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História O complexo que é gostar de você - Capítulo 20


Escrita por:


Notas do Autor


Olá meus amores, como vocês estão? Espero que bem!!

Bem, antes de qualquer coisa, eu queria me desculpar pela demora para atualizar, estou um pouco atrasada, não é mesmo? Deveria ter atualizado semana passada, mas quem me acompanha no twitter, eu fiz uma série de tweets explicando um pouco do motivo de não atualizar sábado. Não era por estar sem um capítulo escrito, porque o 20 estava pronto há um bom tempo, a questão é que eu ando muito insegura e desmotivada de algum modo, pensar em atualizar me trazia crises de ansiedade; todos os dias eu luto contra isso. De qualquer forma, agora estou "menos pior" que semana passada. Então me desculpem.

Enfim, não quero enrolar mais. Deixo aqui meus agradecimentos a minha beta, a miazinha @dustlights, por estar sempre me ajudando, você é um anjo!

Sem mais delongas, boa leitura, espero que gostem desse capítulo :c

Capítulo 20 - A complexibilidade de um passado


A vida era feita de fases e algumas delas não eram tão boas assim. Em alguns momentos, acabamos nos submetendo a lidar com sentimentos ruins. Seja por fatores sociais ou ambientais, independente de qual seja o motivo, nós devemos estar preparados para isso. Afinal, infelizmente, a vida nunca vai ser baseada unicamente em felicidade.

Às vezes era necessário passar por dificuldades, momentos dolorosos, para viver uma vida alegre. Pois é nos momentos de dificuldade e dor que aprendemos a dar valor para os pequenos momentos alegres de nossa vida. As coisas são assim, sem ao menos percebermos. E está tudo bem. Tudo nessa vida nós aprendemos e percebemos esses pontos, vivendo, adquirindo a famigerada “experiência”, sendo ela boa ou ruim.

Lidar com ocasiões difíceis era complicado porque, no fundo, você sabe que esse momento vai passar em algum momento. E mesmo que a situação cesse, os sentimentos permanecem em seu coração por um bom tempo. Era exatamente isso que estava acontecendo com Chanyeol. Ele ficou preso numa situação complexa por meses, até que conseguiu libertar-se dela, porém, o sentimento de dor permaneceu no seu coração.

Embora passasse os dias, Park ainda sentia-se angustiado, preso em tudo que ouviu, na lembrança dos olhares recebidos, em tudo. Era difícil apagar da sua memória coisas tão dolorosas, e talvez, não fosse nem a questão de esquecer, mas sim saber lidar com isso. E sinceramente? Ele estava se saindo muito bem nesse quesito de “superar”, por mais que fosse me passos pequenos, ele estava melhorando. O que mais estava o ajudando neste momento era que ele não estava sozinho. 

Desde o ocorrido, Baekhyun fazia questão de ir para casa do estudante de medicina, sempre depois que este saia do trabalho. O ruivinho andava se esforçando bastante para trazer conforto e muito carinho para o maior, e céus, Park era extremamente grato por todas as ações do seu amado. As coisas pareciam ser mais fáceis de se lidar com o astrofísico ao seu lado.

E as coisas estavam melhorando verdadeiramente. Parecia que as coisas estavam entrando nos eixos, seu trabalho estava sendo prazeroso, suas notas na faculdade retornaram ao normal, sua convivência com seus amigos estava mais forte do que nunca. Sua vida estava voltando, aos pouquinhos, mas estava. Entretanto, algo estava estranho.

Chanyeol conseguiu perceber que de uns tempos para cá, Baekhyun se mostrava um pouco aéreo. Na verdade, ele demonstrava uma preocupação e inquietude em suas ações. Ele já havia o visto dessa forma uma vez, e o grandão recordava-se do pequeno ter sumido por alguns dias. E de certa forma, ele estava temendo que isso viesse a acontecer novamente.

Tudo bem que a relação deles agora era diferente. Sem sombra de dúvidas, o que eles tinham estava muito forte. Mas ainda assim, ele estava com um pouco de medo, ele não gostava de ver o Byun desse jeitinho. Definitivamente não combinava com o astrofísico.

Porém, mesmo que não estivesse bem com esse silêncio, ele queria dar um tempo ao ruivinho para que ele se entendesse e conseguisse lidar com suas próprias confusões. Esperava do fundo do seu coração que, a qualquer momento, o menor viria ao seu encontro e desabafasse. Mesmo que soubesse que não era do seu feitio. O Park queria dar o devido espaço ao Baekhyun, afinal, todos nós precisávamos de um tempo em momentos assim, não é mesmo?

Mas, as coisas não estavam agindo da maneira que ele esperava. A cada dia que passava, as coisas pareciam piorar, e ele ficava ainda mais desatento e calado. Céus, isso machucava tanto o seu pobre coração de formas que ele nunca conseguiria pôr em palavras. Chanyeol não aguentava mais esperar que o pequenino viesse ao seu encontro e desabafasse por conta própria.

Por conta disso, o estudante de medicina tomou uma decisão: iria conversar com o Baekhyun. Se ele mostrasse algum tipo de desconforto, ele daria mais tempo para ele. Às vezes, demonstrar preocupação nessas circunstâncias ajudava um pouquinho, dependia muito da pessoa. De qualquer forma, ele colocou os pés na faculdade com essa motivação.

Nada o impediria de tentar conversar com o seu amado, nem que seja para colocar um sorrisinho bobo e despreocupado em seus lábios, ele tinha que estar ao seu lado quando as coisas estiverem difíceis, não é mesmo?

Chanyeol poderia muito bem ter procurado o Minseok pelos corredores para conversar um pouco, como andava fazendo nos últimos dias, porém, naquele dia ele estava ansioso, apressado. Ele queria a todo custo encontrar-se logo com o seu amado. Por ter esse desejo em sua mente, o estudante de medicina não tardou em dirigir-se ao clube, aquele que praticamente tornou-se sua segunda casa.

Cessando seus passos ao estar logo à frente da porta muito conhecida por sua pessoa, Park lia várias vezes o letreiro “Universe MVTMJSUN”. Baekhyun provavelmente já estava no clube, como sempre, e de certo modo isso o deixava muito ansioso. Ele queria encontrar com o baixinho, mas e se... No fim das contas acabar o magoando ao perguntar alguma coisa que não deveria? Tudo bem, o castanho estava pensando demais, porém ele não conseguia evitar.

Bem, ele poderia abortar a missão, quem sabe, averiguar o terreno antes de contra atacar, não é mesmo?

E provavelmente era isso que ele tinha em mente quando abriu a porta. Seu plano seria básico: entrar no clube, ver como estava o humor do baixinho, analisar se ele desejava conversar sobre algum acontecimento específico. Qualquer sinal de desconforto, ele abortaria a missão. Simples.

Ele estaria preparado para qualquer coisa, menos para a cena. Baekhyun parecia um pouco incomodado com algo, enquanto Kyungsoo suspirava. Eles estavam discutindo?

Park tentou fechar a porta lentamente, sem chamar atenção alguma. Porém, os seus planos caíram por terra quando o estudante de física quântica o olhou.  

 

— Chanyeol, você chegou em uma boa hora. — constatou, encarando o universitário mais alto dentre eles. — Está decidido, você vai com ele amanhã, Baek.

 

Quê? Como assim? Baekhyun pareceu concordar enquanto dava um suspiro, similar a um de alívio. O único que demonstrava estar completamente perdido ali era Chanyeol, o menino simplesmente não compreendia a situação. Para onde ele iria amanhã com o astrofísico? 

 

— Oi para vocês dois também. — num tom um pouco irônico, ele deu uma risadinha, aproximando-se da dupla dinâmica e recebendo o sorriso pequenininho do Byun. — Posso saber para onde eu vou amanhã?

 

— O lugar eu deixo por conta do Baek falar, mas o endereço eu passo para você. — com um sorriso simplista, o homem que tinha sobrenome de Do afastou-se unicamente para escrever num bilhetinho e entregar ao futuro médico. — Aqui está.

 

Arqueando uma de suas sobrancelhas, o estudante mais novo dentre os dois segurou o bilhete, lendo a localização escrita ali. No mesmo segundo este ergueu  a cabeça, procurando Kyungsoo, que se encontrava arrumando suas próprias coisas para sair do clube. Provavelmente porque tinha aula no momento.

 

— Espera, temos que ir para esse lugar? Se formos pagar um carro de aplicativo, vai sair uma fortuna pela corrida. Se irmos de ônibus, teremos que gastar duas passagens de ida e volta. — comentou enquanto recebia brevemente o olhar o físico, que deixou uma risada escapar por seus lábios.

— E quem disse que vocês vão usar esses recursos para ir até lá? — questionando-lhe num tom risonho, o estudante de física quântica pegou sua mochila de ombro e caminhou até o maior. — Você sabe dirigir?

 

Que espécie de pergunta era aquela?

 

— Eu sei, mas não tenho um carro, esqueceu? — como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, Park sentiu-se um pouquinho provocado com aquela pergunta. Oras, ele andava de ônibus todos os dias por justamente não ter um carro!

— Mas eu tenho. — deu de ombros enquanto enfiava a mão no bolso da sua própria calça social. — Não é nenhum carro de luxo, nem nada do tipo, mas dá para andar. E apesar de ser meio antigo, eu quero que você cuide do meu bebê, se não nossa amizade acaba aqui. Está me ouvindo?

— Pensei que no dia em que Kyungsoo fosse emprestar seu carro para alguém, estaríamos na beira de um apocalipse. — resmungou o ruivinho pela primeira vez, atraindo a atenção dos dois homens.

— E não estamos? É um caso de extrema importância, então não pensem que isso irá se repetir futuramente, estão me ouvindo? — de um jeitinho meio carrancudo, este cruzou os braços, demonstrando um claro ciúmes do seu amado carrinho. — Amanhã eu entrego as chaves para você, Chanyeol. Mais tarde nos falamos, agora tenho aula.

 

Acenando para o casal, ele simplesmente deixou o cômodo, sem ao menos dar um tempinho de reação para Chanyeol, que ainda mantinha-se boquiaberto. O que raios aconteceria amanhã para ele receber um carro emprestado para acompanhar o menor em um lugar? 

Tentando pôr seus pensamentos no lugar, o estudante mais novo encarou de relance o Byun, que parecia estar pensativo ocupando o assento em sua poltrona. Calmamente, este se sentou na ponta do sofá, ficando próximo do ruivinho.

 

— Baek... — chamou-o num fio de voz, recebendo a atenção desse. — Você está bem? Eu posso estar enganado, mas você não parece estar muito... Alegre com a nossa saída de amanhã. Eu não quero ser intrometido e se você não quiser me falar nada, está tudo bem, sério.

 

O ruivinho por bons segundos ficou com seu olhar preso no de Chanyeol, como se estivesse analisando tudo que fora dito, quase como se uma briga interna tivesse sido iniciada nesse exato segundo. Ele não parecia muito confortável com o assunto, ao mesmo tempo que demonstrava estar cansado. Park estava preocupado porque viu o baixinho neste modo uma única vez. O futuro médico não queria que seu amado sumisse novamente. Não queria mesmo.

Fechando os olhos por alguns segundos, o ruivinho atirou-se para trás na sua poltrona, sentindo o estofamento abraçá-lo.

 

— Eu não estou me sentindo bem. Amanhã... O lugar que vamos... Eu não gosto de estar lá, porém, eu tenho. Isso vai passar, não fique me olhando com essa expressão, Chan. — abrindo brevemente os olhos, o ruivinho sorriu em sua direção, levando a sua mão contra a de Park, analisando brevemente a pele deste. — Você sempre diz que as coisas vão ficar bem, vamos acreditar nisso.

 

As coisas ficariam bem. Chanyeol esperava do fundo do seu coração que as coisas ficassem mais leves para o seu amado, que ele conseguisse lidar com o seu problema, ele qual for. 

Naquele dia, o estudante de medicina optou por não tocar mais naquele assunto que mostrava-se tão delicado. Ele teria que guardar a sua curiosidade consigo, e simplesmente iria deixar esse assunto de lado, afinal das contas, a verdade e a resposta para suas dúvidas chegariam no dia seguinte.

A única coisa que ele não esperava era ter resposta de questionamentos que sequer passaram por sua mente.

 

.

.

 

No dia seguinte as coisas estavam saindo como o esperado. Chanyeol foi para faculdade pela manhã, conseguiu encontrar com Kyungsoo e, claro, recebeu a chave do seu precioso veículo. E bem, ele ficou recebendo várias e várias instruções para o Park cuidar muito bem do seu amado carro. Mas esse tipo de coisa não precisa ser mencionado, deixaremos esse momento de sofrimento ser passado num momento solitário de Park.

De qualquer forma, mais tarde, o maior acabou indo trabalhar, mas sua carga horária havia sido mais curta que o normal. Pelo que parecia, Minji sairia com seu namorado, tendo que fechar a loja mais cedo que o habitual, e também, para não atrapalhar os planos de Chanyeol. As coisas estavam andando nos conformes, e isso era bom de certa forma.

No dia anterior, Baekhyun havia combinado com ele de se encontrarem ao entardecer no estacionamento da faculdade, onde estaria o carro de Kyungsoo. E como foi combinado, Park apareceu no momento marcado no estacionamento. Seus passos eram tranquilos enquanto procurava a figura mais baixa, que provavelmente estaria próximo ao carro do físico quântico.

O carro de Kyungsoo de fato não era de luxo, mas também não era um carro muito antigo. O seu modelo tratava-se de um Kia Picanto ano 2011, sua lataria era branca, uma tintura muito bem cuidada. O veículo era de segunda mão, segundo o baixinho, mas ele cuidava do carro como se fosse zero. E de certo modo, ele estava certo, sendo novo ou não, dinheiro fora gasto ali. 

Avistando de longe o Byun em frente ao carro – que estava servindo de ponto de encontro –, o estudante de medicina acabou sorrindo. O ruivinho estava lindo, mesmo que suas roupas não fugissem nem um pouco do seu habitual. Um suéter bonitinho de gola, uma calça social cinza, seu tênis all star e, claro, seus cabelinhos bagunçados. Chanyeol também não estava fugindo muito do seu habitual.

Desde que saiu da casa dos seus pais, o seu estilo vem mudando. Seu cabelo não era mais coberto de gel, desenhando um belo topete em seus fios. Agora, ele era mais despojado, deixando que os seus fios cobrissem a sua testa. Quanto às roupas, não existia mais a necessidade de usar tecidos tão caros, as coisas se tornaram mais casuais para o maior.

Aproximando-se calmamente de Baekhyun, ao ponto de ficar pertinho do menor, Park fora recebido com um abraço apertado. No fundo, o estudante de medicina sabia muito bem o significado disso. O ruivinho estava com medo, dava para sentir os braços tremerem contra o seu tronco. Abraçando-o de volta, o mais novo passou a depositar diversos beijinhos nos fios avermelhados.

 

— Olá Baek. — murmurou entre os carinhos suaves, podendo ouvir um “oi” breve vindo de quem o abraçava. Céus, ele parecia um gatinho amedrontado. — Você está pronto?

 

Sentindo o aperto aliviar-se, aos pouquinhos, o astrofísico levantava sua cabeça, encontrando os olhos de seu amado. Seus olhinhos brilhavam por trás dos óculos, eles demonstravam um medo e um desconforto tremendo, um que possivelmente Chanyeol viria a entender apenas no fim daquele dia.

Direcionou-lhe um sorriso pequenino, vendo-o retribuir o mesmo gesto prontamente. O ruivinho afirmou com a cabeça, respondendo a pergunta feita anteriormente pelo futuro médico, afastando-se no mesmo segundo.

 

— Não podemos demorar muito aqui, pois eu confesso que nesses momentos torno-me um mero humano com uma puerilidade extrema e acabo escolhendo esse horário para chegarmos atrasados mesmo.  Então tenhamos em mente que já estamos com um atraso característico. — comentando num fio de voz, o ruivinho demonstrava uma certa vergonha enrolada em suas palavras, essas que Park pouco entendia no momento.

 

Era estranho. Essa situação parecia similar ao início, como se Baekhyun estivesse entrando num modo de proteção que começava alguns dias atrás e, hoje, ele estaria no final de sua maior transformação. Mas o que exatamente poderia estar causando tanto desconforto e agitação nele?

Sinceramente, a curiosidade consumia-o aos poucos, mas Park havia prometido a si que não iria fazer questionamentos, não quando o astrofísico estava claramente incomodado com alguma coisa. Uma hora ou outra, o Byun lhe explicaria a situação.

Deixando que um suspiro pesado escapasse por seus lábios grossinhos, o estudante mais novo apenas acenou com a cabeça, locomovendo-se em direção ao carro, abrindo a porta do passageiro da frente, dando entrada ao baixinho. Visualizando o ruivinho adentrando o veículo, Chanyeol fechou a porta, dando a volta no carro apenas para ocupar o lugar do motorista. 

Como era de esperar, a parte interna do carro possuía um cheirinho de menta, totalmente agradável, dito de passagem. Tudo era extremamente limpinho, mostrando o quanto Kyungsoo era cuidadoso com aquele automóvel. Pelo jeito, ele teria mesmo que tomar muito cuidado para não devolver aquele item valioso com alguma espécie de arranhão. Se não, caso contrário, ele teria o seu fígado retirado do seu amado corpinho.

De qualquer modo, recordando-se de que estava um pouco atrasado graças às inseguranças e medos do Byun, Chanyeol resolveu que não estava mais no momento de ficar observando o carro alheio. Verificou brevemente se o ruivinho estava vestindo o cinto de segurança, confirmando mentalmente que, sim, ele estava. Com essa confirmação silenciosa, ele vestiu o próprio cinto contra o peito, sem tardar em dar partida na ignição no momento seguinte.

A viagem poderia ser um pouco demorada se fosse feita por transportes públicos, afinal, eles tinham itinerários a seguir. Como estava num carro sem nenhum compromisso, Park conseguia facilmente pegar alguns desvios fugindo dos trânsitos totalmente comuns no fim de tarde. Era uma viagem tranquila e rápida, mas mesmo assim, o estudante de medicina conseguia notar o nervosismo extremo do homem ao seu lado.

Baekhyun passou o tempo todo vislumbrando a paisagem da rua, marcado pelo anoitecer lento. Mesmo que sua expressão estivesse marcada por uma calmaria e tranquilidade, seus dedos agitados batucando a própria coxa, demonstrava que as coisas não estavam tão bem assim. Chanyeol desejava de verdade ajudá-lo de certa forma, ele precisava de apoio e o castanho faria isso, mesmo que não soubesse exatamente como.

Era engraçado de se ver como ambos sempre desejavam se ajudar, porém, nunca sabiam exatamente como oferecer essa ajuda e apoio emocional.

A trajetória inteira fora feita no silêncio, mesmo que o clima entre eles não estivesse verdadeiramente estranho. Diria que a preocupação estava acomodando ambos corações, por motivos diferentes. Ambos não conseguiam parar de pensar um no outro. Eram verdadeiramente dois baitolinhas. 

Diminuindo a velocidade do carro, à medida que o GPS o guiava, o freio foi acionado no mesmo segundo que a voz feminina, totalmente robotizada, constatou que haviam chegado em seu destino. Girando a chave na ignição para desligar o motor, o estudante de medicina soltou um pequeno suspiro, encarando o astrofísico. O Byun continuava encarando a janela, desta vez, seus olhos estavam focados na casa de médio porte. Apesar da escuridão, dava para vê-la. Seu aspecto bonito com jardim na frente, um portãozinho de madeira pintado de branco, a construção da residência bem cuidada, demonstra que os donos tinham um apreço pela sua cara. 

E que também eram estáveis financeiramente. 

 

— Estamos no lugar correto, Baek? — questionou para ter certeza que não estavam num lugar errado, pois era totalmente possível que aplicativos errassem os endereços.

— Estamos, esse... É o lugar. — num fio de voz, o baixinho o respondeu, virando o rosto brevemente, vendo o seu amado se conformar com a cabeça. — Chan, antes de sairmos do carro, eu quero que você me prometa uma única coisa. 

 

Arqueando uma de suas sobrancelhas, o estudante de medicina apenas concordou, mesmo que estivesse um pouco incerto se deveria ou não fazer isso. Recebendo a confirmação necessária, o universitário que amava o universo soltou-se do seu cinto, virando-se brevemente em direção ao outro, segurando as suas mãos; consequentemente atraindo o olhar deste.

 

— Essa noite você verá coisas estranhas que talvez não vão ser do seu agrado. Coisas que podem estar me ferindo, mas por favor, ignore isso do mesmo modo que irei ignorar. Hoje, essa noite, estou aqui para ver unicamente uma pessoa, apenas isso. — explicou, calmamente segurando as palmas alheias, deslizando o seu polegar lentamente nas costas da mão de Park. — Por isso quero que você me prometa que irá se manter calmo, sem dar importância extrema para esses pontos, estamos acertados?

— Isso... é algo que eu não posso prometer com muita certeza, mas posso tentar me controlar. — num pequeno suspiro, o maior disse com certo nervosismo. E de certa forma o Byun também estava nessa mesma onda de emoções.

 

Acenando com a cabeça, como se estivesse compreendendo os motivos de Chanyeol lhe dizer tais palavras, o ruivinho soltou as palmas alheias, abandonando de uma vez por todas o carro que estavam. Sendo acompanhado pelo universitário mais novo. 

Baekhyun foi quem abriu o portãozinho branco, para que ambos pudessem passar com tranquilidade, seguindo pela pequena trilhazinha, até que chegassem nas escadas de três degraus, alcançando por fim a varanda. Agora de perto dava para distinguir a cor das paredes. Embora fosse inteiriça verde, em alguns detalhes – como nas aberturas das janelas –, a cor branca aparecia, inclusive na porta de entrada.

O ruivinho parecia estar travado enquanto encarava a porta à sua frente, tanto que Chanyeol não tardou em segurar a sua mão, tentando lhe dar algum apoio emocional. Ah, eram nesses momentos que Byun agradecia aos céus por ter aquele homem em sua vida. Direcionando um sorrisinho minimalista em direção ao mais alto, o baixinho respirou fundo e apertou a campainha por fim.

Do outro lado da porta era possível escutar algumas vozes, na verdade várias. Em dados momentos era perceptível as risadas dadas. As pessoas que moravam ali estavam animadas. 

Com alguns minutos de espera, a porta foi aberta, por fim, revelando a imagem de uma mulher jovem. Seus fios eram escuros, num corte chanel, completamente liso. Sua expressão doce e simpática, aos poucos fora sumindo ao encarar Baekhyun, e isso foi notório pelo estudante de medicina. O que raios acontecia?

 

— Você veio. — constatou num tom sério, encarando o ruivinho. Aos poucos, seu olhar encontrou uma figura nova, nunca vista por sua pessoa. A mulher analisou Park com os olhos, atentamente, antes de retornar a atenção ao Baekhyun. — Quantas vezes eu tenho que dizer para não trazer desconhecidos com você?

— Nunca trouxe humanos desconhecidos, e além do mais, ele não é um desconhecido para mim, muito menos para ela. Não sou um desassisado como você pensa que sou. — num tom firme, ele sustentava uma expressão séria, fugindo completamente da imagem que Chanyeol estava vendo minutos atrás, antes da porta se abrir.

 

Os olhos daquela mulher estavam firmes no homem baixinho, como se xingasse-o mentalmente, ou melhor, julgasse-o. Os seus olhos corriam dos seus pés à sua cabeça, fazendo a mesma coisa com Park. E sinceramente? Ela falaria mais alguma coisa, responderia às palavras de Baekhyun à altura, se não fosse um corpinho pequeno empurrando-a com euforia.  

 

— Hyunie! — a voz infantil preencheu o lugar preso num clima pesado. A garotinha abraçava com força a cintura de Baekhyun, que, por incrível que pareça, abandonou sua expressão séria, apenas para sorrir animado e retribuir aquele abraço. — Eu pensei que você não viria mais! Já estava morrendo de tédio na sala, eu não deixei ninguém comer o bolo até que você chegasse!

— Minha pequena estrela... — murmurou com um sorriso grande, abaixando-se um pouco, apenas para pegá-la no colo e intensificar ainda mais aquele abraço afetuoso. — Feliz aniversário, Sae. Você sabe que eu nunca deixaria de vir para te ver, nunca mesmo.

— Eu sei, Hyun, eu sei. — sorriu, afastando-se um pouco, ainda mantendo os seus bracinhos no pescoço do astrofísico. Entretanto, seu olhar correu para o outro homem, que observava aquela cena com tremenda surpresa. — Oh, Chan? O que você está fazendo aqui? Como soube que era o meu aniversário?

 

Chanyeol parecia estar preso num transe, onde a sua mente estava claramente pensando em tudo que aconteceu em menos de sete minutos. Sério, como dava para digerir tantas coisas, sendo que as informações pareciam bombardear sua cabeça?

Baekhyun conhecia a Saebyeok, ele a tratava com um carinho extremo, como se eles se conhecessem a anos. A garotinha tinha um irmão mais velho pelo qual ela amava demais... Não precisava ter muita inteligência para perceber o que estava acontecendo ali. Aquela garota era a irmã do Baekhyun, ela era uma Byun!

Se aquela menina era a irmã do ruivinho, quer dizer que aquela mulher possivelmente era a madrasta do menor... Quer dizer, o pai dele havia se casado novamente? Provavelmente, afinal, ela tinha onze anos, ou melhor dizendo, naquele dia estava completando doze. 

Certo, pelos pontos ligados por sua mente, eles podiam ser irmãos. Mas uma coisa que Park não compreendia de maneira alguma era o nervosismo anterior do Baekhyun. Ele não gostava de estar ali? Ele não passava muito tempo em sua própria casa? Por que raios aquela mulher o tratava tão friamente? Céus, eram tantos questionamentos para nenhuma resposta.

Respirando fundo, tentando jogar os seus pensamentos para longe, este olhou para porta brevemente, percebendo que a mulher não estava mais ali. Talvez fora embora quando a pequenina apareceu. De qualquer forma, sorrindo em direção à criança que o olhava com curiosidade, este permitiu-se dar alguns passos até os dois.

 

— Eu vim acompanhar o Baek, sinceramente não sabia que era o seu aniversário e me desculpe se estou atrapalhando algum momento de vocês... — com um sorriso um pouco envergonhado, o castanho não sabia exatamente para onde olhava ou se enfrentava o olhar tão forte que aquela criança tinha.

— O Hyun trouxe você com ele? — Sae questionou com uma surpresa escarrada em sua expressão, oscilando o seu olhar entre o homem ao seu lado e aquele que a carregava. — Você não está atrapalhando, Chan, quanto mais pessoas, mais divertida a minha festinha vai ficar!

— Você tem razão, Sae. — com um sorriso doce, o astrofísico atraiu a atenção da pequena, a pousando no chão com cuidado, acabando por ficar abaixado, na altura dela. — Eu tenho uma coisa para te contar, então preste muita atenção no que irei dizer, certo? — ele falava com calma, vendo a pequenina acenar com a cabeça. — Eu não trouxe o Chanyeol, porque o tio Kyung não pode vir comigo hoje. Acho mais justo você saber de mim, do que qualquer outra pessoa, compreende?

 

Francamente, a menina não estava entendendo muito bem. Ela estava sim acostumada com o jeitinho do seu irmão, mas dessa vez ele não estava usando palavras difíceis, na verdade, ele estava agindo estranho. Como se estivesse com um pingo de vergonha. E como se não fosse o bastante, aos seus olhos, Park também parecia nervoso, completamente ansioso.

Algo estranho estava acontecendo. E a Byun não conseguia parar de pensar em como seu irmão havia falado o nome do seu amigo. Baekhyun não falava o nome de qualquer pessoa.

 

— O que eu quero dizer é que... O Chanyeol é meu namorado. — com uma quentura percorrendo o seu rosto por inteiro, o astrofísico viu a expressão da sua irmã passar por diversas fases.

 

Num primeiro momento ela estava confusa, franzindo o cenho. No segundo, seus olhinhos estavam arregalados, quase que lacrimejando. Já, agora, ela tinha um sorrisinho lindo nos seus lábios. Suas mãozinhas balançavam, enquanto ela dava alguns pulinhos. Ela era uma graça!

 

— Sério?! Eu sabia que não era normal você estar próximo de alguém sem ser o tio Kyung! — ela constatou, dando algumas risadinhas enquanto pulava alegre, até que olhou para o Park. Ele sustentava um sorrisinho ao presenciar aquela cena tão... Tranquila. — Já que você é o namorado do meu irmãozinho, você é o meu segundo irmão! 

 

Aquele tipo de reação era surpresa para os dois homens. Caramba, como uma criança, tão novinha, podia agir de uma maneira tão boa, sendo o contrário de alguns adultos? Isso não fazia sentido. De certa forma, Chanyeol sentiu-se grato com essa reação. Era como se ele fosse aceito naquela família. Era isso que significava, afinal, a Saebyeok era uma pessoa extremamente importante para o Byun.

 

— Claro, agora sou seu irmãozão Chan. — constatou com um sorriso bonito, vendo a pequenina ficar animada ao dar alguns pulinhos, indo em sua direção unicamente para pegar a sua mão, depois para pegar a mão de Baekhyun.

— Vamos entrar, por favorzinho! O papai deve estar irritado, porque ele queria ter cortado o bolo há uma hora atrás, mas eu não deixei! Nunca cantaria parabéns sem o Hyun! — disse a aniversariante com um sorrisinho bonito nos lábios, enquanto trazia os dois homens para dentro de casa, fechando a porta por fim.

 

A casa da família Byun era simplista e muito arrumada. Não era banhada no luxo como a sua antiga casa, mas... Tinha um certo ar de conforto, apesar de não sentir-se dessa forma, não quando tinha os olhares estranhos direcionados ao seu amado. Chanyeol não se importaria se estivessem olhando para si, afinal, era um desconhecido, mas todos encaravam o ruivinho como o verdadeiro desconhecido naquela casa. 

Todos pareciam olhar com estranheza, ou talvez com irritação. Enquanto o astrofísico não parecia ligar para isso, seu olhar estava preso em sua irmã, que parecia lhe contar sobre alguma atividade muito legal feita na escola. Então... Desde sempre o Baekhyun convivera com olhares julgadores? Até mesmo da sua própria família? 

Isso não fazia o menor sentido. 

 

— ...Então quando eu fui explicar para ela que era possível, sim, fazer esse experimento, ela riu, Bae! Ela não acreditou que eu tivesse o irmão mais inteligente do mundo e que poderia me ajudar. — resmungou a garotinha enquanto balançava a mão que estava presa com a do irmão, sustentando um beicinho tristonho nos seus lábios.

— Deixe-me pensar em algum experimento que fará você tirar dez na feira de ciências, até o fim da noite eu penso em algo e deixo escrito em papel alguns sites que serão pertinentes para suas pesquisas e formas de desenvolvimentos. — animando-se, o ruivinho falava um pouquinho rápido, gesticulando com a mãozinha livre. 

 

Chanyeol não podia negar, aquela cena toda era muito fofa. Nunca em sua vida, ele pensou que Baekhyun conseguiria lidar com crianças, mesmo que Sae estivesse na pré-adolescência. A forma como o carinho era transmitido, a animação que os dois partilhavam, era quase como se eles estivessem no próprio mundinho matando a saudade um do outro.

E francamente, eles continuariam presos nessa bolha se não fosse pela aproximação de um homem um pouco mais alto que o Byun, com uma expressão séria, que se suavizou quando olhou para a garotinha no meio de Park e Baekhyun.

 

— Filha, vamos cantar parabéns, todos nós queremos comer. — num tom divertido, ele chamou atenção da garotinha, enquanto abaixava-se apenas para pegá-la no colo, ouvindo-a falar: 

— Papai eu não sou mais um bebe para ganhar colo.

 

De certa forma, era engraçado ouvir essa frase, principalmente quando ela ficou um bom tempo no colo de Baekhyun. Pelo jeito, o nosso amado astrofísico possuía muitos privilégios quando se tratava de Saebyeok. Vendo a garotinha sendo levada para longe deles, Park percebeu que, agora, a expressão do ruivinho perdia toda a tranquilidade e a alegria de antes.

Claro, aquela era a figura paterna do menor, e mesmo assim, ele sequer o encarou. O senhor Byun não fez menção alguma de lhe dizer um olá. Que tipo de pai era esse que o tratava como uma figura invisível? Isso não estava certo. 

 

— Não faça essa expressão, esse tipo de situação é completamente habitual quando venho para esta casa. Estamos aqui unicamente pela Sae, por mais ninguém. — num tom sério, o ruivinho mantinha o seu olhar firme na sua figura paterna, que levava a pequenina até uma mesa repleta de doces.

 

Chanyeol nada disse, embora tivesse doido infinitamente escutar aquele comentário. Era angustiante pensar que ele não sabia nem mesmo um terço do que Baekhyun viveu; por que as coisas terminaram dessa forma para ele; por que ele era tão fechado com as pessoas. No fim das contas, o estudante de medicina não sabia de nada, e isso o preocupava. Como ele poderia ajudar o menor nessas situações?

O que ele não sabia era que, para Baekhyun, não se faziam necessárias palavras bonitas ou de conforto, já era de grande ajuda tê-lo ao seu lado. Por mais que fosse incômodo estar ali, graças ao pequeno fato de que Park estava consigo, ele sentia força.

Segurando a pontinha da camiseta do homem mais alto, o ruivinho o puxou para um cantinho da sala – local onde estava decorado de uma maneira simples –, tendo uma visão completa das mesas de guloseimas. Sae estava de pé, de frente a uma mesa, com um belo bolo cor-de-rosa no seu centro. A vela era bonita, repleta de brilhos e alguns detalhes fofos num rosa pink. Ao lado da garotinha, estava o seu pai e sua mãe, ambos sorrindo alegres, 

Eles pareciam ser uma família feliz, ainda mais com o restante dos parentes rindo e elogiando os três. Mas isso incomodava Chanyeol, afinal, eles estavam esquecendo de incluir o astrofísico. Na verdade, eles não estavam esquecendo, eles faziam isso por querer. Merda, toda essa circunstância irritava ao extremo o mais alto.

Baekhyun não fazia nada para intervir, não fazia exatamente nada para dizer que fazia parte daquela família. Ele apenas ficava num canto qualquer excluído, como se estivesse de penetra. Droga, o que raios tinha de errado com essa família? 

Com isso, as velas foram acesas e deu-se início ao parabéns. A garotinha, apesar de animada, parecia um pouco incomodada ali no meio. Era notável que os olhinhos dela estavam à procura de alguém. E de certa forma, o seu olhar apenas se suavizou quando encontrou o seu irmão mais velho. Ela não parecia alegre ao ver o filho dos Byun’s tão distante.

Parecia que todos ali estavam numa bolha, celebrando alegremente, sem ao menos perceber o desconforto da menina. 

 

— Sae! Sae! Sae! — eles saudavam o nome da pequena num simples apelido, vendo-a sorrir e fechar os olhos enquanto juntava as duas mãozinhas contra o peito, para só então soprar as velas.

— Fez um pedido, querida? — sua mãe perguntou com um sorriso doce nos lábios vendo a criança acenar com a cabeça. — Ótimo, espero que seu desejo se realize, pequena. Agora vamos cortar o bolo!

 

Saebyeok deu um pequeno sorriso, acenando com a cabeça, encontrando os olhos do irmão, vendo-o sorrir docemente. Ele a tranquilizava, afinal, ela não tinha culpa de nada disso, nunca teria. 

Com a animação estampada nos adultos ao lado da pré-adolescente, a mãe da garota cortava a primeira fatia, colocando-a no pratinho de plástico, entregando à sua filha no mesmo segundo.

 

— Para quem vai ser o primeiro pedaço, minha pequena? — mantendo o seu tom de voz doce, a mulher alisava os fios soltos da pequenina, vendo-a pensar.

— Humm. — fez um pequeno biquinho enquanto segurava o pratinho com as duas mãos. — A pessoa que eu quero dar o primeiro pedaço de bolo é muito especial para mim. Essa pessoa está sempre me ajudando, sempre faz de tudo para me ver feliz, mesmo que eu... Não mereça tanto esse carinho dele.

— Oh minha querida, o papai te ama, é óbvio que você merece meu carinho. — o homem ao seu lado disse com um sorriso no rosto, encostando as mãos no pratinho, afinal, ele podia jurar que aquele pedaço era para ele.

 

Todavia, este assustou-se quando Sae virou o braço, tirando a fatia de perto de seu amado pai.

 

— Eu também te amo papai, mas eu não estou falando do senhor. — explicou com um sorrisinho pequeno nos seus lábios, vendo a confusão estampada no rosto não só de seu pai, mas sim de todos presentes ali. — A primeira fatia de bolo vai para meu amado irmão, o Hyun!

 

Silêncio. A única coisa que restou naquele cômodo foi o bendito silêncio e o desconforto das pessoas presentes ali. Era possível visualizar o descontentamento claro no rosto do patriarca daquela família. Baekhyun, por sua vez, só pôde sorrir, principalmente quando a garotinha veio em sua direção, sorrindo, apenas para lhe entregar a primeira fatia com muito carinho.

 

— A pessoa mais especial e inteligente do mundo, não é digna apenas da primeira fatia do meu bolo, mas sim de várias outras coisas. — a pequenina disse com uma alegria convicta, estendendo os seus braços em direção ao ruivinho, que segurou o pratinho.

— Obrigado, minha pequena estrela. — disse baixinho, quase como se estivesse segredando aquele singelo agradecimento. 

 

Apesar de Chanyeol gostar da cena que estava presenciando logo ao seu lado, havia diversas pessoas presentes ali que estavam detestando. Que verdadeiramente queriam segurar os braços da pequena Sae e levá-la para longe de Baekhyun, como se ele fosse um monstro que atraísse coisas ruins. Pois era exatamente assim que a sua própria família o via. 

Com alguns murmúrios descontentes preenchendo o local, a voz grave do senhor Byun se mostrou presente dentre as pessoas.

 

— Vamos comer, eu estou morrendo de fome. — o timbre irritadiço, até mesmo invejoso, mostrava que não, ele não estava com fome, mas desejando tirar a atenção dos demais daquele garoto.

 

E, de fato, essa tática funcionou. Todos passaram a se servir e conversar, como se Baekhyun não estivesse ali. Sim, isso era completamente ruim, extremamente errado, mas... Ao contrário do que se podia imaginar, os filhos dos Byun's se entreolharam, como verdadeiros cúmplices, soltando alguns risinhos. 

Aquele era um lado que o estudante de medicina nunca havia visto no ruivinho. Na verdade, era a primeira vez que ele estava tendo um contato mais íntimo com a história de Byun. E por mais que detestasse alguns pontos do que via naquela noite, outros, ele adorava.

No fim das contas, era lindo ver o vínculo que Baekhyun e Saebyeok tinham. E talvez, com sorte, ele viria a descobrir mais algumas coisinhas sobre a relação deles.

 

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Com o passar do tempo, esvaía a esperança de que o clima pesado e incômodo instalado em seu peito fosse, em algum momento, embora. Chanyeol estava compreendendo que ele não passaria enquanto os parentes de Baekhyun o tratassem daquele modo. Mas, francamente, eles não iriam tratá-lo como uma pessoa existente no cômodo, assim como também ignorariam o universitário desconhecido. 

Embora esse pequeno detalhe o tirasse dos trilhos da paciência, o que o deixava mais embasbacado e com os nervos à flor da pele era o fato de que os pais de Baekhyun tentavam a todo custo afastar Sae de seu irmão. A garotinha se mantinha perto do ruivinho na maior parte de sua festa, às vezes se negando até mesmo a tirar fotos. Mas no fim, foi obrigada a fazê-lo, e não pôde tirar uma foto com o irmão.

Entretanto, o que Park não sabia era que o menino Byun nunca participava desses eventos e nunca era chamado na hora das fotos. Sempre que aparecia naquela casa, o seu intuito sempre se voltava a: ver a irmã.

Até porque, desde sempre, aquela garotinha era o único motivo dele manter alguma espécie de vínculo com a sua “amada” família. Para falar bem a verdade, Saebyeok é a sua única família. 

Chanyeol estava começando a perceber que, de algum modo, aqueles dois eram o pilar um do outro. A pequena Byun não parecia muito confortável com os pais, pelo menos não no momento, mas o ruivinho parecia fazer de tudo para que ela esquecesse dos seus sentimentos. A mesma coisa ocorria no inverso. Os dois, de fato, tinham uma boa vivência mesmo tendo apenas o mesmo sangue por parte de pai.

Apesar das diferenças gritantes entre eles, havia uma coisa que os dois tinham em comum; o famoso mistério que parecia andar na companhia deles. 

Em dado momento, naquela noite, os convidados começaram a ir embora. Pelo jeito, Baekhyun não estava brincando quando mencionou que eles chegariam extremamente atrasados. Por uma sorte minúscula, eles conseguiram cantar parabéns junto da pequena garota. No fim das contas, o astrofísico desejava estar junto da sua irmã, mas não sentia-se confortável em ficar muito tempo naquela casa.

Por conta disso, nesses eventos, ele sempre era o último a chegar – na maioria das vezes com uma hora de atraso. Saebyeok já estava acostumada com isso, da mesma forma que compreendia por completo as atitudes do mais velho. 

Um por um foram deixando a casa, até que restassem apenas Baekhyun e Chanyeol. E, de certo modo, eles não ficariam por muito tempo. Como os demais, iriam embora, já que a senhora e o senhor Byun lançavam a eles alguns olhares estranhos. 

Era sempre assim. Ele não pertencia mais àquela casa.

 

— Pequena, eu já tenho que ir. — disse num tom miúdo, enquanto abaixava-se para ficar à altura da garota. — Está muito tarde, e você tem que ir para cama, não acha? Amanhã você tem aula cedo.

— Eu tenho... Mas... — de uma maneira um pouco birrenta, ela fez uma careta, pousando suas mãos no rosto do irmão. — Se você quer tanto que eu durma cedo, você vai ter que fazer o universo ser especial. — a sua voz suave parecia dar um ênfase maior no final de sua frase, enquanto arqueava uma de suas sobrancelhas.

 

O estudante de medicina, que estava próximo entre eles no momento, parecia perdido. O que raios significa fazer o universo ser especial? 

Park poderia muito bem não saber o significado por trás daquele pedido, mas o baixinho sabia, tanto que ele não tardou em dar um pequeno sorriso enquanto se colocava de pé. 

 

— Tudo bem, me espere no quarto que eu já vou para lá. — disse com um sorriso pequeno, enquanto deixava um afago nos fios castanhos da garotinha.

— Chan, você pode vir comigo? Eu quero falar com você. — abandonando aquele sorriso doce que antes estava no seu rosto, a criança ficou extremamente séria, deixando de aparentar a idade que tinha.

 

Chanyeol não podia negar, um frio percorreu sua espinha nesse momento. Mesmo que fosse apenas uma criança querendo conversar com ele.

Acenando com a cabeça, enquanto demonstrava um sorriso para esconder o seu verdadeiro nervosismo, Chanyeol viu o exato segundo em que ela sorriu e indicou com a mão para segui-la. Era a primeira vez que ele estaria saindo da sala, caminhando pelos corredores da casa. A decoração ainda permanecia extremamente confortável, com cores pastéis, com fotografias de família, onde Baekhyun não estava em nenhuma delas. 

Se antes o universitário se via completamente curioso e nervoso com toda essa situação, agora ele estava explodindo. O que Baekhyun havia feito de tão ruim para sua família ignorar a sua existência? Nada que ele pudesse pensar fazia sentido, não mesmo. E sobre o que Saebyeok desejava conversar? Ele havia feito alguma coisa de errado? Ela era do tipo de irmã obcecada? Céus, tudo isso o matava de todas as formas possíveis.

Enquanto os dois caminhavam, a sua mente continuava trabalhando, porém este ainda conseguia prestar atenção no interior da residência.

A casa tinha apenas um andar, por isso, ela era um pouquinho mais extensa, com uma quantidade generosa de portas espalhadas pelas paredes. Os passos da garotinha foram se cessando quando chegaram numa porta que possuía uma plaquinha com a seguinte escrita: bem-vindos ao Universo. 

A menina Byun parecia estar um pouquinho ansiosa para abrir aquela porta, ainda mais quando encontrou os olhos curiosos do namorado de seu irmão. 

 

— Esse é o seu quarto, Sae? — ignorando o seu nervosismo momentaneamente, o maior acabou simplesmente se rendendo à curiosidade. Ele não aguentava ficar calado por muito tempo, não quando tinha tantos questionamentos em sua mente.

— Não, esse é o antigo quarto do Hyun, quando ele morava aqui. — comentou num tom falho, enquanto girava a maçaneta da porta. — Meus pais queriam destruir esse quarto, mas eu não deixei. Com muito esforço limpo ele todos os dias. Para ter meu irmão sempre perto de mim, mesmo que não esteja fisicamente. 

 

Chanyeol ficou sem palavras. Quantas coisas aquela garotinha fazia pelo irmão? Por que eles eram tão próximos? Sendo que nas circunstâncias existentes, era para eles dois se odiarem, no mínimo.

 

— Está tudo bem entrarmos aqui? Quer dizer, o seu irmão pediu para esperarmos no seu próprio quarto. — de uma maneira um pouco nervosa, ele dizia, temendo estar se metendo muito na história do baixinho, sem a permissão do dono daquelas memórias.

 

Ele não queria de forma alguma deixar o menor chateado por estar bancando o xereta, mesmo que a sua irmã estivesse lhe mostrando por vontade própria. 

 

— O Baekhyun sempre demora quando eu peço a ele as coisas, acho que você sabe o quanto ele é perfeccionista. E de qualquer forma, sinto que devo te mostrar isso, porque eu conheço meu irmão, sei o que eu posso ou não fazer. — comentou num tom um pouco sério, afastando toda aquela aura “infantil” que ela transmitia. Querendo ou não, ela era uma pré-adolescente. — E além do mais queria conversar com você sobre algumas coisas, será rápido.

 

Sem dar um tempo mínimo para Chanyeol absorver as suas palavras, a garota abriu a porta do cômodo, dando a visão de como era o seu interior. E no fim das contas, o que mais surpreendia o Park era que o seu quarto era simples, não era extravagante da mesma forma que o clube era. Era brevemente neutro.

Sua cama ainda tinha um acolchoado repleto de estrelas, igualmente como a fronha de seu travesseiro. As paredes eram cobertas por uma tinta azul marinho, com acabamentos em branco. Havia uma estante repleta de troféus, esses que representavam alguma coisa para sua infância. Nessa mesma estante, existiam diversos livros, assim como pequenas bolinhas com a aparência de planetas, numa espécie de pilares de ferro.  Ao lado dessa mesma prateleira, ficava um armário repleto de figurinhas coladas em suas abas.

A escrivaninha ao lado da cama estava completamente riscada com uma caneta azul, vários desenhos de estrelas, planetas, algumas anotações. Pelo jeito ele era uma criança bastante desajeitada. E por fim, logo abaixo daquele móvel, existia uma grande caixa com tampa.

 

— Você parece estar surpreso. Antigamente esse quarto tinha mais vida, Baekhyun acabou levando muita coisa com ele quando deixou essa casa, mas ele quis que eu cuidasse das coisas que ficaram. — contando, sem ao menos receber uma pergunta, ela sorriu de um modo triste, enquanto caminhava para dentro do quarto. — Eu... não sei por onde que eu começo...

 

Um peso parecia esmagar o seu coração nesse momento. Sim, Chanyeol não sabia nem um pouco do passado do Baekhyun, e não tinha certeza do que Saebyeok estava desejando fazer nesse momento, mas isso o machucava de algum modo.

 

— Você não precisa falar nada se não quiser, sabe? Eu entendo que pode ser doloroso colocar tudo em palavras. Eu já fico extremamente grato por você ter me mostrado um pouquinho do Baek. — foi sincero, esboçando um pequeno sorriso em direção da pequena garota que mostrava-se aflita. 

— Eu tenho que fazer isso. — murmurou, desviando o olhar e vendo de relance o homem adentrar o cômodo acanhadamente. — Você deve se perguntar o porquê as coisas ficaram assim. O porquê do meu pai tratar ele desse modo. A resposta é simples, ele culpa o Baek.

— O culpa? Culpa pelo quê? — sem pensar muito bem na frase e nem mesmo se a pergunta seria tosca, ele o fez.

— Ele diz que sua ex esposa morreu por culpa do meu irmão. — murmurou enquanto abaixava a cabeça. — Tudo que eu vou dizer agora são coisas que o tio Kyung me contou, que me ajudou a atender por que as coisas eram assim. Quando a mamãe do Baek morreu, o mundo do meu irmão caiu, assim como o do meu pai também. Enquanto o meu irmão sofria com a perda, meu pai buscava culpados para descontar sua raiva. E a culpa caiu sobre o meu irmão. Porque a mamãe dele escolheu o bem estar do próprio filho do que pagar uma fortuna para um tratamento que não era certo na época.  Ela sabia que não tinha chances de melhora, e mesmo que tentasse, ela ficaria num estado deplorável, ela não queria estar desse jeito na frente do próprio filho.

 

As coisas se tornaram um pouco mais claras na mente do futuro médico, mesmo que não tivessem noção alguma. Onde já se viu culpar uma criança de nove anos, que havia perdido uma pessoa amada, por simplesmente estar frustrado? Isso não fazia o menor sentido na sua mente. E provavelmente nunca viria a fazer.

 

— Meu pai, ao invés de se consolar e consolar meu irmão, passou a jogar toda a culpa no Hyun. E ele tinha oito anos na época. Segundo o tio Kyung, o meu irmão acabou se culpando verdadeiramente com a morte da mamãe dele. Tanto que... ele acha que tem uma dívida com ela. — murmurou a última parte, respirando fundo, sentindo o seu pequeno coração doer. Ela detestava pensar nos sentimentos do seu irmão naquela época. — Desde então o meu irmão pensou que devia realizar os sonhos da sua própria mãe, respondendo os questionamentos dela... Chan, se você ir naquela escrivaninha, conseguirá ver que todas as frases ali são perguntas, perguntas que a mãe dele fez enquanto era viva. 

 

Levantando a cabeça brevemente, a garotinha viu o rosto sôfrego do homem à sua frente. Pelo jeito, ele também sentia-se mal em pensar nos sentimentos do ruivinho anos atrás. E francamente, Chanyeol não sabia muito bem como reagir a tudo aquilo, ele sabia que o passado do seu amado era doloroso, mas nunca poderia imaginar a profundidade de suas cicatrizes.

Céus, ele só queria cuidar dele...

 

— Mas... Por mais que o Baek tentasse se livrar dessa culpa, tentando viver coisas que remetiam sua mãe, meu papai o desencorajou, o colocou para baixo sempre que podia. Dizia que ele não deveria ocupar o tempo dele com besteiras como aquela, que estudar e pesquisar sobre nunca traria a esposa dele de volta. O meu irmão era só uma criança naquela época, mas teve que ser seu próprio apoio, não largou os estudos e nem obteve notas ruins... Era como se nada tivesse acontecido. — piscou os olhos com força, segurando um pouco as suas lágrimas. — Durante o dia ele ouvia as bobagens do papai, à tarde ia para escola, e à noite... chorava na rua, sozinho. Tinha vezes que o tio Kyung ia falar com ele, mas o meu irmão quase nunca falava alguma coisa. Ele ficou mudo durante meses.

— Sae... Respira um pouquinho, por favor... — pediu à garotinha que mostrava indícios de choro, mas ela moveu a cabeça diversas vezes, enquanto murmurava “eu tenho que falar”.

— Nosso pai não tinha mais paciência com meu irmão. Tudo nele remetia à ex esposa. E, no fim, ele acha que estava certo em descontar toda a chateação dele no próprio filho. — deu uma pequena risada amarga, sentindo-se patética. — Meu pai começou a se envolver com minha mãe um ano depois que a sua esposa morreu. A minha mãe... É irmã da mamãe do Baek. Tanto meu pai quanto minha mãe tem um tremendo rancor pelo Hyun, eles dizem para mim desde pequena que ele só traria coisas ruins às pessoas, que ele era estranho e que eu nunca deveria me aproximar dele de forma alguma.

 

As coisas aos poucos pareciam fazer sentido. Toda a dor que Baekhyun sentia, o pequeno fato dele estar sempre escondendo os seus sentimentos, por ter criado tantas camadas de proteção. O ruivinho teve os seus sentimentos e coração esmagados pelas pessoas que ele mais amava, ele sentia-se traído. 

“Ele acredita que chamar as pessoas pelo nome é a mesma coisa que criar um laço forte. Se caso criamos laços com outros seres, há maior chance de se magoar num futuro próximo, de ser atingido pelo sentimento chamado traição”, uma vez, Kyungsoo disse essas palavras, meses atrás elas não faziam sentido algum, mas agora...

Chanyeol nunca pensou que entender o significado daquelas palavras iria doer tanto.

 

— Meu pai se casou com a minha mãe, e não fazia nem mesmo dois anos da morte de sua esposa. De algum modo, ver o seu pai ficando com a sua tia, em um curto tempo, onde o Baek não tinha nem mesmo superado a perda, fez com que ele se sentisse traído. — respirando fundo, ela parecia estar tomando algum tipo de coragem para dar continuidade às suas falas. — Quando eu nasci, meu irmão tinha dez anos, eu era bebê, não sabia de nada, nem mesmo o modo que ele me tratava, mas o tio Kyung falava que o meu irmão não gostava de mim. Eu não entendi muito bem isso quando eu era menor, porque... Quando eu tinha memórias, lembranças, o Hyun me tratou bem.

— Ele não gostava de você? Mas... Ele é tão apegado com você, eu duvido muito que ele não goste de você hoje em dia. — comentou, vendo a pequenina concordar com a cabeça, ainda com os seus olhos lacrimejando.

— Esse sentimento existia quando eu era bebê, porque eu acredito que as coisas mudaram conforme eu fui crescendo. Eu lembro exatamente do dia quando nossa relação mudou por completo... — sorriu brevemente, juntando as mãozinhas na frente do seu corpo, apenas para brincar com seus dedos nervosos. — Eu tinha quatro anos, e bem, meu quarto fica ao lado desse. Pode não parecer, mas as paredes são finas e minha cama ficava grudada nessa parede. — contou com um sorriso minúsculo nos lábios, como se estivesse tocando numa memória muito boa. — Naquela época eu não sabia muito bem o porquê, mas eu tinha muitos pesadelos, e consequentemente, acabava batendo com o corpo na parede, e acordava o Baek. Num desses dias de pesadelo, meu irmão entrou no meu quarto, colocou uma cadeira ao lado da minha cama e começou a falar ao meu lado, contar coisas. A voz dele me acalmava de maneiras... inexplicáveis. Chan, aquela foi a primeira vez que eu ouvi a voz do meu irmão, porque ele nunca falava em casa, meus pais não falavam com ele e não me permitiam conversar com ele, porque o Baek trazia coisas ruins às pessoas.

 

Chanyeol sentiu os salgadinhos da festa revirar-se no seu estômago. Sinceramente, ele estava ficando irritado com as coisas que estava ouvindo. Baekhyun era desprezado por uma coisa que ele nunca fez? Ele não tinha culpa de nada, ele era apenas uma criança na época, caralho, ele tinha apenas sete anos quando a mãe dele faleceu!

De alguma forma o estudante de medicina desejava falar algo, expressar sua indignação, mas a garotinha parecia querer falar mais, sem nenhuma espécie de interrupção.

 

— Eu lembro que ele era como um fantasminha aqui em casa, ninguém o chamava para fazer as refeições, ele sempre vinha por conta própria, até que, não veio mais. Ele passou a comer sozinho. — aos poucos a sua expressão passou a mudar drasticamente. — Por mais que eu ficasse próxima dele, e o chamasse para comer, ele não vinha por conta dos meus pais. Passou a ser uma rotina, durante o dia ele ignorava todo mundo, inclusive eu, ficava calado, não dizia nada, vivia uma vida solitária. Durante a noite ele entrava no meu quarto e contava histórias para mim. Bem, pelo menos eu pensava que eram histórias. — deu uma pequena risada. — Sabe o que elas eram? 

— Eu não tenho certeza do que seja... — murmurou, vendo a pequena concordar com a cabeça, como se estivesse o entendendo.

— Eram os pensamentos dele, eram as pesquisas feitas por ele, um garoto de apenas quatorze anos. — disse de um modo triste. — Ele aproveitava aquele tempinho para falar um pouco, para compartilhar os seus pensamentos, coisas que ele não podia fazer, porque não tinha ninguém, ele era solitário. Mesmo que tivesse o tio Kyung na vida dele, o meu irmão ainda estava com medo de confiar nele... Muito medo. — fez uma pequena pausa, respirando fundo, sentindo os seus olhos ficarem repletos de lágrimas. — E-eu pensei que nunca veria o meu irmão com alguém que não fosse o tio Kyung e a tia Minji, mas... Eu me senti tão grata, tão grata por você estar com ele, por ter conseguido conquistar a confiança do meu irmão, ao ponto dele entregar o coração para você. Eu estou tão feliz, tão feliz que meu coração chega a doer.

 

A pequena criança dizia enquanto chorava compulsivamente, esfregando as suas mãozinhas contra os olhos, deixando o homem à sua frente sem reação. Era um mérito tão extremo assim? O Baekhyun era uma pessoa incrível, repleto de carinho para dar e receber. Ele era simplesmente incrível. 

 

— Sae, não chore por favor, eu amo o seu irmão... — confessou num tom baixinho enquanto se abaixava um pouquinho, para abraçar o corpo pequena desta. — Está tudo bem. 

— Você não sabe o quanto eu desejava isso. Meu maior medo era que meu irmão vivesse a vida inteira sozinha, porque ele é muito cabeça dura, nunca iria morar com o tio Kyung... — murmurou enquanto esfregava o rostinho no ombro de Park. — Eu já morro de preocupação por ele não morar com o tio agora, por estar morando no clube dele... Eu queria ser mais velha para poder ajudar ele, Chan. Queria dar o mundo para o meu irmão, porque eu me sinto tão culpada por tudo que aconteceu com ele. Meu irmão sempre foi bom na escola, tirava notas incríveis, e eu não era tão boa assim, mas meus pais viviam me adulando. Eu me sinto mal com o amor que eles me davam e me dão até hoje... 

 

Ah claro... Era óbvio, o ruivinho não morava naquela casa... Mas...

 

— Sae, me escuta, você não tem culpa de nada, você é apenas uma criança, não deve carregar um fardo desses. Olhe aqui, você acabou de fazer doze anos, você é apenas uma criança e não um adulto. — respirou fundo enquanto acariciava os cabelos dela, tentando confortá-la. — Eu prometo para você que vou cuidar do Baek de agora em diante, mas por favor, aproveite a sua infância, não trabalhe na Minji. Eu tenho certeza de que o seu irmão não tem culpa de nada, e ficaria se sentindo culpado se soubesse o fardo que você está colocando em si, sendo tão nova. — fechou os olhos com força, afastando a pequenina, limpando o rostinho da pequena Byun. —  Me diga uma coisa, por que o seu irmão não está mais morando aqui, e como ele tem vivido se ele não trabalha?

— Meu pai expulsou ele. — foi direta enquanto fungava, deixando claro que esse assunto a machucava. — Quando meu irmão se formou na escola, ele mencionou que iria fazer uma prova no ano seguinte para entrar numa faculdade boa e fazer astrofísica. Mas meu pai se enfureceu, dizendo que ele devia parar de estar tão preso ao passado, que ele nunca conseguiria dinheiro seguindo esse ramo, que ele ia se arrepender mais para frente. Meu irmão ficou frustrado e disse que ia provar a ele que conseguiria crescer na vida seguindo o que ele quer e sem a ajuda dele...

 

Muitas coisas faziam sentido naquele momento, o fato do Baekhyun ser um pouco cabeça dura quanto às pesquisas dele, e a questão de como ele vive a vida. Park sempre soube que as coisas relacionadas ao baixinho sempre seriam complicadas, mas não a esse ponto. Ele vivia para se livrar da culpa colocada nele e para provar ao seu pai coisas que não eram necessárias. Isso era tão doloroso...

 

— No primeiro ano, ele morou com o Kyungsoo, com muita insistência minha e do tio, mas depois que ele conseguiu entrar na faculdade, ele acabou burlando algumas leis e passou a dormir na faculdade. Até o dia que o diretor descobriu sobre isso... — murmurou com um certo pesar, respirando fundo. — O diretor foi muito compreensivo com os desejos do meu irmão, mas só porque ele era um ótimo aluno e que trazia muita atenção para a faculdade. E bem, o Hyun acabou sobrevivendo do dinheiro dado em prêmios por seus projetos. Ele basicamente vende os seus projetos para a faculdade. 

— Mas isso não é certo, ele acaba ganhando pelo menos o mérito por todos os seus esforços? — de uma forma um pouco irritado, Park questionou vendo a pequenina negar com a cabeça.

— Têm vezes que ele ganha méritos, quando participa de feiras ou eventos semelhantes, mas quando ele tem que vender as pesquisas dele mensalmente... Essas ele não ganha. — informou com um certo receio, vendo o cenho deste ser franzido. Ele não se agradou muito do que ouviu.

 

Chanyeol pode não ter uma participação muito direta na conversa que eles tiveram, pois no fim das contas ele queria escutar o que a pequena Saebyeok tinha a dizer, mas agora, ele queria e muito expressar a sua irritabilidade, não com o Baekhyun, mas sim com a situação como um todo. Entretanto, antes mesmo que ele pudesse falar qualquer coisa, os seus pensamentos e futuras ações foram atrapalhados.

A voz calma de Baekhyun se fez presente no corredor, chamando pela pequena Sae. A pequena Byun tratou de limpar o seu rostinho com as mãos antes de deixar o quarto, mas sem antes murmurar: 

 

— Você prometeu, cuide do meu irmão.

 

Estar, ali, na casa da família do Byun era um misto bom e ruim. No fundo, o estudante de medicina não estava totalmente alegre de saber do passado do baixinho, porque muitas injustiças foram feitas com o seu amado. Ele não merecia nada disso, não mesmo.

Respirando fundo, Chanyeol levantou-se, já que desde o momento que a pequenina deixou o cômodo, ele não havia mexido nenhum músculo. Com tranquilidade, ele deixou o antigo quarto de Baekhyun, ficando no corredor, onde ele acha que ainda existia alguém presente ali. Mas não tinha. A porta ao lado estava aberta, e nela era possível ouvir vozes e algumas risadinhas. 

Caminhando em direção até aquela porta, encostando a lateral do seu corpo no batente da porta, o seu coração aqueceu-se com a imagem que presenciou. Baekhyun estava sentado numa pequena poltrona enquanto contava coisas aleatórias para a garotinha que estava na cama, com uma xícara de achocolatado em mãos. Então isso significava o universo especial?

Talvez o significado estivesse muito além do que os seus olhos pudessem testemunhar, provavelmente existia algum motivo emocional por trás de tudo isso. Mas, para Chanyeol, naquele momento, parecia significar um momentinho deles, de liberdade, de aproveitar a companhia um do outro. E ele não podia negar, ele gostava de ver os dois irmãos juntos. 

E desejava que eles continuassem dessa forma, sem a interferência de ninguém.

 

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.

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Chanyeol não ficou por muito tempo observando os dois. Toda envergonhado, ele mencionou que estaria esperando o menor no carro e, como resposta, o Byun mais velho apenas acenou com a cabeça, continuando a sua conversa com a Sae. Como prometido, ele foi para o seu carro, sem ao menos encontrar os seus sogros no meio do caminho. Eles pareciam ter sumido.

Era estranho. De qualquer forma, não demorou muito tempo para o baixinho abrir a porta e acomodar-se no assento do automóvel, com um pequeno sorriso presente nos seus lábios.

 

— Está tudo bem? — questionou, enquanto vestia o cinto no baixinho, que parecia um pouco agitado com o gesto alheio.

— Está sim, me sinto mais aliviado que a noite tenha sido tranquila, consegui me divertir bastante na companhia da Byeok, ela estava muito alegre também. Isso é a única coisa que importa no momento. — comentou rapidamente, com um sorrisinho pequeno nos lábios, pegando a mão do seu amado apenas para deixar um carinho suave nos dedos do mais novo.

 

“A noite tinha sido tranquila”, todos os seus parentes olhavam-no de uma maneira desprezível. Os seus pais não o cumprimentaram. Se isso foi uma noite tranquila, o que normalmente ocorria quando ela não era “tranquila”? 

Guardando essa dúvida nos seus pensamentos, o estudante de fios castanhos apenas acenou com a cabeça, sorrindo em sua direção, acabando por vestir o cinto também. Em questão de segundos, ele colocava a chave na ignição e dava a partida. 

Chanyeol pensou verdadeiramente que eles ficariam em silêncio, assim como ocorreu na ida àquela casa. Porém, o Byun parecia tão animado que começou a puxar assunto.

 

— A minha irmã parece gostar bastante de você, ela até mesmo te chamou para conversar. — disse tranquilamente, vendo de relance o mais alto ficar um tantinho nervoso.

— Baek, sobre isso... — murmurou com certo nervosismo, sem olhar diretamente para o ruivinho, afinal ele estava dirigindo. — Ela estava me contando coisas sobre você... Eu queria me desculpar por isso, eu deveria ter esperado você mesmo me contar sobre as coisas, e por favor não fica bravo com ela...

— Por que eu ficaria bravo? Não é como se a Sae estivesse contando uma coisa para um estranho, ela estava contando pra você, meu namorado. Porque ela sabe o quanto seria difícil para mim fazer toda a trajetória de tantas lembranças, que agora você sabe, então provavelmente conseguirá entender sobre o que eu estou me referindo. — com o seu típico tom rápido, dizia, soltando um pequeno suspiro. — Não se preocupe tanto, uma hora ou outra você iria ficar sabendo, seja por ela ou pelo Kyungsoo.

 

Era um pouco impressionante como o ruivinho parecia tranquilo e não sentia nenhum desconforto de Chanyeol conhecer um pedacinho seu, mesmo que esse fosse extremamente doloroso. O que Park não sabia era que, se dependesse do Baekhyun, ele teria ficado sabendo de tudo sobre o astrofísico, já que Baekhyun não temia mais mostrar o seu lado verdadeiro. Na companhia do estudante de medicina, ele podia ser o Byun Baekhyun fora da sua casca de proteção.

Chanyeol manteve-se em silêncio por alguns minutos enquanto pensava muito bem o que faria naquele momento, até virar o volante em direção ao acostamento, desligando a ignição no mesmo segundo. Com certa calma, ele soltou-se do cinto e virou-se um pouco em direção daquele que o olhava com certa confusão. 

 

— Fazia um bom tempo que eu queria conversar com você sobre uma coisa, mas eu nunca... tive a certeza se devia ou não. Mas ultimamente, eu vejo que eu tenho essa permissão. — comentou com certa calma, levando as suas mãos em direção das semelhantes do ruivinho, segurando-as com firmeza. — Eu me sinto um idiota por isso, mas eu fico um pouco doido por sermos namorados sem ao menos ter um pedido decente. Eu sinto que devo sempre fazer tudo ser especial para você, mas eu não sou nada bom nessas coisas de surpreender, ainda mais agora que tenho dinheiro contadinho para o fim do mês.

— Pare de bancar o tolo, até parece que eu sou do tipo neurótico por dinheiro e fortuna. Você sabe que eu posso ser uma lista vasta de coisas, menos materialista. — comentou, enquanto arqueava uma de suas sobrancelhas, arruinando a risada de Park. 

— Eu sei, mas como você disse, eu sou um tolo e quero fazer as coisas mais bobas do mundo, para você, por nós. — disse com um sorrisinho pequeno, levando as mãos deste em direção de seu rosto, apenas para deixar um beijinho nas costas destas. — Por isso eu te pergunto oficialmente: você quer ser meu namorado, Byun Baekhyun?

— Eu achei que não se fazia necessário uma quantidade mínima de massa cefálica para estar ciente de minha resposta para tal pergunta. — retrucou com um sorriso pequeno, tentando disfarçar a sua timidez, enquanto ele ouvia um murmuro: 

— Eu quero ouvir a resposta de você. 

— É claro que desejo ser seu namorado, Park. 

 

Sorrindo de uma maneira bobinha, Chanyeol não conseguiu evitar de inclinar-se em direção do ruivinho, com certo cuidado para ter a certeza de que o Byun estava tranquilo com a aproximação. E diferente do esperado, o astrofísico pousou suas próprias palmas nas laterais do rosto do futuro médico e encostou os seus lábios num singelo selinho. Um doce beijinho repleto de carinho e cuidado.

Deixando diversos selares no rosto do astrofísico, o mais novo pode jurar que o ouviu soltar um risinho gostoso com os carinhos que estava recebendo.

 

— Agora você é meu namorado oficialmente. — murmurou com um sorrisinho, afastando-se um pouquinho do menor, que apenas ria.

— Eu já te considerava o meu namorado há muito tempo. Sinto que estava namorando sozinho. — reclamou o ruivinho, bancando o birrento ao mostrar a língua para o castanho, que desmanchou-se em risadas. Sério mesmo que Byun Baekhyun estava lhe dizendo isso? 

— Cala boca, eu sempre fui um bobão por você, não me venha com essa história de estar namorando sozinho. — retrucou no mesmo tom brincalhão, colocando a mão no seu próprio bolso, tirando um pacotinho dali.

 

A pequena embalagem continha duas pulseiras gordinhas, enroscadas num papel preto, personalizadas com estrelas bonitas e bem desenhadas. No meio das duas pulseiras existia a seguinte frase: a conexão que existe entre nós é a mesma que une nosso amor.

Retirando a cartelinha da embalagem, o estudante de medicina virou um pouquinho o papel em direção do ruivinho, que sorriu de maneira pequena ao ler a frase, observando as pulseiras magnéticas. 

 

— Qualquer pessoa com dinheiro, ou disposto a se endividar, compraria alianças, mas como eu ainda não estou numa boa condição, eu acho que essas pulseiras de casal vão quebrar esse galho até lá. — murmurou de uma forma envergonhada, retirando a primeira pulseira, pedindo silenciosamente o pulso esquerdo do menor.

 

Compreendendo o pedido do seu amado, o mais baixo apenas entregou o seu pulso ao outro, recebendo com cuidado a bela pulseirinha repleta de desenhos em sua extensão. Sorrindo pequenino, ele também pegou a outra pulseira, apenas para colocar em Park, que acabou sorrindo com a ação tão automática deste.

Pelo simples fato dos dois pulsos terem se aproximado, o pequeno pingente que ficava balançando na pulseira ia em direção ao pingente de Chanyeol. Curiosamente, ele aproximou o pulso por completo, vendo as duas bolinhas se juntarem.

Era tão mágico e perfeito. Pelo menos era isso que o ruivinho achava.

Baekhyun encarava aquela simples pulseira grossinha, com algumas estampas coloridas de planetas, até o pingente redondinho, acabando por ficar aproximando e aproximando o seu pulso do semelhante do maior, fazendo com que as duas esferas se juntassem, arrancando um sorriso lindo seu. Ele pareceu tão entretido aproximando e afastando o seu pulso do de Park, que o estudante de medicina  não conseguia evitar de sorrir ao presenciar essa cena fofa. Pelo menos ele havia gostado.

 

— Não vai me explicar o motivo científico e lógico que faz com que eles se atraiam ao se aproximarem? — questionou num tom brincalhão, atraindo aqueles olhinhos brilhantes que pareciam transbordar de felicidade.

— Pela primeira vez não vejo a necessidade de tomar tal posição, não quando meu pensamento no momento é baseado em unicamente acreditar que essas duas bolinhas se unem graças a nossa compatibilidade. — disse rapidamente, sem  conseguir esconder um sorriso totalmente bobinho em seus lábios. Ele estava verdadeiramente alegre. — Em outras palavras, eles ficam juntos graças aos nossos sentimentos, Chan. Essa é a única explicação na qual eu quero acreditar no momento. 

 

Com um sorriso pequeno, Chanyeol entrelaçou seus dedos nos do ruivinho, vendo as duas esferas das pulseiras se juntarem. Os dois olhavam para as mãos juntas com um sorriso pequeno, repleto de alegria, essa que parecia transbordar em seus peitos. Droga, era tão bom estar junto do outro. Quando estavam juntos, parecia que nada mais no mundo importava.

Park queria dar o mundo ao seu amado e, de certa forma, esforçava-se para isso. Pensando nisso, foi impossível não se recordar da conversa que tivera com Saebyeok, e a sua promessa indireta feita à garotinha. 

 

— Baek, eu quero falar uma coisa para você. — murmurou com calma, atraindo a atenção do astrofísico naquele segundo. — Na verdade, eu queria te propor algo. — corrigiu rapidamente, ele não podia negar, estava nervoso. — Antes mesmo de conversar com a Sae, eu já estava pensando sobre isso há um bom tempo... Eu quero que você passe a morar comigo, no meu apartamento, para tornar ele algo nosso. 

 

Naquele segundo, Baekhyun parou no lugar, com os olhinhos arregalados por trás da sua armação redondinha. Ele não estava esperando por um pedido como aquele, tanto que ficou sem palavras. Não sabia muito bem o que falar e nem pensar. Entretanto, antes mesmo que ele abrisse a boca para falar alguma coisa, Chanyeol continuou:

 

— Não precisa me dar a resposta agora, eu quero que você pense com carinho. Eu compreendo os seus motivos por estar vivendo sozinho, tentando dar o seu melhor sozinho, mas meu amor, você não precisa fazer tudo isso assim, eu estou aqui disposto a te ajudar, pelo menos com uma moradia. — disse com calma, deixando um beijinho nas costas da palma do ruivinho, soltando a palma por fim. — Eu estou aqui para estar com você nos momentos bons e ruins, é para isso que os companheiros servem.

 

Direcionando um sorriso ao menor, o estudante de medicina ligou novamente a chave na ignição e deu a partida no carro. Com toda certeza Baekhyun pensaria sobre aquela proposta, pensaria mais do que deveria.


Notas Finais


E chegamos no final do capítulo!! o que vocês acharam???? Nesse capítulo eu tento cessar as duvidas que vocês tinham sobre o Baekhyun e o seu passado. O que vocês acharam? Se caso tenha ficado alguma questão que vocês ainda tenham dúvidas, podem me perguntar, tanto aqui nos comentários como lá no twitter ou no meu CuriousCat!

E como se não bastasse esse momento, chegamos então a conclusão que a Saebyeok é realmente a irmãzinha do Baek, quem acertou essa suposição? Merece um beijinho!!! Ah, e não podemos nos esquecer desse final que talvez tenha surpreendido vocês, o que será que o Baek vai dizer ao chanyeol???? Qual é a suposição de vocês?

Amores, eu espero do fundo do meu coração que vocês tenham gostado desse capítulo, mesmo, mesmo. Não sei como estarei nas próximas duas semanas, mas farei o possível para estar disposta para atualizar cgv para vocês.

Até o próximo capítulo!

Apesar de estar um pouco ausente do grupo dos leitores, para quem tem interesse em entrar nele, o link está aqui: https://chat.whatsapp.com/LNury5BFmEmGMehNyfEpEY
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