História O Contrato - BUGHEAD - Capítulo 18


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Categorias Riverdale
Personagens Archibald "Archie" Andrews, Cheryl Blossom, Elizabeth "Betty" Cooper, Forsythe Pendleton "Jughead" Jones III, Hiram Lodge, Penelope Blossom
Tags Bughead
Visualizações 636
Palavras 1.817
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Desculpa pela demora
Boa leitura

Capítulo 18 - BUGHEAD - Capítulo 17



Jughead

 

Eu estava sentado ao balcão, bebendo minha terceira xícara de café, quando ela desceu no domingo de manhã. Ela pegou uma caneca — eu ainda não tinha tentado usar a cafeteira que apareceu na semana anterior, então ela me fez usar. Eu podia sentir seus olhares disfarçados conforme ela esperava a máquina fazer sua mágica.

— O quê? — suspirei.

— Eu dormi.

— Você estava exausta.

— Acordei na minha cama. Sem meu vestido.

Arqueei a sobrancelha para ela.

— É costume para um marido carregar a esposa pela casa e retirar seu vestido de casamento na noite em que se casam, eu acho.

Uma cor vermelha-escura corou suas faces, enfatizando suas maçãs delicadas.

Sorri e balancei minha cabeça.

— Você me ajudou, Betty. Dormiu, eu te cobri e saí do quarto. Pensei que, caso contrário, ficaria desconfortável.

— Oh.

Ela se sentou ao meu lado e bebeu seu café antes de notar o pacote embrulhado no balcão.

— O que é isso?

— Um presente.

—  Para mim?

— Sim.

Descobri que ela era uma rasgadora — nada gentil em abrir a fita e retira

— Você não vai esquecer isso, vai?

— Não. Você sabe minha história. Quero saber a sua. — Ela ergueu seu queixo teimoso, destacando a fenda. — Você prometeu.

Minha caneca de café bateu no granito com um pouco de força excessiva.

— Certo.

Desci do banquinho, tenso e agitado. Parei à janela, olhando a cidade, as pessoas pequenas e distantes — do jeito que eu queria que essas lembranças ficassem.

Mas Betty queria que eu as contasse.

— Meu pai era um playboy. Rico, mimado e um babaca de verdade. — Dei risada, virando-me para olhar para ela com intensidade. — Tal pai, tal filho.

Betty foi para o sofá, sentou-se, permanecendo em silêncio. Virei de volta para a janela, sem querer muito olhar no olho.

— Ele vivia intensamente, viajava muito, basicamente fazia o que queria, até meu avô chamar sua atenção. Disse para ele crescer e ameaçou tirar seu dinheiro.

— Nossa — ela murmurou.

— Ele e minha mãe se casaram pouco tempo depois.

— Bom, seu avô deve ter ficado feliz.

— Não o suficiente. Nada mudou muito. Agora eles festejavam juntos, ainda viajando e gastando um monte de dinheiro. — eu me mexi e me sentei à sua frente no pufe. — Ele ficou furioso e lhes deu um ultimato: se não lhe dessem um neto para pular em seu colo em um ano, ele iria tirar o dinheiro deles.

Também ameaçou mudar seu testamento, tirando meu pai completamente.

— Seu avô parecia um pouco autoritário.

— Puxei dele.

Ela virou os olhos e indicou que eu deveria continuar.

— Então, eu nasci.

— Obviamente.

Encontrei seu olhar.

— Não nasci do amor, Betty. Nasci da cobiça. Não me queriam. Nunca me quiseram.

— Seus pais não te amavam?

— Não.

— Jughead...

Ergui minha mão.

— Minha infância inteira, toda minha vida, ouvi sobre como eu era uma inconveniência... para ambos. Como eles tiveram a mim para assegurar que o dinheiro continuasse entrando. Fui criado por babás, tutores e, assim que tive idade suficiente, fui mandado para um internato.

Ela começou a morder a parte interna da bochecha, sem dizer uma palavra.

— Em toda minha vida aprendi que a única pessoa em quem se pode confiar é você mesmo. Mesmo quando eu ia para casa durante as férias, não era bem-vindo.

Inclinando-se para frente, segurei meus joelhos.

— Eu tentei. Tentei muito fazer com que eles me amassem. Era obediente. Excelente na escolar. Fiz de tudo para que pudesse fazê-los reparar em mim. Não obtive nada. Os presentes que eu fazia na escola para o dia das Mães e dos Pais eram descartados. Meus desenhos, jogados no lixo. Não consigo me lembrar de abraços ou beijos de boa-noite, ou de ter alguém para ler para mim na hora de dormir. Não havia empatia para joelhos ralados e dias ruins. Meu aniversário era marcado por um envelope de dinheiro. O Natal era a mesma coisa.

Uma lágrima escorreu por sua face, ver isso me deixou assustado.

— Aprendi muito cedo na vida que amor era um sentimento que não me interessava. Me deixava fraco.

Então parei de tentar.

— Não havia ninguém? — ela sussurrou.

— Só uma pessoa. Uma cuidadora de quando eu tinha uns seis anos. Seu nome era Nancy, mas eu a chamava de Nana. Ela era mais velha, gentil e diferente comigo. Lia para mim, conversava, brincava, escutava minhas tagarelices de criança. Dizia que me amava. Enfrentava meus pais e tentava fazê-los prestar mais atenção em mim. Durou mais do que algumas, que é o motivo pelo qual minha lembrança dela é mais clara do que as outras. Ela foi embora, no entanto; todas elas foram. — Expirei forte. — Acho que meus pais pensavam que ela estava me mimando, então a demitiram. Eu a ouvi discutindo com minha mãe sobre como eles me mantinham isolado e que eu merecia mais. Acordei alguns dias depois com uma nova babá.

— É ela que se parecia com Mary ?

— Sim.

— E depois disso?

— Ninguém.

— Você também não era próximo de seu avô? Parecia que era ele que te queria mais.

Balancei minha cabeça.

— Ele me queria para continuar o nome Jones. Raramente o via.

Ela uniu as sobrancelhas, mas permaneceu em silêncio.

Eu me levantei, andando pela sala, meu estômago com nós enquanto me permitia lembrar.

— Às vezes, meus pais mal conseguiam se suportar, então me deixavam sozinho. Meu avô morreu, e eles se separaram. Fui mandado para lá e para cá entre eles por anos. — Segurei minha nuca conforme a dor em meu peito ameaçava tomar conta de mim. — Nenhum deles me queria. Ia de um lugar para outro, só para ser ignorado. Minha mãe ficava saindo, viajando e socializando. Havia muitas vezes em que eu acordava e tinha um estranho para ficar como babá, enquanto ela continuava alegre. Meu pai ia de mulher em mulher; eu nunca sabia quem encontraria na sala ou na cozinha. — Fiz uma careta. — Na verdade, fiquei feliz quando eles me mandaram para a escola. Pelo menos lá eu conseguia esquecer.

— Conseguia?

Assenti.

— Aprendi cedo a ignorar. Eu não significava nada para eles. Eles me diziam com frequência, demonstravam com sua negligência. — Bufei de desgosto. — Eu não tinha sentimentos por eles também.

Eram as pessoas que pagavam pelas coisas que eu precisava. Nosso contato era quase limitado a conversas de dinheiro.

— Isso é terrível.

— Foi assim a minha vida inteira.

— Nenhum deles se casou de novo? — ela perguntou depois de alguns instantes de silêncio.

Dei risada; o som foi um pouco amargo e duro.

— Meu avô havia estipulado uma condição em sua herança: se eles se divorciassem, o dinheiro do meu pai seria bloqueado. Minha mãe não poderia tocar no dinheiro, então eles ficaram casados legalmente. Meu pai não se importava; ele tinha muitos recursos. Ele fodia todo mundo quando estavam casados e continuou quando se separaram. Eles combinaram um valor mensal, e ela vivia a vida que queria e ele também. Todo mundo saía ganhando.

— E você estava perdido nessa confusão.

— Betty, eu nunca estive na confusão. Era descartado como o coringa no deque. No entanto, no fim, não importava.

— Por quê?

— Quando eu tinha quase dezoito anos, meus pais estavam com uma parceria. Esqueci o que era... algum tipo de sociedade. Estavam engajados. Por algum motivo, saíram juntos. Acho que ele a estava levando para casa, e um motorista bêbado bateu neles de frente. Ambos morreram instantaneamente.

— Você ficou triste?

— Não.

— Deve ter sentido alguma coisa.

— A única coisa que senti foi alívio. Não tinha de ir a lugares onde não me queriam, mas para manter as aparências. Mais importante, não tinha de fingir me importar com duas pessoas que nunca deram a mínima para mim.

Ela fez um barulho estranho com a garganta, baixando a cabeça por um instante. Sua reação me deixou confuso. Ela parecia chateada.

— Já que eles ainda eram legalmente casados, e seus testamentos nunca mudaram, herdei tudo — continuei. — Até o último centavo, o que é bem irônico, considerando que a única vez que fizeram alguma coisa boa para mim foi quando morreram.

— É assim que consegue pagar seu estilo de vida?

— Não totalmente. Eu raramente uso minhas poupanças. Usei para coisas importantes, como para comprar este apartamento e pagar minha educação. Nunca quis a vida que meus pais tinham: frívola e perdida. Gosto de trabalhar e saber que consigo sobreviver sozinho. Não dependo de ninguém.

— É isso que está usando para me pagar?

Esfreguei minha nuca, sentindo a umidade do estresse.
— Sim, considero você importante.

De novo, ela baixou a cabeça, seu cabelo caiu para frente e cobriu seu rosto. Sentei-me ao seu lado e a encarei.

— Ei. Olhe para mim.

Ela ergueu a cabeça. Suas faces estavam molhadas com lágrimas, seus olhos arregalados e suas mãos apertadas no sofá tão forte que estavam brancas.

— Por que está tão chateada?

— Você espera que eu fique calma depois de ouvir como você foi negligenciado a vida inteira?

Dei de ombros.

— É passado, Betty. Eu te disse que não era bonito. Ainda assim, não faz parte do aqui e agora.

— Discordo. Acho que faz, Jughead.

Balancei minha cabeça.

— Nada vai mudar porque te contei minha história.

— Talvez não para você.

— Não entendo.

— Não, não estou surpresa.

— O que isso significa?

— Explica muito para mim. Por que você é do jeito que é quando interage com as pessoas. Por que não se aproxima de ninguém na vida. E por que não deixa as pessoas se aproximarem.

Olhei para ela.

— Não comece a me analisar.

— Não estou analisando. Estou dizendo o que penso, só isso.

— Não quero suas lágrimas nem sua empatia.

— Isso é muito ruim, Jughead... porque você tem as duas. Seus pais eram pessoas horríveis, e você, aliás, nenhuma criança merece ser maltratada ou ignorada. — Ela sorriu triste. — Mas você escolhe o modo de viver sua vida agora. Você acha que esqueceu o passado, mas não. A forma como vê o mundo, a forma como trata as pessoas é reflexo de como você foi tratado. — Ela se levantou, limpando as bochechas. — Se tentar, acho que pode descobrir que as pessoas nem sempre são horríveis como você pensa. Alguns de nós valem a pena, na verdade.

Suas palavras me deixaram paralisado.

— Não acho que você seja horrível, Betty. É totalmente o oposto, na verdade. Eu sou uma pessoa desprezível.

— Não, Jughead. Você não é desprezível. Acho que é perdido. Você não se permite sentir. Quando o fizer, quando se permitir se conectar a outra pessoa, acho que vai achar o mundo um lugar muito melhor. Amor não o torna fraco. Amor de verdade, sincero, o torna forte.
Com essas palavras, ela se abaixou e me beijou no rosto. Senti sua tristeza na minha pele, a umidade de suas lágrimas.

— Obrigada por me contar. E, para seu governo, não acho que você seja igual ao seu pai. Você só acha isso porque não conhece outra forma. Eu acho que, se tentar, pode ser um grande homem.

Ela se virou e saiu da sala, deixando-me com muita coisa para pensar.
 



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