História O Clube Dos Sonhos - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Drepressão, Família, Fillie, Finn Wolfhard, High School, Millie Bobby Brown, Primeiro Amor, Psicodelia, Sonhos, Timothee Chalamet
Visualizações 17
Palavras 2.540
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Saga
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Mais uma ideia complicada que eu tive. É pra ser uma história mais leve, mais de aventura, porque tô querendo descansar um pouco a mente da outra história que tô escrevendo de suspense/terror que me suga as energias.

Tudo que for sonho vai estar em itálico (pelo menos por enquanto) .

Enjoy your trip!

Capítulo 1 - Só porque o céu está cinza?


Há algo de muito errado em acordar cedo numa quarta-feira fria e chuvosa para ir à escola, pensou o garoto depois de alcançar o celular sobre o criado mudo e desligar a canção do David Bowie que usava como despertador. 

Por que era obrigado a viver normalmente em dias feios como aquele?

Estava difícil saber.

Morando em uma cidade pequena, fria,  montanhosa e quase sempre monótona, como qualquer cidadezinha fria e montanhosa localizada a cinco horas de uma grande metrópole, ele, Kip Walker, que nunca quis ser pequeno, nem frio e nem monótono,  naquela manhã só conseguia olhar desanimadamente para o seu quarto entulhado das coisas que sempre o mantiveram ocupado, animado e em progresso: guitarra, pedais, amp, computador, livros, quadrinhos, posters de bandas, de filmes, aquário marinho…

Um monte de coisas.

Não teve que se esforçar tanto assim para conseguir nenhuma delas. Sabia disso embora nunca tivesse pensado muito a respeito. Agora que as coisas estavam parecendo só coisas, no entanto, batia um certo incômodo. Talvez fosse uma boa se livrar de toda aquela bagulhada que conseguiu durante seus quinze anos de vida só por ser um bom garoto, ele considerava sem se levantar da cama.

Não andava se sentindo um bom garoto mais. Fracassado? Preguiçoso? Ressentido? É, talvez fosse mais por aí... mas na real, o que sentia mesmo, além daquelas merdas todas que não se atreveria a descrever àquela hora da manhã, era sono.

Um baita sono.

E a chuva caindo ruidosa sobre o telhado da casa em vez de imprimir alguma dinâmica só deixava tudo ainda mais letárgico.

Os peixes em seu aquário marinho, porém, exploravam frenéticos os quatro cantos do mundinho de vidro que estavam carecas de conhecer e não pareciam nem um pouco sonolentos.

Seu irmão mais velho dando gargalhadas na cozinha, que ele conseguia ouvir do quarto com a porta fechada, também não.

Kip não estava interessado em saber o motivo da graça, mas o som do riso foi o suficiente para fazê-lo finalmente se por de pê. Queria descer com sua cara  bem feia e amassada e estragar o clima. Sim, aquela seria sua primeira grande missão naquele dia completamente desprovido de sentido: espalhar bad vibes no café da manhã da família.

Antes, claro, acendeu a luz do aquário, alimentou os peixes, foi ao banheiro, se vestiu, checou o celular. Mecanicamente. Toda aquela sequência que repetia  quase todos dos dias. Só para piorar, não havia nenhuma mensagem no celular, além de umas piadinhas tardias que Kobra, seu melhor amigo desde os nove anos de idade, havia lhe enviado quando ele já estava dormindo. Cogitou jogar o aparelho na água salgada e azulada do aquário, mas sabia que os peixes não mereciam ter que lidar com seu mau humor.

Seu pai, sua mãe e seu irmão folgado, eram outra história.

É claro que tinham que aguentar seu azedume. Era por eles afinal de contas que precisava se levantar da droga da cama com o tempo ruim. Era por eles que tinha que engolir o café da manhã natureba que  Amanda Walker, sua querida mãe,  adorava preparar: vitamina de abacate, torrada com pasta de grão de bico, granola com leite de amêndoa. Faria questão de queijo de vaca, ovos, salsicha, manteiga e bacon só para encher o saco, mas a verdade é que estava sem grandes apetite até para brigas.

A família de Kip, diga-se de passagem, não era lá das piores e ele também sabia disso. Amanda , a mãe, além de muito ligada em alimentação saudável, era publicitária e uma mãe moderninha meio de araque. Era só o garoto espirrar que voltava a tratá-lo como se tivesse dois anos de idade de novo. O pai, Oliver, um músico com uma carreira razoavelmente bem sucedida nos anos noventa, era um típico roqueiro tiozão quase sempre bem cuca fresca e atualmente dono do melhor estúdio de gravação da cidade. Com ele Kip aprendeu a gostar de rock, a tocar guitarra e a ser crítico pra cacete com música a ponto de ter dificuldade de fazer amizade com gente de gosto musical muito insuportável. E finalmente, Bosie, seu irmão mais velho, filho de Oliver com a primeira esposa, uma socialite bem biruta. Herdeiro de uma fortuna por parte da mãe, o primogênito se comportava quase sempre como um playboyzinho sem muita coisa na cabeça, mas gostava bastante do caçula, embora muitas vezes demonstrasse esse afeto das formas mais ilógicas. 

- Credo, Mosquito! - o rapaz resmunga passando a marcha do carro quando os dois já estão a caminho da escola - Até quando vai ficar nessa? É só uma garota. Tem milhares de outras por aí.

Sim. Para Bosie era fácil falar. Primeiro porque não gostava de ninguém. Segundo porque todo mundo gostava dele. Bonito, rico e com um talento natural para "sacar" pessoas e tirar vantagem disso, o garotão tinha se mudado para a cidade há pouco tempo só porque brigou com a mamãezinha rica e já tinha feito amigos no colégio, já tinha um monte de fãs. Era impressionante como as pessoas pareciam sempre inevitavelmente atraídas por quem não se importava a mínima com elas. E o truque, Kip tinha cada vez mais certeza, só podia ser não fingir. Você realmente tinha que ser um simpático narcisista desapegado como Bosie. Cumprimentá-las com seu sorriso mais bonito e olhando em seus olhos dizer claramente sem emitir nenhum som: muito prazer, eu sou a única pessoa que importa no mundo e não há nada que você possa fazer para mudar isso. Vamos nos divertir?

Bem que poderia tentar agir mais como seu irmão playboy cosmopolita, mas no fundo sabia que não daria certo. Primeiro porque se importava. Demais. Sempre se importou. Segundo porque todo mundo o conhecia naquela droga de cidade. Teria que ao menos aguentar mais uns três anos antes de tentar enganar como o rei do desapego em alguma faculdade bem longe daquele fim de mundo.

- Eu tô doente.

- Tá nada. Tá chato, isso sim.

- Esse tempo me deixa doente. Chuva. Frio. Umidade. Céu cinza do caralho.

- Aham.

Não era preciso justificar aquela mentira, mas mesmo assim o garoto pega um lenço de papel dentro do porta luva e o esfrega no nariz. Devia estar realmente um miserável fungando e coçando a garganta porque o irmão apenas liga o som do carro e deixa o caçula seguir naquele teatro patético.  

No corredor da escola, como ele já esperava, é que o tempo viria a se fechar de verdade.

Era difícil, muito difícil ver Alison Fraser, a garota que ele gostava desde sempre, desfilar pelos corredores de mãos dadas com outro sujeito.

Aquilo sim era cinza pra caralho.

Nunca tinha acontecido com ele de fato, por sinal. Andar de mãos dadas assim com ela pelos corredores. Sempre foram só amigos. Muito amigos. Por anos. Há pouco mais de um mês ficaram numa festinha e ele fez a besteira de se declarar para ela. Duas semanas depois do ocorrido. Duas míseras semaninhas. Quanta coisa pode acontecer em quatorze diazinhos que você perde sem saber exatamente como lidar com seus sentimentos? Aparentemente, muita.

- Escuta, Kip, sabe o que você devia fazer? - Bosie sentindo o clima pesado resolve ajudar enquanto apanha o material no locker - Baixar aquele aplicativo que te falei. É engraçado pacas e tem um monte de garota lá. Eu conheci uma ótima outro dia. Gata. Bronzeada. De Miami.  

- Eu nem posso ter essas merdas instaladas no celular, Bosie. E nem você.

- Pode sim, cacete! Todo mundo pode! Já te falei que não é pra sexo. Você não prestou atenção quando te mostrei naquele dia, né? Deus do céu…

Bosie pega o celular para mostrar mais uma vez o tal aplicativo que, segundo ele, não era exatamente um aplicativo de encontros, mas, como praticamente qualquer coisa na internet, poderia servir para tal fim.

- Dreamder?! - pergunta Kobra, ao se aproximar dos dois irmãos no corredor.

Sim, “Dreamder” era o apelido ridículo do tal  aplicativo que na verdade tinha um nome ainda mais ridículo: Clube dos Sonhos.

Kobra, nerd que só ele, sabia tudinho a respeito do Clube,  embora jurasse de pés juntos que só o tinha instalado "para ver qual era".

O conceito do tal "Tinder dos sonhos" era bastante simples, para não dizer idiota: descrever sonhos usando no máximo mil caracteres. Sonhos no sentido denotativo. Aquilo que rola durante uma boa noite de sono. O aplicativo se encarregava depois de achar pessoas que tivessem tido sonhos parecidos. Obviamente o resultado era obtido levando em conta somente as palavras digitadas, sem qualquer preocupação com o contexto e isso para Kobra era o que deixava o negócio engraçado.

- Você pode escrever lá que sonhou, por exemplo, que estava  - ele dá a entonação de alguém digitando um texto - fazendo amor na praia com uma estrela de cinema na beira do mar e achar uma outra pessoa “compátivel” que sonhou que estava... - ele prossegue tentando reorganizar as palavras -  fazendo cinema... na praia... por amor... às estrelas... do mar.

- Cinema por amor às estrelas do mar?! - o mais velho ri  - Fala sério, Kobra!

- É, sei lá… Um documentário… pro National Geographic? Pô, sonho é sonho, cara, rola coisa bem sem nexo.

Bosie sabia disso, mas para ele a graça do aplicativo era só escrever um monte de sacanagem e depois ler as sacanagens que as garotas escreviam usando as mesmas palavras.

- Outro dia escrevi que eu tava - ele imita cheio de ironia a mesma entonação de Kobra -  masturbando uma garota com um churros enorme de doce de leite. Foi assim que eu conheci essa Jackie de Miami. Ela sonhou que estava sendo perseguida por um tarado que tinha um churros de doce de leite no lugar do pau. Não é uma conexão incrível essa que a gente tem?!

- Nossa... - Kobra sorri meio espantado - Sonhou mesmo com isso?

- Nada. Escrevi qualquer merda. A gente pode escrever o que quiser, quem vai saber?

- Ah, então não tem graça nenhuma.

- Claro que tem, Mosquito! Deixa de ser mala! - o irmão protesta - Se eu escrever que sonhei que estava brigando com a minha mãe porque ela não me deixou ter um aquário igual ao seu você acha que vou conhecer alguma gostosa?

- Você quer um aquário também, cara? Fala com o papai, de repente...

- Não, bro! Sabe muito bem que eu não ligo a mínima pra peixe! O que eu tô querendo dizer é justamente isso, que sonho de verdade geralmente não tem sentido e nem graça. Você tem que ajudar um pouco o aplicativo.

Mesmo com todas explicações e empolgação dos dois, Kip segue para a aula sem muito interesse na brincadeira. A única coisa que o garoto sabia que não tinha a menor graça e não fazia o menor sentido era mesmo aquela sua vidinha.

As horas se arrastavam e ele tinha tanta coisa para fazer: assistir às aulas, comer, voltar pra casa, dar comida para os peixes, tocar guitarra, tentar escrever uma música sobre o que ele sentia pela Alison, acabar escrevendo uma música sobre Emily Blunt em “Um Lugar Silencioso” furando o pé no prego sem poder gritar, mandar a música para Kobra e receber como resposta “Falta um bridge”, ouvir um disco novo de uma banda nova e dez discos velhos de bandas velhas, entrar em rede social só para saber o que estava acontecendo no mundo, ir parar mais uma vez no perfil da garota que nem atualizava mais nada de tão ocupada que deveria estar com a droga do namoradinho, jogar video game com Bosie para tentar esquecer tudo aquilo, falhar miseravelmente. Em tudo. Falhar. Falhar. Falhar. Até a hora de poder voltar para a droga da cama sem que seus pais desconfiassem que alguma coisa estava errada e tivessem uma ideia horrível do tipo convidar aquele colega novo do trabalho que tem filhos da mesma idade que ele para um almoço no fim de semana.

Não queria conhecer ninguém.

Conhecia Alison tão bem e o que ganhara com aquilo?

Só aquela vontade de dormir por cem anos.
 

(...)

 

“Espero merecer essa segunda chance.”, a moça soava triste e distante sentada no banco de trás do carro ao lado de Kip.

Tinha uma voz suave como o tom de rosa do vestido de verão florido que usava por baixo da jaqueta jeans surrada. O garoto não conseguia ver direito o rosto dela, que estava bem voltado para a janela, mas tinha certeza que era bonito como a paisagem do lado de fora.

Andar de carro por estradas que cortavam paisagens arborizadas não era lá grande novidade para ele, mas por algum motivo não se sentia tão familiarizado com aquilo naquele dia. As árvores pareciam diferentes. Mais verdes. Mais legais.

Ao avistar um posto de gasolina a moça avisa ao motorista que vai descer. Quando ela se aproxima para se despedir, Kip a reconhece horrorizado: era Alison. Estava enorme de gorda e com os cabelos mais escuros, mas ainda assim tinha certeza que era ela. Espremeu o rosto dele com a ponta dos dedos e riu perversamente antes de descer do carro.

“Não chora não, meu bem! Você é tão bonito! Vai conhecer várias melhores que eu!”

Mas ele chorou. Muito.Vendo-a entrar na lanchonete do posto.

Precisava ir lá atrás dela para se humilhar, implorar pelo seu amor, dizer que precisava dela para viver, que ela era a garota mais incrível que ele conhecia. Eles gostavam das mesmas bandas, dos mesmos filmes, tinham o mesmo senso de humor, ela tocava guitarra, deus dos céu! É claro que era a garota da vida dele! Como podia ter demorado duas semanas para ter coragem de abrir o jogo?!

O problema é que para ir atrás dela naquela lanchonete tinha que primeiro parar de chorar e segundo se soltar do cinto de segurança, mas não estava conseguindo nenhuma das duas coisas de jeito nenhum.

As lágrimas rolavam descontroladamente e a porcaria do cinto parecia tão absurdamente difícil de destravar. Que diabos estava acontecendo? Estava bêbado? Claro que estava. Tinha bebido para esquecer Alison, concluiu rápido. Kobra certamente tinha surrupiado de novo um pouco da vodka de pimenta que o pai ganhara há séculos de um amigo, mas nunca usava para nada.

O carro permanecia lá parado até que o garoto se cansa de chorar e constata em seguida que além de preso dentro do carro, estava totalmente sozinho naquele fim de mundo.

Não passava nenhum outro carro na estrada. Não se via ninguém entrar ou sair do posto.

TOM’S. LANCHES. GASOLINA.

As únicas coisas vivas que avistava pela janela agora eram aquelas palavras que brilhavam sem muita força na placa luminosa em frente ao estabelecimento.

Ele sente fome. Uma fome de leão. Um hambúrguer de beira de estrada bem gordurento e cheio de queijo cairia tão melhor que o curry vegano que sua mãe tinha lhe servido no jantar.

Quando percebe que a intensidade da luz do sol está aumentando muito do lado de fora, no entanto, a fome dá lugar ao medo. A ideia de que poderia morrer cozido dentro daquele carro começa a lhe ocorrer.

Não restava outra coisa a fazer se não gritar por socorro.


Notas Finais


Kip Walker - Finn Wolfhard
dreamboat_queen - Millie Bobby Brown
Bosie Walker - Timothee Chalamet
Alison Fraser - alguém idêntica à modelo Julia Nobis nessa foto, mas com 15 anos https://pin.it/obskgcc7ggzusi (se existir uma atriz jovem parecida em alguma série ou filme avisem please. gosto de escalar elenco com ator.)


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