História O Conjurador de Marés - Capítulo 13


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Kim Taehyung (V), Park Jimin (Jimin)
Tags 95line, 95z, Bangtan Boys (BTS), Jimin, Mermaid!au, Mermaid!taehyung, Mintae, Minv, Sereias, Shoreline, Short Fic, Taehyung, Taeji, Taemin, Vmin
Visualizações 23
Palavras 5.536
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Fluffy, LGBT, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


eu sei que algumas das pessoas que leem minha fanfic vão fazer o enem amanhã e eu até pensei em atualizar amanhã como um presente pra vocês, mas acho que depois do enem a gente não tem paciência de ler mais nada né? açskldj então to trazendo o capítulo novo pra vocês nesse sábado pra relaxar um pouquinho antes da prova que (não esqueçam!) definitivamente não define quem vocês são

essa é a segunda parte do festival, a minha favorita de todas, e eu espero que todas as descrições que eu dei sejam suficientes para que vocês tenham tudo claro na mente porque eu tô me segurando pra não desenhar tudo lçasjçd

sem enrolar mais, espero que vocês tenham uma ótima leitura e uma prova incrível amanhã! vou mandar todas as energias possíveis para que vocês consigam fazer tudo com calma e aproveitar tudo o que aprenderam! boa leitura <3

Capítulo 13 - Por sua conta e risco


— Tae...?

— Essa música... O oceano canta essa música para nós durante todas as noites do mês de junho. — ele sorriu assim que seus olhos começaram a marejar, e ele não pareceu se importar com algumas pessoas que olhavam para toda a cena, seu olhar estava focado apenas em mim. — É um canto de esperança, Chim.

Ouvir aquilo me fez ficar surpreso porque, céus, estávamos cantando algo sem sequer ter noção de que o oceano poderia estar fazendo o mesmo naquele momento, e todos daquela festa nem mesmo fazia ideia de que aquele poderia ser o último mês em que as sereias poderiam ouvir aquela canção tão importante e significativa para elas. Foi por não conseguir conter minhas lágrimas, tão cheias de tristeza, que eu acabei abraçando o tritão que não demorou em corresponder.

— Você pode me contar o que a música diz? — perguntei em um sussurro enquanto escondia o rosto em seu pescoço e ele fazia o mesmo comigo mesmo tendo de se curvar.

Eu sentia seu peito subir e descer em uma respiração pesada, o que acontecia por ele provavelmente estar tentando se recuperar de alguma forma para me contar a tradução da canção, o que ele logo fez quando o primeiro verso se repetiu.

— A cada onda e respingo, a cada grão de areia que tocar, até te levarei meu choramingo enquanto meu chamado não a alcançar. — ele começou a cantarolar baixo, não tendo problemas na tradução enquanto, com sua mão livre, deixava carícias em minhas costas para acalmar meu choro silencioso. — As marés sobem para que eu te encontre e entre as ondas eu te envolva, esperando que um dia mergulhe e minha essência em ti dissolva.

Meu coração martelava em meu peito com tanta força que eu podia jurar que ele sairia pela minha boca a qualquer momento, se eu não estivesse tão acostumado com o coro de pessoas e não soubesse a letra de cor, eu poderia jurar que já tinha ouvido aquela canção sendo entoada em minha língua alguma vez, e perceber a familiaridade de cada palavra me fez segurar a camisa de Tae entre meus dedos. Ele continuou a cantar ao mesmo tempo em que todos ao nosso redor também deram continuidade, porém dessa vez ele nos afastou para que pudesse olhar para meu rosto. Notei que ele tinha as marcas ainda úmidas das lágrimas que escorreram por seu rosto.

— Não demore a navegar, siga então minha corrente, para que eu possa descansar e ser enfim coerente. — ele tirou a mão de minhas costas para que pudesse secar uma lágrima fujona, e seu sorriso pareceu me confortar junto da melodia que seguia para o seu fim. — As sereias mais velhas dizem que o oceano canta essa música desde a perda da primeira de nós, então ele canta na esperança de trazer até nós aquele que atenderá seu chamado e irá nos completar.

— Você ainda o escuta cantar estando como humano?

— Todas as noites antes de cair no sono.

Então pudemos ouvir as palmas das pessoas ao nosso redor, inclusive dos nossos amigos que tinham cantado alegremente até feito a coreografia que nos ensinaram quando éramos criança, o que meio que agradeci mentalmente porque eles só voltaram o olhar para mim e Taehyung quando já tínhamos secado as lágrimas e nos recuperado um pouco do choro. Como aquela canção abria definitivamente o festival da maré, ela era tocada no minuto exato para que durasse durante o pôr-do-sol, e por isso agora éramos iluminados pelas diversas luzes e lanternas coloridas que enfeitavam toda a grande praça, e não consegui evitar meu sorriso quando notei que alguns dos enfeites de ondas tinham sua iluminação própria, projetando em nós e no chão o desenho que, com o movimento por conta do vento, pareciam ondas reais.

Algumas outras músicas continuaram a ser tocadas e cantadas por alguns, mas não eram assim tão marcantes para todos, e por isso as atividades no festival continuaram, o que queria dizer que logo as apresentações começariam e eu deveria ir o mais rápido possível para o camarim que tinham montado próximo do grande palco que tinha destaque na praça.

Como eu não podia chegar atrasado por ter que começar minha maquiagem de palco e vestir todo o figurino bem trabalhado, avisei para Taehyung que teria de ir e pedi para que ele ficasse com meus amigos, o que eles fizeram com prazer já que era bem melhor andar em conjunto no meio de toda aquela gente, fora que eles ainda tinham um tempo para outras barraquinhas de brincadeira antes de irem até os lugares reservados para convidados bem na frente do palco. Assim que o vi sair animado com Jungkook e Hoseok, sorri para Yoongi que me deu dois tapinhas no ombro antes de me dar sua mão para que passássemos por entre as pessoas sem nos perder no meio do caminho.

As cadeiras colocada em frente ao palco estavam começando a ser preenchidas por pessoas muitíssimo animadas, algumas delas ainda a comer algum doce enquanto outras preparavam as câmeras do celular para gravar as apresentações, e foi com o coração a mil que meu hyung foi cuidar da mesa de som e eu fui para o camarim onde eu encontraria todo o necessário para a mudança de figurino. Apesar de toda a minha inquietação para a apresentação, fui cuidadoso e detalhista enquanto me trocava no meio de todos os garotos e garotas que faziam o mesmo, e logo as maquiadoras já começavam a chegar para auxiliar todos aqueles que precisavam, inclusive eu que precisava de mãos cuidadosas para minha maquiagem.

Quando me olhei no espelho de corpo inteiro do camarim, com duas garotas me ajudando a finalizar os detalhes da maquiagem, sorri encantado pelo resultado de toda a composição que eu mesmo tinha desenhado meses atrás quando tive minha ideia para a apresentação. Eu usava uma calça colada no corpo, própria para dançarinos de ballet, cuja estampa era composta de diversas escamas que eram negras na panturrilha porém clareavam para um tom de um rosa puxado para o púrpura com efeito holográfico quando chegavam próximo da minha cintura, que era onde o tecido acabava e dava continuidade a pintura e aplicação de escamas holográficas por meu tronco nu. Em meu quadril e panturrilha da calça tinham sido aplicados tules para dar a sensação das barbatanas, diferente de minhas costas onde tinha sido aplicado, com bastante cola para que não caísse, uma barbatana dorsal feita de um material parecido com silicone que poderia facilitar meus movimentos durante a dança.

As maquiadoras me ajudavam na aplicação e pintura das escamas em meu tronco, as quais sumiam de pouco a pouco antes de chegar um tanto acima da minha cintura, mas que também apareciam em meus ombros, antebraços e mãos como sardas. Em meu pescoço algumas escamas pretas apareciam como se tomassem conta de meu rosto, o qual tinha sido maquiado para parecer o princípio de uma transformação, como se a parte boa de todo o meu ser sumisse aos poucos para se tornar escuridão, o que chegava até meu olho direito onde eu tinha colocado uma lente scleral preta que fazia com que todo meu olho ficasse inteiramente de tal cor. Meus cabelos recém-cortados estavam arrumados de um jeito revolto, como se eu tivesse os puxado constantemente, e quando ajeitei a última mecha no lugar as maquiadoras se desaproximaram para ver o resultado. Não pude as abraçar para agradecer como eu fazia todos os anos quando as mesmas garotas me ajudavam, mas acho que elas entenderam quando segurei suas mãos com força e agradeci várias e várias vezes até que falassem que já bastava e que tinham outras pessoas para ajudar.

Quando coloquei minhas sapatilhas pretas e respirei fundo junto do meu reflexo no espelho, vi Yoongi chegar por trás de mim com um grande sorriso em lábios, claramente impressionado pela produção tão intensa desse ano. Não era como se eu fizesse algo enorme todos os anos, eu já usei figurinos muitíssimo mais simples, mas esse ano estava sendo diferente desde janeiro e não poderia ser de outra forma quando surgi com a ideia de figurino.

— O que acha? Exagerado demais? — perguntei enquanto me virava pra ele, abrindo um tanto os braços para que ele visse alguns dos detalhes.

— Tá perfeito, Jimin-ah. — ele se abaixou para poder pegar minha mochila onde estavam minhas roupas e pertences pessoais, que só por acaso era a mochila dele que me emprestara. — Não vim só pra te elogiar, vim avisar que você entra daqui cinco minutos.

? Nossa, devo ter demorado muito para me arrumar então.

— Só um pouquinho. — ouvir sua risada acabou me acalmando ao menos um pouquinho. Notei que ele ergueu a mão para tocar em meu ombro como sempre fazia para me passar confiança, mas logo a abaixou quando notou toda a maquiagem, o que acabou me causando uma risada. — Bom... — ele respirou fundo. — Agora eu preciso segurar certo tritão que tá quase pulando na cadeira da primeira fileira.

— Ele tá tão animado assim?

— Animado?! Aquele garoto quase me deu uma chave de braço pra eu o deixar pelo menos te ver antes da apresentação! Acho que ele nem prestou atenção nas apresentações antes da sua. — Yoongi passou a mão pelo braço como se conseguisse sentir a dor ali, e estava prestes a provavelmente fazer mais uma reclamação quando Moonbyul apareceu na porta do camarim e o chamou para preparar tudo para a minha apresentação. O sorriso de aprovação da mulher em minha direção me fez sorrir grande. — Ok, vamos antes que sua alma gêmea entre em colapso.

Me olhei mais uma vez no espelho, revisando cada um dos meus detalhes, antes de apressar meus passos atrás do meu hyung que já tinha ido até seu notebook e agora ajustava todo o necessário, inclusive as luzes do palco que se apagaram por completo, deixando ali um breu para que eu entrasse. Como eu continuava na coxia, ninguém podia me ver, porém eu conseguia ver bem a primeira fileira e notar os olhos curiosos e atentos do tritão quase me fizeram tremer mais ainda.

Não que eu nunca sentisse esse tipo antecipação antes de apresentações de dança ou enfim, na verdade eu sempre fui bem nervoso quando tinha que fazer algo que era especial para mim, porém daquela vez era diferente, como se a qualquer momento eu pudesse sentir que alguma coisa seria muitíssimo diferente dos outros anos em que me apresentei naquele mesmo palco.

Quando olhei para trás, mirei Yoongi que apertava uma última tecla antes de acenar positivamente para mim, o que indicava que eu poderia entrar no palco assim que eu estivesse pronto e, céus, eu estava mais do que pronto. Assim que o foco principal acendeu, eu já estava no meio do palco e olhava diretamente para o tritão que agora tinha a boca aberta em surpresa e os olhos brilhando em minha direção. Deixei que um sorrisinho de canto de lábios escapasse assim que as primeiras notas da música ecoaram pelas caixas de som.

Eu já sabia a coreografia de cor, me lembrava de cada passo e movimento com os braços e mãos que deveria fazer, mas agora, diferente dos ensaios, eu apresentava uma essência de mim que as salas de ensaio e até mesmo o tritão ainda não tinham visto. Dançar era sentir, era respirar prazer e demonstrá-lo em cada célula de meu corpo, e eu não falhava em explodir em expressão e essência em cima daquele palco, interpretando um personagem entre a escuridão e a luz como se cada lufada de ar fosse uma tortura.

Os movimentos de ballet e dança contemporânea eram precisos, meus olhos, tristes e derrotados, encaravam a plateia como se eu pudesse sumir em cima daquele palco mesmo com as luzes azuis que me iluminavam e faziam daquele lugar o meu próprio oceano. Levei minhas mãos aos meus cabelos, puxando-os e bagunçando ainda mais quando a música se acalmava como se aquele fosse um fim; no entanto, a volta da flauta, leve e delicada, me fez erguer o olhar para a multidão e, enfim, encontrar o olhar do tritão que parecia sentir em seu interior tudo o que eu sentia sobre o palco.

Estendi a mão para ele como em um pedido de socorro para logo a levar até a parte do meu rosto com as pinturas em tons escuros antes de esfrega-las sobre a pele, borrando-as em um ato de resistência, e bastaram mais alguns passos precisos e delicados para que enfim eu chegasse ao fim da coreografia, com o olhar e uma das mãos estendidas ao oceano que era possível ver de cima do palco antes de cair sobre meus joelhos e dar um último suspiro. As palmas vieram animadas e acompanhadas de gritos de comemoração, meus amigos comemoravam e pediam por uma repetição mesmo que não fosse possível, mas a única coisa que importou foi que eu o ouvi.

Um sussurro ansioso em minha direção, um chamado de socorro que viera acompanhado de ondas mais calmas na areia da praia. A maré estava baixa, convidativa, e de cima do palco pude sentir, assim que ergui os olhos, que alguma coisa que eu não enxergava me olhava de longe, como em uma vigia para ter a certeza de que eu não demoraria, e eu provavelmente teria descido do palco e ido responder àquele chamado se alguém já não tivesse subido e se ajoelhado em minha frente. Quando subi o meu olhar da camisa até o rosto, notei que o tritão me olhava sorrindo, por mais que eu pudesse enxergar a preocupação clara em seu olhar. Eu sabia que ele também tinha o ouvido.

— Taetae... — chamei baixinho assim que levei minhas mãos até seu rosto, tocando-o com o máximo de delicadeza possível enquanto aproximava meu rosto do seu.

— Eu estou aqui, Chim, eu sempre estarei aqui. — suas mãos sobre as minhas pareceram um convite, e não pude conter a vontade de o beijar mesmo com os mais diversos olhares atentos sobre nós.

Eu não sei o que aquela multidão imaginava, talvez aquilo também parecesse parte da apresentação, porque assim que selei meus lábios aos do tritão ouvi as comemorações animadas de todos que aplaudiam e elogiavam. E assim como todo aquele momento havia se formado, ele foi quebrado por um Jungkook que gritou “Arranjem um quarto!” e passou a rir pela nossa surpresa enquanto o olhávamos.

Sorri e me levantei do chão, ajudando Taehyung a fazer o mesmo antes de o trazer comigo até o centro do palco onde segurei sua mão, a ergui e logo abaixei junto da parte superior de meu corpo em um agradecimento para todas as palmas do público que agora chegaram até mesmo a jogar uma flor ou outra sobre o palco. O garoto de cabelos azuis parecia surpreso e animado quando nos erguemos e nos olhamos, e eu via em seus olhos um certo alívio, como se aquele canto tivesse sido apenas uma ilusão de sua mente ou efeito de som especial.

Mas eu sabia o que eu tinha ouvido.

— O que acha de me ajudar a tirar tudo isso do meu corpo, hum? — perguntei em um murmúrio enquanto acenava para o público uma última vez e ia com o tritão para a coxia onde Yoongi ria da situação e preparava aos poucos o necessário para as próximas e últimas apresentações.

— Tirar?! Mas está tão lindo assim, Chim.

Como o camarim já estava vazio por conta de grande parte das apresentações já terem ido e o restante do pessoal já estar esperando próximo das coxias, não me importei de ir até uma das mesas onde antes estava as maquiagens para me sentar sobre ela e logo em seguida puxar o rapaz de cabelos azuis para que ele ficasse entre minhas pernas abertas. Meu corpo todo se arrepiou quando senti suas mãos irem direto para minha coxa.

— Nunca imaginei que te veria tão triste pela possibilidade de tirar as minhas calças.

— Eu realmente queria, mas te ver assim me faz pensar que...

— Que...?

Ele analisou todo meu corpo, tirando até mesmo um tempo para tocar em uma aplicação de escama ou outra como se para ter certeza de que não era real, e eu pude jurar que tinha mais ali do que eu imaginava quando ele ergueu seus olhos para encontrar os meus. Assim que abri a boca para tentar perguntar o que tinha de errado, ele balançou a cabeça, como que para espantar algo dos pensamentos, antes de me mostrar seu sorriso que eu tanto gostava.

O puxei para mais perto quando enlacei minhas pernas em seu quadril, e todo meu corpo pareceu esquentar de imediato assim que ele aproximou mais nossos troncos, se inclinando um tanto sobre mim em seguida.

— Espero que essa tinta não manche. — ele sussurrou e aproximou seu rosto do meu para que pudesse selar meus lábios mais uma vez, dessa vez sabia que com mais ferocidade e desejo, porém antes que ele o fizesse acabei virando o rosto e fazendo com que ele tivesse os lábios em meu pescoço. Notei seu olhar surpreso quando ele desaproximou seu rosto do meu, porém também percebi algo diferente em seu rosto que me fez gargalhar no mesmo momento. — O que foi? Isso foi uma piada?

— Não, Taetae. — falei entre as risadas, o que o fez franzir o cenho em uma confusão ainda maior porque não devia ser nada bom tentar beijar alguém e essa pessoa rir da sua cara. Para tentar esclarecer um pouco a situação toda, passei meu polegar por seus lábios e mostrei para ele o dedo sujo de tinta preta, que por acaso era a tinta que estava em meu pescoço. — Se nós fizéssemos qualquer coisa agora, todo mundo ia saber porque você sairia todo manchado daqui. — sorri para ele antes de selar nossos lábios delicadamente, o que acabou tirando dele um suspiro. — Quando chegarmos em casa e eu tomar um banho, quem sabe você não se anima mais pra tirar minhas calças, hum?

E antes que ele pudesse responder, fosse verbalmente ou subindo as mãos por minhas coxas do jeito que já fazia, ouvimos batidinhas na porta seguidas dos nossos amigos que entraram animados no camarim. Obviamente, como o garoto perverso que era, Jungkook deu um sorriso cheio de malícia quando notou como eu e Tae estávamos ali, e se eu não tivesse perguntado o motivo de eles estarem ali antes das apresentações acabarem, eu tinha certeza de que ele teria feito alguma piadinha que teria deixado tanto eu quanto o tritão um tanto envergonhados.

Aparentemente as apresentações ainda aconteciam, eu conseguia ouvir a música sendo tocada do lado de fora do camarim, mas como eram bandas e cantores locais, Yoongi não precisaria cuidar do som junto de outro garoto responsável e, consequentemente, poderíamos aproveitar o momento mais divertido da noite que eram as oferendas ao oceano. Não era nada muito perigoso, na verdade era mais pelo lado simbólico de tudo onde nós recolheríamos qualquer tipo de lixo da praia e passaríamos um tempo na orla sentindo um pouco da energia das ondas enquanto bebíamos um tipo de bebida feita especialmente para o festival da maré. Claro que tinha muita gente que levava essa parte do festival como algo mais cheio de fé ou algo do tipo, mas eu e meus amigos sempre gostamos da energia que o oceano emanava e por isso, em todos os festivais, passávamos um tempo na praia.

Como já começava a ficar tarde e perto do final do festival, que costumava encerrar o primeiro dia exatamente a meia-noite, eu e os meninos resolvemos organizar todos os nosso pertences nas mochilas que Yoongi e Jungkook trouxeram antes de irmos até a praia onde muitas pessoas já começavam a se concentrar para pegar os sacos de lixo e começar a limpeza com todos os outros. Eu ainda estava cheio de maquiagem e até mesmo com a barbatana grande colada em minhas costas quando decidimos ir logo até a praia, e foi por isso que passei uma boa parte do caminho passando lenços e mais lenços com água micelar por meu rosto, pescoço e tronco, o que acabava tirando risadas de todos nós porque eu não via por onde andava e consequentemente tropeçava mais do que o normal.

Assim que chegamos na praia e pegamos os sacos de lixo e o bastão com pegador para não ter que tocar diretamente em todos os lixos, joguei todos os lenços dentro da sacola, me contentando em ficar ainda com algumas escamas e barbatana coladas no corpo pela próxima hora enquanto recolhíamos as embalagens que estavam entre a areia. Não era como se a praia fosse tão suja assim, na verdade muitas pessoas e turistas já tinham sido multados por terem deixado lixo na praia, mas isso não impedia que algumas pessoas fingissem esquecer papéis e embalagens ali, e era atrás disso que estávamos, fora que também recolhíamos algas e outras coisinhas que o mar trazia e que eram colocada em uma sacola especial para o descarte separado do lixo que também era classificado para o descarte correto.

Mesmo que cansativo, acabava sendo divertido fazer parte daquele momento do festival, não só pela limpeza da praia, mas também por ser um momento divertido com os meus amigos onde todos nós acabávamos competindo pra ver quem conseguia recolher mais lixo em menos tempo. Eu nunca fui tão competitivo assim nesse tipo de brincadeira, eu até acabava fazendo algumas palhaçadas aqui e ali para que todo mundo risse, e quando fiquei em penúltimo, só ganhando de Yoongi que perdia porque sempre acabava deixando Jungkook pegar tudo, minha barriga já doía do tanto que eu tinha rido. Apesar do biquinho e de toda a manha por ter perdido comigo, eu conseguia ver que Tae também tinha se divertido bastante e que até não conseguia conter o sorriso orgulhoso quando colocamos os sacos de lixos junto dos outros cheios no caminhão que os levaria para o posto de coleta seletiva da cidade assim que o festival acabasse.

Quando nos juntamos ao resto das pessoas na areia, de frente para o oceano e com os pés próximos da água, as bebidas começaram a ser distribuídas a todos aqueles que tinham trago o seu próprio copo, até porque não faria sentido que produzíssemos mais plástico, não é?

— O que é isso? — o tritão perguntou enquanto via uma das organizadoras do evento colocar um pouco da bebida nas canecas que eu e meus amigos tínhamos trazido. Felizmente eu lembrei de trazer uma para o rapaz de cabelos azuis que agora cheirava o líquido de cor escura que estava dentro do copo.

— É um chá que sempre é servido depois do primeiro dia de festival. — acabei cheirando a bebida também, sorrindo assim que senti o aroma adocicado. — É feito com algumas plantas e tem um tiquinho de açúcar só pra agradar as crianças, costumamos tomar pois nossos avós e os avós deles diziam que isso limparia nosso corpo e alma, quase um detox só que mais chique.

— E por que vocês teriam que fazer isso?

— Bom, o festival surgiu como uma forma de pedir ao oceano que não tivéssemos mais sacrifícios, então fazíamos oferendas com comida e bebidas, mas a mais importante sempre foi essa. — ergui o copo pra ele enquanto as pessoas ao nosso redor já começavam a beber em um gole o que tinha em seus copos. — Minha avó chama isso de “lavagem de alma” porque as lendas contam que isso conecta o oceano e os humanos por tempo suficiente para ele nos perdoar e não nos sacrificar.

Ou para saber quem ele poderia levar embora. — ele adicionou baixinho enquanto eu estava distraído, e mesmo que eu tivesse entendido algumas palavras, não pude compreender tudo o que ele tinha dito. Quando desviei o olhar do meu copo para ele, ele já tinha virado todo o líquido de sua caneca.

— O que disse?

— Nada, não disse nada. — franzi o cenho, porém acabei dando de ombros porque sentia que deveria respeitar o espaço dele, principalmente em um dia tão sensível para ele. — Chim, posso beber o seu também?

— Meu chá? Por que?

— Eu gostei. — seu sorriso quadradinho e fofo me fez rir baixinho. — Por favor, vai, talvez eu não consiga mais provar algo tão gostoso assim.

E mesmo que eu gostasse muito mesmo daquele chá e virasse o copo sempre que aquele momento chegava, não consegui resistir a toda a manha do tritão que logo tinha minha caneca em mãos e já a virava para beber todo o conteúdo. Eu não gostava de pensar no que aconteceria dali algumas semanas, achava pior ainda quando pensava em que deveria fazer para que todos os dias fossem marcantes e especiais, e ver o tritão tomando aquele chá com tanto gosto me fez pensar que, céus, não existiriam mais festivais para as sereias e o oceano, eu não teria mais alguém para quem eu dançaria sobre o palco e também deixaria de existir aquele por quem meu coração batia tão agitado e feliz.

A perda de um laço como aquele era doloroso, não ter mais quem amamos ao nosso lado é uma das piores perdas que alguém poderia sofrer, porém, naquele momento, imaginei que poderia ser melhor perder um amor do que tirar a oportunidade de alguém de viver todos os sonhos que ela sempre teve. Se Taehyung continuasse ali ele poderia conhecer mais pessoas que o adorariam, ele seria muitíssimo bem cuidado por todos os amigos que o querem bem, ele até mesmo poderia começar a desenhar e pintar e se tornar um artista incrível, então... Por que seria eu aquele a tirar essa oportunidade dele?

Eu via em seu olhar o medo de que eu fosse embora, eu sabia que aquele ciclo precisaria de alguém perfeito para que o oceano tivesse equilíbrio mais uma vez, e mesmo que ele já tivesse me dito que apenas o oceano poderia dizer quem seria o perfeito sacrifício, era impossível não suspeitar de que eu poderia me encaixar em todos os requisitos. Sei que pode parecer um tanto impulsivo, que eu não poderia simplesmente me arriscar se tudo acabaria de uma forma ruim, mas não pude evitar de dar um passo curto para mais perto das ondas que, agora, tocavam a ponta dos meus pés descalços.

Olhei para a água salgada que tocava os meus pés que ainda tinha as marcas das sapatilhas que eu tinha recém tirado, e quando ergui o olhar para o horizonte calmo respirei fundo, tentando ao máximo fazer que todo meu ser e voz chegasse até o oceano quando implorei para que ele me levasse se fosse esse o seu desejo. Eu não me importava de me sacrificar se isso fosse salvar tantas sereias, se isso fosse salvar quem eu amo, e naquele momento eu não conseguia pensar em nada além de todos os meus pedidos para que aquilo fosse possível.

Senti as ondas ficarem mais longas, molhando não apenas os meus dedos, mas todo o pé até próximo do meu calcanhar, o que me fez suspirar e fechar os olhos. Assim que a próxima onda se aproximou um tanto mais rápida, envolvendo meus pés quase como se dedos se fechassem ao redor do meu tornozelo, Taehyung segurou minha mão e me puxou para longe dali, o que me fez tropeçar um tanto e o olhar assustado pela ação repentina.

— Taetae? O que foi? — perguntei curioso enquanto o olhava, e só então percebi seus olhos arregalados e respiração acelerada. — Ei, o que é? O chá te fez mal?

— Não, eu só... — ele desviou o olhar para meus pés descalços, dando uma risadinha nervosa antes de me olhar sorrindo leve. — Fiquei com medo que você molhasse sua calça.

Olhei para minhas calças com certa preocupação porque aquele figurino tinha custado muito caro para o meu bolso de estudante desempregado, e foi um alívio perceber que não tinha o molhado, inclusive logo fiz questão de ficar o mais longe possível do mar, o que pareceu deixar o tritão mais alegre. Assim que eu estava prestes a dizer que talvez já fosse hora de voltar para casa, as grandes caixas de som espalhadas pelo festival anunciaram que já era meia-noite e que, portanto, todos deveríamos ir para casa pois o primeiro dia terminaria ali.

— Vocês vão vir nos outros dias? — perguntei para Yoongi e Jungkook porque, desde que começamos a coleta de lixo na praia, Hoseok tinha encontrado um certo alguém com quem preferiu passar o restante do festival já que ele tinha planos para aquilo há um bom tempo.

— Acho que só na parte da noite. — o mais velho respondeu enquanto guardava sua caneca e a de Kook dentro de sua mochila ao tempo que também me dava meus pertences que tinham ficado dentro de uma pequena bolsa de couro que ele tinha pego emprestado há um bom tempo. Ver a embalagem com suas telas de pintura e tintas fez o tritão abrir um sorriso. — Pela manhã e tarde é mais focado nas crianças, então queremos vir para a roda de histórias da noite.

— Quase sempre contam as mesmas histórias né?

— E quase sempre tem comida de graça, então só saímos ganhando.

Quando olhei para o mais novo, notei que ele já estava sonolento do mesmo jeito que as crianças que já faziam uma birrinha para que os pais a levassem de volta para casa. Ele poderia insistir o quanto quisesse ou até mesmo ficar bravinho por alguns minutos quando acontecia, mas era impossível não o chamar de bebê quando ele ficava tão fofo quando estava cansado e com sono, porque ele se transformava no nosso maknae tão querido o qual deveríamos proteger e impedir que ficasse até tarde jogando em stream.

Fiz alguns afagos nos cabelos um tanto longos do Jeon, deixando um beijo de boa noite em sua bochecha antes de abraçar Yoongi e dizer que nos veríamos amanhã, e, antes que eu pudesse ir embora com o tritão, ele se despediu de mesma forma que eu, o que fez com que nossos amigos ficassem bem impressionados, e digo isso não só pelos olhinhos arregalados porém muito cheios de carinho do Min, mas também pelo sorriso que cresceu nos lábios de Jungkook.

Antes que eles fizessem um estardalhaço por conta da demonstração de carinho muitíssimo fofa e que pedia por uma repetição, segurei a mão do tritão e me despedi com um leve aceno antes de começar a caminhar até o local do festival e em seguida pelo caminho que nos levaria até em casa. Como os dias de festival eram dias que acumulavam muita multidão, o policiamento por toda cidade era dobrado, então não precisávamos ficar tão apreensivos por estarmos andando tão tarde na rua com todos os pertences a mostra e pés cheio de areia.

Chegar em casa foi tranquilo porque, como meu pai ainda não tinha chegado e provavelmente estava ajudando meus avós a encerrar tudo no festival, eu e Taehyung pudemos usufruir dos banheiros e fazer um pouco de barulho, o que acabou nos rendendo algumas risadas antes de nos jogarmos na cama de casal já de banho tomado e vestindo nossos pijamas. Ambos ficamos deitados de barriga para cima, encarando o meu teto cheio daqueles enfeites infantis que brilhavam no escuro enquanto respirávamos fundo e relaxávamos o corpo de pouco em pouco.

— Você nem teve oportunidade de tirar a minha calça. — comentei antes de rir baixinho. A cama se movimentou um pouco por conta do garoto de cabelos azuis que, agora, estava deitado de lado enquanto me olhava. Correspondi ao olhar com um leve sorrisinho em lábios. — O que foi?

— Eu queria muito tirar sua calça agora.

— Bom... Eu não tô usando uma calça, tô usando um short.

— Chim, eu quero tirar toda a sua roupa, não só sua calça... Ou seu short.

Me sentei na cama e me ajeitei para que pudesse o olhar de frente enquanto tinha minhas pernas cruzadas, e não evitei olhar todo o seu corpo dos dedos dos pés até o último fio de cabelo antes de voltar a observar os seus olhos que agora não tinham o mesmo desejo esfomeado de antes, mas que continuavam com a malícia a qual eu estava acostumado.

O dia do festival já tinha passado, era quase uma hora da manhã, e mesmo com a ansiedade que me percorria todo o corpo e fazia algumas borboletas surgirem desesperadas em meu estômago, senti que talvez aquele fosse o momento certo. Não que exista um momento certo para que isso aconteça, nunca fui muito desse tipo de clichê nem nada assim, porém ali eu sentia que eu precisava dele tanto quanto ele precisava de mim, não para saciar algum desejo ou simplesmente para transar por transar, e sim porque sabíamos que era recíproco.

Nós sabíamos que não eram só nossos corações que queriam sentir que todo aquele momento e agitação eram correspondidos, mas também os nossos corpos que queriam mais um do outro, e desejavam isso com tanta fome que não havia um momento sequer em que não nos tocássemos e sentíssemos pegar fogo. Precisávamos um do outro ali, bem em cima daquela cama e exatamente naquele momento da madrugada, e decidimos nos mostrar recíprocos quando segurei sua mão e a trouxe até o cós do short que eu usava.


Notas Finais


o capítulo clareou um pouco a mente de vocês? conseguem pensar em algo que possa vir a acontecer? cof não se esqueçam que estamos a apenas 3 capítulos do final da fanfic, então atenção! dçlaskd inclusive, percebi que tenho mais pistas nos capítulos anteriores do que em tudo o que tá acontecendo no festival então cof peguem as suas anotações e tentem desvendar (enquanto eu me seguro pra não dar spoiler nenhum dçlasd)

! ! e agora quero saber algo de vocês ! ! esse final deixou um gostinho de quero mais né? então eu queria saber se vocês realmente gostariam de um capítulo com vmin se amando muitíssimo porque não consegui encaixar bem na história ;;;; então comentem pra mim se quiserem, prometo que vou me esforçar pra deixar todo mundo feliz (porque cof até comentaram pra mim que smut com tesão acumulado é mais gostoso, então Vai Que né dçalskd). caso queiram me dar ideias pra bônus, conversar sobre teorias ou só chorar por vmin, vou estar sempre no twitter (@kaigansxn) e nas mps pra conversar com vocês!

obrigada pelos comentários, por todo o amor e por ter chegado até aqui! até o próximooo! <3

link para a playlist da fanfic: https://spoti.fi/2JtNDdP
fanfic postada também no wattpad: https://www.wattpad.com/story/187187093-o-conjurador-de-mar%C3%A9s

QUER MAIS VMIN? ENTÃO SEGURA!
conto de príncipes: https://www.spiritfanfiction.com/historia/conto-de-principes-14019299/
suas videiras sob meu sol: https://www.spiritfanfiction.com/historia/suas-videiras-sob-meu-sol-14511672
chuvas de verão: https://www.spiritfanfiction.com/historia/chuvas-de-verao-11084350
entrelinhas: https://www.spiritfanfiction.com/historia/entrelinhas-11400251
cometa em órbita: https://www.spiritfanfiction.com/historia/cometa-em-orbita-11947615


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