História O Conjurador de Marés - Capítulo 14


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Kim Taehyung (V), Park Jimin (Jimin)
Tags 95line, 95z, Bangtan Boys (BTS), Jimin, Mermaid!au, Mermaid!taehyung, Mintae, Minv, Sereias, Shoreline, Short Fic, Taehyung, Taeji, Taemin, Vmin
Visualizações 34
Palavras 7.613
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Fluffy, LGBT, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


confesso que segurei um pouco pra postar, porém fizemos um combinado lá no twitter que, se me permitissem postar o capítulo no dia 3, os dois próximos (e últimos) capítulos seriam postados em semanas seguidas sem a pausa de uma semana que sempre faço, e eu cumpro todas as minhas promessas! <3

esse capítulo tem um presente especial para quem leu "conto de príncipes", mas não fazer quem não leu deixar de entender nada, ok? fiz essa parte da história com todo o carinho possível porque no final cof a gente vai dar uma mergulhada cofcof

a atualização de hoje é um presente especial para a marie, minha soulmate, que tá fazendo aniversário hoje e tinha que obrigatoriamente ser mimada porque eu sou esse tipo de pessoa sim dçaslkdjç feliz aniversário, marieeee! amo você! <3

! ! ANTES DE LEREM, eu queria avisar aqui que no sábado e domingo eu vou estar em são paulo pra ir na CCXP! então quem quiser me encontrar por lá, dar um abraço e conversar um pouquinho, pode vir falar comigo e tudo que a gente resolve até ponto de encontro lçaskjdç e é isso, não vou mais enrolar vocês! boa leituraaa! <3

Capítulo 14 - Deslizando sobre as ondas


O olhar de Taehyung no lugar que sua mão tocava parecia queimar minha pele, e se não fosse pela sua respiração ofegante por conta da surpresa, eu poderia jurar que tinha causado uma tela azul no cérebro do tritão, porque por mais que ele investisse tanto em dar um passo a mais, talvez ele não esperasse que eu aceitasse justamente naquela noite.

Acariciei as costas da sua mão, movendo-a para que ele puxasse a peça que eu vestia um tanto para baixo, deixando minha roupa íntima a mostra, e quando jurei que talvez fossemos parar por ali, o rapaz de cabelos azuis se sentou na cama e trouxe sua mão livre até meu rosto de forma que pudesse me levar para mais perto dele, o que não recusei de forma alguma já que estava tão ansioso para aquilo quanto ele estava. Assim que ele selou seus lábios aos meus, suspirei em deleite, de imediato aprofundando aquele toque por querer mais e mais a cada segundo, o que era algo completamente normal já que eu sempre queria mais quando o assunto era Tae.

A medida que os beijos esquentavam, sendo eu aquele um tanto mais cheio de fogo enquanto Taehyung aproveitava muito bem do lugar onde sua mão estava para abaixar cada vez mais meu shorts, mais o meu quarto parecia quente, e por um momento eu até pensei seriamente em fechar as janelas de uma vez e ligar o ar condicionado ou não seria só o meu corpo que entraria em chamas ali. Porém, antes que eu pudesse pensar em como conseguiria sair daquele beijo maravilhoso e ter coragem de me levantar para pegar o controle do ar, fui desaproximado e, quando abri os olhos, acabei dando de cara com um olhar fixo no meu quadril onde a peça de roupa praticamente já estava fora.

Ri baixinho e me ajeitei na cama de forma que o tritão pudesse tirar de uma vez o meu shorts, o que ele pareceu aproveitar muito já que tinha os olhos fixos em minhas coxas do mesmo jeito que aconteceu naquele dia na piscina natural entre as pedras. Agradeci muitíssimo pela minha mente cansada ter tido a capacidade de conseguir escolher uma cueca apresentável antes do banho gelado que eu tinha tomado ao chegar em casa, ou eu provavelmente estaria passando uma baita de uma vergonha ali já que eu tinha cuecas estampadas mais do que cuecas de cores lisas e bonitas.

Ter uma peça da minha roupa tirada não foi algo bom só pelo momento quente e cheio de mãos, mas também porque estava realmente muito calor e aquilo, de certa forma, aliviava um tiquinho de toda quentura que me fazia ter vontade de me despir de uma vez. Falando em despir, provavelmente era isso o que Tae pensava em fazer enquanto me olhava, porque era impossível não perceber em seu olhar o desejo de tirar tudo o que me vestia, o que também pode ser lido como “Ele me secava intensamente” porque eu quase chegava a me sentir desidratado com a intensidade daquele olhar em meu corpo. Eu gostava de como ele parecia curioso e perceber isso em seu olhar me fez sorrir enquanto o observava, atento ao o que ele faria em seguida.

Assim que suas mãos se aproximaram da barra de minha camiseta, segurei seus pulsos e o olhei com um sorriso leve antes de aproveitar que eu estava sentado sobre minhas pernas e roubar-lhe um beijo.

— Não vá com muita sede ao pote, Taetae. — murmurei pertinho de seu rosto, sentindo nossos lábios roçarem enquanto eu falava, antes de trazer suas mãos até meu quadril ao que eu me sentava sobre suas pernas, o que foi uma posição bem melhor para nós dois já que eu estava praticamente ajoelhado ao lado dele enquanto nos beijávamos. Quando eu estava devidamente sentado onde queria, deslizei suas mãos até minha bunda, apertando-as um tiquinho ali para que ele entendesse a mensagem de que poderia se aproveitar o quanto quisesse daquela parte que ele gostava tanto.

— Você me deixa tão sedento que é impossível não ir com sede ao pote, Chim. — o senti roçar o nariz por meu pescoço, e não consegui conter o arrepio quando ele deixou um beijo leve e carinhoso em minha pele.

— Quem sabe a sua sede não te ajude a aproveitar cada gotinha, hum? — e aquelas palavras pareceram suficientes para ele, já que suas mãos em meu corpo pareceram me explorar com um tanto mais de calma e seus beijos delicados em meu pescoço ficaram mais lentos. — Nós temos todo um mês para isso, Tae. — sussurrei enquanto permitia que minha destra acariciasse seus cabelos. — Não precisa de tanta pressa se vou estar aqui todos os dias te desejando tanto quanto você me deseja.

Senti que suas mãos pararam com as carícias junto dos beijos que já não aqueciam minha pele, e por conta disso olhei para Taehyung que me encarava com um sorrisinho leve em lábios. Estando ali, sobre o seu colo e o olhando daquele ângulo, eu notava como seu olhar buscava por qualquer detalhe em meu rosto, como se ele precisasse decorar cada poro de minha pele para que soubesse todos os lugares que deveria beijar depois, e quando uma das suas mãos deixou de tocar meu quadril para acariciar meu rosto, soube que todo aquele seu fogo já não estava mais tão presente assim.

Eu estava bem ansioso para aquele momento, na verdade eu já tinha imaginado isso várias e várias vezes antes de chegarmos a esse ponto, porém eu sabia o quanto o festival cansava a qualquer um, e o tritão parecia tão exausto quanto as crianças que se divertiam nas barraquinhas durante toda a tarde. Sabia que ele me queria tanto quando eu o desejava, no entanto ambos também sabíamos que teríamos tempo o suficiente para nos aproveitarmos sem estarmos previamente cansados ou com a mente cheia de coisas nas quais, definitivamente, não queríamos pensar durante o sexo.

Inclinei minha cabeça em direção a mão do tritão enquanto ele acariciava minha bochecha e acabei rindo quando notei que ele suspirava do jeitinho que alguém fazia quando tentava conter um bocejo.

— Você tá cansado, né? — perguntei baixinho enquanto o olhava, não conseguindo evitar meu sorriso leve quando percebi sua expressão um tanto cansada, por mais que eu ainda pudesse enxergar ali a malícia cuja presença eu já tinha me acostumado quando estávamos dentro do meu quarto.

— Um pouco... Acho que o festival foi exaustivo demais para um tritão que não é acostumado a ser um humano. — ele passou seu polegar pela minha maçã do rosto em uma carícia leve antes de trazer seu toque até meu lábio inferior, e permiti que ele sentisse um pouco da macies daquela parte antes de abrir minha boca e lamber seu dedo, o que o fez desaproximar a mão na mesma hora enquanto ria de nervoso. — Chimchim!

— O que? — ria enquanto o olhava, sem deixar de fazer os carinhos em sua nuca onde os cabelos já estavam um tanto maiores comparado a quando nos conhecemos. — Deixar esse seu dedo perto da minha boca é um perigo.

— Virou um canibal é? — brincou.

— Não, eu só gosto de usar minha boca do jeito certo.

E eu sei que tudo tinha uma certa tensão, que também pode ser lida como “tesão”, mas aquele momento parecia leve entre nós dois, como se todo um ato como aquele não envolvesse só a malícia e um desejo sexual, mas também os sentimentos que carregávamos no peito e que pesavam cada vez mais a ponto de querermos gritar aos sete ventos tudo o que sentíamos. Taehyung já tinha me dito o que sentia, eu me lembrava bem do momento em que ouvi aquelas palavras escapando por seu lábios, e não que algumas coisas tenham o tempo certo para serem ditas ou ouvidas, mas eu sabia que quando fosse para acontecer, eu diria porque eu sei que chegou em um nível em que eu não poderia negar o quanto o amava.

Claro que estarmos juntos era algo novo, até mesmo recente para alguns, mas a nossa ligação, aqueles olhares e toda a nossa sintonia não me permitia pensar que eu não estava completamente apaixonado. Meu coração batia acelerado, quase em desespero, quando ele me olhava daquele jeitinho com seu amor e desejo misturados de forma tão sutil enquanto ele revezava o olhar entre minha boca e meus olhos, ou até mesmo do jeito mais na cara possível quando eu sentia sua outra mão apertando minha bunda sem pudor algum, e naquele momento eu jurei que poderia explodir com todo aquele amor acumulado em meu coração tão fraco por Kim Taehyung.

— Nós podemos dormir agora, Chim? — perguntou enquanto acariciava o local onde tinha apertado com certa força momentos atrás.

— Claro que podemos, Taetae, pra isso você nem precisa me perguntar.

— Você não vai ficar bravo?

— Por que eu ficaria?

— Sei lá, o Jungkook me falou hoje que você gosta de momentos românticos nas preliminares do sexo e agora eu imaginei que fosse acontecer, mas eu estou tão cansado... — ele suspirou e deslizou a mão que estava em minha bunda por minha coxa, criando um caminho imaginário com seus dedos longos. — Eu te decepcionei?

— Tae... — acabei soltando uma risadinha nasalada antes de levar minhas mãos que estavam em sua nuca até seu rosto, o qual segurei entre elas enquanto o olhava sorrindo. — Você não precisa criar um clima ou um momento, isso vai acontecer do nosso jeito e no nosso tempo, sem nenhuma pressa ou obrigação de ser perfeito.

Deixei um beijo leve em seus lábios, o que o fez fechar os olhos por um tempinho durante o contato simples daquele selinho. Quando o olhei novamente, percebi que ele sorria de um jeito mais sincero, como se estivesse aliviado, e isso pareceu me deixar mais calmo diante de toda aquela situação, porque não era como se um momento daquele tivesse que ser milimetricamente planejado para ser perfeito. Eu sabia que aconteceria, inclusive tinha a perfeita noção de que aconteceria logo, mas uma transa não precisava de ensaios ou uma lista do que fazer, porque independentemente de como fosse, eu sabia que seria algo nosso, com nossos corpos como são, nosso desejo sincero e nosso amor que era único e recíproco.

— Além do mais... — comecei enquanto saía de seu colo, me sentando ao seu lado na cama. — Eu também estou cansado, acho que eu poderia dormir para sempre.

— Vou poder te abraçar enquanto dormimos?

— Eu só preciso pegar meu shorts antes.

Que?! Nada disso, Chim! — então ele me agarrou pela cintura e me deitou junto dele, rapidamente me envolvendo com seus braços e pernas para que eu não pudesse sair dali de jeito nenhum. — Dorme assim, vai, quero muito poder ficar enroscado nas suas pernas.

— Mas isso você já faz.

— Oi? O que? Nossa, acho que não ouvi o seu argumento ótimo porque eu tô com taaaanto sono.

Não consegui segurar a risada quando ele me trouxe para ainda mais perto do seu corpo, porém dessa vez permitindo que nós dois nos ajeitássemos direitinho na cama para que ninguém ficasse desconfortável no momento de dormir junto.

Eu sentia a exaustão tomar conta de todo o meu corpo, não só por termos andado muito e eu ter me apresentado, mas também porque até mesmo o nosso mental pode trazer certo cansaço físico, e imaginei que fosse esse o caso. Sempre fui muito resistente a qualquer exercício físico, meio que dançar e praticar alguns esportes desde criança acaba fazendo isso com o seu corpo, e é claro que eu sempre me cansava bastante quando me apresentava ou ficava muito tempo andando e me divertindo, mas naquele momento parecia diferente das outras vezes, como se minha cabeça estivesse tão cheia que isso afetava diretamente todo o meu corpo. Foi por conta de todo esse cansaço que me permiti relaxar nos braços do tritão.

— Tae, você disse que o oceano sempre canta aquela música na hora de dormir né? — perguntei enquanto segurava uma das suas mãos, logo entrelaçando nossos dedos.

— Sim, ele sempre faz isso.

— Você canta pra mim quando ele começar a cantar também?

Percebi que ele ficou em silêncio por um momento, quase que ponderando se isso seria realmente possível, porém quando eu estava prestes a dizer que ele poderia não fazer se não quisesse, ele se ajeitou um pouco melhor atrás de mim e começou a cantarolar baixinho a melodia do início da canção antes de começar a cantar a letra que eu conhecia tão bem. Então, com sua voz baixa e sonolenta a cantar para mim, acabei adormecendo e tive uma das melhores noites de sono de todas.

Naquela noite não tive nenhum sonho, dormi tão tranquilamente que meu corpo pareceu não permitir que eu perdesse um tanto mais de minha energia ao sonhar com tudo o que me atormentava nos últimos dias. Tive uma noite tranquila, sem qualquer sensação de estar no lugar errado ou qualquer chamado que me acordava durante as noites, e quando acordei na manhã seguinte acabei percebendo que, enquanto dormia, tinha me movido na cama de forma que eu estivesse de frente para o tritão com os meus braços ao redor de seu corpo.

Nós acordamos tarde naquele dia, o sol já estava alto no céu e os passarinhos já tinham deixado de cantar próximo da minha janela. Como era um dia tranquilo de festival, onde as programações do dia eram focadas principalmente nas crianças, não me preocupei muito com o fato de estarmos deitados ali durante tanto tempo enquanto pessoas já festejavam a algumas quadras de distância da minha casa, porém mesmo que tivéssemos toda a tarde livre antes de sair, não queria que Taehyung perdesse o dia na cama, e por isso mesmo acabei o acordando.

Assim como todas as manhãs, ou, nesse caso, tardes, ele acordava de um jeito tão fofo que era quase impossível resistir a vontade de permitir que ele continuasse ali pelo resto do dia, mas reuni todas as minhas forças quando o balancei um pouco sobre a cama, o chamando baixinho até que ele abrisse os olhos e fizesse aquele biquinho emburrado que eu amava. Eu conseguia ver em seu olhar o quanto ele estava sonolento e provavelmente não queria sair dali, porém assim que tentei sair de seus braços, ele acordou por completo, quase que desesperado por não querer me deixar sair dali.

Nossas manhãs já começavam a ser uma rotina, não daquelas do tipo chatas e das quais a gente se cansa, e sim uma em que parece simplesmente o certo a se fazer. Tínhamos criado uma boa sintonia pelas manhãs, tipo quando os seus pais já sabem exatamente o que fazer logo cedo passo a passo para conseguir sair de casa a tempo, e por isso quando descemos para a cozinha já tínhamos tomado banho, estávamos devidamente trocados e meu quarto e banheiro estavam muito bem organizados.

Como o café da manhã era uma das minhas refeições favoritas, eu não hesitava em mostrar para Tae tudo o que aquela refeição poderia ser, então fiz questão de fazer uma boa quantidade de comida para que pudéssemos passar o restinho da manhã e uma parte da tarde sem o estômago roncando ou querendo comer qualquer besteira na rua porque, mesmo que junk food fosse algo ótimo, eu não queria deixar de lado a minha alimentação saudável e acabar com o estômago da minha alma gêmea.

Nosso café da manhã foi maravilhoso, pudemos comer e conversar bastante sobre o festival, e como meu pai já tinha saído de casa para ajudar meus avós na barraquinha que eles tinham na tal festa, pudemos ficar bem tranquilos dentro da cozinha, sem qualquer medo de um pai curioso demais sobre o que conversávamos ou o que tínhamos feito na noite anterior depois de chegarmos em casa.

— Bom, nós temos algumas horas antes de ir para o festival comer de graça e ouvir histórias. — comecei a falar assim que comecei a guardar as canecas em seu devido lugar junto de todo o restante da louça que tínhamos lavado. — Tem alguma coisa em mente sobre o que podemos fazer durante esse tempo?

Vi que ele pendurava o pano de prato que tinha usado para secar a louça quando parou para pensar um pouco na resposta para a minha pergunta. Não é como se eu tivesse ficado sem ideias do que mostrar para o tritão ou de lugares que eu sabia que ele adoraria ver, mas acho que mais importante do que eu imaginar o que ele gostaria de conhecer, era saber pela sua boca o que ele desejava descobrir na vida dos humanos; talvez tenha sido por esse detalhe que ele sorriu tão animado.

— Eu ainda não usei as telas e tintas que ganhei no festival...!

E daquela forma, com uma sugestão tão simples que veio acompanhada de um olhar pidão, já tínhamos decidido o que iríamos fazer durante a tarde. Como Tae parecia muito animado para aquele momento, o que provavelmente esperava desde que eu tinha mencionado de ele poder tentar depois de vermos as paredes do bloco de artes da minha faculdade, nos apressamos para conseguir colocar tudo dentro de uma das minhas mochilas e sair de casa com a missão de procurar um lugar em que poderíamos ter uma sombra, calmaria e um bom cenário que o inspirasse para tudo o que iria pintar sobre a tela.

A princípio eu imaginei que o tritão gostaria de ter o oceano por perto quando fosse fazer sua primeira pintura, não só pelo motivo óbvio daquela ser sua casa, mas também porque o lugar poderia trazer uma calmaria boa de se sentir em um momento criativo, porém ele me surpreendeu ao me puxar para longe da praia quando tentei ir até ela. Notei que ele parecia um tanto apreensivo, como se algo o preocupasse demais naquele dia, mas como ele não parecia disposto a falar sobre aquilo, acabei deixando que o silêncio pairasse entre nós enquanto ele me levava até uma pracinha que tinha em meu bairro e pela qual passamos algumas vezes no caminho de voltar para casa.

Aquela praça era bem pequena, porém era uma das mais antigas daquela região, tanto que eu tinha diversas lembranças da minha infância que envolviam aquele lugar, e acho que ver as muitas árvores, flores e crianças animadas no parquinho acabou fazendo daquele o local perfeito para uma tarde de pinturas ao ar livre.

Nos ajeitamos na sombra de uma das árvores ali, e confesso que eu tinha ido bem equipado porque pude estender uma toalha de mesa velha no chão para que conseguíssemos nos sentar na grama e apoiar tudo o que íamos precisar para pintar. Claro que eu não arriscaria muita coisa, na verdade acho que na maior parte do tempo eu ficaria olhando o que o tritão estava desenhando, então não me preocupei muito quando encostei minhas costas no tronco da árvore e relaxei sob a sombra fresquinha que ficava ainda melhor quando a brisa remexia algumas folhas do meu caderno que estava aberto em cima do meu colo.

— O que pretende desenhar primeiro? — perguntei curioso para Taehyung que já tinha uma das telas apoiada na mochila e começava a separar as aquarelas que usaria tal como os pincéis.

— Não sei... Nunca tentei nada assim e acho que não conseguiria fazer igual as paredes da sua universidade.

— Você não precisa fazer algo igual ao o que tinha naquelas paredes. — falei enquanto pegava um lápis do estojo que tinha trago, o que chamou a atenção do tritão. — Cada artista tem o seu jeito de ver e interpretar o mundo, assim como cada um também tem o próprio jeito de colocar isso no papel. Por exemplo... — então desenhei um coração no caderno que tinha em meu colo. — Tá vendo esse desenho? É o meu jeito de fazer um coração, mas se você fizer...

Entreguei o lápis para ele para que fizesse o desenho, o que ele fez ao lado do meu de um jeito fofo e cem por cento parecido com ele, já que uma das partes do coração acabou ficando um tanto maior do que a outra e ele arriscou até mesmo desenhar uma boquinha carnuda e dois olhinhos dentro da forma. Sorri ao ver ambos os desenhos lado a lado.

— Viu só? Sua forma de interpretar foi completamente diferente.

— Mas não é tão bonito...

— O que importa para a arte não é a sua beleza, Taetae, e sim o que você quer passar com ela, seja uma mensagem ou um sentimento. — levei minha mão até seu peito, exatamente onde seu coração batia, e sorri maior quando notei a forma com a qual ele me olhava, como se eu estivesse ensinando algo enorme ali. — E eu tenho certeza de que você tem muito a dizer com tudo o que tem guardado aí dentro, então tenta dar uma chance para a mensagem que seu coração quer passar para o mundo.

Taehyung pareceu pensar por um momento, como se tentasse organizar ideias e pensamentos para que conseguisse começar sua arte, e assim que ele se sentiu preparado o suficiente para isso, segurou minha mão que continuava a sentir seu coração para beijar a palma dela com delicadeza antes de partir para as suas tintas e telas que, eu tinha certeza, se sentiriam honradas por serem o local criativo de alguém tão incrível. Como momentos de inspiração devem ser apreciados sozinho quando necessário, não fiquei espiando o que o tritão fazia, na verdade até aproveitei a oportunidade para rabiscar algumas coisinhas no meu caderno de desenho que eu não tirava da gaveta há muito tempo.

O tempo passava calmo, diferente de todas as crianças animadas que subiam e desciam nos brinquedos do parquinho e que às vezes chegavam a nos espiar com curiosidade já que, em certo ponto do dia, Tae já tinha as mãos cobertas de tintas coloridas e duas telas esperando secar. Nós não precisamos conversar muito ali, toda a tranquilidade parecia mexer com a nossa criatividade, e eu esperava que continuássemos assim por um tempo a mais se eu não tivesse visto dois pezinhos calçados com tênis de uma personagem joaninha pararem bem na nossa frente; quando ergui o olhar, notei uma menininha de sorrisinho quadrado nos olhando curiosa.

— Oi, tios! — ela cumprimentou animada enquanto observava todos os materiais de desenho. — Vocês são artistas?

— Eu não, mas ele é. — apontei para o tritão que, agora que tinha olhado para a criança, sorria completamente encantado, o que eu entendia já que aquele sorriso quase que instantaneamente nos trazia uma certa vontade de dar o mundo para a pequenina.

— É verdade mesmo? — ela perguntou impressionada, logo se agachando em frente as telas que já estavam quase secas. — Você tem um nome de artista? Papai me disse que gente que faz arte costuma ter um nome diferente.

— Você tem um? — o rapaz de cabelos azuis perguntou.

— Hum... Não, mas o papai sempre me chama de “princesa”, então acho que é um bom nome artístico.

— E qual é o seu nome? Podemos criar um nome artístico juntos.

— É Dahyun!

Porém antes que Tae pudesse sequer pensar em algum nome artístico, ouvimos o nome da garotinha ser chamado a distância, o que a fez virar para trás e acenar brevemente, como se pedisse para que o casal de homens, o qual não conseguíamos enxergar direito por conta da distância, esperasse um pouco. Quando ela virou de novo para o tritão, apontou para um detalhe em um de seus desenhos.

— Você sempre coloca esse “V” nos seus desenhos, tá vendo? — então o sorriso quadradinho apareceu mais uma vez. — Então eu posso ser a princesa Dahyun e você o príncipe V.

— Eu gosto de príncipe V. — notar como o sorriso de ambos era parecido acabou me fazendo rir baixinho enquanto assistia aquela interação fofa. — Somos uma dupla de artistas então?

— Isso! Aí podemos brincar no palácio do escorrega juntos e... — antes que ela pudesse terminar de nos contar os planos que já tinha em mente, ouvimos seu nome ser chamado mais uma vez, o que a fez levantar de onde estava. — Eu tenho que ir, príncipes, mas vou pedir para os meus papais me trazerem de novo, tá?

— Seus pais também são príncipes? — perguntei curioso antes que ela fosse.

— São os mais incríveis de todos os príncipes!

Observar a pequenina correndo para longe, mais especificamente para os braços de seus pais que a esperavam do outro lado da praça, me fez pensar por um momento porque, céus, não era estranho que um momento daquele me parecesse tão familiar? Não que eu costume ter contato com crianças dessa forma, principalmente meninas de sorriso quadrado que cativam qualquer um, mas passar por todo aquele momento me fez ter uma breve sensação de deja vu que não parecia querer me deixar em paz, e eu provavelmente teria passado mais tempo pensando naquilo se eu não tivesse sentido toda a minha espinha congelar.

Sei que seria super poético dizer que eu tinha lembrado de algo sobre aquele assunto e que meu corpo teve toda uma reação, mas não foi bem isso que aconteceu. Pra falar a verdade, eu até preferiria que fosse algo relacionado com lembranças porque era melhor a mente ter uma epifania do que um maknae colocando cubos de gelo pela gola da sua camiseta. Dei um pulo no meu lugar ao arrepiar por conta do toque gélido, e, assim que me virei, notei que Jungkook ria a ponto de quase cair no chão.

— Ai, que saco, Jungkook!

— Desculpa, hyung. — ele pediu enquanto continuava a rir, o que me fez inflar as bochechas em irritação porque aquele pedido de perdão claramente era da boca pra fora. — É que você parecia um peixe fora d’água com a boca arreganhada e os olhos arregalados, não consegui evitar.

— Engraçadinho. — tirei os gelos que tinham ficado presos em minha camiseta para jogá-los no mais novo que já tinha se adiantado para me abraçar e deixar um beijinho no topo da minha cabeça. — Não era pra você estar no festival agora?

— Bom... Era, mas não quis ficar sozinho por lá, então perguntei de você para o seu pai e ele disse que você não devia estar longe de casa.

— Jungkook, você andou o bairro todo só pra me procurar? — arregalei os olhos assim que ele assentiu. — Você não sabe o que é celular não?

— Você quis dizer tijolo né? Porque, não sei se você lembra, mas o seu celular morreu afogado, inclusive que ele descanse em paz. — ele me empurrou para que pudesse sentar entre eu e Taehyung na toalha que tínhamos sobre a grama, até aproveitou o lugar em que estava para que pudesse espiar um pouco o que o tritão pintava animadamente sobre a terceira tela. — Mas enfim, andar não foi um problema, eu bem que precisava de um exercício físico além dos meus dedos jogando League of Legends e Overwatch.

— Você vai pra academia todo dia.

— Detalhes, Jimin, detalhes... — o maknae deu de ombros e enfim focou toda a sua atenção na tela que estava quase toda preenchida de tintas bem coloridas e vibrantes, o que o tirou um sorriso. — E você, hyung, o que está pintando?

— Minha interpretação do mundo. — o tritão respondeu simplesmente, deixando os pincéis de lado por um momento para que pudesse fazer uns detalhes com seus dedos longos e muitíssimo hábeis.

Como ele tinha me pedido para que eu apenas visse tudo quando estivesse pronto, voltei a atenção para o meu caderno onde eu tinha feito alguns desenhos despretensiosamente, como aqueles desenhos que a gente acaba fazendo enquanto tá conversando com alguém no telefone, sabe? Meu caderno estava cheio de alguns rabisquinhos de peixes, vegetação submarina e caudas longas de sereias porque, desde que Tae tinha me contado sobre a variedade de tamanhos e tipos delas, eu não conseguia parar de pensar em todas as possibilidades, então foquei por um momento naquilo para que pudesse finalizar o desenho pelo menos com uma caneta de tinta preta que tinha no meu estojo.

Jungkook acabou apoiando sua cabeça no ombro de Taehyung para que pudesse observar melhor o que ele fazia, e como eu já sentia meu estômago começando a roncar enquanto assinava o desenho que tinha feito no caderno, acabei me ocupando em tirar da mochila algumas das comidinhas que tínhamos trago para caso sentíssemos fome durante aquela tarde cheia de arte. Por conta da minha avó estar ajudando no meu festival junto do meu pai, nós tínhamos comida de sobra na geladeira as quais eles acabavam deixando para o monstrinho comilão de casa, também conhecido como eu mesmo, e por isso eu felizmente consegui trazer lanches, garrafinhas com suco e até uns doces que eles não tinham vendido no durante o festival no dia anterior.

A quantidade que eu tinha trago felizmente dava para três pessoas comerem tranquilamente, e o mais novo pareceu muito aliviado por termos comida por ali, o que melhorou muitíssimo quando ele soube que minha avó quem tinha preparado a maioria do que estava ali, porque ele provavelmente era o maior fã das comidas da senhora Park (e provavelmente o que mais gastava dinheiro com as marmitas que poderiam ser entregues em casa).

Por mais que eu quisesse muito ver os quadros que o tritão tinha pintado, ele impediu que eu visse antes de comermos, e por isso acabamos fazendo meio que um piquenique por ali enquanto observávamos crianças chegando e irem embora para brincarem no escorregador e outros brinquedos que o parquinho tinha. E sei que vocês estão tão curiosos quanto eu em relação aos quadros, mas é incrível a brincadeira que a vida faz com a nossa cara quando a gente quer muito algo né? Principalmente quando o assunto é um tritão teimoso, porque em toda oportunidade que eu tinha de ver os quadros, ele estava atento o suficiente para esconder tudo de mim a tempo.

Quando terminamos de comer e limpamos toda a sujeira que tínhamos feito, o sol já começava a se pôr, o que indicava que aquele era o momento de irmos para o festival pois a roda para contar histórias começava assim que o céu estava completamente escuro. Eu bem que insisti para que eu visse as pinturas logo porque eu estava a muito pouco de começar a implorar de joelhos, mas o tritão logo guardou tudo dentro da mochila e disse que me mostraria apenas quando chegássemos em casa, o que eu acabei acatando já que as histórias não demoravam tanto e talvez fosse até melhor ver as primeiras obras dele quando estivéssemos sozinhos, certo?

— Que tipo de histórias contam lá? — Tae perguntou assim que começamos a caminhar em direção ao local onde o festival acontecia, o que sabíamos que não ia demorar muito já que estávamos até que pertinho de lá.

— Histórias sobre o oceano, nossos antepassados e o que criou esse evento que acontece todo ano. — o mais novo acabou explicando enquanto escrevia algo no boomerang que tinha acabado de fazer para postar no Instagram. Notei que, naquele dia, ele tinha os cabelos um tanto longos presos em dois coques e, se eu ainda tivesse meu smartphone, tenho certeza de que todos os stories do garoto seriam mostrando aquele penteado que ele tanto gostava. — Eu já ouvi as histórias várias vezes, todo ano vou pela comida, sabe? Mas acho que vai gostar, Tae.

— Sério? Por quê?

— Porque tem uma história sobre sereias e acho que vai ser engraçado te ver emburrado por ser algo totalmente diferente da realidade.

— É tão diferente assim?

— Eles dizem que vocês comem gente.

— Tipo canibalismo né?

— É, ué...

— Ainda bem...

— Por quê? Pensou no outro jeito?

O silêncio do tritão acabou respondendo tudo, e eu provavelmente teria ficado bem envergonhado com toda aquela situação se não tivesse notado a forma com que ele me olhava, quase como se para perguntar se tudo bem algo daquele tipo acontecer e termos aquele assunto em uma conversa. Eu não sabia o motivo de ele ficar tão hesitante quando o assunto envolvia sexo, digo, claro que deve ter sido porque eu já fiquei muito envergonhado quando mencionavam aquilo, mas não era como se eu não pensasse em sexo, principalmente sexo com ele; então, meio que para responder a sua pergunta, acabei levando minha destra até o bolso traseiro da calça jeans que ele usava, a deixando ali por um tempinho enquanto caminhávamos, o que acabou tirando dele um sorrisinho pequeno.

Como estávamos bem perto do local do festival, não demoramos mais do que dez minutos para chegarmos lá, e quando vimos a grande quantidade de pessoas por ali acabamos nos animando e minha mão no bolso do Tae deixou de ser uma provocação leve para ser um jeito de não nos separamos no meio das pessoas que continuavam a aproveitar as brincadeiras e comidas. Já que não eram muitas as pessoas que se animavam para as histórias contadas ao redor da fogueira, quando enfim chegamos ao lugar onde isso aconteceria, não tinham muitos bancos ocupados, e por isso conseguimos um bom espaço para assarmos marshmallows.

Já que uma fogueira não era algo muito seguro, principalmente quando rodeado de gente, aquela parte do festival acontecia na areia da praia, longe o suficiente das ondas para ninguém correr perigo perto do oceano, mas perto o suficiente para que pudéssemos sentir sua presença. Algumas pessoas já estavam começando a se organizar por ali, principalmente aquelas que já tinham trago os próprio sacos de marshmallows, então quando as comidas começaram a ser distribuídas em porções para cada um, fomos os primeiros a pegar um tanto para nós por mais que já tivéssemos comido bem durante a tarde na praça.

Tudo era bem simples, sabe? Tipo comer algo que você está acostumado a comer todos os dias, mas ao mesmo tempo tinha um toque a mais, um tempero diferente que sempre nos fazia voltar ali todos os anos para ouvir as mesmas histórias. O aroma do prato fez com que o tritão olhasse para aquilo com uma atenção que só foi quebrada quando Yoongi chegou junto de Hoseok e Namjoon que tinham as mãos dadas.

Eu já sabia que meu amigo estava com Namjoon no dia anterior, e mesmo que tenha sido uma surpresa para os garotos que os dois já parecessem ter uma sintonia instantânea, não era nada surpreendente pra mim que Hoseok estivesse todo sorrisos enquanto segurava a mão do músico que já tinha ouvido falar várias vezes sobre ele por bocas alheias, bocas estas que se resumem só a minha. Os dois combinavam bem, como se fosse feito para ser, e me trouxe um calor no peito notar como eles pareciam determinados a fazer aquilo funcionar.

Como tinha espaço suficiente para todos, nos organizamos de um jeito que todo mundo pudesse comer junto e principalmente pegar os marshmallows do saco enorme que os mais velhos tinham trago, e, quando mais pessoas chegaram, nos acomodamos melhor para poder ouvir a primeira história sobre sereias e tritões que a contadora de histórias da cidade adorava. Nós ouvíamos tudo com atenção, desde os momentos mais calmos onde a sereia se apaixonava por um humano até a parte em que ela o salvava de se afogar, e mesmo que aquele conto fosse só um plágio terrível da Ariel e toda sua aventura de amor, eu e meus amigos acabamos nos emocionando nas mesmas partes de sempre.

Os contadores de história revezavam para contar histórias curtas enquanto as pessoas chegavam e terminavam de comer a refeição simples e gratuita, e foi quando as histórias longas e boas mesmo começaram que eu sugeri para Jungkook que deveríamos começar a assar os marshmallows, e eu estava pronto para começar a assar o meu primeiro quando olhei para o lado e notei que Taehyung ainda não tinha comido a porção de comida da qual se serviu quando chegamos.

— Ei... — o chamei baixinho enquanto me aproximava um tanto mais, o que o fez olhar para mim com atenção. — O que foi? Não gostou?

— Não, eu só... Estou cheio.

— Conta outra, Taetae, você nem comeu muito lá no parque só para ter espaço para comer aqui. — dei um leve empurrãozinho nele com o meu ombro, o que acabou o fazendo sorrir fraquinho. — Tem alguma coisa te incomodando? Você quer ir para casa?

— Não seria muito chato ir agora?

— Claro que não, Tae, os garotos vão entender. — peguei o prato dele para que pudesse deixar de lado junto do meu e segurar suas mãos entre as minhas, o que na verdade nem funcionava tão bem porque as mãos dele eram grandes se comparadas as minhas. — Quer ir agora?

Ele suspirou fundo, olhando para todas as pessoas ao nosso redor e nossos amigos antes de voltar sua atenção para mim e assentir em resposta. Mesmo que eu gostasse muitíssimo de ouvir aquelas histórias e dividir marshmallows com os meus amigos, eu sabia que já tinha tido aquilo por tempo suficiente para poder faltar pelo menos durante um ano, e todos eles pareceram entender já que tiveram a ousadia de comemorar o fato de que sobraria mais marshmallows para eles, o que achei terrível porque a história deles de eu roubar todos aqueles doces era uma total calúnia, ok?

O tritão se levantou comigo e colocou a mochila que carreguei durante todo o dia nas costas, e antes que nos despedíssemos dos garotos acabei sorrindo confiante para ele, mesmo que eu não soubesse bem para o que ele parecia precisar de confiança. Depois de eu falar que teríamos que voltar para a casa, aproveitei para roubar alguns marshmallows do potinho que Jungkook segurava porque aquela seria a vingança certa por ele comemorar minha ausência naquela noite.

Como o festival continuava lotado de gente, eu e Tae decidimos que seria melhor caminharmos pela areia até minha casa porque nós, definitivamente, não estávamos nem um pouco afim de passar no meio de tanta gente acumulada em um mesmo lugar, sem contar que caminhar por ali poderia acabar sendo mais rápido por não termos que dar toda uma volta, então era só vantagens né?

A princípio caminhamos um pouco calados, apenas sentindo a areia sob os nossos pés, mas eu sentia que alguma coisa parecia errada e por isso, quando já estávamos longe de toda a multidão e da festa, segurei a mão de Taehyung para que ele parasse um pouco de andar, o que ele fez com um pouco de hesitação.

— Agora que estamos sozinhos, você vai me contar o que tá sentindo?

— Eu não tô sentindo nada, Chim, tá tudo normal. — ele engoliu em seco assim que notou minha expressão de descrença para o que ele tinha acabado de dizer, e logo o vi respirar fundo e soltar o ar devagar. — Eu tenho sentido algo estranho desde ontem, como se eu devesse ficar alerta o tempo todo, e estar lá parecia perigoso demais.

— O oceano não te disse nada?

— Ele nunca esteve tão silencioso, Chim, e olha que ele é um baita de um tagarela dentro da minha cabeça quando quer. — mais uma vez um suspiro pesaroso, porém esse me preocupou o suficiente para que eu ficasse de frente para o tritão que agora tinha a mão ocupada em tirar de dentro da sua camiseta o colar que, eu tinha notado, ele sempre usava desde que tinha vindo para a terra. O pingente era parecido com o do colar que minha mãe tinha deixado para mim, porém tinha aparência mais nova, como se aquela forma tivesse sido moldada recentemente. — Eu imaginei que fosse por eu estar cansado do festival, mas parece que é algo a mais e ele nunca me conta nada.

— Talvez ele só esteja te dando um pouco de espaço enquanto está na terra, não acha? Provavelmente ele deve compreender e permitir que você fique aqui do jeito que preferir e sem intervenções.

— Esse que é a questão, Chim, o oceano sempre intervém.

As ondas pareceram quebrar com mais força na areia, quase como socos revoltos de alguém, e por mais que eu quisesse checar se esse era mesmo o caso – porque não dá para não suspeitar de algo estranho quando sua vida foi virada de cabeça para baixo –, mantive meu olhar fixo no tritão que agora me olhava preocupado, quase como se eu tivesse um alvo bem no meio da minha testa e ele estivesse se preparando para entrar na frente de qualquer atirador que aparecesse de surpresa por ali.

Eu não tinha contado nada para ele, não tinha dito sobre ter pensado seriamente em me sacrificar ou até mesmo na forma como o oceano parecia me chamar sempre que eu estava sozinho, mas com aquele olhar eu quase pude jurar que ele tinha suspeitas muitíssimo certeiras, e por mais que eu soubesse que ele sofreria só por imaginar que eu pensava naquela possibilidade, eu também tinha medo de que ele soubesse o suficiente e me impedisse quando o momento chegasse.

As consequências daquele sacrifício poderiam ser enormes, desde Taehyung sentir minha falta pelo resto da sua vida até eu realmente não ser o humano correto para isso e no fim morrer sem aproveitar um mês completo, entretanto eu estava muito certo sobre minha decisão. Eu precisava fazer aquilo por ele, precisava fazer aquilo por todos os inocentes que poderiam partir quando junho terminasse.

— Vai ficar tudo bem, Taetae. — sorri para ele assim que coloquei minha mão sobre a sua, o que pareceu o acalmar um pouco. — Talvez isso seja para o melhor.

— Não deveria ser dessa forma, não faz sentido, e se ele achar que...

— Ei, relaxa... — o interrompi ao colocar meu indicador sobre seus lábios, o que ele aceitou e tomou como um convite para que pudesse aproximar seu corpo do meu. Levei minha mão para a sua bochecha, deixando uma carícia leve enquanto o observava com carinho. — Nada de ruim vai acontecer, eu prometo.

— E como você pode saber, Chim? Por que você fala como se tivesse certeza de algo?

Porque eu não vou deixar que ninguém te machuque ou leve.

Naquele momento, cheguei na conclusão de que talvez não existisse um momento certo para que aquilo acontecesse, talvez nós não precisássemos esperar até que o mês acabasse para que tudo aquilo tivesse uma solução. Eu sentia as ondas molhando meu tênis, se me esforçasse conseguiria ouvir um canto que aparentava querer me puxar em direção a água salgada que se aproximava cada vez mais de nós mesmo que aquele não fosse um horário onde a maré deveria estar alta. As ondas se aproximavam cada vez mais, dessa vez apenas no local onde nós estávamos na praia, e me permiti respirar fundo, reunindo um tanto de coragem quando vi aquele brilho mais uma vez entre as ondas que tocavam meus pés mais furiosamente.

Sabia que não era o único a sentir que o momento tinha chegado, o tritão tinha todos os motivos para saber que aquele talvez fosse um adeus, porém, antes que eu pudesse me despedir apropriadamente, fosse ao dizer algo ou dar um último beijo, senti algo envolver meu tornozelo como longos dedos e aquele aperto firme não apenas me fez sair de perto de Taehyung, como também começou a me puxar com força, me fazendo cair na areia no primeiro puxão.

Foi mais rápido do que eu imaginava, como se o oceano não tivesse tempo para despedidas algumas porque talvez soubesse que não seriam necessárias. Meu rosto e cabelo já estavam cheios de areia por conta da queda, e mesmo que eu automaticamente tivesse tentado me agarrar ao solo para não ser levado com tanto desespero, as ondas continuavam a me puxar e cada uma que atingia meu corpo parecia me agarrar com mãos grandes e firmes.

Antes que eu pudesse me livrar dos toques ou até mesmo gritar em surpresa, uma enorme onda me cobriu, me envolvendo em um abraço gélido antes de começar a me carregar rapidamente em direção ao alto mar, o que só pareceu mais desesperador quando notei que o oceano parecia fazer esforço para manter meus braços e pernas grudados ao lado de meu corpo, como se não quisesse que eu lutasse para sair dali por já não ter mais escolhas depois daquele momento.

Olhei para trás, para onde o tritão estava, quando a água deixou minha visão turva, e os gritos de Taehyung foram quase que completamente abafados por conta da água enquanto ele corria em minha direção. Nós dois parecíamos saber que ele não chegaria a tempo se a corrente continuasse a ficar cada vez mais forte, porém, com a água entrando em meu nariz e boca, eu sequer tive a chance de dizer que ele deveria ficar longe.

Antes que eu ficasse mais distante junto da correnteza, percebi um tanto atrapalhado que ele arrancou e jogou para bem longe o colar semelhante ao de minha mãe que antes usava, e então mergulhou no oceano para continuar a tentar me alcançar. Eu queria tocar sua mão uma última vez, queria ter gritado que fazia aquilo porque o amava, porém o oceano me empurrava para cada vez mais fundo não apenas fisicamente, mas também mentalmente. Sentia que explodiria a qualquer momento.

Eu não pude ver o que aconteceu depois do colar ter sido jogado longe, não consegui sequer ouvir seus gritos ou as ondas quebrando na areia, pois não tinha forças para sair dali quando minha boca e nariz começaram a ser cheios de mais e mais água salgada, me afogando sem sequer me dar chances de lutar para nadar. Queria dizer para Taehyung que ele me deixasse ir, que me perdoasse por não ter nos dado mais tempo, porém, antes que o tritão chegasse perto o suficiente e me tocasse, fui puxado para o fundo do mar e, mais uma vez, mergulhei na mais terrível das escuridões. 


Notas Finais


consegui tombar todo mundo? todes caíram da motoquinha? çaslkdj eu sei que é um final de capítulo de cortar o coração, mas eu Juro que o próximo capítulo chega logo e o sofrimento pelo nosso jimin logo acaba! LEMBRANDO QUE essa fanfic não é sad fic e nem death fic, então não precisam ficar com medo, ok? vai dar tudo certo, prometo! <3

mas e aí, achavam que o oceano teria essa atitude? alguém acha que o taehyung sabia de algo também? me falem toooodas as teorias, pensamentos e tudo o que queiram porque no próximo capítulo vamos ter a super revelação da fanfic e eu quero MUITO ver tudo o que passou pela mente de vocês até chegarmos nesse momento especial dçalskdj

MAIS UMA VEZ, sábado e domingo (07 e 08 de dezembro) eu estarei em são paulo na CCXP (comic con experience) e, caso alguém queira bater um papo, tirar uma fotinho ou só surtar por vmin ao vivo, é só falar comigo que eu vou AMAR encontrar vocês! aos que não vão, eu estou seeempre disponível pra vocês nas mps ou lá no meu twitter (@kaigansxn) pra dar amor, bater um papinho e tudo, então se sintam livres para nos amarmos virtualmente! <3

muuuito obrigada por chegarem até aqui, por lerem a fanfic e os avisos, vocês são incríveis e eu só tenho a agradecer! tem atualização semana que vem hein, não esqueçam! até o próximo! <3

link para a playlist da fanfic: https://spoti.fi/2JtNDdP
fanfic postada também no wattpad: https://www.wattpad.com/story/187187093-o-conjurador-de-mar%C3%A9s

QUER MAIS VMIN? ENTÃO SEGURA!
conto de príncipes: https://www.spiritfanfiction.com/historia/conto-de-principes-14019299/
suas videiras sob meu sol: https://www.spiritfanfiction.com/historia/suas-videiras-sob-meu-sol-14511672
chuvas de verão: https://www.spiritfanfiction.com/historia/chuvas-de-verao-11084350
entrelinhas: https://www.spiritfanfiction.com/historia/entrelinhas-11400251
cometa em órbita: https://www.spiritfanfiction.com/historia/cometa-em-orbita-11947615


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