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História O Código Luthor - Capítulo 10


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Notas do Autor


Esse último capítulo tem um tom bem diferente do restante, mas eu sinto que precisava ser assim e eu escrevi ele inteiro de uma vez, sem pausa, e me senti muito bem o escrevendo, então, sinceramente, espero que gostem
Acho que é um desfecho apropriado pra nossa história, e me desculpo por ter feito vocês esperarem tanto por isso, eu realmente esperava ter escrito isso antes, mas minhas aulas voltaram e eu estava tão ocupada que nem tive tempo pra pensar no que escreveria, e fico feliz de ter feto isso só agora, porque se tivesse feito antes provavelmente sairia bem diferente
Enfim, não tenho mais muita coisa a dizer, então apenas
Boa leitura ;)

Capítulo 10 - Epílogo


Dor. É algo que os humanos estão muito acostumados a lidar. Como qualquer outro substantivo abstrato, não dá pra definir a dor por outro modo que não seja o uso de metáforas. Principalmente quando essa dor não é física. É o tipo de dor que Kara conhece melhor.

Ela já lidou mais com kryptonita do que gostaria, era uma experiência detestável em Krypton. Ela sentia suas veias se rasgarem, seus ossos se partirem, como se seu corpo estivesse queimando de dentro pra fora. Era uma dor que ela conhecia melhor do que deveria. Mas não era esse tipo de dor que ela sentia agora.

Era como sentir seu peito sendo rasgado em vários pedaços”, como “uma faca lhe perfurando várias e várias vezes ininterruptamente”, como “deitar sobre as brasas e sentir toda a extensão da sua pele queimando, a agonia de não conseguir se livrar da dor”. Não dava pra definir sem metáforas. Era tão mais fácil sentir dor de fora pra dentro que de dentro pra fora que não conseguíamos desenvolver expressões próprias pra definir.

Doía como o inferno não poder ouvir um coração bater.

 

*

 

- Você deveria estar descansando. - Ela chega ao lado da mulher morena, ainda com seu traje de supergirl, na varanda do DEO, observando a vista deslumbrante da noite em National City.

- Eu estou. - Ela não se virou para olhar para Kara. Seus grandes olhos verdes não se desprendiam da visão a frente um segundo sequer.

- Lena, você morreu! Praticamente. Seu coração ficou parado por minutos! Eu nem sei como você conseguiu se levantar! - Kara se encostou na borda de concreto da varanda, olhando para o mesmo céu que ela.

- Pois é. Você acha que eu deveria desperdiçar minha milagrosa ressurreição em uma cama da enfermaria do DEO? - Lá estava o tom sarcástico, que não a abandonava nem na beira da morte.

- Não foi um milagre. Você teve sorte que Alex e Winn conseguiram arranjar uma forma de neutralizar o veneno rápido o suficiente. - Kara estava lá durante a reanimação de Lena. Ela viu seu peito subir e descer com força enquanto a corrente elétrica percorria seu corpo, despertando novamente seu coração. Ela chorou quando conseguiu ouvir seu batimento cardíaco de novo, mas ela provavelmente nunca contaria isso a ela.

- Não é como se eu realmente acreditasse em milagres. - Ela deu de ombros, encostando um pouco mais o peso do seu corpo sobre o concreto gelado.

E elas entraram naquele súbito silêncio confortável. O suficiente para Kara acreditar que poderia ouvir o coração de Lena mesmo sem seus poderes. Fazia quase vinte e quatro horas que ela achou que nunca mais ouviria aquele som de novo.

- Você salvou muita gente ontem. - Kara pôde ver os músculos de Lena tensionarem quando falou isso. Não era a reação que ela esperava. - Inclusive a mim.

- Eu atirei em você. - Lena afirma seca e suavemente.

- Eu entendo as circunstâncias, não vou levar para o lado pessoal. - Kara dá de ombros.

- Parte de mim queria atirar em você.

Silêncio. Kara preciosou de um pouco de tempo pra processar aquilo.

- Ok, talvez eu leve pro pessoal. - Lena riu com aquilo e Kara nem lembrava se já tinha ouvido Lena rir, mas ela gostou.

- Eu não queria machucar você, eu só… - ela finalmente virou pra Kara, e olhando diretamente pros olhos azuis, suas palavras morreram, mas assim colo ela mesma, ressuscitaram logo em seguida: - só queria ter certeza que a garota de aço poderia sangrar.

- E como exatamente eu não devo levar isso para o pessoal? - Kara pergunta num sorriso, tentando não parecer séria, mas alguma coisa no fundo dela se assustou um pouco.

Lena ficou calada, a encarando. Nenhuma resposta veio, nada veio. Ela apenas a encarou e depois se virou de volta para o céu estrelado, abafado pela luminosidade excessiva da cidade.

- Eu acho que preciso de algumas respostas. - Kara sussurrou, não tendo certeza se Lena realmente a ouviu, até que a mulher ao seu lado sussurrou de volta:

- Eu sei.

Silêncio de novo. Elas precisavam realmente trabalhar na comunicação, porque a cada cinco minutos elas ficavam presas novamente naquela aura de silêncio, seja ele confortável ou não. No momento não era.

- Desde o começo você parecia saber exatamente pra onde ir. Sempre.

- Eu não tinha certeza. - Kara pôde ver Lena apertar um pouco seus dedos na beirada da varanda. - Mas Lex sempre foi estupidamente previsível pra mim. Talvez seja por eu ter convivido com ele nos últimos vinte anos, mas não sei.

- Você projetou a bomba…

- Não exatamente. Eu projetei o sistema.

- Como você sabia que a bomba já estava ligada?

- Lex não é burro. Ele tinha uma ideia de que não iria me redimir tão facilmente. Ele não precisava matar você. Lex sabia que eu era a única que podia desligar a bomba, então ele poderia simplesmente me matar e a cidade do seu priminho de collant azul e vermelho iria pros ares e ele teria vencido de qualquer forma.

Lena falou tão rápido, como se tivesse a resposta na ponta da língua, que Kara, mesmo com seus super sentidos, precisou de um tempo pra processar tudo aquilo.

- Você é muito inteligente. - A loira soltou de repente, sem ter total controle sobre suas próprias palavras, e se sentiu totalmente envergonhada. É, talvez fosse um dom de Lena, deixá-la sem graça sem precisar fazer absolutamente nada.

- Uma das vantagens de ser uma Luthor, eu acho.

Kara podia claramente imaginar Lena falando isso enquanto erguia uma taça de vinho até os lábios com uma cara nojenta, típica de gente muito rica. O que automaticamente a lembrou de outra pergunta: - Você tem problemas com álcool?

Lena riu de novo, e a kryptoniana poderia jurar que se acostumaria fácil com esse som.

- Não exatamente. Eu sou extremamente resistente ao álcool, provavelmente porque eu comecei a beber desde muito nova. Álcool me acalma. Me faz esquecer que tenho sentimentos e me faz pensar mais claramente. - Ela fala isso com um sorriso vago em seus lábios. O que fez Kara pensar em seus lábios. O que a fez pensar no restante do seu rosto, e logo depois ela se viu observando Lena por inteiro.

Lena tinha vestido suas roupas do dia anterior. A calça social preta meio folgada que agarrava muito bem em seu quadril. A camisa social preta que ainda tinha uma mancha de sangue terrível no lado direito, mas que cobria o enorme curativo em seu ombro. A tipoia azul marinho que segurava seu braço direito. Os pés descalçados pisando no chão de cimento frio do DEO. O longo cabelo preto levemente ondulado caindo ao redor de seu rosto e ao longo de suas costas até quase alcançar a cintura. Os olhos verdes ainda mais destacados que o normal pelas marcas de cansaço no rosto. Os lábios naturalmente rosados sem rastro de batom. Kara achava Lena muito bonita. Provavelmente todo mundo achava. Ela impossível não achar.

Kara achava os lábios de Lena muito bonitos também e pensar sobre isso a fez lembrar de outra coisa.

- Então… - a loira mantinha um sorriso sapeca no rosto antes de perguntar: - quer dizer que você tem vontade de me beijar o tempo todo?

Lena se virou pra ela, franzindo a testa em confusão, o que Kara achou extremamente fofo, mas então uma onda de clareza suavizou suas expressões e ela riu mais uma vez. Então Lena voltou a olhar para a cidade, mantendo um sorriso em seu rosto, fazendo com que aquelas linhas aparecessem dos lados de sua boca. Era uma visão muito agradável, Kara concluiu.

- Não pode me julgar pelo que eu falei enquanto estava bêbada.

- Você não estava bêbada. - a super afirmou acusatoriamente. - Você acabou de falar que é super resistente ao álcool!

- Eu tinha acabado de beber meio litro de whisky! - Lena argumentou. Seu sorriso cresceu e ela voltou a encarar a loira.

- Você não parecia bêbada quando atirou em mim!

E Lena riu de novo. Kara pensou que estava disposta a parecer mais idiota que o normal se fosse pra ouvir aquele som com maior frequência.

Depois que as risadas foram gradativamente se dissipando e sendo levadas pela brisa fria, as duas ficaram lá, apenas se encarando com aqueles sorrisos idiotas no rosto. De volta ao silêncio, extremamente confortável daquela vez. O suficiente para Kara não querer quebrá-lo, mas tinha uma vozinha dentro dela a empurrando porque ela não podia conter a curiosidade.

E antes que a coragem lhe abandonasse completamente e ela começasse a pensar em quão idiota e impulsivo aquilo seria, ela se até os poucos centímetros que a separava de Lena e imprensou seus lábios contra os dela.

Incrivelmente, Lena não parecia surpresa. Na verdade ela parecia menos surpresa que a própria Kara. E ela respondeu tão calmamente e tão suavemente ao ato que Kara não sentiu mais o medo e a vontade de se afastar que martelavam em sua cabeça. Ela apenas se permitiu sentir a maciez dos lábios da Luthor contra os seus por alguns poucos segundos. Não passava de um selinho demorado, mas seu coração batia tão rápido que ela podia pensar que estava prestes a ter um ataque cardíaco, se ela fosse capaz disso na Terra.

Ela estava pronta pra se afastar quando sentiu os lábios de Lena se abrirem e sua língua passar lentamente sobre os seus próprios. Ela abriu a boca e sentiu a língua de Lena rapidamente se esfregar contra a sua, causando um arrepiozinho no seu estômago. Agora ela estava realmente beijando Lena. Lena Luthor.

E era tão suave e lento que era quase como se não estivesse acontecendo, mas estava. E ela agradecia a Rao por ser assim, porque se fosse um pouco mais rápido, ou um pouco mais forte, ela poderia quebrar o nariz de Lena, e isso certamente acabaria com o clima.

A atitude de se afastar veio de Lena, deixando lentamente a língua de Kara sozinha, e pressionando novamente seus lábios num selinho, antes de deixar seus rostos a alguns centímetros de distância, embora ainda muito perto. Pelo menos mais perto que o rosto das pessoas costuma ficar.

Os olhos verdes piscaram algumas vezes, voltando a sentir as luzes da cidade penetrarem suas pupilas, mas se prenderam à visão das bochechas levemente avermelhadas da kryptoniana a sua frente, que continuava de olhos fechados. Talvez Kara estivesse com vergonha de abrir os olhos e encarar Lena, ou talvez ela estivesse com medo. Ela não sabia bem como reagir.

Ela só abriu os olhos quando ouviu o som já tão familiar da risada de Lena. - Então em menos de vinte e quatro horas eu te fiz sangrar e corar. - A morena tinha aquele sorriso fácil no rosto, que fez Kara sorrir de volta. - Eu deveria ganhar um prêmio.

- É, eu acho que sim. - Foi tudo o que saiu dos lábios da supergirl, mas ela não se sentiu capaz de falar mais nada. Então elas apenas voltara a encarar a vista de tirar o fôlego da varanda do DEO.

E ali, sob os mesmo céu e as mesmas estrelas, Kara ouviu o coração de Lena bater calmamente em seu peito e se permitiu sentir seja lá o que estivesse sentindo. Ela não precisava definir isso agora. Era bom estar com Lena. E essa provavelmente não seria a última vez que trabalhariam juntas.

 

Fim.


Notas Finais


E nossa historinha chegou ao fim. Eu não sei se pretendo escrever alguma continuação pra isso, mas eu com certeza pretendo escrever mais sobre esse casal, porque é completamente a minha paixão.
Eu acho que vou começar uma série de one shots sobre supercorp, redcorp, meltie e todos os ships possíveis que envolvam essas duas, porque sim.
E, é isso, espero que tenham gostado, e gostaria muito de saber o que vocês acharam sobre o epílogo e sobre a história inteira então, se possível, deixem sua opinião aí nos comentários e, é com muito orgulho e esperança que eu digo mais uma vez:

Até a próxima ;)


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