História O começo de tudo: Flores - Capítulo 2


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Categorias Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Jason Grace, Leo Valdez, Nico di Angelo, Will Solace
Tags Abo Universe, Solangelo, Valgrace
Visualizações 62
Palavras 2.501
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - Capítulo Dois


Léo olhava para Percy com uma expressão incrível de indignação. O alfa de olhos verdes até considerou que, muito provavelmente, o ômega a sua frente seria até capaz de ganhar algum prêmio de melhor face de atuação. O único problema daquilo era que sabia muito bem que não era uma simples atuação, não mesmo, o Valdez estava realmente indignado com o Jackson.

Mas que diabos... — murmurou o moreno.

— É, eu sei — cortou-o Percy, dando de ombros. Sua expressão era bastante calma, já estava acostumado com aqueles olhares. Annabeth fez o mesmo naquela situação, isso no início, é claro, atualmente já estava acostumada.

Um silêncio tomou conta do lugar, onde os dois apenas se encaravam. O ômega suspirou e voltou a colocar seus óculos de armação dourada, fina e redonda que tinha deixado na mesinha do quarto do Jackson, em seguida, pegou os papéis novamente. O alfa apenas observou Léo analisa-los com um olhar crítico, vez ou outra fazendo caretas que poderiam ser engraçadas se ele não soubesse do que elas se tratavam. Por fim, o Valdez baixou os papéis, ajeitou a posição dos óculos e olhou para Percy.

— Cara, você é uma aberração da natureza.

— É, eu sei, Léo.

— Quero dizer... — disse sorrindo amavelmente, feição essa que logo foi substituída por um olhar mortal. Naquele momento, o alfa percebeu que o Valdez conseguia ser mais assustador do que uma professora de matemática que tivera antes, a Senhora Dodds. Bastava querer. Tentou ignorar o arrepio que percorreu toda e extensão de sua espinha vertebral com aquele único olhar penetrante. — Como diabos você conseguiu a proeza de tirar 1.7 em uma prova que valia cinco? Tá, química não é lá as mil maravilhas...mas ainda assim! E olha essa nota... 0.5 em física, Percy! A mais alta foi de biologia, e ainda assim tá bem ruim, hein? Quero dizer, 2.3 de cinco não é exatamente a nota mais almejada, não é mesmo? — O moreno apertou a ponte do nariz e respirou fundo. Logo voltou ao olhar calmo. — Sério que você só se interessa por biologia marinha? Como conseguiu passar em ciências em todos esses tempos? Aposto que até os trezes anos foi tudo sorte, mas o resto...?

— Eu tinha um incentivo.

— Incentivo?

— Annie faz promessas interessantes — disse simplesmente, como se já explicasse tudo. E explicava, Léo não precisava de mais detalhes a respeito para saber do que se tratava as promessas “interessantes”.

— Infelizmente, senhor, eu não posso prometer coisas interessantes.

— É, eu sei.

— Dá para parar de dizer que você sabe? Isso deixa a situação mais estranha...quero dizer, se tinha consciência da sua incrível habilidade com ciências, por que não tentou melhorar?

Percy contorceu o rosto numa careta desagradável que deixava bem claro o quão irritantes era para ele considerar aquela ideia.

— Tentar entender ciências é mais difícil do que conseguir um loveômetro alto com o  Curupira de Chapinha sem procurar nada no Google ou no Youtube — resmungou, se lembrando da vez em que ele, Nico e Léo tinham decidido jogar Amor Doce só para verem se era tão ruim quanto falavam. Ficaram bastante entretidos até, apesar de que aquele joguinho maldito ter deixado eles com bastante raiva. Coisas como a jogadora ser trouxa, a corrida atrás do cachorro e Castiel.

Léo grunhiu só de lembrar.

— Não, cara, não fala uma coisa dessas. Daqui a pouco você está falando que a Amber ou o Ezarel são mais simpáticos que o dever de ciências.

— Mas eles são — retrucou Percy. O Valdez o olhou como se ele tivesse sérios problemas. — Vai, esses dois nem se comparam com ciências.

Novamente ficaram se encarando por um bom tempo. Léo ajeitou os óculos que escorregavam do nariz, ao mesmo tempo em que o reflexo do sol que entrava pela janela entrou e refletiu nas lentes. Ele pigarreou e colocou as mãos unidas sobre a mesa, com um olhar sério e preocupado.

— Acho que precisamos comentar sobre seus distúrbios mentais, Percy.

- X -

Nico se encontrava jogado na cama, resmungando para o teto do próprio quarto. Estava tudo tão sem graça, não tinha absolutamente nada para fazer. Não era do tipo que tinha muitos contatos para falar pelo celular, também não tinha tantos jogos instalados e os que tinha não prendia sua atenção por tanto tempo, estava com preguiça de ler o livro que tinha comprado na semana anterior. Ou seja: não tinha realmente nada para fazer. Ficou resmungando sobre como a vida era entediante sem Léo e coisas do gênero. Naquele momento, entendeu porque Percy vivia brincando com a “necessidade, superproteção e possessividade” do de cabelos negros para com o ômega amigo. Pensava que não era tanto assim e que tudo era exagero do alfa de olhos verdes, mas não, realmente era grudado no Valdez.

Pensou em ir passar na floricultura, apenas para falar com Alex e, talvez, ajudar ela ao comprar alguma flor. Poderia ser desperdício de dinheiro, mas considerou que seria mal-educado caso ficasse na loja e não comprasse nada. E, de qualquer forma, Léo gostava de flores mesmo... em outro caso, dá-las-ia para o Jackson, assim ele teria um presente para a namorada beta, Annabeth Chase. Considerou que seria melhor não, vai saber se não tinha saído cedo para fazer coisas-que-Nico-não-queria-saber com Magnus. Naquele momento, pensou que se seu querido Admirador Secreto não fosse secreto, talvez não estivesse ali, se tornando um só com a cama igual mofo de chuveiro.

Escutou a música The Spectre de Alan Walker tocar repentinamente, seus olhos logo captaram o celular de Léo jogado em cima da cama do próprio. Se levantou enquanto resmungava sobre a mania irritante do amigo de esquecer as coisas mais importantes. Ao chegar perto o suficiente, sem muito interesse, o pegou e checou quem era. Assim que viu o identificador de chamada, sentiu uma grande vontade de apertar naquele tentador botão vermelho, mas se conteve. Acabou apertando — mesmo contra a vontade de seu coração — o verde e colocou o aparelho no ouvido. Poderia ser considerado invasão de privacidade, mas sabia que o Valdez não se importaria,

— Fala — disse simplesmente, curto e direto.

— Ah, Léo, eu... — Um breve silêncio se fez presente. Nico quase podia sentir a confusão da pessoa do outro lado da linha.  — Essa voz... você não é o Léo.

— Pois é, cara. Deu para perceber? — resmungou com desgosto em um tom sarcástico. — Me desculpa se meu timbre não é tão sedutor quanto o dele. Sabe como é, essa característica não é tão comum assim em betas.

 — Ah, não... — resmungou o outro, logo percebendo de quem se tratava. — Posso saber o que está fazendo com o telefone de Léo, Di Angelo?

— Posso saber porque continua infernizando meu amigo, Tyler?

— Isso não lhe diz respeito. Deveria cuidar melhor de sua vida ao invés de vir cuidar da minha.

— Pois bem, o fato de eu estar com o telefone dele também não lhe diz respeito — retrucou calmamente. Sentindo que o alfa do outro lado da linha iria argumentar, logo acrescentou. — Afinal você não é nada dele, né? Foi apenas uma noite e só. Então, por favor, para de infernizar Léo. Ele não quer nada com você, cara.

— Por que eu confiaria em você? Logo você que parece um carrapato nele? Quem garante que você, na verdade, não tem sentimentos não correspondidos com ele? Sabe como é, ser segunda opção é bem comum para betas, não?

— Primeiramente, gostaria de lhe lembrar que a minha vida não lhe diz respeito. Em segundo lugar, você não precisa confiar em mim, até porque eu estou bem longe de confiar em você também. E em terceiro, mesmo que eu tivesse, o que você poderia fazer a respeito? Nada, né? Atah, foi o que achei — disse no seu habitual tom inexpressivo que era capaz de irritar qualquer um. Suspirou. — E eu já tenho alguém em mente como pretendente. E sinto em lhe decepcionar com seus sonhos dramáticos e estranhos, mas não é meu melhor amigo.

— Olha só o que você...espera aí, você tem alguém?


— Tchau, Tyler — disse o ignorando, antes de desligar a chamada. Ficou olhando para a tela do celular em suas mãos. A de bloqueio era de Léo com Percy, mas Nico sabia que quando destrava era do moreno com ele. — Será que ele vai ficar irritado se descobrir que eu me meti de novo com os alfas problemáticos que ficam atrás dele? — refletiu. Por fim, deu de ombros, desinteressado. — Bem, nem faz tanta diferença mesmo. O leite já foi derramado.

E voltou para a cama, pronto para morrer de tédio novamente. Já tinha recebido a mensagem de que o melhor-amigo iria dormir no quarto do Jackson. Ou seja, tédio pelo resto da noite.

- X -

O alfa e o ômega caminhavam tranquilamente pelos corredores do dormitório, em direção ao quarto compartilhado de Léo e Nico. Percy agradecia mentalmente pelo Valdez ter lembrando mais cedo o que estavam fazendo. Os dois se encontravam tão entretidos naquela discussão sobre paqueras de jogos irritantes serem melhores ou piores que ciências, que até se esqueceram do objetivo principal. Isso até o moreno se lembrar e retomar ao ponto. O Jackson até poderia ter considerado isso ruim, porque não conseguiu escapar dos deveres mais, mas estava agradecido. Pelo menos sentia que iria conseguir recuperar as notas nas provas que teria durante as férias — oh, sacrifício! Também ficou bem agradecido por Léo ter dormido no seu quarto só para que tivessem mais tempo para estudar. Claro que o moreno avisou Nico antes, porque se não o beta iria ter um ataque de preocupação.

Conversavam sobre alguns assuntos banais, totalmente confortáveis um com o outro, como era o habitual. Afinal, eram amigos. Os dois estavam levando tudo muito bem, até que ambos sentiram uma presença alfa se aproximar. E, é claro, logo a reconheceram. Léo se contentou em apenas fazer uma expressão de “ah, cara, mas que merda”, enquanto Percy estava prestes a se virar e partir para cima do pescoço da criatura, mas o Valdez tocou seu ombro e o olhou. Não precisou palavras para que o Jackson entendesse o pedido silencioso: “por favor, não faça nada”.

O moreno se virou, suspirando. Seus olhos castanhos se focaram no alfa em questão. Era um garoto bonito com corpo definido, branco, cabelos castanhos bagunçados e olhos azuis eletrizantes.

— Pois não, Tyler? — perguntou. Percy elogiou Léo mentalmente por ser capaz de parecer gentil e amável com uma pessoa que nem sequer gostava. — Tem algum assunto a tratar comigo, que eu não estou sabendo?

— Você sabe do que se trata...

— Não, eu não sei — cortou-o. Sorriu amavelmente, mas Percy quase podia enxergar um chifrinhos demoníacos no amigo. — Afinal somos apenas colegas, não? O que o meu companheiro de sala teria a tratar comigo?

A vontade do Jackson era de urrar de alegria, apontar para a cara do alfa de olhos azuis e gritar “chupa, trouxa”, mas se conteve — ainda que com muito esforço. Mas ver a expressão desacreditada e espantada dele talvez tenha sido tão bom quanto o que pretendia fazer. Tyler era um alfa bonito que sempre tinha o que queria, então provavelmente não estava aceitando essa história toda de ter sido usado por um ômega para depois ter sido dispensado logo em seguida, como se ele não fosse nada demais. Afinal, na cabecinha dele, ele era o centro do universo.

— O que... — Ele parou ao ver o ômega fazer um gesto de “pare”. Léo se virou para Percy.

— Vai na frente — disse para o garoto de olhos verdes, ainda sem tirar os olhos de Tyler, totalmente atento a qualquer movimento dele. O menor não era idiota, sabia o quão perigoso aquilo podia ser. Alfas eram possesivos, afinal, quem garantia que Tyler não fosse surtar? O Jackson não gostou da ideia de deixar o amigo sozinho com uma alfa com problemas de egocentrismo inconformado.

— Tem certeza? — perguntou, receoso. O moreno assentiu, ele suspirou. Ainda não concordava, mas o que podia fazer a respeito? Quem decidia isso não era ele, mas sim o amigo. — Está bem, eu vou.

- X -

Por mais incrível que parecesse, não demorou muito para que Léo alcançasse Percy. O que significava que a “conversa” não tinha durado muito tempo. E quando olhou para o alfa de olhos verdes, notou que ele encarava um buquê na frente da porta do quarto que dividia com Nico. O menor deu um sorriso felino e se aproximou do amigo.

— Bonitas, não? — perguntou. O Jackson assentiu. — Acho que Nico vai gostar dessas também. Gloxínias roxas, hum? Nada mal, hein.

— São do admirador de Nico novamente?

— Claramente, tem até a marca dele aqui — disse se abaixando, pegando o buquê e mostrando o anjinho na embalagem. — Aparece toda manhã, sabe como é.

Iria continuar a falar sobre o admirador, comentar sobre o que pensava a respeito e tudo mais. Mas notou algo de estranho no amigo. Ele estava com um olhar de “ai, caralho”, coisa que despertou a curiosidade de Léo. Este que se aproximou e apertou o ombro de Percy, que olhou para ele com um ar confuso.

— O que foi? — perguntou o moreno. O outro riu nervosamente e passou a mão na nuca. Léo estreitou os olhos, aquilo era um sinal claro de que tinha acontecido algo. — Cabeça de Alga...

— Então, sabe como é, Léo... — começou nervosamente, desviando o olhar. O Jackson analisou o ambiente em volta, como se tivesse que ter certeza de que não tinha mais ninguém por perto para ouvi-lo. Em seguida, se inclinou na direção de Léo e sussurrou: — Acho que descobri por acidente quem é a pessoa responsável por essas flores.

O ômega arregalou os olhos, surpreso. Então o alfa de olhos verdes sabia quem era? Então tinha sido mesmo uma boa ideia mandar o rapaz ir na frente dele, aquilo era o destino falando com Léo para ajudar Nico, só podia ser isso. Logo substituiu a surpresa por um sorriso felino.

— E quem seria? — perguntou extravasando curiosidade.

— Will Solace...um cara bastante desejado, diga-se de passagem.

O sorriso de Léo alargou. Não fazia a mínima ideia de quem era aquela pessoa, mas saber o nome do responsável era o suficiente para se sentir feliz. Ele riu baixo, fazendo com que o Jackson murmurasse algo sobre “ficar assustador com aquele olhar de quem ia tramar alguma coisa”. Claro que Léo escutou isso, ele segurou os ombros de Percy e abriu o maior sorriso travesso possível.

— Mas é claro que eu vou fazer alguma coisa, Cabeça de Alga — disse. Depois o substituiu por um sorriso inocente. — Afinal eu tenho que ajudar meu amigo, não é mesmo?

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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