora foi minha vez de rir do moreno.

Seungkwan: Você já está voltando para casa?

Vernon: Sim. Estou há quatro quarteirões da casa dos Kim. É só que vi um CD do Panic at the disco na vitrine de uma loja e me lembrei de você.

Por que diabos Vernon se lembrou de mim por causa de Panic at the disco.

Vernon: Enfim. Eu queria ouvir sua voz antes de...

Então, de repente um som alto e forte atravessou meus ouvidos. Tive que afastar o celular um pouco porque era tão alto que doeu. Não sei que barulho é esse, mas parece uma batida.

Na mesma hora, sinto meu coração disparar com o desespero de não ouvir a voz de Vernon mais.

Seungkwan: Vernon?

Sem resposta.

Seungkwan: Ya! Vernon?

Mas ninguém respondia, o que me assustou mais.

Seungkwan: Vernon... por favor, não brinca comigo.

E, assim como a ausência da voz dele preencheu tudo, o medo se instalou em mim com tanta intensidade que eu simplesmente não soube como reagir.

 

“Por deus, diga-me que Vernon está bem.”


Notas Finais


É isso por hoje.
Obrigada por ler e desculpem todos os erros.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...