História O Clube Dos Renegados - Capítulo 11


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Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Haechan, Jaemin, Jeno, Lucas, Mark, RenJun
Tags Colegial!au, Lumark, Nomin, Renhyuck
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Palavras 2.177
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção Adolescente, Fluffy, Romance e Novela, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 11 - Único cristão possível


Wong Yukhei

Igreja Nossa Senhora de Aparecida


 

Mark não aparecia nas missas há semanas.

Quando perguntei à sua avó sobre ele, a senhora apenas disse que tinha algo errado com o neto e que ele não saía de seu quarto.

 

Ia para a escola, mas voltava e se trancava lá dentro estudando, saía pra comer, ajudar no jantar, arrumar a casa, mas logo voltava a se trancar. Não queria sair para ir às missas ou qualquer outro evento da igreja.

Na cozinha, Mark havia sido substituído por um menino chamado Jungwoo que era até bem legal, mas não era o Mark.

Esse era o problema.

 

Por isso eu já estava começando a me preocupar com a ausência do meu church boy.

No final da terceira semana sem aparecer, eu decidi tomar alguma providência.

 

Na sexta-feira eu bati na porta da casa dos Lee.

Esperei um momento e então bati de novo, e de novo, e de novo.

 

Então a porta foi aberta e uma espingarda apontada na minha direção.

 

— Quem é você?! - ter uma espingarda apontada na minha cara por um velhinho com um cachimbo na boca não foi lá muito legal.

— Jesus!

— Você não é Jesus!

— Não, senhor Lee-

— Como sabe meu nome, quem mandou você?!

— Vovô Lee-

— Vovô?! Eu só tenho um neto e ele não é grande assim!

 

Então ele destravou a arma e apontou pra minha cabeça enquanto eu me mijava inteiro. Felizmente não literalmente.

 

— Pai nosso que estás no céu, santificado seja o vosso nome… - rezei né.

— Vovô abaixa a arma! - ouvi a voz do anjo mais lindo. — É o Yukhei!

— Yukhei, que Yukhei?!

— É o Xuxi, vovô! - então o velho pareceu lembrar de quem se tratava.

— Filho dos Wong? - eu assenti freneticamente ainda com as mãos pra cima. — Ah sim, como vai garoto?

 

Então abaixou a arma como se não tivesse feito nada, travando de novo e sorrindo, estendendo a mão pra eu apertar, coisa que fiz com medo.

 

— Vou bem, e o senhor?

— Ah eu estou ótimo. Estava saindo pra caçar agora, mas mande lembranças aos seus pais. - acenou saindo e eu assenti, dando tchau enquanto o via se afastar.

 

Mark estava parado na porta e a fechou, se apoiando na mesma de frente pra mim, na pequena varanda da casinha azul.

 

— O que faz aqui? - perguntou com o rosto sério.

Não tinha a alegria costumeira e os sorrisos que chegavam aos olhos.

 

— Eu vim conversar com você, explicar todo esse mal entendido que aconteceu, Mark.

— Não tem mal entendido, Yukhei, você tem namorado e-

— Não, eu não tenho, eu nunca tive. - Mark me encarou com as sobrancelhas franzidas. — Me deixa explicar, me deixa entrar e te explicar tudo, tintin por tintin.

 

Mark de início pareceu relutante, mas suspirou, abrindo a porta e entrando, mantendo aberta para que eu entrasse também.

Assim que entramos, ouvi uma cantoria baixa e era a vovó Lee na cozinha, fazendo o que pareciam biscoitos.

 

— Xuxi, pequeno Xuxi. - ela riu. — Não tão pequeno assim, pelo menos não mais. Como vai querido?

— Eu vou bem, vovó.

— E os seus pais?

— Vão bem também. - ela sorriu.

— Vovó, eu vou ajudar o Yukhei com os estudos bíblicos dele no meu quarto, mas qualquer coisa me chama, tudo bem? - ela assentiu e Mark se aproximou, dando um beijo no rosto da senhora e andando em direção à sala onde tinha uma escada ao canto e foi onde Mark subiu, comigo acompanhando.

 

Assim que a gente entrou, ele fechou a porta e trancou, me encarando e fazendo bico, cruzando os braços, e mexendo os pés, esperando que eu falasse, provavelmente.

 

— Renjun não é meu namorado, ele é meu melhor amigo, assim como o Jeno. - comecei e suspirei. — Aquele que me enforcou é o Donghyuck e o Renjun é apaixonado por ele, só que eles tiveram uma briga doida e o Donghyuck começou a namorar outra pessoa e o Renjun não queria sair por baixo então fingimos que namoramos. Mas era só pro Donghyuck que falamos isso, a gente não imaginava que ele fosse aparecer na festa e me ver com você, pensamos que era seguro. Eu não tenho nada com o Renjun, Mark, por favor, acredita em mim. Eu sou apaixonado por você.

 

Mark ficou em silêncio, mas descruzou os braços e me encarou com olhos arregalados e a boca um pouquinho aberta, completamente adorável.

 

— Apaixonado por mim? - eu assenti e me aproximei.

— Por muito tempo, eu sou apaixonado por você mas nunca consegui dizer, só que a ideia de te perder ou você se afastar de mim por causa de uma mentira idiota me deixou desesperado então se eu precisar dizer mil vezes que sou apaixonado por você, eu vou. Por favor, não se afasta de mim, eu quero você comigo, todos os dias, em nome do espírito santo.

Mark acabou sorrindo no final da minha frase, mas pareceu se lembrar de algum coisa e perdeu o sorriso, se afastando de mim e andando pro outro lado do quarto.

— Eu não posso.

— Por que? - o encarei confuso. Eu sabia que Mark gostava de mim também, então porque?

— Porque você é homem.

 

Eu senti todo meu coração despedaçar em um milhão de pedacinhos até virar poeira e ser soprada para longe.

 

— O que?

— Eu não posso, Yukhei, eu não posso fazer isso. Você é homem e eu… também sou. Eu não posso ir pro inferno por causa disso, o que as pessoas iriam pensar se eu de repente… o que elas iriam pensar se soubessem que eu…

— Que você é viado? - Mark arregalou os olhos e se apressou em andar até a mim e cobrir minha boca com as mãos.

— Não fale uma coisa dessas! - sussurrou. — Eu não sou isso, eu gosto de moças e-

— Faça-me o favor, Mark Lee. - tirei as mãos de Mark da minha boca. — Você é viado, tão viado quanto eu ou o Jeno. Não me venha dizer que gosta de garotas quando eu vejo como você fica nervoso na minha presença, tá bom?

— Fica quieto. - deu dois passos pra trás e cobriu os ouvidos.

— Eu te beijei, Mark, e você deixou. Sabe o que isso faz de você? - perguntei e ele negou com a cabeça. — Viado. Boiola.

— Eu não sou viado! - gritou alto, de forma que nunca imaginei Mark fazendo e com certeza a vovó Lee tinha escutado no andar de baixo. A menos que a velha fosse muito surda mesmo.

 

Eu encarei Mark com o rosto sério e então ele começou a chorar, virando de costas e abraçando o próprio corpo, chorando mais forte até que o corpo estivesse tremendo e foi quando pensei que talvez tivesse ido longe demais.

 

— Mark…

— Você não entende! - ele falou secando os olhos, ainda de costas pra mim. — Minha fé é tudo o que eu tenho. A igreja é tudo o que eu tenho. Se alguém sequer imaginar uma coisa dessas, sabe o que fariam comigo? Me olhariam torto, me chutariam do coral, ninguém mais me veria como Mark Lee, todos me veriam como o garoto gay da igreja. Eu perderia tudo, ninguém estaria do meu lado.

— Alguém estaria.

— Quem?! - falou alto se virando pra mim com o rosto vermelho e molhado. — Quem ficaria do meu lado se soubesse disso, quem poderia me dar a mão independente de eu ser gay e perder tudo o que tenho, quem Yukhei?!

 

Então eu apenas suspirei e apontei para o lado, onde na parede havia uma cruz e cristo sendo crucificado nela.

 

— Eu aprendi com um garoto na igreja, que não importa quão suja estejam as nossas vestes, quantos pecados cometemos, quantos erros, e quantos acertos. Ele ainda vai estar aqui, por amor e misericórdia e que de nada importa os olhos julgadores dos homens, apenas um sabe o que há de verdadeiro no seu coração. - me aproximei de Mark de novo, até estar tocando seu rosto. — Foi o mesmo garoto que me ensinou o quanto eu posso ser apaixonado por alguém, mesmo essa pessoa fugindo de mim como se fugisse do próprio diabo.

Mark fungou e me encarou, então eu sequei seu rosto e o puxei para perto abraçando e ele se agarrou em mim, me abraçando com força de volta.

— Eu não posso. - sussurrou e eu assenti.

— Tudo bem, eu vou ficar bem. - me afastei aos poucos. — Eu já imaginei que poderia acontecer e… eu não posso te culpar, não é? Não posso cobrar algo de volta também. 

 

Então andei pra porta e senti Mark segurar meu braço.

 

— Desculpa.

E então eu quis chorar.

— Tá tudo bem, eu vou ficar bem, eu sempre fico. Fica bem também, Mark.

 

E não esperei que dissesse mais nada, apenas corri pra fora, ignorei a senhora Lee e corri pra minha casa, o caminho inteiro prendendo o choro e chutando o que tivesse pelo caminho, até finalmente estar na minha cama, onde eu me deixei chorar por horas e horas.

Como se alguém tivesse morrido.

 

Alguém além da minha dignidade no caso.

 

-

 

— Xuxi, você sabia que isso poderia acontecer desde o início. - Renjun falou e eu assenti agarrando meu travesseiro com força enquanto sentia o carinho no meu cabelo.

— Pelo menos ele não te bateu com a bíblia. - Jeno falou e Renjun o deu um tapa.

— Eu deixaria ele me bater se ficasse comigo no final.

— Não pense assim. - Renjun suspirou. — Eu sei que você tá na merda, como sei, mas você… precisa se reerguer. Alguém aqui precisa ficar bem.

— Tem o Jeno já. Eu to mal e vou continuar mal por um tempo. - funguei. — Eu só não entendo. Se ele gosta de mim, porque as pessoas não podem apenas aceitar isso e deixar a gente em paz?

— As coisas são complicadas, Xuxi. Ele cresceu ali na igreja, o menino de ouro de todo mundo ali. Saber que vai perder tudo e todos vão virar as costas pra ele não é fácil.

— Eu sei, mas… - então voltei a chorar, sabendo que pelo menos teriam os idiotas ali comigo. — Não queria abrir mão dele.

 

Passei o resto do dia chorando, esperei os meninos irem embora e chorei mais e fiquei assim por basicamente duas semanas.

 

-

 

Eu também não ia mais às missas, não sabia se Mark estava indo.

Fiquei trancado no meu quarto, indo dele pra escola e da escola voltando pra ele.

 

Nem a bíblia e queria mais ler, porque não queria lembrar de Mark, mesmo que fosse idiota, já que qualquer coisa me lembrava do boiolinha cristão.

 

E foi quando eu voltava da escola um dia que eu dei de cara com Mark na minha casa. Sentado no sofá e tomando chá com a minha mãe. Eu quase tive um infarto assim que abri a porta e o encontrei ali.

 

— Yukhei querido, Mark disse que veio te ajudar com seus estudos bíblicos.

Mark deu um sorrisinho pequeno pra mim e eu assenti, sem entender nada, apenas concordando.

— Claro, é, meus estudos. A gente vai pro quarto. - eu falei e minha mãe sorriu, então eu fui com Mark até meu quarto do outro lado da casa, entrando e trancando a porta.

Então encarei Mark sem saber o que falar, mas incrivelmente ele que falou primeiro.

— Parece que ajudar com estudos bíblicos virou um código pra ficar a sós. - falou encarando os pés e eu ri, concordando.

— E por que estamos a sós agora? - perguntei e Mark sorriu.

— Eu gosto de você. Muito. - ele falou e eu senti que iria morrer. — E não me importo se me olharem torto, tem alguém que nunca me julgaria por amar.

 

Então eu chorei, tentando prender, encarando Mark que me encarou e sorriu, abertamente, aquele sorriso que eu amava porque chegava aos olhos e foi aí que eu senti meu coração parar.

Fui até Mark e  abracei apertado.

 

— Eu não sei o que falar agora. - sussurrei e Mark riu.

— Você poderia… me beijar.

Então eu ri por não esperar aquilo, me afastando e olhando Mark no olhos antes me aproximar e beijá-lo com toda a vontade que eu guardava há meses e meses.

Talvez vontade até demais porque num momento a gente estava no meio do quarto e depois a gente estava na parede e depois na cama e foi quando Mark começou a rezar o pai nosso que eu vi que precisava me afastar, rindo de como ele parecia adorável com o cabelo bagunçado, os olhos arregalados e o óculos de armação redonda tortos.

 

— Me desculpa, eu me empolguei.

Mark encolheu as pernas ficando extremamente vermelho e tímido, então eu acabei sorrindo quando notei o porque.

— Acho que eu também. - ele falou e olhava pra todo lado, menos pra mim. — Vamos… devagar, okay?

— Como você quiser, amor.

E ele ficou vermelhinho de novo, cobrindo o rosto com as mãos e me fazendo rir, me aproximando dele e beijando tudo o que eu podia.

 

Estava apaixonado por Mark Lee e eu finalmente o tinha.

Vitória do povo de Deus, aleluia.

 


Notas Finais


demorei mas cheguei
e queria avisar que estamos na reta final

a fic completou 1 ano shuasua
agora só faltam mais 2 capítulos
um possível epílogo e fim

xoxo
*3*


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