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História O código de Ada - Alternative version - Capítulo 23


Escrita por:


Notas do Autor


Uma hora a gente volta, não é? Olha eu aqui com mais um cap. Espero que curtam.

Capítulo 23 - Suspeitas


Pensamos demasiadamente

e sentimos muito pouco.

— Charles Chaplin —


—Triangulações.

O computador da hacker trabalhava compulsivamente em uma série de triangulações, coletando, pesquisando e comparando imagens nos vídeos que foram recuperados dos arquivos dos templos. Ansiosa, Hinata mordia a almofada do polegar, enquanto tentava manter a concentração em seu trabalho. O problema, é que Sasuke ainda estava ali, sentado ao seu lado de maneira tão próxima que podia sentir sua respiração quente — quente até demais — percorrer toda a linha de seu pescoço.

Como se não bastasse, a sorte também não havia sido generosa com nenhum dos dois, tendo em vista que as poucas imagens realmente uteis que conseguiram recuperar, grande parte estava corrompida, pegava ângulos ruins ou apresentavam falhas de gravação que levavam de cinco a dez segundos de corte. Podia não parecer, mas qualquer segundo de gravação era importante.

Apenas um pequeno fragmento, encontrado nos arquivos do templo onde o monge fora morto, parecia conter alguma coisa realmente significante.

— É um programa que busca dados iguais em arquivos diferentes – explicou, tirando o dedo da boca, mas sem olhar diretamente para o detetive — É como se fosse o “ctrl f” do computador, porém em mais de um arquivo e não necessariamente de texto. Posso buscar nesses vídeos algo que bata, seja um rosto muito parecido, algum objeto ou veículo.

— Certo. E acha que vai ser o suficiente?

Deixou a cabeça pender um pouco para o lado, sentindo o peso do cansaço do dia tomar conta de seu corpo. Massageou o pescoço endurecido, enquanto tentava relaxar os ombros.

— É o que posso fazer.

Ouviu a respiração dele pesar um pouco e espiá-lo pelo canto dos olhos. Sua expressão era séria, o cenho franzido e os lábios tensos, não como aquela carrancuda que sempre possuía, mas parecendo pensativo. Enganchou um pedacinho da pele da bochecha entre os dentes, contendo a própria língua antes de dizer algo. Era visível que, além de toda essa história do caso, ainda estava ficando cada vez mais doente.

A grande ironia é que quando conheceu o Uchiha, a única coisa que queria era descobrir por que tinha aquela sensação de familiaridade sobre ele, ao mesmo tempo em que o queria longe. Agora... Bem, estava preocupada com a saúde daquele idiota.

— Sasuke...? — Chamou baixinho, depois de um tempo em silencio.

— Hum?

— Por que... Por que essas coisas acontecem?

Os orbes escuros dele se voltaram em sua direção, a observando pelo que pareceu serem longos segundos, ante de endireitar a postura.

— Que coisas?

— Essas coisas... Ela era só uma garotinha. Não merecia isso.

— Achei que soubesse, Hinata: a maldade das pessoas não tem explicação — disse depois de um tempo. — Ambição, prazer, medo. Quem não tem medo de realizar seus desejos, faz.

Moral. Era isso. Pessoas que não se importavam com as leis de moral que regia o convívio em sociedade realizavam seus desejos e buscar a satisfação para suas necessidades daquela forma, não era?

Apenas movia os lábios para responder quando seu computador terminou mais uma sequência de triangulações, exibindo na tela algumas fotos como resultado de sua pesquisa e, no meio dela, pela primeira vez desde que haviam começado aquela busca, um rosto surgiu.

Sentindo uma descarga de adrenalina percorrer todo o seu corpo, ambos encararam a tela estáticos, observando a figura do homem ali. Apesar do arquivo ser em escala de cinza, percebia-se que tinha cabelos claros na altura dos ombros e bem penteados, usava um casaco longo e óculos escuros que lhe cobriam boa parte do triangulo facial. Seu perfil havia sido visto em quase todas as câmeras nos dias selecionados, as vezes ao lado de alguém, as vezes sozinho.

— Consegue melhorar essa imagem? — Sasuke perguntou e Hinata não disse nada, apenas copiou as imagens, jogando no editor de fotos e tentando renderizar o que pudesse.

Melhorou a cor, tirou um pouco do tremor e anexou tudo em um único arquivo, mandando direto para a impressão. O detetive se levantou — com dificuldade disfarçada — e recolheu as folhas.

— Acha que pode ser uma pessoa de interesse? — Questionou, vendo-o observar a foto um tanto confuso.

— Talvez... Pode ser apenas um turista, mas tenho a sensação de que o rosto dele não me é estranho — disse, erguendo os olhos em sua direção. — Vou pedir para cruzarem a foto com o nosso banco de dados de suspeitos.

— Posso fazer isso.

— Não, é melhor passar o que encontramos para o departamento policial, pelo menos dessa vez. Vai contribuir para que eles achem necessário desprender tanta gente para proteger sua família e sua amiga — justificou enquanto guardava as imagens no interior do casaco.

Quis responder, mas estranhamente teve a sensação de que entendia a que Sasuke se referia: ela era uma criminosa, mesmo que ainda estivesse colaborando com a polícia e proteção para criminoso não era uma prioridade para a polícia.

— Vou levar isso até a perícia. Volto logo — falando isso, saiu.

Assim que a porta se fechou atrás do detetive, espiou o relógio no pulso apenas para constatar que o horário em que deveria encontrar Temari já se aproximara. Ergueu o corpo da mesa, passando as mãos sobre o rosto mais uma vez. Sabia que sair sem avisar faria com que Sasuke quisesse matá-la depois, entretanto, havia algo naquilo que lhe dizia para fazer essa parte do trabalho sozinha.

Juntou suas coisas, deixando do lado de fora uma caneta e um pedaço de papel. Guardou tudo na mochila, refez a pilha de arquivos e empurrou a caixa pra baixo da mesa. Rabiscou rapidamente um bilhete para Sasuke, explicando aonde iria e que depois iria para casa. Deixou o papel dobrado com Shino e marchou pelos corredores até a saída do prédio.

Destravando o alarme, guardou sua bolsa no porta-malas do carro e voltou para a rua, caminhando em direção a um pequeno parque que ficava a duas quadras do edifício da polícia.

Seu caminho foi rápido, entretanto, quando chegou ao parque, Temari já estava no local, segurando o pequeno Shikadai em um balanço. Diferente de como a encontrara de manhã, agora ela mantinha os cabelos em um rabo de cavalo bem preso, usando uma regata com a logo de uma academia e tinha de lado uma bolsa, cuja alça estava atrelada a duas luvas de luta.

— Hinata, desculpe pela hora – começou assim que a viu. Seu semblante bonito estava cansado, mas ainda assim tentou dar um sorriso quando viu-a olhar desconfiada de seu rosto para as luvas em sua bolsa. – Sou professora em uma academia de luta - explicou-se rapidamente. – Não é tão divertido quanto parece.

— Não se preocupe.

A loira colocou o menino no colo, que acabou choramingando um pouco por deixar o brinquedo, mas logo se acalmou ao receber um olhar severo da mãe.

— Você está de carro?

— Não.

— Ok, o meu está na outra esquina – disse, lançando olhares rápidos ao seu redor e começando a andar.

Seu caminho silencioso até o carro só foi interrompido pelas perguntas curiosas de Shikadai. Apesar da idade, ele parecia ser bem inteligente e aquilo lhe trouxe um pouco de inveja: eles deviam ser uma família feliz, ou pelo menos foram até Mitnick – ou Shikamaru- desaparecer.

Mesmo não entendendo muito bem o que ele falava, Hinata tentou interagir um pouco e a criança parecia ter uma atenção especial em sua cicatriz fina na testa, que passara a adornar seu supercílio desde o dia em que conhecera Naruto.

— Foi um acidente – disse após perguntar o que era, e sorriu, sorriso qual a criança retribuiu um pouco tímida, ainda escondendo parte do rosto no pescoço da mãe.

Já no veículo, Temari acomodou o menino em sua cadeirinha e a hacker ocupou o banco do carona. Ela dirigiu com cuidado pelas ruas movimentadas, enquanto ambas permaneceram em silêncio até chegar a uma área residencial, de casinhas pequenas, mas de aparência aconchegante e cores claras.

— Espero que não repare na bagunça – começou a loira, abrindo a porta e dando passagem. – Ultimamente minha vida tem sido limitada ao trabalho, cuidar de Shikadai e buscar notícias do meu marido.

Shikadai pulou de seu colo e correu em direção aos brinquedos espalhados por toda a sala. Animado, pegou um cavalinho e começou a brincar, fazendo barulhos de corrida. Ouviu Temari lhe oferecer assento, mas um tanto alheia ao que disse, abaixou-se ao lado do menino e apanhou um de seus brinquedos.

— Como se chama esse cavalinho? – Perguntou.

— Cavalinho papai – disse, logo em seguida pegando mais dois e acrescentando: - cavalinho mamãe e cavalinho Shika.

— Se você permitir, ele vai querer brincar a tarde toda – disse Temari, voltando da cozinha com um copo de água em mãos. – Mas não foi pra isso que você veio aqui, certo?

Hinata negou com um movimento de cabeça, estreitando os olhos e ficando de pé.

— Quero ver se Shikamaru deixou algo para trás que possa nos ajudar. E também preciso do seu celular para rastrear as mensagens.

A loira assentiu, girando os calcanhares e entrando em um quarto, de onde voltou trazendo uma caixa cheia de peças de computadores.

— O computador dele já não está aqui, mas essas são todas as coisas que restaram. Memória externa, pendrive, CD's. Shikamaru podia ser um preguiçoso, mas era bem organizado com suas tralhas de computador – ao falar isso, viu que os cantos de seus olhos verdes se encheram de lágrimas outra vez.

Com um nó na garganta, desviou o olhar, indo em direção a caixa e vendo se havia algo desnecessário ali.

— Temari, você sabe alguma senha ou código que Shikamaru tenha utilizado nos últimos dias?

— Não, nunca tive acesso a essas coisas. Não me chamavam a atenção – explicou, como se se desculpasse.

— E há algo que Shikamaru tenha comentado com você referente ao caso?

Balançou a cabeça negativamente.

— Nunca questionei sobre seu trabalho... Que droga, não? Sempre achei tedioso esse trabalho de Shikamaru e nunca me interessei, agora... Agora me parece que não sei nada sobre meu marido.

— Temari...

Secando grossas lágrimas das bochechas, a loira ergueu a mão em um gesto de que estava tudo bem. Cruzou os braços sobre o peito e respirou fundo, tentando conter seus sentimentos.

— Está tudo bem. Só preciso me acalmar e lembrar que Shikamaru é preguiçoso demais, até para morrer – e deu uma risadinha fraca e sem humor.

Hinata também tentou sorrir, mas não conseguiu.

— Você aceita alguma coisa para beber?

— Água, por favor.

Ela foi em direção a cozinha, deixando-a sozinha. Observando ao seu redor, apesar de ser uma casa bonita e estar limpa — mesmo que bagunçada — o local refletia o humor de Temari e seu filho.

Lentamente, aproximou-se da parede decorada por quadros e porta-retratos. O primeiro que viu era um diploma de faculdade em nome de Shikamaru Nara, seguido por um em Educação Física em nome de Temari. Havia uma foto de Shikadai recém-nascido e havia uma outra foto que fez Hinata franzir o cenho automaticamente.

— Shikamaru não gosta muito de fotos – a voz dela surgiu de repente e quase se assustou. – Foi uma luta até tirarmos essa.

Aceitando o copo que a loira lhe estendia, tentou tomar a água, mas não conseguiu. Havia algo de muito, muito errado ali e precisava saber o que estava acontecendo.

Imediatamente.

— Bom, mas no nascimento do filho é uma ocasião especial – disse, observando atentamente a reação de Temari.

— Diga isso a ele. Essa foto tínhamos acabado de receber alta na maternidade – explicou e Hinata prendeu a respiração.

“Mas que diabos está acontecendo?”, pensou com seus botões observando novamente a foto. As coisas ali não batiam de jeito nenhum.

— Temari, vou precisar do seu celular também – informou de repente, sem despregar os olhos da foto na parede.

— Por quanto tempo? Preciso dele pra trabalhar.

— Vai ser rápido – prometeu.

Parecendo hesitar um pouco, entregou o aparelho.

— Precisa de mais alguma coisa?

— Não – disse rapidamente, preparando-se para ir embora, porém mudou de ideia. – Na verdade, tenho uma pergunta – corrigiu. – Há quanto tempo você e Shikamaru são casados?

Ela sorriu um pouco, ganhando um leve tom rosado nas bochechas.

— Quase oito anos.

— Bastante tempo, não é? – aquela resposta foi como um golpe gelado, mas não demonstrou reação alguma.

— Ah sim, bastante – concordou.

Aproximando-se de Shikadai, acariciou seus cabelos, pensando em sua próxima pergunta com extremo cuidado.

— E ele nasceu aqui no Japão?

As feições dela assumiram um tom de confusão.

— Não, Shikamaru é espanhol, mas de ascendência italiana, por quê?

— Nada. Apenas curiosidade — respondeu, dando um pequeno sorriso.

Então era aquilo: realmente havia algo errado em toda aquela história e tudo o que vira e ouvira na casa de Temari. Entretanto, não havia algo de errado na mulher em si e, mesmo que ainda existisse a possibilidade dela ser uma excelente atriz, decidiu que seu problema não era exatamente com ela.

Tentando agir naturalmente e controlar o leve tremor que começara a percorrer seu corpo, guardou o celular em seu bolso, recolheu a caixa e, recusando as ofertas de Temari em levá-la até sua casa, saiu o mais rápido possível.

Sua cabeça fervilhava enquanto o táxi percorria com velocidade as ruas já escuras. Não sabia exatamente o que causara aquela confusão em sua cabeça: a raiva, o medo, a falta de informações, entretanto, puxando o celular de Temari de seu bolso e destravando a tela, pode ver a foto de uma família feliz, que a fez morder o lábio e soltar um xingamento sobre o quão burra fora esses dias.

Voltando a guardar o celular no bolso quando o táxi parou em frente ao prédio do detetive, hesitou um pouco em descer. Sem sombra de dúvidas, Shikadai só havia herdado da mãe os olhos verdes, enquanto era quase uma cópia em miniatura do pai.

Pai esse, pensou consigo mesma, enquanto adentrava o prédio e ia em direção ao elevador, que não era o Mitnick que conhecia.


Notas Finais


Pera, Shikamaru não é o Mitnick? Quem já leu a primeira versão, CALA A BOCA!!!! Não dá spoiler huahau.
Um beijão e até o próximo.


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